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 [END] - Rendição

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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Dez 20, 2009 9:36 pm

Eu nao tenho problema nenhum c/religiao, cda um cre no q quer

Waaa essa freira é mto boazinha, tem um jeitinho td fofinho e é tao sabia e mente aberta
ms ainda acho q Audrey tem sim problemas
entendo q ela goste da Audrey ou se culpe, ms...
Achei engraçado Jun flando na maior naturalidade sobre homosexualismo na frente dela e Sho reprimindo-o
Essa parte do Ohno c/ a mae dele foi mto emocionante
eu chorei / FATO ç_ç
Foi mto bonito e as coisas q o pai dele disse a mae dele tbm foi mto lindo *----*
Nhaaa o Junior é a coisa mais fofa *-----*
Nao demore p/ postar o proximo cap please
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptySeg Dez 21, 2009 1:21 am

aah
que dó da freira
como alguem tão boa pode se sentir culpada por ter criado alguem tão má ?
a mãe do ohno ... AAH, não tenho palavras . amei ela.


[END] - Rendição - Página 12 Cpiadenewscalendar20101
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Josiane Veiga
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptySeg Dez 21, 2009 6:43 pm

Kyuu

Yes amiga...hiper tenso.. mas deveras recompensador...afinal, toda obra que a gente consegue tratar de polemica com responsabilidade é um presente ao autor^^

Ahhh.. eu me considero audaciosa nessas situaçoes.pq eu escrevo msm a perigo de ser xingada e tal.. eu acho que alguem tem que dar a cara a tapa.... Rendiçao é escrito por uma envangelica, que acredita no amor e não olha o sexo! Mta gnte acha que os evangelicos sao uma cambada de preconceituosos, mas eu to aqui pra dizer que nem todos sao assim.. eu nao sou! Mesmo que os evangelicos me destroçem por isso, eu to dando a cara a tapa..hehehe


Mãe do ohno é minha deliciiaaaa.. adoroooo ela...

A vida da Audrey é o motivo do aparecimento da freira..preparem-se pro prox. cap... mta coisa vai ser revelada...

Nara

A Audrey tem problemas..e serao revelados no prox. cap..prepare-se amiga..vai ser coisa de deixar o cabelo em pé...
O sho é liberal com ele... mas ele respeita a religiao dos outros... ele é como eu..ahauahauahaua.. alias, ele é baseado em mim..hehehe
A cena do ohno e da mae me fez chorar mtooo
Mtooo obrigada pelo comentario amiga...


Mii

Ai amiga..se eu falar agora... vou estragar a surpresa... mas sera algo bem inimaginavel...
Mtooo obrigada pelo carinho
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptySeg Dez 21, 2009 7:29 pm

Citação :
A Audrey tem problemas..e serao revelados no prox. cap..prepare-se amiga..vai ser coisa de deixar o cabelo em pé...
O Q???? aiai assim nao da
mais em pé do q ja ta? shahshashahsha
assim vc vai me deixar careca d tanto arranca os cabelos
ahsahshahshasha xDD
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptySeg Dez 21, 2009 11:07 pm

HHAHAHA
Mas é que vai ser uma coisa meia...improvavel..
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Dez 27, 2009 12:24 am

Rendição

Capítulo XXIX

Por Josiane Veiga

Nota da Autora: Aka Futai é uma (mais uma) personagem fictícia que será citada nesse capítulo, ou seja, a mulher NÃO EXISTE. Rsrsrs. Aliás, a historia dela surgiu de uma conversa minha com a autora de Guardians: Luciane Rangel, mãe (criadora) de duas fantásticas personagens homossexuais.




--------------------------------------------------------------------------------


A música sacra tinha uma melodia tão suave, que Masaki fechou os olhos por alguns segundos, permitindo que a composição invadisse sua alma. Sempre amou a música. Considerava-se eclético, mas admitia que aquela delicada melodia era especial.

Quando abriu os olhos novamente, percebeu os olhos de Sakurai sob si. A forma afetuosa com que o namorado o encarava, deixou um sorriso macio nos lábios de Aiba.

“Eu te amo”.

Quando os lábios de Sho moveram-se para pronunciar a frase, o rosto de Aiba enrubesceu. Sakurai, obviamente, não disse aquilo em voz alta. Mas o simples fato do homem ter mexido a boca para demonstrar aquele sentimento, já enchia seu coração de ternura.

Desviou os olhos do amante, e voltou-os para a sala branca. As paredes eram cercadas por estantes repletas de livros e uma mesa de mogno marrom dava a aquele lugar certo requinte. Atrás da mesa, Misao Sautou sentava-se em uma cadeira estofada. Com uma das mãos gordinhas, ela indicou as cadeiras a frente.

-Sentem-se.

Os três jovens obedeceram rapidamente. Pela primeira vez desde que conheceram a freira Sautou, tinham a impressão de que era realmente religiosa. Anteriormente, no pátio do orfanato, a simplicidade dela havia-os deixado mais a vontade. Porém, dentro daquelas paredes, sua postura parecia mais séria.

-O que quero contar a vocês não deve sair dessa sala - avisou.

-Não podemos prometer isso – Jun respondeu, apressadamente. – Se for algo que possa ajudar nossos amigos, usaremos a informação.

Os olhos escuros da japonesa demonstraram desânimo.

-Me sinto antiética ao falar do assunto – reclamou. – Nunca falei sobre isso com ninguém.

Aiba se manifestou:

-Por favor, madre! Estamos implorando!

A mulher de roupa escura apoiou os cotovelos sobre a mesa. As mãos seguraram seu queixo e, naquele instante, parecia meditar sobre a circunstância.

-Não sei se valerá de alguma coisa o que vou dizer – Masaki continuou -, mas Nino-chan e Ohno-chan se amam desde que eram crianças. O sentimento deles nunca se desviou ou enfraqueceu. Separá-los é o mesmo que ir matando-os aos poucos...

Misao observou os olhos do loiro, enquanto ele falava. Quanta sinceridade havia naquele olhar! Mesmo assim, teria ela o direito de mexer num passado a tanto enterrado? Sim, se o mesmo passado fosse o responsável pela dor daqueles a sua frente agora.

-Eu tinha cerca de trinta e cinco anos quando a organização católica japonesa resolveu abrir este orfanato – ela contou. – Não lembro-me direito o motivo, mas fui escolhida para ir aos EUA, fazer um treinamento especial na administração da obra filantrópica.

Os três membros do Arashi permaneciam num silêncio mórbido, ouvindo cada palavra com devida atenção.

-Quando lá cheguei, fui designada a cuidar de uma criança especial.

-Como assim especial? – indagou Sho.

-A mãe dessa criança era garçonete. Havia morrido numa overdose de cocaína. A criança foi testemunha da morte da mãe. Daquele momento em diante, ela perdeu a fala.

-Que triste... – Masaki suspirou. – E após a overdose da mãe, foi entregue aos seus cuidados?

-Não. Tinha família. O irmão, e o padrasto. Não houve nenhum tipo de disputa judicial, pois o lado materno não havia se manifestado.

A mulher pareceu mais incomodada que antes. Novamente o silêncio preencheu aquela sala.

-Essa criança é Audrey? – indagou Sakurai. – Eu lamento muito que a vida dela tenha sido tão difícil, mas não justifica sua homofobia! – disse, ríspido.

Indiferente a manifestação de Sho, Misao continuou:

-Quando a mãe morreu, Audrey tinha oito anos. O irmão tinha cinco. Mesmo sem falar, era a menina que cuidava do mais novo.

-O que aconteceu com esse irmão? – indagou Jun – Onde podemos encontrá-lo?

-No cemitério.

-Como assim?

-Está morto. Enforcou-se no aniversário de seis anos.

Os três ficaram estáticos com a notícia.

-Quando a polícia chegou a casa em que Audrey morava, e encontrou o corpo do menino, o mesmo foi submetido a exames. Descobriu-se então que o padrasto o violentava.

-Kami-sama! – Aiba murmurou. – E Audrey?

-Ela também foi submetida a exames... mas, por sorte, o homem não havia tocado nela. Quando foi preso, o homem admitiu que sentia desejos pelo menino.- A freira respirou fundo, buscando ar antes de continuar. – E Audrey acompanhou o irmão sendo submetido à tamanha violência, sem poder fazer nada. Ela era só uma criança, e não tinha forças para lutar contra aquele monstro. Entretanto, ela se culpa... sempre se culpou, pois era a mais velha e considerava-se responsável.

Sho levantou-se da cadeira e foi à direção da enorme janela de vidro. Lá fora, meninas - da idade que Audrey teria quando foi forçada a tamanho horror – brincavam despreocupadamente.

-O que aconteceu a esse homem? – Jun indagou.

-Prisão perpétua – Misao respondeu.

Masaki voltou o olhar para o namorado. O mesmo parecia absorto em pensamentos. Levantou-se também, e foi até ele. Pousou uma das mãos no seu ombro, tentando chamar-lhe a atenção.

-Percebe o que se passa na mente dela? – Sho sussurou.

Porém, suas palavras foram ouvidas por todos naquela sala.

-Sho-kun... – Aiba murmurou.

-Audrey olha para qualquer homem que sente atração por alguém do sexo masculino, e vê o próprio padrasto. Pela aparência frágil, Nino acabou se tornando a exceção. Nino é como se fosse o seu irmão, que ela ama demais, e a quem quer proteger. Ohno é o vilão, o seu repugnante, que abusa do fraco Kazunari.

-Ela é doente – Matsumoto replicou. – Não deve meditar nas suas esquisitices.

-Não penso assim – Sakurai murmurou. – Agora eu entendo porque ela nos odeia tanto – ao dizer isso, o rapper encarou o namorado. – Audrey não é só alguém preconceituosa. Depois de tudo que ela passou, é normal que ela confunda homossexualismo com pedofilia.

-Está querendo dizer que ela acha que somos pedófilos? – Masaki indagou. – Isso é um absurdo.

-Muitas pessoas acham isso dos gays. Poucos percebem a loucura que é tal idéia – Misao suspirou. – Não existe nenhuma ligação, mas as pessoas insistem nesse conceito, para ter um motivo plausível para ficar contra os homossexuais.

-Audrey não vai desistir – Sho a interrompeu. – Afastar Ohno de Nino é a forma que ela encontrou para se redimir pelo irmão.

-E Nino-chan ter aquela cara de bebê deve ter ajudado muito! – Jun riu. – Pelo menos temos uma boa noticia: não é no dinheiro dele que a mulher está interessada. Audrey não vai usar aquelas fotos contra Kazu-chan!

-Também acho – Aiba concordou.

-No entanto – Sho falou -, a situação mudou. Não podemos simplesmente atacar.

-O que quer dizer? – Masaki indagou.

-Que eu creio que nos devemos ajudá-la.

-Ficou maluco? – Jun reagiu, num salto. – Não somos irmãos de caridade para ficarmos tentando dar uma força para aquela louca. Com tudo de ruim que ela já fez contra nós, e você ainda pensa em...

-Jun-chan – Sho o interrompeu. – Se livrar de Audrey não vai mudar a opinião que ela tem de nós... de todos que são diferentes...

-E daí? Que se dane!

-Você não é gay... – Masaki o interrompeu. – Não sabe qual é a sensação de ser olhado de forma preconceituosa...

-Nem você sabe! – Jun rebateu. – Ninguém desconfia de você! Ohno-san e Nino-san são bem óbvios, mas você e Sho são muito discretos.

Masaki sorriu. O simples fato de ele fazer aquilo calou Matsumoto. Sabia que o amigo iria se manifestar, e então esperou. Em poucos segundos, a voz doce de Aiba invadiu o ambiente.

-Há três anos atrás, eu resolvi que devia contar a mãe de Sho-kun sobre meu relacionamento com o seu filho...

Sakurai ficou pasmo, e Jun mortificado.

-Marquei com a senhora Sakurai em um restaurante. Almoçamos juntos, rimos das histórias sobre a JE... enfim, um dia perfeito. Eu sei que ela me ama como filho, e então, enquanto a conversa fluía, enchi-me de coragem. Estava pronto para abrir meu coração...

-E o que o impediu? – Sho estava curioso... e chocado.

Por que Masaki nunca havia lhe contado aquilo? Não fora essa a principal divergência entre eles? Se soubesse que Aiba havia tentado tornar público o relacionamento deles, jamais teria sido tão bruto.

-No momento em que abri a boca para contar tudo, Aka Futai(1) chegou ao restaurante. Sabem quem é ela?

-Sim – Jun respondeu. – É aquela diretora de teatro, não?

-Hai – Masaki afirmou com a cabeça. – Aka-san era conhecida por sua expressão triste. Dizem que ela nunca havia amado alguém... e que era muito infeliz.

Aiba manifestou um triste sorriso.

-Mas naquele dia, ela nos cumprimentou com um sorriso enorme. Seus olhos brilhavam, e ela parecia pisar nas nuvens. Assim que ela se afastou, a senhora Sakurai cochichou algo pra mim que me fez perceber o quanto o preconceito pode machucar.

-O que minha mãe disse? – Sho indagou.

-“Coitadinha... dizem que arrumou uma namorada...Veja só, Aiba-chan... tão bonita, e é lésbica”. – prossegue. – Eu sei que a senhora Sakurai não me disse aquilo por mal, pois afinal de contas, ela desconhece a minha condição sexual. Mas suas palavras me fizeram perceber algo tão importante: durante tanto anos em que Aka Futai era uma pessoa solitária e triste, ninguém se importou o quanto ela era infeliz. Agora que ela havia encontrado o amor, ninguém pareceu notar sua felicidade... tudo que viam é o quanto ela é diferente. Naquele instante, eu prometi a mim mesmo que não contaria nada a sua mãe, Sho-kun – olhou o namorado -, pois ninguém vai se importar se estamos felizes ou não, tudo que vão ver é o quanto somos diferentes dos outros homens. Vão nos olhar, e nos enxergar doentes.

Masaki se preparou para a explosão de Sakurai. Sabia que dizer aquelas palavras poderiam afastar o namorado de si. Sho era audacioso, corajoso e livre. Ele não gostava de amarras. Masaki era o oposto. Tinha limitações, e não podia lutar contra elas. No entanto, foi com alivio que sentiu os braços de Sakurai o puxarem contra si, e o envolver em um casto abraço.

-Vocês dois! – Matsumoto exclamou. – Não esqueçam onde estão!

Soltaram-se imediatamente, e olharam para a freira. Para alívio, a viram sorrindo em suas direções.

-Vocês podem ajudar Audrey – ela afirmou. – Então eu imploro que o façam...

-Não concordo... – Jun reclamou.

Porém a voz de Aiba o interrompeu:

-Semana que vem é Natal...

-Eu sei – Jun suspirou. – Será que dá pra gente falar do seu aniversário depois?

-Semana que vem é Natal – Masaki insistiu. – Dizem os ocidentais que é época de perdão, não? Então eu acredito de verdade que a gente possa perdoá-la, e ajudá-la. Estou disposto!

-Eu também – Sho sorriu.

-Vocês dois ficaram malucos! – Matsumoto reclamou. – Mas, que inferno, o que eu fiz a vida toda que não fosse seguir suas idéias absurdas?



--------------------------------------------------------------------------------

-O pai de Nino-chan veio aqui? – A voz da senhora Ohno fez o filho a encarar.

Estavam na cozinha, tomando o café que descansava na cafeteira elétrica. Abrir o coração para a mãe trouxe a Ohno uma nova dimensão, como se fosse um guerreiro forte pronto a batalha.

-Hai – murmurou.

-E Nino-chan foi com ele?

-Nino-chan só quis nos proteger – Ohno o defendeu. – Kazu-chan não teve uma infância fácil, e nem uma adolescência tranqüila. Sua vida foi envolta por momentos bem difíceis. Então, por este motivo, sempre teve a maldita idéia de que não deve causar mais problemas...

A mulher bebeu um pouco do café. Sua mente raciocinava rapidamente todas aquelas descobertas.

-O pai de Nino nunca foi um homem fácil – disse, por fim. – Ele foi criado numa escola masculina... a família dele leva muito a sério as tradições. Tenho certeza que devia sonhar com um belo casamento com uma moça japonesa de boa família.

-Mas para isso, Nino não devia ter sido artista! – Ohno reagiu. – Não aceitam o Nino-chan do jeito que é, mas aceitam o dinheiro dele!

-Não é os atacando verbalmente que você vai resolver alguma coisa... – A mãe o repreendeu.

-Por que não posso atacá-los? Não o deixaram órfão de pais vivos? Não o abandonaram sozinho no mundo?

-A vida não é “preto no branco” como você acha! – A senhora Ohno suspirou. – Nino-chan não é filho único, e sua mãe tentou manter a família unida, apesar da forma como se desestabilizou. O pai de Nino reagiu muito mal às circunstâncias, e para evitar que a situação do lar piorasse, ela incentivou Nino-chan a sair de casa. Eu não vou dizer a você que faria a mesma coisa, mas compreendo a atitude dela.

Ohno parecia espantado.

-Você sabia, mãe? Você sabia os motivos pelos quais Nino-chan havia saído de casa?

-Não ouse me cobrar lealdade, já que você mesmo mentiu pra mim durante tanto tempo!

Envergonhado, Satoshi baixou a fronte. Mais uma vez, ele entendia que havia puxado pelo lado paterno da família. A mãe era muito sagaz e inteligente.

-O que devo fazer? – Ohno murmurou, após um tempo.

Sentiu os dedos claros da mãe pegando nos seus. Levantou os olhos e observou aquele rosto amigável, sorrindo para ele:

-Você o ama?

-Muito.

-Então lute por ele. Ou acha que ficar aqui no apartamento de Aiba-chan, chorando por Kazunari, vai ajudar em alguma coisa?

-Eu sei que não, mas não tenho idéia do que fazer. Não sou o tipo de pessoa que tem planos mirabolantes. Sou muito simples, mãe...

-Mas tem amigos. E onde eles estão agora?

-No orfanato...

A mulher arqueou as sobrancelhas.

-Que orfanato?

-Audrey foi criada por uma freira japonesa. Estão lá atrás dela, tentando descobrir algo.

A mãe sorriu:

-E o que faz agora na minha frente que não está lá com eles?



--------------------------------------------------------------------------------

O trajeto do apartamento de Masaki até a estrada que os levava em direção norte, foi feito em total silêncio. Para sua sorte, o pai não havia gritado com ele, como fazia diversas vezes durante a adolescência.

Porém, aquela fria calma também o assustava. Mas, por quê? Já não era mais um garoto, que morria de medo do pai descobrir sobre seu amor secreto. Agora já era um homem, dono do seu próprio nariz. Mas, seria mesmo? Se fosse realmente, estaria, naquela hora, almoçando com Oh-chan e não viajando ao lado de um homem que o olhava com tanto asco.

De repente, notou que de fato era um escravo. Naquele instante, era completamente manipulado por Audrey, mas antes dela, também nunca fora completamente livre. E, se fosse honesto consigo mesmo, não seria jamais. Por ser tão diferente, se quisesse ter alguma paz, teria que esconder os sentimentos do seu coração.

-Onde estamos indo? – perguntou após tanto tempo de silêncio. – Onde está me levando?

Imaginou se o pai o responderia. Sabia que aquele homem tinha nojo dele, e então mesmo um simples dialogo, o irritava.

-Estou o levando até uma casa que aluguei, nas montanhas.

O pai o estava afastando do mundo? Por Deus, era crueldade demais. Abriu a boca para protestar, quando viu o pai bater com força no volante. Enfim, havia liberto o monstro violento que sempre existira dentro daquela casca grossa.

-Que teatro foi aquele na casa de Masaki Aiba? – Esbravejou o senhor Ninomiya. – Parecia uma mulherzinha se escondendo atrás de Ohno Satoshi!

Não respondeu. Por que o faria? Sabia que o pai apenas iria se irritar ainda mais se ousasse explicar os sentimentos que o aproximavam do Riida. Fechou os olhos, e ficou agüentando quieto o berro do mais velho:

-Olhe pra você! Tem dinheiro, fama, boa aparência física! Teve as mais belas japonesas como namoradas, mas se atreveu a colocar tudo isso no lixo por causa de um ato sujo! Eu preferia te ver morto a gay!

“Oh-chan... Oh-chan”, focou sua mente.

Era somente um nome... apenas um apelido carinhoso... mas era tudo que ele tinha naquele instante.

...E, talvez, seria tudo que ele teria pelo resto da vida...

Enquanto o pai gritava sua raiva e atirava sob Kazunari suas acusações, Nino divagava nas lembranças...

“Eu amo tanto você, Nino-chan. Eu te amo tanto que aceito sua escolha, mesmo que esta não seja ficar comigo...”

Oh, Satoshi! Se você soubesse. Nunca houve escolha. Nino nunca teve o direito a optar por você. Kazunari sempre teve que esconder o que sentia, e, quando enfim criou coragem para viver aquela paixão, tudo que havia conseguido era trazer dor para aquele a quem mais amava.

-Portanto – ouviu a voz do pai -, faça por merecer o amor daquela garota!

Com a cabeça baixa, Nino foi incapaz de se negar. Sentiu-se covarde, mais uma vez. Aquela sensação já era tão bem conhecida. Vergonhosamente, fraqueza era sua maior característica em relação a sua família.

-Chegamos.

Assim que o senhor Ninomiya avisou, ele observou a casa a que atingiam. O carro estacionou à entrada, e tão logo o veículo estancou, uma mulher morena abriu a porta da frente, e correu a direção deles.

-Nino! – Audrey gritou, atirando-se nos seus braços. – Você está bem? – Indagou, ansiosa.

Kazunari agora estava de pé, encarando a mulher com os olhos frios. Ele não reagiu ao toque dela, nem ao menos lhe sorriu. Deteve-se em olhá-la de forma calculista, como se a medisse.

-Eu arrumei seu quarto – ela avisou, puxando-o pelo braço. – Vai ter uma estadia muito feliz! Poderemos ter um tempo só pra nós dois, afastados de todos. Será nosso tempo para nos conhecermos melhor, antes de irmos juntos pros EUA.

Kazu continuou em silêncio, mantendo-se alheio as palavras da mulher. Obviamente, o rapaz a ouvia, mas não fazia nenhum caso.

Quando entrou na casa, não reparou nos móveis finos, nem na aparência maravilhosa do lugar. Tudo que pensava era que preferiria estar num casebre horrível, mas com Ohno. Também não reparou na conversa animada da americana, e apenas a deixou guiar a si para um espaçoso quarto.

O pai sumiu de suas vistas, assim que a porta da suíte se fechou. Estava lá sozinho com Audrey, mas, estranhamente, não sentiu nada pelo fato... apenas indiferença.

-Sei que está zangado – a moça começou. – Mas, um dia, você vai me agradecer muito por tudo isso.

Silêncio.

-Eu te amo tanto... por que não entende?

Só então Ninomiya a olhou.

-Eu te dou todo o meu dinheiro pelas fotos...

-Anh? – A expressão dela era confusa.

-As fotos que você tirou. Eu te dou tudo que tenho... tudo... pelas fotos.

-Eu só quero você...

Nino respirou fundo, buscando paciência.

-Não me importo mais com o que fizer comigo, mas quero impedi-la de prejudicar meus amigos.

Os belos olhos amendoados dela obscureceram-se. Perplexo, Nino viu lágrimas.

-É isso que você acha? Crê que eu quero dinheiro? Que tudo que me importa é acabar com seus amigos?

-E não é?

-Somente se eles não desistirem de você! Atacá-los é a forma que tenho de te proteger...

-Me proteger?

-Eles influenciaram você, Nino – Audrey explicou. – Eles o fizeram acreditar que você gosta daquele tal de Satoshi. Mas isso é impossível, porque você é homem. Você deve fazer sexo com uma mulher... amar uma mulher... me amar...

-Isso não vai acontecer...

-Aquele maldito líder o dominou... o fez acreditar numa perversão... num ato imundo...

Quem ela era pra se atrever a falar de Ohno na sua frente? Cegando-se, Kazu pegou os braços de Audrey e a puxou contra ele.

-Eu sou o passivo – contou, baixo. O olhos dela arregalaram-se. – E, quando Ohchan me penetra, eu sinto muito prazer... eu adoro...

-Cale a boca!

-A sensação que tenho quando sinto o órgão longo e macio de Ohno entrando dentro de mim é indescritível... porque eu sei que é lá que ele deve estar...

-Você não sabe o que diz!

-Não é sexo... nunca foi! Sexo é apenas desejo, mas quando Ohno entra em mim, não é meu corpo que ele invade, é meu coração. Ele aquece minha alma – Nino aumentou mais a voz. – E eu o amo... e você nunca – apertou mais o aperto – nunca – repetiu, categórico – nunca vai mudar isso!

-Amor? – A voz de Morgan estava embargada pelas lágrimas. – O que isso pode ter de amor? Amor é um sentimento direito, correto.

-E isso eu vivo com Ohchan! – Nino retificou. – Quando eu estou com ele, eu sei que ali é o meu lugar. Entre nós, não existe fingimento... com ele, eu posso ser o que eu realmente sou...

As lágrimas de Audrey já molhavam todo o rosto da jovem. Mas, para surpresa de Kazu, ela não gritou, nem esbravejou contra aquela determinação:

-Eu vou te ajudar...

-O quê? – Nino ficou confuso.

-Você vai ficar curado dessa doença e tudo vai ficar bem.

Após dizer essas palavras, ela deu as costas a Kazu, e saiu, batendo a porta.



--------------------------------------------------------------------------------

Melanie Vardin abriu a porta do apartamento assim que a campainha tocou. Masaki Aiba havia lhe mandado uma mensagem pelo celular no dia anterior, avisando que iria passar o dia na sua presença.

-Sim? – disse, assim que abriu a porta.

A decepção a tomou por não ser o rosto do loiro a sua frente. Um pequeno japonês a entregou um buquê de flores, e afastou-se educadamente.

Fechou a porta, tentando evitar as lágrimas.

Aiba lhe telefonava todo dia, mas por conta da agenda estafante, quase não vinha vê-la. Sentia falta do seu sorriso, e da sua voz doce. A presença de Masaki era um alento a sua alma.

Olhou o buquê. Rosas brancas, suas favoritas. Uma pequena missiva estava por cima das flores.

“Tive problemas, e não pude ir até você. Mas gosto muito da linda Mel-chan, né? E do bebê de Sho-kun também! Irei até você assim que puder. O telefone da minha agente está embaixo, e tudo que precisar, é só ligar... não se acanhe, por favor...

Seu amigo,

Masaki Aiba”


Seu amigo... amigo... Única pessoa que havia lhe estendido a mão em toda a sua vida, dando-lhe carinho e tratando-a com respeito. Único homem que não tentou levá-la a cama, ou barganhar favores...

Seu amigo...

Masaki Aiba era seu amigo!

E ela, o que fazia?

Melanie Vardin caiu ao chão, em lágrimas, enquanto o remorso a dominava...

Continua...
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Dez 27, 2009 5:31 pm

Aii q triste a historia da Audrey TToTT
nunca imaginaria q ela tivesse um passado assim
entendo do pq ela agir assim, embora isso nao justifique
ms q é triste é Ç_Ç
Essa mae do Ohno é maravilhosa *------*
*fã da mae do Ohno haha*
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Dez 27, 2009 6:24 pm

aaaaaaah
se nao fosse a audrey, eu até teria dó dela
e o que sera que ela vai apronta ? :T
boom, como sempre né.. tá de parabéns *-*
ameei o capitulo


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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyTer Dez 29, 2009 8:55 pm

Nara^^
Sim flor.. ela na verdade é doente. Passou por 3 grandes traumas: morte da mae, morte do irmão e estupro do irmão, e nao recebeu nenhum tratamento..cresceu com os padroes morais invertidos...
Vai ser legar trabalhar essa personagem agora^^

Brigada pelo comentario amore^^




Mii
A Audrey ainda terá grandes participaçoes amore^^ vai ser bommm lidar isso...hehehe
Mtoo obrigada pelo carinho
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Jan 03, 2010 4:36 am

Rendição

Capítulo XXX

Por Josiane Veiga

Nota da Autora: Cap 30! Nossa! Um marco! Primeiro fanfic que escrevi que chega tão longe(em nº de capítulos). Quero agradecer demais a todos que acompanham.. a todos que me receberam com tanto carinho nesse fandom. Obrigada por cada comentário, por cada elogio ^.^E capítulo mais curto, pois essa semana não estive muito bem (inspiração).




--------------------------------------------------------------------------------


-De jeito nenhum! – Exclamou Karin.

A mulher japonesa caminhou por entre os corredores do estúdio de televisão. Três jovens homens seguiam atrás dela, com os passos tão apressados quanto os seus.

-Karin-san! – Sho esbravejou. – Não posso acreditar que você vai se recusar a nos fornecer o endereço de onde Nino-chan está!

A moça virou-se para trás, e encarou o moreno.

-Pois acredite.

Após isso, continuou a caminhar despreocupadamente. Ela cruzava por outras pessoas, e as cumprimentava de forma negligente. Logo alcançou sua sala, e adentrou. Só então percebeu que os três continuavam no seu encalço.

-Eu tenho dois scripts dos programas pra revisar – avisou. – Poderiam dar-me licença?

Masaki negou com a face.

-Tente nos entender, Karin-san... só você pode nos ajudar.

-Precisamos saber qual é o endereço de onde Nino-chan se encontra – Matsumoto ajudou a insistir.

Um suspiro zangado escapou dos lábios dela:

-Por Kami-sama! O pai de Nino o levou esta manhã! Não conseguem ficar poucas horas separados?

-Não podemos explicar agora – Sho insistiu -, mas precisamos ir vê-lo!

-Prometi ao Sr. Ninomiya – Karin moveu a mão, deixando claro sua negativa -, de que não falaria nada a ninguém. Além disso, serão poucos dias, afinal, eu notei que Nino-chan estava muito bem de saúde – ela resmungou.

Pegos na mentira! Sho, Aiba e Jun não puderam sequer retrucar aquela frase. Era bem verdade que eles inventaram a agência de que Kazunari estava doente. Entretanto, nenhum deles pareceu envergonhado pela inverdade.

-Karin... – Sho voltou a falar.

Porém, naquele instante, uma quarta pessoa entrou na sala da executiva. Ohno Satoshi vinha com uma postura firme e séria. Ele caminhou alguns passos, e postou-se ao lado dos amigos. Seu olhar era intenso, duro. Os demais membros da banda pareceram estranhá-lo, como se acabassem de ver um fantasma. Seu líder era doce e gentil. Quase ingênuo. Todavia, o Satoshi de agora era tremendamente assustador.

-Dei-nos o endereço – ordenou o mais velho a Karin.

-Eu prometi...

-Agora!

O timbre do Riida era baixo. Nenhum sinal de irritação, apenas de secura.

-Por que querem o endereço de Kazunari-chan? – A mulher pareceu obstinada. – Vocês têm duas tomadas de gravações ainda hoje! Aguardem até a próxima semana, quando o amigo de vocês aparecer...

-Se não nos der o endereço agora – Ohno a interrompeu – não haverá gravações hoje, nem amanhã, nem nunca mais – ameaçou.

Os olhos dos companheiros se arregalaram. O que diabos o Riida estava falando? Havia enlouquecido? Mesmo assim, apesar do descrédito com que ouviam aquelas intimidações, não ousaram desmentir o companheiro.

-Está brincando? – Karin parecia enfurecida. – Vocês têm contrato...

-Dei-me o endereço – ele repetiu, categórico.

-O que está acontecendo com você? – De raiva, seu rosto se tornou uma máscara de preocupação. – Sempre foi tão responsável. Aliás, vocês cinco sempre foram um exemplo para os outros jovens da agência. Como pode agora falar de descumprir um contrato de forma tão banal?

No entanto, era como se a voz dela fosse atirada às paredes. Ohno nada parecia compreender. O olhar continuava firme e duro.

-Vou sair do estúdio agora, e vou atrás do endereço. Vou revirar Tókio, mas vou conseguir a indicação de onde Nino-chan está. Você pode me ver dar as costas agora, ou me alcançar o endereço. O que vai escolher?

Karin tamborilou o dedo indicador na mesa de mogno, enquanto parecia pensar. Seu olhar não desviou de Satoshi, e a mulher parecia seriamente surpresa por aquela faceta de Ohno, que tão poucas pessoas já haviam visto.

Não demorou muito, e a moça abriu a bolsa. De lá, tirou a agenda. O endereço se encontrava no meio das folhas. Ela mesma copiou em um pedaço de papel e entregou ao líder da banda.

-Obrigado, Karin-san – Ohno murmurou.

-Ter o endereço não é garantia de que vai conseguir ver Ninomiya-san – avisou. – O pai de Nino-chan pode não deixar nenhum de vocês entrarem na casa.

-Deixe conosco.

Após isso, Ohno deu às costas a mulher, e saiu da sala apressadamente. Não olhou para trás em nenhum momento, mas sabia que os amigos o seguiam. Logo chegaram ao camarim, e ao entrarem, trancaram a porta.

Só então, Ohno pareceu soltar a respiração e voltar ao antigo Satoshi.

-Oh-chan – Masaki parecia espantado. – Quem foi aquele lá no escritório da Karin-san?

-Não parecia você... – Jun concordou. – Foi realmente assustador...

Ohno sorriu.

-É um personagem. Às vezes eu o treino em frente ao espelho... – explicou. - Como diversão. – Acrescentou. - Ajudou-me hoje, então estou feliz pela excentricidade.

-Personagem? – Sakurai se manifestou. – E que personagem é? Aliás, pra que você treina um personagem tão... intimidante?

-Não tenho idéia... – Ohno murmurou, incomodado pela própria excentricidade. – Quem sabe algum dia alguém não me dê um personagem de um assassino ou coisa do tipo?

-Quem seria maluco em lhe dar tal personagem com essa cara de anjo que você tem? – Indagou Sho. Entretanto, pareceu mudar de idéia em seguida. – Enfim, se alguém der-lhe tal personagem, tenho certeza que você vai ganhar muitos prêmios de melhor ator!

-Ok. Ok! – Jun interrompeu o diálogo. – Vamos voltar ao assunto principal? Oh-chan, temos que conversar sob Audrey!

-Depois – Satoshi voltou o corpo para a porta. – Agora eu vou atrás de Nino-chan.

-Espere – Jun o segurou pelo braço. – Não antes de nos ouvir...

-É, Oh-chan – Masaki concordou. – Você precisa saber quem é Audrey...

-Eu sei quem ela é – Ohno reclamou. – Uma bruxa maldita, ruim, mesquinha...

Sho adiantou-se e se postou a frente do líder.

-Não... – Sho o interrompeu. – Audrey é doente, Oh-chan...

Aquela afirmação do rapper fez Ohno arquear as finas sobrancelhas.

-Doente? Do que estão falando?



--------------------------------------------------------------------------------

Após Sakurai terminar todo o relato, o líder do Arashi sentou-se no sofá. Audrey realmente não era uma pessoa normal, e sim, uma vítima da vida. Uma criança que foi exposta a três grandes traumas – a morte da mãe, o estupro do irmão e, por fim, a morte do mesmo irmão – e que não recebeu nenhum tratamento adequado, era incapaz de dominar as próprias emoções. Como as entidades da época não perceberam a necessidade de auxiliar psicologicamente aquela menina?

Era próprio de Satoshi a piedade. Era de seu caráter. Criado por uma mulher forte como a senhora Ohno, o homem cresceu tendo como espelho uma mãe extremamente humana, que lhe ensinou sentimentos como compaixão.

-Temos duas escolhas... – Sho voltou a falar. – A primeira é mandarmos matar Audrey, pois só assim ela desistiria de Nino-chan...

Obviamente, essa alternativa era descartada pelos quatro, e foi dita apenas como forma de ilustração.

-E a segunda? – Ohno questionou.

-A ajudarmos...

-E como faríamos isso? – Ohno moveu a cabeça negativamente. – Alguém aqui já percebeu que ela é o tipo de pessoa tão transtornada mentalmente que se tornou quase uma maluca?

-Nós temos obrigação de tentar – Sho o respondeu. – Qualquer alternativa. Vamos primeiro conversar com ela... se não funcionar, então iremos usar outro método.

Era em momentos como aquele que a humanidade de Sakurai se manifestava. Para ele, auxiliar uma terceira pessoa era uma obrigação moral. Por sorte, tinha amigos que compreendiam seus sentimentos, e apoiavam-no.

-Não posso ir até Audrey... – O Riida murmurou. – Imagino o que ela sente quando me vê... Compreendo que quando me tratava bem, era apenas uma forma de que eu não suspeitasse seus verdadeiros sentimentos para comigo.

Um silêncio reinou por alguns segundos dentro do camarim. Sho e Aiba aproximaram-se instintivamente um do outro, como se buscassem palavras para tentar aliviar o clima. Mas foi Jun, que indo até Ohno, e pousando a mão pálida no ombro do amigo, fez com que a situação amenizasse.

-Não devo ir até Nino-chan agora – Satoshi suspirou. – É melhor que dois de vocês vão primeiro. Acredito que devo ficar afastado para não prejudicá-lo ainda mais.

Matsumoto sentiu como se aquelas palavras fossem ditas com tamanho esforço que Ohno se segurou para não cair em lágrimas. E qualquer sofrimento que fosse sentido pelo Líder, era naturalmente captado e experimentado pelo próprio Jun.

-Quando Nino-chan esteve no hospital logo após o acidente – Ohno contou – ele me disse que tentava se afastar de mim para que eu não sofresse, mas que o resultado era sempre me fazer chorar. Agora eu consigo entender direito o que ele queria dizer...

Dessa vez Masaki também se aproximou de Ohno, e o abraçou.

-Sho-chan e eu iremos até Nino-chan. Vamos fazer de tudo para ajudar vocês dois, eu prometo.

-Eu sei disso, Aiba-chan... – o sorriso triste de Satoshi trouxe lágrimas aos olhos límpidos de Masaki.

-E eu irei ficar com você aqui – Jun se manifestou. – Vamos fazer as gravações de hoje para não enlouquecermos a Karin-chan – o mais novo tentou rir.

-Você e Nino-chan não estão sozinhos – Sho murmurou, um tanto incomodado com aquela cena emotiva.

Vendo a preocupação estampada nos olhos dos companheiros, Ohno por fim deu um sorriso verdadeiro.



--------------------------------------------------------------------------------

-Por que o pai de Nino-chan o levou para tão longe da cidade? – Masaki indagou, enquanto observava a paisagem da janela do carro de Sakurai.

-Não longe da cidade, e sim longe de nós... – Sho corrigiu. – Uma casa nas montanhas realmente foi uma boa estratégia. Nino-chan ficaria isolado lá, só com Audrey...

-E ela poderia seduzi-lo? – Masaki suspirou. – Como se um amor como o que Kazu-chan sente por Oh-chan pudesse ser esquecido tão facilmente.

Sho concordou. Infelizmente, Audrey não estava em condições de ser racional, e o senhor Ninomiya estava desesperado tentando mudar a opção sexual do filho. Pobre Nino-chan nas mãos de duas pessoas desequilibradas pelo desespero.

-Lá está a casa – Sakurai disse, assim que avistou a residência de paredes claras. – Enfim chegamos... – murmurou.

Tão logo o carro estacionou à frente do casarão, os dois saíram do veículo. Sho fez a volta pela frente do automóvel e ficou ao lado do namorado.

-O que vai dizer a ela? – Masaki murmurou.

-Não tenho idéia. – Pela primeira vez, Sakurai parecia inseguro. – Não sou psicólogo – gemeu. – Gostaria de ter passado em uma biblioteca antes de vir pra cá, para pegar algum livro sobre psicologia...

Aiba sorriu perante aquelas palavras. Era da personalidade do namorado agir daquela forma, buscando amparo nos livros.

-Eu te amo, Sho-kun... – disse, baixinho.

Perante as palavras, Sakurai encarou o amante:

-Por que está me dizendo isso?

-Fiquei com vontade. Não posso?

-Pode – sorriu. – Mas é estranho você dizer isso aqui, em frente a esse local...

Aiba suspirou.

-Se nós estivéssemos passando pelo que Nino-chan e Oh-chan estão passando, eu morreria, Sho-kun...

Os olhos do moreno se escureceram.

-Eu nunca pensei sobre isso, mas admito que a possibilidade de ter nossa família contra nós me assusta.

-Consegue me entender agora, não é?

Sho assentiu com a face.

-Eu sou livre de espírito, e teria coragem para enfrentar a tudo e a todos – suas palavras eram carinhosas. – Entretanto, eu sei agora que tem coisas que eu posso enfrentar... mas talvez não queira encarar.

Masaki segurou o braço de Sho. O olhar de ambos se encontraram.

-Sua mãe é muito importante pra mim – Masaki suspirou. – Não quero enganá-la a vida toda... mas ainda acho que não estou pronto para contar a ela. A senhora Sakurai sonha em vê-lo casado com uma moça japonesa de boa linhagem, de sangue nobre...

-Eu sei – Sho gemeu. – Acho isso tão antiquado. Mesmo que não fosse você meu amor, eu gostaria de escolher a mulher a qual desposaria.

Masaki baixou a fronte.

-Nós nunca iremos nos casar, Sho-kun...

-Existem países que conseguiríamos nos unir... Sinceramente não sei se no Japão teríamos algum apoio... mas se você desejasse, poderíamos...

-Não, Sho-kun. Eu quero e prefiro a discrição. Por respeito a sua mãe...

Sakurai compreendeu, e ressaltou:

-Eu não preciso de um papel ou de uma cerimônia para te amar e respeitar. Existem milhões de casais casados tanto no civil quanto no religioso que nem se amam, nem se respeitam...

-Eu sei...

A conversa poderia ter prosseguido por horas, mas os dois optaram por encerrá-la ali, já que o local não era o apropriado para esse tipo de discussão.

-Vamos? – Sakurai indagou, antes de começar a caminhar em direção a porta.

Quando chegaram à entrada, estancaram. Foi Masaki que, após alguns momentos de hesitação, apertou a campainha. Segundos se passaram antes da porta se abrir.

-Vocês dois...

Por frações de segundos, o casal Sakuraiba notou que a morena americana que os atendera não pareceu surpresa ao vê-los.

-Trouxeram? – ela perguntou, dando passagem.

Os dois entraram na casa, seguindo os passos da morena. A sala de entrada era equipada com sofás, e Audrey sentou em um deles, encarando os homens.

-O quê? – Sho demonstrou confusão.

-As roupas de Nino – a mulher explicou. – Quando veio essa manhã, Nino não trouxe nenhuma bagagem. Achei que vieram trazer os pertences dele.

-Não... não trouxemos nada... – Masaki disse, envergonhado. – Viemos falar com você...

O som do relógio de parede foi o único barulho ouvido durante alguns segundos, já que a mulher parecia realmente surpresa.

-Comigo? – As sobrancelhas escuras dela, elevaram-se. – Nem precisam começar! Eu já sei o que vieram me dizer, mas adianto que não, não vou trocar Nino por dinheiro nenhum. Admito que quero ser atriz, e ser a namorada de um astro vai fazer um bem muito grande a minha carreira, mas independente disso, eu amo Nino e meu desejo é ficar com ele, mesmo que Kazunari não queira mais ser ator.

Quando a moça despejou aquelas palavras, Sho e Masaki se encararam. Não esperavam aquela reação.

-Nós estivemos essa manhã com uma freira chamada Sautou Misao. Reconhece o nome? – Sho começou.

Silêncio.

-Sabemos que a madre superiora a criou, Audrey...

O olhar de ódio que a morena os focou arrepiou o casal.

-Nós sabemos o que você passou – Masaki declarou. – Estamos aqui porque queremos...

-Os dois – ela o interrompeu – saíam agora!

-Audrey... – Sho tentou.

-Sumam daqui!

O grito dela foi tão forte que em segundos tanto Nino quanto seu pai estavam na sala. Em princípio, os olhos de Kazunari alegraram-se ao ver os amigos, porém, notando o olhar assustado de ambos, Nino também ficou sério.

-O que está acontecendo? – O Sr. Ninomiya indagou.

Mas Morgan já não conseguia responder. Seus soluços invadiram o ambiente, e lágrimas vieram aos borbotões. Até Kazu pareceu assustado com a reação, pois nunca pensou que aquela mulher pudesse chorar.

-Vão embora! – Ela gritou mais uma vez.

-Só queremos ajudá-la – Masaki insistiu.

Kazu não pode deixar de se surpreender com aquilo. O que estava acontecendo? O que os amigos estavam fazendo?

-Não ouviram a moça? – Seu pai gritou antes mesmo que ele esboçar qualquer reação. – Sumam daqui, e não voltem mais!

Conhecendo o próprio pai e temendo pelos colegas, Nino tentou alertá-los.

-Por favor, vão.

A dor do afastamento que Nino-chan sentia era palpável tanto a Sho quanto a Aiba. Dessa forma, os dois apenas tentaram transmitir seus sentimentos a Kazu com o olhar.

“Amamos você”

Quando a porta se fechou, Nino encarou Audrey. Esperava que o teatro dela chegasse ao fim tão logo visse os amigos dele indo embora, mas para sua surpresa, ela continuava a ofegar e a chorar, num misto de dor e raiva.

-Você está bem? – O pai dele ajoelhou-se perante a moça que ainda estava sentada no sofá. – Quer que eu traga uma água com açúcar?

As mãos dela tremiam, e seus olhos demonstravam um pânico impressionante.

“Que atriz”, pensou Kazu.

-Preciso ficar sozinha... – por fim, a mulher conseguiu dizer.

-Tem certeza?

-Absoluta – pareceu decidida. – Preciso ficar sozinha – repetiu, e correu em direção ao quarto.

Nenhum dos homens a seguiu, então a moça sentiu-se segura para chorar com privacidade. Quando trancou a porta do quarto, encostou-se na parede.

O que aqueles dois malditos iriam fazer contra ela?

Seu caminhar estava cambaleante, mas a americana conseguiu chegar até a bolsa que se mantinha ao lado da cama. Nunca seu celular pareceu com as teclas tão duras quanto aquele dia, pois Audrey digitou o número errado por três vezes. Quase estava desistindo de fazer a ligação, quando se lembrou da agenda eletrônica que o aparelho tinha. Procurando pelo nome, por fim, conseguiu seu intento.

-Audrey... – a pessoa do outro lado da linha pareceu surpresa ao falar com ela.

-Sho Sakurai e Masaki Aiba estiveram aqui – falou, zangada. – Estão juntos, unidos! Você não presta nem para separá-los...

-Fiz o que pude! Mas eles são muito leais um ao outro!

-E aquela garota que pagamos para separá-los...?

-Parece que os uniu mais... – a voz do outro lado da linha respondeu. – Não sei o que fazer...

Audrey suspirou.

-Pressione-a. Faça com que ela saiba meu objetivo. E você, faça alguma coisa para separá-los. Não me importo com o que, mas faça!

Um silêncio constrangedor do outro lado da linha a irritou.

-Me ouviu?

-Eu amo o senhor Aiba – a voz confessou.

-Não me interessa isso! – esbravejou. – Mas lembre-se que se não fosse por mim, você nunca estaria trabalhando ao lado dele!

-Eu sei... te agradeço por isso...

-Não fiz isso por bondade! Convenci a executiva deles a contratá-lo para que me ajudasse, e você me prometeu, Jean!

-Eu sei, Audrey...

-Quero ver Masaki Aiba e Sakurai Sho se odiando! E seu tempo está se esgotando...

-Farei isso...

Tão logo o rapaz confirmou o que ela queria ouvir, Morgan desligou o aparelho.

-Tão sujo quanto eles... – murmurou, ainda olhando o celular.



--------------------------------------------------------------------------------

-Você quer comer alguma coisa? Sei que não almoçou, e não faremos nada até Aiba-chan e Sho-chan chegar – Jun falou entrando no apartamento de Masaki. – Acho que Aiba deixou pão na geladeira, e eu posso fazer um sanduíche pra você...

-Estou sem fome...

A voz triste de Ohno deprimiu Jun.

-Mesmo sem fome, você precisa comer! – Foi em direção à cozinha, quando lembrou-se de algo e voltou. - Onde está Junior?

-Minha mãe o levou hoje de manhã...

-Vai ficar aqui no apartamento de Aiba ou voltará para casa?

-Não existem motivos para eu ficar aqui... – Ohno suspirou. – Enquanto você prepara um lanche, vou ir arrumar minha mala...

Jun concordou.

Em passos lentos, Ohno aproximou-se do quarto onde havia vivido aqueles poucos dias de felicidade ao lado de Nino. Quando chegou a porta, encarou a cama de lençóis claros e sorriu. O cheiro de Kazu ainda estava naquele quarto, assim como o travesseiro ainda parecia um tanto amassado. Foi tudo tão rápido... ainda naquela manhã estava a fazer amor com a pessoa que tanto amava, e agora sofria porque não tinha esperanças de voltar a viver aquilo.

-Nino-chan... – gemeu, ao entrar no quarto.

Caminhou devagar em direção ao roupeiro, e abriu as portas do móvel. Por alguns segundos, olhou lá para dentro, como se nada visse. Mas logo sorriu. Suas camisas e as de Nino estavam juntas, como se não se importassem em dividir o espaço.

Puxou vagarosamente um casaco cinza de lã que Nino usava com freqüência dentro do apartamento. Satoshi agiu por instinto quando segurou a peça contra o rosto e aspirou ao resto do perfume de Kazu que ainda estava lá.

-Oh-chan...

A voz de Matsumoto fez Ohno virar o rosto em direção ao rapaz. O amigo o encarava com ternura.

-Tudo vai ficar bem – disse, tentando dar forças ao mais velho.

Uma lágrima desceu pela face do mais velho.

-Sei que pode parecer ridículo, mas pra mim, é como se Nino-chan fosse uma outra parte da minha alma... uma extensão do meu corpo... Quando estou perto dele, eu sou feliz.

Jun se aproximou de Ohno e o abraçou. Por Deus, como doía ao seu coração ouvir a voz de Satoshi dizendo aquilo.

-Mesmo quando não estávamos juntos como casal – o Riida continuou, não notando o olhar lacrimante do companheiro de banda -, só o fato de que ele estava perto de mim, me deixava feliz. No entanto, depois que ficamos juntos, minha necessidade dele se tornou muito mais forte. Não existe espaço para a alegria se Kazu-chan não está por perto...

-Não diga isso...

-É verdade!

-Não é! Você é um homem incrível, Riida! Uma pessoa que tem tantas qualidades! Não precisa colocar a sua felicidade nas mãos de Nino-chan dessa forma!

O que estava dizendo? Matsumoto tentou se calar, mas não conseguia.

-Você pode amar de novo e ser amado, Riida!

O olhar descrente de Satoshi parecia tão surpreso quanto o de Jun. Matsumoto queria se calar, e Ohno não entendia o motivo pelas frases duras.

-Nino-chan é único pra mim, Jun-chan. Não se trata de colocar minha vida nas mãos dele, porque eu não dei nada a ele. Não se pode dar algo a alguém que já pertença a essa pessoa.

Foi rápido. Rápido e rasteiro. Jun aproximou os lábios de Ohno e o beijou de forma intensa, como se quisesse desmentir aquelas palavras. Satoshi não manifestou reação, pois parecia espantado demais para resistir.

Notando o estado apático de Ohno, Matsumoto por fim o soltou. Seus olhos transbordavam lágrimas, e o moreno estava tão envergonhado que não conseguia sequer erguer os olhos para Ohno.

-Me perdoa, Riida... – murmurou. – Eu não sei porque disse e fiz isso...

-Mas eu sei... – Ohno rebateu. – E lamento tanto... – a voz de Satoshi sumiu por alguns segundos. – Você é uma pessoa incrível, Jun-chan. É lindo, inteligente, rico, famoso e tem tantas qualidades que eu poderia ficar horas elogiando você... – o murmuro do mais velho ficou mais audível. – Você merece ser feliz...

-Mas não serei ao seu lado, né? – Jun indagou, com a voz mortificada.

-Não posso dar meu coração a você, Jun-chan... – Ohno anunciou, de forma cautelosa. – Não posso dar o que não me pertence...

Compreendendo as implicações daquelas palavras, Jun começou a se afastar.

-Me desculpa Oh-chan...

-Jun-san...

-Eu realmente preciso ir pra casa…

-Não, espere...

-Eu preciso ficar sozinho. Por favor, não ache que eu estou magoado, ou com raiva. Nem pense que eu quero separá-lo de Nino-chan... tudo que eu quero é vê-lo feliz... – Continuou, de forma nervosa. – Mas eu não posso impedir meus sentimentos... então... eu preciso de um tempo...

Ohno assentiu com a face.

-Eu te amo, Jun-chan... – confessou. – Você é meu amigo...

Essa foi à última frase que Matsumoto ouviu antes de sair pela porta e correr para longe de Satoshi.

Continua...
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Jan 03, 2010 7:26 am

meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeu deus *o*
to meeeeeeeeeeeega chocada o-o
nossa, não tem nem o que falar da fic, tá perfeita demais *o*
e parabéns pelo 30º capitulo, a fanfic inteira, tá linda, de verdade
amei amei amei amei amei *u*


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Nara
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Jan 03, 2010 7:28 pm

Wow Ohno encarando dessa forma a Karin
realmente é cmo se fosse outa pessoa
Aiai essa cena final do Jun c/ o Ohno
tadinho do Jun amar tanto alguem e nao ser correspondido TToTT
Jun merece tanto ser feliz
alias tds eles merecem
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Jan 03, 2010 9:30 pm

Mii e Nara^ ^
Obrigada pelos comentarios^^
Realmente, Jun foi o personagem sofrido do cap. É mto triste amar e não ser amada...
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptySab Jan 09, 2010 8:30 pm

Rendição

Capítulo XXXI

Por Josiane Veiga

Nota da Autora: Mais uma vez o capítulo ficou grande demais, e cenas que deviam acontecer nele, simplesmente terão que ser deixadas para o próximo. E dessa forma, lá vai Rendição aumentando ainda mais em capítulos sem previsão para o fim. Sinceras desculpas por ter dado spoilers que simplesmente não se realizaram neste capítulo!


Os dois dias que se seguiram à saída de Ninomiya do apartamento de Masaki foram difíceis e cruéis aos membros da banda.

Desesperados por tentar achar uma solução para o caso de Audrey, Sakurai e Aiba ficaram divididos entre procurar um psicólogo ou fazer uma denuncia formal a polícia (mesmo sabendo que essa última opção não faria a menor diferença, pois com o apoio do pai de Kazu, Audrey havia tornado-se imune a qualquer acusação).

Acabaram optando pela internet, pois o medo de um escândalo maior ainda os rondava. Se um psicólogo acabasse contanto a imprensa sobre a situação que viviam - e o casal Sakuraiba bem sabia que a imprensa pagaria uma fortuna por uma informação daquelas -, colocariam em perigo a carreira de Kazu; e, afinal, ser um artista era tudo que o amigo mais prezava.

Entretanto, na internet também não existiam grandes informações sobre o problema de Morgan. Mesmo assim, nenhum deles pensou em desistir, e continuavam a procurar.

Foi entre esse redemoinho de assuntos pendentes que Matsumoto pediu dois dias de folga. Os amigos preocuparam-se imediatamente, mas, por telefone, ele os tranqüilizou. Queria apenas descansar, foi o que disse. Aiba e Sho estranharam imediatamente aquele pedido, afinal, naquele momento, precisavam estar unidos para tentar resolver o problema de Nino. Mas, vendo o olhar estranho que Satoshi teve quando Jun fez a solicitação, resolveram se calar.

Então, dentro dos camarins, agora apenas três dos cinco membros da banda estavam trabalhando. Naquele dia, haviam gravações importantes a serem feitas. Por sorte eram quadros externos, em que uma dupla apenas era necessária. Apesar de estarem reprisando alguns programas no horário (a justificativa usada era que dois dos membros - Jun e Nino - estavam doentes), os programas da próxima semana tinham que ter novidades.

-Eu posso ir com algum de vocês, e o outro descansa - Ohno sugeriu.

O líder sabia que os seus amigos estavam cansados, pois passavam a noite estudando livros e artigos sobre abuso infantil.

-Não, Oh-chan! - Masaki negou. - Você não tem dormido, nem se alimentado direito. Está muito cansado, e precisa de repouso. Sho-chan e eu iremos gravar a externa, e queremos que você vá descansar.

Ohno moveu a cabeça negativamente.

-Estou sendo um inútil. – Recriminou-se. - Se não fossem por vocês dois, estaria completamente perdido.

-Não diga isso! - Sho falou, levantando-se do sofá. - Você não é uma máquina para não se sentir abatido. Qualquer pessoa ficaria abalada por uma situação dessas. Está passando por um momento tão difícil.. é natural que sofra.

-Mas Nino-chan precisa de mim agora - Satoshi suspirou. - E, no entanto, estou aqui, sem saber o que fazer...

-É por isso que você tem amigos - o sorriso de Masaki foi tranqüilizador. - Não se preocupe. Na próxima semana Nino-chan vai voltar ao estúdio, e nós iremos resolver tudo.

-Isso se Audrey não decidir levá-lo embora do país antes!

-Não permitiríamos! - Sho reagiu. - Confie em mim, Oh-chan!

Poucos minutos depois, Sakuraiba saía do camarim para gravar o quadro do programa, e Ohno continuava sozinho, observando as paredes...

~~~~~~~0000~~~~~~~

No primeiro dia na casa que o pai tinha alugado, Kazunari havia ficado no quarto, chorando sua mágoa e ódio. Entretanto, no segundo dia, mais calmo, o rapaz resolveu que não devia ficar se deprimindo naquele lugar. Se conhecia bem os amigos, sabia que eles deviam estar pensando num jeito de tirá-lo daquela confusão.

Pensando sobre isso, sentiu-se inquieto. Por que cargas d´agua Sho e Aiba haviam aparecido para falar com Audrey? E por que ela chorou? Sabia que aquelas lágrimas eram provavelmente as coisas mais falsas do mundo; mas, mesmo assim, sentiu-se estranho ao vê-las. Devia estar se tornando um idiota, afinal depois de tudo que aquela mulher já havia feito contra ele, teve pena.

Kazu começou a caminhar pelos corredores da mansão. Não sabia exatamente o que procurava, mas queria se distrair. A casa era grande, e havia muitos quartos vazios. Por sorte, Audrey estava lendo um livro na sala, e o pai havia saído para buscar lenha para a lareira. Podia olhar tudo com privacidade, sem receio de ser pego.

Os passos leves o levaram a um passeio que o entreteve por meia hora. Pela primeira vez desde que se afastou dos amigos, Nino conseguiu sentir alguma tranqüilidade. E, sem notar, chegou rapidamente à última ala da residência. Um quarto escuro, onde eram mantidos alguns objetos que pareciam velhos e sem valor.

A sujeira do ambiente não o espantou, e se desvencilhando de uma ou outra teia de aranha que encontrava pelo caminho, começou a revirar as caixas que lá estavam.

-Hum... - gemeu quando tocou em uma caixa preta. - Uma TV! - Exclamou, feliz.

Não aparentava ser velha, nem estar estragada. Percebendo na hora que o televisor havia sido levado para aquele quarto por causa de sua presença na casa, Nino compreendeu que o pai e Audrey não queriam que ele tivesse qualquer contato com o mundo externo.

Incentivado por pensamentos infantis de desobedecer à vontade paterna, Kazu conseguiu tirar a televisão da caixa. Era pesada, mas apesar de ser magro e ter um corpo aparentemente frágil, o moreno a levantou e a pousou sobre uma mesa. Olhou ao redor a procura de um interruptor, e quando viu uma pequena tomada escondida atrás de um armário, sorriu de satisfação.

Momentos depois, ele tentava sintonizar o canal de televisão que naquele momento estava transmitindo os amigos. Sem uma antena adequada, a sintonia foi difícil. Apesar da dificuldade, conseguiu. A imagem não era perfeita, mas ao fundo, ele podia ver os amigos... e a si mesmo.

-Estão reprisando nossos programas?

Por que fariam aquilo? Quando ele viajou para os EUA, os colegas apresentavam os programas normalmente. Considerando que os membros continuavam a apresentar programas inéditos depois que ele, supostamente, estava se recuperando do atropelamento, nada mais natural que agora também ainda estivessem seguindo o mesmo cronograma.

A não ser que algum deles estivesse doente. Afinal, com dois membros a menos, era inviável a transmissão.

"Oh-chan!"

Se alguma coisa tivesse acontecido com Ohno, Nino jamais se perdoaria. A angústia começou a tomar-lhe conta. Satoshi era o mais velho dos cinco e sempre foi calmo e sereno. Sabia sair de situações complicadas com facilidade; entretanto, Nino tinha consciência que a situação era complexa e que o Riida estava sofrendo por sua causa.

O mais jovem nem notou quando as lágrimas começaram a cair como uma cascata abundante pelo seu belo rosto. Tremendo, ele ajoelhou-se perante a tela da televisão, e ergueu as mãos. Os dedos claros tocaram o vidro gelado, no instante que a câmera dava um foco em Satoshi. O coração de Kazunari disparou naquele momento.

Abrindo o espaço de visão, a câmera agora dava um "close" em Ohno e Nino.

Kazu sorriu, ainda chorando. O amor deles era tão óbvio. Como alguém não podia notar os olhares brilhantes, mesmo anterior à descoberta da paixão? Prestando atenção, Nino agora podia ver a si mesmo dando pequenas espiadelas ao Riida, e, em especial, observando por seguidas vezes, a boca do mais velho. Lembrou-se que sempre teve fascinação pelos lábios de Satoshi, e às vezes esquecia-se de que estava na TV e acabava encarando aquela boca majestosa por mais tempo que a discrição exigia.

De repente, notou o olhar de Ohno sob si. As palavras ditas ele não fez caso, pois não importava o assunto, afinal, o belo sorriso do líder continuava o mesmo. Satoshi sempre sorria para Nino, deixando claro o quanto era feliz quando estava ao seu lado.

As lágrimas continuaram a descer de forma silenciosa, como uma dança melancólica sobre a face do moreno. Os dedos acariciavam a tela fria da TV como se estivessem tocando a face suave de Ohno.

Fechou os olhos por alguns segundos e ficou a ouvir a voz suave do Riida. Era a voz de um anjo, com um timbre tão belo que nenhuma fã do Arashi tinha dúvidas sobre a perfeição.

-Aishiteru - murmurou, incapaz de se conter.

Infelizmente, queria mais. Não só dizer aquilo olhando para os olhos límpidos do homem que amava através de um aparelho elétrico, mas também expressar seu sentimento com paixão, sexo e prazer.

O amor entre eles era puro... e a química era forte. Não um sexo carnal, vazio... e sim um ato de amor, que os unia ainda mais... que os tornava uma só alma, uma só carne... um só sentimento...

Soluçou.

As lembranças dos momentos em que passou no apartamento de Masaki vieram a mente. Foram tão poucos dias... mas foram os momentos mais importantes da sua vida. Se morresse agora, já teria válido a pena viver só por ter experimentado aquela sensação de pertencer a alguém, e ter a pessoa amada para si. Foram um casal por poucos dias... mas puderam viver aquele sentimento com verdade e sinceridade.

Um som abafado, rápido e contido, o fez abrir os olhos. Estava tão absorvido nas lembranças e em assistir aos amigos na TV que se esqueceu completamente que fazia aquilo em terreno inimigo, e que deveria ser cuidadoso.

Olhou para o canto, onde estava a porta. Com os olhos esbugalhados, viu o pai furioso, o observando.

Levantou-se imediatamente da frente da TV, e ficou de pé. Sabia o que viria, afinal, passara por momentos tão angustiantes quanto aquele quando era um adolescente. Por ser tão delicado e frágil, nunca se defendeu... e mesmo agora, mais velho e mais capaz, continuava a ser um garoto medroso perante aquele homem.

-O que estava fazendo? - O homem indagou, nervoso.

O corpo de Nino começou a tremer. Não era um simples receio, e sim um pavor enorme.

-Estava assistindo meus amigos... - murmurou.

"Kami-sama... me ajude...", implorou em pensamento.

Como queria que Oh-chan estivesse ali naquele momento. Satoshi teria se colocado a frente do Sr. Ninomiya, e protegido Kazu com o ímpeto de um apaixonado.

Entretanto, Nino estava sozinho. Desamparado perante aquele olhar demoníaco que provocava pesadelos no rapaz desde que era uma criança.

-Acha que sou algum idiota? - Os passos do pai começaram a se mover em direção ao jovem. Conforme ele ia avançando, Kazu recuava. - Crê mesmo que eu não vi o que estava fazendo?

Kazunari manteve-se calado. Queria correr, fugir dali, mas a saída era bloqueada pelo corpo másculo do mais velho. Então, tudo que podia fazer era tentar se manter o mais afastado que podia.

-Eu amei você... - A confissão do pai o surpreendeu. - Quando sua mãe falou que estava grávida, eu torci para que fosse um menino. Quando você nasceu, tive orgulho... um filho homem que me traria felicidade... - O timbre mudou da tristeza à arrogância em segundos. - Mas você cresceu, e tornou-se essa... coisa...

-Otousan... - Nino tentou o interromper.

-Tive tantos sonhos para você - o Sr. Ninomiya continuou, indiferente à dor estampada nos olhos do filho. - Tantos projetos - admitiu. – No entanto, conforme os anos iam passando, eu via meu filho se transformar... em você...

Aquele homem nunca havia manifestado qualquer sinal de amor para com ele. Mesmo assim Kazu sentia o coração aos pedaços em ouvir aquelas palavras. Pelos céus, nunca fora seu objetivo despertar a raiva e o rancor do próprio pai. Ao contrário! Quantas vezes não chorou escondido por não ter ninguém da família com ele quando precisava?

Como numa brincadeira de mau gosto, a mente começou a se lembrar de um momento doloroso do passado. A comemoração pelo primeiro prêmio que o Arashi havia recebido por vendagem de CDS. Os pais dos outros membros haviam organizado uma festa surpresa, e ao chegarem à casa de Masaki naquela noite, foram surpreendidos pelos familiares.

Porém, não havia ninguém lá para ele. Ninguém apareceu para abraçar Kazu ou dizer-lhe palavras de felicitações... Enquanto observava os abraços e o carinho manifestado por aqueles pais e mães, Kazunari se encolhia em seu próprio canto, como um estranho... um telespectador anônimo, um intruso daquele momento feliz.

Os olhos queimavam, mas o - na época - adolescente se recusava a chorar. E tudo que fez foi ficar vigiando a cena, com um intenso sentimento de ciúme no coração.

"Nino-chan", a voz de Ohno o fez encarar o amigo, que havia deixado os pais para se aproximar do mais novo.

Naquele canto escuro, tantos anos atrás, o Riida não havia feito nada para consolar Nino. Nenhuma palavra ou colocação constrangedora. Também não tentou obrigar Kazunari a ir até os outros, participar de uma alegria que não era sua. Tudo que Ohno fez foi unir suas mãos as do mais novo, e segurar os dedos firmemente. Era tão claro que Ohno estava dizendo, através de uma ação, que era a família de Nino, que o moreno comoveu-se.

"Arigatou, né Oh-chan", recordava-se de ter falado, num murmuro que só Ohno foi capaz de ouvir.

Foi então que Satoshi sorriu. Nino podia se lembrar disso tão vividamente como se a cena tivesse ocorrido há poucas horas. Um sorriso que ele guardaria para sempre.

"Sempre vou estar perto de você, Nino-chan... sempre"

A voz de Ohno ainda ecoava na sua mente, quando Nino voltou a encarar o pai. De repente, o olhar assustado e cabisbaixo de Kazunari desapareceu. Como se adquirindo uma força poderosa, se manifestou:

-Eu lamento muito não ser o que o senhor sonhava... - Falou, comedido. - Mas este que está na sua frente agora é o que eu sou... é o Kazunari verdadeiro!

O mais velho negou com a face:

-Audrey tem razão... você está doente...

-Não, otousan - o rapaz rejeitou aquelas palavras. - Doentes são vocês dois. Eu sou uma pessoa saudável, feliz ao lado dos meus amigos. Sou alguém que trabalha muito, tenho sucesso, talento... fãs. Eu sou alguém que tem orgulho de ser quem sou!

-Sabe muito bem que não é disso que eu estou falando! - O homem indicou a TV com a cabeça, e então voltou os olhos para o filho. - O que fazia aqui quando entrei? Chorava olhando a imagem de outro homem na televisão!

"Sempre vou estar perto de você, Nino-chan... sempre"

Então o amor era isso? Era a coragem que aparecia em momentos como aquele?

-Oh-chan é...

-Não fale! - O interrompeu. - Não diga nada que vá se arrepender depois! Um dia você vai se lembrar dessa conversa com vergonha! Pense na vida que terá nos EUA, ao lado da Audrey. Aquela mulher tem fibra, e é a pessoa certa pra você!

-Eu nunca terei vida ao lado da Audrey. Pode ser que usando de suas estratégias mesquinhas ela consiga me manipular... mas nunca vai ter meu coração.

-Nao sabe o que diz...

-Quem não sabe o que diz é o senhor - foi a vez de Nino de irritar. - Por que não pode aceitar meus sentimentos? Entenderia se ficasse contra mim por eu ser uma pessoa má, um ladrão, um assassino, ou coisa do tipo. Mas, se portar contra mim por causa do que sinto por Oh-chan...

-Cale a boca - gritou. - Preferia que você fosse a pior pessoa do mundo, ou que estivesse morto, do que ouvi-lo falar essas coisas!

-Pois lamento, mas estou vivo...

-Chega disso! - O pai resolveu dar-lhe as costas. - Desligue essa porcaria de TV! – Ordenou. - Também esqueça de uma vez aquela cambada de veados que você chama de amigos, e desça até a sala. Audrey está lá, e quero que você vá ter com ela.

Um ódio descomunal tomou o coração de Kazunari.

-Você pode me obrigar a ficar aqui, mas nunca poderá me obrigar a gostar daquela mulher! - A elevação do timbre deu uma leve rouquidão a Kazu. - E respeite meus amigos! Não tem o direito de falar assim deles!

-E não é o que são? A própria Audrey acredita que a má influencia deles acabou por transformá-lo no que é hoje!

-Sou homossexual desde que era criança! - Nino confessou. - Eu nasci assim!

-Mentira! - O pai berrou, voltando-se novamente para ele. - Antes daquele tal de Ohno Satoshi ter aparecido na sua vida, você não havia gostado de nenhum garoto!

-Nem de nenhuma garota... - Nino riu. - Ohno simplesmente foi meu primeiro amor. - A face da Kazu se tornou serena. - Meu primeiro, último e único amor... eu o amo mais que tudo na vida.

Mal havia terminado aquelas palavras, Nino sentiu a face arder por um soco que recebeu do pai. Leve e magro como era, não tinha estrutura física para suportar tamanha agressão, então caiu com força contra a televisão. Derrubou-a no chão, e fazendo um enorme estrondo. Por sorte, na hora que a TV caiu, o fio que a ligava a energia elétrica foi puxado e a mesma desligou-se. Dessa forma, Nino não tomou nenhum choque.

Sentiu uma dor enorme no nariz, mas não teve tempo sequer de levar a mão para cima, a fim de verificar se havia sangue. Foi erguido do chão rapidamente, e recebeu outro soco, dessa vez em cima do olho.

A dor, tanto física quanto psicológica estava arrasando com ele. Mas havia também certo alívio. Durante toda a vida não viveu assombrado por aquele instante? Se o pai o matasse agora, pelo menos Kazu teria paz.

-Moleque desgraçado! - Ouviu o pai gritando.

Tentou levantar o braço para evitar outro soco, mas não conseguiu. Só então notou que havia caído pela primeira vez em cima do braço, e que este parecia machucado. Porém, a simples menção de levantar a mão, incitou ainda mais o ódio do pai. Sabendo que qualquer manifestação de defesa iria causar mais danos, ele simplesmente desistiu e aquiesceu. Já não mais fazia barulho. As lágrimas eram silenciosas. Sentiu outro soco, mas não fez caso. Já nada mais importava. Não estava naquele lugar, sendo agredido uma vez após outra! Estava no apartamento de Masaki, na cama com Ohno, estava no palco de algum show, brincando de Ohmiya Sk, fazendo comida na cozinha de Jun e o ouvindo reclamar da sujeira... Estava na casa de Sho, jogando videogame com o amigo... enfim, estava longe... estava na infância que não teve, nas brincadeiras que não viveu, no amor que não ganhou.

-Solta ele! - Uma voz feminina gritou ao longe.

Audrey...

Kazunari sentiu vontade de gargalhar ao perceber que ela o estava salvando de ser morto a pancadas. Que ironia! Virou os olhos, e viu a morena agarrar o pai e o puxar pra trás. Uma mulher de corpo delicado como o dela não aparentava tanta força, mas agora ela demonstrava que as aparências enganavam.

-Ele me provocou... - O Sr. Ninomiya explicava a ela.

No entanto, nenhuma explicação pareceu adiantar. Tremendo, a mulher o empurrou para trás. Os dois estavam de frente um para o outro, e a vantagem física do homem era superior ao da americana. Mesmo assim, o olhar agressivo dela deixava claro que, num impasse, ela sairia vitoriosa.

-Não me interessa seus motivos! - O grito dela fez a cabeça de Kazu girar. - Olhe o que fez! Veja como ele está! Que tipo de homem é você para agredir alguém tão sensível quanto Nino?

-Ele assumiu na minha frente que ama aquele tal de Ohno!

-Isso não justifica seus atos! Não lhe expliquei que Nino está doente, e precisa de ajuda? Agindo com covardia dessa forma, você não auxilia em nada!

-Audrey...

-Quero que saía desse quarto - ordenou, apontando a porta com o dedo indicador. - Eu cuido de Nino agora! Quero vê-lo afastado daqui!

-Precisa me entender... - ele ainda tentou.

-Não vou entender nada! Você poderia tê-lo matado!

Um choro compulsivo tomou seu pai. Nino via a tudo indiferente, como se estivesse assistindo a um filme na TV. Não tinha forças para reagir, ou levantar-se. Mas, mesmo tão alheio ao que se passava, conseguiu raciocinar que era a primeira vez que via o pai em lágrimas.

-Por que ele não pode ser como os outros garotos? - O tom desesperado do Sr. Ninomiya fez o olhar de Audrey suavizar. - Por que Deus me puniu com um filho assim? O que eu fiz para merecer um filho assim?

Até ouvir aquilo, o coração de Nino estava fechado, mas naquele instante, a dor voltou. Ele também se perguntava isso... Por que não era amado pelo próprio pai?

-Tenha calma, Sr. Ninomiya - a voz de Audrey fez o homem suspirar. - Deixe-me cuidar de Nino com calma e depois conversamos.

Quando o pai enfim deixou o quarto, Nino respirou fundo, e fechou os olhos. Desmaiou.

~~~~~~~0000~~~~~~~

-Nino-chan!

A súplica de Ohno foi dita num tom urgente. Por que seu coração estava disparado daquela forma? Que angustia absurda era aquela?

Havia dois dias que não conseguia dormir a noite. O organismo parecia reclamar a ausência de Nino no leito, e Satoshi estava exausto pela insônia. Quando Masaki e Sakurai saíram para gravarem a externa, Ohno se sentou no sofá. Cochilou quase sem perceber. Não teve sonhos, apenas relaxou.

Então acordou sobressaltado. Sentia dor no corpo todo, e parecia prestes a ter o coração saltando pela boca.

Naquele instante, a porta se abriu e o rosto de Matsumoto apareceu. Ohno sentiu-se surpreso ao vê-lo, afinal, o mais novo iria retornar ao trabalho apenas no dia seguinte.

-Riida... - Jun murmurou.

O moreno estava obviamente sem jeito. Mas a angustia que dominava Ohno não deixou espaço para questionamentos.

-Seja bem vindo, Jun-chan - disse rapidamente. - Preciso sair... – completou, com a voz afetada.

Os passos pareciam tão rápidos que Satoshi pensou que a qualquer hora as pernas iriam enrolar-se uma na outra, o derrubando. Não conseguia manter o controle sobre o próprio corpo, e com custo segurou os braços para não empurrar Matsujun quando o mesmo se colocou a sua frente.

-Oh-chan - o amigo insistiu -, nós precisamos conversar...

-Agora eu não posso - respondeu. - Depois nós conversamos, ok? - Tentou ser educado.

Satoshi Ohno amava Matsumoto Jun. Não era o amor que dedicava a Ninomiya, mas era intenso. Um amor fraterno, que deseja o bem. Sentiu pesar ao ver os olhos tristes de Jun, mas não tinha tempo agora... o desespero para ver Nino era mais forte.

-Aconteceu alguma coisa? - Jun indagou.

O líder pensou em não responder. Não devia mais colocar os amigos em situações difíceis por sua culpa. No entanto, sabia que Jun esperava lealdade dele, e então contou:

-Vou ver Nino-chan...

-Por quê? - O tom preocupado de Jun o deixou ainda mais alarmado. - Ocorreu algo?

-Não sei - Ohno respondeu.- Mas, meu coração está angustiado. Eu preciso ver Nino-chan... nem que seja de longe. Preciso saber se ele está bem.

Dizendo isso, cruzou por Jun e saiu do camarim. Seu caminhar logo se transformou em uma corrida, e o mais velho chegou ao estacionamento rapidamente. Só então lembrou que não sabia dirigir.

Levou a mão rapidamente ao bolso, a procura do celular. Sentia-se tão inútil, por não poder ao menos pegar um carro sozinho, e ir até Nino. Começou então a procurar na agenda eletrônica do aparelho, o telefone de um posto de táxi que usava com freqüência.

-Oh-chan - a voz de Matsumoto o fez se virar em direção ao amigo.

Jun sentiu-se condoer ao observar aqueles lindos olhos negros repletos pelas lágrimas.

-Vou chamar um táxi - Ohno explicou. A voz falhou no instante em que as lágrimas começaram a descer pelo rosto.

-Eu levo você, Oh-chan... - Matsumoto ofereceu-se.

-Não é necessário... - Satoshi negou, mesmo sabendo que não tinha condições de chegar a casa em que Nino estava sem ajuda.

-Me deixa fazer isso - Jun implorou -, por favor...

Meia hora depois, estavam a caminho da casa afastada da cidade. O silêncio no carro só era quebrado pelo som de um ou outro veículo que passava por eles na rodovia. Pareciam dois estanhos, e a situação era por deveras incomoda, afinal, eram grandes amigos.

Mesmo assim, Satoshi sentia-se extremamente egoísta naquele momento. Não conseguia pensar em Jun, ou na dor do amigo. Todos os seus pensamentos estavam centralizados em Kazu. Nunca havia sentido uma sensação daquelas antes. O que poderia ser?

-Oh-chan... - Jun quebrou o silêncio de repente. - Eu preciso te dizer uma coisa...

-Não precisa falar nada - Satoshi o interrompeu. - Entendi o que aconteceu, Jun-kun... e não vejo porque você deva ficar se martirizando. Eu amo muito você, e quero muito que seja feliz...

Os dedos pálidos de Matsumoto apertaram o volante com força.

-Mesmo que não queira me ouvir, eu preciso falar. Me culpo pela forma com que agi! Eu nunca deveria ter feito aquilo, ou dito aquelas palavras...

-Jun-chan...

-Riida, eu não sei como posso me redimir, mas peço que por favor, esqueça aquela situação. Não consigo parar de pensar em quanto minha atitude foi covarde, afinal, aproveitei-me que Nino-chan não está presente, e abusei da sua confiança. Entretanto, por mais difícil que seja acreditar, amo Nino-chan, e não quero que você o abandone...

-Eu sei disso...

-Mas eu te amo também - Jun continuou, segurando-se para não cair em pranto. - Eu não agüento vê-lo sofrer tanto... - murmurou, com um fio de voz.

Silêncio novamente.

Ohno era capaz de entender aquilo. Não foi exatamente isso que viveu quando achava que Kazu amava Audrey? O problema era o que falar... como responder ao amigo? Como consolá-lo? Como se desculpar por não corresponder aos sentimentos dele?

-Não é engraçado isso, Oh-chan? - Jun quebrou o silêncio novamente.

-O quê?

-O Japão inteiro acha que eu tenho todos que eu quero aos meus pés. Entretanto, a única pessoa que eu realmente desejo não me quer...

Satoshi sorriu:

-Não devia dizer isso... não parece você.

Jun não resistiu, e sorriu também:

-É verdade! Lamentos não fazem parte da minha personalidade.

Por alguns segundos o olhar de ambos se cruzou. Sorriram.

-Estou perdoado, Oh-chan?

-Não há o que perdoar. Sinto-me verdadeiramente honrado pelos seus sentimentos, e sei que algum dia você vai sentir o amor verdadeiro por alguém que o mereça.

Jun suspirou.

-Essa pessoa teria que ser muito especial, Oh-chan – Matsumoto suspirou. – Só alguém muito peculiar para conseguir roubar seu lugar no meu coração...

Ohno não respondeu. O que poderia dizer? Qualquer palavra que fosse pronunciada poderia demandar emoções que não seriam reais. Ele poderia ferir o amigo, ou dar-lhe uma esperança vazia. Dessa forma, inteligentemente, ficou quieto.

-Lá está a casa, Oh-chan...

A mansão era vista ao longe por Ohno. Já era final da tarde, e o sol no poente estava avermelhado. A natureza tornava aquele ambiente quase irreal, belo em excesso. Mas, Satoshi era incapaz de notar qualquer coisa. Assim que o carro estacionou, saltou do veículo e correu em direção ao casarão.

-Espere, Riida! – Ouviu Matsumoto gritando.

Mas o mais velho não se conteve. Em segundos estava à porta, batendo com força na superfície de madeira.

-Nino-chan! – Gritou. –Nino-chan!

A porta se abriu no mesmo instante que Matsumoto havia chegado atrás de si. O rosto do pai de Kazunari fez tanto Ohno quanto Jun recuarem, assustados.

-O que você quer? – O homem mais velho indagou.

-Por favor – Jun se manifestou -, poderíamos falar com Kazu-chan?

-Não! – Berrou o Sr. Ninomiya. – Vão embora agora daqui!

-Por favor – o mais novo insistiu. – Só um minuto...

-Eu só quero olhar pra ele – A voz de Satoshi se elevou. – Só quero ver o rosto dele. – O Riida tentou conter as lágrimas na frente daquele homem, mas não teve sucesso. – Por Kami-sama, tenha piedade... – implorou.

Os olhos do pai de Nino se tornaram ainda mais obscurecidos, raivosos. Ele deu dois passos a frente, mas Satoshi não recuou, ficando parado no mesmo lugar. De frente àquele homem, o líder da banda enfim compreendeu o motivo de Nino-chan ter tanto pavor do pai. O Sr. Ninomiya era alguém que transbordava agressividade pelos poros.

-Kami-sama? – A voz era irônica. – Como um sujo como você se atreve a falar o nome de Deus? Saía já daqui, ou eu juro que o mato!

Para surpresa do homem mais velho, o rapaz moreno que acompanhava Ohno se colocou em defesa do líder.

-Pois não vai tocar um dedo no Riida! – Jun gritou. – Ou eu juro que arrebento você!

Matsumoto era pacífico por natureza, mas não aceitaria ver ninguém ameaçando Satoshi passivelmente. Contudo, apesar de estar enfrentando o pai de Kazunari, o homem sequer o olhou. Sua raiva estava totalmente focada em Ohno.

-Nunca mais você vai pôr os olhos no meu filho! – O Sr. Ninomiya falou com seriedade. – Nunca! Kazunari irá para os EUA, viver ao lado de Audrey. Sua influência negativa sob ele acabou!

Um soluço sofrido escapou dos lábios de Ohno.

“Mesmo que eles aprisionem meu corpo, ninguém pode tocar no meu coração, Oh-chan... E o meu coração é seu...”

Ohno olhou para cima. A janela do segundo andar estava com a luz elétrica acesa. Isso significava que Kazunari poderia estar lá.

-Nino-chan... – Gritou, indiferente a raiva do homem. – Por favor, apareça!

-Ele não vai aparecer – o mais velho riu. – Não percebeu que acabou? Meu filho está feliz ao lado de uma mulher! Esses atos imundos que praticavam nunca mais vão acontecer!

As palavras do homem fizeram os olhos de Satoshi soltarem faíscas:

-Imundo? Nino-chan e eu nos amamos. Você não é capaz de entender isso, porque é incapaz de amar! Mesmo seu próprio filho você nunca amou!

-Como se atreve? – Ninomiya guspiu as palavras. – Seu sujo! Como se atreve a falar assim comigo?

-Eu amo seu filho! – Ohno exclamou. – Nunca vou desistir dele! – Avisou. – Audrey e você poderão fazer o que quiserem, mas não podem separar um amor como o nosso!

-Amor? O que há de amor na perversão?

Sabendo que aquele combate não teria fim, Matsumoto foi até Ohno, e tentou levá-lo consigo:

-Desista, Oh-chan! – Murmurou a Satoshi. – Ele não vai nos deixar passar! Temos que voltar quando esse homem não estiver de vigília.

-Não posso... preciso ver Kazu...

-Entenda! Só está aumentando a raiva dele, e quem poderá pagar por isso é Nino-chan – Jun falou com sabedoria. – Ele está cego no seu preconceito. Vamos embora...

O choro voltou. Sentia como se alguém houvesse pegado uma faca e cortado uma parte dele. E essa parte agora estava ficando para trás.

-Eu te amo, Nino-chan... – sussurrou.

-Ele não pode te ouvir, Oh-chan – Jun continuou a puxar o amigo.

-Não posso ir e deixá-lo aqui – Ohno queixou-se. – Nem ao menos pude ver o rosto dele...

Jun afastou o olhar, tentando esconder as lágrimas.

-Tenha fé – disse, por fim. – Você perdeu a batalha, mas a guerra continua.

Chegaram ao carro. Ao longe o pai de Nino os olhava com um sorriso vitorioso na face.

Os olhos de Ohno voltaram para a janela, numa esperança vã de ao menos ver a sombra de Nino, mas nada aconteceu.

Dor...

Pressionou os lábios. O choro compulsivo o tomou, e então ele desistiu. Mas cedeu apenas momentaneamente.

-Vou voltar, Nino-chan – prometeu. – Me perdoa por não tê-lo visto hoje, mas não quero prejudicá-lo ainda mais – disse, como se Nino estivesse ali, ouvindo suas palavras. – Me perdoa... eu te amo tanto...

Jun observava ao amigo com a garganta ardendo de vontade de chorar. Nem sabia que alguém pudesse amar daquela forma. Compreendeu naquele instante a intensidade dos sentimentos de Satoshi. Aproximou-se do amigo e abriu a porta do carro esportivo, o empurrando lá pra dentro.

-Eu te amo, Nino-chan – ainda ouviu Satoshi confessar com lágrimas antes de fechar a porta do veículo.

Quando o carro se moveu em direção à auto estrada, alguém enfim surgiu a janela. Num misto de sentimentos conflitantes, Audrey tocou com a testa na vidraça, e permitiu que pequenas lágrimas escorressem por sua face clara..

Continua...
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Jan 10, 2010 1:25 am

Aiii q raiva desse pai do Nino
Malditooooo
cmo se atreve a bater nele desse jeito
pela primeira vez fiquei feliz pela Audrey ter aparecido
sabe-se la o q mais esse homem teria feito
nao qro nem pensar
Oh Oh-chan nao sofra assim
aii q dor o meu peito vendo o riida e o Nino sofrerem TToTT
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Jan 10, 2010 2:26 am

Oi Nara
Amor, eu também acho..uma covardia! Mas é mais comum do que se imagina. Quantos pais ao redor do mundo não batem nos filhos achando que estão fazendo um bem pra eles? Ontem li uma noticia de um pai que matou o filho de dois anos a pancadas pq a criança fez xixi nas calças. Qdo questionado, ele disse que estava educando...
O pai do Nino é ignorante igual.

Brigadaaaa pelo comentario amor
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyQua Jan 13, 2010 8:54 am

oh.. e finalmente a parte que havia me contado.
sinto não ter comentado antes... mas somente hoje fui ler a continuação da fic.

deuses.........
o quanto eu quero bater nesse homem.....

haha.. e Audrey está percebendo agora o tamanho do erro que cometeu?
huuuuuuuuuum... só espero que antes que ela endoideça de vez, não decida matar o Nino... tadinho.....

mas como está dramática essa parte não? parece que o tempo de felicidade deles já está tão distante agora..... tomara que não continue assim... tenho confiança que Sakuraiba chegará com uma solução! ou talvez não.... devo lembrar que as idéias do Aiba às vezes não são lá muito boas né... hahaha.... <3

espero o próximo capítulo!
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Jan 17, 2010 12:23 am

OI flor... Kyuu nao tinha visto q vc tinha comentado..e respondi seu coment..mas a net caiu e eu perdi tudo...
Bom.. mta coisa se explica agora
Obrigada pelo carinho
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Jan 17, 2010 12:31 am

Rendição

Capítulo XXXII

Por Josiane Veiga


Os galhos da enorme árvore a frente da residência bateram contra as vidraças da janela lateral. O som seco e característico tornava a situação sinistra, quase assustadora. Audrey Morgan acreditava que nada pudesse assustá-la desde que a mãe faleceu, mas, ao ouvir o barulho, ela tapou a cabeça com o edredom, claramente perturbada.

Em seus exatos nove anos de vida, não costumava fugir de nada. Ora, não fora ela que encontrou e guardou o corpo da mãe, sozinha, enquanto a polícia não chegava? Não fora ela que ficou encarando aqueles olhos mortos enquanto esperava que algum adulto aparecesse, e a livrasse da incumbência?

Entretanto, naquela noite, sentiu frio em todo o corpo. Pousou a mão sobre o peito tentando se acalmar. Se conseguisse falar (bem sabia que após a morte da mãe, as palavras não saíam de sua boca), iria rezar em voz alta. Quem sabe Deus (se é que existisse) a ouvisse.

Quinze minutos e o pavor não passara. Desistindo de dormir, puxou as cobertas, e se levantou. O quarto ainda estava iluminado por um resto de vela. O padrasto não costumava permitir que ela utilizasse luz elétrica. “Gasto desnecessário”, dizia ele.

Andou de um lado para o outro buscando algo que a ocupasse. Pegou uma boneca velha que estava atirada no chão, sentou-se na cama, e tentou brincar.

Foi então que ela ouviu um choro. No começo parecia um lamurio suave, mas logo percebeu que era um pranto. O pranto do irmão.

“Steven...” – Pensou.

Quando a mãe morreu, deixou-a com a responsabilidade de cuidar do menor. Não que fosse alguma novidade, pois em vida a mulher nunca se importou com as crianças. Quando casou-se com aquele homem gordo, passou a desconsiderar os dois filhos ainda mais. Era Audrey que alimentava, dava banho e brincava com o garotinho de olhos assustados.

Da mesma forma, era a menina que escondia o mais novo dentro do armário quando a mãe e o padrasto se drogavam. Ela conhecia a rotina das drogas. Os adultos ficavam extremamente ativos tão logo abusassem dos tóxicos. Batiam nela, e então ficavam a procura do outro. Como o efeito da droga durava pouco, logo desistiam da busca e iam dormir.

Foi, portanto, um alívio quando a mãe morreu.

O padrasto passava boa parte do dia fora, e ela conseguia ter alguma paz. Quando ele voltava no final da noite, tanto Audrey quanto Steven já estavam dormindo. O homem então os ignorava sumariamente.

“Steven...”- a mente repetia o nome seguidamente, enquanto a mão abria a porta do quarto.

Fora do quarto, o som dos soluços do menino era mais alto. A menina de nove anos caminhou em passos temerosos pelo corredor escuro. A casa era pequena, e logo ela estava na cozinha.

Olhou a mesa. Um pedaço da torta já velha, que a vizinha iria jogar fora – mas que acabara dando a menina pobre - estava sobre um prato. Sem geladeira, Audrey tentou manter a guloseima fria apenas a tapando com um guardanapo. O bolo estava sendo guardado para o aniversário de Steven, que fazia seis anos naquele dia. Tão logo o irmão acordasse, ela iria levar-lhe o doce, e cantar-lhe parabéns.

Ouviu um pequeno grito sufocado do irmão. Seria um pesadelo? Rapidamente pegou o prato com o bolo e começou a ir em direção ao quarto do menor. Iria dar-lhe o bolo ainda de madrugada, não somente para acalmá-lo, mas também para aproveitar o doce sem que o padrasto o roubasse dela.

Porém, estancou ao se aproximar da porta que estava aberta.

Lá dentro, o homem gordo que a mãe havia se casado antes de morrer, estava em cima do irmão. Ele tapava a boca de Steven para que a criança não gritasse, mas o sangue nos lençóis deixava claro o quanto o estava machucando.

Por alguns segundos, ela não teve reação. Os olhos se fixaram naquela cena pavorosa. Viu a luta do menino para tentar se livrar daquelas mãos sujas, mas sua fragilidade não era páreo para um homem tão forte.

Somente quando viu o ato de cópula (infelizmente a mãe e o padrasto nunca haviam escondido o que faziam, e ela foi testemunha passiva daquilo diversas vezes), foi que saiu do torpor.

Derrubando o prato no chão, correu em direção a cama e tentou puxar o corpo daquele monstro. Recebeu um safanão, e chocou-se contra a parede.

-Saía daqui, piralha! – Ouviu.

Abriu a boca para responder.

Nada.

Tentou novamente. Quis gritar. No entanto, a voz não saía. Lágrimas grossas molhavam seu rosto, mas ela não desistiu. Correu novamente contra a cama e tentou puxar o homem. Dessa vez ele saiu de cima do irmão, e avançou contra ela.

Um soco. Dois. Três.

Incrivelmente, não desmaiou. Recebeu um chute no estômago e sentiu o sangue na boca. Mas permanecia acordada.

E com os olhos arregalados, viu toda aquela depravação ocorrer diante de suas vistas.

Quando terminou, o padrasto vestiu a calça, e saiu para fora do quarto. Um silêncio doloroso preencheu o ambiente. Com dificuldade, Audrey conseguiu adquirir forças para rastejar até a cama.

Assim que viu o rosto do irmão, quis dizer-lhes infinitas coisas para aliviar tanta dor, mas a maldita boca não pronunciava som nenhum. Tudo que escapou-lhe dos lábios foi um rezingar baixo.

-Mana... – Steven encarou-a.

Audrey podia sentir a dor que o irmão sentia. Abraçou o pequeno corpo, e deixou-se a ficar balançando com ele nos braços.

-Está doendo tanto... – o pequeno choramingou.

Ao longe ela podia ver o bolo atirado no chão, lembrança do aniversário feliz que havia planejado para o irmão, mas que, no entanto, jamais se realizaria.

-Mana... – o outro voltou a chamá-la.

Voltou a encará-lo. O que podia fazer se nem sequer falar conseguia?

-Ele vai voltar amanhã? – O menino indagou.

Sim, ele voltaria. Os dois eram indefesos perante aquele homem. Sem sequer conseguir dizer uma palavra, como ela conseguiria buscar ajuda? Além disso, sabendo o quanto eram pobres, normalmente os vizinhos os enxotavam quando se aproximavam de suas casas.

-Mana... – a voz triste encheu seu coração de pesar. – Me ajuda...

O olhar interrogativo de Audrey demorou-se um pouco sob aqueles lindos olhos castanhos esverdeados.

-Eu sei de um jeito pra que ele nunca mais faça isso comigo – o menino a surpreendeu. - Eu vi num livro.

Ela sempre levava papéis para casa. Não sabia ler, nem o irmão, mas gostavam de olhar as figuras.

-A gente só precisa de uma corda...

~~~~000~~~~

A camisola estava ensopada de suor. Audrey Morgan passou os dedos finos e pálidos em cima do tecido, na tentativa de acalmar as batidas frenéticas do coração.

O pesadelo... voltou.

O quarto escuro que estava agora em nada lembrava o da infância. Este era uma suíte ricamente decorada e confortável. Sua vida também havia mudado muito: estudou, fez faculdade, conseguiu bons empregos. Tinha uma reserva na poupança. Saúde e beleza. Não era mais a menina muda de nove anos, que cuidava do irmão menor.

Sentiu o rosto molhado novamente. No entanto, sabia que agora o líquido não era suor, e sim lágrimas. Reprimiu-as.

Nunca se culpou por ter ajudado o irmão a se matar. Sabia que a morte foi um alívio para o menino. O que trazia remorso a ela era não ter protegido o irmão daquele monstro do padrasto.

Virou o rosto. Estava deitada na cama de casal do quarto de Nino. Havia levado Kazu até aquele local e ficará lá, para cuidar dele.

O amado estava muito machucado. Seus pequenos gemidos cortavam o coração da americana. Não queria que ele sofresse. Mas, de alguma forma, ela compreendia o desespero do pai de Kazu.

O Sr. Ninomiya não era seu padrasto!

Enquanto o homem que a mãe havia se casado abusara das crianças, o pai de Nino só tentava salvar o filho. Isso, a americana era capaz de entender. O que não podia aceitar era a surra!

Deslizou os dedos pálidos pelo rosto frágil de Kazu. A boca, assim como a pele, estava extremamente inchada. A mulher temia que o rapaz houvesse quebrado alguma coisa, mas não podia levá-lo a um hospital. Se a agência que cuidava da carreira de Nino soubesse o que o pai dele havia feito, iriam tirar Kazu da guarda do pai... e dela.

Precisava encontrar um meio de acalmar o pai de Nino, e manter o rapaz à sua proteção. Bem sabia que a culpa não era de Kazunari. O culpado de tudo era Satoshi! Por que aquele homem não deixava Nino em paz?

De repente, recordou-se de algumas horas antes. Ohno havia aparecido perante a casa. Gritou com desespero o nome de Nino, e pranteou perante a janela. Audrey sentiu-se confusa diante de tamanha cena. Até chorou.

-Não! – Disse, firme, a si mesma.

Ohno Satoshi era um pervertido sem moral, que havia seduzido e manipulado Nino. Com sua fala macia, havia feito seu namorado acreditar que amava um homem! Não devia ter piedade daquele rapaz, porque ele não passava de alguém igual ao padrasto. Matsumoto Jun, assim como Masaki Aiba e Sakurai Sho eram iguais. De todos, o único que era inocente naquela história era o seu Nino...

-Não se preocupe, meu amor... – murmurou, acariciando a face do rapaz. – Eu cuido de você...

~~~~000~~~~

Nino havia acordado algumas horas após o confronto com o pai. Mesmo assim, o moço moreno permaneceu com os olhos fechados. Cochilou novamente. Voltou a acordar de madrugada. Ao abrir os olhos, a primeira imagem que viu foi de Audrey, dormindo ao seu lado. Voltou os olhos para o lado oposto e viu um relógio elétrico marcando seis da manhã.

Inverno, o sol ainda não havia despontado no horizonte, dando mostras de um novo dia. No entanto, o rapaz não conseguia permanecer no leito, deitado ao lado daquela mulher. Com muita dificuldade, levantou-se. Sentia dores fortes em todo o corpo, mas conseguiu seu intento sem emitir um único som.

Estava de meias, e o tecido bloqueou o barulho de seus passos. Como estava caminhando mais devagar, fruto dos machucados, demorou até chegar a porta. Entretanto, tão logo viu-se à saída, seus olhos pousaram sob a bolsa da morena.

Por algum motivo, Morgan havia levado a bolsa para seu quarto. Talvez nela estivesse seus produtos femininos, e ele sabia o quanto a americana era vaidosa. No entanto, não eram os produtos de beleza que procurou ao pegar a sacola nas mãos.

-Oh, Kami-sama! – Murmurou. – Obrigado. – Agradeceu.

O telefone de Morgan!

O celular se encontrava no fundo da bolsa, e Nino o agarrou. Ansioso, caminhou até o primeiro quarto desocupado que encontrou. Nenhum dos quartos possuía chave, então ele apenas entrou, fechou a porta, e encostou as costas na madeira.

Discou rapidamente os números tão conhecidos.

O celular chamou uma vez... duas... e então um som indicou-lhe que alguém atendia.

-Quem é? – Ohno indagou. A voz era límpida. Era claro que Oh-chan não estava dormindo.

-Oh-chan – Nino sentiu as lágrimas molhando seus olhos. – Sou eu...

-Nino-chan! – A voz tornou-se sufocada, aflita. – Onde você está? Como conseguiu me ligar?

-Ainda estou na casa...

Um soluço escapou dos lábios de Kazu.

-Está chorando...? – Ohno indagou, preocupado. - O que aconteceu?

Não sabia por que perguntava aquilo, já que ele mesmo sentia a face sendo lavada pelas lágrimas quentes.

-Tenho tanta saudade de você, Oh-chan...

-Eu também... Não agüento mais, Nino-chan. Não posso... não suporto mais ficar longe de você.

Nino permaneceu em silêncio, ouvindo a respiração de Ohno. Como era bom pelo menos ouvir o som que vinha do seu amado.

-Estive aí ontem à tarde...

Aquilo surpreendeu Kazunari. Por Deus, Satoshi havia enfrentado seu pai?

-Que horas?

-No final do dia. Mas não me deixaram ver você.

Naquele momento, Nino ainda estava desmaiado. Mas, supunha o mais novo, mesmo que não estivesse, era provável que o pai jamais deixaria Ohno se aproximar.

-Você está bem? – Ohno questionou. – Eu gritei seu nome, mas você não apareceu. Não me ouviu? Ou estão lhe prendendo em algum quarto? Aliás, como conseguiu me ligar?

Escorregando até o chão, Nino secou o nariz, antes de responder a Ohno:

-Estou bem – mentiu. – Não ouvi quando me chamou... eu devia estar no banho. O telefone é da Audrey... eu peguei da bolsa dela.

Naquele instante tapou o telefone. Não queria que Satoshi percebesse que chorava. Tudo que queria ao ligar para o Riida era ouvir sua voz... só isso. Jamais iria desejar preocupar ou fazer Ohno sofrer mais do que já havia feito.

Culpou-se.

Eram seis horas da manhã. Ohno nunca estaria acordado tão cedo se não fosse por sua causa. O líder do Arashi também não ficaria gritando embaixo da janela por mais ninguém no mundo... só por Nino.

-Pegou o telefone de Audrey? Ficou maluco?

-Por que veio? – Nino tentou desconversar. – Não quero que venha, Oh-chan... – disse, sério. – É perigoso, entendeu? Meu pai odeia você!

-Tive uma sensação muito forte... e ruim – Satoshi contou. – Como se tivesse acontecido algo com você.

-Mas não aconteceu nada – voltou a mentir. – Não quero mais que venha! – Repetiu.

Naquele instante, o choro de Satoshi chegou até Nino. O Riida chorava de forma compulsiva. Nada do que havia sofrido durante toda a sua vida o machucou tanto do que ouvir Ohno chorar.

-Eu te amo tanto, Kazu... – Ohno confessou. – Não me peça para não ir até você...

Kazunari devia ser uma pessoa amaldiçoada. Era a única explicação. Desde pequeno, não correspondeu às expectativas dos pais. Foi rejeitado ainda muito jovem, e mesmo toda a fama e dinheiro que havia conquistado não deu-lhe o que mais ansiava: amor. Mais velho, enfim havia encontrado o sentimento nos braços do melhor amigo. Infelizmente, tudo que dera em troca à Ohno foram dor e sofrimento.

Baixou a fronte.

Se tivesse permanecido longe de Satoshi, o líder não teria alimentado esperanças de que o amor deles pudesse dar certo. Desde o começo, Nino sabia que o afeto que nutriam um pelo outro estava destinado ao fracasso; mas, fraco e egoísta como era, não evitou Ohno, e sim se aproximou mais do Riida.

Agora, às seis horas da manhã de um dia típico do rigoroso inverno japonês, Satoshi Ohno chorava ao telefone.

O mais velho havia sido amarrado à vida triste de Kazunari. Satoshi lutava uma guerra que não era dele. Por que sofria? Tinha uma mãe maravilhosa, um pai que o apoiava, beleza, talento, fãs. Também tinha o amor de outra pessoa incrível: Matsumoto Jun. o Riida tinha tudo para ser feliz... inteiramente feliz! Não precisava e não merecia estar chorando às seis horas da manhã por uma pessoa que não tinha solução.

-Nino-chan? – O gemido de Ohno interrompeu os pensamentos de Nino.

Porém, Nino não respondeu. A mente voltou a recordar-se do rosto de Ohno. Do seu sorriso feliz. Das bochechas fofas, que sempre o encantaram. Kazunari queria ver novamente Ohno rindo despreocupadamente. Não desejava esse choro terrível que agora ouvia.

Não queria que Ohno sofresse mais...

-Estou te ligando para resolver as coisas entre nós, Oh-chan – falou, tentando desesperadamente manter a voz neutra.

-Não entendi...

-Não quero que venha mais, Oh-chan – Nino explicou. – Você está prejudicando minha vida com meu pai e com Audrey.

Nino sentiu o baque de Ohno. A respiração do namorado aumentou.

-Eles estão aí? Estão lhe obrigando a dizer isso? O que estão fazendo com você?

-Estou sozinho, Oh-chan. Quero que dê uma chance ao Jun-san. Ele é um cara incrível, e vai fazê-lo muito feliz.

-Pare com isso!

-Preste atenção – Nino tentou ser mais claro. – Eu adoro você, mas prefiro continuar a ser seu amigo. Nosso relacionamento não tem futuro, e você sabe disso.

-Você não está falando sério – Ohno negou-se ao ouvir aquilo. – Sei que aconteceu alguma coisa... Você me ama!

Naquele momento Nino desabou. Quando o choro dele chegou até o ouvido de Ohno, o líder enfim respirou aliviado.

-Baka! – Satoshi xingou o mais novo. – Baka! Baka! Acha mesmo que eu vou desistir de você e do nosso amor?

-Se você for feliz, Oh-chan – Nino disse, com a voz entrecortada -, eu também vou ser.

-E como eu vou ser feliz longe de você? Diga-me! Tenta me explicar como eu poderei sorrir sem ver o seu sorriso? Como eu poderei amar alguém que não seja você?

-Mas, desde que estamos juntos, quantas vezes você sorriu, Oh-chan? Na maioria das vezes, eu só te fiz chorar...

-Prefiro lágrimas verdadeiras ao seu lado, que sorrisos falsos longe de você! – Ohno disse alto. – Inferno! Cada vez que você tenta me afastar, me machuca mais, não percebe? Eu te amo, droga!

-Eu também – Kazu enfim confessou. – Amo mais que tudo no mundo, Oh-chan...

-Sho-san e Aiba-san descobriram coisas incríveis da Audrey – Ohno contou rapidamente. – Eles estão tentando descobrir uma forma de virar o jogo a nosso favor...

-Mas, se não conseguirem, prometa que não vai voltar a enfrentar o meu pai...

-Não tenho medo dele!

-Prometa!

-Não me peça isso!

Nino suspirou. Sabia que Ohno enfrentaria qualquer um por sua causa.

-Eu preciso desligar. Logo Audrey ou meu pai vão acordar. Por favor, durma e se cuide. Já está sendo difícil demais pra mim tudo que está acontecendo. Se você ficar doente, não vou suportar...

-Diga que me ama antes de desligar...

Um sorriso triste despontou nos lábios de Kazu.

-Amo... amo tanto...

Logo em seguida, Kazunari desligou o aparelho.

~~~~000~~~~

Touga Jean não chegou a tocar a campainha. Assim que postou-se a entrada de Melanie Vardin, a modelo francesa abriu a porta, como se previsse sua presença.

-O que quer? – Ela indagou.

Logo em seguida, deu passagem e o rapaz entrou. Melanie era mais alta que ele, e aparentava mais força também. Dessa forma, o olhar agressivo que ele deu-lhe não causou nenhum receio na mulher.

-Eu tinha uma sessão de fotos para hoje – reclamou. – Por que me ligou querendo me ver?

-Como ousa me perguntar isso? – Jean gritou. – Vim cobrar o seu trabalho!

A francesa jogou-se contra o sofá. Seu olhar malicioso chegou até o rapaz:

-Que trabalho? – Ridicularizou. – Você me pagou para que eu dissesse que estava grávida de Sho Sakurai e fiz isso! Meu - como você diz - “trabalho”, já terminou!

Em fúria, Touga aproximou-se da mulher e a pegou pelos braços, erguendo-a do sofá.

-Você devia ameaçar o aborto! Falar de aborto a Masaki Aiba! Dizer que Sakurai está lhe pressionando a isso! Entretanto, não fez nada do combinado!

-Eu falei de aborto! – Ela se defendeu. – Ameacei aborto!

-Então, responda-me, por que diabos o senhor Aiba e Sakurai não estão brigados?

O rapaz soltou seus braços com raiva, e Melanie caiu novamente sobre o sofá.

-Como eu poderia responder-lhe isso? – Indagou. – Que culpa tenho eu que os dois são amigos em qualquer circunstância? – Suspirou. – Além disso, não entendo porque Aiba ficaria zangado com Sho por causa de uma mulher fazer um aborto...

Pasmo, Jean encarou Melanie.

-Você não percebeu? – O mestiço indagou. – Não acredito que não tenha notado ainda?

-O quê? Que Aiba é uma pessoa maravilhosa e que não tolera aborto? Sim, eu tinha notado isso! Como não perceberia?

Uma gargalhada inundou a sala. Jean ria tanto que lágrimas já lhe escapavam dos olhos. A sua frente, Vardin o observava curiosa, não entendendo o motivo da graça.

-Sua idiota... – murmurou. – Os dois são namorados.

A boca de Melanie se abriu, surpresa. Os olhos claros da loira arregalaram-se, espantados. Devia ser piada! Claro que era!

-Sakurai dormiu comigo! – A observação foi feita mais pra ela do que para o assistente de Karin. – Ele transou comigo! É um homem e tanto! Eu sei! Eu o tive na minha cama! Por que está tentando difamá-lo e a Aiba?

-Difamar? Eu difamar o senhor Aiba? Jamais faria isso! – Afirmou. – Eu o amo mais que tudo na vida, e jamais falaria algo de ruim dele! Aliás, eu sei o quanto ele sofreu quando o senhor Sakurai-kun começou a freqüentar motéis de quinta categoria com você! O senhor Aiba é uma pessoa maravilhosa e não merece aquele ser desprezível!

Melanie custava a acreditar nos próprios ouvidos. Porém, recordou-se de como Masaki e Sho pareciam próximos no restaurante. Só então percebeu que notara naquele dia que Sho estava com ciúmes... Naquele momento, a modelo pensou que o sentimento era para com ela, mas após ouvir as palavras de Jean, percebeu que o ciúme era de Aiba!

-Não acredito... – murmurou.

-Acredite!

Mesmo havendo dormido com o namorado dele, e aparecendo com um suposto filho do adultério, Masaki havia dado apoio a ela, oferecendo carinho e amizade. Que tipo de homem era aquele? Um anjo?

-Aiba é gay?

Seu coração começou a doer. Não queria acreditar! Nada tinha contra os homossexuais, mas sabia que estava se apaixonando por Masaki. E pior, estava machucando propositalmente uma pessoa que ela já idolatrava.

-Sim. Ele e o senhor Sho-kun são um casal. O relacionamento é segredo, mas dentro da JE se percebe.

Quis chorar. Suas últimas esperanças de conquistar o amor de Aiba esvaíram-se perante aquela verdade. Olhou para o lado, e viu o vaso de flores. Todos os dias, religiosamente às oito horas da manhã, o rapaz da floricultura trazia-lhe rosas brancas. Eram sempre de Masaki. O loiro também lhe ligava todos os dias para saber do bebê.

Por que não desconfiara daquilo antes? Um homem tão perfeito assim só poderia ser gay!

-Escute com atenção! – Jean a tirou do devaneio. – Quero que você vá até o senhor Aiba, e diga-lhe que Sho Sakurai está pressionando você para o aborto. Diga-lhe que...

-Não vou dizer nada! – O interrompeu. – Acabou a farsa! Eu jamais imaginei que estava fazendo Aiba sofrer tanto! Se desconfiasse disso, nunca teria aceitado esse absurdo.

-Você foi paga para isso!

-Vou devolver o dinheiro! – Avisou. – Amanhã levo o dinheiro a você no estúdio!

-Você tem que fazer isso! – O rapaz berrou.

-Como você pode dizer que ama Aiba acima de tudo? – A voz dela transbordava incredulidade. – Como pode dizer que ama se não se importa com o quanto ele está sofrendo? Aiba não é o tipo de pessoa que fica com alguém de forma impessoal. Se ele está com Sho, é sinal de que o ama. E imagino o quanto deve ter se magoado com a infidelidade de Sakurai atirada as suas fuças quando eu surgi!

Jean a encarava, espantado.

-Você não entende – murmurou. – Eu o amo e quero que ele seja feliz... comigo... – destacou.

-Eu também o amo – Melanie reagiu. – Mas quero que seja feliz com quem ele ama! – Ela sorriu de forma triste. – Nunca pensei que houvesse pessoas boas no mundo, mas me enganei. Masaki é bom! Ele é puro, gentil, humano e honesto. Eu não vou mais enganá-lo!

-Você vai pagar por isso – Jean ameaçou.

-Se assim for o destino, eu pagarei – retrucou, corajosa. – Nunca fugi de nada da vida, e não fugirei do futuro... seja ele qual for!

~~~~000~~~~

-Nino-chan ligou? – Matsumoto arregalou os olhos.

Eram quatro horas da tarde. Os quatro membros do Arashi que estavam aptos ao trabalho haviam sido submetidos a reuniões de pauta do programa durante todo o dia. Porém, uma hora antes, foram separados em duas duplas para gravarem matérias externas. Enquanto Masaki e Sakurai haviam sido mandados a um zoológico para filmarem o nascimento de um tigre, Jun e Ohno foram mandados ao parque central de Tókio, a fim de entrevistarem pessoas.

-Não pudemos conversar muito – Ohno reclamou. – Por Deus, eu queria tanto ficar ouvindo a voz dele pra sempre...

O coração de Jun condoeu.

-Tudo vai dar certo, Riida! Inferno que a gente tenha que trabalhar, e não pode ficar apenas concentrado no problema de Nino. Mas, na próxima semana, quando Nino-chan voltar ao estúdio, tudo vai ficar mais fácil, pois poderemos conversar no camarim.

-Sim, eu sei.

Ohno sentia-se completamente derrotado. O corpo reclamava a ausência do namorado. À noite ele não dormia, pensando em Kazu. Sentia falta do seu cheiro, da sua forma de fazer amor. Também se preocupava se Nino estava se alimentando direito... se não o estavam maltratando.

-Riida, você viu o script?

Ohno levantou os olhos. A voz de Matsumoto havia quebrado sua linha de pensamentos.

-Não. O que tem nele?

-Querem que a gente faça fanservice...

Pegando os papéis nas mãos, Satoshi leu as linhas demarcadas pela produção. Realmente, os diretores queriam que a cena daquele dia fosse baseada em um carinho exagerado entre os amigos.

-Querem que a gente simule um beijo... – Ohno se surpreendeu. – Não costumam pedir essas coisas na TV!

-Realmente, é estranho. – Jun concordou.

Muito estranho! O mais novo bem sabia que havia momentos para o fanservice. Nos shows, era tudo mais destacado. Na TV, porém, deviam ocorrer insinuações sutis.

-Sei que você não está bem pra isso – Jun observou, encarando o amigo. – Vou pedir pra desconsiderarem hoje...

-Não – Ohno negou. – Vamos fazer! Melhor não irritarmos ainda mais os executivos... afinal, estamos reprisando programas, Nino-chan está “doente”, Masaki e Sho faltaram algumas gravações para irem atrás de informações sobre Audrey... enfim... quanto menos provocarmos a paciência deles, melhor.

Movendo a cabeça, Matsumoto concordou.

-Ok, faremos o beijo então!

Mesmo concordando, aquela sensação estranha não abandonou Matsumoto em nenhum momento durante o dia de gravações. O que o moreno não sabia era que suas atitudes, e as do líder eram observadas ao longe por um sorridente e atento Touga Jean.

Continua...
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Jan 17, 2010 6:47 am

JEEESUS, nao tinha lido dois capitulos
agora que eu li eles juntos,\
quase chorei
o nino quase foi morte pelo pai O-O
eele ligo pro ohno *SUUUUURTA*
amei amei amei, brigada


[END] - Rendição - Página 12 Cpiadenewscalendar20101
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyDom Jan 17, 2010 6:25 pm

OMG mais passado d Audrey
ela realmente sofreu mto hein TToTT
ver o irmao sendo estupado daqle jeito
aff q horror

Pô a Melanie nao tinha se tocado q Sakuraiba é um casal? lerdinha ela hein rs

Oh-oh cena d bjo, ideia do Jean
aiai no q isso vai dar?
to curiosaa
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptySeg Jan 18, 2010 6:58 pm

amadasss..brigada pelos comentarios, amores^^

O cap que vai completar esse vai mostrar o quanto esse beijo juntoshi vai resolver tudo..hehehe

mtooo obrigada pelos coments^^
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyQui Jan 21, 2010 3:22 am

oiaaa /o/ quem tah vivo sempre aparece XD~

Jooooooosy

sinceramente depois de ler esse capitulo eu cheguei a uma conclusão sobre sua pessoa : Não existe a necessidade de falar pra você 'Surpreenda-me', vc faz isso involuntariamente u_u~

O jeito que vc trabalhou a Andrey foi muito bom !

são poucos o vilões que são trabalhados como loucos e com minha experiencia de devoradora de livros.. os com um parafuso a menos são os melhores 8D
Não que ela seje doida, mas 'o modo de pensar' é diferente e explica o por que de tudo.

Finalmente seu jean mostrou as garras. Aquela peste. Num gostei dele desde o inicio e tah aí o porque.. ele não me cheira bem u__u AHHH se ele fizer alguma coisa contra o Sakuraiba.. mato seu personagem o___o

ahh historia deu uma enorme reviravolta... ler quatro capitulos de uma vez foi traumatizante.. me segurei pra naum chorar aqui ...

mas sinceramente senti mais do Jun [poxa.. entenda... ele é meu ichiban]
Jun tah sofrendo pacas com essa historia.. tanto quanto o casal.

Ohmiya... não sei mais o que pensar nesses dois... simplesmente sofre junto... aiai to que nem o Nino... sensivel de mais.

Capitulos perfeitos *---------* mais que perfeitos
Ganbate ne Josy o/
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyQui Jan 21, 2010 3:44 pm

Brigadaaaa Bahhh
Rendição está saindo tanto do controle, que os cap simplesmente brotam no meu pc... escritos com rapidez. Ex, hj vou atualizar^^ hehehe

A Audrey é meu xodo..ela ainda tem uns 2 cap de maldade, até começar a ficar tocada pelas coisas que vao acontecer...

Flor..brigada pelo comentario e pelo carinho
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MensagemAssunto: Re: [END] - Rendição   [END] - Rendição - Página 12 EmptyQui Jan 21, 2010 5:56 pm

Rendição

Capítulo XXXIII

Por Josiane Veiga

Nota da Autora: A vida não é cheia de coincidências? Dessa vez, uma triste apareceu. O cap. 33 de Rendição surge numa semana muito triste para todas as fãs de Ohmiya: a suspeita de uma briga entre nosso casal favorito. A Carla do Ohmiya BR disse em seu live algo que trarei agora para a nota: Não sabemos o que aconteceu... mas Ohno está machucado..e por isso está machucando Nino. Aliás, se você está por fora do assunto, meu LiveJournal (josianeveiga . livejournal. Com) traz diversas postagens sobre isso.

Enfim.. como diria o Fabiano: o sentimento deles é forte o suficiente pra enfrentar uma crise. Esperamos que na vida real, o final de tudo seja igual ao final da estória que estou escrevendo... pois queremos crer (e cremos!) que percalço nenhum da vida vai destruir essa linda e pura história de amor.



--------------------------------------------------------------------------------

-Que porcaria é essa? – Uma voz feminina gritou a entrada do camarim do Arashi.

Os quatro membros do Arashi que estavam presentes, guardando suas coisas nas bolsas, olharam em direção a porta.

-Como, Karin-san? – Indagou Masaki.

-Isso! – A japonesa ergueu uma fita de vídeo com as mãos. – Que programa foi esse gravado entre Jun-san e Ohno-san hoje? Quem os mandou ir ao parque de Tókio fazer entrevistas românticas? E quem ordenou que ficassem em atitudes de fanservice um com o outro durante as gravações?

Matsumoto e Ohno se encararam surpresos. Assim que haviam terminado as reuniões do dia, um dos estagiários havia aparecido e os ordenara ir para uma gravação externa. Estranharam aquilo, era verdade, mas não se negaram a gravar.

-Alguém da produção nos mandou fazer isso – o Riida contou.

-Quem? Diga-me quem foi o imbecil que os mandou à rua! Para essa palhaçada, deslocaram dois câmeras e um assistente de produção que deviam estar trabalhando naquele momento em outro programa de entretenimento! Algum de vocês tem idéia do que eu ouvi do meu chefe?

-A culpa não é nossa, Karin-san... – Aiba tentou se justificar.

-Sua, eu tenho certeza que não é – A mulher olhou de forma afetiva para Aiba. – Porém, me pergunto por que esses dois – falou, apontando a dupla Juntoshi – não questionaram a gravação!

-Devíamos questionar? – Jun irritou-se. – Que culpa temos nós se nos deram o script errado?

Karin bufou alguns segundos antes de retornar a falar:

-Quem foi que avisou vocês para gravarem?

Jun tentou puxar pela memória, mas não lembrou imediatamente. No entanto, Ohno pareceu recordar:

-O estagiário novo – contou. – Mas é provável que ele apenas tenha ouvido ordens... – tentou justificar o funcionário.

-Temos uns dez estagiários novos! – Karin berrou. – Qual deles?

-O mestiço – Jun conseguiu se lembrar. – Aquele que tem olhos claros...

-Touga Jean? – Sho enfim se manifestou. – Só podia ser...

O moreno iria dizer mais alguma coisa, mas a frase morreu na boca ao ver a forma como Masaki o observava. Obviamente, Aiba protegia o fã.

-Vocês estão dispensados! – Karin avisou. – Folga até amanhã à tarde! Iremos usar algumas tomadas externas no programa de amanhã, e não vamos precisar da presença de vocês antes do meio dia! – Moveu sua mão, dispensando-os de forma banal.

-E o fanservice de hoje – Ohno pareceu preocupado. – Você vai usar?

-Obvio que não.

-Ah – o Riida suspirou. – Arigatou, né Karin-san...

Sem responder, a mulher deu as costas e saiu do camarim.

~~~~~~000~~~~~~

O dia transcorreu como sempre. O sol fraco despontou no céu, não fazendo a menor diferença naquele clima gelado. Fora da mansão que o senhor Ninomiya havia alugado, grandes blocos de gelo adornavam as árvores. Nevou durante toda a madrugada, e a neve não havia parado na manhã. Agora, quase noite, havia derretido um pouco, deixando o ar ainda mais úmido.

Nino abriu os olhos. Depois da conversa com Ohno, ele guardou o celular no lugar de sempre e voltou para a cama. Audrey continuava lá, imóvel. No entanto, o moreno fez pouco caso da presença da mulher, e deitou-se ao seu lado. Quando acordou novamente, já estava escuro lá fora.

Ergueu-se para ir ao banheiro lavar o rosto. Não conseguiu de imediato. O corpo estava ainda mais dolorido. Ele levantou a camisa para ver a barriga - parte do seu corpo que mais doía - e a encontrou totalmente roxa. Ergueu os dedos e tocou a face. Seu rosto estava muito inchado. Assustado, buscou forças no íntimo, e foi até o banheiro da suíte.

Parado à frente do espelho, permitiu que suas lágrimas escorressem pelo rosto. Quem era aquele que se refletia? Seus olhos eram circulados por uma enorme mancha roxa, e o canto da boca tinha sangue seco (que vazava tão logo era limpo). Em nada aquele que agora se observava lembrava o Ninomiya Kazunari da TV, que fazia tantas meninas suspirarem.

Não que Nino fosse vaidoso. Essa característica combinava mais com Jun. Mas era difícil para ele não se sentir um verme ao ver tanta feiúra. Quanto tempo demoraria até seu rosto voltar ao normal?

-Nino...

A voz de Audrey fez o rapaz olhar para a porta do banheiro. A americana estava parada lá, com uma bandeja nas mãos.

-Sua janta – ela sorriu.

Kazu nem pensou em se opor. Fazer greve de fome não adiantaria em nada a sua situação. Depois que secou os olhos, caminhou até o quarto, e sentou-se na cama. Morgan parecia muito satisfeita em ver-lhe a aquiescência.

-Batatas inglesas cozidas com manteiga – ela mostrou o prato ao rapaz-, com arroz a grega e salada.

Como ele estava bastante ferido, a mulher teve o cuidado de fazer apenas alimentos que fossem de fácil ingestão. Era estranho que ela se preocupasse tanto, afinal eram inimigos.

-Você dormiu a tarde toda... – Audrey comentou o óbvio. – Está se sentindo melhor?

-Estaria melhor se estivesse ao lado dos meus amigos – Nino respondeu, seco.

Por alguns segundos, Kazunari teve a impressão que Audrey iria revidar gritando. Os olhos castanhos esverdeados da morena adquiriram um tom rubro, de raiva. Porém, a reação seguinte dela, surpreendeu-o.

-Você não tem idéia do erro que está cometendo... – disse, contendo um suspiro.

-O que quer dizer? – Nino indagou, levando as batatas a boca com a ajuda de um garfo.

Audrey, apesar de totalmente entrosada com a cultura japonesa, tinha dificuldades com a culinária daquele país. Dessa forma, não cozinhava nada propício ao uso de hachis.

-Nada... – murmurou.

Apesar da palavra, Kazunari sabia que a americana tinha uma segunda intenção. Sua atitude, sua postura e a forma como pronunciou a resposta, deixava transparecer o intuito de colocá-lo em dúvidas...

-Responda logo o que você quer dizer um “erro”! – Ordenou.

-Realmente, não é nada... – A voz doce dela o irritou ainda mais.

-Droga! Diga de uma vez!

-Não fique irritado – ela pediu. – Não quero que se estresse. Você está passando por um momento complicado, e quero que pense unicamente na sua saúde.

-Pare de ficar agindo como se você se preocupasse – Kazu despejou. – Nós dois sabemos muito bem que você só quer minha fama e meu dinheiro.

A americana pareceu magoada com aquela colocação.

-Está enganado – a voz dela foi fria. – Tudo que quero é que pare de ficar sacrificando o amor do seu pai por quem não merece!

Aquelas palavras dúbias enlouqueceram Nino.

-O fato de ficar dando voltas para falar algo - Kazu reclamou -, está começando a me aborrecer!

Dessa vez, foi ela que ficou zangada.

-Quer saber, então? Quer mesmo?

-Quero!

-Estão saiba que, enquanto você estava deitado nessa cama, se recuperando de uma surra que seu pai deu em você por causa do seu amiguinho Ohno Satoshi, o seu líder estava curtindo uma tarde romântica ao lado de Matsumoto Jun!

Aquela história caiu como uma bomba sob as frágeis defesas de Nino. Ele era naturalmente inseguro, acostumado a ser segundo plano na vida das pessoas que o cercavam. Por alguns segundos, ouviu aquelas palavras como se fosse verdade. Porém, logo as negou.

-Que bobagem é essa que está falando?

-Estou apenas alertando-o! Você passou todos esses dias chorando pelo amor de alguém que nem liga pra você!

Não era verdade! Ohno o amava! Não foi o único amigo que teve nos piores momentos de sua vida? Não era Ohno que o embalava nas noites de insônia e pesadelo? Não foi Satoshi que abraçou Nino tão fortemente quanto possível quando o mais novo teve que sair de casa?

-Pare de dizer essas besteiras! – Mandou. – Ohno-san esteve aqui ontem!

-Como?

Kazu sentiu um misto de dois sentimentos ao pronunciar aquilo. O primeiro foi arrependimento, afinal se estava desmaiado, como poderia saber da ida de Ohno? O segundo foi de medo, pois a postura de Audrey era tão firme, que ele não pode evitar pestanejar.

-Ninguém esteve aqui – afirmou, sólida.

-Oh-chan não veio? – De repente, os olhos de Nino começaram a demonstrar a dúvida. – Eu ouvi a voz dele – mentiu, tentando dar uma desculpa para a frase que havia deixado escapar.

-Você sonhou. – Audrey não teve piedade. – Ninguém veio! – Repetiu. – Tirando aqueles seus dois amigos de banda – que afinal de contas, queriam falar comigo e não com você -, ninguém mais se importou. Nem mesmo a sua produtora...

A garganta de Nino começou a doer. Estava tentando conter as lágrimas a muito custo.

-Tente entender – Audrey continuou -, você só tem a mim, e ao seu pai. Deu tanto valor aos seus amigos, mas ninguém se importou com você até agora. – O tom dela agora ela quase agressivo. - Olhe para você! – Ela ordenou. – Está machucado, ferido, abandonado. E quem está cuidando de você? Eu! Somente eu estou aqui agora.

Kazu baixou a face.

-Para a agência você não passa de uma mercadoria que dá lucro. Para seus amigos, uma diversão. Para Ohno Satoshi apenas alguém que vai pra cama com ele, mas que pode ser substituído facilmente – ela continuou. – Mas, para mim, você é especial...

O queixo de Nino começou a tremer.

-Você está errada! Oh-chan me ama...

-Ama tanto que não veio sequer tentar ver você! – Ridicularizou. – Pelos céus, como pode ser tão cego? Lembra de quando eu disse-lhe que o perigo morava naquele tal de Matsumoto? Disse aquilo porque já havia visto que os dois têm um envolvimento... e debaixo das suas fuças!

-Isso é mentira! Jun-chan é meu amigo...

-Eles não amam você, Nino... Nenhum deles! Hoje tentei entrar em contato com os membros do Arashi para pedir ajuda, pois me assustei com a atitude de seu pai. Porém, nenhum deles estava disponível. Enquanto você gemia de dor na cama, Sakurai Sho e Masaki Aiba passeavam no zoológico. Se fosse o contrário, eu duvido que você estivesse tranquilamente passeando por um local qualquer, enquanto seus amigos estivessem sofrendo...

-Eles têm o direito de se divertirem... – Nino murmurou, mais para si mesmo que para ela.

-Você não quer ver a verdade, mas ela é bem óbvia: eles não se importam contigo... – Audrey respirou fundo. – Mas, pior foi Ohno Satoshi. Esse sim, demonstrou o quanto você é insignificante na vida dele. Sabe o que ele fez a tarde toda? Namorou Matsumoto Jun. Os dois se beijaram no parque, sem se importar com as pessoas que passavam pelo local.

Nino moveu a face, negando. Entretanto, o jovem não parecia muito certo das suas convicções.

-Eles não fariam isso...

Então um envelope foi atirado no seu colo, caindo em cima da bandeja com a janta. Kazu afastou a comida de si, colocando a bandeja em cima da mesinha lateral. Pegou, depois disso, o envelope.

-O que tem aqui? – Indagou, temeroso.

-Olhe você mesmo...

O moreno voltou os olhos para o papel. Por que temia ver o que continha? Confiava no amor de Ohno, não? Mas, Audrey dissera com tanta firmeza que Satoshi não havia aparecido na casa... Seria Oh-chan capaz de mentir para Nino?

Não! Ohno não seria capaz disso. Eles se amavam! Satoshi havia chorado ao telefone. Audrey não viu Ohno perante a casa... era isso! Oh-chan havia aparecido num momento em que a morena estava ocupada tomando banho, ou lendo.

Mais corajoso, ele abriu o envelope. Tirou de lá, três fotos. Apesar de ângulos diferentes, Nino percebeu imediatamente o que as três fotografias transmitiam: um beijo entre Ohno e Jun.

Por alguns instantes, Kazu sentiu o coração parar de bater. As lágrimas que a custo ele tentava impedir caíram soltas pelo seu rosto. Não era mentira... Ohno e Jun estavam no parque, em clima romântico. Olhando atentamente as fotos, percebia-se que não havia ninguém da produção em volta; portanto, não estavam trabalhando.

-Consegui o telefone de Ohno, e telefonei para ele. Pedi que me ajudasse a entrar em contato com a sua mãe, para retirá-lo dessa casa... mas o seu Riida me disse que estava ocupado. Perguntei então onde ele estava... disse que iria atrás dele, para conversar, e resolver nossas diferenças. Recebi como resposta apenas o nome de um parque... fui até lá e vi toda a cena decorrer diante dos meus olhos. Eu sabia que você não iria acreditar em mim, então tirei fotos...

Nino não conseguia tirar os olhos das fotografias. Mesmo com as provas nas mãos, ele não queria acreditar.

-Você é lindo, Nino. Não duvido que Ohno sinta desejos por você... mas ele não te ama. O que você faz na cama com ele, Matsumoto também faz. O que pra você é especial, pra ele é apenas casual. Claramente Ohno Satoshi não vai sacrificar sua tranqüilidade para se preocupar com você. E, por isso, ele nem se importou com seu bem estar, ou sua saúde. Quantos dias fazem que está aqui? – Indagou, para segundos depois responder. -Já faz quase uma semana, e ninguém sequer ligou. Seu pai é um homem rude e antiquado, mas ele teria respondido sob você. Entretanto, o telefone não tocou sequer uma vez. Nem eles, nem sua mãe, nem sua irmã... ninguém da sua família, dos seus amigos... ninguém – a mulher repetia com a voz calma, fazendo com que as palavras entrassem dentro da mente de Nino. - Por favor, pare de ficar estragando a sua vida por alguém que sequer telefonou para saber se você está bem...

Nino não sabia como reagir àquelas palavras. Queria negá-las, gritar com Audrey, mas a voz morria ao ver a imagem dos dois membros do Arashi se beijando.

-Por favor, me deixe sozinho... – pediu. – Por favor...

-Tudo bem, meu amor – Audrey foi carinhosa. – Chore o quanto quiser... mas reaja a isso. Eles não merecem a sua dor.

Quando ela saiu pela porta, deixou propositalmente a bolsa com o celular em cima da mesa de canto.

~~~~~~000~~~~~~

Ohno estava sentado na sua cama, observando o porta-retrato com a foto de Nino, quando o celular tocou. Voou até o aparelho, e ao ver o número, quase chorou. Sabia que não podia ligar para Nino, a perigo de a americana perceber que estavam se falando, então tinha que esperar o momento certo do namorado entrar em contato. Porém, aquela espera era angustiante.

-Moshi moshi – murmurou.

Exatos cinco segundos se passaram antes de alguém responder.

-Sou eu, Oh-chan...

Ohno sentiu o coração saltando no peito, quase explodindo de felicidade. Por que o simples som da voz de Kazunari fazia todo o seu corpo se agitar, e um casto sorriso surgir em seus lábios.

-Como você passou o dia? – Perguntou, ansioso. – Estou surpreso que tenha conseguido me telefonar essa hora. Audrey e seu pai saíram?

-Eles estão na sala, conversando...

A voz de Kazu tinha um tom frio, ou era impressão sua?

-Diga-me, Oh-chan – Nino pediu -, como você passou o dia? Trabalhou muito?

Ohno aumentou o sorriso, abandonando as preocupações. Se Nino lhe perguntava aquilo, era sinal que tinha tempo para conversar. Mesmo que não fosse muito, sentia-se a pessoa mais feliz do mundo por pelo menos ter a chance de ouvir aquela voz tão amada.

-Tivemos uma reunião que durou o dia todo. Os executivos querem que fazemos um programa de auditório com provas...

-E depois? – Nino o interrompeu. – O que fez depois da reunião?

Ohno pensou na gravação do parque. Mas, como a mesma não iria ao ar, considerou que não precisava falar dela a Kazu, afinal, para que aborrecer Ninomiya com um assunto tão insignificante?

-Depois? – A mente tentou pensar rápido. – Vim para casa...

Silêncio.

Ohno ficou aguardando Kazunari dizer alguma coisa, mas nenhum som vinha do outro lado da linha. Preocupado que a ligação houvesse caído, o mais velho chamou:

-Nino-chan?

Como se Kazunari houvesse se lembrado da presença de Ohno, respondeu imediatamente.

-Sabe, Oh-chan – permitiu que um riso triste escapasse dos lábios -, eu liguei para Karin-san antes de ligar pra você...

-Nino-chan – Ohno o tentou interromper, mas Kazunari começou a falar de forma mais alta.

-Nossa conversa foi rápida porque ela estava de saída para uma reunião com os executivos da agência – o mais jovem explicou. – Entretanto, Karin-san me falou que você e Jun-san estavam no parque de Tókio hoje à tarde...

-Oh, isso – Ohno tentou desconversar. – Foi apenas um erro de programação. Mandaram Jun-san e eu ao parque, mas não devia ser nada gravado lá...

-É mesmo? – Nino agora deixava transparecer a sua raiva. – Se não deviam gravar nada lá, porque você e Matsumoto-san estavam se beijando?

Tão logo a pergunta foi feita, Ohno levantou-se da cama com o celular nas mãos. Não sabia direito o que responder, porque um assunto desses precisava ser explicado pessoalmente. Nunca fora bom com as palavras, e sempre que tinha que resolver algum mal entendido, usava mais sua expressão facial de inocência do que um discurso.

-Foi fanservice, Nino... – Satoshi começou.

-Fanservice pra quem? Se nada foi gravado, se não havia fãs lá, pra que fanservice?

Ohno começou a suar frio.

-Calma, Nino-chan – pediu. – Deixe-me explicar, Ok?

-Explicar? Não existem explicações, Ohno – Nino o chamou dessa forma propositalmente. – Por Kami-sama, como eu sou idiota! Eu chorei ontem, e me martirizei pensando que você estava sofrendo por minha causa...

-Nino... eu juro por Deus...

-Não precisa jurar nada! – Kazu o interrompeu. – Não o culpo, Satoshi – o moreno suspirou. – Como eu poderia? Matsumoto é mesmo um cara lindo, inteligente... Eu mesmo o mandei ir atrás dele! Nem sei porquê estou ligando agora, e falando essas coisas...

-Pare com isso! – Ohno gritou. – Pare de ficar se depreciando! Eu não tenho nada com o Jun-san, e nunca vou ter!

-Você sempre foi fogoso, e eu não posso sequer beijar você... – a voz de Nino morreu.

-Me escuta! Eu te amo! Mesmo que eu nunca mais possa tocar em você, eu continuaria a te amar...

Ohno não sabia, mas enquanto Nino ouvia aquelas palavras, seus dedos seguravam as fotos que Audrey lhe dera.

-Tenho consciência que não tenho o direito de te cobrar nada, Oh-chan – o murmuro vindo de Kazunari despedaçou Ohno -, mas eu queria que pelo menos você tivesse separado um minuto da sua vida pra me avisar que você estava com outra pessoa...

-Não estou com outra pessoa! Você está me ouvindo? Você ouviu algo que eu disse?

-Sabe Oh-chan? Eu amei você desde o primeiro minuto que eu te vi...

Ohno sentiu os joelhos se dobrarem. Em segundos, estava ajoelhado no chão. Por algum motivo, ele sabia que Nino-chan estava se despedindo.

-E, eu acho que vou continuar a te amar pra sempre... – Kazu continuou. – A vida é engraçada, né? Eu sempre morri de ciúmes de você, e acreditava que jamais poderia te ver partir. Mas, agora eu olho para as minhas possibilidades e vejo que não tenho a menor condição de te fazer feliz... então, estou contente que você tenha encontrado alguém que possa...

-Não diz isso... – Ohno implorou, a voz fraca. – Por favor...

-A gente termina aqui, ok? – Nino tentou parecer carinhoso. – Sem ressentimentos, Oh-chan...

-Não – Satoshi negou. - Não vou aceitar isso...

-Vai ser melhor assim... – Nino tentava não deixar a voz chorosa. – Você vai ser muito feliz, Oh-chan – ele previu. – Você merece...

-Nino... por favor, me escuta... me deixa falar...

-Eu sempre vou te amar, ta? Não esquece disso, ok? E obrigado por tudo que fez por mim, Riida...

Ohno abriu a boca para gritar naquele instante, mas o som contínuo do telefone o alertou que Kazu havia encerrado a ligação. Desesperado, tentou ligar de volta, mas uma voz mecânica disse-lhe que o número chamado estava desligado.

Um choro compulsivo o tomou no mesmo instante em que ele voou até a gaveta, pegou a carteira, e saiu correndo do quarto.

~~~~~~000~~~~~~

Kazunari afundou o rosto no travesseiro. Chorou tanto que sentia todo o corpo - já dolorido pelas pancadas - arder. Agora, porém, não era mais uma dor física. Era uma dor na alma, algo que roubava-lhe as forças, sugando todas as suas energias. Naquele momento, quis morrer. Perder Ohno foi a pior coisa que passou na vida.

Recordando-se da conversa recente, repassou cada frase na mente. Sabia que o coração implorava para acreditar em Satoshi, mas o Riida mentiu-lhe desde o começo. De que adiantava obedecer aos sentimentos agora, e ver, dia após dia, mais provas do envolvimento do ex-amante com Matsumoto?

Batendo o punho contra o travesseiro, o rapaz pensou no porque a vida havia feito isso com ele. Os sentimentos dos pais, ele sabia que nunca possuíra. E isso era algo que cresceu admitindo e ouvindo dos genitores. Mas os amigos e Ohno... realmente, foi surpreendente. Kazunari havia crido com sinceridade que havia amor entre eles...

Mesmo contra todos as razoes que lhe diziam para não amar Ohno, ele deixou que o mais velho quebrasse o murro que o envolvia. Permitiu que Satoshi fosse o conquistando com palavras doces de carinho e amizade... Mas, assim como todos que o cercavam, o Riida também o machucara.

-Mas eu não o culpo... – Nino gemeu.

Que culpa tinha Satoshi? Era jovem, bonito e rico. Estava apenas aproveitando a vida ao lado da pessoa mais linda da banda.

Levando a mão até o rosto inchado, Nino meditou que, agora mais que nunca, a concorrência era desleal.

Secando o rosto com o lençol, o moreno se preparou para a próxima batalha. Começou a discar o próximo número. Dessa vez, a demora para atender foi maior. Demorou cerca de seis toques até alguém retirar o telefone do gancho.

-Sim?

-Jun-san – Nino disse. – Sou eu, Kazunari...

-Nino! – Matsumoto gritou, aparentando estar feliz. – Que bom poder falar com você...

-Vou ser breve, Jun-san – Nino o interrompeu -, pois Audrey está voltando logo para o quarto...

Aquiescendo, Matsumoto compreendeu.

-Conversei com Oh-chan agora... – Nino contou. – Eu já sei de tudo...

-Tudo o quê?

-O que aconteceu entre vocês...

O coração de Jun quase parou de bater. Ohno havia contado a Kazu sobre a confissão que Jun havia feito? Contou a Nino sobre a forma como Matsumoto o beijou no apartamento de Aiba?

-Nino-chan...

-Não estou ligando pra recriminá-lo, Jun-san – Kazunari disse, pacifico. – Nem ao menos minha intenção é brigar pelo que já está feito...

-Você está falando...

-Do beijo. – Nino completou.

Matsumoto tentou respirar. Nunca pensou que Ohno havia contado seu pecado a Kazu. Sentia-se envergonhado, humilhado...

-Não tenho palavras pra me desculpar, Nino-chan... – tentou falar. – Por favor, me perdoe. Eu sei que agi como um falso amigo, aproveitando-me do fato que você não estava presente... mas, acredite-me, foi involuntário.

Naquele instante, Matsumoto confirmava a Nino que Ohno havia mentido. O mais novo membro do Arashi sentiu-se confuso ao ouvir o choro de Nino. A culpa que sempre o acompanhou por aquele breve momento com Ohno, agora se intensificou.

-Nino-chan... – tentou falar.

-Faça-o feliz, ok? – Nino disse, ainda chorando. – Se você o fizer sofrer, juro que nunca vou perdoá-lo.

-Nino – Jun estava muito espantado. – O que você quer dizer?

-Oh-chan e eu não estamos mais juntos... – Nino explicou. – É a sua chance...

-Você terminou com ele por minha causa? – Jun o interrompeu. – Não pode ter feito isso... – o moreno negou com a face.

-Ora, não vamos mais fingir... – Nino murmurou. – Eu vou desligar agora...

-Não! Espere! Ohno-san não teve culpa pelo beijo... eu fui o único culpado!

-Mas agora ninguém mais precisa sentir culpa. Estão livres para ficarem juntos durante o tempo que quiserem.

E com aquela frase claramente magoada, Kazunari desligou o telefone.

~~~~~~000~~~~~~

Os dedos de Masaki deslizaram pelos cabelos negros de Sho. Estavam deitados no sofá, com as pernas enroscadas, assistindo a um programa qualquer na televisão. Assim que sentiu o toque do namorado, Sakurai sorriu e beijou-o no rosto.

-Estou cansado, Sho-kun... – o murmuro de Aiba fez Sakurai rir.

-Não pedi nada...

-Sua boca não, mas uma outra parte do seu corpo está pedindo.

Sakurai gargalhou perante a frase.

-Não tenho vontade de assistir televisão... – reclamou.

-Estou cansado... – Masaki repetiu, categórico. – Eu adoro gravar nos zoológicos, mas não sei por que, tenho uma sensação tão ruim me perseguindo o dia todo, que a gravação se tornou um fardo.

-É por causa da sua preocupação com Nino-chan... – O moreno o tranqüilizou. – Amanhã vamos novamente até Nino?

-Iria te pedir isso – Masaki sorriu. – Estou muito ansioso para ver Nino-chan...

Sakurai suspirou, triste.

-Pobre Oh-chan... Tenho certeza que ele é quem mais está sofrendo...

A resposta que o loiro pensou em dar foi impedida pelo toque de seu celular. Sem sair do sofá, ele estendeu a mão até a mesinha lateral. Sorriu ao ver o número.

-Hai, Mel-chan? – Cumprimentou. – Como está?

-Aiba, eu preciso de dinheiro.

Masaki arqueou as sobrancelhas. A loira francesa sequer o saudou. Isso que era ir direto ao assunto!

-Quanto? – Masaki perguntou.

Melanie Vardin não pode deixar de notar o fato de que Aiba sequer questionou os motivos. Sorriu, e respondeu. Esperou então que o amigo indagasse o porquê dela precisar de tanto dinheiro, mas, mais uma vez, ele a surpreendeu.

-Levo para você amanhã às nove. Pode ser?

-Você não vai me perguntar por que estou te pedindo dinheiro?

-Não precisa, Mel-chan. Eu confio em você.

A loira sentiu o coração saltar no peito. Tentou controlar as emoções.

“Ele ama Sakurai Sho”, disse para si mesma.

-Vou te devolver, ok? – Ela avisou, e desligou o aparelho.

Aiba ainda ficou alguns segundos encarando o telefone. Não gostava de conversas misteriosas, mas era paciente. No dia seguinte, descobriria os motivos de Melanie.

-O que ela queria? – Sho questionou, carrancudo.

O loiro olhou o namorado, e sorriu. Por que esse Sakurai tão ciumento e possessivo se tornava igualmente tão lindo?

-Nada de importante – suspirou. – Você vai comigo amanhã até o apartamento de Mel-chan?

-É óbvio...

Masaki abraçou Sakurai.

-Não fique com essa cara feia – pediu. – Eu te amo, bobo...

Mordendo o lábio inferior, Sho não resistiu e reclamou:

-Por que você a chama de "Mel-chan"? Aquela mulher não é nada nossa.

-É minha amiga!

-Você mal a conhece!

-Bom, quem dormiu com ela foi você – Masaki acusou. – No entanto, acho que eu a conheço melhor do que você, Sho-kun...

Não querendo se recordar dos momentos que esteve com Melanie, Sho desistiu do assunto. Sem nenhuma palavra, voltou os lábios aos do namorado e o beijou com paixão. Recebeu a resposta imediatamente. Logo os dois se espremiam um contra o outro, como se quisessem se fundir num só.

-Inferno! – Sho reclamou quando o som do celular voltou a tocar. – Desligue essa merda!

-É Jun-chan... – Masaki olhava no visor. – Não vou desligar o celular na cara do meu amigo!

-Então deixa que eu faço!

Roubando o telefone das mãos de Aiba, Sho atendeu.

-Matsumoto, você já ouviu falar de vida sexual ativa? Sabia que é deselegante ficar ligar à noite para um casal?

Aiba riu, mas o sorriso morreu nos lábios ao notar o olhar de Sho. O namorado ouvia algo que Jun dizia do outro lado da linha.

-Aconteceu alguma coisa? – Perguntou ao amante.

Sakurai levantou a mão, pedindo tempo. Continuou a ouvir Jun, deixando Masaki cada vez mais preocupado.

-Acalme-se, Jun-san – Sho pediu, agitado. - Já tentou falar com o Riida?

Masaki sentia-se cada vez mais agoniado pela seriedade do assunto.

-Como assim ele saiu e não disse para a mãe aonde iria? – O Rapper assustou-se. – Como? Não, você não pode ir lá sozinho, Jun-san! Ok...Ok... me escuta: Aiba e eu estamos indo agora pra lá, ok? Você nos encontra lá!

Tão logo disse isso, desligou o celular.

-O que houve? – Masaki indagou, ansioso.

-Tire o pijama e coloque roupas quentes – Sho ordenou. – Nós vamos sair...

Continua...
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