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 [END] Eu Não Te Amo

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Nara
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 20, 2010 2:41 am

Citação :
Ryo cantando Love Me Tender?? Eu NECESSITEI procurar isso... Coisa mais fofa!! hahahaha Ele pendurado cantando a música para a menina... Nem sei que dorama era aquele
Foi no dorama Teru teru kazoku ^^
ele d anjinho kyaaa *-----*
coisa mais fofa *----*
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 20, 2010 3:03 am

Rompimento

1

Ele escutou o telefone chamar até o fim. Três vezes. Kazuya não o atendia. Enquanto esperava a chamada terminar para tentar uma quarta vez, a voz de Yamapi ainda ressoava em sua mente.

- Jin, apareceu uma foto nossa em minha mochila... Eu juro que não sei como isso foi parar lá... Aliás, como alguém pode ter nos fotografado naquele momento?

Jin também não sabia como, mas sabia quem era o responsável por isso. Harada. Maldição, além de não deixá-lo dormir, agora estava tentando acabar com seu namoro. Jin não se atentou ao fato de que seu algoz deveria estar fora do Japão... E que, sendo ele responsável, talvez ainda estivesse no país...

Essa preocupação não lhe veio à mente agora. Estava muito apreensivo com a reação de Kazuya... O que o seu pequeno estaria pensando? Yamapi não foi de muita ajuda quanto a isso. Segundo ele, Kazuya trabalhou normalmente e foi embora assim que pôde, sem demonstrar seus sentimentos.

Repousou o telefone de volta ao gancho. Suspirou. Deveria ir até o seu apartamento? Olhou para o relógio e descartou a idéia. Eles tinham um encontro no dia seguinte. Era o aniversário de quatro meses de namoro... Kazuya não faltaria, era a primeira vez que eles conseguiriam comemorar a data de verdade, sem ser por telefone ou apenas trocando presentes rapidamente entre as paredes da Johnnys.

Eles se encontrariam no dia seguinte e, então, eles conversariam sobre o assunto. Jin estava convencido de que tudo seria resolvido. Ainda assim, depois de muito tempo, ele não conseguiu dormir.

2

Acordou assustado, com a sensação de estar atrasado para algum compromisso, mas a sua mente não conseguia sair da lentidão do sono. Procurou pelo relógio, eram quase nove horas da manhã. Franziu o cenho, finalmente lembrando-se que era um dia de folga e não precisava sair da cama para lugar nenhum.

Respirou aliviado, mas por pouco tempo. Ao virar-se de lado, deparou-se com as costas delicadas que ele conhecia muito bem. Kazuya notou que Akeko dormia profundamente, usando uma camiseta sua.

Kame sentiu o arrependimento o dominar. Fechou os olhos, franzindo a testa, xingando em pensamento.

Oh, cara... Merda... Eu não fiz isso...

E, no entanto, ele fez. A sua mente registrou, ainda que de modo embaralhado, muito provavelmente por conta do saquê, os toques íntimos trocados na noite anterior. Seus ouvidos registraram os gemidos de Akeko, sua boca teve novamente aquela língua dentro da sua, assim como sua língua, mais uma vez, penetrou a intimidade daquela mulher...

Kazuya sentiu sua cabeça começar a doer. Ótimo, ressaca. Era o que me faltava.

- Por favor, não faça essa cara.

Ele se assustou com a sua voz. Akeko, como muitas vezes antes, acordava discretamente e o pegava desprevenido. Olhando-a, percebeu o seu rosto magoado.

- Akeko, eu...

- Por favor, essa cara não! – ela repetiu – Kazuya, não me trate como uma menininha...

- Akeko, você sabe que eu estou com outra pessoa.

- Essa não é a questão. – ela disse tranqüilamente, suavizando a sua expressão – Não se preocupe, Kazu... Como disse, não me trate como uma menininha que veio em seu apartamento sem saber como a noite terminaria. Eu vim sim atrás da sua companhia. Não estou arrependida, eu não pretendo atrapalhar seu relacionamento com quem quer que você esteja... Vamos tratar isso como as pessoas maduras que sempre fomos.

Com surpresa, ele a viu se levantar e começar a recolher seu vestido, que, em algum momento da noite, Kazuya o jogou ao pé da cama... Akeko o sacudiu para desamassá-lo.

- O que você quer dizer?

- Olhe, Kazu... Eu sei que eu fui fraca, você também, mas um relacionamento como o nosso é difícil de se esquecer... – Ela despiu-se da blusa que vestia e colocou suas peças íntimas, ainda de costas para o rapaz - Mesmo tendo rompido há meses, eu senti a sua falta! Acho que em alguns momentos, talvez você também sinta a minha, mas não é isso que fará um relacionamento voltar. Eu tenho consciência de que terminou e este sexo não mudará isso. Pode abotoar meu vestido?

Aturdido, Kazuya se moveu robóticamente até ela e fechou os botões.

- Eu vou para o exterior. – ela anunciou de modo brusco. Sorriu, quando sentiu que Kazuya havia paralisado sem ao menos fechar um botão – Eu vou passar uma temporada fora, descansar e esquecer de você! Vamos, Kazu, feche meu vestido, por favor...

Recobrando a consciência, ele voltou a sua função, mas sem dizer nada. Estava surpreso com tal declaração, sua mente tentava compreender as atitudes daquela mulher, mas, percebeu que essa não era uma missão possível. Acima disso, porém, ainda estava em choque consigo mesmo... Como pôde ser tão canalha com Akeko?

- Eu não vou pedir para você voltar para mim, Kazu... Fique sossegado. E, se você não contar para a sua pessoa, eu não contarei... Ok? – ela virou o rosto em sua direção e piscou um olho, marota – Obrigada por não me deixar sozinha esta noite...

Ela o tocou no rosto e em seguida beijou de leve em sua face. Depois disso, foi embora. Kazuya lambeu o próprio lábio superior, irritado consigo mesmo, e se jogou de costas na cama. Fitou o teto.

- Idiota. Eu sou um completo idiota. – ele disse em voz alta.

Kazuya se questionava como poderia errar tanto com os amantes mais importantes que já passaram em sua vida. Pensou em Jin e em Yamapi... Estava irritado com ambos e, por causa disso, cometeu o maior erro de sua vida. Usou Akeko como se ela fosse algo descartável.

- Por que este teto não desaba logo em minha cabeça... Doeria menos. – desabafou em voz alta.

3

Sentado no chão, agarrado ao próprio joelho, Jin olhava para o embrulho em cima de sua cama. Encheu a boca de ar, emburrado. Kamenashi continuava a não atender suas ligações e sequer retornava suas mensagens. E já estava quase na hora do encontro.

- Devo ir?

Sem responder a própria pergunta, ele se levantou, pegou um cachecol no armário e o enrolou em seu pescoço. Colocou touca e luvas, então saiu, com o presente.

4

Estendeu a mão com a palma virada para cima e observou aquele floco de neves. Jin refletiu em como o inverno podia ser uma estação triste. Não há cor, as pessoas se mantêm prisioneiras em casa, as pessoas caminham com ainda mais pressa e param para conversar com algum conhecido o menos possível.

Esfregou as mãos, retirando a neve, e observou o local em que estava. Ali, meses atrás, ele disse que amava Kazuya. Não foi fácil voltar ali, uma vez que naquela época ele não prestou atenção no caminho que fazia, apenas dirigia livremente. Mas conseguiu reencontrá-lo e passou as coordenadas para Kame. Achou que comemorar o aniversário de namoro em tal lugar seria bastante simbólico...

O vento agredia seu rosto, ele tinha que estreitar os olhos de vez em quando, mas Jin prestava mais atenção na ansiedade que crescia dentro de si a cada minuto que o ponteiro do relógio avançava em direção a hora marcada.

Jin olhava constantemente seu celular, para verificar se não havia alguma mensagem perdida de Kazuya avisando que se atrasaria ou, ainda, que não viria. Ele preferia que o rapaz desse qualquer sinal de vida, ainda que fosse para dizer que estava zangado. Era melhor do que continuar esperando com a incerteza dominando seu coração.

Suspirou, vendo o ar quente que saiu de sua boca. Era um dia realmente frio.

Embora não tivesse conversado sobre o assunto com Kame, sentia um nó na garganta, prevendo o fim daquela relação tão árdua de construir. Sentia uma dor forte em seu peito, pensando nas inverdades que seu namorado poderia estar imaginando, pensava no quanto ele poderia estar sofrendo, sozinho, sem saber ao certo como foi de fato aquela noite entre Yamapi e ele.

- Kazuya... – ele murmurou, quando finalmente chegou a hora do encontro.

A neve começou a cair com mais intensidade. Entretanto, Jin não tinha vontade de sair de onde estava. Ele apenas se moveu quando a noite chegou e já era fato consumado que Kazuya não apareceria.

5

Jin o procurou em seu apartamento naquela noite, mas tocava a campainha em vão. Percebia que as luzes estavam apagadas, mas tinha certeza de que ele estava em casa. Apenas não o queria receber. Constatar isso fez o seu coração ficar ainda menor.

- Kazuya... – ele gritou – Abra, vamos conversar!

Nada, nenhuma resposta.

- Kazu... Por favor... – ele soluçou.

Ele voltou a tocar a campainha, com mais intensidade e também batia na porta com o punho, até que um vizinho saiu e pediu silêncio, pois já era muito tarde. Pedindo desculpas, Jin lançou um último olhar para a porta e foi embora.

6

Sentado no chão, agarrado as próprias pernas, encostado à porta, Kazuya sentiu uma lágrima escorrer em sua face quando ouviu o soluço de Jin. Sofreu ao sentir o tom tristonho de sua voz e o desespero nas batidas em sua porta, mas como poderia encará-lo depois do que fez?

Ele tinha consciência de que estragou tudo devido ao seu ciúme exagerado. Ele nem sabia ao certo sobre a relação de Jin e Yamapi e se deixou envolver pela raiva... Acabou na cama com Akeko, apenas para se vingar do namorado, em um momento em que a sua razão foi mais fraca que a bebida...

- Gomen... Jin...


7

- Eu não sei o que aconteceu entre vocês. – disse Ueda, sentado ao seu lado, no lugar do carona – Mas tenho certeza de que vão se entender, não fique triste assim, Jin.

Olhou com gratidão para o líder do KAT-TUN, mas Jin não se sentiu melhor com aquelas palavras. A verdade era que nenhum membro da banda podia imaginar a cicatriz que ele havia causado no coração de Kamenashi.

Ignorando o real motivo para que Kazuya o evitasse a todo custo, Jin se martirizava, acreditando que a culpa era da foto que revelou ao pequeno aquela noite com Yamapi. Ele acreditava que havia causado uma ferida profunda em seu namorado e não conseguia enxergar uma solução para retomar o relacionamento. Mas Ueda não sabia nada sobre isso, como poderia, então, dizer algo diferente?

- Quando a gente parar para conversar, talvez nos entendamos... – foi a única coisa que conseguiu dizer.

Depois disso, eles seguiram em silêncio até a casa de Ueda, que agradeceu a carona e viu um abatido Jin ir embora.

8

Jin não conseguiu encontrar com Kazuya enquanto as gravações do último episódio de Nobuta wo Produce estavam em andamento. Porém, depois que o capítulo foi ao ar, no dia 17 de dezembro, ele acreditou que finalmente conseguiriam conversar. Mas não foi bem assim.

O final do ano trouxe ainda mais trabalho para todos. Shuji e Akira tiveram uma maratona de entrevistas, tendo possibilitado pouco contato de Kamenashi e Yamapi com suas respectivas bandas.

Dessa forma, janeiro já estava quase no fim e os dois ainda não se encontraram uma única vez. Cada vez mais agoniado com o silêncio entre eles, Jin, certa manhã, alegou estar doente e faltou ao trabalho. Recebeu mensagens de apoio de Koki, Maru, Junno e Ueda. Menos Kazuya.

Decidiu aliviar sua mente dessas preocupações e foi zapear a televisão. Incrivelmente, não estava com ânimo para assistir filme, então deixou o canal no noticiário e foi buscar algo para mastigar na geladeira. Não chegou a dar dois passos quando sua mente registrou aquela notícia.

- A famosa cantora de enka, Tsubasa Akeko, desmaiou durante sua última apresentação... Há rumores de que ela esteja grávida.


- Kazu...

Jin surpreendeu-se por estar abalado com essa notícia. Por algum motivo, sentiu um grande vazio dentro de si. Creditou isso ao fato de que o preocupava como Kazuya reagiria a notícia... Afinal, ele sabia o quanto o namorado havia se envolvido com Tsubasa. E, de repente, ver sua ex-namorada já grávida de outra pessoa, seria algo para chocar. Se ele, Jin, estava incomodado com essa notícia, seria natural que Kazuya se abalasse também...

O que Jin não poderia supor era que essa dor em seu peito talvez fosse um pressentimento de que o seu namoro com Kamenashi estava realmente chegando ao final.

9

Yamapi acreditava que eles deviam se acertar sem qualquer interferência, mas vendo que isso parecia impossível, decidiu agir. Marcou um encontro com Jin em seu apartamento.

Firme no propósito de restabelecer a união do casal, após a gravação de uma entrevista em uma emissora de rádio, quando se viu a sós com Kame no camarim, não deixou que ele fugisse.

Enquanto retirava a maquiagem, Kamenashi viu pelo espelho o movimento do outro. Ficou tenso. Ainda não se sentia preparado para conversar com ele, principalmente agora que havia a suspeita de Akeko estar grávida. Mas, ponderou, estaria preparado algum dia?

“Uma vez que vocês estão juntos, eu não posso mais intervir... Eu não posso e não vou mais protegê-lo. Agora, é com você. Por favor, cuide bem dele, né? Kon, kon.”

Fechou os olhos, cada vez mais arrependido do que fez, principalmente ao se lembrar de como Yamapi abriu seu coração e pediu para que cuidasse de Jin. E a primeira coisa que ele fez foi justamente machucar o rapaz ainda mais.

Porém, para a sua surpresa, Yamapi apenas disse:

- Venha comigo.

Sem deixar que ele terminasse de se arrumar, Yamashita o puxou com força pelos corredores da agência, pouco se importando de que modo isso seria interpretado pelos funcionários da emissora. No estacionamento, enfiou Kame dentro de seu carro e partiu até sua casa.

Kazuya não escondeu a sua surpresa quando, ao se ver dentro do apartamento de Yamapi, encontrou Jin ali, que o olhava com o mesmo espanto. Percebendo que os dois não diriam nada, Pi foi direto:

- Espero que agora vocês possam conversar. Essa coisa de gato e rato não está com nada! Podem ficar a vontade, eu vou jantar aqui perto...

Sem mais, ele foi embora, fechando a porta. Kazuya não conseguia desgrudar os olhos do chão. Sentia que não tinha mais o direito de encarar o outro rapaz, que ele já não sabia mais se podia chamar de namorado. Antes mesmo de iniciarem a conversa, seus olhos umedeceram.

Jin acreditou que aquele brilho nos olhos de Kazuya era pela raiva que devia estar sentindo. Engolindo em seco, pensou que devia tomar a iniciativa.

- Gomen, eu não imaginava que o Pi te arrastaria até aqui... Ele disse que precisava falar comigo, então...

- Eu sei...

As palavras faltavam para ambos, eles não conseguiam entrar no assunto. Jin pediu a Kazuya para se sentar e só então o pequeno percebeu que, desde que chegara, sequer tinha se movido um passo de onde estava. Lentamente, ele se sentou na poltrona em frente a que Jin estava, o qual não deixou de notar que Kazuya havia escolhido o lugar mais longe possível do seu.

- Né, Kazu... Eu sei que você viu aquela foto.

O rapaz mantinha o rosto baixo. Jin se inquietava com aquela falta de atitude.

- Eu sei que eu devia ter te contado, depois de ter prometido que seria mais sincero com você. Sei que você deve estar chateado, mas... Aquilo foi antes de qualquer coisa entre nós acontecer. Antes mesmo de nos beijarmos.

Kazuya mordeu os lábios, contendo a vontade de perguntar se teria sido depois de Jin dizer que o amava. Mas não o fez, sabendo que já não teria direito à nada, muito menos ao perdão de Jin. Conteve também o soluço que subiu pela sua garganta ao imaginar o choque de Jin quando soubesse...

Não sabia como interromper o rapaz, o qual estava cada vez mais aflito por continuar a falar e ver que Kazuya não reagia a nenhuma palavra.

- Aquilo aconteceu quando o Pi descobriu sobre o Harada. Ele descobriu o que estava acontecendo e me pediu algumas explicações... Ele foi a primeira pessoa para quem eu pude desabafar... E, então, acabou acontecendo... Por favor, Kazu, entenda que o que aconteceu não foi amor... Não o nosso amor. De fato, naquela noite, eu descobri o que realmente me liga ao Pi.

A última declaração pareceu despertar Kazuya. Jin pode ver o movimento de sua sobrancelha, demonstrando algum interesse.

- O Pi... É a minha alma gêmea.

Então Kamenashi fechou os olhos com força, sentindo aquelas palavras invadirem sem peito como se fossem lâminas, e não foi capaz de impedir as lágrimas. O mais velho, porém, parecia ter consciência do peso dessas palavras e, por isso, ergueu-se de seu lugar e sentou mais próximo do namorado. E, com a voz rouca, também entrecortada com o choro, disse:

-...Mas é você quem me completa, Kazu!

Kame abriu os olhos com espanto.

- É com você que eu me sinto inteiro! Almas gêmeas podem se entender, se compreender, mas elas nunca se completam... Elas representam partes iguais! O Pi é o meu melhor amigo, ele me deu muita força desde que nos conhecemos e principalmente nos últimos meses, inclusive eu só consegui gravar aquela denúncia contra o Harada com a ajuda dele e do Ryo... O Pi sempre, sempre será muito importante para mim... Mas é você quem eu amo, Kazu! Muito, te amo muito! Por favor, não duvide disso!

Jin tentou segurar sua mão, mas Kazuya fugiu. Levantou-se e foi até a janela, onde encostou seu rosto e chorou.

- Kazuya...

Ele já não sabia mais o que dizer para interromper o choro do mais novo. Não tinha idéia do que ele estava realmente sentindo, se teria acreditado em tudo o que tinha dito, se estava com raiva ou triste. A única coisa que compreendia era que Kazuya estava sofrendo. Sofrendo demais.

- Kazuya... Gomen.

- Não peça desculpas. Por favor, não peça. – ele balbuciou.

Aflito, Jin se calou. Estranhou o tom de voz de Kazuya, que não soava bravo, soava abatido e, até mesmo, arrependido. Mas, arrependido pelo que?

- Kazu... Você está bem? Por favor, fale comigo...

Ele queria, mas não conseguia falar nada, pois sabia que o que tinha a dizer terminaria de uma vez com o namoro. E, depois de ouvir os sentimentos de Jin, tudo o que ele mais desejava era agarrar o seu amor de modo a não perdê-lo jamais. Mas já não podia mais esperar isso... E doía tanto... Doía demais perceber que tudo terminaria em pouco tempo e por um erro tão besta, tão banal, tão primário, tão sem sentido...

Jin ponderou se o desespero de Kazuya não estaria ligado à notícia de Tsubasa. Saber daquela gravidez e também descobrir sobre Pi e ele devia ter sido uma carga muito pesada em tão pouco tempo. Jin se aproximou mais uma vez e tentou colocar sua mão no ombro de Kazuya, que desta vez não se afastou.

Como era bom sentir o calor daquela mão!

- Kazu... Você está assim... Por causa de Tsubasa?

O coração de Kazuya parou. Como Jin poderia saber? Parecendo ler seus pensamentos, ele explicou:

- Eu soube pelo noticiário...

Noticiário?

- Eu sei que você a amou... – o tom de voz de Jin era compreensivo demais, na opinião de Kazuya. – E eu sei que não é fácil descobrir que ela está grávida de outro...

Grávida... De outro?

Então Kazuya se deu conta do erro de Jin. Ele acreditava que Akeko já estava envolvida em outro relacionamento e, preocupado com seus sentimentos, tentava consolá-lo... Como ele podia ser tão atencioso?

Finalmente, Kazuya se virou e olhou para Jin. Viu aquela expressão de criança repreendida e seu sangue esquentou. Queria abraçá-lo. Como queria envolvê-lo em seus braços mais uma vez, sentir a sua respiração grudada a sua, afagá-lo... Protegê-lo...

Mas tudo o que poderia fazer naquele momento era apenas machucá-lo.

- E se você quiser desabafar comigo... Prometo que controlo o meu ciúme! – ele riu – Só, por favor, converse comigo, Kazu...

E esse foi o golpe de misericórdia em Kazuya, que sentia todo o arrependimento daquela noite com Akeko explodir dentro de si. Ele desejava ardentemente voltar ao tempo e apagar aquela noite. Apagar aquela companhia, aquela bebida, aquela música. Aquele sexo.

O remorso o consumia por inteiro e ele já não podia mais continuar ouvindo os lamentos de Jin.

- Jin... Não me apóie desse jeito! – ele gritou, de repente – Não seja tão legal!

Jin se assustou quando Kazuya afastou a sua mão com rispidez. Por um momento, a sua expressão era irritada, sua testa estava franzida, Jin perguntava-se se ele realmente teria cometido um ato tão grave a esse ponto, mas então, em seguida, ouviu outra frase surpreendente.

-...Eu não mereço, Jin. Eu não mereço o seu amor.

- Por que não? – Jin balbuciou, sem compreender o rumo da conversa. Em que ponto daquela conversa eles teriam invertido os papéis?

Kazuya, então, decidiu contar de uma vez. Fechou os olhos, respirou fundo e disse de uma vez só, sem coragem enfrentar os olhos úmidos de Jin:

- O filho da Akeko é meu.

E a mente de Jin petrificou.


10

O que ele está pensando? Kazuya analisava a reação do rosto de Jin, mas ele simplesmente havia paralisado. O olhar de Akanishi, sempre tão vivo, tão alegre, tão agitado – reflexo da sua personalidade – agora pareciam mortos, congelados, fixando apenas o espaço do chão que os separava.

Um filho...

Jin processava lentamente aquela informação. Tsubasa estava grávida. Pela imagem recente da cantora, não deveria ter mais que dois ou três meses. Kamenashi e ele estavam namorando há quase cinco meses. Seus olhos transbordaram em lágrimas, mas ainda assim, ele riu, para surpresa de Kazuya.

- Não pode ser, Kazuya. Ela mal tem barriga... Deve ter no máximo... Dois meses...

Kazuya mal conseguiu entender as últimas palavras de Jin, uma vez que a fala dele foi abafada por um soluço.

- Né, Kazu? Não pode ser, né? – ele continuava a rir – Nesse tempo, nós já estávamos brigados, é verdade, mas...

Ele viu Kazuya abaixar a cabeça. Então Jin já não podia mais disfarçar a realidade. Engoliu em seco.

- Kazu... Você estava com tanta raiva assim de mim? – ele perguntou, ainda misturando o riso com lágrimas.

- Eu não sei explicar o que eu sentia... – Kazuya escondeu a face em suas mãos - Eu cometi o maior erro da minha vida. Eu machuquei as duas pessoas que foram mais importantes em todos os meus relacionamentos. Eu estava muito machucado, mas isso não justifica, Jin...

Kazuya não pode ver a expressão de Jin, já que fitava os próprios pés, mas o tom duro de sua voz foi suficiente para que o desespero inflasse em seu peito.

- Tem razão, Kazuya. Não justifica... Você não me deu tempo de me explicar... Você nem sabia o que tinha acontecido direito e foi procurar por ela!

Kazuya agitou-se em responder:

- Não! Eu não a procurei! Eu sequer tenho pensado nela desde que começamos a namorar, foi ela quem apareceu no meu apartamento de repente, justo naquele dia em que eu estava tão confuso e...

- Que seja!! Maldição, isso não muda nada! – ele rosnou, totalmente agressivo.

Kazuya se assustou ao vê-lo chutar a poltrona, que, com o impacto do golpe, afastou-se alguns centímetros. Depois de aliviar sua frustração naquela mobília, Jin afundou uma mão em seus cabelos sedosos, e ofegou.

- Por que fez isso, Kazu??

Jin olhou com rancor para o mais novo, que se via pela primeira vez como alvo daquela faceta demoníaca, geralmente usada em momentos nos quais Jin, irritado com a mídia, não fazia questão de esconder sua insatisfação, o que acabava lhe rendendo a fama de ser alguém arrogante e explosivo. Mas ele jamais a utilizava diante de um amigo, de um companheiro da banda, e, até então, diante dele, Kazuya...

Kazuya não agüentou o peso daquele olhar e baixou a fronte mais uma vez, escutando os passos de Jin cada vez mais longe... A porta foi fechada com força. Lentamente, ele se deixou cair até sentar no chão. Afundou o rosto em seus joelhos.

Acabou. Kazuya, então, se deu conta de que perdera Jin.

Uma dor aguda e muito forte em seu peito quase o fez perder o ar, ao perceber que o término do namoro era uma situação real.

11

Yamapi, encostado no portão de seu prédio, estava com a lata de um suco preste a grudar em seus lábios quando o viu passar correndo. Apenas o reconheceu pelas roupas que usava, pois mal teve tempo de ver seu rosto.

- Hey, Jin!

Jin escutou o chamado do amigo, mas não quis parar, não queria falar sobre o assunto, não agora, enquanto sua cabeça ainda estava embaralhada com o que tinha descoberto, enquanto seu coração pulsava tão forte que parecia querer romper a sua pele. Enquanto aquele vazio em seu peito fazia seu sangue esquentar com desgosto e sentia um gosto amargo em sua boca. Enquanto ainda não era capaz sequer de conter as lágrimas que o impediam de enxergar com clareza...

Quando por fim reconheceu seu carro, entrou rapidamente e partiu, sem uma palavra a Yamapi, que parou na beirada da calçada, observando o veículo se afastar.

12

Ele não conseguiu chegar até sua casa. Foi obrigado a estacionar o carro em uma rua qualquer e encostou a testa no volante, sentindo as lágrimas molharem seus joelhos. Ele não conseguia acreditar que Kazuya quis feri-lo desse jeito... Podia entender a sua revolta, poderia até entender uma traição em que Kazuya tivesse agido por desejo, por tesão, ou até mesmo por uma simples atração física... Mas era doloroso demais pensar que a única intenção do caçula era feri-lo...

Sentir tamanho ódio vindo de Kamenashi era algo insuportável. E, diante dos acontecimentos, totalmente injusto! Foi tomado por um acesso de ira, ao constatar que era uma pessoa tão irrelevante a ponto de Kazuya o condená-lo sem ao menos lhe dar o direito de resposta. Socou o volante.

Kazuya mordiscou o lóbulo da orelha de Akeko, enquanto despia a sua blusa. Com dedos hábeis, retirou-lhe delicadamente o sutiã, em seguida massageou aquelas sinuosidades bem dotadas, deixando os mamilos escorrerem entre seus dedos.

O ciúme discretamente alojou-se em um cantinho de seu coração quando se lembrou do vídeo filmado por Harada.

Que dor pungente era essa que despertava no meio de seu peito? Era tão aguda que, mesmo mordendo os lábios, não foi capaz de conter um suspiro desesperado...

É o fim. Ele pensou, com amargura. Foi tão rápido...

Jin agarrou-se com força ao volante, como se dessa forma fosse possível conter seus sentimentos ou, ao menos, identificá-los. Não conseguia separar a sua raiva da tristeza que sentia e muito menos do desejo em ter Kazuya de volta...

Fechou os olhos e a primeira imagem que lhe veio à mente foi do rosto de Kazuya, que o olhava com tamanha devoção, no sofá de seu apartamento.

- Jin... Eu... Te amo...

Ainda escutava com clareza aquele sussurro em que, pela primeira vez, Kazuya se declarou a ele. Seu coração, iludido pela lembrança, pulsou com uma pequena chama de alegria ao se recordar do rosto quente do caçula encostado ao seu...

Isso, ele pensou novamente triste, estava tão distante agora...

Cada vez mais perdido naquele redemoinho de sentimentos, Jin buscava desesperadamente um meio de fazer seu peito parar de latejar, mas, confuso, a única solução que encontrava era o choro.

13

Como era possível se distanciar tanto da pessoa que amava de um momento para outro? Essa era a questão que dominava a mente de Kazuya após a saída brusca de Jin.

Pouco tempo se passou desde a saída de Jin até a entrada de Yamapi, mas este, provavelmente percebendo que a conversa não tinha sido das melhores, manteve-se em silêncio e rumou para algum outro cômodo.

Quando retornou, estendeu uma xícara de chá na frente de Kazuya, que o olhou com um desamparo tão grande que foi impossível para Yamapi não se condoer com aquela figura apática. Encolhido daquele jeito, Kamenashi parecia ainda menor e mais magro do que realmente era.

- Vamos, acalme-se... O chá vai ajudar a se sentir melhor.

- Eu fiz a maior besteira da minha vida, Yamapi. – ele não segurou a xícara.

- Ora... Todo mundo comete a maior besteira da vida a todo instante! Não se preocupe, quando você cometer outra besteira ainda maior, essa daqui se tornará tão pequena!

- Isso é um consolo?

- Vamos, beba!

Relutante, ele agarrou o copo e sorveu a bebida, queimando a língua.

- Está quente!

- É bom para fortalecer a alma!

Kazuya tomou outro gole, contendo a sua expressão de dor ao sentir novamente o calor queimando sua boca. Mas, Yamapi tinha razão. Começava a se acalmar...

Ele ainda ficou um bom tempo naquele apartamento, esperando que Yamapi perguntasse o que tinha acontecido. Mas ele não perguntou nada, nem como foi a conversa e muito menos qual teria sido a “maior besteira” a que Kazuya se referiu. Ele apenas limitou-se a fazer companhia ao rapaz.




By Misakiti


Última edição por Kitty em Dom Mar 21, 2010 8:07 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 20, 2010 3:05 am

Nara escreveu:
Citação :
Ryo cantando Love Me Tender?? Eu NECESSITEI procurar isso... Coisa mais fofa!! hahahaha Ele pendurado cantando a música para a menina... Nem sei que dorama era aquele
Foi no dorama Teru teru kazoku ^^
ele d anjinho kyaaa *-----*
coisa mais fofa *----*

Ahh, mas acho que esse doram não tem com legenda em pt, né?

Sim, foi a coisa mais cute ele de anjinho, ainda que o Ryo não me passa uma imagem tão santa assim! ^.~ hahahhahaha




By Misakiti
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Dom Mar 21, 2010 4:26 am

Nao tem Kitty T_T
ja tentei procurar em sites d dorama com qq legenda ms nao tem
ja tentei no youtube e nda :/
nao acho esse dorama
*buaaa*
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Kitty
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qua Mar 24, 2010 3:33 am

Ahh, que pena que não tem... =/
Gostaria de ver mais dramas com o Ryo! Adorei ele em Last Friends e naquela com o Nino que eu não lembro o nome XD...




By Misakiti
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qua Mar 24, 2010 3:38 am

Vazio

1

Um filho...Kazuya será pai aos dezenove anos. Vinte, ele se corrigiu, ao se lembrar que o aniversário de Kame estava próximo.

Jin afundou-se na banheira, sentindo a água quente atingir seus lábios. Que relaxante!
Sua pele se arrepiou com a temperatura, mas logo já se acostumava com a quentura e sentiu seus músculos se descontraírem.

Um filho...

Jin sempre sentiu vontade de ser pai novo. Achava que dessa forma poderia compreender melhor sua cria, além de aproveitar mais o sentimento de ser pai.

Percebeu, com amargura, que Tsubasa daria ao homem que ele amava aquilo que ele jamais poderia proporcionar. Como lutar contra esse aspecto da natureza? Ainda que Kazuya o amasse agora, sabia que futuramente aquela criança o substituiria pouco a pouco no coração do mais novo... E era uma criança concebida com Tsubasa. Essa ligação jamais seria rompida, enquanto a relação entre eles poderia terminar de uma hora para a outra. Como de fato aconteceu.

Jin ensaboou as mãos e assoprou. Admirou aquela bolha de sabão e a soltou no ar. Riu quando ela explodiu em seu próprio nariz.

Daqui dois ou três anos, Kazuya estará brincando assim, em uma banheira, com seu filho... Será que, de alguma forma, ele ainda pensará em mim?

Não sabia o que o mais novo pensava sobre criar um filho separado da mãe. Tsubasa, por sua vez, era uma mulher tradicional. Deveria exigir uma família estruturada para seu filho... E o alto senso de responsabilidade de Kazuya o faria assumir esse papel.

Ele se censurou por ficar pensando se haveria alguma possibilidade deles continuarem junto, apesar da criança. Não devia pensar nisso, porque, ainda que Tsubasa cedesse, ele, Jin, estava magoado demais para reatar o namoro...

...Isso se essa for a intenção de Kazuya, lembrou-lhe uma parte chata de sua mente. A racional. A que tinha gravado que, em nenhum momento, Kazuya resistiu ao término da relação.

Perceber isso foi outro golpe para Jin. Irritado consigo mesmo por tais pensamentos, afundou-se de vez na água, onde permaneceu por muito tempo, até que se ergueu subitamente, em busca de ar.

- Definitivamente... Não sou do tipo suicida!! – ele afirmou para si mesmo, respirando com determinação.

Apoiado na beirada da banheira, Jin deixou de palhaçada e seu olhar mais uma vez se encheu de água.

- Kazu... – seus lábios murmuraram sem que ele tomasse conhecimento.

2

Para sorte de Jin, a conversa que revelou a traição de Kazuya aconteceu no último dia de trabalho antes de uma semana de folga que havia sido concedida ao KAT-TUN para descansarem do ritmo árduo do início de 2006. Sendo assim, ele teve sete longos dias em que não seria preciso encarar Kamenashi, tempo suficiente para se restabelecer do golpe.

Aproveitou o tempo livre e viajou, sem avisar ninguém da banda ou até mesmo alguém de sua família. Nem mesmo Pi soube o destino do amigo.

Esse sumiço de Jin afetou ainda mais Kamenashi, que, embora tentasse disfarçar, não pode evitar que seu semblante demonstrasse o quanto seu coração estava desanimado.

- Cigarro?

Akira estendeu o maço na frente do amigo, que aceitou um e esperou o rapaz acendê-lo. A nicotina que invadiu o seu corpo ajudou a espantar a imagem de Jin de sua cabeça, trazendo Kamenashi de volta ao encontro com seus amigos do colégio. Enquanto Yumi e Shun disputavam uma partida de Street Fighter, Akira aproveitou a oportunidade para se aproximar de Kame.

- Está tudo bem?

- Hã? Ah, sim... – ele sacudiu a cabeça depressa.

- Tem certeza?

- Tenho sim... Só estou um pouco cansado! Mas estou bem!

- De qualquer maneira, não há tempestade que dure para sempre, né? – e ele se levantou do sofá, indo até o videogame, roubando o controle das mãos de Yumi – Agora é a minha vez!

- Ah, não!! Akira mau! – ela gritou.

- Vamos jogar, Kazuya! – ele disse, ignorando a namorada.

- Estou bem, deixe a Yumi jogar! – Kazuya pediu, rindo.

Com um pé na testa de Yumi, de modo a impedi-la de se levantar e também de pegar o controle de volta, Akira insistiu:

- Ela já jogou demais e se continuar desse jeito vai virar uma bitolada! Por favor, me ajude a salvar a minha namorada!

- Ei, não me ofenda, Akiraaaaaa!

Shun, por também ter percebido o desânimo do ex-colega de escola, também fez coro aos apelos de Akira, de modo que Kazuya não teve alternativa a não ser deixar sua cabeça ter um descanso dos problemas que o afligia e fingir que tinha de volta seus onze anos, antes de entrar na Johnnys, antes de conhecer Jin, quando suas preocupações se resumiam apenas em dividir os horários dos estudos com o basebol e o videogame. Até que era uma troca bastante vantajosa...

3

Com o passar dos dias, as lágrimas de Jin diminuíram, restando-lhe apenas a amargura. Não podia aceitar o que Kazuya havia feito. De jeito nenhum. Sentia um nó na garganta toda vez que pensava no garoto, pois já não era capaz de imaginá-lo sem se recordar daquele vídeo maldito que Harada lhe mostrara certa vez... Ele ouvia novamente os gemidos de Akeko e Kazuya, mas tendo a consciência de que o rapaz havia se entregado a ela mais uma vez apenas para lhe torturar... Se não fosse isso, a resposta que sobrava era que Kame ainda amava aquela mulher.

Jin decidiu que não deixaria se abater. Kazuya não merecia que ele se abalasse dessa forma. Assim como na época em que sofria nas mãos de Harada, ele omitiria seus sentimentos mais uma vez.

Descendo do trem, com sua bagagem, Jin estava determinado a esquecê-lo. Nessa viagem, ele empenhou-se por deixar naquela cidade todos os sentimentos que Kazuya lhe despertava. E, carregando essa determinação, Jin pôde voltar a Tóquio com a certeza de que seria capaz de se recuperar de mais esse golpe.

4

Ele estava nervoso, era inegável. Seus olhos desviavam-se do seu relógio de pulso apenas para buscar uma confirmação no relógio da parede de que o horário em que todos deveriam estar na empresa já se aproximava. Dentre poucos minutos, Jin teria que estar ali. Seu estômago revirava.

E qualquer um deles era capaz de notar o quanto Kamenashi estava ansioso, assim como não foi preciso Jin ou Kame dizer que estavam brigados. Era evidente para aqueles que formavam o T-TUN da banda quando as iniciais entravam em atrito.

Embora não soubessem o motivo, eles tinham consciência de que era algo grave. Tão sério que chegou a mudar o comportamento de ambos. E, muito provavelmente, era o motivo para o sumiço repentino de Akanishi.

- Jin está atrasado... – comentou Junno, debilmente, apenas para quebrar o silêncio naquela sala.

- Será que aconteceu alguma coisa? – logo se preocupou Koki – Ele não respondeu as mensagens que enviei em seu celular!

- Foi impossível falar com ele esses dias! – comentou Nakamaru.

Onde ele passou esses dias? Porque não respondeu pelo menos as chamadas dos rapazes? Pelo menos as ligações de Pi???

Kamenashi ouviu a todos em silêncio. O mortificava essa demora de Jin, o seu silêncio, a sua ausência... Até quando ele pretendia torturá-lo dessa forma? Porque não esbravejava de uma vez toda aquela raiva e voltava a ser o Bakanishi de sempre?

A porta foi aberta e ele entrou. Com um ar arrogante, os cabelos cheios, de alguém que nem se deu ao trabalho de penteá-los e um olhar seco. Kamenashi, o primeiro a vê-lo e o primeiro a ser visto por ele, foi o único a notar e a receber a sua frieza. Assim que Jin se virou para os demais, sua postura imediatamente se alterou.

- Ohayou!! Akanishi Jin chegou! – ele disse, mostrando o seu sorriso costumeiro.

Koki, Nakamaru, Ueda e Junno pareciam aliviados por Akanishi agir de modo tão natural. Kamenashi, no entanto, sentado na poltrona, parecia um animal encolhido e assustado. Olhava atentamente toda as ações do mais velho, mas notou, tristemente, que Jin o ignorava.

- Por onde esteve, Jin? – Koki questionou de imediato.

Jin, sem responder, caminhou até Kazuya, que viu os lábios que tanto amava se fecharem em um bico furioso. O mais velho, porém, depois de olhar com tanto desgosto em sua direção, apenas largou a sua mochila na mesa ao lado da poltrona. O estrondo do acessório caindo no móvel foi quase como um soco em Kamenashi, que estremeceu.

- Estive por aí... – finalmente ele respondeu, ainda que de modo vago. – Desculpem o atraso. Só consegui pegar o trem às oito.

- Podia ter avisado! – comentou Nakamaru – Mas é bom vê-lo bem! Por que sumiu desse jeito?

- Eu precisava espairecer... Precisava esquecer algumas coisas!

Supondo que Jin se referia a Harada, Junno perguntou ingenuamente:

- E conseguiu?

Jin permitiu-se um meio sorriso e um olhar vitorioso, que lançou a Kazuya discretamente.

- Em absoluto.

Chega. Ele não tinha o mesmo sangue frio de Akanishi. Nunca soube ser assim e não era agora que isso mudaria. Erguendo-se subitamente, sem dizer uma palavra, Kazuya se retirou do local, deixando seus amigos apreensivos. Jin, no entanto, não se abalou. Ao notar o movimento de Ueda em seguir Kamenashi, ele o segurou pelo ombro.

- Hoje temos sessão de fotos! E será em dupla... Eu quero fazer com o líder! – ele declarou e bateu no ombro do mencionado, sorrindo, como sequer tivesse notado o mal-estar do pequeno.

5

Foi tomado pelas lágrimas assim que saiu do camarim. Passou a manga da blusa sobre seus olhos, de modo a secar seu rosto para que ninguém o flagrasse nessa situação constrangedora, mas não podia evitar a tristeza que o dominava diante de tanto desprezo.

Não era a primeira vez que brigava sério com Jin, nem era a primeira vez que ficavam tanto tempo sem se falar, mas havia algo diferente. Nunca antes ele tinha discutido com Jin tendo a consciência de que era ele quem tinha errado, era ele quem tinha machucado o mais velho de um modo irreparável. Sofria pelo desdém com que passou a ser tratado, mas aquilo que mais o sufocava era a certeza de que não havia nada que pudesse fazer para recuperar o amor de Jin...

A frieza com a qual Jin passou a lhe dirigir a palavra, sempre por conta das obrigações com a banda, machucava seu coração dia a dia de uma forma que era impossível mensurar.

A maior parte do tempo em que estavam juntos, Kazuya passou a receber apenas indiferença, por vezes chegava mesmo a ser ignorado. E o máximo de atenção voluntária que lhe era concedido era quando Jin lhe dirigia um ou outro olhar carregado de mágoa e ressentimento... Às vezes, Kazuya chegava a pensar que atingiram um nível em que Jin o odiava.

O clima estava tão tenso que, quando se encontravam as sós sem querer, era extremamente constrangedor. Kamenashi nunca imaginou que um dia pudesse vivenciar uma situação como essa, ainda mais com Jin, uma pessoa com quem ele conviveu toda a sua adolescência, que o conhecia tão bem, uma pessoa com quem ele dividiu tantos sentimentos, antes mesmo de iniciarem o namoro...

Idiota. Ele não cansava de xingar a si mesmo sempre que se encontrava sozinho, quando sua mente podia se fixar naquele problema, quando seu coração podia sentir o quanto a falta de Jin era dolorosa... Como neste instante, solitário no camarim do KAT-TUN.

Na frente das outras pessoas, ele tentava manter o seu humor, para não preocupar a ninguém, mas quando podia ser sincero consigo mesmo, a tristeza o atingia com tanta intensidade que suas pernas chegavam a perder o equilíbrio.

Kazuya teve que se apoiar na penteadeira até alcançar a cadeira, onde largou seu corpo, apoiando-se na bancada. Olhou para seu rosto refletido. Notou vagamente que, embaixo de seus olhos, a pele estava com uma coloração escura. Até mesmo com a maquiagem estava se tornando visível que ele não dormia bem...

“Em um movimento súbito, Jin passou o seu braço por trás dos cabelos cumpridos de Kamenashi e o trouxe de encontro ao seu peito. Aquele abraço deixou o outro ainda mais espantado”.

“- Qual é o problema, Jin? – ele perguntou, começando a sentir-se sem jeito com aquela situação. - Jin...”.

“- Kazuya... Eu... Gosto de você”.


Kazuya viu pelo espelho seus olhos inundados. Uma singela lágrima escorreu pela sua face, até atingir seus lábios.

Aqui, neste mesmo camarim... Por que eu demorei a perceber o quanto você é importante para mim, Jin? Por que eu não fui capaz de preservar esse sentimento que nasceu entre nós?

Subitamente, a porta foi aberta. Kazuya viu o choque nos olhos de Jin ao encontrá-lo ali, mas não saberia descrever se aquela expressão também transmitia raiva além da surpresa... Notou a intenção de Jin em se afastar, mas foi mais rápido e disse, enquanto se levantava:

- Pode ficar. Eu já estou de saída. – passou o braço na face, secando-o com a manga do moletom que vestia. Jogou sua mochila nas costas e partiu.

6

Kazuya.

Ele conteve o seu sussurro entristecido por encontrar o seu pequeno daquele jeito tão fragilizado. Largado em cima da penteadeira, chorando. Jin teve a sensação de que alguém torcia seu coração sem a menor piedade. Ainda assim, logo se lembrou dos beijos trocados entre Kazuya e Tsubasa e o ciúme, a raiva e o rancor da traição se tornaram mais forte que a sua tristeza.

Jin não moveu um músculo e não disse uma palavra quando ele passou ao seu lado, indo embora. Resistiu bravamente ao perfume de Kazuya. Esse cheiro que tinha o poder de afastar a sua insônia, agora, ele tentava repudiar com todas as suas forças...

Uma vez sozinho, porém, não precisava mais ser forte. Deixou-se cair na poltrona, jogando sua cabeça para o alto, fitando o teto.


7

Toda vez que via Kamenashi, uma chama acendia dentro de si e era impossível não tratá-lo com desprezo, ainda que, quando se afastava do pequeno, era imediatamente tomado por uma forte dor aguda em seu peito. Mas não chorava mais.

Talvez já esteja calejado, ponderava. Talvez não haja mais lágrima dentro de mim depois de tudo o que aconteceu... Primeiro Harada, agora Kazuya... Estou mesmo farto de ficar me lamentando.

Disposto a esquecer o garoto de uma vez por todas e a vencer aquela melancolia que persistia em continuar acompanhando-o, Jin se entregou às noites inebriantes de Ginza.

Noite após noite, ele reveza suas companhias, às vezes Pi, outras Ryo, até voltou a sair mais vezes com Shirota Yu e Ikuta Toma... Era raro, mas às vezes conseguiam sair o quinteto completo. Como nesta noite.

Saiu do banho e vestiu o seu estilo descolado e sexy como o “A” do KAT-TUN, deixando seus cabelos molhados, ainda pingando, e notou o seu celular piscando. Havia uma ligação perdida. Era Pi. Retornou a ligação e o amigo o avisou de que passaria em quinze minutos em sua casa.

- Ok, estou pronto!

Pouco depois, ele estava dentro do carro de Yamashita, que já vinha acompanhado de Ryo. Os outros amigos, pelo que eles informaram a Jin, já se encontravam na boate.

8

O som estava alto, a fumaça e a pouca iluminação embaralhavam sua vista, mas ele já estava acostumado. O cheiro do álcool e cigarro se misturavam em seu cabelo e sua roupa, mas ele não se importava... Afinal, a música estava dentro de seu corpo. Ignorava as dezenas de pessoas dançando no mesmo ritmo a sua volta. Por um momento, ele só sentia a música.

Jin sentia cada batida fluindo pelas suas veias. Seu coração batia no mesmo ritmo. Por alguns instantes esqueceu onde estava, com quem estava e, até mesmo, de quem era. Mas, o melhor de tudo, era esquecer-se de Kazuya.

Problemas, preocupações e tristezas ficavam do lado de fora, trancados no carro de Pi, pois tinha consciência de quando saísse da boate eles voltariam para perturbar sua cabeça, mas por enquanto só queria se divertir naquela casa noturna.

Troca de olhares. Já não é mais a música e ele apenas, seus movimentos começam a ter objetivo. Finge que não a vê, finge que não percebe que ela o vê, finge que se aproxima desinteressadamente.

Não perguntou o seu nome, quebraria a magia da noite. Depois do beijo, apenas lhe deu as costas e se afastou, indo em direção ao bar. Não queria vê-la outra vez, apesar de admitir que beija bem. Não, Jin não veio atrás de dores de cabeça. Veio para esquecê-las.

No bar, pede a sua poção mágica. Seu corpo quente pelo calor do local e agitação da música relaxou quando o líquido gelado e amargo escorreu pela sua garganta. Bebeu, sem sequer notar o olhar preocupado de Yamapi, do outro lado da pista, observando a figura de Jin entre as brechas da multidão daquela danceteria.

Toma se aproximou, olhando na mesma direção de Yamapi. Colocou uma mão em seu ombro e perguntou:

- Ele está exagerando, não está?

Yamapi não respondeu. Limitou-se a continuar olhando Jin.

9

Lá fora o Sol já estava nascendo mais uma vez. Os raios ofuscaram sua visão, sua vista ardeu por sair repentinamente de um ambiente muito escuro. O segurança fechou a porta à suas costas.

- Ah!! Ohayou!!!! – Ele gritou!

- Cala a boca, estúpido! – ordenou Ryo, segurando um dos braços de Jin em seu ombro. Olhou torto para o amigo. – Por que é que eu tenho que ajudar esse imbecil?? Devíamos largá-lo aí!

Yamapi, segurando Jin pelo outro lado, preferiu não responder. Também estava irritado em ter que cuidar daquele irresponsável pela segunda vez somente naquela semana. De fato, Toma estava com a razão quando disse que Jin estava exagerando...

Com alguma dificuldade, eles conseguiram empurrar Jin para dentro do carro, jogando-o no banco de trás, onde ele se acomodou com prazer. Foi só o tempo de Yamapi e Ryo entrarem no carro e fecharem o cinto de segurança que ele começou a roncar.

Os integrantes do News trocaram olhares cansados e suspiraram. Resignado, Yamapi ligou o carro e partiu.

10

- Não!! Jamais, eu me recuso!!

- Pare com a palhaçada e me ajuda logo!! – bronqueou Yamapi.

- Definitivamente, eu não vou entrar no chuveiro com o Jin!!

- Baka, precisamos segurar este panaca dos dois lados, pois se soltarmos um, ele se joga justamente para esse lado!

- Que ele bata a cabeça no azulejo e morra! – esbravejou Ryo – Eu já fiz demais!!

- Ora, vamos!!

Ryo olhou furioso para Yamapi.

- Eu o seguro do lado de fora! Você entra com ele! – ordenou Ryo.

- Então você tira-lhe as calças!

- Ok! Eu entro no chuveiro!! – Disse, pulando para dentro da banheira – Vamos, me dê ele!

Yamapi não pode evitar o riso.

- Isso não é engraçado, não é mesmo!

- É porque você não viu sua cara!

- Cala boca!

Com dificuldade, Yamapi fez Jin entrar na banheira, de pé, apoiando-o em Ryo, que, na posição em que se encontravam, logo sentiu o bafo cheio de álcool do membro do KAT-TUN em seu rosto, de tão próximos que estavam.

- Essa você me paga, Bakanishi! – ele resmungou.

- Para de reclamar um pouco! – pediu Yamapi, enquanto retirava a calça de Jin – Segure-o com força, vou erguer as pernas e retirar a calça!

- Porque não damos um banho nele com roupa e tudo?

- Até parece que você não o conhece... Ele não vai acordar de jeito nenhum! Então teremos que tirar a calça dele agora ou depois! Agora, ao menos, poderemos dar um banho mais decente...

Yamapi retirou os trajes do amigo e o deixou sob os cuidados de Ryo, enquanto ele dobrava as peças e as deixava em um canto do banheiro. Em seguida foi até a torneira e abriu até o fim, de modo que Ryo estremeceu ao sentir aquela água gelada caindo em cima de sua cabeça, enquanto Yamapi procurava por um sabonete.

- AH!! Que frio!! E por que a MINHA roupa pode molhar, afinal? Por mim, esse imbecil dormiria de roupa molhada e...Ei...Ei!! OWE!!

Pi se virou ao escutar os protestos de Ryo e gargalhou com a cena que encontrou. Jin, aparentemente desperto, falava coisas incompreensíveis, enquanto segurava firme o... Sheng Long de Ryo, cujos olhos já estavam arregalados... Yamapi só não saberia dizer se por pânico ou, talvez, excitação...

- P-pare... Par-e... PARE JÁ COM ISSO, IMBECIL!!

O moreno encarou aquele rosto por trás da água caindo entre eles. Os olhos de Jin, semicerrados, mostrava que ele não tinha consciência alguma de seus atos. Ryo teve certeza de que seu amigo pensava que estava com outra pessoa quando Jin sussurrou:

- Te quero... Tartaruga...

Ryo se desesperou quando as mãos fortes de Jin passaram a massagear seu órgão com mais intensidade. Desesperou-se porque sentia aquele ato libertino realmente delicioso... O rosto molhado de Jin despertava-lhe a região do baixo-ventre, ainda mais recebendo aquele toque tão firme, tão determinado em seu sexo. E o hálito embriagado de Jin começava a mexer com seus desejos. Os lábios do rapaz estavam perigosamente próximos aos seus e se movimentavam sem coordenação alguma. A língua de Jin estalava com sensualidade...

Diante de tais pensamentos, Ryo apenas fechou os olhos e empurrou o outro com toda a sua força. Yamapi viu, com desespero, Jin caindo de costas, então correu até ele e o segurou como pode, mas não teve muito equilíbrio com aquele peso todo acrescido da lei da gravidade. Foram ambos para o chão, a cabeça de Jin acertando em cheio a testa de Pi.

- Itteeee... – resmungou o loiro - BAKA!! Você quer mesmo matá-lo?? E se ele bate com a cabeça no chão??

- A-assédio!! Ele me assediou!! Seria legítima defesa!!! – Ryo explodiu, mas em seguida voltou ao seu espírito sacana e comentou: – E, além disso, ele resistiu a sua cabeça dura, sobreviveria ao chão!

- Ora, cale-se e me ajude logo a levantá-lo!

- M-me dê um minuto...

- Um minuto para que???

- Preciso me acalmar desse trauma...

- Que traum...- Pi olhou para aquele volume nas calças de Ryo e gargalhou – AH!!!! Seu pervertido!! Totalmente pervertido!! Como pode se aproveitar de um rapaz bêbado??

- Ei!! Não inverta a situação!! Foi ele quem abusou de mim!

- Mas não parece que você ofereceu muita resistência... Pelo contrário, você é bem rápido, hein??

- Ora, vá a merda!!!

Apesar dos xingamentos de Ryo, Yamapi continuou a rir, até sentir suas forças sumirem e foi obrigado a repousar Jin no chão, que parecia ter caído novamente no mundo dos sonhos. Ryo movimentou sua boca com irritação, não conseguindo proferir mais nenhum xingamento. Fechou os olhos e socou a parede. Jin, você me paga, era seu pensamento.

11

Para consolo de Ryo, aquele tormento estava chegando ao final. Depois do banho, deixou Jin com Yamapi e, após pegar algumas peças de roupa do armário dele, foi preparar um chá. Na cozinha, relembrou aquela palhaçada no banheiro, mas, após uma ligeira irritação, mostrou-se preocupado... Jin estava mesmo abatido com o término do namoro com Kamenashi.

- Te quero... Tartaruga...

Aquela declaração foi feita em um tom de voz muito sofrido. Surpreendeu-se em descobrir que seu amigo amava tanto assim o seu colega de banda.

- Baka, você sempre gosta das coisas mais complicada, né? – ele murmurou, ao pensar que era uma baita duma fria se envolver dessa forma com outro homem, sendo eles quem eram, no país em que vivem e tendo tanta responsabilidades como tinham.

O apito da chaleira o tirou de seus pensamentos. Encheu uma xícara com aquele líquido e se dirigiu para o quarto de Jin.

- Está pronto...

Jin estava meio desperto, meio dormindo. Seus olhos estavam abertos, mas era evidente que ele ainda não era dono dos próprios atos. Falava coisas sem nexo, ria, agarrava-se a Yamapi. Diante disso, Ryo deixou a xícara com o seu companheiro do News e se postou ao lado da porta, em uma distância segura de Jin de modo a preservar sua integridade masculina.

- Vamos, deixe de nos dar trabalho! – bronqueava Pi, inutilmente – Beba isso!

- É tequila??

- Sim, é tequila!! Beba, beba!

Utilizando-se da psicologia Bakanishi, na qual Yamapi se graduou ao longo dos anos de convivência com Jin, ele conseguiu fazer o mais velho tomar todo o conteúdo da xícara. O chá logo fez seu efeito e, tendo relaxado seu corpo, o sono mais uma vez dominou a Jin...

Yamapi o ajeitou na cama, apagou a luz do abajur e saiu, encostando a porta. Ryu, notando a preocupação dele, perguntou:

- Quer ficar aqui?

- Não. Não farei mais do que fizemos hoje.

- Quer que eu fique?

- Quem deveria estar aqui, sequer sabe o que este tapado anda aprontando. – foi a sua resposta – Vamos embora, já garantimos que ele não vai fazer mais nenhuma besteira... Só vai conseguir se levantar daquela cama quando tiver um mínimo de consciência para isso... Vamos embora!

- Tem certeza?

- A não ser que você queira ser abusado novamente por ele, se quiser, fique! – Yamapi se adiantou para a sala, gargalhando.

- Ora, vá para o inferno!!

12

A sua cabeça latejava. Não conseguia se recordar de que modo chegou até a sua cama. Lembrava-se vagamente da boate, de seus amigos, dos xingamentos de Ryo. Ora, porque aquele cretino estava tão irritado? Ele gostaria de saber.

Jin tateou na mobília ao lado de sua cama, em busca de seu celular. Apanhou o aparelho e viu, com medo, que já era quase meio-dia.

Merda! Estou atrasado! O Kame vai ralhar comigo e...

Ele parou no exato momento em que estava pulando da cama, com uma das pernas estendidas no ar, ao se dar conta de que já não havia motivo para se importar em brigar com seu pequeno...

13

Ele emitia um ar de deboche ao adentrar no camarim do KAT-TUN. Rapidamente, ele percebeu os olhares de cada integrante. Junno estava preocupado, Ueda lhe olhava com reprovação, Koki parecia indeciso entre a preocupação e a irritação, enquanto Nakamaru decididamente estava uma fera. Kamenashi era o único que estava alheio ao seu atraso.

- Ohayouuu! Akanishi Jin chegou!

Não recebeu uma resposta. Balançou os ombros, com pouco interesse, atitude que gerou ainda mais indignação em Nakamaru.

- Hey, Jin. Não vai nem ao menos se desculpar?

- Gomen nasai. – ele disse, em um tom de voz realmente sarcástico.

A intenção de Jin, todavia, não era provocar mais ninguém além de Kamenashi, o qual, por sua vez, parecia inatingível àquelas palavras e atitudes infantis. Não demonstrou nenhuma outra reação, que não a de evitar olhar para o mais velho.

Kamenashi não se sentia no direito de bronquear. Não entendia porque Jin se tornou tão relapso com as obrigações com a banda por causa do rompimento deles. O KAT-TUN não tinha nada a ver com o assunto, não podia ser punido dessa forma. Era o que o mais novo pensava, porém, não conseguia transformar esta opinião em palavras. Hesitava toda vez que seus olhos se encontravam com os do mais velho. Era como se eles o acusasse da traição toda vez que se viam.

Porém, na mente de Bakanishi, suas atitudes eram bastante lógicas. Atingindo o KAT-TUN, atingia aquilo que Kame sempre demonstrou ser o mais precioso para si e, dessa forma, atingia o rapaz aonde mais lhe doía.

- Jin, o que está acontecendo com você? – perguntou Koki – Por favor, se estiver com problemas, abra-se com a gente, ok?

Jin baixou o olhar diante da preocupação do amigo. Sabia que Koki temia que algo como as chantagens de Harada voltassem a acontecer, conseguia perceber isso em seus olhos sempre tão sinceros. Koki era realmente o mais carinhoso entre eles e o que mais cuidava de todos. Não conseguiu mais continuar com esse personagem rebelde diante dessa demonstração de afeto. Dessa vez, seu pedido de desculpas foi sincero:

- Gomen, minna... Eu acho que exagerei um pouco ontem à noite... Gomen! Prometo que isso não vai voltar a se repetir...

Calou-se. Não podia justificar seus atos sem contar a briga entre Kamenashi e ele. Seus amigos respeitaram seu silêncio, ainda que Nakamaru bufasse com desgosto, mas era seu modo de mostrar que aceitava o pedido de desculpas de Jin.

- Dos males, o menor. – disse Ueda, balançando os ombros e encerrando a discussão – Ao menos chegou a tempo para ensaiarmos a nova música... Real Face.

14

Kazuya deixou-se cair em um canto da sala de ensaios, cansado, secando o suor de sua testa com uma toalha branca. Por um momento, sua mente apenas observou o local, recordando-se das primeiras vezes em que esteve ali, ainda deslumbrado por ter ingresso em um das agências mais populares do Japão. De onde estava, ele tinha uma visão completa do local.

- Sugoiiiiiii!

Akanishi Jin era, de longe, o mais empolgado entre eles, quando adentraram naquela sala tão simples. Kamenashi Kazuya fez uma careta, aquele garoto tinha uma voz tão estridente...


Kamenashi, na época, perguntava-se o que havia de tão impressionante naquela sala, mas rápido compreendeu que o garoto, assim como ele, estava impressionado em estar dentro da Johnnys, de modo que qualquer canto daquela empresa lhe pareceria incrível.

Aquele sorriso tão sincero, Kazuya se surpreendeu por ainda ser capaz de se recordar dele. Em algum lugar dentro de sua cabeça, havia guardado aquela imagem tão inocente... Por que isso vinha a sua cabeça agora?

Estava com as costas apoiadas no grande espelho, que ia do teto até o chão, no fundo da sala. Todas as vezes que ensaiavam os passos de uma música, podiam ver a si mesmos e seus companheiros e, principalmente, os erros que cometiam. Mas, naquele momento, tudo o que não queria era encarar o seu rosto culpado.

- Neh...

Kazuya olhou para a sua direita, em direção a porta, e encontrou um tímido Koki ali. Sorriu, de modo a encorajá-lo a se aproximar. O rapper, entendendo o sinal, entrou na sala e se sentou ao lado do amigo.

- Kazuya, você tem que se animar. – ele disse.

- Como?

- Não sei o que aconteceu entre vocês... Respeito se vocês não quiserem contar o motivo, mas... É visível para todos nós o quanto você está abatido! – e ele passou o dedo embaixo dos olhos de Kamenashi – O que são estas olheiras? Porque não vai para casa descansar?

- O debut... – ele murmurou.

Koki fez uma careta de quem já tinha ouvido aquele discurso. Por isso, ele o cortou rapidamente e disse:

- Relaxa! O debut virá no tempo certo! Por favor, vá para casa descansar...

Ele sacudiu a cabeça. Koki, a principio, pensou que o mais novo queria resistir em ir embora, mas logo descobriu que Kamenashi queria era desfazer o seu engano. Koki soube, pouco depois, que não era a fixação pelo lançamento que fazia o caçula se esforçar tanto nos últimos dias.

- O debut... – ele repetiu – É a única coisa que eu posso fazer pelo Jin agora...

- Eh??

- Conseguir o debut por ele, eu penso que dessa forma o compensarei por tudo o que eu fiz! Ele poderá não me perdoar, mas eu só ficarei bem comigo mesmo quando puder oferecer isso a ele! Por isso, eu vou me empenhar ao máximo, ainda mais do que vinha fazendo, vou usar toda a minha energia para que sejamos lançados oficialmente o quanto antes!

- Kazuya... – o sussurro de Koki estava carregado de comoção. – Certo! – então se ergueu de um pulo e, apesar das roupas que trajava, pois já estava indo para sua casa, ele se aproximou do som e ligou a música.

Kame o observou com curiosidade e em seguida, gratidão, ao perceber o que Koki fazia. Ele refazia os passos que eles aprenderam durante aquela tarde. Com sua energia renovada pela demonstração de amizade do rapper, ele também se levantou e se aproximou do outro, acompanhando-o no ritmo da música.

15

- Acabou.

- Acabou?

- Acabou.

- Mas nem começou direito!

- Acabou.

- O que aconteceu?

- Acabou.

Ryo o olhou irritado. Seu amigo parecia uma máquina, repetindo sempre a mesma palavra, sem ao menos prestar muita atenção as suas perguntas sobre o término da relação. Sentir-se ignorado desse jeito o deixava irado, mas o membro do News tentava controlar seu temperamento explosivo, principalmente porque nunca antes viu Jin tão abatido.

O moreno ponderou que nem mesmo enquanto sofria as sacanagens de Harada, Jin esteve tão mal... O seu rosto parecia ter perdido aquela áurea brincalhona, marota, infantil de sempre. Era um rosto sombrio, sofrido e choroso que estampava a sua face agora.

Jin acendeu um cigarro e se manteve calado enquanto consumia aquela droga. Ryo não sabia o que dizer diante do seu mal-estar. Agradeceu sinceramente quando a campainha de seu apartamento tocou e ele foi abrir a porta para Pi.

- Que bom que chegou!

-...Você demonstrar sinceramente seus pensamentos é algo inédito! – ele brincou.

- Ora, cale a boca e me ajude a tirar aquele imbecil da depressão!

- Ah! Já voltou ao normal!

Ryo lançou-lhe um olhar mortal, mas Pi apenas riu e entregou as sacolas com cervejas para o dono do apartamento, que ficou aliviado em sair da sala ao menos pelo instante enquanto guardava as bebidas na geladeira.

Yamapi se sentou ao lado de Jin, batendo em sua coxa. O membro do KAT-TUN sorriu, um sorriso fraco, e continuou a fumar.

- Você vai deixar terminar assim? – perguntou Yamapi, fitando o teto.

- Acabou, Pi.

- FAÇA ELE PARAR DE RESMUNGAR ISSO!! – gritou um revoltado Ryo, da cozinha, provocando risos nos outros dois.

- Isso só é verdade se essa for a sua vontade. – foi a resposta tranqüila dele, retomando o assunto. – O Kamenashi te ama e você o ama. Eu não sei o que ele fez, mas, não importa.

Jin o olhou irritado. Como não importava o modo como seus sentimentos haviam sido traídos? Conteve a vontade de mandá-lo à merda, afinal, seu amigo não sabia o que realmente tinha acontecido. Estava a um passo de contar sobre a traição de Kazuya, quando foi surpreendido por aquelas palavras:

- Não importa, porque, um amor como o que você sente é impossível de ser destruído.

O fim do cigarro interrompeu aquela conversa enquanto Jin esmagava o toco da droga no cinzeiro. Fitou as cinzas por alguns instantes, enquanto refletia aquelas palavras.

- Um dia... – ele murmurou, mas Yamapi foi capaz de escutá-lo – A razão de amar aquela pessoa perde o sentido...

- Não para um amor que se sujeitou a tantas provações por alguém que estava comprometido com outra pessoa. Não menospreze seus próprios sentimentos, Jin.

Jin o encarou o amigo, que sustentou seu olhar, confiante. Yamapi bufou, com uma falsa irritação:

- Eu estou certo, não estou?

Akanishi hesitou. Sentiu um nó na garganta. Sentiu como se a camada de gelo que havia construído ao redor de seu coração estivesse se partindo... Apesar de tudo, apesar de todos os seus esforços, não podia esquecer Kazuya. Irritava-se por ter que admitir que Pi, mais uma vez, estava certo. Desabafou:

- Isso é o pior, Pi... Não sou capaz de esquecê-lo, mesmo que eu não pense mais nele, aqui dentro... – ele levou a mão até o meio do peito – É estranho... Parece que me falta alguma coisa... Mas, racionalmente, não posso perdoar o que ele fez. Ele não me procurou para esclarecer a situação, me apunhalou, me condenou antes mesmo de me julgar culpado! E isso... Dói muito...

- Mas você não se arrepende de ter feito tudo o que fez por ele, se arrepende?

- Hã?

- Você, alguma vez, pensou “eu não deveria ter me deixado violentar daquela forma por essa pessoa” ou “Kamenashi não merece que eu tenha me sujeitado ao Harada”? Talvez, quem sabe, “Se eu soubesse que seria machucado pelo Kamenashi, não teria cedido aos apelos sexuais daquele canalha!”.

Jin franziu a testa. Não entendia o que seu amigo queria dizer com essas perguntas.

- Isso... Não tem nada a ver com o que aconteceu! Por que você precisa falar sobre isso agora?

Essa resposta apenas fez um surgir um sorriso vitorioso em Yamapi. Jin odiou tal expressão. Fez um bico contrariado, mas o outro não se importou com aquele rosto aborrecido.

- Seu amor continua sendo incondicional, Jin... Independente de tê-lo ao seu lado, você se agüentou tantas coisas sem reivindicar o amor de Kamenashi... Isso não acaba simplesmente por estar zangado com ele... Sei que você está ferido agora, mas sei que vocês vão reatar, fique tranqüilo.

Jin riu.

- Ainda que eu estivesse disposto a voltar com Kazuya, Pi... Ele sequer tentou se justificar. Não tentou impedir o término do namoro... Conhecendo o Kazu, sei que ele está dividido... E ele com certeza não irá me escolher.

- AH!!! – Yamapi gritou, assustando o outro – Então é isso!!

- Isso o que, baka??

- Pobre Bakanishi, está se sentindo rejeitado, no final das contas... É essa a razão da sua tristeza, não? Não importa o que Kamenashi tenha feito, tudo o que você queria era que ele demonstrasse que te ama, não é?

- Não é tão simples assim! – Jin se ofendeu.

- É simples sim. A sua mente não é capaz de ser complexa.

- Ora, vai se fuder! – ele se irritou.

- A verdade é que você tem medo de que ele não te ame mais, agora que você já experimentou de seu gosto, não é?

Jin estava dividido entre se irritar com Yamapi, por isso lhe lançou um olhar nada amigável, e aquele vazio que tanto fazia seu peito doer. E por isso as lágrimas subiram aos seus olhos, o que o surpreendeu. Ora, era capaz de chorar ainda, apesar de tudo, ele constatou. Tentou disfarçar, olhar para outro lado, mas desabou quando sentiu a mão de Pi por trás de sua cabeça, puxando-o para seu colo.

- Pode desabafar, Jin... – o loiro sussurrou, batendo de leve em sua cabeça, sentindo sua calça umedecer com as lágrimas do amigo.

Ryo se aproximou carregando três latas de cerveja, mas estancou no meio do caminho diante daquela cena. Jin chorava no colo de Yamapi.

- Ora... – ele murmurou com irritação – Eu não devia ser obrigado a ver esse tipo de coisa em minha própria casa, não mesmo! – e retrocedeu para a cozinha.

16

Naquela manhã, ele estava decidido a chegar cedo, pois já tinha desistido de atingir Kazuya através da banda, então ele tinha que se redimir com seus amigos. Queria ser o primeiro a chegar para ensaiar mais um pouco o novo single.

Jin estava quase na porta da agência quando a avistou. Ela andava com consciência da própria beleza. Seus passos era firmes, seguros, decididos. Sorriu, um sorriso curto, porém significativo, quando o viu chegar pela direção contrária em que andava. Seu sorriso apenas aumentou quando percebeu o olhar assombrado de Akanishi Jin ao reconhecê-la.

- Bom dia, Akanishi-san. – disse uma sorridente Akeko.

Jin a olhou com cautela, mas respondeu ao cumprimento. Perguntou-lhe pela saúde e notou que ela parecia se regozijar em tocar no assunto. Era natural. Toda mulher fica deslumbrada durante a gestação, ele pensou. Ainda assim, havia algo dentro de si que classificava aquele sorriso como maligno e, até mesmo, sádico.

- Estamos bem. – ela enfatizou o plural – Obrigada por perguntar... Acredito que Akanishi-san também esteja bem de saúde! Os jornais não noticiaram nenhuma piora desde aquele incidente, não é verdade?

- Eu estou muito bem. – ele afirmou.

- Que bom!

- Bem, eu preciso ir, tenho alguns ensaios...

- Ora, eu vim ver o Kazuya. Me acompanha até o camarim? – ela pediu – Não se preocupe, eu agendei uma visita, assim não o comprometerei antes do tempo...

Jin assentiu e fez um gesto para que ela subisse os degraus a sua frente. Akeko agradeceu a atenção e se adiantou. Pouco depois, estavam a sós no elevador, em direção ao andar do camarim do KAT-TUN.

Ele já não tinha qualquer disposição para puxar assunto. Sentia-se mal em sua presença, ainda mais porque aquela sensação de que ela parecia se vangloriar por carregar um filho de Kazuya no ventre aumentava cada vez mais. E ele teve certeza de que ela realmente queria esmagar seus sentimentos quando, faltando pouco para alcançarem o andar, ela disse:

- Vocês foram ingênuos demais... Acreditar que um romance homo poderia ter um final feliz... Não se preocupe, Akanishi-san, eu com certeza cuidarei bem do Kazuya. – e com um sorriso irônico, ela desceu do elevador após a porta se abrir.

Jin sentiu aquelas palavras revirarem seu estômago, mas, ainda maior que sua raiva, era o medo que sentiu diante do olhar de Akeko. Ela parecia nutrir um ódio imenso quando disse “relacionamento homo”.

Aturdido com a nova faceta daquela mulher, Jin não saiu a tempo e o elevador se fechou mais uma vez. Quando tornou a se abrir, deu de cara com Matsumoto Jun, que o cumprimentou, mas apenas recebeu o silêncio como resposta. O senpai notou, então, que o rosto do integrante do KAT-TUN estava pálido.




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Mar 25, 2010 1:24 am

Eeeeh? Akeko gravida? DD:
aiaiaiaiai
ê Kame
hsahshahshahs essa cena do banheiro foi hilaria
ri mto aq hahahaha
nossa e acho q Ryo agiria assim msm hsahshashahs xDD
oh Jun faz uma pequena apariçao *----*

ah e só p/ responder ao seu post anterior
o dorama q o Ryo fez com o Nino é Ryusei no kizuna
amoo por sinal hehe
e em sites d doramas vc acha outros doramas do Ryo, infelizmente nao tds, ms pelo menos alguns ^^
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Mar 25, 2010 4:43 am

Cara normalmente eu meio que ignoro Yaoi...e nem gosto desses troço de Akame, Jinda, e afins (nada contra..so nao gosto mesmo)....mas eu piro de mais nessa sua Fic... serio mesmo...

Nem sei pq um dia eu comecei a ler....mas depois q comecei a ler não parei mais..VocÊ escreve muito bem.....

Parabens pelo trabalho ^^
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Mar 25, 2010 6:33 pm

Oi Nara.

Pois é, Akeko grávida... Kamenashi tem boa pontaria u.u''

Huhauahuahau o pouco que conheço do Ryo me fez imaginar essa cena do banheiro exatamente assim... hehehe

Jun entrou de figurante XD!

Mas é difícil achar doramas legendados né? Eu não sei nada de inglês e menos ainda de japonês... Até arrisco alguns doramas em espanhol XD!

Obrigada pelo comentário!

Beijosss


Oi Rafaela!!

Eu fiquei muito emocionada com seu comentário ^^, em ter conseguido despertar a atenção de alguém que não curte o yaoi ^^. Eu tentei fazer uma história que mostrasse o amor Akame de um jeito mais delicado, ainda que houvesse cenas de chantagens sexuais e tudo mais.

No começo, eu não curtia yaoi tb e nem fã service, mas eu acabei me rendendo... Akame é viciante hehehe.

Obrigada de verdade!

Beijosss




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 27, 2010 1:48 am

Parabéns

1

Kazuya ficou surpreso quando o avisaram sobre a visita de Akeko, embora soubesse que cedo ou tarde ela o procuraria. Desde que o rapaz soube de sua grávidez, não se falaram mais. Primeiro, porque a agenda dela se tornou impossível, a imprensa estava fazendo marcação cerrada em relação a essa novidade. Segundo, porque ele adiava ao máximo a conversa...

Agora, porém, não tinha alternativa. Ela estava ali, diante dele, com seus cabelos escorrendo por seus ombros, encobrindo seus seios, como duas cachoeiras negras. Ela trajava calça social e um terninho. Tecidos que sempre ressaltam suas curvas. Recriminou-se por se recordar quantas vezes suas mãos deslizaram naquele corpo... Não era o momento para esse tipo de recordação, ainda mais tendo convicção de que já não amava. Não podia usá-la sexualmente, como a usou...

Deixando suas divagações, ele a levou para uma sala privativa na empresa, onde, depois de acomodados e trocarem notícias fúteis sobre a carreira um do outro, Tsubasa foi incisiva ao dizer:

- Você não precisa assumir esta criança.

Ele realmente não esperava por isso e seus olhos refletiram o seu choque. Toda às vezes em que conversaram sobre uma vida familiar, Akeko mostrava-se decidida de que uma família tradicional era a única forma de se manter uma vida tranqüila. Ele não conseguia compreender porque agora ela havia mudado de idéia.

- Desculpe, Kazu... Eu preciso ser sincera com você. Vou contar-lhe meus planos... Sim, eu fui até seu apartamento com a intenção de gerar um filho seu.

Os olhos apertados de Kazuya se alargaram ainda mais.

- Eu já estava com a passagem área comprada. A minha intenção era sair do país e ter essa criança no estrangeiro, sem que você tivesse a menor idéia de que fosse pai... Mas acabei passando mal e a imprensa descobriu o motivo...

- Isso... Isso não seria justo, Akeko! – ele protestou, horrorizado com a idéia de que um filho seu pudesse estar perdido pelo mundo.

- Não seria justo eu exigir o seu amor agora, querido! Eu sei que você não me ama mais, que está muito bem com outra pessoa, mas e eu, Kazuya?? Como eu fico?? – ela começou a chorar – Fui eu quem ficou sozinha...

Kazuya se sentiu ainda mais culpado diante dessa contestação. Mas era a verdade. Ele a largou repentinamente e sequer sentiu o baque do término da relação, pois já estava envolvido demais com Jin... Enquanto Akeko, apesar de ter tomado a iniciativa em terminar o relacionamento, havia sido ela quem ficou com toda a dor do rompimento...

Kame sentiu-se como se fosse o pior homem do mundo.

- E eu já passei dos quarenta anos... – ela retomou, já mais calma - Não tenho mais tempo para construir outra relação... Além disso, eu queria muito um filho... E sendo seu ainda por cima... É maravilhoso! Criar essa criança, longe do Japão, com certeza me faria esquecer o meu amor por você! Eu teria ao bebê... E você teria o seu amor! Não seria justo, Kazuya, você ainda tem coragem de me dizer isso?

Ele não pode encará-la. Abaixou o rosto, tentando raciocinar para encontrar uma resposta aquele discurso, mas soube, tristemente, que não tinha argumentos. Olhou desolado para ela.

Akeko sorriu compreensiva e acariciou seu rosto.

- Eu vou assumir a criança! – ele falou.

- Ora, não seja teimoso, Kazu... – ele disse, um pouco nervosa.

- Você não pode me privar de ver meu filho crescer! Quero ajudar na educação!

- Ajudar na criação sendo um homem que o visita de vez em quando, que o leva para casa com uma guarda compartilhada na justiça? Que tipo de educação você quer dar a ele?

- Não é melhor do que criá-lo sozinha?

- Não vejo diferença. De qualquer forma, em nenhum dessas opções seria uma família normal. Mas criando sozinha este bebê, eu o teria por completo.

Kazuya suspirou, um tanto irritado. A conversa não estava chegando a lugar nenhum. Aliás, pelo contrário, ele cada vez mais tinha convicção de que só havia um caminho a seguir. Casar-se com Akeko.

Porém, ao pensar nessa hipótese, seu coração doeu tanto que ele não foi capaz de proferi-la. Covarde, xingou a si mesmo.

- Né, Kazu...

A voz de Akeko estava mais macia. Ela sorriu gentilmente, enquanto retirava um embrulho de dentro da bolsa.

- Seu aniversário é amanhã, mas acho que não serei capaz de te encontrar nos próximos dias... Então... Feliz aniversário!

Ele pegou o presente com certa hesitação. Abriu e encontrou algo que deveria ser um cachecol. Um amontoado de linhas, algumas até desfiadas, com um lado maior que o outro. Kazuya inclinou a cabeça levemente para o lado, agradecendo, visivelmente constrangido, tentando até conter um riso.

- Né? Eu não sou boa com essas coisas manuais, mas, senti vontade em aprender a fazer tricô... Ainda estou treinando, não precisa usar se não quiser, mas eu quero ser capaz de fazer algumas peças de roupa para esta criança! – ela acariciou a própria barriga com devoção.

- Realmente, você vai precisar treinar muito... – e ele deixou escapar uma risada.

- Baka! – e ela lhe estapeou na cabeça, mas em seguida riu junto.

Não acho que seriai infeliz ao lado dela... Akeko é uma excelente mulher e possivelmente seria uma esposa perfeita, mas... Gomen, Akeko, eu já não a amo mais. Se eu pudesse voltar no tempo...

2

- Ele não pode ignorar isso! – comentou Junno – É aniversário do Kame!

- Eu não apostaria nisso... – foi a resposta de Nakamaru.

Ueda limitou-se a sacudir os ombros, afinal, Jin sempre foi o mais imprevisível de todos, não dava para adivinhar qual seria a sua reação, mas concordava que eles deviam fazer alguma coisa.

- Em todo caso, precisamos tentar! – reforçou Junno – Eles não podem continuar brigados para sempre!

Nakamaru suspirou, cansado da insistência do amigo.

- Né? Nós nem sabemos o motivo! Não devíamos nos intrometer... Podemos até piorar tudo! – e Maru agitou os braços, para enfatizar o que dizia.

- Temos que fazer alguma coisa!

Nakamaru olhou irritado para Junno. Depois de Jin, ele era o que mais sabia ser chato quando botava uma idéia na cabeça e insistia em compartilhar com os outros. Sabia que, para terminar com aquela amolação, bastava aceitar a sua idéia, mas Nakamaru continuava achando que não era muito inteligente forçá-los a se entenderem. Ele tinha que admitir, porém, que estava ficando insuportável o clima entre Kazuya e Jin.

- Hai, ok!

Ueda olhou discretamente para Maru quando este cedeu. Junno abriu o seu largo sorriso encantador.

- Tenho certeza de que o Koki vai aprovar isso! – o mais alto do grupo comentou, sinceramente feliz.

- Tá, e quem vai cuidar do Jin? – quis saber Maru – Eu não!

Ueda saltou da penteadeira, onde estava sentado, e disse sem se alterar:

- Pode deixar comigo. Certifiquem-se, então, de que Kazuya estará lá também...

- O Kazuya é moleza! – garantiu Nakamaru – Ele é como um cãozinho... Se confia em você, te segue até o fim do mundo!

O exemplo não era dos melhores, mas Ueda foi forçado a concordar. A lealdade de Kame era uma de suas qualidades mais evidentes, assim como a sua ingenuidade. De fato, não teriam problemas em enrolar o caçula.

Akanishi era o maior problema, ainda mais porque era ele quem estava zangado. Ueda, porém, não se preocupou muito com isso. Sendo o mais observador dentre os integrantes do KAT-TUN e tendo convivido tanto tempo com Jin, sabia como convencê-lo a ir, ainda que não pudesse prever como ele reagiria uma vez que estivesse no local. Por hora, precisavam acertar os detalhes finais daquele plano amalucado de Junnosuke.

3

- Parabéns pela gravidez! – desejou a sua assessora.

Akeko agradeceu com um leve aceno de cabeça e um sorriso encantador. A mulher que lhe cumprimentava era uma amiga querida de longa data. Ela sempre a apoiou em todos os anos em que se conheciam e a cantora sabia o quanto ela desejava seu sucesso. Principalmente depois do início conturbado de sua carreira.

“Cabisbaixa, ela se deixou levar por aquele homem que tanto confiava. Aqueles ombros largos, nos quais ela costumava se apoiar, de fato, agora, haviam se tornado o seu único suporte”.

“- Você está bem?”

“- Você sempre estará comigo?”

“- Estarei!”

“- Então, eu vou superar...”

“Ela sorriu, fraca, despedindo-se dele com um beijo terno. O viu sair e fechar a porta. Depois disso, ela desabou no chão da sala, acariciando o próprio ventre. O choro foi incontrolável”


- Obrigada, Mitiko-chan! Você sempre foi uma excelente amiga!

- Sim, sempre fui! E não é justo que você não me conte quem é o pai de seu filho!

Akeko sorriu e Mitiko entendeu que a amiga estava irredutível. Suspirou, fingindo-se sentida, mas entendia aquele mistério todo. Possivelmente, o pai deveria ser alguém tão famoso quanto Tsubasa... Relacionamentos entre artistas são muito complicados, na opinião de Mitiko, sempre dependendo de aprovações das agências responsáveis de ambos os lados. Isso, definitivamente, não era para ela. Mas se Akeko estava feliz dessa forma, Mitiko sentia-se satisfeita. Por isso, sorriu ainda mais e acariciou o rosto da amiga.

4

Jin assobiava uma música qualquer enquanto se dirigia para o vestiário. Tinha sido um dia terrivelmente longo, com entrevistas cansativas e chatas, além de mais ensaios. Estava exausto. Precisava de um bom banho e de sua cama... O banho, ao menos, ele conseguiria ali mesmo na agência.

Debaixo da ducha, deixou a água cair sobre seu rosto, provando o gosto amargo daquela água quente que invadia sua boca, embora mantivesse seus lábios unidos. Era tão bom ficar assim, com os olhos fechados, sentindo que todo o seu cansaço escorria junto com a água pelo ralo...

Andava muito nervoso nos últimos dias e toda vez que se banhava percebia o quanto seus músculos estiveram tensos. Desse jeito, pensou, era bem capaz dele voltar à sala de Yamada-sensei.

Terminou de se banhar, enrolou-se na toalha e saiu da ducha. Enquanto vestia sua camiseta, ouviu a porta sendo aberta. Olhou para essa direção e encontrou Tatsuya ali.

- Oh! Achei que todos já tivessem ido... Fui o último dessa vez! – comentou Jin.

- Ainda tive alguns trabalhos por aqui. – foi a explicação do líder – Estamos indo para Roppongi... No local de sempre. Vamos comemorar o aniversário do Kame.

Jin ficou surpreso. Os dias estavam passando muito depressa. Então já era quase dia 23 de fevereiro... Olhou por impulso o seu relógio. Faltavam poucos minutos para o aniversário do caçula. Mas deixou isso de lado, esse assunto não era mais importante, tentou enganar a si mesmo.

- Você não pode esquecer sua mágoa com Kazuya? Ao menos por uma noite?

Jin olhou para o lado, impaciente.

- Por que eu faria isso?

- Não é um aniversário qualquer. Ele está fazendo vinte anos.

Ueda notou os lábios de Jin se fecharem, demonstrando a sua irritação. Ele tinha consciência do que o líder lhe falava, mas, orgulhoso, continuava a não ceder.

- E o que eu tenho a ver com isso?

- Será que você não pode considerar o que Kazuya lhe fez, seja lá o que tenha sido, como um ato imaturo? A partir de agora é que ele deve responder por seus atos...

O riso zombeteiro de Jin não abalou Ueda, que já previa tal atitude, mas o surpreendeu aquele olhar sério, que não combinava com o seu ar debochado de sempre.

- Ele já é bem grandinho... Até já faz sexo! Então, ele tem que assumir suas responsabilidades! Se me der licença, hoje eu estou sem carro, então preciso correr para pegar o último trem...

Jin deu-lhe as costas, indo embora, mas ainda foi capaz de ouvir a voz de Ueda:

- Estaremos no karaokê de sempre em Roppongi! Se quiser aparecer... Sabe a sala que costumamos usar...

- Não espere por mim, Ta-chan!

Quando a porta do vestiário se fechou, Ueda permitiu-se sorrir. Sabia que era questão de algum tempo sozinho até que Jin se deixasse vencer pelo seu espírito provocador e decidisse aparecer, ainda que fosse apenas para torturar Kazuya com a sua presença. De qualquer modo, independente do motivo, o que eles precisavam era que ele fosse mesmo até lá.

Estava tranqüilo em relação a isso... Porém, estava perturbado com o que escutou.

“Até já faz sexo!”

Essa briga toda seria por causa de ciúmes? Se fosse o caso, talvez fosse melhor que eles mantivessem os laços rompidos... Insistir em uma relação acima de amizade era algo muito complicado para eles. Ainda mais sendo tão imaturos e de fortes personalidades.

5

Observava as luzes de Tóquio jogando-se de modo incessante pelas ruas, repletos de boêmios ou trabalhadores noturnos. Assim como muitas metrópoles espalhadas pelo mundo, aquela cidade parecia não dormir. As luzes das lojas, os painéis eletrônicas, as casas noturnas, as empresas, todos eles fervilhavam contra a janela do táxi em que Jin estava. A movimentação era intensa, não dava para crer que era noite.

Alheio a tudo isso, jogado no banco de trás do veículo, Jin notou que novamente estava ficando deprimido. Aquele sentimento de solidão estava mais uma vez dentro de seu coração.

Porque eu estou fugindo desse jeito, afinal? Refletiu. Era o caçula quem devia sentir-se envergonhado, afinal de contas. E Kazuya de fato demonstrava um grande pesar em sua presença, sempre se esquivando de seus olhos, evitando falar em voz alta em sua presença, desviando-se sempre que ele o provocava; em outros tempos, Kazuya respondia a altura seus desafios, até mesmo chegou a agredi-lo quando quis proteger a integridade de Tsubasa...

Lembrar-se da cantora e de seu olhar carregado de ódio fez seu sangue esquentar. Inquieto, Jin se acomodou melhor no assento, tentando controlar aquelas idéias que lhe saltavam a mente, mas foi em vão.

Não vou deixar que tenha um aniversário sossegado. Decidiu.

A idéia de molestar Kazuya naquela noite o seduziu ou, ao menos, essa era a desculpa que Jin dava a si mesmo para justificar o porque de pedir ao motorista que mudasse a sua trajetória.

6

- Definitivamente, eu não canto desse jeito! – Kazuya exclamou, indignado, fazendo uma careta.

- Ah, canta sim! E faz exatamente esses gestos com as mãos! – afirmou Junno, rindo.

Kame, apesar da reclamação, ria junto dos amigos diante da performance de Koki em cantar a sua parte nas músicas.

- Que seja, me passa a cerveja!

- Oh! Agora que pode, ele quer abusar! – recriminou Maru.

Levemente alterado pela bebida, com as faces já rosadas, Kazuya estava realmente bem naquela noite. Talvez por ser a madrugada de seu aniversário, ele já estava sendo tomado por um espírito mais otimista, o que aumentava a sua convicção em continuar esforçando-se ao máximo, pensamentos de melhorar cada vez mais e aproveitar intensamente todos os seus dias sempre preenchiam sua mente durante esta data.

Além do mais, sempre levantava o seu humor estar entre seus amigos e se sentir querido dessa forma. Kazuya vinha de uma família grande, então lhe fazia bem estar sempre rodeado de pessoas. De alguma forma, isso supria a saudade de sua casa nos momentos mais difíceis... Como agora, em que havia se tornado o alvo da aversão de Jin.

Jin...

Se havia algo que Kazuya desejasse mais que o debut nesse momento era que o mais velho estivesse ali, ao seu lado, com seus amigos, divertindo-se, sorrindo como sempre. Queria tanto a sua presença, desejava ardentemente vê-lo, que seu coração quase parou quando a porta do karokê se abriu e ele entrou.

Por um momento, o tempo congelou para ele. Observou o rosto cínico de Jin o fitando, ainda assim, era um rosto bonito e ele queria tanto tocá-lo novamente, mas não podia, além de estarem brigados, Kazuya estava tão surpreso que mal conseguia se mover. Aquilo era tão inesperado que ele nem ao menos se lembrou em disfarçar o seu espanto. Seus olhos estavam maiores que o de costume e sua boca, entreaberta, demonstrava que ele não sabia como reagir.

Apesar da música que preenchia o ambiente, Jin notou o momento de silêncio entre os demais quando entrou. Ele cumprimentou seus amigos normalmente, até seu olhar recair sobre o aniversariante. Kazuya estava visivelmente tenso. Então, um sorriso irônico estampou seus lábios e ele se aproximou.

A cena pareceu ocorrer bem lentamente, na visão de Kazuya. Passo a passo, ele viu o rapaz se dirigir até onde ele estava sentado, inclinar-se sobre si e colar seus lábios em sua testa. Aqueles lábios gelados devido ao mau tempo do lado de fora estalaram contra sua testa, acelerando o seu batimento cardíaco, e o obrigando a prender sua respiração por alguns segundos. Ao pé de seu ouvido, Jin sussurrou:

- Parabéns... Kamenashi.

Jin, então, afastou-se e foi se unir à bebedeira de Maru e Koki, deixando o pequeno atordoado naquele canto. Esse breve contato, que não durou mais que um minuto, e todos esses gestos que certamente não tiveram significado algum para nenhum deles, nem mesmo para o próprio Jin, atingiu o caçula com uma grande força.

Sentir novamente os lábios de Jin em sua pele fez um arrepio atiçar a sua saudade e a esperança de reconquistá-lo. Isso elevou seu espírito a altura, mas apenas para ser derrubado mais uma vez, cruelmente, quando ouviu aquele sussurro. Nunca o seu sobrenome havia sido proferido de uma forma tão fria e até mesmo zombeteira. E, tendo falado baixinho, grudado ao seu ouvido, os demais presentes jamais teriam a noção do que realmente trouxe Jin até ali. Mas ele, Kazuya, já tinha entendido...

Jin estava ali para castigá-lo. A indiferença e a ignorância já não eram suficientes para o mais velho. Agora, ele passava a agredi-lo. Não uma agressão física, nem mesmo verbal, mas uma psicológica. Aproximava-se do mais novo, deixava-o sentir seu calor, seu cheiro, depositava-lhe alguma esperança com um sorriso curto, um olhar ameno e, então, de modo repentino, retirava-lhe tudo mais uma vez, vestia mais uma vez o seu semblante rancoroso. Tudo isso para que ele sentisse de novo e quantas vezes fossem preciso – ou quantas vezes agradassem a Jin - aquela sensação ruim de tê-lo e perdê-lo.

Em um certo momento, Jin se jogou no sofá, ao seu lado, passando o braço por trás de sua nuca, mas sem de fato tocá-la, usando o encosto do sofá como apoio. Estavam tão próximos que Kamenashi tinha que conter com determinação a sua vontade de recostar-se no peito de Jin. Ao mesmo tempo, sentia-se derrotado diante da forma natural e tranqüila que seu ex-namorado mantinha ao seu lado... Como ele conseguia demonstrar tanto autocontrole?

Um pensamento o afligiu, quando Kamenashi ponderou que talvez Jin não estivesse se controlando e simplesmente já havia dominado seus sentimentos, tendo conseguido de fato esquecer-se dos momentos que dividiram nos últimos meses. Engoliu a bebida, achando-a mais amarga que o normal.

A mão de Jin caiu em sua coxa, Kazuya, sem pensar, o olhou direto nos olhos. Jin sorria com deboche. Apertou a perna do mais novo e em seguida se levantou, afastando-se novamente.

A impressão de Kazuya era a de que estava preso em uma montanha-russa. Seu estômago revirava-se dentro de si, sua respiração se acelerava, sua boca secava e a ansiedade crescia, mas o carrinho nunca chegava à parte mais emocionante do trajeto, sempre retrocedia, voltando ao início, torturando-o com aquele opressivo “quase”.

Kazuya se refugiou em uma garrafa de cerveja. Encheu o próprio copo e tomou um grande gole daquela bebida, de modo que o distraísse de Jin. A estratégia, porém, se mostrava ineficaz. Seus olhos, involuntariamente, buscavam pelo mais velho, seu coração, por impulso, desejava mais uma demonstração de afeto, mesmo que fosse falso, mesmo que fosse para perdê-lo no instante seguinte, como um viciado diante da possibilidade de consumir mais uma vez a sua droga, ainda que fosse apenas uma migalha.

Sua mente registrava vagamente seus amigos cantando, alheio aos seus sofrimentos, mas tinha certeza de que os olhos vingativos de Jin captavam cada movimento seu, cada tremor de seus lábios, cada hesitação em seus olhos, cada suspiro que não podia exclamar e que afogava em sua garganta. E tinha absoluta certeza de que o mais velho estava completamente satisfeito com isso.

O punhal, porém, veio pouco depois, quando Junno decidiu cantar Special Hapiness. Pediu a sua participação, mas Kazuya recusou, disse ao rapaz que cantasse a sua parte para que pudesse assistir a sua versão de Kamenashi Kazuya.

- Eh... Eu não sou bom em imitações!

- Em que você é bom?? – perguntou Jin, apenas para levar um tapa de Koki em seu cocuruto. – Ok, eu canto com você, Junno!

Kazuya esquivou-se do olhar de Jin, virando-se para alcançar a garrafa de cerveja e enchendo novamente o copo. Ao seu lado, Maru o olhou preocupado:

- Vai com calma, Kame! Hoje é quarta-feira ainda, amanhã você tem que fazer a gravação de aniversário de 20 anos com os outros johnnys, lembra?

- Hai, hai, okaa-san!

- Ora, por essa eu não esperava! – comentou Koki – O Nakamaru repreendendo o Kazuya?? Isso é algo novo!

- Realmente, o Kazuya merecer uma bronca é algo... – ia dizendo Maru, mas Koki o cortou.

- A novidade é VOCÊ o bronqueando!

- Vai para o inferno, ok?

Essa brincadeira abafou o início da música, mas nem Jin, nem Junno se importaram com a falta de atenção da platéia. Jin parecia concentrado apenas no rapaz com quem dividia aquele dueto, Kamenashi notou com um certo mal-estar. Enquanto cantavam, Jin, descaradamente, olhava Junno de cima para baixo e sorria.

O que ele quer com isso?

Incrédulo, Kame observou o seu ex-namorado investindo em Junnosuke. Notou, com certa irritação, Jin passar seu braço pela cintura do companheiro de banda, apoiando seu queixo no ombro dele, enquanto cantava com mais paixão. Kamenashi alcançou outra garrafa de cerveja e voltou a encher o próprio copo.

Junno olhou para Jin sem compreender as suas intenções. Constrangido, tentou se afastar discretamente, mas o outro o segurava com força pela cintura. Quando a música finalmente terminou, Jin o soltou.

- Acho que eu descobri algo em que você seja bom, Junno! – Jin comentou, piscando um olho.

- Já está bêbado, Bakanishi? – questionou Ueda, zangado com aquela brincadeira de mau gosto.

- Eu ainda nem comecei a beber!

De fato, Jin ainda se mantinha sóbrio, enquanto Kamenashi, por sua vez, já tinha a vista turva, tendo a sensação esquisita de estar dentro de um sonho, em que as paredes giravam, as vozes de seus amigos cada vez mais longe de seus ouvidos e toda a movimentação a sua volta parecia bastante lenta.

- Ei, Junno, vamos cantar outra? – ele convidou, com a voz rouca.

Kazuya, então, se levantou com alguma dificuldade e passou por todos, sem dizer aonde ia. Sua mente, confusa, sequer notou os olhares preocupados ou ainda as perguntas de Koki e Ueda. Apenas queria sair dali e voltar a respirar tranqüilamente.

Jin observou todos os movimentos de Kazuya, até a porta se fechar atrás do pequeno.

7

Seus passos, tortos, moviam-se automaticamente. Os membros do KAT-TUN estiveram ali tantas vezes que o inconsciente de Kamenashi havia decorado todo o trajeto até aquele lugar.

Ali não era simplesmente uma casa de karaokê. Era um hotel também. Na verdade, como muitos estabelecimentos em Tóquio, havia esse serviço complementar que oferecia uma cama para aqueles que não podiam pagar por um apartamento ou simplesmente aqueles que perderam o último trem e não tinham como voltar para casa ou, ainda, como aqueles cantores da Johnnys que muitas vezes enchiam a cara e não conseguiam sequer dar dois passos para fora do lugar.

A vantagem era que, devido ao lucro exagerado que os artistas da Johnnys ofereciam para o local, a privacidade que conseguiam ali era proporcionalmente enorme. Afinal, os donos não receberiam nada se deixassem vazar para a mídia sobre as noitadas dos rapazes, pelo contrário, lucrariam cada vez mais se eles continuassem a freqüentar o estabelecimento. Por isso, ali era um dos poucos lugares que eles podiam se divertir em paz.

Era para um dos quartos que eles costumavam pernoitar que Kazuya rumou. Teve a estranha sensação de caminhar muito mais do que o normal, mas deixou isso de lado. Queria logo desabar em uma cama e extravasar todos aqueles sentimentos que Jin lhe despertou esta noite. Queria se enfiar debaixo do edredom e soluçar com liberdade, sem se constranger de que alguém pudesse ouvi-lo, sem se importar em se mostrar tão frágil para seus amigos, sem se envergonhar em admitir o quanto sofria com as atitudes do mais velho... Ao mesmo tempo, conter aqueles desejos sem se preocupar se o seu sexo estaria reagindo ou não aos toques calorosos das mãos de Jin... À sua voz rouca sussurrando em seu ouvido, aos seus lábios unidos a sua pele...

Fechou a porta com força e o que sobrava de sua consciência estranhou que não escutou nenhum som. Olhou para trás e se admirou por Jin estar ali, segurando a porta. Ele o seguiu todo este tempo? Nem ao menos havia registrado sua presença, até então.

Irritou-se. O seu objetivo era afastar-se do mais velho e agora se via justamente a sós com ele. Sem uma única palavra, embora tivesse a curiosidade em descobrir o porque ele estava ali, Kamenashi retornou o caminho, com o objetivo de sair daquele quarto, porém ele tropeçou na perna da cama, perdendo o pouco equilíbrio que não estava afetado pela bebedeira, caindo justamente de encontro a Jin, que o segurou como pode.

- Baka... Olhe como está bêbado! – Jin bronqueou, em um sussurro carregado de tristeza.

Kamenashi sentiu aquelas mãos apertando com força seus braços, tentando reerguê-lo. Olhou para cima, vendo o seu rosto inexpressivo. Se com a mente sã ele não conseguia compreender suas atitudes, agora, anuviado pela bebida, não tinha a menor noção das suas intenções.

Jin olhou para os olhos assustados do mais novo. Naquele ângulo, Kazuya parecia tão indefeso. Na verdade, sob aquelas condições, o caçula não tinha a menor condição de se defender de coisa alguma, Jin logo percebeu. Isso amenizou a sua convicação em torturá-lo.

- E que te importa se eu estou bêbado ou não? – retrucou, amargurado – Isso não tem nada a ver com você!

Então Kazuya viu o rosto de Jin se alterar, finalmente colocando um pouco de emoção naqueles olhos. Raiva. E a pressão sobre os braços de Kazuya se desfez, Jin soltou seus braços, para em seguida apoiar suas mãos no peito do outro e derrubá-lo na cama.

- Tem razão, não tem nada a ver comigo! – ele disse – Faz tempo que você não tem mais nada a ver comigo!

Da cama, Kazuya também lhe mirou com irritação, com um palavrão preso em sua garganta. Jin não lhe deu tempo para que o proclamasse, deu as costas, com a intenção de ir embora, porém, subitamente, a porta se fechou. O rapaz piscou os olhos, aturdidos.

- Que diabos...

Correu até a maçaneta, mas apenas verificou o que já imaginava. Estava trancada. Forçou mais algumas vezes, notando que a chave que normalmente estaria na fechadura do lado de dentro simplesmente não estava lá.

- Merda... O que aqueles imbecis acham que estão fazendo? – ele questionou, em voz alta, ao se dar conta de que os únicos responsáveis por isso só poderiam ser os outros integrantes do KAT-TUN. – Ei!! Abram isso agora!! – mas não houve resposta alguma do lado do corredor.

Kamenashi não havia percebido a situação, estava mais concentrado em conseguir se levantar. Bêbado, ele realmente parecia uma tartaruga que havia sido jogada com o casco para baixo, não conseguia se erguer. Seria uma visão cômica para Jin, se ele não estivesse de tão mau humor. Olhando para o mais novo, bufou.

- Estamos trancados!

- Quê??

Finalmente Kame conseguiu se sentar e se levantou em seguida. Aproximou-se da porta e mexeu na maçaneta. Não abria.

- Cadê a chave?

- Se eu soubesse, não estaríamos trancado! – foi sua resposta mal-criada.

- Cadê a chave?

Jin notou a mudança no tom de voz do caçula. Era aquele mesmo tom que ele costumava usar quando bronqueava com alguém da banda. Colocando as mãos dentro do bolso de sua jaqueta, Jin revirou os olhos, entediado.

- Já disse que não sei!

Em um movimento rápido, que Jin mal teve tempo de registrar, Kamenashi pegou em sua gola com tanta força que o mais velho foi obrigado a recuar alguns passos.

- O que você quer de mim, afinal? – Kazuya gritou – Já não basta tudo o que vem fazendo? Entregue-me logo a maldita chave!!

Era difícil compreender aquelas palavras, Kazuya as dizia com a língua embriagada, enrolando as sílabas e falava muito rápido, tomado pelo nervosismo. Jin, porém, entendeu que Kazuya acreditava que ele o mantinha preso naquele quarto de propósito. Jin segurou seus pulsos com firmeza, apertando-os, obrigando-o a se desprender de sua camisa, mas o mais novo era teimoso e insistia em continuar agarrado ali.

- Me solta, Kame!

- Só quando você me der a maldita chave!!

- É tão ruim ficar a sós comigo?

- O que você acha?? Acha que eu gosto de ser ignorado? Acha que eu gosto da frieza com que me olha? – Kazuya parou, recuperou o fôlego para então cuspir as próximas palavras:- Que eu me excito em vê-lo dando em cima de outra pessoa??? Me deixe ir embora e aproveite esse quarto com o Junno!

Estava satisfeito por Kazuya demonstrar claramente o quanto o magoou aquela cena toda com Junnosuke, mas, por outro lado, Jin odiou o modo como Kamenashi invertera a situação. Com aquele tom, era óbvio que ele o acusava. Indignado, afastou de vez as mãos do caçula de sua gola, com uma força que surpreendeu o garoto, e declarou:

- Não fale como se fosse a vítima!! Você transou com a Tsubasa, esqueceu??

- E você transou com o Yamapi!! Me recusou, disse que não estava pronto, mas há muito tempo estava transando com ele!!

Diante de tais palavras, foi Jin quem o pegou pela gola dessa vez e o pressionou contra a parede. Estava tomado por uma raiva inacreditável por aquele pequeno atrevido. Como ele ousava falar com tanto descaso e amargura de Yamapi na sua frente? Ainda mais sabendo como aquele rapaz havia sido importante em sua vida, principalmente no momento em que ele não podia contar com mais ninguém, quando era violado constantemente por Harada?

Por sua vez, Kazuya não entendia como Jin podia querer machucá-lo tanto. Admitia que errou, mas será que merecia tamanho desprezo? E o amor que o outro sempre dizia que sentia? Acabou-se assim, tão fácil, e foi substituído pelo ódio??

Sem dizer nada, Jin pressionou Kazuya com mais força contra a parede. Seus olhos se agrediam com a mesmo intensidade de suas palavras, mas nenhum dos dois hesitou, eles mantiveram seus olhos fixos um no outro, sentindo as próprias batidas de seus corações pulsando com o vigor da raiva que dividiam.

- Não compare a minha relação com o Pi com o que você fez!

- Me dê a chave dessa porta e eu não falo mais do seu queridinho! – ele devolveu - Aliás, porque você não corre até ele esta noite que deseja tanto transar com um homem?

Aquilo foi a gota d’água. A indireta de que ele só se envolvia sexualmente com homens por puro desejo fez Jin perder qualquer racionalidade naquele momento. Ele nem sequer ponderou que seus atos naquela noite, flertando com Junno de modo descarado, levaram o outro a dizer essa ofensa. Apenas sentiu aquele sentimento ruim explodir dentro de si, de modo que agiu por impulso.

Kazuya, então, viu com terror o braço de Jin se elevar e o seu punho, fechado, vir em sua direção com uma raiva que ele nunca tinha visto antes. Sua mente, sem que Kazuya pudesse entender o motivo, o alertou de que aquela seria a primeira vez que o rapaz erguia o punho em direção a sua face. Sempre que brigavam, Jin evitava ao máximo a agressão física, ainda que em determinados momentos não era possível evitá-la, ele sempre desviava seus golpes para regiões como o estômago ou costas, de modo a não deixar qualquer marca no mais novo. Ainda assim, naquelas vezes, Kamenashi sempre teve a impressão de que o mais velho continha a sua força quando se agrediam...

Jin, na verdade, desde que se conheceram, sempre o protegeu... Mas agora, agora isso tinha terminado. Estava tão chocado em ser agredido por ele, que ele nem ao menos conseguiu fechar os olhos, acreditando até o último segundo que o outro não faria tal coisa. Apesar da expressão zangada, do olhar raivoso, daquela respiração ameaçadora, Jin não faria isso... Kamenashi pensou. Não com ele. Não no dia do seu aniversário...

E, no entanto, o punho de Jin não interrompeu sua trajetória...




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 27, 2010 4:55 pm

aiai 2 bakas viu
qdo finalmente ficam juntos algo acontece p/ terminarem
e agora ficam assim
pô Kame pegou pesado tbm
qdo esses 2 vao se resolver hein?

ps: é a maioria dos doramas sao em ingles xDD
acha pouco em port, ms se vc quiser, de uma olhada do Haitou q eles legendam em port ^^
nao sei bem q doramas tem la rs
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 27, 2010 6:11 pm

Oi Nara!

Esses dois são complicados, mas é por isso que eu amo AKAME XD... Aquele típico casal que briga, briga, briga e não se desgrudam ^^!

Vai demorar um pouquinho para eles se entenderem ^^.

Ah, eu sempre acompanho o Haitou! Baixei o Ryuusei no Kizuna lá *.*! É uma mina de ouro para doramas, mesmo que tenha mais dramas coreanos que japoneses ^^. Eu até gosto de algumas novelas coreanas, mas prefiro as que tenha algum Johnny XD!

Beijosss




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Seg Mar 29, 2010 12:39 am

Amantes

1

O soco de Jin deixou Kazuya paralisado. Ainda que o rapaz tivesse atingido apenas a parede, um milímetro ao lado de seu rosto, aquela raiva toda o impressionou. Seu coração estava tão acelerado que ele pensou que teria um ataque. Sentiu sua nuca tensa, pesada e dolorida. Esteve tão aflito que seu corpo havia travado diante da ameaça de Jin. Por que eles tinham que chegar a esse ponto?

Há muito que a bebida havia tomado o controle de sua consciência, e por isso a vontade de responder a altura às agressões de Jin havia prevalecido em toda essa discussão. Foi por isso também que o mais novo não foi capaz de segurar as lágrimas e disfarçar o medo que sentiu. Seus olhos rapidamente foram inundados e a água escorreu involuntariamente pela sua face.

Jin, ainda com o punho fechado contra a parede, mordia os lábios com a dor em sua mão e respirava rápido, observando aquela face à sua frente se alterar lentamente. Sentiu que sua raiva começava a abrandar.

Os olhos de Kazuya se apertaram, brilhando com as lágrimas, enquanto seus lábios se curvaram para baixo, inconsoláveis. As pernas de Kame perderam suas forças e ele escorregou até o chão, soluçando alto, deixando alguns suspiros desesperados escapulirem.

Com toda a certeza do mundo, Jin não precisava ver essa cena para ter noção de que, quanto mais tentava ferir a Kazuya, mais ele próprio se machucava. Se soubesse antecipadamente a dor que estava rasgando seu peito agora, certamente ele teria seguido para sua casa, satisfeito com a sua ausência em uma data especial para Kazuya.

Mas, não!

Seu orgulho, sua vontade de provocá-lo, irritá-lo, de fazê-lo experimentar a mesma dor que sentia o fez ir até ali... E agora... Agora não sabia como controlar aquilo que atacava e feria seu coração com tanta intensidade.

As lágrimas do mais novo serviram como um balde de água fria para Jin. Aquilo, de algum modo, esfriou seus ânimos, e embora angustiado, sentia a raiva cada vez mais distante. Agachou-se diante de Kame, apalermado, observando-o, notando seus ombros trêmulos e sua respiração acelerada. Escutava aquele choro que apertava tanto o seu coração.

Queria acalentar aquela criança. Queria tomá-lo nos braços e sussurrar que estava tudo bem, pedir para que ele encerrasse o choro, mas... Não podia. Ainda estava ferido demais, seu orgulho ainda ardia... No entanto, entre seus desejos em conflitos, prevaleceu aquele que havia de mais sincero entre todos.

Kazuya se mostrou surpreso quando sentiu aqueles dedos em sua face. Jin deslizou sua mão até o queixo dele, erguendo aquela face para encará-la. Seus olhos demonstravam aflição diante da tristeza do mais novo.

Não disseram nada, mas, talvez, fosse melhor assim. Estavam em um momento em que se abrissem suas bocas, apenas sairia palavras afiadas como lâminas. Enquanto se olhavam, em silêncio, eles deixavam-se prender novamente àquele sentimento que compartilhavam antes de todo esse tumulto.

Jin molhou os lábios, apreensivo. Kazuya pensou que aquele olhar nem de longe podia ser o mesmo de antes. Aquele olhar furioso, rancoroso, carregado de mágoa cedera lugar a um carente, medroso, inquieto e atormentado com o choro do caçula. Os olhos de Jin também começaram a brilhar.

O choro de Kamenashi aumentou a intensidade, para desespero de Jin. O mais novo queria descarregar toda a tristeza que vinha se acumulando dentro de si nas últimas semanas. Baixou a fronte e chorou com ímpeto, fazendo seu corpo inteiro tremer.

Jin segurou aquele rosto com as suas duas mãos, erguendo-o levemente, mas Kazuya mantinha seus olhos fechados, embora isso não impedisse as lágrimas de escorrerem com vontade sobre suas faces. O mais velho não agüentou mais. Afundou aquele rosto contra seu peito, em um abraço sufocante, porém caloroso e protetor.

Naquele momento, ele estava disposto a esquecer tudo o que tinha acontecido. Yamapi, afinal de contas, estava certo. Bastava o caçula dizer que o amava, que queria ficar ao seu lado, que ele não se importaria mais com Tsubasa, até se ofereceria para ser padrinho da criança, pensou de modo imbecil. Era só o garoto dizer que sentia a sua falta, queria-o de volta, que faria qualquer coisa para reatarem o namoro...

Kazuya teve que usar um pouco de força para escapar daqueles braços quentes. Fitou Jin de modo sério, segurando a sua respiração por um momento, como se estivesse tomando coragem ou simplesmente controlando o movimento dentro de seu estômago, que revirava, revirava, revirava.

Vamos, Kazu... Diga...

- Jin, eu...

Kame olhou para baixo, ainda sério, como se estivesse tentando se concentrar em alguma coisa. Engoliu em seco. Jin o olhava com esperança, crente de que poderiam resolver aquele impasse, acreditando que o mais novo diria as palavras que tanto queria ouvir.

- Sim?

E, no entanto, o que escutou estava longe de ser romântico. Aliás, eram palavras extremamente frias...

- Se afaste de mim...

- C-como? – ele se xingou por ter gaguejado. Não era sua intenção fraquejar desse modo na frente de Kamenashi.

- Se afaste logo!! – foi a resposta irritada que recebeu.

Isso foi desumano, na opinião de Jin, que já sentia seu próprio rosto endurecer diante tamanha falta de consideração demonstrada pelo caçula. Ainda assim, controlou seu ânimo, talvez estivesse entendido errado. Perguntou, de modo a não existir dúvidas:

- Kazuya, o que você quer dizer?

- Saí de perto de mim ou vai se arrepender!

- Hã??

E, no instante seguinte, Jin sentiu aquele líquido vistoso e quente sujar toda a sua calça. O vômito de Kazuya esparramou-se em seus joelhos, sujando também seus tênis e o chão. O mais novo tossia com o fluxo contrário dos alimentos e bebidas ingeridos anteriormente.

Jin fechou os olhos e movimentou sua língua dentro de sua boca fechada. Lambeu a parte debaixo de um dente superior e bufou:

- Sabe quanto gastei neste tênis e nesta calça??

O caçula, porém, estava mais preocupado com a cachoeira que continuava a sair pela sua boca.

2

- Que nojo! – ele exclamou, olhando aquela toalha, antes branca, que agora estava completamente amarelada – Ao menos o chão ficou limpo!

Ele olhou com desalento para a porta. Desanimado, moveu a maçaneta e escutou o clique. Estava quase soltando um suspiro quando sua mente registrou que a porta não deveria fazer esse som e foi então que percebeu que ela estava aberta. Jin olhou para trás, Kazuya estava ocupado com a cabeça enfiada dentro da privada, ainda passando mal.

O mais velho enfiou o rosto para fora do quarto, encontrando o corredor deserto. Desde quando a porta estaria aberta? Não que realmente importasse, ele pensou consigo mesmo e a fechou novamente. Ficou algum tempo indeciso se avisava Kazuya sobre o fato.

Quando fez a sua escolha, retornou ao banheiro, onde havia arranjado as toalhas para limpar a bagunça de Kamenashi, e despejou a que usou na pia. Abriu a torneira e deixou a água retirar o grosso daquela sujeira. Em seguida, retirou a calça e sentou-se na banheira. Abriu o chuveiro e, com uma esponja de banho que havia por ali, tentou limpar as manchas em sua calça. Enquanto empenhava-se nessa missão, olhou, inconformado, para o garoto, agarrado à privada.

- Que diabos... Parabéns, hein tartaruga!

- Cala a boca!

- Oh, ainda tem disposição para brigar?

- Não enche...

- Ao menos a bebedeira vai passar depois disso!

Kazuya fechou os olhos, quando o arrependimento começou a incomodá-lo. Jin estava certo, aos poucos, ele sentia a sobriedade retornando e o primeiro sinal disso era que estava sendo tomado pela vergonha por ter gritado daquela forma histérica.

‘- E você transou com o Yamapi!! Me recusou, disse que não estava pronto, mas há muito tempo estava transando com ele!!”

Naquele momento, Kazuya desejava ardentemente ter enchido a cara um pouco mais, pelo menos até atingir um estado em que não se recordasse de nenhum de seus atos. Como ele podia ter sido tão infantil, tão egoísta, tão mimado e tão... Sem um pingo de orgulho próprio. Suspirou, agarrando-se ao vaso com mais força e interrompeu suas queixas mentais para despejar mais uma onda de vômito.

Por outro lado, ele ponderou, aceitando a toalha limpa que Jin estendia em sua direção. Se estivesse tão bêbado a ponto de esquecer-se de tudo, não poderia apreciar o toque do rapaz em seu rosto... Não teria a imagem de seus olhos preocupados gravada em sua mente.

- Arigatou... – pegou e notou que ela estava molhada com água quente. Esfregou-a em seu rosto, sentindo o calor relaxar os músculos de sua face. – Quentinho... – exclamou, infantil.

Jin achou graça. Kamenashi, sentado com as pernas abertas em volta do vaso, deliciando-se com aquela toalha, era uma imagem encantadora.

- Está melhor?

- Uhum... – e sacudiu a cabeça, fazendo que sim.

- Não vai mais vomitar?

- Não... Eu acho que não sobrou mais nada aqui dentro...

- Bem vindo ao mundo dos adultos! Que bela estréia, hein?

Cara de pau! Eu só bebi desse jeito por culpa sua!!

- Por que essa careta? Tem certeza de que não vai vomitar de novo?

Kazuya ignorou a provocação e desfez a sua expressão zangada. Olhou para Jin, indeciso, mas conseguiu reunir coragem para iniciar aquela conversa.

- Né, Jin...

O rapaz, que estava sentado na beirada da banheira, o olhou com curiosidade.

-... Algum dia... Você será capaz de me perdoar?

Jin respirou fundo e foi sincero:

- Não sei...

Kazuya abaixou seu olhar entristecido.

- Gomen, Jin... Eu não tive a intenção de te machucar dessa forma... Eu estava chateado, mas eu não pensava em te ferir, eu não sei explicar o que aconteceu... Eu não sei de verdade como isso foi acontecer...

Kazuya se calou. Jin o fitou por um tempo, depois se levantou e voltou para o quarto, deixando-o ali, pensando que não chegariam a lugar nenhum com o rumo daquela conversa. Kazuya suspirou desanimado.

3

- Esqueceram da gente! – Jin protestou, deitado na cama, com os braços atrás da cabeça.

- Então foram eles de verdade?

Tendo apenas uma cama de casal no ambiente, Kazuya estava deitado ao lado do outro rapaz, porém, no sentido inverso, com o rosto ao lado de seus pés. Havia sido a condição estabelecida pelo Bakanishi para que pudessem dormir junto, alegando que não queria ser agarrado pelo mais novo, quando, na verdade, ele próprio não poderia garantir que seus desejos não explodiriam ao sentir o hálito de Kazuya tão próximo de seus lábios.

Jin ergueu o pescoço um pouco para encarar o mais novo e fez uma expressão indignada:

- Você ainda achava que era eu??

- Eu nunca sei o que esperar de você! – ele foi sincero, dando as costas para aqueles pés branquelos e cumpridos.

- O que eles estão pensando? Temos trabalho amanhã!

- Uma hora alguém se lembrará de vir nos libertar! – comentou Kazuya – Vou tentar dormir um pouco, minha cabeça está começando a latejar...

- Não vai dormir antes de mim! – Jin forçou a voz para soar zangado – Ei, tartaruga! Acorde!

- ...

- Acordaa!! – Jin o cutucou a cabeça do outro com seu pé para que ela latejasse ainda mais – Falei para acordar!

- Me deixa!! O que você quer afinal?? – ele perguntou, mas se escondeu debaixo do edredom – Não quis conversar, me deixe dormir ao menos!

- Não disse que não queria conversar!

- Me deixou falando sozinho no banheiro! – acusou.

- Não quero conversar sobre isso, mas podemos conversar sobre outras coisas!

- Que coisas?

- Lost!!

- Ah, não enche, sabe que eu não assisto essa série!

- Certo, certo... Podemos falar sobre basebol!

- Você não acompanha o campeonato!

- Tem razão! Futebol?

- EU não acompanho o campeonato!

- Como você é difícil! – Jin resmungou.

- Por que você não dorme, então?

- Estou sem sono!

Kazuya se ergueu e o fitou com preocupação.

- Está tendo insônia de novo?

- Não, eu não consigo é dormir com o cheiro de vômito que está neste quarto! E nem podemos abrir as janelas, porque os panacas devem ter pensado que íamos pular a janela para escapar e as trancaram com cadeado!

- Baka!! – Kazuya voltou a deitar – Eles devem é ter ficado com medo que você cometesse um homicídio, já que me odeia tanto!

- Você quer mesmo falar disso?

- Honestamente, eu não sei mais o que fazer, Jin! – Kamenashi tornou a se levantar e o encarou – Eu já pedi desculpas, expliquei o que aconteceu e você sabe o quanto eu estou sofrendo... O que mais eu posso fazer para me redimir?

Jin o analisou por algum tempo e depois foi a sua vez de lhe dar as costas e cobrir-se com o edredom. Ele disse, abafado pela coberta:

- Descubra sozinho... Pense um pouco, criatura! E continue do seu lado da cama!

Kamenashi, que estava de quatro em direção a cabeceira da cama, fez uma careta e retornou a sua posição anterior. Abriu a boca, mas Jin se fez ouvir antes:

- E não me xingue!

Kazuya engoliu o xingamento e olhou para o lado, contrariado.

- Eu não ia!

- Sei...

Ainda bicudo, Kamenashi voltou a fechar os olhos e pôs a se refletir, ainda que fosse difícil manter qualquer raciocínio lógico tendo Jin deitado ao seu lado. O que poderia fazer para reconquistá-lo? Havia alguma chance? Pelo tom de voz do ex-namorado, havia, mas... Arghhh. Nada lhe vinha à cabeça agora. Coçou a cabeça com velocidade, como se desse jeito pudesse forçar sua mente a produzir um plano mirabolante para que Jin o perdoasse.

Desistiu. Àquela hora, cansado do jeito que estava, com a pressão que sofria com a presença do outro, ele não conseguiria pensar em nada. Revirou-se mais uma vez debaixo do edredom e deu de cara com os pés do mais velho.

- Né, Jin?

- Un? – foi o murmúrio sonolento do outro.

- Você tá com chulé...

Jin limitou-se a afundar o seu pé no nariz de Kamenashi.

4

Sua boca estava entreaberta e sua respiração, um pouco forte. Jin dormia com um dos braços jogado acima da cabeça e o outro, em cima da barriga. Kazuya, que observava aquela face tranqüila, inclinou-se até ele. Sentiu o seu hálito e a sua respiração baterem em seu rosto. Fechou os olhos e deixou seus lábios caírem sobre a boca de Jin.

O contato entre suas bocas novamente foi um alento para seu coração entristecido. Uma lágrima escapou de um de seus olhos. Até mesmo beijá-lo se tornou algo tão doloroso... Por que ele sabia que só poderia ter seu beijo dessa forma, roubando-o quando Jin não pudesse protestar, escondido na penumbra daquele quarto, um beijo que não era recíproco...

- Me perdoa, Jin... – ele sussurrou em seu ouvido.


5

Ela gostava da noite. Sozinha, em seu apartamento, era somente quando o Sol desaparecia que ela podia reviver certas memórias escondidas no mais profundo breu dentro de seu coração. Enquanto bebia uma taça de vinho, Akeko se aproximou da janela. Viu uma ambulância se dirigir com pressa para algum lugar. As luzes vermelha e azul refletiram em seu rosto. Lentamente, o som da sirene a levou até aquele hospital, há duas décadas atrás...

“- Contenha a hemorragia!”

“- Por que isso aconteceu? A cirurgia estava sendo bem sucedida!”

“- Minha nossa, quanto sangue!”


A campainha desviou sua mente daquelas recordações. Akeko olhou para o relógio em sua estante. Ele sempre foi pontual, observou. Sem pressa, ela foi até a porta e a abriu. Sorriu, mostrando todos seus dentes brancos, um sorriso de menina para aquela pessoa que era o responsável por fazê-la sorrir dessa forma.

Kirisawa retribuiu com um sorriso curto, mas Akeko não se contentou. Pondo-se nas pontas dos pés, roubou-lhe um beijo. Isso apenas serviu para que ele bronqueasse. Entrou rapidamente no apartamento, fechando a porta e dizendo:

- Não seja impulsiva! E se alguém nos visse?

- Não se preocupe com isso... Não sou um artista tão evidente na mídia a ponto de ter um paparazzi de plantão na porta de meu apartamento... E ninguém me odeia a ponto de me vigiar para fotografar meus momentos íntimos! – ela comentou, rindo - Vinho?

- Prefiro uísque!

- Seja romântico e me acompanhe no vinho!

- Então para que pergunta?? – ele argumentou, enquanto retirava seus sapatos.

- Não seja malcriado! Vamos, sente-se que eu vou preparar seu uísque!

Kirisawa afrouxou a gravata e pendurou seu paletó atrás da porta. Em seguida foi até a poltrona em frente à televisão e ligou o aparelho. Pouco depois, apreciava a bebida que aquela mulher lhe trouxera.

- Como você está? – ele perguntou, desviando seus olhos da televisão e fitando aquele rosto que nos últimos anos tornava-se cada vez mais difícil de decifrar.

Akeko mantinha um sorriso resignado nos lábios e seu olhar estava fixo no chão, como se ela estivesse relembrando alguma coisa. Ela parecia tão compenetrada que, por um momento, Kirisawa chegou a duvidar se ela o escutou. Antes que pudesse repetir a pergunta, no entanto, ela disse:

- Eu estou ótima! – e massageou o próprio ventre.

Kirisawa acompanhou aquele movimento. Inevitável àquelas memórias que vieram à tona neste momento.

“ – Você se arrepende? – Kirisawa acariciou a face de Akeko”

“ – Se você está comigo, como posso me arrepender?!”

“ – Eu tive tanto medo de perdê-la... Por alguma razão, a cirurgia saiu do controle... Gomen, Akeko... Se eu soubesse que isso aconteceria, não teria feito essa proposta... Gomen! Mas eu vou te recompensar...”

“- Você vai??”

“- Sim... Eu sempre cuidarei de você... Até o fim!”

“- Até o fim??”

“- Sim! E mesmo quando você não me quiser mais... Até mesmo depois disso, eu continuarei te protegendo... Até o fim!”

“- Se for assim, eu jamais me arrependerei... O seu amor me basta, Makoto”


Não bastou. Kirisawa sabia que não foi suficiente amá-la. Ele nunca seria capaz de suprir a falta de um filho na vida de uma mulher. Ele jamais poderia reparar o mal que fez àquela a quem mais amou em toda a sua vida. A ele, restava apenas apoiá-la e garantir que nada lhe faltasse... Ele faria de tudo para que ela tivesse sempre aquilo que desejasse... Nem que o alvo de seu desejo fosse outro homem, no caso, Kamenashi Kazuya.

Ele ainda se lembrava perfeitamente do dia em que Akeko lhe contou que estava apaixonada por outro. Seu sorriso era radiante. Por um momento, ele pode vislumbrar o passado daquela mulher enquanto seus olhos brilhavam somente em mencionar o nome daquele garoto. Ao lado de Kamenashi, ela conseguia recuperar o seu vigor da juventude... Kirisawa chegou mesmo a pensar que aquele amor que ela passou a nutrir pelo membro do KAT-TUN pudesse afastar aquela nuvem negra que pairava sobre Akeko desde aquele episódio, há vinte anos...

E talvez ela tivesse se libertado daquele passado se Akanishi Jin não tivesse interferido... Aquele maldito garoto queria acabar de uma vez com a segunda mulher mais importante em sua vida. Não bastava o que tinha acontecido com Sayuka. Não. Ele também precisava destruir a alegria de Akeko...

Sentindo a raiva apertar sua garganta, Kirisawa afastou esses pensamentos e sorriu de volta para a cantora. Segurou-a pelas mãos e a trouxe até o seu colo. Tão pequena, tão frágil, mas ao menos tempo conhecia o seu temperamento e sua aparência realmente não combinava com o seu espírito combativo, guerreiro e determinado.

Em definitivo, Kirisawa pensou que não poderia permitir que Akanishi tirasse o sorriso do rosto de Akeko. De jeito nenhum. Faria tudo para impedir que tal coisa aconteça. E, se necessário for, ele está decidido a adotar qualquer medida para isso.

Akeko deslizou seu dedo indicador sobre os lábios de Kirisawa e sorriu, ignorando por completo o que se passava naquela mente distorcida...

6

Quando abriu os olhos, Jin se surpreendeu por encontrar uma mão diante do seu rosto. Virando-se com cuidado, notou que Kazuya o abraçava por trás, com o nariz praticamente enfiado em suas costas. O mais novo dormia com seus lábios franzidos, tristes. Jin se condoeu diante dessa cena. Respirou com pesar.

Com cuidado, retirou o braço sobre si e o ajeitou na cama. Permitiu-se continuar observando-o por alguns momentos.

O que aconteceu com a gente? Por que estamos assim tão distantes?? O que houve para você querer romper comigo dessa forma, Kazu? Será que foi tão grave assim eu ter me relacionado com o Pi antes?

Porque você não consegue perceber a diferença do que ele é pra mim e o que você significa dentro do meu coração? Ah, Kazu... Por que você tinha que ser tão vingativo? A sua dor com certeza foi mais forte que o amor que sentia por mim...

... Mas não quero acreditar nisso... Quero pensar que você ainda sente algo, algo que seja forte, que te faça me escolher... Por favor, Kazuya... Reaja e diga que me ama...


Ao sentir que estava lacrimejando, Jin engoliu as lágrimas e se afastou de Kazuya, sentando-se na cama, de frente para o pequeno, que pareceu começar a despertar com o seu movimento. Porém, antes que recobrasse a consciência por completo, Jin apoiou seus dois pés no estômago de Kazuya e o empurrou sem dó.

Kazuya acordou de uma vez quando sentiu seu rosto bater naquele chão gelado.

- Itteeeeee!

Jin engatinhou até a ponta da cama para observar a expressão de dor do caçula. Riu.

- Bom dia, tartaruga! Eu o avisei de que não era para se aproveitar de mim enquanto eu estivesse dormindo, não avisei?

Kazuya, compreendendo aos poucos o que lhe tinha acontecido, esfregou a testa e apenas respondeu fazendo uma careta de dor. Por que Jin tinha que ser tão cruel? Era a pergunta que latejava junto com a sua cabeça.

7

- Itteee... Meus olhos doem!

O gemido de Kazuya provocou um riso em Jin. Os olhos do mais novo, sensíveis devido à ressaca, protestaram assim que o veículo saiu da garagem do estabelecimento em que pernoitaram e o Sol os atingiu de pronto.

- Pega meus óculos! Estão no porta-luvas!

Kazuya agradeceu aliviado quando as cores a sua volta se tornaram mais escuras.

- Quer passar em uma farmácia? – perguntou o mais velho.

- Não, eu tomo alguma coisa quando chegarmos na empresa...

- Certeza?

- Hai... Não precisa se fazer de preocupado...

- Eu estou preocupado!

- Está? – ele perguntou, esperançoso.

- Acha que gosto de vê-lo botar praticamente todo o seu estômago para fora daquele jeito?? Não gosto de te ver doente...

- Mas me ferir psicologicamente, você gosta né? – ele protestou, com um bico infantil.

Jin virou-se para encará-lo.

- Que é? Estou mentindo por acaso? – Kamenashi continuou, no mesmo tom, encarando-o.

- Atrevido... – Jin resmungou.

Apesar de mostrar uma leve irritação, Jin riu em seguida, fazendo o mais novo sorrir também. Era tão bom esse clima entre eles, ainda que fosse apenas uma trégua na guerra que travavam, que Jin não conseguiu manter-se bravo com o caçula durante o trajeto.

8

Quando abriu os olhos, notou que estava sozinho na cama, mas não no quarto. Ela estava na frente da cama, na frente do espelho do armário, acariciando o ventre, admirando a própria imagem de perfil.

Kirisawa se ergueu, pegou o cigarro na mobília e o acendeu. O barulho do isqueiro chamou a atenção de Akeko, que se virou e o cumprimentou, sorridente:

- Ohayou! Preparei o café da manhã... Por que não come antes de fumar?

- Eu estou bem... Comerei depois.

- O cigarro ainda vai te matar!

- O que não necessariamente significa que seja uma coisa ruim, não é? – ele disse com bom humor – Você está linda, Keko-chan! O tempo só lhe faz bem!

Ela sorriu e agradeceu o elogio. Retornou para a cama, aconchegando-se ao seu peito. De olhos fechados, descreveu a cena que visualizava em sua cabeça.

- Né? Você se lembra como nos conhecemos?

-...Você continua romântica, depois de tudo?

- Você não lembra!

- Culpado! – ele a beijou na testa – Lembro-me apenas que foi no aeroporto... Eu estava voltando da Europa e você estava indo se despedir de algum parente...

- Você tem uma péssima memória... Isso foi quando a gente se reencontrou, anos depois, quando você estava indo se despedir da sua esposa e eu estava voltando de uma turnê na Europa!

Kirisawa olhou para Tsubasa, que mantinha uma expressão totalmente convicta do que dizia. Sorriu, resignado, e deixou que ela fantasiasse mais uma maneira sobre como eles se conheceram. A escutou, com paciência, florear um novo encontro à beira-mar, em um dia de muito Sol, risos, um encontro perfeito. O sorriso daquela mulher, enquanto ela imaginava tudo o que dizia, era muito bonito. Kirisawa ficou satisfeito em admirá-lo mais uma vez.

- Né? – ela o chamou com manha – Você teria feito tudo o que eu pedi se por acaso nada daquilo tivesse acontecido com Sayuka? Se você ainda estivesse casado com Mayumi?

Kirisawa sorriu e respondeu de imediato:

- Faria sim. Talvez não me divertisse tanto com os vídeos filmados por Harada, talvez eu não me interessasse em ver o rosto sofrido daquele moleque impertinente... Mas faria sim... Por que isso não é apenas uma vingança particular, minha querida! E eu prometi que te protegeria, não prometi? – ele perguntou, beijando-a na testa.

- Arigatou... Você é muito bom para mim!

Então, subitamente, Akeko se levantou da cama e voltou a se admirar no espelho. Em seguida, ela perguntou:

- Minha barriga já está crescendo, não está?

Ele franziu a testa e a olhou de modo severo. Não respondeu, mas Akeko já nem prestava mais atenção nele. Deu-lhe as costas e voltou a acariciar sua barriga, enquanto ria.

9

Mitiko falava ao celular, remarcando os compromissos de Akeko por conta de uma consulta ao médico que a cantora marcou naquela semana e a avisou em cima da hora. Ao mesmo tempo, procurava no escritório de Tsubasa o contrato do último cd, precisava rever alguns detalhes.

Abriu a gaveta da escrivaninha e encontrou um exame largado ali dentro. Colocou o documento na mesa, para continuar a vasculhar a gaveta, mas o exame escorregou para o chão. Xingando-se por ser tão descuidada, Mitiko agachou no chão para recolher as páginas que se esparramaram no chão. Ao arrumá-las para guardá-las novamente dentro do envelope branco, ela não pode evitar ler algumas frases...

- Ah... Kobayashi-san, gomen nasai, posso ligar mais tarde? – ela pediu, atordoada com o que descobriu - Surgiu um assunto urgente agora...

Desligando o aparelho, ela releu mais uma vez aquelas palavras e verificou a data que estava no envelope.

Deve ser um engano!

10

Os ensaios naquele dia foram bastante produtivos. Junno, Maru, Koki e Ueda não deixaram de observar que o clima parecia menos tenso, embora tanto Kame quanto Jin afirmassem que continuavam brigados. E Jin ainda tomou satisfação com todos por aquela brincadeira idiota de os trancarem no quarto do karaokê.

- O que diabos vocês estavam pensando?

A essa pergunta, Nakamaru apenas olhou torto para Junnosuke, como quem quisesse dizer “eu avisei, não avisei?!”. Junno, porém, apenas devolveu um sorriso, que significava “mas houve um progresso na relação deles, então valeu a pena!”.

- Não seja tão chato, Jin! Foi só uma brincadeira! – amenizou Koki – Além disso, nós abrimos a porta duas horas depois, não? Mas foram vocês quem não quiseram sair!

Ao escutar isso, Kamenashi, que estava alheio à conversa até então, olhou confuso para Jin e questionou:

- Eles abriram a porta?

- Eu também não percebi!! – Jin se apressou em se defender, mas mal conteve o riso, e, com o indicador, apontou acusadoramente para Koki – Por que não nos avisaram?

Kamenashi, reconhecendo aquele sorriso culpado que estampava os lábios de Jin, aproximou-se do mais velho e, empurrando seu ombro, reclamou:

- Você sabia!

- Anooo...

- Você sabia e não me contou!! – ele se enfezou, o que irritou a Jin.

- Quer fazer o favor de parar de inverter os papéis?? Quem é que está bravo nessa briga sou eu e você deveria ser o arrependido!

- Meu arrependimento não serviu para fazer você me perdoar! Eu já me cansei disso! Além do mais, não se julgue no direito de fazer o que quiser comigo pelo erro que eu cometi!

Koki olhou para Nakamaru, que olhou para Junno, o qual, em sua vez, olhou para Ueda. O líder apenas suspirou e girou os olhos, entediado com aquela rotina nas brigas de Kamenashi e Akanishi.

- O seu erro merece tudo o que eu tenho feito! – acusou Jin.

- Eu já me arrependi, já pedi desculpas! Você pode não aceitar e pode ficar com essa cara amarrada para sempre, se quiser, mas isso jamais te dará o direito de achar que pode pisar em mim da forma que bem entender!

Jin foi empurrado novamente, mas desta vez ele devolveu a agressão, fazendo Kazuya recuar três passos. O mais velho fechou a cara, e o caçula não se intimidou. Estava cansado, há dias que vinha sofrendo por Jin e nada mudava. Por mais que chorasse, por mais que demonstrasse todo o seu pesar em ter transado com Akeko, nada mudava. De que adiantava, então, abaixar a cabeça perante Jin? Estava decidido a responder aos ataques do ex-namorado a partir de agora.

- Oh-oh... – murmurou Koki – Neh, vocês podem se acalmar?

O rapper sequer foi ouvido, o que aumentou a aflição entre os demais, que percebiam o clima esquentar.

- Né... Como você enche a boca para despejar esse discurso! – zombou Jin – Pede meu perdão, mas está tudo bem se não o obter?

- Não foi isso o que eu disse! Mas eu não posso te forçar a me perdoar!!

- Você tem razão! Não pode me fazer te perdoar... Não pode... E não quer!

Com essas palavras, Jin encerrou a discussão e se afastou do camarim. Ao sair, bateu a porta com força. Kamenashi fitou a porta por um bom tempo, com uma expressão zangada. Mal percebeu o toque amistoso de Koki em seu ombro.

11

Enquanto passava os olhos pela agenda do News, Kirisawa não deixava de pensar em Tsubasa. O último encontro o deixou inquieto. Cada vez mais estranhava as atitudes daquela mulher, mas sabia que não tinha o direito de dizer isso a ela, pois, tinha consciência da sua responsabilidade em grande parte do sofrimento pelo qual a cantora havia passado anos atrás. Não, não tinha o direito de julgá-la, sequer de emitir qualquer conselho. A única coisa que podia e devia fazer era protegê-la e cuidar de sua felicidade.

Não foi capaz de fazer Akeko feliz em sua juventude, não foi capaz de dar felicidade a Mayumi e muito menos em proteger Sayuka... Errou tanto como homem, como pai, como ser humano... Mas não importava. Recompensaria Akeko entregando-lhe a pessoa que mais amava. A seu ver, era o único modo de fazer justiça a Mayumi e, principalmente, a Sayuka.

Kirisawa pensou que o destino não poderia ser mais irônico. Depois de romper com Akeko, anos se passaram e conheceu Mayumi. Casou-se com ela e tiveram uma filha, Sayuka.

“A bola escorregou de suas mãos até o portão de casa. Da varanda, Kirisawa acompanhou seus passos até o brinquedo e foi então que percebeu a sua presença. Ela estava linda! Os anos haviam despertado toda a sua beleza feminina... E continuava tão delicada...”

“Akeko o fitou depois de acariciar Sayuka. Sorria alegremente para ele”.


A primeira vez em que Akeko viu Sayuka, não havia nenhum rancor em seus olhos. Ela nunca o culpou pelo aborto. Nunca o culpou pela cirurgia mal sucedida. Ela sempre dizia que o que ela precisava era que ele permanecesse ao seu lado, amando-a. E nem isso ele foi capaz de fazer.

Com o passar dos anos, Akeko começou a deprimir-se cada vez mais. Kirisawa não podia suportar o seu sofrimento solitário, mas ela não deixava que ele a apoiasse, isolava-se, sofria sempre sozinha para preservar o amor entre eles. Mas isso teve apenas um efeito contrário.

Sentindo aquela mulher cada vez mais distante, Kirisawa rompeu o compromisso. Ainda assim, Akeko nunca demonstrou um mínimo de rancor. Nem mesmo quando soube do seu casamento e menos ainda quando Sayuka nasceu. Akeko era, de fato, uma mulher maravilhosa.

Deixando a agenda em cima da mesa, Kirisawa abriu uma gaveta e retirou uma foto velha e amassada. Ali estavam Mayumi, uma típica dona de casa japonesa, com uma jovem estudante do ensino médio. Sayuka herdara os olhos inocentes da mãe, mas sua beleza tinha algo de sensual, apesar da idade, que puxara do pai e que não combinava em nada com sua personalidade tão frágil... Uma personalidade delicada... Fraca... Não teve chance alguma contra Akanishi Jin. Aquele miserável.

Mais uma vez, ele amassou aquela foto devido à raiva que despertava dentro de si. O Choro de Mayumi e Sayuka, mais uma vez, misturavam-se ao sofrimento de Akeko dentro de sua cabeça.

Maldição!

Era preciso colocar um fim nisso o quanto antes...




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Ter Mar 30, 2010 3:31 am

aiai foi mto boa a ideia de tranca-los na sala d karaoke haha
eles tavam precisando msm nao tendo feito as pazes
ê ms esse Kirisawa hein
entao ele e a Akeko ja foram namorados
hmm...
ela por acaso é cumplice dele? O.O
esse cara viu cheio d misterios
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Abr 01, 2010 2:42 am

Oi Nara!

Kame e Jin precisavam de um momento a sós... Mas nem assim eles foram capazes de resolverem as pendências... Tá que a bebida não ajudou! XD

Pois é, o passado do Kirisawa e da Akeko é muito complicado ^.~


Beijosss




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sex Abr 02, 2010 8:55 pm

Medos

1

Os dias se passaram com mais velocidade que Kazuya gostaria. Ele mal tinha tempo para raciocinar sobre sua vida particular. Outras conversas com Akeko seguiram-se à primeira, mas o resultado era sempre o mesmo. Teimosa, ela ainda resistia à idéia de que Kazuya abrisse mão de seu relacionamento atual, mas sempre deixava a entender que não estava disposta a ceder o seu direito de pai da criança se não for para assumir esse compromisso por inteiro.

Um inferno!

Ele estava vivendo em um inferno. Precisava de um alento para continuar a ter forças em seguir sendo odiado por Jin, pressionado por Akeko e suprir as expectativas da agência. Precisava de um incentivo.

E esse incentivo veio no mês de março, quando, finalmente, KAT-TUN alcançou o debut...


2

- Kanpai!

Mitiko encostou sua taça de vinho à de sua amiga, mas em silêncio. Tomou um gole e repousou a taça de volta a mesa.

- Este é o melhor restaurante de Tóquio! – Akeko afirmou – Minhas bochechas já estão quente! – comentou rindo.

- Você já estava bebendo antes, não é? Por favor, Akeko, cuide-se melhor!

- É verdade, né? Eu tenho que proteger o meu bebê!


A expressão da assessora se alterou. Sua mente retornou àquele dia em que encontrou um exame de gravidez no escritório da cantora. Negativo.

Desde então, tentava tocar no assunto com a amiga, mas era
difícil, devido à correria do trabalho e a gravidade do assunto. Além disso, era visível a barriga de Akeko, então, aquele exame só poderia estar errado...

Mas a data... A data não correspondia com o mês de gravidez da cantora. Aquele exame havia sido feito em janeiro.

Acontece... Alguns exames falham... Não são confiáveis totalmente, mas... Ah, eu não sou médica, mas não consigo mesmo crer que um ultra-som poderia falhar dessa maneira...


- Que delícia!

A exclamação infantil de Akeko após saborear aquela massa recheada com queijo desviou os pensamentos de Mitiko. De jeito nenhum, ela pensou, que alguém que sorria daquela forma poderia inventar uma mentira tão grande como a de estar grávida...


- Está mesmo gostoso! – a assessora concordou.

- Você andava muito quieta esses dias, Mi-chan! Por isso te trouxe para comer do bom e do melhor! Uma boa comida sempre anima a gente, não é verdade?

- E um bom vinho... Ah, mas isso só eu deveria apreciar neste momento, né?

- Não seja chata!

Elas riram. Mitiko permitiu-se desfrutar desse momento tranqüilo com Akeko. Certamente conseguiria uma outra ocasião parar abordar o assunto.


3

- Kanpai!!

Estava cumprido. Finalmente, o debut. Kamenashi levou o copo de cerveja à boca mais uma vez, sorvendo o líquido com um sorriso evidente. A cada gole, sentia todos os seus esforços devidamente recompensados.

Embora fosse visível que ele estivesse amuado, afastado dos integrantes em um canto daquela sala, apenas observando a todos, não poderia dizer que estava aborrecido, de fato. Estava apenas sentindo a fadiga natural que recaí sobre os ombros de qualquer pessoa depois de ver cumprido aquele trabalho árduo que almejava há tempos. Mas se alguém lhe oferecesse uma cama para repousar, ele não trocaria a companhia de seus amigos naquele momento nem pelo colchão mais macio do mundo.

Kazuya sentiu o gosto amargo da cerveja acalmar-lhe todo os músculos do corpo. Estavam no apartamento de Ueda, comemorando o tão sonhado lançamento oficial da banda. Olhou, de soslaio, para a sua esquerda. Observou o sorriso gigante de Jin enquanto conversava com Junno e Nakamaru. Todos estavam contentes, mas Akanishi estava exultante!

Naquele momento, Jin havia cedido lugar à sua personalidade mais irritante, porém, a mais sincera. Deixou a sua infantilidade à tona, gracejando com todos, perturbando. Sem nem ao menos deixar uma conversa ser encerrada por inteiro, mudava de grupo. Ora conversava com Ueda e Junno, ora ouvia o que Maru e Koki discutiam. Até mesmo puxava assunto com Kamenashi,
ainda que fosse algo muito trivial e que deixasse bem claro que não importava se fosse Kazuya ou não, ele apenas não conseguia ficar quieto, em silêncio. E, o principal, não parar de rir.

O caçula compreendia bem seus sentimentos. Afinal, fora Jin o que mais sofreu para proteger a banda nos últimos meses. Era, portanto, justo que ele fosse recompensado e comemorasse com toda alegria. Mas o pequeno duvidava que Jin fosse capaz de guardar uma visão tão marcante dessa festa... Já que ele não era capaz de gravar o seu próprio rosto, que, sem dúvida alguma, para ele, Kamenashi, era o que de melhor representava o que o debut lhe significava.

Enquanto admirava o outro rapaz, subitamente seu coração parou por um segundo. Foi um breve instante, um encontro inesperado de seus olhos, mas esse contato resultou em um largo sorriso em ambos e, com isso, foram capazes de dizer tantas coisas sem proferirem uma única palavra... Conseguimos!

Era o sentimento que triunfava sobre eles naquele instante. E era óbvio que um procurou o outro inconscientemente para dividirem esse fato, assim como em muitas ocasiões anteriores, como no primeiro show, eles buscavam-se para compartilhar apenas entre eles aquela sensação de vitória.

Embora suas bocas estivessem trocando farpas nos últimos dias, seus corpos ainda estavam dialogando perfeitamente. Mais forte que o orgulho que os separavam era aquela atração inexplicável entre eles. Talvez essa atração estivesse adormecida, cansada de ouvir tantas brigas, mas com certeza acabou despertando com aquele clima de festa e também com uma pequena ajuda do álcool ingerido por Jin, que fazia sua determinação em ficar longe de Kazuya diminuir cada vez mais, o obrigando a puxar assuntos imbecis com o mais novo, apenas para estar próximo a ele.

E Kazuya adorava a aproximação do mais velho e isso lhe bastava para deixar o cansaço um pouco de lado e se pôr a conversar, ainda que brevemente, com ele. Esse contato não durava mais que cinco minutos, pois Jin já ia buscar uma nova companhia.

Um desses encontros aconteceu na cozinha. Kamenashi havia ido até lá para pegar mais uma lata de cerveja, sendo seguido pelo mais velho. Também tendo a consciência afetada pela bebida, Kame não pensou no significado de tal atitude. Ainda que estivesse sóbrio, porém, ele teria evitado pensar da mesma forma. Naquele momento, estava farto de pensar. Apenas queria desfrutar a vitória da banda.

- Sério, você devia ver esse filme... É animal! – Jin dizia, sem sequer perceber se estava sendo ouvido ou não.

O barulho da lata sendo aberta interrompeu a conversa (ou monólogo?) por um instante, tempo em que Jin aproveitou para recupera o fôlego e voltar a falar. Ele era assim, falava sem parar, ainda mais se estava falando com a pessoa que ama. Precisava de atenção, precisava sempre de atenção, Pi diria, se estivesse ali.

Embora Jin não calasse a boca, Kamenashi aproveitava mais a comunicação ente seus olhos. Notava que o olhar do mais velho não lhe guardava rancor e isso havia se tornado tão raro nos últimos dois meses, que Kazuya sentia seu peito explodir de alegria. E essas demonstrações amigáveis por parte de Jin fizeram idéias saltar em sua mente.

Talvez, pensou, eles pudessem resgatar a amizade entre eles. Talvez, o período de brigas estivesse chegando ao seu final... Timidamente, ponderou consigo mesmo que talvez o mais velho ainda gostasse dele.

Sentiu sua face esquentar, mas não se preocupou em disfarçar, pois ela já estava rosada devido ao álcool, que também era responsável por aumentar a intensidade de seus desejos.

Kazuya olhou para os lábios em grande movimento de Jin. Notou quando eles se alargaram, em um sorriso, e depois tornaram ao tamanho de antes, estalando um contra o outro, por vezes deixando a sua língua visível.

Kamenashi teve a impressão de que o sangue em sua face estava descendo pelo seu corpo até o seu sexo, que começava a sentir o mesmo calor que as maçãs de seu rosto.

Essa atração, porém, foi subitamente interrompida quando Jin terminou de comentar o filme e, pegando também uma lata na geladeira, afastou-se. O que o mais novo não podia saber era que Jin estava igualmente afetado com esses poucos momentos em que conversavam tranqüilamente.

O mais velho se aproximou de Maru e Koki, tentando acompanhar a conversa entre eles, olhando de um para o outro, sabendo que estava sendo deliberadamente ignorado por ambos, mas não se importou.

Enquanto fingia participar de conversa, fazendo bicos como se surpreendesse com
o que ouvia, por vezes balançando a cabeça em concordância, mas, na verdade, ele estava mais concentrado em observar Kazuya discretamente.

De onde estava, Jin pode ver seu ex-namorado caminhar novamente até o sofá, que parecia ter um imã para o mais novo naquela noite. Ele não se desgrudava daquele canto, próximo ao som, ouvindo a música e observando a todos. Quando Kazuya lhe mirava, Jin voltava a encenar com Koki e Maru, mas quando o pequeno se distraia, Jin sentia seu coração pulsar com mais velocidade quando deixava o olhar cair naquele rosto pálido, naqueles lábios rosados, naquele olhar ingênuo...

Junno se aproximou do caçula e começou a falar algo, que Jin não conseguia escutar, mas não importava. Admirou o sorriso que se formou em Kazuya, ampliando-se logo depois para uma gargalhada. O pequeno bateu com a palma da mão na coxa algumas vezes, divertindo-se muito com o que ouvia. Talvez apenas fingisse, pois Jin duvidava de que o mais alto da banda pudesse realmente estar contando algo tão engraçado assim.

4

Algum tempo depois, Kazuya sentiu sua bexiga implorar por um alívio, depois de tanta cerveja. Discretamente, passou por Ueda e lhe sussurrou que usaria o banheiro, ao que o líder retrucou que o mais novo já conhecia o caminho e não precisava ser tão formal. Kazuya apenas sorriu e se
afastou.

O banheiro que ficava na varanda, depois da cozinha, estava ocupado. Kazuya não teve outra opção que não atravessar o quarto de Ueda e usar a suíte.

Enquanto se aliviava, ergueu a cabeça para o alto e relaxou. Já se sentia ligeiramente embriagado, mas certamente isso seria passageiro. Apesar da agência ter concedido alguns dias para comemorarem o lançamento, sua agenda não estava assim tão livre. Na próxima semana teriam que gravar um especial para o Shounen Club, cujo tema seria o debut. Precisava se poupar, por tanto.

Apertou a descarga e lavou as mãos, notando sua face corada. Por que tinha que ser tão pálido a ponto de seu rosto sempre o denunciar quanto estava bêbado? Isso era um incômodo!

Saiu do banheiro e, para sua surpresa, encontrou Jin deitado na cama do líder. Ao ouvir a porta se abrir o mais velho se levantou e olhou na direção de Kazuya.

- O banheiro de fora estava ocupado... E este também! Isso que dá um monte de pessoas bebendo em um lugar com dois banheiros apenas! – foi a explicação de Jin, embora o mais novo não tivesse feito nenhuma pergunta.

- Acho que dois banheiros é uma quantidade razoável para seis pessoas... O problema é se essas pessoas bebem além da conta!

- Não sou eu que estou vermelho! – Jin ergueu os braços, mostrando-se inocente.

Porcaria! Kamenashi xingou em pensamento, com a mão encostada em uma das faces, constrangido. O outro riu e se levantou, colocando a sua mão sobre a de Kazuya, acariciando seus dedos e sua face.

A cabeça do caçula girou. Não sabia como reagir diante dessa abertura de Jin. O mais velho estaria consciente dos próprios atos? Estaria sendo movido pela bebida? Seria uma recaída passageira e no dia seguinte eles voltariam a se agredir mutuamente?

Contemplou a face de Jin, querendo descobrir algo naquele semblante tranqüilo, que manifestava um leve sorriso e um olhar brilhante. Kazuya não resistiu, quando deu por si, aquelas palavras já tinham saído de sua boca:

- Posso te abraçar?

Jin interrompeu seu gesto e o fitou.

- Essas coisas não se perguntam! – ele disse rapidamente.

- Mas... Eu tenho medo que você fique bravo...

Tal afirmação fez uma leve queimação subir e descer no estômago de Jin. Aquelas palavras, aquele tom de voz delicado, hesitante, aquele olhar inseguro despertava o seu desejo.

- Essas coisas não se perguntam! – ele repetiu, em um tom ameno.

Kazuya baixou o olhar. Jin tinha razão. Sentia-se um tolo por ter dito tais coisas. E sentia-se ainda pior ao se mostrar tão fraco. Como podia se transformar dessa forma diante dele? Não costumava agir assim em seus outros relacionamentos, sempre demonstrava segurança diante de suas namoradas, até mesmo diante de Tsubasa, que tinha uma forte personalidade e era mais velha, mas na frente de Jin era inevitável a sua sinceridade em seus atos.

Talvez porque, no fundo, ele sabia que não precisava se mostrar seguro a Jin. Diferente dos relacionamentos com garotas, Jin não buscava a sua segurança, a sua confiança, mas sim a sua companhia... Afinal, confiança o mais velho tinha de sobra. E isso era tão reconfortante... Poder mostrar seus medos livremente. Pensando por esse ângulo, Kamenashi ponderou que não havia motivo para se sentir mal por ter fraquejado na frente de Jin...

Ele tinha que admitir, porém, que queria muito abraçá-lo, sentir o perfume de seu pescoço, o calor de seu peito... Cobiçava tanto, sentia tamanha vontade, que chegava a doer. Parecia que o tempo em que estiveram longe um do outro, brigados, apenas aumentou a intensidade de seus sentimentos.

Mas não havia volta. Jin já não lhe queria mais.

Cabisbaixo, Kamenashi lhe sorriu entristecido e deu dois passos em direção ao corredor, porém, teve que parar. Aquele peso que caiu em suas costas o impediu de prosseguir. Seus cabelos caíram sobre seu rosto, que se inclinou quando o rosto de Jin afundou-se atrás de sua nuca, aspirando o cheio de xampu em Kazuya.

Tudo ao seu redor pareceu mais quente com os braços de Jin o cercando por inteiro em um abraço sufocante.

- Essas coisas não se perguntam... – ele sussurrou em seu ouvido, pensando em como aquele garoto podia ser tão lento e não perceber qual era a sua intenção de fato. Às vezes, tinha que explicar detalhadamente para Kame: – Apenas se faz...

O mais novo estremeceu quando Jin começou a lhe afagar a nuca com uma das mãos, enquanto a outra lhe segurava com força pelo braço. Com o dedão, ele fazia uma gostosa pressão, massageando-o e o acalmando.

- Conseguimos, né Kazu??

- Conseguimos, Jin! – ele concordou, fechando os olhos, para aproveitar mais aquela intimidade – Arigatou!

Jin sorriu, mas questionou aquele agradecimento.

- Por todos os seus esforços pela banda... E eu não me refiro apenas a Harada... Mas sim por tudo o que tem feito em prol do KAT-TUN... Mesmo que às vezes seja um pouco relapso com os ensaios, sei o quanto você se esforça...

- Podia dizer isso durante suas broncas! – ele protestou, rindo.

- Baka, se é bronca, eu não posso elogiar, posso? Mas, mesmo que eu tenha ficado zangado no momento, nunca achei que o que você fazia fosse pouco para a banda... Apenas, um pouco... Um pouco relaxado, talvez...

-... Isso não era pra ser um elogio?

Kazuya riu baixinho.

- Gomen! É a força do hábito!

Eles ficaram em silêncio, mas Jin não fazia movimento de que fosse soltá-lo, nem Kazuya queria isso. O mais novo fechou os olhos, apreciando cada vez mais aquele abraço, sentindo-se querido e protegido novamente pelo mais velho... Seu coração latejava, contente, talvez tão iludido quanto a sua mente com essa reaproximação de Jin.

Kazuya afastou os pensamentos sobre a atual situação do relacionamento entre eles. Não queria estragar o momento recordando-se de que estavam separados. Apenas queria sentir o toque do mais velho.

Jin, igualmente desejava manter esse contato o máximo que possível. Apertou o braço de Kazuya com mais força, repetidas vezes, como se somente com o tato pudesse crer que o mais novo estava novamente em
seus braços. Não queria pensar em mais nada além deles estarem fisicamente juntos mais uma vez. Não queria acordar para a realidade em que Kazuya seria pai de um filho com Tsubasa.

O mais velho deixou sua mão escorregar pelo peito de Kazuya, descendo levemente até seu umbigo, onde afundou o tecido da camiseta que o outro usava, fazendo-lhe cócegas. Kazuya riu de leve e puxou a mão que estava em sua nuca para se encontrar com a outra que lhe acariciava.

Então, subitamente, Kazuya sentiu as duas mãos de Jin passarem por baixo de sua camiseta, alcançando seus mamilos, atropelando-os, apalpando-os, beliscando-lhe com suavidade... E cada toque daquele rapaz em seu corpo lhe provocava arrepios de desejo.

Jin sorriu quando a cabeça do mais novo se inclinou para trás, repousando em seu ombro, em uma expressão de prazer, deixando seu pescoço ao alcance dos lábios carnudos do mais velho, que não hesitou. Sem interromper os toques com suas mãos, beijou-lhe primeiro o ombro e foi subindo devagar até alcançar a pontinha da orelha, que mordiscou.

E, assim como iniciou, bruscamente as carícias no corpo de Kazuya foram interrompidas, mas por pouco tempo, apenas enquanto Jin fechava a porta e abafava a música que vinha da sala. Em seguida, o mais velho se aproximou e o tomou pelos lábios.

Surpreso com aquele beijo, Kazuya não notou seus próprios movimentos. Ele deixava que Jin lhe empurrasse até a cama, suas pernas não ofereciam resistências e seus pés caminhavam com determinação para trás. Mas o dono não tinha consciência alguma, apenas se concentrava naquela língua
que dançava dentro de sua boca, procurando cada espaço que havia nela, brigando com a proprietária do local, estapeando-a, enrolando-se a ela com vigor.

Kazuya registrou vagamente um formigamento em seu calcanhar direito, quando bateu no pé da cama, e em seguida suas costas se afundaram na cama de Ueda. Não prestou muita atenção nisso, percebia apenas as reações de seu corpo que eram uma resposta aos beijos e toques de Jin.

O mais velho interrompeu o beijo, buscando ar e deixando que o caçula também respirasse, suas mãos, porém, continuavam buscando aquele contato que eles não se permitiam há muito tempo.

Jin ergueu a camiseta dele até a altura do peito, deslizando seus lábios por toda aquela região desnuda. Kazuya deleitou-se com os lábios quentes molhando sua pele e afundou suas mãos nos cabelos de Jin, bagunçando-os e os puxando-o de volta para cima, queria seu beijo, queria
sentir sua língua mais uma vez... Estava sentindo tanto a sua falta!

Alcançando o rosto de Jin, Kamenashi foi quem lhe invadiu a boca desta vez. Mordeu o lábio inferior do mais velho lentamente, sugando-o de vez em quando, para só depois penetrar com sua língua.

Havia tanta volúpia naquele beijo, que a consciência de Jin não pode resistir. Suas mãos se moveram dominadas pelo tesão que dominava o seu corpo, apertando Kazuya com mais malícia, escorregando para o vão entre as pernas do pequeno, que sentiu um pouco de medo com aquele aperto
em seu sexo, e esse medo aumentou quando Jin deslizou o toque para a costura da calça na parte detrás, levantando um pouco o quadril do rapaz.

Era, porém, um medo agradável. Aquela sensação subia e descia pelo estômago de Kazuya, não era realmente medo, talvez apreensão diante daquilo que lhe era tão desconhecido...

Jin aumentou o ritmo de suas mãos e ouviu um suspiro de Kazuya, o que aumentou o seu apetite. Voltou a tomar a boca do garoto, enquanto sua mão subia novamente para a cintura dele, começando a desabotoar sua calça. Abaixou o zíper e deixou seus dedos procurarem pelo grande prêmio...

O baixo-ventre de Kazuya ardeu quando sentiu a ponta dos dedos indicador e médio se aproximarem cada vez mais de seu sexo. Pouco a pouco, Jin o acariciava, massageando-o, esfregando o quanto o jeans lhe permitia se movimentar.

Kazuya tentava abafar sua voz mordendo seus lábios quando sentia seu membro roçar o tecido áspero ao mesmo tempo em que sentia a mão macia do mais velho. Já não agüentava mais duas sensações diferentes daquela forma. Segurou o pulso de Jin e o puxou, mas, ao perceber que com isso o rapaz soltava o seu membro, largou o pulso e encostou sua mão a de Jin.

O mais velho sorriu de leve e se fez de desentendido:

- O que você quer? – sussurrou por cima de seus lábios.

Kazuya, de olhos fechados, disse agoniado:

- Não me faça pedir... – ele riu.

- Mas se você não disser, eu não vou saber!

- Baka! Se você me fizer dizer isso, eu... Ahhh...Jin! – ele não pode completar a ameaça, pois seu membro sofreu um apertão mais forte. – Jin...

Ouvir seu nome com aquele tom de súplica fez o mais velho se sentir realizado. Deixou de judiá-lo e estava retirando seu sexo para fora do jeans, porém...

A maçaneta da porta girou e o dono da casa entrou. Jin estancou, com a mão ainda por dentro da calça do caçula, mas interrompeu seus movimentos. Kamenashi ergueu a cabeça para protestar e então sentiu seu coração querer sair pela sua garganta e pouco a pouco a vermelhidão dominar seu rosto. Arregalou os olhos para Ueda, o qual mantinha seu rosto
inexpressivo, como sempre.

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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sex Abr 02, 2010 9:31 pm

5

A vergonha que sentia era indescritível. Quando Jin retirou sua mão, Kazuya levou alguns segundos até conseguir se recompor e pensava o quanto era humilhante, naquela situação, fechar o zíper e o botão de sua calça na frente do mais velho do KAT-TUN.

Por que tinha que ser justo Ueda a flagrá-los naquele momento íntimo? Se fosse Koki, possivelmente já estaria caçoando deles. Se fosse Maru, estaria bronqueando, se fosse Junno, certamente estaria falando sem parar igualmente constrangido. Sendo Ueda, porém, aquele silêncio torturante imperava entre o trio. Nem mesmo Bakanishi foi capaz de dizer alguma coisa... Apenas mantinha o rosto baixo, enquanto ria de leve...

Ele estava rindo! Aquele cretino! Pensava Kamenashi... Como alguém poderia rir em uma situação como esta?

- Eu só espero...

A voz de Ueda fez Kamenashi congelar os xingamentos que estavam em sua cabeça. Provavelmente o mais velho estava se preparando para brigar. Kazuya já previa uma nova crise na banda e por isso fechou os olhos, mas se surpreendeu com o que ouviu.

- Que isso signifique que vocês vão parar de brigar!

Jin e Kazuya ergueram os olhos para o mais velho ao mesmo tempo. Ueda sorria de canto.

- Eu não quero que meu lençol tenha sido lambuzado à toa, afinal de contas!

Se é que era possível, as bochechas de Kame ficaram ainda mais vermelhas, enquanto Akanishi explodia na gargalhada. Aquilo era totalmente imprevisível, afinal... Ueda, fazendo uma piada em uma situação como essa?

Ueda riu de leve, mas em seguida ergueu a cabeça, encostando-a na parede. Suspirou, cansado.

- Então eu estava certo... Vocês terminaram o namoro... Era por isso que andavam tão sensíveis e irritados?

- Você suspeitava? – indagou Kamenashi, baixinho, totalmente consumido pela vergonha.

- Sim.

- Desde quando?

- Desde Gokusen.

- Mas a gente não namorava ainda! – protestou Kame.

- Mas era visível o quanto Jin estava apaixonado!

E, desta vez, foi Akanishi quem ficou vermelho.

- Não diga besteiras!

- Certo, certo... Não vá se irritar só por causa disso. Aliás, vocês não me responderam... Eu realmente espero que a minha cama e o meu quarto não tenham sido usados dessa forma depravada à toa! – e ele voltou a rir.

- Ora, ele está rindo demais da nossa cara, não é, Kazu?

- Sim! Poderia parar, Ta-chan?

- Não! – respondeu Ueda – Kame, você precisa ver a sua cara!

- Não, obrigado! Para fazer você brincar tanto é porque eu realmente estou muito engraçado! – Kazuya tentou sentar com as pernas cruzadas, porém notou uma certa resistência e, ao olhar para o meio de suas pernas, notou que, apesar do clima, ainda estava excitado – Merda!

Ele se arrependeu por ter xingado com a voz alta, pois apenas atraiu os olhares dos outros dois. Olhando para todos os lugares menos para os rostos de Jin e Tatsuya, Kamenashi alcançou o travesseiro e o colocou em seu colo, fazendo Jin gargalhar e Ueda protestar:

- Ei, eu durmo com esse travesseiro! Ótimo, mais uma peça para ir para a lavanderia... Acho que terei que dormir na sala esta noite!

6

- Obrigado! – Kamenashi agradeceu pela toalha que
Ueda havia lhe emprestado, ainda que fosse constrangedor ser obrigado a tomar um banho gelado por tais motivos – Jin?

- Ele desceu para fumar!

- Porque não fumou na varanda? – ele indagou, arrumando seus cabelos úmidos na frente do armário de roupas, que tinha um espelho na porta.

- Ele disse que queria olhar a movimentação da rua.

- Ah, é? Né, Ta-chan?

- Nani?

- Desculpe por usar seu quarto dessa forma...

- Vamos fingir que isto não aconteceu... Aliás, pelo seu estado, nada chegou a acontecer de fato, né? Desculpe interromper!

Kamenashi lançou a escova de cabelo contra o líder, que apenas jogou o ombro para o lado para se esquivar e riu. O objeto caiu na cama e ali permaneceu, parecendo quebrar o clima descontraído entre eles. Ueda tornou a perguntar:

- Vocês estão bem agora?

- Eu me pergunto... – foi a resposta de Kazuya, enquanto inclinava o rosto para um lado, pensativo – Nós não conversamos sobre isso... Aliás, nós não conversarmos... Bem... Sabe... Eu estava saindo do banheiro e...

Ueda baixou o rosto e riu. Em seguida abanou a mão.

- Não precisa se explicar!

Kazuya suspirou aliviado, pois a vergonha estava novamente o atacando.

- Então você devia ir lá conversar com ele agora! – sugeriu Ueda, mas diante do olhar temeroso do caçula, ergueu-se e levantou até ele, repousando uma mão em seu ombro, para confortá-lo. – Vamos, eu sou testemunha de que ele ainda te ama!

- Você foi testemunha de que ele ainda tem atração física por mim! – e lá se vai a cor vermelha dominar seu rosto novamente. Kazuya deu-lhe as costas, para que pudesse esconder pelo menos esta demonstração da sua timidez.

- Bem, isso é... – Ueda concordou calmamente - Mas já é alguma coisa, não? Vamos lá, Kazuya... Não sei porque vocês brigaram, mas é óbvio que quem está mais irritado é o Jin! Ele é cabeça dura e temperamental, então terá que partir de você a iniciativa para reatarem... Aliás, é o que você quer, não é? Voltar para o Jin?

Kazuya não pôde responder, apesar da resposta ser muito clara para si. Queria Jin, queria voltar para ele, mas não podia... Akeko estava grávida de um filho seu e não permitia que ele assumisse a responsabilidade se não fosse seu marido. Como poderia dizer a Jin que queria voltar a ser seu namorado?

Ele foi tirado de seus pensamentos quando a mão pesada de Ueda desceu em sua cabeça, com um tapa razoável.

- Itteee! – ele protestou.

- Pare de pensar! Você já pensou demais sobre isso, aposto... Vai lá e abre o jogo de uma vez por todas com ele! Diga o que sente e eu tenho certeza de que, se não chegarem a um acordo, ao menos as brigas serão encerradas!

Ueda tinha razão. Tinha que ao menos parar de brigar com Jin antes que isso prejudicasse a banda de alguma forma. Respirou fundo, procurando resgatar as lembranças de minutos atrás, tentando encontrar um pouco de incentivo nos desejos de Jin para ir até ele e declarar seus sentimentos.

Ueda empurrou o pequeno até a porta e em seguida até a sala. Dali, ele viu o caçula abrir a porta do apartamento e sair. Os outros membros do KAT-TUN, já bêbados, sequer notaram aquela movimentação. Ueda se uniu a eles e pegou mais uma lata de cerveja.

7

Na frente do prédio de Ueda, ele encostou-se ao portão e sacou o seu maço de cigarros, pegando um. Repousou a droga entre seus lábios, enquanto suas mãos buscavam pelo isqueiro que deveria estar em algum de
seus bolsos. Quando o alcançou, acendeu a droga e voltou a guardá-lo, em outro bolso, fazendo uma pequena nota mental de que não devia usar roupas com tantos bolsos.

Já estavam se aproximando da primavera. A noite estava agradável, uma suave brisa batia em seu rosto, bagunçando seus cabelos e retirando o calor que Kazuya havia provocado dentro de si. Reviveu os beijos trocados há pouco com o mais novo em sua mente. Sorriu e o cigarro escorregou para o canto de sua boca.

Ao se dar conta da época em que estava, quase adentrando abril, a imagem de Kame foi afastada e ele se lembrou amargamente que seu martírio completaria um ano. No ano passado, alguns dias mais a frente, ele estava sentado na sala de Harada, ouvindo as suas sandices pela primeira
vez.

Jin tragou com força, sem perceber o que fazia. Sentiu a nicotina acumular-se em sua boca e prendeu a respiração. Sentiu a fumaça circulando dentro de si e em seguida a expeliu. Não devia se recordar dessas coisas, ele repreendeu a si mesmo. Acabou. Definitivamente, acabou.

Jin levou o cigarro à boca mais uma vez, porém paralisou quando seus olhos alcançaram aquele vulto do outro lado da rua. Um arrepio surgiu em sua nuca, percorrendo sua face, descendo por suas pernas, eriçando seus pelos e mantendo sua boca, seca, entreaberta com o medo que o dominou ao reconhecer a fisionomia de Harada o encarando.

Queria sair dali o quanto antes, fugir, mas suas pernas não reagiam. Pareciam grudadas ao solo, assim como a mão que segurava o cigarro. Seus olhos tremeram levemente, aflito, mas não permitia sequer piscar.

Não pode ser...

Naquele momento, ele não conseguia ser racional
devido o impacto daquela surpresa. Ele não conseguia lembrar que agora não precisava se render ao homem, que poderia reagir, que em um duelo corpo a corpo aquele homem de meia idade certamente levaria a pior, uma vez que Jin era jovem e possuía sua força com todo o frescor da sua idade. Ele não pensou que, embora estivessem em uma rua isolada, ainda assim era um local público. Se não fosse capaz de se defender sozinho daquele agressor, certamente alguém escutaria a discussão. Além disso, sequer lembrou que seus amigos estavam no prédio atrás de si.

Não pensou em nada disso, sua mente estava anuviada pelos medos, pelas recordações dos toques daquele homem em seu corpo, pelas ameaças que podia jurar que ouvia claramente agora, neste momento.

Um caminhão de mobílias cruzou a rua, parando no farol vermelho e interrompendo o contato visual entre o caçador e sua presa. Jin engoliu em seco, sentindo seu medo transformar-se em pânico. Pior do que vê-lo assim, de supetão, era perdê-lo de vista...

Não percebeu quando começou a tremer. Olhava para todas as direções, perguntando-se por qual delas ele viria abordá-lo. Se é que ele tinha a intenção de se aproximar, o alertou uma pequena parte racional da sua mente que lutava bravamente contra o terror que sentia.

Um toque, por trás, em seu ombro, que resvalou em sua clavícula, foi o suficiente para fazer Jin se afastar abruptamente e gritar, desesperado com aquele toque de Harada em sua região mais sensível. A sua reação assustou igualmente o dono daquela mão, que, ele descobriu depois, não era o seu algoz.

Kamenashi, recompondo-se antes de Jin, viu, com aflição, os olhos alargados do mais velho transbordando pavor e notou que a face dele estava um pouco mais clara. Não entendia o motivo de tamanho susto. Por mais que o outro estivesse distraído e não o ouviu se aproximar, ainda assim, aquela atitude havia sido totalmente desesperada.

Ele teve certeza de que havia algo errado quando Jin, sem dizer qualquer coisa, olhou para trás. Àquela altura, o caminhão já tinha se afastado e o mais velho pode constatar que não havia mais ninguém do outro lado da calçada. Ainda assim, olhou para a esquerda e em seguida para a direita, certificando-se de que não havia mais ninguém na rua além de Kamenashi
e ele.

Com seu batimento cardíaco retornando ao compasso normal, ele tornou a olhar para o mais novo. Não tinha qualquer disposição para brigar pelo susto que Kame lhe deu. Na verdade, estava muito aliviado que era justamente o pequeno quem estava ali ao seu lado.

- Jin... Tudo bem?

Incerto, ele fez que sim com a cabeça, mas não proferiu essa resposta em voz alta.

- Você tem certeza?

Novamente, ele apenas acenou. Sentia que não era dono da sua própria língua, certamente gaguejaria se tentasse falar agora. Precisava de mais um tempo para se recompor. Sua cabeça estava fervilhando, tentando entender o que tinha se passado, se era de fato Harada, se não era... Caso fosse, como teria desaparecido dessa forma? E o que estava fazendo no Japão? Como conseguiu voltar sem que a Johnnys tomasse conhecimento?

Essas perguntas controlavam sua mente, enquanto seu corpo ainda sentia vestígios daquele susto. Jin mal ouvia as perguntas de Kamenashi.

- E por isso, ver você assim...

Jin finalmente percebeu que não prestava atenção ao menor. Conseguindo um mínimo de domínio de si mesmo, pediu para Kame repetir a pergunta.

- Faz muito tempo que você saiu... Ueda disse que veio fumar aqui fora, mas, você parece abalado... Aconteceu alguma coisa? Por que você está tão assustado? Você está bem mesmo? Você... Está bravo por ter me beijado?

A respiração acelerada de Jin o impedia de responder a tantas perguntas de uma só vez. Fez uma careta, tentando controlar a respiração. Fechou os olhos, sem sequer processar o tom triste na última pergunta do caçula.

- Harada...

O sussurro foi tão fraco que Kamenashi, por um instante, torceu para que tivesse escutado mal. Porém, Jin confirmou que era exatamente esse nome que proferiu.

- Eu pensei tê-lo visto.

- Harada? Aqui?? Aonde?? – ele perguntou, aproximando-se mais do mais velho e olhando ao redor – Tem certeza?

- Certeza? Não, está escuro e ele estava usando uma touca preta, mas... Eu realmente... Eu... Senti medo... – confessou e tentou rir de si mesmo, tentando aliviar seus sentimentos e deixar a conversa menos tensa.

Kamenashi, porém, não compartilhou do seu medo ou da sua risada. Pondo-se nas pontas dos pés, entrelaçou seus braços atrás da nuca de Jin e trouxe o rosto do mais velho de encontro ao seu. Esfregou as costas de Jin, com carinho, notando o rapaz ainda trêmulo.

- Está tudo bem agora... – a voz de Kamenashi era suave e lenta ao pé do ouvido de Jin, que se sentiu mais confortável em ouvi-lo tão próximo - Ele não pode mais te alcançar!

Já não tinha ânimo para se esquivar daquele carinho. No momento, aquele abraço era precisamente o que o mais velho desejava. O calor do corpo do pequeno, grudado ao seu, protegendo-o, rapidamente o acalmou.

- Vamos para casa, Jin... – ele sussurrou em seu ouvido.

O mais velho concordou e se deixou guiar por Kamenashi. Eles andaram até um ponto de táxi próximo e o mais novo passou o endereço ao motorista. Seguiram o caminho em silêncio, mas para Jin bastava a presença do outro ao seu lado.

Aos poucos, o medo foi substituído pela vergonha. Indagava-se como podia se abalar tão facilmente com um mero encontro. E, o que era pior, ele nem tinha certeza se era o ex-assessor ou não. Apenas a suspeita bastou para que ele se afligisse desse modo.

Isso não pode continuar assim. Pensava. Tenho que me livrar desse trauma...

8

Olhou para a fumaça que subia daquela xícara estendida a sua frente, deixando seu olhar levemente vesgo. Kamenashi, observando aquele rosto por cima, em pé diante de Jin na cozinha, não pode deixar de sorrir com tal imagem.

- Arigatou.

Estavam em sua casa, mas o pequeno, como sempre, agia com muita intimidade naquele lugar. Jin pensava que Kazuya realmente combinava com a sua cozinha. Ele deveria viver naquele cômodo para sempre!

- Aposto que era alguém parecido. – disse Kazuya com determinação, afastando as divagações do outro, sentando-se na cadeira ao seu lado. – Mas, mesmo assim, você precisa contar isso para a diretoria! Se Harada ainda estiver no país, com certeza a Johnnys saberá e tomará providências! Fique tranqüilo!

Jin sorriu e fez que sim. Não estava com disposição para falar, mas não queria ficar sozinho. Por isso comentou, ressentido:

- Eu precisava ver isso logo hoje? – respirou fundo – Justo quando comemorávamos o debut? Parece até piada... Aliás, isso só torna ainda mais forte a suspeita de que seja ele mesmo! Só aquele sádico para fazer uma visitinha em uma data como hoje! – interrompeu o que dizia para tomar
aquele líquido quente.

Kazuya repousou a sua xícara na mesa e se levantou, indo para trás de Jin. Pôs suas mãos em seu ombro e começou a massageá-lo. Jin tentava mostrar-se menos abalado, mas seus músculos ainda estavam tensos.

- Não fique assim... Mesmo que seja Harada, lembre-se de que agora o KAT-TUN sabe quem ele é de verdade... Agora ele não te enfrentará sozinho, Jin... Embora eu continue achando uma estupidez se ele pensa mesmo em se aproximar de novo de você! Ele trabalhou anos na Johnnys e
foi por consideração a isso que não pegaram tão pesado... Ele seria um idiota se jogasse a chance dele em viver em paz com sua família em outro país!

- Mas ele é louco! – argumentou, fechando os olhos para aproveitar aquela massagem – Loucos não pensam com lógica...

Kame suspirou cansado.

- Por que você não aceita meus argumentos e fica quieto? – falou com bom humor.

- Hai, gomen! – devolveu no mesmo tom.

- Eu estou brincando, Jin, mas tente não pensar mais nisso... Ok? Vou ajeitar a cama para você e ligar para Ueda para avisarmos que fomos embora!

Jin o observou se afastar e, uma vez sozinho, agradeceu mentalmente ao mais novo por estar ali com ele e decidiu tirar a imagem de Harada de sua cabeça. Jin levou as xícaras até a pia e as lavou, em seguida foi para o quarto, onde viu sua cama preparada e o mais novo sentado na ponta, falando no celular.

- Desculpe a saída repentina! Depois explico... Não é nada disso! – e a face do caçula ficou rosada, algo que Jin estranhou. – Até mais, Ta-chan!

O dono do apartamento sentou atrás do mais novo.

- O que ele disse?

- Ainda estava caçoando de mim. – reclamou – Espero que ele não conte para os outros...

- Ueda? Pode ter certeza de que ele levará isso para o túmulo!

Kame desejava sinceramente que sim.

- Vou colocar meu pijama... – comentou Jin, apenas para quebrar o silêncio.

- Ah, sim! Eu vou indo então... Tente dormir, ok?

- Não falei isso para te expulsar! Apenas quero colocar uma roupa mais confortável... Porque você não se troca também?

- Hã?

- Dorme aqui hoje, Kazu...

- Jin...

- Não me deixe sozinho hoje...

Diante de tal pedido, Kazuya fez que sim e aceitou o moletom e a camisa de algodão de Jin e foi se trocar no banheiro.

No quarto, Jin retirou seu jeans e sua camisa, depositando ambas as peças no cesto de roupas e se vestiu com roupas mais confortáveis. Subiu em sua cama, notando que o relógio de sua cabeceira marcava mais de três horas da manhã. Ao se dar conta do horário, seus músculos protestaram. Seu corpo, cansado, queria dormir, mas Jin sabia que sua mente não deixaria. Ele contentou-se em deitar, com os braços atrás da cabeça, esperando o caçula.

Poucos minutos depois, Kamenashi estava sentado na beirada da cama, em posição de índio. Jin engatinhou até ele, parando a poucos centímetros de sua boca.

- Jin...

Sem dizer nada, ele começou a depositar pequenos beijos naquela face que ele sentia tanta falta. Aspirou o perfume no pescoço de Kazuya, que fechou os olhos ao sentir a sua respiração, e alcançou a ponta da orelha, mordendo-a algumas vezes. Por fim, envolveu todo o corpo do caçula em um abraço terno.

- Sinto sua falta...

- Eu também...

Então Jin o puxou violentamente para a cabeceira da cama, deitando-o e ficando por cima de seu corpo. Alcançou a luz do abajur e a desligou. Na escuridão, procurou a boca de Kamenashi, mas errou o alvo e beijou o seu nariz, provocando risos em seu amante. Ele mesmo não conteve a risada.

Cansado demais para continuar aquele clima, Jin se jogou para o lado, mas ficou próximo o suficiente para encaixar seu rosto no espaço do travesseiro entre a cabeçoa e o ombro de Kame. Encontrou a mão do rapaz e a segurou firme.

- Ainda estou com medo, Kazuya... – ele sussurrou.

- Eu estou com você, Jin...

- Mas apenas hoje, não é?

- Eu queria... Estar sempre com você... – ele desabafou.

- Mas não vai...


- Não posso.

- Por causa de Tsubasa?

- É... Me perdoa, Jin...

- Não posso. – ele devolveu, amargurado.

O coração de Kamenashi se apertou.

- Eu também estou com medo, Jin...

Jin ficou curioso, mas esperou que o próprio terminasse o seu desabafo. Kazuya, então, lhe narrou as conversas com Akeko.

- Eu tenho medo que ela possa sumir com meu filho... Ela disse que era esse o seu plano... E sempre dá a entender que a única maneira de eu ver a criança é o casamento!

Jin estava boquiaberto com a ousadia daquela mulher. Não em dizer que sumiria do mapa com um filho – embora isso fosse bastante chocante também – mas principalmente por ter calculado friamente a concepção de uma vida...

“- Vocês foram ingênuos demais... Acreditar que um romance homo poderia ter um final feliz... Não se preocupe, Akanishi-san, eu com certeza cuidarei bem do Kazuya”.

Estava cada vez mais confuso em relação a Tsubasa. Que mulher era ela, afinal de contas? Como poderia chantagear Kazuya dessa forma? E como esse tonto não percebia que era uma chantagem? Perguntava-se Jin, pois estava claro que o pequeno não tinha nenhum rancor contra a mulher. Se fosse ele, se uma mulher lhe ameaçasse sumir com um filho seu, ele explodiria de raiva...

Jin comentou isso com Kazuya, que lhe explicou que não tinha o direito de se irritar com Akeko, pois foi ele quem deu falsas esperanças a ela.

- Do que você está falando, Kazu? Relacionamentos começam e terminam... Você foi mais que honesto com ela, terminando por estar se envolvendo com outra pessoa! Não tem porque pensar que não tem o direito de se zangar...

- Não é bem assim, Jin... Eu a feri e agora estou apenas abrindo mais a ferida...

Ficaram em silêncio. Jin percebeu, finalmente, o sofrimento do mais novo. Procurou encontrar uma saída para resolver aquele impasse, mas a única coisa que conseguir pensar foi exigir a guarda na justiça.

- Kazu... Se você entrar na Justiça, você consegue a guarda da criança!

- Você quer dizer, se a Johnny entrar na Justiça, não é?

- Que seja...

- Jin, eu não quero uma guerra judiciária com a Akeko... – ele suspirou – Quero um acordo!

- E se ela bater o pé?

Jin observou o silêncio do mais novo mais uma vez, que modificou a posição, dando as costas para Jin para poder abraçar os próprios joelhos, em posição de feto. O mais velho entendeu essa resposta. Controlando a dor que sentia, afagou a cabeça do mais novo...

Era óbvio que não poderia ser mais importante que um filho. Ele mesmo faria a mesma escolha, se fosse ao contrário, não poderia, portanto, culpar Kazuya em querer ficar com a criança.

- Né, Kazu??

- Un?

- Se continuarmos amigos... Ninguém poderá nos separar, não é? – disse, exibindo um sorriso triste que Kazuya não podia enxergar.

- Você quer voltar a ser meu amigo? Você me perdoou? – perguntou esperançoso.

- Não te perdoei e jamais vou fazer isso. – foi a resposta cruel – Mas eu cansei de brigar com você e quero me certificar de que você fará o correto com essa criança...

Kazuya não entendeu nada das palavras de Jin, mas antes que pudesse perguntar, o rapaz continuou a dizer mais besteiras:

- Posso ser o padrinho?

- Baka! – ele não agüentou mais segurar o choro.

Jin abraçou aquele corpo trêmulo e lhe beijou a nuca. Agora, mais do que antes, sabia que não conseguiria dormir... Pois não podia perder este último momento de intimidade com o seu pequeno. Abraçou-o com força.




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sex Abr 02, 2010 9:48 pm

hm negativo é? ué mas a data nao bate? o q ta acontecendo? gravidez psicologica?
aii nao sei oq q pensar
e essa mulher realmne tehein bem calculista
q boazinha q nda hein
hsahshahshas justo Ueda pega os 2 hahaha
Ueda as vzs surpreende né rs
xii Harada voltou msm? ou oq ?
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Dom Abr 04, 2010 10:46 pm

Eu tenha essa imagem de que não dá para prever o Ueda hehehe
Sobre a Akeko, a cada capítulo dá para conhecê-la melhor ^.~


Ahhh... No próximo, o Koyama aparece o/*... Arigatou por ter permanecido firme na leitura XD!

Beijosss




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Dom Abr 04, 2010 11:26 pm

Choque

1

Kirisawa segurou o cheque com seu salário e os direitos adquiridos pelo tempo de trabalho naquela agência. Olhou para o senhor que cuidava do setor de Recursos Humanos, o qual mantinha uma expressão neutra, sem demonstrar qualquer rancor ou piedade naquele momento. Ele devia estar acostumado a despedir inúmeros funcionários, pensou Kirisawa.

- Bem, obrigado por tudo até agora, Sakamoto-san. Arigatou.

Ele se levantou e saiu da sala. Caminhou tranqüilamente até a sua sala, aonde sua secretária chorosa veio lhe dizer o quanto sentiria sua falta. Ela o ajudou a empacotar seus pertences e então o deixou em paz.

Sem o choro da mulher para atrapalhar seus pensamentos, Kirisawa se acalmou e pôs a se refletir friamente. Havia sido demitido com uma justificativa qualquer, ele nem se recordava o que Sakamoto havia alegado, não importava, ele sabia o real motivo.

Duas noites atrás, o telefonema de Harada o surpreendeu. Aquele homem era corajoso em voltar para o Japão depois de tudo.

- Escute aqui, Kirisawa! Desde o começo, você nunca teve um coração compatível ao meu filho, não é seu sacana! Você me usou para entrar na Johnnys, me usou para abusar de Akanishi e no fim... Foi tudo em vão!

- Ora, Harada! Não me culpe, eu não sou médico, eu admito que não entendo nada sobre esse assunto, mas acreditava que o coração fosse compatível!

- VOCÊ MATOU MEU FILHO!!

- Ora, meu querido, acalme-se!

- EU VOU ACABAR COM VOCÊ!! Eu não sei o objetivo de toda essa loucura, mas te juro que me vingarei por Hideki!

Harada escutou o suspiro irônico do outro lado da ligação, o que o deixou ainda mais nervoso.

- Harada, Harada... Não interfira em meu caminho... Eu vou colocar um fim nessa história de uma vez por todas... E você, meu caro, devia fazer o mesmo!

- O que... O que você pensa que vai fazer??

- Ah, Harada... Você está focando seu ódio na pessoa errada... O culpado de tudo isso o que nos aconteceu, é apenas Akanishi Jin... Se não fosse por ele, eu nunca teria entrado em contato com você! Harada... Vamos colocar um fim nisso, ok?

Harada estava no Japão e a Johnny já estava a par. Kirisawa soube que todos os funcionários que se relacionaram com aquele homem além do exigido pelo trabalho foram afastados da empresa em suspensão, férias antecipadas ou demissão, como no seu caso.

Balançou os ombros. Isso não afetaria em nada seus planos, ele percebeu, já mais calmo e repassando seus próximos passos mentalmente.

2

- Eu não sei o que é pior... Jin e Kazuya quase se batendo todos os dias ou os dois com essa cara de enterro! – comentou Maru para Koki.

O quarteto do KAT-TUN observava as iniciais do grupo repassando suas partes no Shounen Club que gravariam em seguida, afastados dos outros Johnnys. Ueda e Junno estavam entretidos com os rapazes do News, cujo líder também se encontrava isolado de todos, em um canto, ensaiando a canção daquele programa.

O rapper sacudiu os ombros, concentrado no assunto, mas observando os garotos do Kanjani 8 bagunçando em cima do palco. Suspirou e voltou a olhar para seu companheiro de banda. Era uma escolha difícil.

- Eles estão assim desde a semana passada, depois da festa no apartamento do Ta-chan... Eles sumiram... O que será que aconteceu entre eles? – questionou Koki – Será que tem a ver com o Harada? Alguma coisa que eles não contaram? – ele se afligiu com a própria hipótese.

- Não... Eu acho que desta vez o Jin contaria tudo sobre esse maldito... É alguma outra coisa, só entre eles!

- Bom, fiquemos com o saldo positivo então... Pelo menos, eles estão se falando amigavelmente! Isso é um passo para eles se acertarem de vez!

- Ahhh... Por que isso tem que estar acontecendo logo agora que fomos lançados, hein? Por que simplesmente as coisas boas não podem acontecer sem nenhuma outra preocupação?

- Porque essa é a graça da vida, meu amigo! – Koki disse isso com um ar sério e com a mão em um ombro de Maru.

- Não banque o filósofo pra cima de mim! – ele riu e estapeou o outro na cabeça.

3

Yamapi notou o olhar perdido de Jin para um canto do camarim do News. Depois de horas de gravações, um pouco de bagunça no vestiário e nos camarins dos artistas, finalmente eles conseguiram se esquivar de todo agitado e se fecharam a sós naquele aposento, onde Akanishi despejou os últimos acontecimentos para Pi, finalmente lhe revelando o motivo da briga com Kamenashi.

- Minha cabeça está rodando com tantas informações. – ele comentou – Kamenashi... Pai? Isso é algo surpreendente... E ainda com Tsubasa Akeko? Quem diria! Ao menos é uma mulher que a mídia gosta, provavelmente será bem aceita pela imprensa... Só não digo o mesmo pelas fãs porque imagino que elas não aceitarão uma mulher mais velha!

- Obrigado por ter tanta consideração pelos meus sentimentos enquanto já imagina o casamento deles! – ironizou Jin, sentado ao seu lado no sofá.

- Não se zangue, eu só estava refletindo!

- Além disso... Tsubasa... Tem algo que não me agrada nela!

- Sim, ela está com um filho do Kazuya no ventre! Isso se chama ciúmes!

- Baka! – Jin o atingiu com um tapa na nuca – Óbvio que eu tenho ciúmes, mas não é isso... Somente!

- E o que é, então? – perguntou, enquanto esfregava a região de sua cabeça que foi atingida pelo outro.

- Várias coisas... Bobagens, mas que vem me incomodando... Escuta, Pi... A primeira vez em que eu a encontrei face a face, foi naquele restaurante que o Harada marcou um almoço pra gente! Ele queria que eu entregasse um dvd para ela, lembra?

- Sim... Lembro sim! Um dvd com o Kamenashi e Tsubasa trans...

- Hai, hai, esse mesmo! – cortando-o para que não entrasse em detalhes desnecessários.

- Ah! Jin, é verdade mesmo que você viu Harada? – Yamapi perguntou com evidente preocupação.

Jin tratou de tranqüilizá-lo, afirmando que não tinha certeza, mas que a empresa já estava tomando providências.

- Eu sei... Kirisawa foi mandado embora por isso!

- Por que?

- Parece que eles eram bem amigos... Almoçavam sempre juntos em um restaurante aqui perto! – ele comentou – E a Johnnys afastou todos que tinham um contato maior com Harada... Mas enfim, voltando a Tsubasa...

- Ah, é! Bem, a primeira vez em que eu vi... Ela lançou um olhar meio estranho para mim!

- Eu também olharia de modo estranho para o jovem atrevido que ama meu namorado!

- Baka, não era somente por isso... Eu admito que também pensei que fosse isso na época, mas escuta... Kamenashi me contou que Tsubasa admitiu a ele que foi no apartamento para engravidar de propósito naquele dia.

- Hum... Que mulher calculista...

- Não é? Nesse dia que ela contou isso ao Kame, eu a encontrei mais cedo, foi aqui na agência que eles conversaram... Nós subimos juntos no elevador e ela me disse claramente que um relacionamento homossexual não tinha como ter um final feliz! E ainda que ela cuidaria bem do Kazuya!

- Estou surpreso, ela parece tão delicada... – Yamapi inclinou o rosto para o lado, tentando imaginar uma mulher como Tsubasa sendo tão cruel e direta.

- Além disso, ela está ameaçando o Kamenashi!

- Ameaçando?

- Aquele lenta tartaruga não percebe que é uma chantagem, porque ele acha que a feriu demais, ele se sente culpado... Mas aquela mulher diz que não vai aceitar um pai para a criança se não for um compromisso por inteiro!

-...Casamento?

- Isso! E ainda fica jogando indiretas de que vai sumir com o filho!

- Mas Kamenashi tem seus direitos! E se ela sumir com a criança, ela perde a guarda... Ela não deve ser inocente a ponto de achar que pode escapar de duas agências! Por que ela não pode romper seu compromisso com a agência em que trabalha dessa forma... E a agência em que Tsubasa trabalha tem muita influência também! Na verdade... Se for para a Justiça,
certeza de que Tsubasa seria massacrada!


- Eu também acho isso, mas o Kame não quer brigar com ela... Resumindo, eu serei o padrinho da criança!

- EHHH??

Jin não pode deixar de rir da expressão incrédula de Pi, que logo o xingou por ficar brincando com esse tipo de coisa, mas também riu. Ambos pensavam como era bom esse momento em que conseguiam ficar a sós... Somente na presença um do outro eles conseguiam ser sincero e falar sobre seus problemas de forma tão livre. Era uma pena que essas cenas estavam diminuindo cada vez mais devido o aumento de trabalho de cada um.

- É... Ficarei longe mais um pouco... – disse Pi, de repente, fazendo Jin lhe olhar com cara de cão abandonado – Não me olhe desse jeito! Não há o que se fazer... Vou trabalhar com a Maki-chan novamente!

- Horikita Maki? Não vá me dizer que se apaixonou por ela?? – caçoou.

- Baka! Não sou eu que faço a escala das novelas! Mas é uma atriz agradável de se trabalhar! Ela é esforçada e tem talento!

- Hum... – Jin lhe sorriu com malícia – E qual é o novo projeto?

- Kurosagi!

E eles ainda ficaram um tempo no camarim. Yamapi se empolgou em contar sobre a nova novela em que atuaria, enquanto Jin apenas lhe escutava com uma falsa atenção, pois o cansaço começava a dominar sua consciência, obrigando-o a disfarçar suas pestanejadas em alguns momentos.

4

Depois que deixou Jin em casa, não sem xingá-lo por ter dormido de forma descarada no banco do passageiro, deixando-o falando sozinho mais uma vez, Yamapi se dirigiu para a casa de Koyama, onde seus amigos do News estavam reunidos, já que teriam os próximos dias de folga. Yamapi estava com a agenda corrida, mas decidiu que valia a pena perder algumas horas
de sono na companhia deles.


A porta foi aberta por um já embriagado Ryo, que o recebeu com uma palavra malcriada na ponta da língua. Se sóbrio Ryo não tinha pudor algum em dizer o que sempre pensa, muitas vezes apenas para provocar o seu ouvinte, bêbado, então, perdia a noção total da educação.

Yamapi logo foi puxado por um risonho Tegoshi. Outro bêbado... Eu devia aprender a não chegar no final das festas! Suspirou mentalmente, recordando-se de outras situações em que era o único sóbrio entre os integrantes do NEWS. Não era algo muito saudável. Abalava a moral e o respeito que tinha por seus amigos.

Foi empurrado para o sofá por Tegoshi e só então Pi notou a presença de Massu, na poltrona ao lado da sua, mas que ficava de costas para a porta. O rapaz devorava qualquer coisa que Pi não descobriu o que era, pois as mãos hábil e veloz de Takahisa logo enfiava o que quer que fosse dentro de sua boca. Massu não lhe deu muita atenção, mais concentrado em aliviar sua fome. Afinal, havia sido um dia corrido, precisava repor as energias.

Shigue logo se juntou ao recém chegado e, junto a Tegoshi, começaram a conversar sobre um assunto que Pi não estava com muita disposição para se inteirar. Ainda mais quando um comentário rendeu um protesto por parte de Ryo, que se aproximou para iniciar uma discussão, ainda que de brincadeira.

Pi sorriu amarelo para todos eles e foi para a cozinha, onde encontrou um dos poucos sensatos do grupo.


Koyama estava lavando um pouco da louça usada pelos amigos e ainda não tinha cumprimentado seu líder.

- Oh, Pi! Pegue uma cerveja na geladeira!

- Essa era a minha intenção!

- Que mal educado! Achei que viesse atrás da minha pessoa!

- Que mal anfitrião! Convida as pessoas e sequer as recebe quando elas chegam!

- Oh, gomen! Estou um pouco ocupado... Já vou para sala, vá se juntar aos outros!

Yamapi puxou uma cadeira, dizendo:

- Estou bem aqui!

O tom de sua voz fez o outro se virar e lançar um olhar preocupado. Há algum tempo, Koyama vinha notando um certo desânimo por parte de Yamapi. Questionava-se se apenas o trabalho e a confusão com Hiroki no
ano anterior, e depois o incidente que suspendeu Kusano também, seriam os únicos responsáveis pela testa enrugada de seu líder.


Durante um tempo, Ryo e Yamapi andavam cochichando de um lado para o outro nos bastidores. Enquanto isso irritava a alguns membros, como Tegoshi e Shige, que não aceitavam que os dois mantivessem tanto segredo da banda, muito provavelmente enciumados, na realidade, outros
como Koyama e Massu demonstravam preocupação. Mas todos eles respeitaram o silêncio dos dois e jamais tocaram no assunto ou perguntaram diretamente o que estava acontecendo.


Koyama, porém, tinha uma grande suspeita de que o que quer que tenha acontecido naquela época, só podia ser Jin a razão do abatimento de Yamapi. Normalmente era o membro do KAT-TUN o motivo das preocupações dele, porque agora seria diferente?

- Tem certeza de que está bem? – perguntou, quebrando o silêncio que havia se formado.

- Uhum!

Ele não acreditou nessa resposta. Fechou a torneira e se aproximou, limpando as mãos no avental que estava em sua cintura. Puxou uma cadeira ao lado do loiro e o fitou.

- Você pode se abrir mais com a sua banda quando precisar, sabia?

- Eh? Eu agradeço, mas não sei do que está falando...

- Hai, hai, se prefere assim, não vou te incomodar. Apenas vou dizer mais uma vez, embora você não tenha escutado nas outras milhares de vezes anteriores, que eu estou sempre por perto para te escutar, ok? Quando precisar sair da sua própria ilha, é só me chamar!

Yamapi sentiu-se culpado com aquela demonstração de amizade. O que Koyama disse, no entanto, era verdade. De alguma forma, com o passar dos anos, embora gostasse e considerasse todos os membros do News como amigos preciosos, ele não era capaz de ser sincero com todos eles. Ficava em sua própria ilha, isolado. Apenas Jin era aquele a quem ele se sentia à vontade para falar sobre tudo. Desde problemas amorosos até a sua mágoa com seu pai.

Talvez esteja na hora de me abrir a outra pessoa...

Yamapi sustentou o olhar do mais velho. Koyama tinha um olhar muito bondoso e, até certo ponto, ingênuo. Era dessa maneira que ele cativava suas fãs, deixando transparecer a bondade de seu coração.

... Por que, definitivamente, Jin e Kamenashi vão reatar... E isso será a última coisa que eu farei por você, Bakanishi!

Koyama manteve seu sorriso durante o tempo em que eles se olhavam, mas percebendo que o outro ficaria sem dizer nada, pensou que fosse melhor não insistir tanto por hora. Ergueu-se, precisava terminar de lavar a louça, logo mais haveria outra pilha de pratos e copos sujos, precisava deixar um espaço na pia, mas a mão de Pi segurou-o pelo pulso. Voltou o rosto para direção do amigo, que encontrou com a fronte baixa. A franja cobria-lhe
metade do rosto, inclusive seus olhos. Koyama, então, teve a confirmação de que seu líder estava triste.


Antes de uni-los, porém, tenho que controlar o meu próprio sentimento...

Pi ergueu o rosto.

- Keii-kun...

- Hai?

- Você pode me escutar um pouco?

- Claro, capitão! – ele brincou – Hoje, sou todo seu! – e piscou um olho, para em seguida o fitá-lo com bastante atenção, como um devoto aluno diante de sua matéria preferida. Ele nem ao menos piscava.

5

- Ela nem me deixa acompanhá-la durante os exames...

Kamenashi reclamava, com metade do seu tronco jogado na mesa do refeitório da Johnnys, que, àquele horário, estava praticamente vazio. Jogado do outro lado da mesa, estava Jin, com seu rosto bem à frente ao de Kazuya, ficando um de cabeça para baixo na visão do outro, ambos com uma bochecha colada à mesa, o que dificultava a fala deles.

- Você devia ser mais insistente!

- É uma gravidez de risco, Jin... Ela não pode ficar nervosa!

- Gravidez de risco? Você não me disse...


- Pensei que fosse óbvio... Uma gravidez aos quarenta e dois anos não é a mesma coisa que uma mulher de vinte e cinco anos engravidar... Tem que ter mais cuidado, ainda mais se ela já abortou!

- Eh??

- No passado, antes de se tornar cantora, parece que teve um aborto espontâneo... Ela disse que o rapaz que ela namorava na época se separou depois disso, como se a culpasse por ter perdido o bebê! E Akeko morre de medo de perder este bebê de novo!

Jin ficou em silêncio. Não sabia o que dizer. Era um caso complicado, mas em seu íntimo se perguntava se não seria mais uma chantagem emocional daquela mulher.

- Então não tem jeito, não é? – perguntou o mais velho, erguendo-se, sentando direito na cadeira, com um ar mais sério.

- O que não tem mais jeito? – Kazuya acompanhou seu movimento com os olhos.

- Você já fez sua escolha, né?

Kazuya mordeu os lábios, indicando ao outro que entendia perfeitamente do que falavam. Não era preciso mais palavras, mas Jin, afastando todo o seu orgulho, precisava deixar a situação bastante clara:

- Acabou, não é Kazuya?

-... Gomen, Jin...

O seu sussurro foi um potente soco no peito de Jin. O suficiente para fazer o moreno arrastar a cadeira, levantar-se e ir embora, atordoado.

6

Acordou surpreso em se encontrar na cama de Koyama. Não lembrava quando teria dormido. Após desabafar com o amigo, seguiu para a sala, onde a bagunça que já existia se tornou ainda maior com mais dois integrantes. Entre cervejas e risadas, em algum momento teria cedido ao
cansaço...


Da cama, podia escutar perfeitamente o barulho do chuveiro. Olhou para o relógio e, para sua surpresa, ainda eram sete horas. Teria algum tempo livre antes de seguir para uma reunião sobre a nova novela.

Deixou-se ficar na cama por mais alguns minutos.


Aos poucos, sua consciência foi dominando o sono e a preguiça, fazendo-o relembrar da conversa com Koyama.

- Se houvesse um modo disso acontecer, eu diria que K é culpada!

- Hã?


Yamapi não quis envolver Jin e nem Kamenashi ao falar sobre seus sentimentos para Keiichiro, portanto, simplesmente batizou os personagens com alguma letra. Batizou Jin de B (Bakanishi), Kame de T (Turtle, tartaruga em inglês), Tsubasa de K (Kitsune, raposa em japonês) e Harada de S (Sádico).

Dessa forma, o relato apresentado a Koyama foi: Pi ama B, que ama T, que estava com K. Tudo não passaria de um singelo triângulo amoroso, que Pi poderia muito bem ter encerrado oferecendo todo apoio a B, mas B passou a ser chantageado, não importa como eram as chantagens, por S, provando todo o amor que nutria por T.

Yamapi consolou B de uma forma íntima... Quando S foi derrotado, B e T ficaram juntos, mas uma foto revelou a T sobre a noite entre Yamapi e B. T, desolado, reencontrou K, justamente na noite em que estava mais fragilizado. Entre doses de saquês e música romântica, T engravidou K.

Yamapi contou outros pormenores, como a chantagem de Tsubasa com Kamenashi, resultando em um impasse que o impedia de voltar para Jin. Ao final do relato, Koyama declarou que K era culpada.

- Por que K é culpada?

- Ora! Um relacionamento que terminou há meses e essa pessoa só tenta uma reaproximação quando T está machucado? Além disso, T não descobriu por conta própria! Foi armação aquela foto aparecer em sua mochila! Isso é tudo muito estranho, não acha? Eu não gosto dessa K!

Yamapi riu ao se lembrar da expressão zangada de Koyama ao declarar que não gosta de Tsubasa de uma forma tão sincera que somente era permitido tal franqueza entre as crianças, que ainda não estão conscientes das regras sociais que serão inseridas futuramente.

Além disso, era um pouco ingênuo declarar que não gosta de uma pessoa que não se conhece, mas Yamapi sempre admirou a lealdade de Koyama com seus amigos. Ele sempre permanece contra as pessoas que, de uma forma ou de outra, feriram algum ente querido seu.

- Mas quem fotografou aquele momento foi S...

- E se K estiver unida a S?

- Impossível... Não tem como eles se conhecerem! Além disso, S só queria machucar B!

- E K quer ficar com T! E T ama B! E S quer machucar B! E B atrapalha T! Logo...

-... Xi...

- O que foi?

- Me enrolei! É muita inicial!

- Baka, foi você quem os nomeou!

- É, mas você falou muito rápido, calma aí!

- Simplificando... B atrapalha K... S quer acabar com B... Portanto, ambos tem motivos para quererem machucar B!

- Agora que você falou assim... Eu não sei se K seria capaz de fazer mal a alguém!

- Mas B não disse que ela parece ser duas pessoas diferentes? Alguém que tem preconceito contra homossexuais não pode ser uma boa pessoa!

- Não é por que alguém não aceita uma opção sexual que ela seja necessariamente má!

- Concordo! Cada pessoa tem a sua opinião, desde que não destrate outra pessoa por ela ser aquilo que você não gosta! Mas me parece que K é uma pessoa muito rancorosa...

- Você nem a conhece!

- Pelo que você me contou, nem quero conhecer!

Koyama sempre teve um sexto sentido com pessoas trapaceiras. Ele nunca gostou de Harada, embora não tivesse motivos para isso, pois de nada sabia, era notório para Yamapi que ele se sentiu mais aliviado com a ‘transferência’ do ex-assessor do KAT-TUN. E agora ele também se colocava contra Tsubasa. Talvez devesse dar um crédito ao seu amigo e ficar em alerta contra a cantora. Precisava investigar o seu passado.

De fato, não havia nada concreto contra ela. Apenas a coincidência de ter seduzido Kamenashi no mesmo dia em que aquela foto apareceu em sua mochila. Aquela foto...

- Oh, ohayou, líder! Vamos tomar café?

A voz animada de Koyama afastou suas reflexões. Yamapi, sorrindo, comentou:

- Você acorda cedo para quem ficou de bebedeira a noite toda e ainda está de folga!

- Eu não bebi tanto assim, afinal, tive que cuidar dos meus filhos, né?

- Hein?

- Ryo e Shigue estão dormindo lá na sala e o Tegoshi e o Massu estão dividindo a cama no quarto de hóspedes!

- Nani? E você?

- Ah, eu? Eu vou dormir assim que houver uma cama!

- Você não dormiu??

- Não faça essa cara de culpado! Como você mesmo disse, eu estou de folga, vou dormir muito ainda! Mas você, Pi, tem uma reunião logo mais, não é? Vamos comer!

E, com uma energia que Pi se perguntava onde seria o estoque, o mais velho do News se dirigiu para cozinha. Ainda tomado pela preguiça matinal, Pi se arrastou atrás dele logo depois que jogou uma água em seu rosto.

7

Kamenashi abriu a janela de seu apartamento, recebendo os primeiros raios de Sol de um novo dia cheio de trabalho... Como Shuji.

Nobuta wo produce foi um excelente trabalho que ainda agora lhe rendia entrevistas e apresentações em programas de rádio e tv. Era uma fase boa em sua carreira, estava em constantemente presença na mídia.

Afinal, na vida, existe o equilíbrio. Enquanto sua vida particular rolava morro
a baixo em direção ao inferno, a sua vida profissional ascendia. Era a lei da
natureza.


Suspirou e encostou-se ao parapeito, com os braços cruzados. Pensava em Jin. Ele cumpriu com a sua palavra. Já não o destratava, não gritava, não brigava, não o ignorava. Mas Kamenashi pensou que Jin agora usava a sua arma mais poderosa contra ele.

Jin passou a lhe tratar com tanto ou mais zelo do que na época em que estiveram mais unidos, quando envolvidos no trabalho de Gokusen. Sempre que se dirigia a ele, Jin mostrava um sorriso gentil, porém, triste e cansado. Um sorriso que carcomia seu coração de forma lenta e dolorosa.

O pior de tudo era saber que o mais velho já não tinha a intenção de machucá-lo. Estava conformado, mas continuava a sofrer. Sofria em silêncio, sozinho, mas Kazuya podia perceber.

E, por mais juntos que estivessem, por mais que seus corpos se esbarrassem diariamente entre gravações ou mesmo casualmente pelos corredores da agência, já não era possível alcançá-lo. Chegava a ser engraçado, em um humor bastante negro, o modo como agora estavam mais distantes do que antes.

Suspirou uma última vez e então foi se arrumar. Pouco depois, já estava no metrô, a caminho do estúdio. Quando chegou, Yamapi já estava no camarim e o cumprimentou de modo frio, Kazuya percebeu.

Era o que me faltava... Retroceder minha amizade com o Pi também! Mas isso era algo óbvio... Ele não vai me perdoar por fazer o Jin sofrer dessa maneira...

Ele devolveu o cumprimento tímido e em seguida se trancou no banheiro, trocando a sua roupa pelo uniforme escolar de Shuuji.

8

O algodão umedecido percorreu a sua face retirando a maquilagem, ou o que restava dela depois de horas de gravações sobre as luzes fortes dos refletores. Pi encarou a si mesmo refletido no espelho, notando o seu olhar cansado pelo ritmo dos últimos dias, enquanto ouvia a voz gentil de Koyama lhe dando forças dentro de sua cabeça.

- Hoje Pi vai dar um basta no impasse entre T e B, né? Por mais doloroso que seja, se é essa a sua decisão, eu te apoio! – Koyama movimentou os dois punhos, sinalizando força e determinação para o seu amigo e líder.

Estava decidido a enterrar de uma vez por todas o que sentia pelo seu melhor amigo, e resgatar o sentimento sincero de amizade que existia dentro de si. E, para isso, era necessário unir aqueles dois cabeça duras de uma vez por todas.

A porta do banheiro se abriu e Kamenashi saiu com as suas roupas e segurando o uniforme escolar em um cabide, que pendurou no suporte de roupas que havia ali. Estava a um passo da porta, despedindo-se e agradecendo pelo trabalho a Yamapi, quando este se ergueu subitamente e apoiou-se na porta, fechando-a com um estrondo.

O mais novo o olhou de canto, assustado, e, sem perceber, prendeu a respiração, esperando que o outro explicasse a sua atitude e que deixasse de o olhar daquela forma tão brava.

- Eu achei que tinha deixado bem claro que precisava de uma pessoa que cuidasse do Jin e não alguém que o maltratasse tanto!

Eram apenas palavras verdadeiras, mas Kazuya não foi forte suficiente para agüentá-las. Virou o rosto, fitando o chão, sentindo um pouco de raiva com aquela cobrança, embora já esperasse por isso. O que mais o angustiava, era saber que não podia retrucar. Yamapi estava certo.

- Não se preocupe. – Kamenashi foi ríspido – Eu não vou machucá-lo mais! Isso está bem claro em minha mente desde que terminamos!

Yamapi riu.

- O que você diz e o que você faz não entram em sintonia!

- Hã? O que você quer dizer? Eu estou tentando me afastar de vez do Jin... Eu só não quero que ele continue zangado comigo, e ele diz que não está mais, mas não voltaremos a ter mais do que amizade! Isso não basta para você?

Yamapi cruzou o braço e ajeitou sua postura, o que fazia a diferença de altura entre eles aumentar e o tornar ainda mais intimidador, visto por baixo, pela visão de Kazuya, que seguiu aquele movimento com o olhar e um bico emburrado.

- Bem que dizem que você faz jus ao nome! É tão lento quanto uma tartaruga!

- Seja claro e me diga logo o que quer dizer!

- Ok, serei direto! Não percebe que desde o início dessa briga entre vocês o que mais tem ferido o Jin é esse seu distanciamento? Que tudo teria sido resolvido se você pedisse perdão e dissesse que o amava?


Kamenashi sustentou o olhar acusador de Yamapi por algum tempo, mas depois a sua própria consciência o obrigou a fitar seus sapatos. Pi, alheio ao remorso do rapaz, continuou com a bronca.

- Era apenas isso o que aquele tonto queria! Que você demonstrasse o seu amor... Você não percebe o quanto isso era importante para ele? Como pode ser tão egoísta? Estando em uma posição confortável, tendo certeza do que Jin sente por você, ainda assim você foi capaz de traí-lo e não consegue simplesmente admitir que o ama?

Essas palavras ativaram o antigo ciúme que Kamenashi tinha de Yamapi. O irritou que ele falasse de forma tão leviana sobre seus sentimentos. Interrompeu o discurso do mais velho, alegando que ele não tinha direito de julgar sobre o que não sabia.

- Você acha que eu estava confortável? Você acha que eu tinha certeza de que o Jin me amava e por isso eu o pisava? Que eu o magoei deliberadamente?

- Não digo que foi deliberadamente, mas com certeza você não se preocupou o suficiente!

- Eu não sei o que você pensa sobre mim e eu não sei o que Jin lhe fala sobre meus sentimentos, mas uma coisa que eu posso afirmar é que eu jamais me senti seguro dos sentimentos do Jin e usei isso a meu favor... Céus, se você pudesse imaginar o quanto me dói a cumplicidade que vocês dividem e saber que nunca, por mais que eu me esforce, nunca poderei compreender o Jin como você o compreende! E meus erros provam isso! Se eu fosse capaz de ter o Jin como você o tem, eu jamais teria feito tanta besteira em minha vida... Se você pudesse sentir o que eu senti quando olhei aquela foto... Não é uma justificativa, mas... Eu pensava que um dia Jin perceberia que a pessoa que sempre o apóia é você! A pessoa que ele procura inconscientemente quando está com problemas é você! É você a pessoa que mais o conhece e quem ele mais conhece! Então, cedo ou tarde, ele acabaria percebendo que a pessoa certa para ele é... Você!

O pequeno já estava vermelho devido à intensidade com que dizia aquelas palavras. Estava irritado com aquela acusação de que abusava do amor de Jin, farto de sofrer tanto por uma única estupidez em sua vida, uma única noite de irresponsabilidade o fez perder uma pessoa tão importante e ainda estava cansado da teimosia de Akeko. Não estava com cabeça para agüentar a explosão de Yamapi também, embora uma parte de sua mente o
alertasse de que merecia tudo isso.


Yamapi contrariou a própria vontade em acalmar aquele garoto e dizer que sabia de tudo isso, que entendia o seu sofrimento e que, de fato, ele não acreditava que Kamenashi fosse alguém sem escrúpulos a ponto de usar do amor de outra pessoa. Contudo, ele estava firme em seu propósito, por isso tinha que continuar com este papel. Endurecendo ainda mais a face, ele descruzou os braços e avançou contra o pequeno.

Kamenashi se assustou com a violência de Yamapi, que o pegou pela gola e o prensou contra a parede, erguendo-o do chão.

- Você não faz idéia do que o Jin é capaz por você. – ele disse, rangendo os dentes com raiva – Eu não consigo entender como ele foi capaz de se apaixonar por alguém mimado e idiota como você! Como você pode duvidar do quanto ele te ama? E eu só não meto a mão na sua fuça, em consideração ao Jin!

Yamapi, então, o jogou no chão. Kamenashi gemeu baixo quando seu corpo recebeu o impacto do chão. Por baixo do cabelo que lhe cobriu o rosto, olhou com irritação para o mais velho. Sentia-se humilhado por ter sido jogado dessa forma, mas as palavras de Yamapi o feriam ainda mais.

- Você pode estar perdendo o maior amor da sua vida. Nunca alguém conseguirá te amar como o Jin é capaz... Ainda assim, está tudo bem perdê-lo desse jeito? Sem fazer nada?

- Eu... Eu não poderia... Eu não mereço...

- Ora, dane-se o que você merece ou deixa de merecer! Lute, reaja, vá buscar o que você realmente quer para o seu futuro! Se você o ama, não o deixe se afastar desse jeito, não abandone a luta dessa forma tão covarde!

- Yamapi...

- Kame... Eu não sabia que você era tão covarde desse jeito! Reaja! Faça alguma coisa pelo Jin! Não seja tão mimado, não espere que ele sempre corra atrás de você... Você errou? Errou. Muito. Talvez Jin nunca o perdoe... Mas você não saberá se ficar com a sua bunda colada na cadeira! Levante e mostre a ele o quanto você o ama!

- Eu... Eu engravidei uma mulher, Pi!

O integrante do News ficou surpreso com a confissão. Não pelo conteúdo em si, porque Jin já tinha lhe contado, mas pelo fato do rapaz lhe confidenciar algo tão importante e durante uma briga. Ficou sem saber como reagir, dando tempo para o outro prosseguir.

- E eu posso perder meu filho se reatar o namoro com Jin... Eu não posso abrir mão de uma criança que eu fui o responsável por trazê-la ao mundo! Não posso! Mas... Se puder ouvir um pedido egoísta... Mais um pedido egoísta meu... Eu quero ficar com os dois!

Yamapi, finalmente reorganizando o seu plano dentro de sua cabeça, afinal, Kazuya usava um argumento que seria cruel qualquer um ir contra. Mas ele pensou rápido e voltou ao seu discurso:

- Arrisque.

- Hã?

- Arrisque, Kamenashi! – ele vociferou – Você sabe que há meios legais de impedir que essa mulher fuja com seu filho! Seja firme e fique com os dois! Com Jin e a com a criança! Quem é ela para dizer que você só pode ficar com um ou com outro?

- Eu... Não quero um escândalo para o KAT-TUN... Logo agora que alcançamos o debut e...

- Pare de arranjar desculpas! – Yamapi gritou e Kamenashi pensou que nunca antes o viu tão alterado - Admita para si mesmo que você está com medo! Medo de se envolver tanto com Jin que perderá o rumo de seus próprios passos... Medo de se sentir dependente dele, quando normalmente
você é quem comanda seus relacionamentos! Te assusta o quanto estar com ele te faz feliz, não é verdade? Tem medo porque, se um dia tiverem que romper, você perderá o seu mundo...



- Isso não é verdade! – Kamenashi proclamou, mas notou que sua voz tremia.

- Então arrisque!! Lute um pouco pelo relacionamento que o Jin deu seu máximo para proteger! Faça alguma coisa por um namoro que, até então, só houve esforço de um lado...

Kamenashi foi obrigado a engolir essas palavras, odiando admitir uma grande parte de verdade contida nelas. Porém, não teve tempo para processá-las por completo, pois Yamapi, depois de respirar e recuperar o fôlego, disse:

- Eu lhe darei uma semana.

- Hã?

- Uma semana. Se você não tomar uma atitude nesse tempo, eu juro que farei o Jin se esquecer de você rapidinho!

Ele saiu batendo a porta. Kamenashi permaneceu no chão, aturdido com aquele sermão. No instante seguinte, porém, o que sentia era um misto de raiva e ciúmes, ao se dar conta do real significado das palavras do integrante do News.

Kazuya percebeu que andou tão preocupado em ser perdoado por Jin, mostrar o quanto estava arrependido, o quanto sofria com toda aquela situação, que simplesmente deixou de lado o quanto o amava. Sufocou o
seu amor, acreditando que não tinha mais o direito de senti-lo, de demonstrá-lo, porém, ele continuava ali, dentro de seu coração, vibrando com força, desejando ardentemente saltar ao encontro de Jin para que o rapaz soubesse o com forte ele era.


No entanto, permaneceu parado onde estava. A imagem de Akeko acariciando seu ventre lhe veio à mente, imobilizando-o. Kamenashi sabia que devia fazer uma escolha... E sabia que poderia se arrepender amargamente por escolher apenas um.

Confuso, não sabia o que fazer.

9

Yamapi se permitiu encostar à porta alguns segundos, recuperando o fôlego depois do discurso inflamado que fez a Kamenashi. Sorriu de leve. Aquele garoto era mesmo tão ingênuo quanto Jin afirmava... Sentiu pena diante daquele rosto assustado, mas era necessário um tratamento de choque.

- Ahhh... Ao invés de me livrar do trabalho de cuidar do Jin... Parece que eu arranjei outra criança para tomar conta... – Yamapi olhou para cima – Né, eu já tenho um espaço reservado aí, né?

Ele sentiu a sua calça tremer e pegou o seu celular, que vibrava. Era uma mensagem de Koyama, que simplesmente dizia: Gambatte kudasai! (Dê o seu melhor!). Sorriu. Ele precisava mesmo de um incentivo para levar o seu plano até o fim.

10

Para infelicidade de Kamenashi, os dias estavam voando. Já estava no quarto dia do prazo estabelecido por Yamapi e ainda não havia chegado a nenhuma conclusão. Olhou para o calendário na mesa do seu computador. Nove de abril. Aniversário de Yamapi.

Ele sabia muito bem que neste dia não veria nem a sombra de Jin. Todos os anos, Akanishi se grudava a Pi como um carrapato e não dispensava a sua companhia de jeito nenhum nesta data. A não ser quando o próprio pedia um espaço para respirar, mas era raro que isso acontecesse.

Depois de festejar com sua mãe e irmã, normalmente ele acabava visitando também a mãe de Jin, que sempre fez questão que seu “filho postiço” comesse um pedaço de bolo em sua casa durante o aniversário... É verdade que com o tempo estava cada vez mais difícil cumprir essa agenda, o que fazia Jin querer ainda mais ficar ao seu lado quando há oportunidade.


- Eles devem passar o dia inteiro juntos, hoje... – ele murmurou, não se importando em fazer bico e soar como uma criança emburrada.

Kamenashi lembrou ainda que era dia de folga de Jin, então não o veria na agência. Ao menos, era para ter sido assim, mas quando alcançou o camarim do News, reconheceu imediatamente aquela voz que se tornou tão necessária aos seus ouvidos nos últimos meses.

Sem controlar as próprias ações, Kamenashi permaneceu próximo à porta, entreaberta, observando o que se passava ali dentro. Embora sua consciência o ordenasse a se afastar, ele não conseguia se mover.

Naquela sala estavam apenas Jin e Yamapi. O primeiro falava alguma besteira, como sempre, e ria de si próprio. Yamapi, que parecia distraído lendo alguma mensagem em seu celular, de repente guardou o aparelho e mudou o assunto.

- Né, você perguntou o que eu queria de aniversário!

- Sim, este ano eu não consegui pensar em nada para te dar, gomen nasai! Mas farei o que você quiser!

- Hum... Isso é perigoso! – ele riu.

- Não tem problema! Pode pedir!

- Então... Eu quero isto!

E os pequenos olhos de Kazuya se alargaram ao máximo quando viu Yamapi segurar Jin pela gola e roubar-lhe um beijo. E, ele observou, Jin não ofereceu nenhuma resistência, já que sua língua se movimentava com o mesmo vigor que a de Yamapi...

Kamenashi fechou os olhos, contendo a vontade de chorar. Mordeu os lábios, tentando não denunciar a sua presença, embora desejasse gritar com o integrante do News e relembrá-lo que o prazo estabelecido ainda não tinha terminado. Mas, ele logo percebeu, Yamapi não tinha porque cumprir com o prazo...

Afastou-se dali o mais rápido que conseguiu.

11

Quando se afastaram, Yamapi notou que Jin sorria. Quando o mais velho abriu os olhos, Pi entendeu perfeitamente o que significou aquele beijo para ele. Jin lhe olhava com ternura. E nada mais. Pi devolveu o sentimento através do sorriso.

- Está bem? Isso como presente de aniversário? – Jin perguntou.

- É o meu melhor presente... – ele respondeu.

Jin agarrou a mão de Yamapi e brincou com seus dedos. Ele não se preocupou em magoar os sentimentos dele, pois entendia plenamente o que se passava com seu amigo. Sabia que esse beijo não era um presente de aniversário, mas sim de despedida...

12

O resto do dia, Kamenashi não conseguiu se concentrar em suas atividades. Fez o que devia se feito, mas era visível a todos que estava abatido. Alegou um mal estar e foi embora antes de todos, conseguindo escapulir do olhar preocupado de Jin.

Quando chegou em casa, jogou-se debaixo da ducha, de modo que suas lágrimas se confundiram com a água que lavava seu rosto. Desabafou ali, sentindo o gosto de suas lágrimas escorrendo junto com a água
morna por seus lábios.


Yamapi era a pessoa certa para Jin, tentava se convencer. Ele o fará feliz. Ele o respeitará e cuidará muito bem dele...

Mas eu o quero pra mim... Quero tanto!

- Jin!! – ele gritou.

Demorou-se no banho por cerca de uma hora, desejando que toda sua consternação escorresse também pelo ralo. Quando se sentiu mole demais e sua pele já estava toda enrugada pela umidade, fechou a torneira e saiu. Vestiu seu moletom e foi direto para cama, sem nem ao menos jantar.

Escondeu-se por baixo do edredom, como se dessa forma os problemas do mundo real não fossem capazes de encontrá-lo. Ali, debaixo da manta de algodão estaria protegido, seu amor por Jin estaria a salvo, seu filho não sairia debaixo dos seus braços... Ao mesmo tempo torcia para que quando fosse necessário se afastar da coberta, todas as suas aflições não passassem de um pesadelo. Quando saísse da cama, perceberia que ainda estava namorando Jin, que aquela foto entre Jin e Pi foi apenas fruto de sua imaginação, assim como a noite com Tsubasa.

Esses pensamentos, aliado com aquela sensação agradável do pós-banho, quando a pele fica sensível o suficiente para apreciar totalmente o conforto do lençol, fez Kazuya fechar os olhos pouco a pouco e dormir...

Horas mais tarde, quando seu corpo sentiu que já havia recuperado boa parte de sua energia, despertou com um olhar mais seguro. Isso porque, enquanto dormia, sua mente repensou toda a sua situação e deu um recado para os sentimentos que lhe habitam a alma: volte a ser o Kazuya de sempre!

E isso significa ser uma pessoa que não perde sem lutar, uma pessoa confiante, determinada, que não se deixa abater com os problemas que surgem a sua frente. Afinal, foi com esse espírito que ele nunca desistiu de ser a inicial do KAT-TUN.

Naquele momento, no meio da madrugada, lhe pareceu tão claro, tão óbvio o que devia fazer que ele se perguntou como não havia enxergado isso antes. Tomado por um espírito guerreiro, riu de si mesmo, daquela figura apática de horas atrás que só faltou se dissolver em lágrimas, e depois se levantou e trocou de roupa.

Precisava lutar pela pessoa com quem realmente queria ficar.

13

Àquela hora, não achou que fosse tão difícil encontrar um táxi, mas devido ao mau tempo, parecia que todas as pessoas decidiram utilizar esse serviço. Kazuya xingou baixo. Não havia mais trens.

Preciso de um carro! Ele decidiu que essa seria uma de suas metas para este ano e então se pôs a correr.

Não sabia porque corria. Não faria diferença se corresse ou simplesmente
andasse. Ainda assim, continuava a correr. O vento agredia sua face, mas ele não se importava... Enquanto corresse, seu coração teria uma justificativa racional para continuar batendo com tanta força. Dessa forma, ele conseguiria controlar a sua ansiedade, o seu medo e a sua timidez em encarar Jin no meio da madrugada, para lhe contar o que havia de mais sincero em seu coração...


- Kazuya... Você nunca foi uma brincadeira para mim.

Jin também não era nenhuma brincadeira para ele. E não era algo que ele quisesse perder tão facilmente, como Yamapi o acusou. Aliás, não era questão de querer. Há muito tempo que ele já não tinha controle sobre o que sentia em relação a Jin. Ele já não podia, já não lhe era mais permitido ficar longe daquele Bakanishi.

Ele ficou surpreso com a aproximação repentina do rosto de Jin, mas este apenas encostou sua testa à de Kazuya e sussurrou:

- Eu te amo.

Sentia sua falta. Queria tê-lo em seus braços de novo, dormir aconchegado em seu peito, ouvir sua risada escandalosa por qualquer piada sem graça, ter o seu calor... E o seu olhar devotado direcionado apenas para si. Tudo isso já fugia ao seu controle. Ele simplesmente necessitava encontrá-lo.

Kazuya prendeu a respiração por alguns segundos, de tão surpreso e confuso ele estava com aquela declaração. Jin continuou:

-... Por mais que minhas atitudes possam demonstrar o contrário, nunca duvide do que eu sinto por você. Por mais que possa parecer que eu quero te machucar, é justamente o contrário, tudo o que eu fizer é desejando o seu bem-estar... Algumas vezes será difícil me compreender, nem eu mesmo me entendo às vezes. – ele riu – Mas eu peço apenas que você se
lembre desta noite... E tenha certeza que eu te amo...


Não era mais o momento de se sentir inseguro. Sabia que Jin o amava. Eles estavam separados porque Jin era orgulhoso demais para admitir que ainda o amava e ele vinha sentindo um medo incompreensível de enfrentar a resistência de Jin e a teimosia de Akeko. Contudo, Kazuya estava determinado a por um fim nesse impasse. Ainda que Jin continuasse a rejeitá-lo, ainda assim, diria tudo o que precisava ser dito entre eles.

Kazuya ficou surpreso ao se deparar em frente ao prédio de Jin tão rápido. Mal tomou conhecimento das ruas que separavam suas casas. Olhou para a janela que sabia ser do apartamento dele. A luz estava acessa. Respirou com dificuldades. Esperou um tempo para recuperar o fôlego e então, entrou.




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Ter Abr 06, 2010 1:27 am

Waaaa tds do NEWS apareceram *----*
Masu comendo, Ryo bebendo tinha q ser hahaha
Nhaaaa Keiichan *_____*
Keii é mto love *-----*
adorei o q ele disse
K é realmente culpada
isso aeee Pi essa bronca p/ o Kame foi mto merecida !!!!
Kame ta na hr d reagir
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Abr 10, 2010 2:39 am

Apareceram todos *.*!!

Mas descrevi poucos os que eu menos conhecia na época em que eu escrevi! hauahuahua Foram as meninas aqui do fórum que me ajudaram a descrever um monte de cenas hehehe (Mas que o Ryo tem cara de gostar de uma bebida a mais, eu sempre achei XD)

E o Koyama... Ah, ele é completamente amor!! Eu me apaixonei por ele na primeira vez em que o vi surpreso quando uma fã disse que ele era o seu preferido... Ele realmente pareceu surpreso com isso e eu achei isso tão fofo... Ai... xonei! hahaha Ele tem um olhar tão bonzinho *.*... Me baseei nisso para construir sua personalidade (sei que devia ter pesquisado mais, gomen XD).

O Kame precisava mesmo de um chacoalhão! Ele precisou de muitos nessa fic... Mas, afinal, tartarugas são lerdas né? ^.~

Obrigada pelo comentário!

Beijoss




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Abr 10, 2010 3:05 am

REAÇÃO

1

Ele saiu de um sonho agradável por algum motivo que sua consciência não conseguia identificar. Ainda sentia o gosto da saborosa carne que degustou em algum lugar da sua mente. A campainha soou novamente, vibrante, urgente. Jin, um pouco mais desperto, percebeu que havia dormido no sofá da sala. A televisão ainda estava ligada e a campainha insistia.

- Mas que demônios...

Com os cabelos bagunçados, uma parte arrepiada, a outra amassada, ele não se importou com a própria aparência e se arrastou até a porta. Ainda tomado pela preguiça, nem se deu ao trabalho de verificar quem era. Abriu a porta.

Kazuya prendeu a respiração. Jin o olhava admirado. Antes que o pequeno pudesse dizer qualquer coisa, porém, a porta foi fechada.

- Que coisa... Será que eu ainda estou sonhando? – Bakanishi se perguntava.

Ele abriu a porta mais uma vez, lentamente, até ver a expressão confusa de Kazuya.

- Eh... Você esta aí mesmo? – ele esfregou os olhos – O que você está fazendo aí? Sabe que horas são?

- Três da manhã.

- Ehhh?? Isso tudo? – ele estava surpreso de verdade - Que diabos, quando eu pisquei os olhos eram meia noite...

- Baka, o que você está dizendo?

- Você veio as três da manhã na minha casa para me ofender?

Jin estava preste a fechar a porta mais uma vez, porém Kazuya se apressou em impedir o movimento colocando um pé entre a porta e o batente. O mais velho o encarou, tentou colocar mais força, mas Kazuya começou a empurrar a porta também.

Vencido, Jin se afastou. Despreparado com aquela súbita retirada da resistência, Kazuya adentrou o apartamento cambaleando e batendo a porta contra a parede.

- Baka! Assim você vai acordar os vizinhos! – bronqueou Jin, fechando finalmente a porta.

Depois disso, eles apenas se entreolharam. Jin, com a mente totalmente desperta agora, indagava-se o que Kazuya fazia em seu apartamento àquela hora. Outra parte da sua mente registrava os cabelos úmidos de suor do garoto e uma gota deslizando pelo seu pescoço alvo... Jin desviou o olhar, tentando coibir aquele ímpeto que começava a brotar em seu corpo.

Kazuya admirava aquele rosto sonolento e aquele cabelo bagunçado. Totalmente relaxado, Jin ainda era um rapaz muito atraente. Mesmo com aqueles lábios fechados em um bico irritado – cuja irritação era devido a sua presença, observou – ainda era encantador...

Embora demonstrasse irritação, Jin não podia mentir para si mesmo. A inesperada visita de Kazuya trouxe a tona uma saudade que ele imaginava que estivesse controlada. Puro engano. Que vontade de agarrá-lo!

- Jin...

O sussurro de Kazuya o retirou de seus pensamentos. Jin voltou a dominar seus sentimentos, conseguindo lançar um olhar rancoroso para ele. Kazuya engoliu em seco diante do modo como Jin parecia querer machucá-lo, mas estava firme em seu propósito.

- Você tem todo o direito de não querer me ouvir. Ainda assim, eu vim porque, mesmo que você me coloque a pontapés para fora, eu preciso te dizer umas coisas...

Jin pensou que seria uma cena no mínimo engraçada, essa, de tirar Kame a pontapés de sua residência, mas guardou esse pensamento para si e se repreendeu por ter tamanho senso de humor em um momento como este.

- Você tem todo o direito de não me perdoar jamais... Na verdade, eu não vim pedir o seu perdão.

Agora a curiosidade de Jin foi atiçada. Além, é claro, de seu orgulho. Como aquele baixinho atrevido jogava de maneira tão fria que não pediria desculpas? Antes que pudesse protestar, Kazuya continuou:

- Eu sei que eu demorei... Sei que eu te feri demais ao te trair, sei também que te torturei com o modo como tenho reagido à gravidez de Akeko... E sei ainda que talvez seja tarde demais, mas... – ele parou de falar, olhou para um canto, buscando mais coragem, mas finalmente conseguiu dizer: - Mas... A questão é que eu te amo... E eu não posso ficar sem você!

O modo incisivo e direto como isso foi dito surpreendeu a Jin. Notou as bochechas rosadas do mais novo, mas aquele par de olhos transbordava determinação.

- E eu vim deixar isso bem claro! Você pode estar com raiva de mim, pode até mesmo me odiar... – a sua voz falhou ao pronunciar a palavra “odiar” - Eu sei que o que eu fiz merece todo o seu rancor... Mas isso não muda o fato que eu te amo e quero você de volta!

A respiração de Kazuya estava novamente agitada. Ele despejou todo o seu sentimento de uma vez e com toda a sua sinceridade. Naquele momento, seu coração batia mais rápido do que quando estava correndo pelas ruas de Tóquio.

- Eu quero ficar ao seu lado independente do filho que a Akeko vai ter! Eu assumirei a responsabilidade, mas não vou ficar com ela... Não vou trair o meu amor mais do que eu já fiz... – ele sorriu de modo triste - Ainda que você não me queira mais, ainda que você não me aceite com meu filho, eu vou continuar te amando! Eu te amo, Jin... Te amo, te amo, te amo!

Já estava sem fôlego, mas estava aliviado. Disse tudo o que queria e agora esperava por uma resposta de Jin. E só então ele se deu conta da situação constrangedora em que estava.

Ali parado, com sua própria voz ainda ecoando em seu ouvido, diante de um Jin calado, parecia que a razão estava voltando e ele começou a se inquietar com sua própria consciência avisando-o de que agira por impulso, que este ato impensado poderia apenas jogar fora a amizade que Jin estava disposto a lhe oferecer.

O mais velho não dizia nada. Apenas o olhou enquanto ele proclamava todo aquele discurso, com seus olhos escuros, sedutores, mas ao mesmo tempo cruéis. Um olhar duro, seco, talvez até estupefato. Um olhar que começava a intimidar Kazuya.

Ele notou que Jin movimentou a língua dentro de sua própria boca, irritado. Kazuya foi tomado pela aflição. Na certa, seria expulso a pontapés. Então, com uma expressão zangada, Jin veio em sua direção, segurou seu rosto com as duas mãos e o invadiu com fúria...

Em um primeiro momento, Kazuya paralisou. Tentava compreender o que significava realmente aquele beijo, mas logo desistiu e não se deixou intimidar. Segurou firme na gola de Jin e movimentou sua língua com a mesma força e velocidade.

A mão de Jin deslizou até a sua nuca, onde segurou com firmeza e sentiu a pele arrepiada do mais novo. Em um determinado momento, Kazuya abriu seus olhos e o viu também com os olhos abertos, mas suas bocas não se separaram. Beijavam-se, encaravam-se, os olhos de Jin ainda severos, os de Kazuya, carregados de certeza.

Jin, então, o empurrou para o corredor. As costas de Kazuya sentiram o impacto duro ao serem atingidas pela parede. O mais velho o cercou, apoiando-se com as mãos na parede. Ainda assim, Kamenashi não se intimidava, pelo contrário.

Ele permaneceu com os olhos sintonizados ao de Jin, sentindo seu coração batendo violentamente contra sua pele por sentir aquela respiração pesada e quente em seu rosto, mas não hesitou uma vez sequer. Porém, não se deixou ficar nessa brincadeira de hipnose por muito tempo e, com a mesma força, empurrou-o pelo peito, até que Jin se chocasse contra a parede oposta.

Sem dar tempo para Jin se recuperar, Kamenashi se jogou contra ele, possuindo aqueles lábios carnudos dos quais sentia uma falta imensa. Diferente de Jin, ele começou com um beijo suave, lento, mordendo o lábio inferior do rapaz... Reflexo de sua personalidade, mas que aumentava aos poucos até atingir a intensidade que seu amante exigia... Ele invadiu cada pedaço daquela boca, tentando recuperar o tempo em que ficaram afastados, provando todo o seu gosto, percebendo como era bom tê-lo de volta, como era bom demonstrar o quanto o queria e ser retribuído com aquela língua agitada e igualmente ansiosa, que batia com velocidade contra a sua.

Com um movimento súbito, Jin o ergueu do chão, como uma noiva, e o levou até o seu quarto, jogando-o na cama e em seguida caindo sobre ele. Não havia medo ou hesitação no rosto fino de Kazuya, ele estava bastante seguro.

- Eu te amo! – o baixinho repetiu, com uma certa dose de irritação pelo mais velho não dizer absolutamente nada.

- Eu já entendi! – ele devolveu, com o mesmo tom.

- Baka!!

Kazuya o empurrou para o lado, dominando-o. Sentou-se sobre o ventre dele e aproximou seu rosto. Jin sentiu os fios de cabelos de Kazuya arranharem sua face antes do garoto se aconchegar em seus lábios mais uma vez.

Sentindo a temperatura corporal aumentar mais e mais, Kazuya interrompeu o beijo para retirar a própria camisa, jogando-a em um canto da cama.

Jin subiu seus olhos pelo tórax fino e definido de Kazuya, completamente atraído por aquela pele tão branquinha e sedosa, com uma fragilidade quase feminina, mas mantendo algo de másculo... Essa mistura, essa contradição, despertava ainda mais em Jin o desejo de possuir aquele pequeno. Não se conteve mais. Com as mãos percorreu aquelas curvas, massageando-o, acariciando-o, enquanto Kame abria os botões de seu pijama. Jin ergueu-se pela metade, de modo a ajudá-lo nessa tarefa.

Kazuya retirou a peça e o fez se deitar novamente, beijando-lhe o pescoço, o ombro, mordendo-lhe a clavícula, onde sabia que o rapaz tinha uma sensibilidade aflorada e se regozijou com o grito estridente dele.

- Owe!! – o mais velho protestou, entre risos, quando sua voz retomou o tom masculino e contraiu os ombros, tentando fugir.

Kazuya não lhe deu muita atenção, desviou a trajetória de seus lábios para os mamilos de Jin. Ele olhou com malícia enquanto lhe mordia o bico direito, provocando pequenos arrepios ao mais velho ao revezar as mordidas e lambidas... E, então, desceu ainda mais seus lábios até alcançar o elástico do moletom. Abaixou as vestes de Jin e encarou aquele órgão, ainda em seu estado natural, mole.

Cobra nipônica?

- Kazu... – Jin o olhou com preocupação ao ver o rosto tenso do mais novo.

- Está tudo bem. – ele sorriu, afastando as imagens da Internet de sua cabeça.

Naquele momento, tudo o que Kazuya queria era provar seu amor a Jin, oferecendo todo o prazer que pudesse proporcionar. Ainda assim, teve que admitir que era um pouco estranho segurar aquele órgão masculino que não era o seu.

- Com um pouco menos de força, Kazu! – ele pediu, tentando conter o riso e a dor.

- Oh... Gomen... – ele pediu sem graça, enquanto movimentava sua mão para cima e para baixo, com um pouco menos de força, agora.


- Só faça como você costuma fazer com você mesmo! – Jin explicou.

- É um pouco difícil, porque eu não estou sentindo a força do aperto!

- Ok, vamos parar de falar! – Jin fechou os olhos, rindo daquela situação tão estranha, mas agradável.

De olhos fechados, apreciou o toque do garoto. Sentiu a ardência em seu baixo-ventre aumentar de acordo com o ritmo daquelas mãos. Então, para sua surpresa, sentiu seu membro ser envolvido por algo molhado e quente. Abriu os olhos e com surpresa viu Kazuya sorvendo o seu sexo.

A razão de Jin se perdeu por completo devido ao vívido prazer que experimentava. O êxtase que sentia por ter os lábios e a língua de Kazuya o acariciando dessa forma era indescritível. Sorria, mordia os lábios, sorria de novo e finalmente proclamou um gemido.

- K-kazu...Ahhh...

O gosto, Kazuya reconheceu somente para si mesmo, não era dos melhores. Contudo, sentia uma imensa satisfação em ver a expressão risonha em Jin, aquele sorriso que trazia de volta seus traços infantis, em um deleite evidente. E isso era o máximo, ele percebeu. Ser o motivo do sorriso de Jin. Com essa disposição, parou de sugá-lo e voltou a incentivar o membro de Jin com as mãos, até que o rapaz gemesse mais uma vez e soltasse aquele líquido branco.

Os olhos curiosos de Jin se voltaram para o pequeno quando ele deixou o seu membro em paz. Viu Kazuya desabotoar o próprio cinto e retirar as calças. Então Jin se levantou, avançando em seu pescoço, massageando o sexo do mais novo. Kazuya inclinou o rosto em sua direção, a procura de seu beijo. Jin lhe atendeu ao desejo, entrelaçou sua língua a de Kazuya, sugou-a a seu bel prazer, mordeu-lhe o queixo, a ponta da orelha, lambuzava-o com seus lábios.

- Jin... Te quero... – ele murmurou.

Jin interrompeu seus beijos e o fitou.

- Tem certeza?

- Quero te sentir... Quero você!

A voz rouca de Kazuya implorando dessa forma atiçou ainda mais os instintos carnais de Jin. O mais velho fechou os olhos e deslizou seu rosto pela face de Kazuya, aspirando-lhe o perfume e o suor, deixando a boca entreaberta, atingindo-o com seu hálito. O mais novo estremeceu com aquele ar quente em sua bochecha, depois em sua orelha, sua nuca...

Jin, então, deitou o rapaz de bruços e beijou-lhe a nuca e toda a espinha dorsal. Massageou-lhe o bumbum perfeito, branco, duro.

Kazuya fechou seus olhos com força ao sentir os dedos de Jin dilatando-o, mas surpreendeu-se por não ser tão dolorido quanto o medo lhe fazia imaginar. Claro, ainda não era o principal desafio...

Ainda penetrando-o, Jin se inclinou sobre Kazuya, aproximou seus lábios de seu ouvido e sussurrou:

- Eu te amo...

- Não me deixe, Jin... – ele implorou.

- Estou com você.

- Fique comigo pra sempre.

- Estarei sempre com você...

Depois disso, Jin acomodou seu sexo dentro de Kazuya com toda a delicadeza que era possível, mas ainda assim ouviu o grito dele.

- Dói? – perguntou, preocupado.

- Um pouco... – ele gemeu –... Mas continue!

Kazuya ignorou a dor. O sentimento de se unir a Jin era mais forte, seu coração, acelerado, estava satisfeito em se ligar dessa forma ao outro rapaz, mas era inevitável ficar apreensivo diante daquela nova sensação.

Estavam juntos.

Jin se deitou por cima das costas de Kazuya, de forma a alcançar sua mão. Repousou a sua sobre a dele, deixando seus dedos no vão dos dedos de Kazuya.

Finalmente, unidos.

Ele sentiu o impacto do quadril de Jin se chocando contra seu corpo. Mordeu os lábios, tentando conter a dor, mas em seguida foi tomado por um sentimento voluptuoso, delicioso, e esses sentimentos aumentavam de acordo com o ritmo das investidas do mais velho.

Jin fitava o mais novo, sentindo o tesão aumentar diante da expressão confusa, porém deliciada, de Kazuya. Aumentou o ritmo, possuindo-o com mais vigor e escutou os gemidos do garoto em intervalos cada vez menores, então já não tinha mais domínio de seus desejos. Apertou as nádegas de Kazuya contra seu sexo, sentindo a pele interna roçar em seu sexo. Jogou seu quadril mais forte contra o pequeno, deliciando-se com as reações dele.

Enquanto o invadia, Jin acariciou a barriga do pequeno e depois dirigiu sua mão até seu membro, massageando-o, querendo lhe proporcionar prazer também... Não queria ser o único a aproveitar aquele momento. Sabia que Kazuya estava sofrendo, conhecia aquela dor, mas igualmente sabia o quanto aquele ato podia gerar contentamento, desde que feito do modo correto e com uma pessoa especial... Como havia sido com Pi, mas agora era um sentimento diferente. Embaixo de si estava aquela pessoa que ele mais amava.

Kazuya era seu, definitivamente. Agora, não havia mais volta.

A pressão da mão de Jin em seu sexo proporcionou a Kame uma sensação deliciosa e tão intensa que o fez se esquecer da dor em sua entrada. Kamenashi sentiu sua mente embranquecer, não conseguiu pensar em nada, apenas sentiu seu corpo tremer quando atingiu o gozo.

Jin não demorou muito a se satisfazer também, saiu daquele corpo e em seguida se jogou ao lado do caçula. Suas respirações estavam fortes, estavam encharcados de suor e, ainda de olhos fechados, suas mãos tatearam pelo ar, pelo corpo do outro, até que finalmente se encontraram e se entrelaçaram. Seguraram-se com força, como se temessem que a qualquer momento o outro pudesse desaparecer.

Sem soltar da mão do pequeno, Jin se acomodou em suas costas, ajeitando-o em seu peito, guardando-o para si. Beijou sua nuca por meio dos cabelos úmidos e o abraçou com força.

Para Kazuya, eram indescritíveis todos os momentos divididos entre seus corpos. Desde o beijo que iniciou aquele ritual, até este abraço que o protegia como se fosse uma pedra rara, ele podia reviver cada toque de Jin em sua mente, e eram realmente saborosos...

- Por que você demorou tanto, Kazuya? – ele sussurrou em sua orelha.

- Eu sou um pouco lento... Mas eu posso, não posso? – ele respondeu rindo, ainda extasiado.

- Sim, minha tartaruga, você pode... Desde que permaneça sempre comigo...

- Eu já disse Jin, quero ficar com você! Não vou permitir que Akeko suma com meu filho, mas não voltarei com ela... Ficarei com vocês dois... Não vou mais fugir ou ficar inseguro!

Kazuya se virou para fitá-lo diretamente nos olhos. Contemplou os cabelos grudados no rosto molhado de suor de Jin. Passou uma mão por uma das faces, escorregando até o queixo e o puxou para repousar seus lábios ali mais uma vez.

- Eu te amo, Jin...

Jin ajeitou o cabelo de Kazuya atrás de sua orelha e sorriu.

- Eu também, Kazu...

A alegria tomou conta de Jin ao escutar-se dizendo “eu também”. Lembrava-se das palavras de Kazuya e Yamapi sobre como era maravilhoso amar de uma forma tão intensa, mesmo sem ser correspondido. Ele concordava, amar era algo inexplicavelmente bom, porém, tinha que admitir que poder deixar sua boca exclamar “eu também”, era fenomenal. Não conseguia parar de sorrir.

2

Era uma madrugada fria e o vento brincava bastante com seu cabelo, agredindo com um pouco de violência as suas bochechas, mas ele não se importava em estar no jardim. Um jardim bonito, com bonsai e um lago rodeado por pedras com karpas, um jardim bem cuidado, que transmitia uma serenidade tão grande que o deixava muito à vontade. Ele gostaria de saber como Koyama arranjava tempo para ter uma casa tão organizada.

Yamapi, sentado em posição de índio, acreditava que estava tranqüilo. Sentia que sentado ali, na calmaria da noite, deixava seus sentimentos irem embora junto com os ventos.

Ele foi retirado deste estado de paz quando o celular em sua calça vibrou. Abriu a mensagem de Ryo, que foi direto como sempre:

Não precisa me agradecer por avisar que Kamenashi estava passando próximo ao camarim. Eu ainda acho que é uma besteira você abrir mão do seu amor desse jeito. Mas enfim, você é quem sabe. Depois não venha chorar em meu ombro, ok? O Koyama serve pra isso, afinal de contas! E nem responda esta mensagem ou me ligue, eu estou quebrado e vou dormir!

Yamapi riu sozinho. A quem Ryo ainda achava que enganava com esse seu jeito frio e estúpido? Depois de tantos anos juntos, era fácil identificar o que o moreno realmente queria dizer. De um modo brusco, Ryo pedia que ele procurasse desabafar com alguém e a sugestão de Koyama era porque, dentre todos, era o que melhor sabia aconselhar.

Ainda rindo, Pi sentiu uma manta cobrir seus ombros e aliviar o frio que seu corpo sentia. Em seguida, a voz próxima de Koyama em seu ouvido perguntou:

- O que é tão engraçado?

- Ryo! – ele respondeu e indicou seu celular.

Koyama, também enrolado em uma manta, sentou-se encostado ao pilar em frente a Yamapi, leu a mensagem e também riu.

- Ele não muda!

- É o jeito dele... – Pi balançou os ombros – Mas é um grande amigo...

- Sim, ele é! Mas é muito bravo!

Pi fez que sim. Ryo era bastante explosivo.

- Então, por favor, não deixe que ele brigue comigo! – pediu Koyama – Desabafe comigo ou depois eu terei que ouvir um sermão de Ryo... Ajude-me, líder!

- O que você está dizendo? – Yamapi não pode deixar de rir, mas desviou o olhar, tímido.

- Ora, você não leu o que ele escreveu? Certeza de que se eu não te ouvir, ele vai brigar comigo! E você sabe o quanto ele pode ser terrível com alguém, não? Lembra-se como ele cruelmente perguntou o que o Ueda queria ser?

Yamapi teve que admitir que aquele episódio do Shonen Club foi constrangedor. Ryo pegou pesado demais, mesmo que nos bastidores ele tenha se retratado com Ueda, que sequer havia levado aquilo a sério... Mas o caso chegou a gerar tantas fofocas que eles tiveram que pedir desculpas mutuamente na frente do auditório lendo cartas melosas um para o outro.

- Está tudo bem! Ele não terá motivos para te bronquear, porque eu estou mesmo bem!

- Então porque está se auto-flagelando neste frio de rachar? – ele argumentou – Quer congelar seus sentimentos ainda mais?

- Como assim?

- Ora, você não é nenhum vulcão em erupção, certo? – a comparação fez ambos rirem - Na verdade, você não é nada caloroso com seus amigos, líder!

- Isso é uma acusação?

- Não, só estou te provando que mesmo sendo um iceberg, você não conseguiu congelar o que sente por B... Dessa forma, não ache que congelando fisicamente você vai conseguir isso... Venha, vamos tomar um chá lá dentro!

- Eu estou bem aqui e... – ele interrompeu o que dizia quando a bochecha de Koyama se colou a sua, em um movimento súbito e rápido do mais velho.

- Isso é um corpo quente! – o mais velho declarou – Consegue perceber o quanto você está gelado, Pi? Vamos lá para dentro, agora!

Yamapi não conseguiu mais resistir. Deixou-se levar pelas mãos de Koyama até a cozinha. Durante o trajeto, observou o outro rapaz em silêncio, ainda sentindo o calor dele em seu rosto.

3

Ela acordou assustada com o toque do telefone. De algum modo, ela sabia que as notícias eram sobre Kazuya e que não seriam nada boas. Ao ouvir a voz de Makoto Kirisawa do outro lado da linha, ela teve certeza de que estava perdendo Kazuya mais uma vez.

Por puro reflexo, acariciou o próprio ventre, enquanto ouvia as palavras frias de uma voz rouca do outro lado da linha.

- Eles estão juntos...

- Você está fotografando?

- Não.

- Por que? – ela pergunta, irritada.

- Acaso pensa em chantageá-lo novamente, Keko? Não vê que isso não é suficiente para acabar com Akanishi? – ele sorriu suavemente depois de ouvir o suspiro ainda irritado dela – Não se preocupe, eu vou tirá-lo de uma vez por todas de seu caminho...

- O que... O que você vai fazer, Makoto?

- Não se preocupe, minha querida. Eu prometi que lhe protegeria, não foi?

- Até o fim.

- Até o fim. – ele repetiu – Agora, descanse...

- Sim... Obrigada.

Ela escutou o outro desligar primeiro. Ainda ficou com o telefone grudado em sua orelha por algum tempo, processando aquela informação. Que sentimento tão forte era esse que unia Kazuya a Jin e era capaz de fazer o primeiro enfrentar até mesmo o próprio filho dessa forma?

Akeko sabia o quanto Kazuya era ligado à família, sabia que pelo seu caráter ele jamais a deixaria na mão para cuidar sozinha de seu filho... Acreditava que ele cederia ao casamento cedo ou tarde... Mas, pelo visto, estava enganada.

Quando foi que ele se apaixonou dessa forma por Akanishi? Alguma vez ele chegou a amá-la dessa forma?

Ela não precisava pensar muito para descobrir que não. Akeko colocou o telefone no gancho e agachou-se lentamente até o chão, abraçando a si mesmo com força. Chorou.

4

Ele sentia-se estranho. Seu corpo estava dolorido em um lugar óbvio depois de se unir com Jin. Ao repensar nas intimidades trocadas na noite anterior, Kazuya sentiu sua face pegar fogo. Escondeu-se debaixo do edredom e sorriu, sentindo-se incomodado com aquela alegria que queria explodir em seu peito.

Baka, por que está tão agitado assim?? Controle-se!

Virou-se na direção de Jin, que ainda dormia, e, ainda debaixo da coberta, descobriu que o outro sequer se dera ao trabalho de vestir-se. Nem sequer a cueca. Seus olhos caíram inconscientemente até o membro de proporção considerável. Com isso, ele lembrou-se mais uma vez de como ele proporcionara prazer ao mais velho.

O calor que tomou conta de seu corpo com aquela lembrança, em um misto de desejo e vergonha, o obrigou a sair debaixo da coberta, ainda mais agitado que antes.

- Por que você se mexe tanto?

Kazuya descobriu um Jin acordado e o olhando com curiosidade. Sem saber o que responder, ele pensou que sua face explodiria a qualquer momento, tamanha era a sua timidez. Desajeitado, ele tentou se sentar, mas gemeu quando seu corpo ardeu em protesto àquela atitude irresponsável.

- Ittee... – choramingou, sem saber ao certo se choramingava pela dor ou pela situação constrangedora criada por ele mesmo. Que vontade de sair correndo daquele quarto.

- Está arrependido? – Jin perguntou, notando a careta do mais novo.

- Não é isso!! – ele respondeu rapidamente. Rápido demais, observou para si mesmo, sentindo o seu orgulho como conquistador desaparecer por completo. Estava completamente apaixonado por Jin e não conseguia disfarçar nem um pouco. Era um duro golpe ao seu orgulho próprio.

- O que acontece, então?

- Está doendo... – ele fez um bico.

- Ah! Oh... Gomen! Desculpa, eu... Talvez eu não tenha controlado bem a minha força... É... Foi a minha primeira vez também... Eu nunca tinha sido ativo antes e... Com homem, eu quero dizer... Se bem que não dá pra ser passivo com mulher... Ou dá? Ah, eu... O que eu estou dizendo, afinal? – Jin parou de falar e riu – Eu não sei o que te dizer em uma hora dessas!

Kazuya riu junto, julgando-se tolo pela aflição de minutos atrás. Era Jin, afinal, quem estava ali, ao seu lado. Não havia motivos para ficar tão tímido. Pensando assim, ele voltou a se deitar em uma posição mais confortável e se acomodou próximo ao mais velho.

- Tudo bem... Apenas cuide de mim agora, ok?

Era algo novo ver Kazuya assim tão manhoso, mas era uma cena bastante agradável vê-lo tão entregue a si. Jin afastou o cabelo da face dele e beijou-lhe a testa.

- Vou preparar algo para o café!

- Não! – ele protestou – Fique aqui comigo... Me deixe sentir que você está ao meu lado de novo...

A mão fina de Kazuya passou pelo braço de Jin e se agarrou com firmeza em suas costas, enterrando seu rosto na caixa torácica, aspirando o seu odor másculo, sentindo a vibração de sua respiração, aquecendo-se no calor daquele corpo. Como era bom!

Jin sorriu e acariciou aquelas costas desnudas, branca e tão fina... Deixou seu dedo correr pela coluna de Kame, subindo e descendo vagarosamente. De relance, viu o relógio de sua cabeceira marcando que ainda eram sete horas... Ainda poderiam dormir mais um pouco. E, de fato, o pequeno logo estava cochilando entre seus braços. Pouco depois, o movimento da mão de Jin também parou.

5

Alguns dias depois...

Yamapi, nervoso, estava cansado daqueles olhares espantados e o silêncio daquela dupla de patetas que eram seus melhores amigos. Bufou, sem fazer questão de esconder o seu mau-humor desta vez. Pegou a sua franja e ergueu seu olho ao máximo, tentando enxergar o próprio cabelo... Negro!

- Fazia tanto tempo... – Jin começou a dizer, ainda com uma expressão apalermada.

Ao seu lado, Ryo sacudia a cabeça, concordando e complementando:

-... Que ele era loiro...

-... Que eu nem lembrava mais...

- Como era ele de cabelo preto!

Yamapi suspirou derrotado.

- Ok! Assim que terminarem as gravações de Kurosagi eu vou tingir meu cabelo de novo! Podem parar de caçoar!

Jin se levantou e foi até o amigo, batendo em seus ombros amigavelmente.

- Está bonito, está bonito!

Ryo olhou com certo desgosto enquanto Jin abraçava o outro pelo pescoço e lhe sussurrava esses elogios. Sentiu seu sangue ferver com tanto descaso e não conteve sua língua.

- Você devia ter mais consideração com os sentimentos dos outros, Bakanishi! – ele disse, irritado.

- Hã?

Diante da expressão abobalhada de Jin, Ryo se irritou ainda mais, mas não fez menção de que fosse explicar coisa alguma. Pelo contrário, ele se levantou e saiu do camarim do NEWS bastante zangado.

- O que deu nele? – Jin quis saber.

- Quem sabe... – Yamapi mantinha o olhar na porta, compreendendo a atitude do moreno, mas ele não o diria para Jin.

Jin olhou para o seu melhor amigo.

- Né... Pi...

- Que é?

- Está tudo bem com você?

- Hai.

- Você me diria, né?

- O que?

- Se eu estivesse sendo insensível com você...

A voz de Jin soou extremamente tímida nesse momento e foi impossível para Pi segurar o riso. Sem compreender muito bem porque o outro ria, Jin deixou escapar um sorriso igualmente envergonhado.

Yamapi levantou-se e bateu de leve algumas vezes na cabeça de Jin, ainda rindo.

- Está tudo bem comigo... Eu te diria, se você estivesse sendo insensível comigo! – ele respirou fundo e mudou de assunto – Amanhã vou para o interior, começarei a gravar algumas cenas de Kurosagi!

- Vai ficar quantos dias por lá?

- Acho que uns três dias... Cuide-se sozinho enquanto isso!

- Não se preocupe, Kame cuidará bem de mim!


Yamapi fechou a cara.

- Agora você está sendo insensível!

- Eh??

Ele deu as costas a Jin e voltou a arrumar suamochila, deixando o amigo desesperado em se desculpar. Jin parou de falar quando notou os ombros do ex-loiro-agora-moreno balançando. Ele estava rindo.

- Baka!! – protestou, socando-o no ombro.

Yamapi parou de rir e o encarou.

- Eu realmente estou bem... Em relação a vocês dois! – ele disse, de modo sério – Mas a sua cara foi realmente engraçada!

Ele bateu no ombro de Jin e se despediu, ambos já estavam em cima da hora para seus respectivos trabalhos naquele dia. Enquanto via o novo moreno se afastar, Jin sorriu.

- Gomen, né... Pi... Por eu ser um pouco egoísta.

6

Kamenashi adentrou no escritório de Tsubasa com um certo deslumbramento. Nunca havia estado ali antes, mas, conhecendo a personalidade da cantora, imaginava que fosse realmente um lugar elegante.

Assim como ela, era uma decoração sóbria que dominava o ambiente, com cores claras e móveis quadrados, em perfeita harmonia com as medidas do ambiente.


Ele não tinha avisado sobre a sua visita e imaginou que fosse esse o motivo para a assessora o olhar de forma assustada. Kamenashi até poderia dizer que ela estava nervosa.

Mitiko estava saindo da sala privada de Tsubasa quando encontrou um dos jovens ídolos da mais famosa agência de talentos do Japão.

O que Kamenashi Kazuya estaria fazendo ali?


Ainda estava abalada com a discussão de minutos atrás com a cantora. As palavras “amiga, aborto, gravidez” estavam fazendo uma forte pressão dentro de sua cabeça, mas tratou de afastá-las rapidamente... Sua mente, uma perfeita máquina, logo processou que estava em um ambiente profissional e, por isso, foi capaz de se recompor.

- Bom dia, em que posso ajudá-lo?

- Preciso falar com Tsubasa-san. Sei que não deveria ter vindo sem marcar visita, mas é urgente... Poderia avisar que estou aqui?

Mitiko o analisou de cima a baixo. Qual assunto o jovem poderia ter com Akeko? Ela procedeu com cautela, tentando obter mais informações.

- No momento, Tsubasa-san não pode atender ninguém... Talvez o senhor não esteja a par da situação em que ela se encontra, mas seu estado de saúde é sensível... Se o senhor puder fazer o favor de voltar outro dia, com hora marcada...

- Há alguma coisa errada com o bebê?

A assessora, sagaz, logo capturou a aflição na voz de Kamenashi, mas não teve tempo de pensar no motivo da sua preocupação, pois a porta, atrás de si, foi aberta e a cantora, alegando ter ouvido a voz do garoto, pediu para que ele entrasse.

Mitiko deu um passo para o lado, oferecendo passagem. Kamenashi pediu licença e adentrou a outra sala. O som seco da porta se fechando atrás de Mitiko foi como um estalo para sua mente se lembrar das palavras de Akeko.

- O que está dizendo, Mitiko? Acha que eu inventei uma gravidez?

- Não estou acusando você de nada, Akeko... Só quero uma explicação para este exame!

- Você não confia em mim?

- Não é essa a questão, eu já disse!

- Por favor, Mitiko... Você sabe que eu já abortei uma vez, não posso passar por emoções fortes, ainda mais com a minha idade... Como pode desconfiar de mim? Não sou sua amiga? Além disso, não vê está barriga? Acha que é falsa?

A cantora, então, desabotoou seu vestido, deixando-o aberto na frente da assessora, que pode ver, além de suas peças íntimas, uma barriga arredondada, em um tamanho menor que o de uma grávida normal com quase cinco meses de gestação...

Mitiko sabia que isso não era um fato tão estranho assim, principalmente se for analisar a estrutura óssea de Akeko. Muitas mulheres quase não tem barriga durante a primeira gestação. Alguns jornais sensacionalistas já publicaram casos de mães que deram a luz sem nem ao menos ter consciência de que estavam grávidas... Mitiko sempre desconfiou de tais reportagens, mas... Se for mesmo possível... A barriga pequena de Akeko não era um fato tão anormal.

Entretanto, mesmo considerando-a pequena, ainda assim, era uma barriga de uma grávida.

- Acalme-se, Mitiko... Por que desconfiar de Akeko dessa maneira? Ela nunca mentiria sobre algo assim... Mas aquele exame me incomoda tanto...

Ela olhou para a porta cor de marfim e suspirou. O que estava realmente acontecendo com sua amiga?




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Abr 10, 2010 4:58 am

Wow essa cena d Akame *------*
ate q enfim hein *-----*
aaa nao tem jeito, Koyama é o member ai *------*
Kurosagi *-----* Pia ta mto gatoo em kurosagi, amo o cabelo dele assim *----*
mulheres q deram a luz sem saber q estavam gravidas...isso me lembrou o programa da Discovery "eu nao sabia q estava gravida" hehe
ms essa akeko hein? nao é flor q se cheire
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Seg Abr 12, 2010 2:57 am

Akame demorou, mas aconteceu *.* (mas o meu lemon preferido nessa fic ainda é Pin XD).

Sim, Koyama é o member Ai *.*... Não o conheço tão bem, mas essa é a imagem que ele me passa hahahaha *.*

Ainda não vi Kurosagi!! Mas eu gosto do Pi moreno tb!

Hahahaha não conhecia esse programa, mas vire e mexa sempre saí uma noticia de que alguém deu a luz sem saber que tava grávida! Não sei se é puro sensacionalismo, mas usei como base para essa cena rsrsrs!

Akeko ainda vai aprontar muitas coisas -.-!

Obrigada por continuar acompanhando ^^!

Beijosss




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