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 [END] Eu Não Te Amo

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Kitty
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 06, 2010 12:17 am

Oieee!!

Isso, eu não gosto muito de vilões que sejam simplesmente 'malvados'... Acho que por influência de muitos doramas, acredito que todo mundo tem dois lados e, dependendo da situação, o "bem" ou o "mal" aflora... Quero dizer, na maioria das novelas japonesas que eu vi, o vilão não era um vilão de todo! rsrsrs

Ainda vai demorar um pouquinho para ser revelado quem é o tal "ser" rsrsrsrs

Beijosss




By Misakiti
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Kitty
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 06, 2010 12:20 am

Cheque-mate

1

Harada prolongou sua licença, mas o motivo não saiu da sala da diretoria. Jin se indagava o que poderia estar tramando, mas, no fundo, ficava aliviado em ver-se longe de sua presença.

Sabia, porém, que não poderia adiar muito o momento em que teria que encontrá-lo de novo. E, quando isso acontecesse, ao menos seria a última vez. Faria uma gravação de sua chantagem e então finalmente estaria livre daquele tormento.

Jin não tinha como agradecer o suficiente aos seus amigos Ryo e Yamapi. Não fossem eles, talvez nunca encontrasse as forças necessárias para lutar contra aquele monstro.

Seu espírito estava tão leve que qualquer um notaria em seu riso que estava verdadeiramente contente. Estava tão radiante diante da perspectiva de reaver a sua liberdade, que ele sequer se deixou deprimir com a ausência de Kamenashi em seu aniversário, nem ao menos questionou o pequeno sobre o incidente. Ficou sabendo o motivo, é claro, Kamenashi fez questão de dizer para quem quisesse ouvir como a sua viagem havia sido proveitosa.

Jin não precisava que ele dissesse que não tinha viajado sozinho. Era evidente quem era a sua companhia, mas o mais velho não se deixou abalar. Pelo contrário, estava decidido a apoiar o relacionamento de Kazuya, se era essa a sua felicidade.

Foi por isso que, Jin, sem rancor, o escutou falar de Tsubasa, quando tiveram a oportunidade de conversarem sozinhos. Isso foi durante o caminho de volta para casa, na mesma estação se metrô em que, uma vez, Jin abraçou o pequeno de modo tão caloroso.

Essa lembrança estava viva na mente de Kazuya, enquanto narrava o passeio preparado pela namorada. Forçava um sorriso encantador cada vez que pronunciava o nome de Akeko e tentava notar alguma reação em Jin. Nada.

-... Por isso, me desculpe por faltar em seu aniversário! Não tive como avisar, foi em cima da hora!

- Não se preocupe com isso. – Jin sorriu, com todos aqueles dentes brancos – Não era realmente uma festa, já que eu não podia nem beber! Além disso, você precisa cuidar da sua namorada, não é?

Kazuya não notou nem uma pontinha de ciúmes no tom de voz ou no olhar de Jin. Ele parecia sincero. O que deixou o mais novo mortificado, pois percebia que aquele rapaz estava cada vez mais distante daquele sentimento que o levou a esperá-lo debaixo de chuva e a sussurrar “eu te amo” de modo tão franco. E isso, ele notou, o deixava triste e, ao mesmo tempo, irritado.

Estava perdendo Jin, ele tomou consciência. E porque isso era tão doloroso?

A distância até a estação onde Kazuya deveria descer começava a diminuir. O final do trajeto foi marcado pelo silêncio entre eles. Jin, tomado pelo cansaço depois de um dia puxado de obrigações, não tentou conversar, apenas queria a sua cama. Kazuya, tomado por um sentimento confuso, tinha medo de dizer coisas inapropriadas para o outro.

Um gesto brusco de Kazuya trouxe Jin para próximo de seus lábios. Então o mais novo o beijou demoradamente. Era isso o que Kame estava pensando em fazer quando a porta se abriu em sua estação, retirando-o de suas ilusões.

- Até mais... – despediu-se.

- Durma bem, Kazu. – desejou Jin, sem notar a voz insegura do amigo – Sonhe comigo. – ele gritou.

Kamenashi virou-se com as sobrancelhas unidas, indignado com aquela brincadeira. A porta se fechou e, pelo vidro, ele pode ver o riso zombeteiro de Jin, que lhe piscou um olho enquanto o trem se afastava, evidentemente divertindo-se às suas custas.

2

Na penumbra de uma rua mal iluminada, eles se encontraram. Harada não disse nada, apenas estendeu as mãos. Para variar, recolheu aquele envelope, que ele sabia estar repleto de fotos de Jin. Internamente, ele se perguntava como aquele rapaz encontrava tempo para seguir o jovem Akanishi, além de todos aqueles que estavam direta ou indiretamente envolvidos com ele, como Kamenashi Kazuya e a namorada, e, agora também, Yamashita.

- Aqui. – o rapaz disse, enquanto acendia um cigarro – Mostre uma dessas fotos a Jin-kun... A que você quiser, a que mais gostar. – exibiu um sorriso malicioso – E, enquanto ele ainda estiver tremendo de raiva, faça a seguinte proposta...

Harada ouviu aquilo e se perguntou qual seria realmente o objetivo disso tudo. Não lhe parecia que Akanishi fosse do tipo de pessoa que conseguiria machucar tanto uma pessoa a ponto de desperta-lhe um ódio insano como aquele que brilhava nos olhos do homem a sua frente.

Balançou os ombros. Isso não era importante. Finalmente terminaria com a sua missão de uma vez por todas e poderia curtir a recuperação de Hideki. Já estava com os ingressos de uma partida de basebol comprados.

3

Como Jin tinha coragem de pedir para sonhar com ele quando Kamenashi não conseguia parar de pensar um segundo em Jin? É bem verdade que o mais velho não tinha como saber disso, mas, ainda assim, Kamenashi achava aquela brincadeira bastante inapropriada, principalmente depois de ter falado tanto sobre Tsubasa.

Entrou em seu apartamento com um grande sentimento de frustração. Jogou sua camisa no apoio do sofá e rumou para a cozinha. Pegou uma lata de suco e esquentou algo para comer no microondas.

Com o prato e a lata em mãos, voltou para a sala, ligou a televisão e ficou zapeando pelos canais. Acabou deixando no canal de noticiários. Jantou diante de terremotos, queda dos preços de alimentos, alta do dólar, e um ou outro crime hediondo.

O tempo de terminar de comer coincidiu com o final do noticiário. Dessa forma, privado das duas distrações que ajudavam a desviar seus pensamentos de Jin, Kamenashi se viu sem outra alternativa a não ser dar atenção para aquela dorzinha incômoda em seu peito.

Por que o afetava tanto o fato de que Jin estava conformado com o seu namoro com Akeko?

“Eu ainda vou te conquistar!”

Foi isso o que ele disse, naquela manhã, quando regressavam para casa depois de dormirem juntos no carro de Jin. Aquela lembrança parecia tão distante, tão perdida... Será que ele tinha mesmo desistido de conquistá-lo?

Kamenashi se repreendia por ter esses pensamentos egoístas e também se indagava porque não conseguia deixar de pensar naquele rapaz de cabelos cumpridos e olhos que sabiam ser inocentes e sedutores. Até mesmo durante a tal viagem romântica, em companhia de Akeko, o rosto de Jin esteve fixo em sua mente.

Quando mirava os olhos de Tsubasa, enxergava a pinta ao final do olho direito de Jin. Quando ela o beijava, pegava-se imaginando se os lábios do rapaz seriam tão úmidos e macios.

Por que o riso dela se tornava o dele em seus ouvidos? Por que seus toques se transformavam no abraço apertado daquele Bakanishi? Por que ele ouvia os gemidos daquela mulher e imaginava o rosto de Jin em êxtase?

- Estou pirando... – ele desabafou para si mesmo – Por que ele não saí da minha cabeça?

De repente, veio uma vontade louca de ouvir a voz de Jin, no meio da noite, da madrugada. Sem saber ao certo do que fazia, pegou o seu celular em um impulso e ligou. Desligou em seguida, com a consciência de que seu coração se jogava violentamente contra seu peito.

Assustou-se quando o celular vibrou em sua mão. Os olhos se alargaram ao ver o nome no visor.

É, claro, pensou, Identificador de chamadas... Por que não liguei de casa? Ah, ele também tem o número daqui!

Relutante, atendeu.

- Moshi, moshi?

- Kazuya? Você me ligou? – a voz de Jin soava preocupada, afinal, eles estavam juntos há uma hora atrás, o que o pequeno poderia ter a dizer àquela hora?

Kamenashi respirou fundo.

- Liguei. Desculpe te ligar tão tarde... Te acordei?

- Tudo bem, eu acabei de sair do banho, não estava dormindo. Aconteceu alguma coisa?

- Nada em especial. – ele disse – Só que...

Ele se calou. Tinha medo de dizer o que realmente desejava. Queria dizer-lhe tudo o que sentia, mas eram sentimentos confusos demais para serem despejados dessa forma, por telefone.

- Kazu? – ouviu a voz de Jin o chamar – Você ainda está aí? Tem certeza de que não aconteceu nada?

- Gomen, Jin... Só estou um pouco melancólico, eu não sei o motivo...

- Eh? Não tem mesmo nenhum problema específico?

- Não, não tem... Talvez só esteja um pouco cansado, afinal de contas... Temos trabalhado muito, não é verdade?

Jin concordou. Estava preste a dizer que seu corpo inteiro concordava com aquilo, estava quebrado com o ritmo de trabalho daquela semana, mas conseguiu controlar sua boca ao pensar que isso poderia incentivar o outro a desligar.

- É, o ritmo está puxado, mas você deve agüentar! Sei que iremos debutar em breve!

- Eu torço para isso!

- Você se esforça demais para isso... É por isso que tenho certeza de que em breve conseguiremos!

Kamenashi sorriu. Era reconfortante ouvir a voz de Jin daquela forma, tão próxima ao seu ouvido. Ele imaginou que, ao invés do telefone frio, a boca carnuda de Jin estivesse colada em sua orelha. Podia quase sentir a sua respiração, de tão intenso que era o seu desejo.

- Hei, Kame?

- O que é?

- Você precisa que eu vá até aí?

- Não precisa se preocupar desse jeito, Jin... Eu estou bem... Apenas...

- Apenas?

- Apenas fique falando, ok? Como você sempre faz... Fale sem parar.

- Eh? Falar o que? – ele riu daquele pedido absurdo.

- Não importa, apenas quero escutar a sua voz... – ele disse, timidamente, sentindo a sua face esquentar pela milésima vez por causa de Jin.

- Você já escuta minha voz todos os dias, não está enjoado? Eu não agüento a minha própria voz! Neh, você quer que eu cante? Cantar, eu canto muito bem, aliás!

- Não cante. Apenas converse, está bem?

-... Mas é muito difícil falar sem saber o que...

- Seja profissional e improvise! – ele disse com uma falsa irritação.

- Ok, você pediu. Depois não me mande calar a boca!

- Não mandarei. – afirmou.

- Ok... – e Jin apenas riu, estava confuso com toda aquela conversa e um pouco envergonhado. Por fim, ele deixou a hesitação de lado e começou a falar.

O assunto? Realmente, não tinha nexo algum. Por vezes, ele comentava algum assunto da tv, mas como Kamenashi já havia desligado o aparelho, não podia acompanhar aquele raciocínio. Também não era importante que fizesse sentido. Kamenashi apenas queria sentir-se ligado a Jin enquanto estivessem longe um do outro, mesmo que essa ligação fosse, literalmente, através do telefone.

4

Yamapi acordou mais cedo do que tinha planejado. Na verdade, não dormiu mais que três ou quatro horas. Estava ansioso, porque naquela manhã Harada estaria de volta à empresa e provavelmente procuraria por Jin. Seria hoje, portanto, que eles conseguiriam a maior prova contra aquele repugnante assessor.

Sabendo que de nada adiantaria permanecer na cama, foi tomar um banho e em seguida se serviu de algumas fatias de pão com manteiga e suco de laranja. Não era um café da manhã tipicamente japonês, mas sabia que não agüentaria comer muita coisa de qualquer jeito.

Estava terminando de trocar de roupa quando seu celular tocou. Era Ryo. Eles tinham combinado de encontrar com Jin em sua casa, onde o moreno lhe entregaria o gravador. Depois disso, seria por conta de Jin.

Yamapi se sentia aliviado, como se fosse ele próprio a vítima de toda aquela tortura. Não poderia descrever apenas com palavras o quanto lhe acalmava o coração saber que Jin logo mais seria retirado daquela prisão ultrajante a qual fora obrigado a passar os últimos meses.

Sabia que depois que ele estivesse livre de Harada, seria uma questão de tempo até se recuperar daqueles acontecimentos e, então, recuperar a confiança que sempre possuiu. Quando isso acontecer, ele estava certo de que o rapaz iria atrás de Kamenashi novamente. A ele, Yamapi, só restava apoiar e torcer por sua felicidade.

Não ficava triste. Tinha consciência da sua importância para Jin e que seu lugar no coração do rapaz jamais mudaria. Talvez isso fosse o mais irônico. Em seu íntimo, não queria mais continuar sendo o seu melhor amigo. Queria algo mais, queria mais noites como aquela em seu apartamento... Mas ver a felicidade estampada em seu rosto já se tornava suficiente para que ele abdicasse dos próprios sentimentos sem qualquer ressentimento.

Yamapi sempre estaria honestamente feliz se aquele Bakanishi sorrisse de forma sincera. Havia sido assim nos últimos anos e, ele desconfiava, provavelmente será do mesmo jeito por muito mais tempo.

Com tal sentimento sincero em seu coração, ele colocou uma jaqueta e saiu de casa, assobiando uma música do KAT-TUN...

My Angel, you are Angel...

5

- É bem simples. Basta deixar este pequeno aparelho dentro de um bolso e ele conseguirá captar o som. Não permita que Harada veja isso, ok?

Jin sabia o que Ryo queria dizer com Harada não ver aquele objeto. Era a forma sútil que o moreno encontrou para recomendar que ele não permitisse mais que aquele homem usasse de seu corpo, uma vez que o aparelho estaria escondido em suas roupas.

Mais uma vez, seria um dia longo de trabalho. Jin se encontrou com Harada logo pela manhã, em uma reunião com a banda para discutir os próximos projetos. Uma vez que todos os integrantes estavam presentes, Harada se comportou como um perfeito e honesto profissional.

Jin notou que aquele homem parecia abatido. Apesar da aparência impecável, havia alguma coisa de cansado em seu olhar. Jin odiou a si mesmo por conseguir reconhecer as expressões daquele crápula. Não queria, não podia admitir que já o conhecia bem. Isso seria a maior humilhação. E, no entanto, ele estava certo.

Harada estava tomado por um cansaço indescritível. Não era fácil agüentar o clima de uma cirurgia e mesmo o pós-operatório, de uma doença rara como a de Hideki, era extremamente esgotante.

Além disso, o garoto ainda não demonstrava nenhum sinal de reabilitação, o que o obrigava a permanecer no hospital. Logo, Harada não encontrava nenhum incentivo para se manter firme, de pé, trabalhando, vivendo. Ainda assim, ele estava ali. Forçando a si mesmo, tentando continuar suas obrigações até atingir o seu limite.

Ele devia isso a Hideki. A Hayato. A Hitomi. Ele era o chefe da família Harada, devia proteger e cuidar de todos eles. Era por eles que ele devia cumprir a última parte do plano contra Akanishi.

Quando se recordou do que devia ser feito, lançou um olhar para o rapaz. Pode perceber que ele estava amedrontado, mas lutava com a mesma intensidade para proteger Kamenashi e seus amigos, reunia toda a sua força para continuar lutando contra ele, Harada.

Harada observou, então, que seus objetivos eram idênticos, mas os desafios que enfrentavam eram totalmente opostos. Jin pegava para si todo o sofrimento, não deixava que nada respingasse contra Kamenashi ou mesmo contra a banda. Já ele, Harada, não suportando o drama de sua família, acabou jogando seus problemas nas costas daquele jovem.

Mentalmente, ele pediu, mais uma vez, desculpas a Jin. No entanto, por mais que se desculpasse, sabia que jamais poderia se perdoado pelos atos que cometeu. Consolou-se, alegando que essa era a sua própria cruz.

6

Ele chegou a pensar que Harada o evitava a qualquer custo. Sempre que parecia que eles ficariam sozinhos, entre os intervalos das entrevistas naquela tarde, Harada procurava por alguém da produção para finalizar os detalhes da gravação ou, então, se aproximava de alguém da banda.

Jin não podia compreender essa atitude. Por alguma razão que desconhecia, o jogo invertera-se. Agora era ele quem procurava por Harada, que se esquivava.

Naquele momento, ele estava no camarim, indeciso sobre ir à sala de Harada, temia que o ele considerasse sua atitude suspeita, ou se ia embora, deixando a missão para o dia seguinte. Não chegou a nenhuma conclusão quando Yamapi entrou no local.

- E aí? – perguntou o rapaz, ansioso.

- Não consegui ficar a sós com ele hoje... Ele anda bastante estranho!

- Será que tem a ver com o problema de saúde que ele alegou? Será que era verdade? – ponderou Yamapi – Jin, é melhor você também fazer alguns exames.

- Eh... Você acha que pode ser alguma doença transmitida pelo sexo?

- Talvez... Vocês... – ele ficou um pouco constrangido em fazer tal pergunta, mas sabia que era necessário. – Vocês usaram preservativos?

Jin também não se sentiu à vontade para tratar aquela situação sob aquele ângulo, mas igualmente compreendia a preocupação de seu amigo.

- Sim, ele sempre usou... – e Jin soltou uma risada de deboche – Era só o que me faltava...

- Não fique tão apreensivo... Yamada-sensei não encontrou nada naquele exame de sangue, certo? Apenas faça alguns a mais por segurança.

- Eu farei. – prometeu.

A conversa morreu com a entrada inesperada de Kirisawa. Por um momento, Jin, tenso, preocupou-se com a hipótese do assessor ter ouvido toda a conversa, principalmente pela expressão séria daquele homem. Porém, o que ele disse, dissipou aquelas suspeitas, mas não diminuiu a sua preocupação, pois ele trazia um novo problema.

- Yamashita-san, vamos para a sala de reunião agora.

- Eh? Por que isso de repente? Eu já estava indo embora e...

- Hiroki será suspenso. – cortou o assessor – Ele foi pego com bebidas... Droga, o que ele estava pensando, afinal?

Era a primeira vez que Yamapi o viu nervoso daquele jeito. Kirisawa mantinha-se calmo em qualquer situação, até então. Claro, não era um problema qualquer. Se de fato o integrante for suspenso, será um baque para o grupo NEWS.

- Vamos, então. – aceitou Yamapi – o Ryo já foi embora, alguém já falou com ele?

- Já liguei para o Nishikido-san. Ele deve retornar o quanto antes. – Kirisawa afirmou, saindo do local.

Yamapi suspirou, tendo consciência da tempestade que se formava sobre a cabeça do NEWS. Sentiu a mão de Jin em seu ombro.

- Vai dar tudo certo, Pi. Tenho certeza de que vocês contornarão este problema! O News apenas ficará mais forte depois disso tudo!

- É... Ficaremos bem. – acreditou – É melhor eu ir! Depois nos falamos... Me liga, se tiver algum progresso contra aquele cretino, ok?

- Pode deixar... Me avise também sobre o que ficar definido sobre Hiroki, certo?

Yamapi sacudiu a cabeça, confirmando, e em seguida se afastou. Jin permaneceu parado, pensativo. Tinha um péssimo pressentimento em relação a esse súbito escândalo no grupo de Pi e Ryo...

- Não posso ser assim tão paranóico... – repreendeu-se.

Ele decidiu, por fim, ir embora. Não estava mais com ânimo para se encontrar com Harada. Deixaria para o dia seguinte e, por hora, estaria em prontidão para apoiar seus amigos seja qual for a decisão da agência em relação ao NEWS.

7

Nos dois dias que se seguiram, Jin não recebeu notícias nem de Yamapi e menos ainda de Ryo. Tentou falar com eles, mas, provavelmente por ordens superiores, eles e todo o grupo estavam incomunicáveis.

A diretoria da Johnnys ainda não tinha se pronunciado oficialmente, o que tornava ainda mais incerto o destino do NEWS.

Durante uma folga nos ensaios daquela tarde, Jin preferiu caminhar um pouco pelas ruas próximas da empresa e foi durante esse curto passeio que encontrou Kamenashi, vindo em direção contrário. Assim que se viram, sorriram.

Jin descobriu que Kazuya tinha aproveitado o momento de descanso para resolver alguns problemas em sua conta de celular, cuja operadora se localizava no mesmo bairro.

Caminharam lado a lado, conversando sobre assuntos divertidos, como o último capítulo de Lost – série americana que Jin estava realmente vidrado – ou rindo dos últimos erros durante o ensaio.

Em um determinado ponto do caminho, quando já regressavam ao trabalho, eles pararam diante de uma loja de eletrodoméstico, em cuja vitrine havia alguns televisores ligados em noticiários diferentes, mas, em todos eles, a mesma notícia. Parecia que o escândalo de Hiroki tinha entrado para a agenda setting da imprensa.

- Pi...

Kamenashi olhou para Jin ao escutar o seu sussurro e viu a sua apreensão. Jin mordia os lábios, nervosamente, enquanto buscava o aparelho celular. Ele tentou ligar para Yamapi, mas não obteve sucesso.

- Eles devem estar na agência a essa altura. – comentou Kamenashi – A empresa vai conseguir colocar panos quentes, você vai ver.

- Eu acho que sim, mas... Eu queria estar com ele, agora. Você não pode imaginar o apoio que eu recebi dele durante esses últimos dias. – Jin deixou escapar, condenando-se em seguida ao notar o olhar curioso, e um pouco ressentido, de Kazuya. Apressou-se a dizer: - Vou voltar.

Sem dar tempo para Kazuya questionar qualquer coisa, ele correu.

- Espera, Jin. Eu também vou. – gritou Kazuya, tentando alcançá-lo. – Acaso esqueceu que nós estávamos indo para lá de qualquer jeito? – perguntou para si mesmo.

8

Assim que chegou ao prédio da Johnnys, Jin notou o alvoroço da imprensa na porta principal. Xingou baixo e deu a volta no edifício, mas ali também havia alguns jornalistas, em um número menor.

Rapidamente alguns dos seguranças notaram a sua presença e, com certa dificuldade, abriram caminho para o rapaz e para Kamenashi, que finalmente o tinha alcançado.

Dentro do prédio, Jin não esperou pelo elevador, subiu os andares pela escada de incêndio, sendo seguido o tempo todo por Kazuya, mas mal conseguia registrar a sua presença.

Quando alcançaram o andar, ambos estavam sem fôlego para dizerem qualquer coisa. Jin se dirigiu para o camarim do NEWS, mas, como era óbvio para os dois, a porta estava fechada e com um grande aviso para não entrarem.

Enquanto recuperava o fôlego, pensava no que faria, apenas para concluir, tristemente, que não havia nada a se fazer. Desanimado, fitou aquela opressiva porta branca, tendo consciência de que seus amigos estavam em uma situação crítica naquele momento.

- Jin... Precisamos voltar. – a voz baixa de Kamenashi demonstrava que o pequeno compreendia os seus sentimentos – Agora, neste instante, temos que esperar o que vai acontecer... Vamos voltar?

Incerto, ele fez que sim e se deixou levar por Kazuya até a sala em que se encontrava os demais KAT-TUN.

9

Não houve jeito, no final do dia, a nota oficial de que Hiroki Uchi estava suspenso das atividades foi divulgada para a imprensa. Agora, só restava aos demais integrantes trabalharem com afinco para que os danos fossem os menores possíveis.

Diante disso, tanto Ryo quanto Yamapi tiveram suas agendas lotadas e, por mais que trabalhassem no mesmo prédio, não se encontrariam com Jin durante muito tempo. Algo que deixou o rapaz bastante frustrado.

Entretanto, vê-los se empenharem tanto, motivou Jin a se dedicar mais em seus próprios problemas. Afinal, como poderia ajudar seus amigos enquanto não resolvia a sua própria situação?

Sendo assim, ele estava determinado a seguir em frente com o plano elaborado por Ryo. Ele conseguiria a gravação de Harada ainda hoje, só precisava pensar em um modo de encontrá-lo a sós. Mas não precisou se preocupar isso por muito tempo. O próprio assessor, depois de evitá-lo por tanto tempo, foi ao seu encontro, no camarim, e o levou até a sua sala.

Ao entrar, foi impossível ao jovem não se recordar dos piores momentos que ele viveu ali. Estando tão próximo de colocar um fim naquilo, sentia como se aquelas memórias se reacendessem em sua mente.

Ele se sentou na mesma cadeira em que ouviu a primeira chantagem. Muito provavelmente teria que escutar mais algum jogo sujo contra Kamenashi ou a banda, mas, desta vez, ele julgava que teria nervos suficientes para não se deixar abater por elas.

Harada trancou a porta, o que fez os ombros de Jin se contraírem, tensos. O assessor notou esse movimento, mas o ignorou. E, mais uma vez, encarnou o seu humor sádico para cumprir o que lhe foi ordenado.

- Há quanto tempo, né, Jin-kun? Sentiu saudades?

Jin o observou em silêncio, enquanto ele retirava o paletó e desatava o nó da gravata. Ao ver o rapaz imóvel, Harada se irritou.

- O que faz parado aí? Ande, dispa-se...

-... Acontece que hoje eu não estou me sentindo muito bem, Harada-san. – ele justificou – Podemos deixar para outro dia?

Harada o olhava como se quisesse ler seus pensamentos. Estava, evidentemente, surpreso com aquela recusa.

- Você está pensando em se rebelar, Jin-kun? – Harada mantinha sua voz tranqüila.

- Eu apenas estou dizendo que não estou bem... Em todo caso, por quanto tempo mais você pensa em continuar me chantageando?

Harada esboçou um sorriso.

- Por acaso, você não está pensando que há um prazo de validade, está?

- Um dia, isso vai acabar. – garantiu Jin, olhando-o diretamente nos olhos.

Harada notou a confiança do rapaz.

- Então, eu devia aproveitar o pouco tempo que temos juntos? – Jin pode acompanhar o movimento das mãos de Harada desabotoando o próprio cinto.

Olhando para o lado e bufando de modo irritado, Jin respondeu:

- Faça o que quiser, Harada.

- OH! Estamos corajosos de repente? – ele zombou – Por que será? Notei que você e Yamashita-san andam juntos demais... É ele quem virou sua nova fonte de energia? Já esqueceu Kamenashi-san?

Jin sentiu o perigo naquelas palavras, então permaneceu em silêncio, contendo a raiva que sentia somente em ouvir aquele verme mencionar o seu amigo em um tom ameaçador.

Harada deu a volta pela mesa e ocupou a sua cadeira, mantendo um sorriso de deboche que atiçava em Jin a vontade de socar aquele rosto diversas vezes.

-... Ou seria Nishikido-san? – Harada ponderou, fitando o teto e tamborilando os dedos - Sei que ele andou me seguindo... Espero que você, Jin, não tenha sido suficientemente tolo a ponto de acreditar que vocês três são páreos para mim... – e ele viu o espanto de Jin – Oh, você pensou?

Ele não estava preparado para aquilo. Harada sabia que Ryo o seguiu? Saberia também que eles invadiram o seu apartamento e estavam de posse daquelas fotos e vídeos? Se assim fosse, por que aquele homem continuava tão tranqüilo?

Harada só podia ter um trunfo, concluiu Jin. Sentiu um nó em sua garganta ao pensar o que deixava o assessor tão tranqüilo. Mas, por mais que pensasse, não seria capaz de adivinhar.

O assessor retirou algumas fotos de uma gaveta e as jogou em cima da mesa, observando a reação do garoto, que logo foi tomado pelo espanto, ao reconhecer quem estava nas fotografias, acompanhado de grupo de pessoas desconhecidas e com bebidas alcoólicas.

- Hiroki... – Jin sussurrou, sentindo a raiva crescer – Então foi você quem o denunciou?

Harada permaneceu em silêncio, sorrindo, esperando que Jin olhasse as demais fotografias, encontrando finalmente as que realmente interessavam.

Quando isso aconteceu, não houve nervos suficientes para controlar o medo que explodiu no peito de Jin. Diante dessa reação, Harada disse maquiavelicamente:

- Você não quer que eu exponha o sexo entre Yamashita e você para a mídia, certo?

- C... Como?

O sorriso de Harada aumentou ao vê-lo gaguejar e ele se mostrou deliciado com os olhos hesitantes de Jin.

- Você acha mesmo que consegue fazer alguma coisa sem que eu tenha consciência? De qualquer forma, Jin-kun, tenho certeza que você saberá bem as conseqüências se isso vazar para a imprensa, certo? Principalmente agora, que o News se encontra em um momento tão delicado... Além disso, o seu Kamenashi poderá se decepcionar quando descobrir que você já não o ama mais...

Quando Jin pensava que Harada não poderia ser uma pessoa mais desprezível, ele mostrava que ainda haviam cartas escondidas em suas mangas. De alguma forma, aquele canalha sabia sobre Yamapi e ele. Aquele asqueroso teve a ousadia de o vigiar em um momento tão íntimo e, por mais que Jin pensasse, não conseguia encontrar um jeito de como isso era possível.

Naquele momento, porém, já não importava descobrir os meios de Harada. Jin apenas sentia seu sangue ferver e a cólera subir pela sua garganta. Queria agarrar o pescoço de Harada e enforcá-lo até ver o sangue explodir por trás de sua face. Essa era a sua vontade diante da ousadia do assessor em tentar sujar aquela noite em que sua alma recebeu o conforto dos braços de Yamapi.

Como ele tinha coragem de sujar aquela noite tão especial para Jin? A ameaça contra aquele único instante de paz, amor e tranqüilidade que recebera de Yamapi era algo que realmente despertava a sua ira.

- Seu miserável... – ele sussurrou – Por que você quer prejudicar tantas pessoas?

A sobrancelha de Harada se ergueu em uma expressão irônica, que condizia com as palavras que proferiu em seguida:

- Eu não quero prejudicá-los... Você é o único responsável, caso isso venha acontecer a Yamashita-san... Mas... Se você for obediente, seu amigo ficará a salvo. Você só terá que fazer uma escolha.

- Que escolha?

- A quem você vai proteger. Kamenashi-san ou Yamashita-san?

- Que demônios?

- Escute o que eu quero que você faça... Quero que entregue aquele DVD a Tsubasa-san.

- O dvd....

- Isso mesmo, aquele dvd em que ela e Kamenashi estão transando. Obviamente, você entregará uma cópia e dirá a ela que se não terminar o namoro com o rapaz, você irá divulgar pra a mída o relacionamento deles, o que com certeza colocará um fim na carreira de Kamenashi.

- Isso é indecente! Você quer me transformar em uma pessoa desprezível como você??
– gritou Jin.

- Ora, acalme-se. Eu estou querendo apenas lhe ajudar a tirá-la do seu caminho... Devia ficar agradecido! Em breve, Kamenashi será seu... Bem, você decide, Jin-kun... Proteja o amor de Kamenashi, e todo mundo descobrirá sobre Yamashita e você! Proteja Yamashita, e quem sofrerá será apenas Tsubasa. Acho que é uma escolha muito fácil, na realidade.

Jin sentiu a sua cabeça rodopiar. Talvez não estivesse completamente restabelecido, afinal de contas. Notou que Harada ficou preocupado, o que o fez concluir que a sua expressão refletia o seu mal-estar.

- Escute... – Harada refletiu por um momento -... Vá para casa. – ele disse, parecendo estar penalizado – Pense a respeito... Dependendo do que decidir, apareça amanhã no restaurante Tókyo Room, no horário do almoço. Tsubasa estará lá.

Jin ficou um minuto em silêncio. Era tudo confuso demais. Não conseguia encontrar sentido algum na conversa em que eles estavam tendo. Sempre acreditou que Harada desejava apenas o seu corpo. E agora, mesmo sem ter saciado os seus desejos, ele o mandava ir embora?

- Por que? Você poderia me explicar o porque de toda essa maldita loucura? – Jin xingou a si mesmo por ouvir sua voz tão fraca.

Ele viu Harada se recostar à cadeira. O mais velho fitou o teto, suspirando. Parecia cansado. Então, com uma sinceridade na qual Jin não podia acreditar, ele disse:

- Não, eu não posso explicar.

Jin não conteve mais a sua vontade de se afastar daquele homem. Levantou-se e saiu batendo a porta, ainda sem conseguir colocar ordem em seus pensamentos. A raiva que sentia o impedia de pensar em qualquer coisa naquele momento.

Uma vez sozinho, Harada suspirou:

- Ah, finalmente... Está terminado.

Ele se levantou e caminhou até a foto de seus filhos.

Estava terminado.

10

A janela tremia com a intensidade da chuva que começou a cair no início da madrugada. Jin se afastou ao ouvir a chaleira apitar, na cozinha. Despejou o chá em sua xícara e se dirigiu para o quarto.

Por mais desesperadora que fosse a sua situação, Jin, como qualquer ser humano, sentiu a raiva diminuir com o passar das horas. E, quando o sangue já não lhe atrapalhava as idéias, ele refletiu seriamente em seu problema.

Estava com a chantagem de Harada devidamente gravada. Isso era um trunfo. Jin, porém, não podia entregá-la à diretoria do jeito que estava. Não podia expor Yamapi daquela forma. Precisava editar as gravações, assim como as fitas em que havia menção especifica a Kamenashi. E, para isso, precisava de tempo.

Ainda que virasse a madrugada toda, não terminaria antes do encontro com Tsubasa, uma vez que não tinha muita habilidade com esse tipo de programa. Aliás, nem tinha programa algum de edição de vídeos em seu computador, precisaria comprar, observou.

Tomou um gole do chá – notando vagamente que já estava frio – enquanto se convencia de que não teria alternativa se não comparecer ao encontro. Jin sabia que Harada tinha razão. Uma vez que separasse o casal, Kamenashi estaria livre. Mas não conseguia se sentir bem com isso. Não era dessa forma que o queria. De que adiantaria tê-lo ao seu lado sofrendo como certamente sofreria com o rompimento? Ainda mais tendo a consciência de ser o causador dessa agonia? Isso não faria o menor sentido. Afinal, ele, Jin, não estava se sujeitando a todas aquelas dores e humilhações justamente para protegê-lo? Como poderia feri-lo dessa forma, agora?

Por outro lado, o que seria de Yamapi se aquelas fotos fossem divulgadas? O que seria do News se um dos seus membros mais populares fosse exposto daquela forma, logo após o incidente de Hiroki?

Não, ele não se atrevia a sequer pensar em prejudicar Pi dessa maneira. Não depois de tudo o que aconteceu entre eles, não depois que seu amigo lhe devolveu a paz para seu espírito. Definitivamente, ele não poderia trair Yamashita dessa forma.

Então... Ele deveria sacrificar Kamenashi? Seu coração diminuiu ao pensar nessa hipótese.

- E agora... O que eu faço? – ele perguntou em voz alta.

A forte brisa noturna batendo na janela de seu apartamento foi a única resposta que obteve.




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 06, 2010 1:17 am

Meu
QM É ESSE FDP Q TA POR TRAS DISSO TDOO?????
e pq td isso???
sabia do Ryo
sabia do Yamapi e Jin
aiaiaiai
cmo o Jin vai resolver isso agora????
qm ele vai escolher proteger agora???
aaaaaaaaaaaa
perguntas perguntas e mais perguntas rsrs
e esse misterio td
to mto curiosa p/ saber cmo continua
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Dom Mar 07, 2010 12:19 am

Ahhhhh, o vilão está mais próximo do que se imagina hehehe. Sabe cada passo do Jin =(

É, mas não se preocupe, o mistério está quase acabando e aí vai começar o drama (Ainda não começou?? O.o hahaaha).

Obrigada por ler ^^!




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Dom Mar 07, 2010 12:28 am

Denúncia

1

Hiroku notou aquela beleza assim que ela adentrou no restaurante. Aliás, ele tinha a impressão de que seria impossível que aquela mulher passasse despercebida onde quer que fosse. Ajeitando a ridícula gravata borboleta, aproximou da mesa para anotar o seu pedido.

Tsubasa mostrou-lhe os dentes impecavelmente brancos e Hiroku sentiu seu sangue correr por todo o seu corpo. Era um belo sorriso, mas, acima disso, ele a reconheceu como um das cantoras mais populares do Enka.

- Por enquanto, traga-me apenas uma soda com gelo e limão, por favor.

- Trarei em um minuto, por favor, aguarde.

Ela sorriu compreensiva diante daquela voz trêmula. Não era uma reação que a surpreendesse mais depois de anos de trabalho. Mas era inevitável não se condoer diante daquela demonstração de nervosismo apenas por um sorriso seu. Tsubasa agradecia sinceramente àquela timidez, sabia que era fruto de alguma admiração à sua pessoa, seja pela sua beleza ou pelo seu trabalho, mas, nos dois casos, era uma admiração.

Seu olhar tranqüilo caiu para a entrada do restaurante quando o viu se aproximar. Akanishi Jin era, de fato, um rapaz bonito. Um rapaz bonito e com sorte de ter nascido em um país aonde seus traços delicados eram devidamente compreendidos e apreciados. Talvez não tivesse uma beleza unânime para as ocidentais, mas, certamente, entre as orientais era motivo para diversos suspiros apaixonados.

Quando ele se sentou diante de si, Tsubasa se surpreendeu por sentir-se tímida. A presença do rapaz era ainda mais estonteante do que nas fotos ou nos programas de televisão.

Hiroku se aproximou com a soda e anotou o pedido de Jin, apenas uma água com gás.

- Desculpe por chamá-la bruscamente. – ele disse, consciente de que Harada marcou tal encontro em seu nome.

- Não se preocupe com isso, Akanishi-san. Estou com a semana praticamente livre. Aliás, espero que você não tenha se dado ao trabalho de interromper com seus compromissos por causa da minha agenda...

- Não se preocupe, a banda está com dois dias de folgas, nós estamos apenas com trabalhos individuais e... Na verdade, eu não estou com trabalho individual algum! – ele riu.

- Tenho certeza de que não é por falta de convites. – ela foi simpática – Espero que tenha recuperado completamente a saúde.

Jin a olhou com surpresa, ao que ela lhe explicou que soube pelas revistas, mas também acompanhou o seu estado de saúde através de Kamenashi, o que era algo bastante óbvio, ele pensou.

- Estou melhor, obrigado. Soube que recentemente você lançou outro álbum... E já é um sucesso!

Tsubasa riu.

- Vocês, jovens, são bastante exagerados, mas agradeço as palavras.

Ela era uma verdadeira dama, notou Jin. Era raro encontrar alguém com esse tipo de educação atualmente. Não que ela fosse antiquada, mas ela poderia perfeitamente completar algum quadro da época dos samurais, como a esposa de um poderoso Xógum.

Após essa breve troca de gentilezas, eles prosseguiram a conversa com assuntos impessoais, comentaram sobre política e economia. Tsubasa teve que admitir que Jin a surpreendeu. Ela não esperava que ele pudesse acompanhar tais assuntos com opiniões bastante formadas. Mas isso era o seu preconceito em relação a maioria dos jovens atuais, logo percebeu.

Em um ponto da conversa – quando Tsubasa notou que já estavam entediando um ao outro – ela foi direta.

- Acredito que não estejamos aqui para discutir a ocupação americana no Iraque ou as conseqüências dos atentados recentes à Londres.

Jin não estava certo se devia entrar direto no assunto, mas ficou aliviado por trocarem de tema, pois, na verdade, foi-lhe terrivelmente custoso se lembrar das notícias sobre os assuntos que aquela mulher dominava tão bem. Por isso, sacudiu a cabeça, concordando.

Suas emoções ainda estavam divididas. Discretamente, pousou a mão em um dos bolsos do casaco que usava e sentiu o dvd ali. Dependendo do que decidisse, aquela mulher a sua frente assistiria aquelas imagens e Jin não conseguia prever qual seria a sua reação. Tsubasa se mostrava uma mulher de personalidade, seria intimidada por aquela chantagem? Sentiria-se humilhada por ter sido flagrada naquela situação? Assumiria o sofrimento para proteger seu namorado?

Todas essas questões enchiam a mente de Jin. Ele não conseguiria ser direto, por isso, perguntou:

- O Kamenashi conta muitas coisas sobre mim?

Parecendo compreender a real intenção daquela pergunta, ela sorriu e disse:

- Ele me contou que você o ama.

Era evidente que Kamenashi não guardava segredos da pessoa que amava. Jin não podia cobrar isso, mas, ainda assim, não pode evitar sentir-se chateado por ter seus sentimentos revelados a terceiros. Ainda mais quando a terceira pessoa em questão também sente amor pela mesma pessoa.

- Akanishi-san... – ela tomou a palavra – O que você realmente quer me dizer hoje? – ela parecia ansiosa.

Ele, porém, mais uma vez, respondeu com uma pergunta.

- O quanto você o ama?

Tsubasa sentiu o peso daquele olhar e não poderia mentir diante dele. Naquele momento, estava bastante claro o quanto aquele rapaz desejava o seu namorado. Ela sabia, portanto, que era o momento de abrir o jogo.

- O Kamenashi é a minha vida.

O modo como ela disse isso assustou a Jin. Ele viu que a expressão daquela mulher se tornou mais dura, mais decidida, porém, mais sombria. Mas foi uma impressão passageira, pois, no instante seguinte, seus olhos brilhavam como o de uma adolescente apaixonada.

- O Kazuya é uma pessoa incrível. – ela disse, praticamente em um sussurro, como se estivesse conversando apenas consigo mesma – Ele se tornou fundamental para mim. O amo profundamente. Eu posso admitir isso com tranqüilidade. – seus olhos castanhos ousaram encarar os de Jin - Eu penso que nós deveríamos morar juntos o quanto antes, é o meu verdadeiro desejo... Mas sei que o trabalho de vocês está em um momento delicado. Assumir um relacionamento como o nosso para mídia seria apenas prejudicial... Então, devemos esperar o lançamento oficial do KAT-TUN antes de tomar qualquer atitude.

Tsubasa se surpreendeu ao vê-lo sorrindo depois de escutar todas as suas palavras e não pode deixar de observar que, se fosse ao contrário, ela estaria extremamente enciumada. Não conseguia compreender as intenções de Akanishi naquele momento.

Jin, porém, ao ouvi-la falar de forma tão determinada, tão segura, finalmente pode fazer a sua escolha...

Kamenashi estaria bem protegido enquanto pudesse contar com Tsubasa. Dessa forma, ele disse, com o coração aliviado:

- Por favor, cuide do Kamenashi-san.

Tsubasa ficou perplexa e só pode observar o rapaz pagar a conta e ir embora.

2

Ele não podia roubar o chão de Kamenashi dessa forma. Jin sabia que teria que pedir perdão de joelhos para Yamapi, mas estava determinado a se entregar mais uma vez a Harada. Talvez, se ele oferecesse seu corpo por conta própria, o assessor aceitasse não prejudicar os integrantes do News.

Porém, para seu alívio, não foi preciso nada disso. Quando ele voltou para a agência, no dia seguinte, descobriu que Harada estava de licença mais uma vez. Jin não pode acreditar na sua sorte.

O assessor pediu apenas uma semana de licença, mas para o rapaz era o tempo necessário para fazer as modificações nas gravações e, quando Harada retornasse, poderia denunciá-lo à diretoria sem que Kamenashi ou Yamapi fossem prejudicados.

Uma alegria explodiu novamente em seu coração com a retomada da esperança de que seu martírio terminaria dentro de poucos dias.

3

Muitas pessoas estavam naquele espaço modesto, que mal conseguia abrigar todas elas, porém era um lugar ricamente decorado e com um jardim belíssimo. A maioria dos presentes sequer conhecia a família intimamente, mas, por questões de negócios, suas presenças se tornavam fundamentais ali.

As conversas eram travadas em um tom o mais baixo possível, em respeito, enquanto a cerimônia não tinha início.

Dentro daquele espaço, a família Harada estava sentada em posição formal, recebendo os cumprimentos de parentes, amigos e colegas de trabalho. O chefe da família, porém, não parecia disposto a ouvir ninguém, mas ninguém ousaria condená-lo. Afinal, havia perdido um filho.

Harada não conseguia desgrudar seus olhos daquele retrato. Ele estava tão bonito com aquele uniforme escolar, com uma aparência tão saudável. Harada só desviou sua atenção ao ouvir o choro de Hitomi.

A mulher estava ao seu lado, tradicionalmente vestida com um quimono escuro, recebendo o apoio dos parentes, quando não conseguiu conter mais a sua tristeza e se permitiu derramar algumas lágrimas.

Hideki estava morto. Ele sequer chegou a sair do hospital. A cirurgia não foi bem recebida, o corpo não reconheceu o coração transplantado.

Hideki estava morto.

Agora, tudo estava terminado.

4

Com o decorrer dos dias, Jin se empenhou para aprender um pouco sobre edição de imagens. Ele não precisava de nada muito elaborado, queria apenas retirar certas cenas e comentários, então as dicas que conseguiu de Takahashi-san foram valiosas.

Assim que se viu com tempo livre, apressou-se para comprar o programa adequado e, durante as noites que se seguiram, ele editou um vídeo suficientemente explicativo, sem constranger nem a Kazuya e nem a Yamapi... Os únicos que sofreriam com aquelas cenas seriam Harada e ele. Era desse modo que tinha que ser.

Ele, porém, estava mais tranqüilo do que poderia supor, dias antes. A perspectiva sólida de que colocaria um fim nas armações de Harada lhe trazia uma paz de espírito imensa e ele não estava, de verdade, preocupado com a sua própria imagem.

A noite estava insuportavelmente quente, então ele decidiu dar uma volta. Era uma delícia andar pelas ruas escuras, calmas, sentindo uma brisa fresca batendo em suas bochechas e brincando com seus cabelos.

Jin parou de andar quando percebeu um rapaz sentado em banco da praça, de costas para ele, observando a fonte. Ele reconheceu aquele casaco, mas só teve certeza de que era Kazuya quando se aproximou mais.

- Kazu?

O garoto estremeceu e se virou em sua direção. Jin, então, viu o rosto surpreso de Kamenashi.

- Jin? O que está fazendo aqui?

- Eh?? Eu acho que eu deveria fazer essa pergunta, já que estamos mais perto da minha casa do que da sua!

- Insônia. – explicou Kazuya, oferecendo espaço para o outro se sentar – Tem alguns dias que eu não consigo dormir. E você?

O sono de Jin não era dos mais regulares, mas preferiu não dizer isso a ele. Pelo contrário, devido ao seu bom humor, queria aproveitar aquela companhia inesperada da melhor forma possível.

- Eu apenas senti calor e preferi dar uma volta! Está uma noite bem quente, né?

- É uma noite agradável. – concordou.

- E você? Alguma razão para não dormir?

Kamenashi teve impulso de dizer que não dormia por causa dele, mas controlou a sua língua. Balançou a cabeça e negou, jogando a responsabilidade novamente para o trabalho.

Eles caíram no silêncio, mas não era algo constrangedor. Kazuya se sentiu bem em ficar assim, ao lado de Jin, sentindo o seu calor tão próximo ao seu corpo. Desejava um contato maior, mas temia que ele recusasse seu beijo mais uma vez, então ficou satisfeito em permanecer como estavam.

Por sua vez, Jin se perguntava porque o outro estava tão próximo de sua casa. Teria a intenção de visitá-lo? Sentiu-se ansioso e contente diante dessa possibilidade. Apesar de ter decidido que Tsubasa era a melhor parceira para Kame, não era algo fácil conter seus sentimentos, ainda mais agora, que Harada deixaria de ser um empecilho entre eles.

Jin olhou para Kazuya e o surpreendeu olhando para si. O caçula rapidamente voltou seus olhos para outra direção, com as bochechas vermelhas. Jin notou a mudança de cor naquele rosto naturalmente pálido, indagando-se novamente sobre o significado das reações de Kame.

Incentivado por aquela pequena demonstração de algum sentimento, Jin decidiu provocá-lo, em uma tentativa de descobrir o que Kamenashi realmente sentia. Desse modo, ele colou seu corpo mais próximo ao de Kazuya.

- De repente começou a ficar frio...

- Do que você está falando? Agora está muito quente! – o outro disse com pressa, arrependendo-se no instante seguinte por usar o termo “agora”.

-... Mas eu estou com frio, será que estou com febre?

- Tenho certeza de que está bem. – ele disse, sem coragem de olhar para Jin e correr o risco de encontrá-lo muito próximo a si.

Jin já falava ao pé de seu ouvido, o que era suficiente para fazer o sangue de Kamenashi se agitar. Seu coração também já aumentava o ritmo das batidas, mas foi somente quando Jin pegou em sua mão que o movimento daquele órgão se tornou frenético.

Vencendo a sua timidez, Kazuya o encarou. Jin deixou seu olhar preso ao do mais novo e, naquele momento, nada mais importava. A sorte de ambos era que estavam sozinhos na praça, mas eles realmente não estavam preocupados com isso. Na verdade, eles sequer se lembravam de quem eram e o que representavam para o entretenimento nipônico.

Eles não eram mais Akanishi Jin e Kamenashi Kazuya. Haviam se transformado em apenas duas pessoas que iniciavam os primeiros movimentos de uma possível paixão.

Jin estava certo. Kazuya tinha ido até ali para procurá-lo. Não havia um motivo em especial, apenas queria vê-lo, mas não teve coragem de ir até a sua casa. Perdeu a confiança no final do caminho e decidiu sentar na praça e recompor seus pensamentos.

Porém, como se tivesse escutado o chamado de seu coração, Jin apareceu. E agora eles estavam ali, ambos indecisos sobre o sentimento do outro, mas unidos em uma sintonia inegavelmente romântica.

Kazuya sabia que precisava ser o primeiro a tomar alguma atitude. Jin já havia se declarado duas vezes e ele o rejeitou em ambas ocasiões. Era natural, portanto, que não tivesse confiança para tentar uma terceira. Embora Kamenashi também tivesse sido recusado duas vezes, não foi de uma maneira tão explícita como aquelas palavras de Jin.

“Eu te amo”

Jin já declarou tal sentimento. O mais velho, naquela época, tinha certeza de amá-lo e, embora Kamenashi já não se sentisse mais seguro quanto a isso, ainda assim, sabia que, se fosse um jogo, era a sua vez de lançar os dados.

Timidamente, ele sentou de lado, ficando em uma posição mais confortável para colocar o braço no encosto do banco. Acariciou os cabelos cumpridos do rapaz, sentindo-o responder com uma suave massagem em sua mão. Gentilmente, Kamenashi se desprendeu daquele toque e levou sua própria mão até o rosto de Jin, que apenas observava os gestos do mais novo, com um certo assombro.

Como se fosse algo desconhecido, Kamenashi percorreu os lábios de Jin com os dedos, fitando-os como se fosse a primeira vez que os via.

Embora mantivesse a serenidade em seu rosto, por dentro, Jin sentia que não seria mais possível se controlar. Internamente, ele delirava ao sentir o contato da pele macia de Kazuya, tinha vontade de beijar aqueles dedos, mordiscá-los, sentir o seu gosto. Mas não o fazia, não conseguia se libertar da surpresa de que estava vivenciando aquela troca de carinhos com Kazuya. Algo que idealizou por tanto tempo em seu imaginário finalmente se tornava real.

Kazuya sentia alguma coisa por ele! Depois de tanto tempo, finalmente o mais novo se rendia ao seu amor.

Isso o deixava exultante, mas, ao mesmo tempo, totalmente paralisado. Descobrir isso foi como reacender uma chama dentro de si. Seu amor por Kazuya parecia ter retornado ao tempo, para o começo do ano, quando ele ainda era puro o suficiente para cultivar um amor impetuoso, vivo e verdadeiro.

Há quanto tempo não se sentia desse jeito? Há quanto tempo a violência de Harada havia obrigado esse sentimento a ficar enclausurado em alguma parte obscura do seu coração?

Fazia tempo, muito tempo, mas, apesar de tudo o que aconteceu, a intensidade desse sentimento não diminuiu nem um pouco, ele descobriu. E, agora que recebia um pouco em troca, Jin não podia descrever a sua felicidade.

- Kazuya! – ele exclamou, não se contendo mais.

Jin o agarrou pelo pescoço, envolvendo-o praticamente por inteiro, apertando-o como se dessa forma pudesse garantir que esse momento seria guardado para sempre.

- Jin...

A voz sussurrada de Kamenashi em seu ouvido o levou ao êxtase. Afastou-se um pouco para admirar aquele rosto, segurando-o entre suas mãos. Kazuya o olhava com um misto de timidez e alegria.

Então, o mais novo afastou suas mãos e, inclinando-se em sua direção, levou os lábios até a sua boca e o beijou com ternura...

5

Aquilo era uma loucura. Sua pele seria rasgada a qualquer instante se o seu coração continuasse a pular daquele jeito. Havia sido apenas um contato leve, porém longo, de seus lábios, mas o corpo inteiro de Kazuya tremia.

Céus, o que era tal sensação?

Tinha a impressão de ter regredido alguns anos, sentia-se como se fosse o seu primeiro beijo. Somente naquela época ele se sentiu tão feliz com um simples beijo.

Depois que passou a sair com Tsubasa, uma mulher mais velha e experiente, ele dificilmente trocava beijos discretos como aquele, em que havia apenas o toque dos lábios, sem língua, recheado de uma inocência que se supõe não existir mais aos dezenove anos. Ainda assim, era exatamente desse modo que Kazuya descrevia o que estava acontecendo com eles.

Precipitava-se entre eles uma relação inocente, mas, arrebatadora. Um sentimento puro e ingênuo, mas cuja intensidade era difícil de mensurar.

Finalmente, Kazuya estava provando dos lábios de Jin e era tão macio, tão gostoso, tão quente...

Ele estava feliz. Ele estava honestamente feliz.

6

A veemência da alegria que sentia era enorme. Receber tamanha demonstração de afeto por parte de Kazuya era como se fosse um prêmio depois de toda o caminho espinhoso pelo qual foi obrigado a andar. Estava feliz.

Seu desejo crescia cada vez que sua mente tomava consciência do calor do corpo de Kamenashi contra o seu, do perfume do rapaz penetrando em suas narinas, dos lábios finos e quentes grudados ao seu. Seu peito explodia em um ímpeto de conhecer mais daquele corpo, era uma reação física natural, mas, mais forte que qualquer anseio carnal, era a sua vontade de não mover um só centímetro de sua posição.

Podia ser uma atitude contraditória. Aliás, nada daquilo parecia racional. Em um momento, tinha total convicção de que o pequeno amava Tsubasa e, no instante seguinte, a esperança de vir a ser amado por Kamenashi surgia diante de si, inesperadamente.

Jin queria preservar aquele beijo, protegê-lo, guardá-lo para sempre em seu coração. Por isso, não ousava avançar mais, não tentava invadir aquela boca. Percebia que Kazuya tinha a mesma intenção, já que não se movia.

Abrindo os olhos, Jin admirou aquela expressão tranqüila e sorridente de Kazuya, que estava evidentemente satisfeito com o seu beijo. Jin não conseguiu evitar, começou a rir.

Kamenashi estranhou os movimentos dos lábios de Jin e compreendeu o que o outro fazia quando ouviu a sua risada. Que diabos de reação era aquela?

Por um instante, Kamenashi se irritou, mas assim que viu o olhar de Jin, marejado, mas claramente feliz, compreendeu que aquela era a sua maneira, um tanto tímida, de demonstrar o quanto estava emocionado. Era, afinal, uma reação Bakanishi. Por isso, Kazuya sorriu.

- Neh, Kazu... – Jin chamou a sua atenção de repente – Quando Harada retornar da licença, eu vou explicar o que aconteceu naquele dia...

- A que dia você se refere?

- Eu vou contar por que eu disse aquelas coisas a todos vocês naquela noite, quando perdemos o debut.

Kamenashi ficou confuso com aquela declaração. Não entendia porque o outro tocou nesse assunto naquele momento.

- Jin, você não precisa reviver esse tipo de coisa agora… Todos já o perdoaram...

- Eu sei, Kazu, mas... Quando Harada voltar, você vai entender tudo. Eu quero que você entenda tudo...

Notando uma expressão dolorosa em Jin, Kamenashi não insistiu mais. Em seu íntimo, ficava satisfeito com aquela demonstração de confiança. Afinal, estava sentindo Jin muito distante nos últimos dias – e muito próximo de Yamapi, diga-se de passagem – e tê-lo de volta era uma sensação deliciosa.

Por um breve momento, pensou em Tsubasa. Seu coração doeu ao pensar na decepção e tristeza que daria àquela mulher que tanto o fez feliz e o apoiou durante todo o namoro, mas não podia enganá-la mais. Queria Jin, estava disposto a ficar com ele. Com essa determinação, ele afastou a imagem da cantora de sua cabeça e se permitiu a aproveitar aquela oportunidade que estava tendo naquela noite.

Ainda ficaram ali, abraçados, por algum tempo. Depois, porém, como já era tarde e certamente não haveria mais trens, Kamenashi passou a noite no apartamento de Jin.

7

Harada voltou muito depois do prazo da licença. Jin até temeu que ele pudesse ser demitido sem que a diretoria ficasse sabendo a verdade e, dessa forma, seria impossível que alguma providência fosse tomada para mantê-lo afastado do KAT-TUN. Mas, para seu alívio, ele apareceu durante uma manhã em que só teriam gravação no período da tarde, mas todo o grupo estava presente para ensaiar os passos da nova música que apresentariam no Shounen Club.

Isso aconteceu três dias depois do beijo entre Kamenashi e Jin, que, depois de tal encontro, passaram a compartilhar olhares e sorrisos carinhosos sempre que se viam.
Jin, durante esse período, teve a chance de conversar com seus amigos do News. A situação da banda, aos poucos, estava se normalizando, mas, para diminuir os estragos, todos estavam trabalhando arduamente e Yamapi, o que mais tinha destaque em novelas, estava negociando vários trabalhos para o final do ano e também para o ano seguinte.

Com tanto trabalho e problemas, nenhum dos três viu o mês de julho passar e, no entanto, já era agosto quando Akanishi pediu uma reunião com a diretoria.

8

- O que está acontecendo, Jin? – o olhar de Junno refletia a mesma aflição que era notada em sua voz – Por que uma reunião assim, urgente?

Estavam todos no vestiário, preparando-se para o encontro com as pessoas mais importantes atualmente na Johnnys. Não era comum encontrar tais personalidades todos os dias, mas, providencialmente, naquela manhã, eles se encontravam no local.

Eu também preciso de um pouco de sorte, afinal. Ele pensava.

- Vocês descobrirão daqui a pouco... – ele disse.

- Quanto mistério. – zombou Nakamaru – Espero que seja alguma coisa boa!

- Depende do ponto de vista. – foi a resposta sincera de Jin, terminando de vestir a camiseta.

A porta do vestiário foi aberta por Yamapi, que pediu licença e entrou, cumprimentando a todos. Foi até Jin e colocou a mão em seu ombro. Na noite anterior, ele tinha recebido uma mensagem sua avisando-o de que estava disposto a entregar a fita para a diretoria com ou sem a presença de Harada. Por isso, o integrante do News decidiu apresentar seu apoio, mais uma vez.

Eles não disseram nada, apenas trocaram sorriso e essa cumplicidade não passou despercebida por Kamenashi que, mesmo de costas, podia observá-los bem através do espelho que havia em seu armário. Insatisfeito com a cena que via, perguntava-se porque Jin não lhe contara nada quando estava evidente que Yamapi estava a par de tudo.

Yamashita, por sua vez, ignorava o que tinha acontecido entre as iniciais do KAT-TUN, portanto, continuava a tratar Jin com a intimidade de sempre sem imaginar o ciúme que provocava em Kamenashi.

- Eu tenho que gravar um programa agora, mas devo voltar para a empresa à tarde. Você precisa de carona pra ir embora?

- Eu não tenho certeza o que vai acontecer depois da reunião... Temos gravações, mas... – Jin pensou por uns instantes e, então, disse: - É melhor não me esperar... A gente se fala amanhã.

- Não me deixe nessa agonia até amanhã. Assim que possível, me liga.

Afirmando que faria isso, Jin se afastou para pegar o seu perfume no armário e foi então que viu aquele olhar irritado. Kamenashi tentou disfarçar e voltou a arrumar seu cabelo, mas viu, com o canto dos olhos, o sorriso satisfeito de Jin.

Aquele palhaço havia percebido o seu ciúme e estava contente! Kamenashi, revoltado, bateu a porta do armário e disse a todos que os encontraria na sala de reunião.

Conhecendo o temperamento do mais novo, Jin sabia que estava enrascado, mas não conseguia deixar de rir, aquele riso meio nervoso, com consciência de que tinha aprontado, mas seu regozijo diante daquela demonstração de sentimento de Kazuya era maior que o medo da bronca.

- O Kame... Está bravo? – perguntou Koki, piscando seus olhos diversas vezes, surpresos.

Ninguém, além de Jin, saberia responder, mas este não tinha intenção de se manifestar. Notou que Yamapi o olhava com certa malícia, provavelmente havia entendido a situação. E ele só pode sorrir, em resposta à pergunta silenciosa de seu melhor amigo.

9

Kamenashi ainda estava zangado quando os outros membros do KAT-TUN entraram na sala, mas tentou ignorar, afinal, seria difícil explicar a qualquer um deles o seu mau-humor repentino. Estava decidido a disfarçar, mas, quando Jin entrou, ele não conseguiu evitar lançar-lhe outro olhar irado.

O mais velho hesitou um momento e observou que a sala estava arrumada como um cinema. As cadeiras estavam enfileiradas e, na frente delas, havia um telão.

Jin saia que era mais saudável sentar do lado oposto ao de Kazuya, ciente da fúria do pequeno, que estava sentado na ponta da terceira fileira, porém, o seu espírito brincalhão, uma vez que desperta, não conhece limites, e então ele fez questão de se acomodar na cadeira ao lado e deixar sua mão cair no apoio da cadeira de Kamenashi, onde estava o braço deste.

Ao contato das mãos, seus olhos se encontraram e Jin sorriu, mas a expressão do outro não se alterou. Puxa, como aquele pequeno era genioso!

A animação de Jin esfriou quando Harada entrou e deu lugar a uma grande ansiedade em seu peito. Ele sentiu seu coração se acelerar diante da batalha que seria travada logo mais. Será que aquele assessor sabia o que aconteceria? Harada devia ter consciência de que não podia ser outro assunto. Ainda assim, ele parecia distante, absorvido em alguma questão muito longe daquela sala.

O assessor entrou sem nem ao menos direcionar o olhar para qualquer um deles, o que fez todos estranharem a sua atitude. Ele se sentou o mais afastado possível de Jin, e, sabiamente, sentou ao lado de Junno, o mais pacífico dentro do grupo. Se foi ato intencional ou não, Jin nunca saberia.

Aquele safado estava acabado. Finalmente, tudo terminaria.

Jin pegou o pen drive em seu bolso e notou que sua mão tremia. Ao lado, Kamenashi também notou aquele nervosismo e, deixando o ciúme de lado, o olhou com preocupação. Não pode perguntar nada, pois um secretário entrou na sala para anunciar a presença dos executivos.

Um a um, os diretores foram entrando. Eram três senhores de aparência respeitável e um deles era o representante direto de Kitagawa-san. Seu nome era Miura e, entre todos, tinha o ar mais bondoso. Seus cabelos já eram grisalhos e usava óculos redondos, que combinava com o formato de seu rosto. Ele se sentou no meio dos outros dois homens, que estavam no centro da primeira fileira, após cumprimentar os presentes.

Quando todos estavam devidamente acomodados, Jin se levantou, certificou-se de que a porta estava devidamente trancada, a fim de evitar qualquer entrada inesperada. Ele não queria que mais ninguém além dos presentes pudesse tomar conhecimento daqueles fatos que apresentaria.

De costas para todos, com a mão ainda na maçaneta, ele hesitou. Apreensivo, percebeu o quanto era difícil denunciar uma situação revoltante como aquela. Estava com medo, envergonhado, tinha vontade de sair correndo.

Respirou fundo e fechou os olhos, procurando por uma coragem que não conseguia encontrar.

- Akanishi-san? – ele ouviu a voz de Miura-san – Está tudo bem, meu rapaz?

Ele fez que sim e se adiantou até o aparelho diante do telão. Colocou o pen drive na entrada USB e viu o símbolo do Windows surgir na tela. Então se virou e cumprimentou a todos. Evitou olhar para Harada.

- Primeiramente, gostaria de pedir desculpas a todos pelo absurdo de chamá-los tão repentinamente. Sei como todos são ocupados e eu me desculpo sinceramente por isso. – ele se curvou levemente – Mas... Se eu procedi assim, foi por algo realmente importante.

Para Kamenashi, era estranho vê-lo agir tão formalmente, mas o que era ainda mais peculiar era a insegurança que Jin demonstrava. O rapaz estava trêmulo e sua voz falhava. Seus olhos, agitados, não conseguiam se fixar em nenhum lugar. Eles pulavam de Koki para Nakamaru, para em seguida olhar Ueda, Junno e ele. Então, arriscava olhar para algum dos diretores. Mas, em nenhum momento, Harada era o alvo de sua atenção.

Kamenashi se corrigiu. Não era apenas insegurança que Jin demonstrava, ele parecia estar em pânico.

Que desespero. A agonia de Jin estava invadindo o seu peito. Queria tirá-lo dali o mais rápido possível e acalmá-lo, mesmo não entendo o motivo daquele tormento. Sem perceber, Kazuya começou a morder seu dedo indicador, demonstrando o quanto ele próprio já se sentia aflito.

A tensão de Kazuya apenas aumentou ao escutar os cochichos de seus amigos, todos eles se perguntando o que estava acontecendo e o que Jin podia revelar de tão importante. Era notório o desconforto de Akanishi até mesmo para os executivos, os quais, com a exceção de Miura, o olhavam com impaciência.

Porém, o que mais chamou a sua atenção foi Harada. Cabisbaixo, ele não parecia ter interesse em ouvir o rapaz, mas seu rosto demonstrava um pesar enorme. Harada também saberia qual era o problema de Jin?

- É tão importante que eu nem pude procurar a polícia.

Depois de dizer tais palavras, Jin sentiu todos os olhares caindo sobre si. E o que mais pesou foi o de Kamenashi, realmente espantado com aquela afirmação e, talvez, começando a entender a real gravidade daquela reunião. Jin mordeu os lábios por um momento e então prosseguiu:

- Hoje, eu quero fazer uma denúncia contra Harada Takeshi-san.

Todos do KAT-TUN perceberam a súbita mudança de humor de Jin. Agora, ele parecia estar controlando a sua raiva. Kamenashi olhou para os executivos, que não escondiam a surpresa do que ouviam, e depois fitou Harada. Ele continuava impassível.

- O que você está dizendo, Akanishi-san, é algo muito sério. – afirmou Shimada, passando a mão em seu cabelo enlambuzado de gel, enquanto o fitava com seus olhos pequenos, que mais pareciam dois riscos, que tornavam a sua expressão parecida com a de uma raposa.

- Me desculpe, Shimada-san, mas é mais sério do que o senhor imagina. – Jin foi enfático. – Eu peço a compreensão de todos... Como se trata de uma questão delicada, ao invés de me ouvirem, por favor, assistam a este vídeo, que comprova a história muito melhor do que se eu a explicasse apenas com palavras.

Jin, finalmente, clicou duas vezes no ícone do pen drive, selecionou a pasta e um programa de reprodução de vídeo se abriu. Depois disso, ele se apressou a voltar para o próprio lugar, evitando os olhares de seus amigos.

Poucos segundos depois, o vídeo começou. A imagem estava desfocada, era evidente que era uma filmagem amadora, e o som estava distante, mas era possível entender o que estava sendo dito.

Jin estava sentado em uma cadeira e Harada estava de pé, próximo a ele, massageando o braço do rapaz e em seguida o assessor perguntou:

- Você seria capaz de fazer tudo?

Não houve resposta. Então, com um puxão brusco, Harada trouxe a cabeça de Jin para trás, deixando o pescoço do rapaz a mostra, o qual permanecia calado, apenas observando com um olhar furioso.


- O que é isso? – Noda-san, o mais novo dos três executivos, porém o mais antiquado, perguntou com uma certa indignação. Virou-se para trás, para questionar a Akanishi o que realmente significava aquelas imagens, mas Miura segurou o seu braço.

- Espere. – disse o mais velho.

Nervoso, Noda concordou e voltou seus olhos para tela. Jin, de onde estava, notou que Nakamaru e Koki olhavam para ele e depois para o vídeo, confusos, já tendo uma idéia do que estava acontecendo. Provavelmente, Ueda e Junno deviam estar reagindo de um modo parecido, mas Jin não poderia afirmar, já que eles estavam sentados atrás, próximos a Harada e ele evitava ao máximo olhar para aquele sujeito.

No entanto, a reação que mais importava para ele era a de Kazuya. O pequeno continuava assistindo com atenção, mordendo o dedo indicador, em evidente nervosismo. Mas ainda era cedo para Jin poder dizer se o rapaz ficaria decepcionado, chocado ou furioso com o conteúdo mais pesado do vídeo.

- Claro, você pode se recusar, Jin...Mas você sabe como é fácil escapar certas coisas para a mídia, não sabe? É tão difícil mantê-la afastada de nós...Principalmente se for alguma notícia polêmica.

Harada começou a beijá-lo. Jin estremecia com o toque daqueles lábios, grossos e nojentos, mas não dizia nada.

- Você sabe, não sabe? A situação do KAT-TUN é bastante delicada...- Harada erguia a camiseta de Jin - A qualquer comentário meu, o debut de vocês pode ou não pode sair... – Ele mordeu de leve os mamilos descobertos - Logo, se eu estiver satisfeito com vocês, vocês com certeza serão lançados oficialmente...- e em seguida desceu seus lábios até o umbigo de Jin.


Diante de tais cenas, Kamenashi parou de morder o dedo, deixou a boca aberta, estupefato. Remexeu-se na cadeira, sentindo um enorme incômodo. Sua testa estava franzida, demonstrando a sua indignação. Olhou para Jin, ao seu lado, e notou que ele havia fechado os olhos, mas ainda assim seu corpo tremia.

Que diabos! Era o que ele queria exclamar, mas as palavras morreram em sua garganta. Ainda estava tomado pela surpresa e as imagens prosseguiam, sem dar tempo dele se recuperar.

Agora, o vídeo mostrava um outro momento.

Harada, com as mãos unidas em cima da mesa, inclinou-se para frente e, em um ato de cumplicidade, disse:

- Haverá uma reunião com a banda dentro de alguns dias. O tema, obviamente, será o lançamento do KAT-TUN...Mas, na minha opinião, vocês ainda não estão maduros o suficiente! Como assessor, no entanto, eu não posso dizer isso. Mas, você pode e vai dizer. E eu tenho certeza de que você não vai se negar quanto a isso!

- Não se preocupe. – Harada logo se apressou em dizer ao ver a expressão furiosa do rapaz - Isso é apenas um adiamento. Eu só não digo isso pessoalmente porque estragaria minha imagem como assessor...Afinal, como assessor, eu tenho que trabalhar para o sucesso da banda...Tenha a certeza, Jin, de que se você trabalhar arduamente, o lançamento oficial virá. Por isso, faça o seu melhor, certo?

Harada desfez o nó da gravata e se levantou. Com a cabeça, indicou o sofá ao fundo da sala, onde se acomodou e fez um gesto para Jin se aproximar.

- Ajoelhe-se. – foi a ordem que Jin recebeu.


- ISSO É IMUNDO! – gritou Koki, ferozmente.

As pálpebras de Jin estremeceram, Kamenashi observou, mas não podia condenar Koki por extravasar o sentimento que, muito provavelmente, era compartilhado por todos os presentes, à exceção óbvia de Harada. Assim como era evidente que o Joker não queria magoar ainda mais Jin, porém, era impossível não mostrar o desprezo que o dominava naquele instante.

Sem muita opção, Jin se agachou. Observou enquanto Harada abria o zíper da própria calça.

- Dê o seu melhor, né, Jin-kun?


Aqui, o vídeo foi evidentemente cortado. Então, a imagem mudou. Não era mais a sala de Harada, mas sim um quarto de hotel. Jin estava vestido de empregada.

Kamenashi logo se recordou da amargura da voz do amigo quando disse que aquela roupa era extremamente desnecessária. Agora, ele compreendia a sua dor. Aquela brincadeira de amigos havia se tornado em um verdadeiro inferno para Jin no quarto de Harada...

- Apenas fui dar uma volta para fumar.
- E não podia avisar?
- Achei que se voltasse sem a sua fronha e o pijama do Koki vocês teriam outro ataque!


Aquela desculpa esfarrapada... Na verdade, Jin estava sendo violado naquele instante. E, quando retornou ao quarto, ainda teve que ouvir a sua bronca. Kamenashi sentiu como se tivesse tomado um soco no nariz. Tonto, sentia-se sem rumo, ao mesmo tempo em que as lágrimas começaram a invadir seus olhos.

- Jin... – ele sussurrou.

Foi com grande esforço que ele voltou a assistir aquelas cenas. Harada, deitado na cama, ainda nu, dizia:

- Amanhã será realizada a reunião... Pouco antes do jantar. Aproveite a gravação... Provavelmente será a última vez que seus amigos desejarão soltar fogos com você, não é? Ah, mas eu vou te ajudar, Jin-kun... Ali, em cima da mesa, está o seu roteiro! Decore direitinho e mostre o quão bom ator você é! Agora pode ir, eu quero dormir!

Diante dessa informação, quem se revoltou foi Nakamaru. Lembrou-se da sua discussão com Jin, lembrou-se do quanto palavras fortes foram trocadas naquela época e tudo havia sido arquitetado por aquele homem sem pudor algum que apenas queria o corpo do seu amigo. Nakamaru fechou os punhos, torcendo para que o vídeo terminasse logo.

A tela se tornou escura. Os presentes começaram a se inquietar, murmúrios de indignação eram exclamados, mostrando que logo mais os ânimos se exaltariam, mas todos se calaram ao notar que, apesar de não haver mais imagens, as vozes de Harada e Jin prosseguiam. Eles escutaram, então, a última chantagem.


- Você está pensando em se rebelar, Jin-kun? – Harada mantinha sua voz tranqüila.

- Eu apenas estou dizendo que não estou bem... Em todo caso, por quanto tempo mais você pensa em continuar me chantageando?

- Por acaso, você não está pensando que há um prazo de validade, está?

- Um dia, isso vai acabar. – garantiu Jin.


Silêncio.

- Hiroki... – Jin sussurrou – Então foi você quem o denunciou? Por que? Você poderia me explicar o porque de toda essa maldita loucura?

- Não, eu não posso explicar.


E, desta vez, o vídeo havia terminado.

10

O silêncio prevaleceu após o fim da gravação. Era possível ouvir a respiração dos presentes, atônitos, com tudo o que tinham assistido. Os executivos ainda estavam absorvendo aquelas informações, suas mentes registravam a gravidade da situação e, ao mesmo tempo, procuravam pelas medidas certas a serem tomadas. Esses pensamentos práticos ocupavam metade de seus pensamentos, enquanto a outra metade, o lado mais humano, ainda estava horrorizado com tudo o que o jovem havia sofrido nas mãos daquele sórdido e sujo Harada.

Os integrantes do KAT-TUN, por sua vez, não se preocupavam com a questão objetiva do assunto, apenas sentiam raiva, tristeza e remorso diante daquelas revelações. O primeiro a tomar uma atitude, foi Ueda.

O rapaz de aparência mais delicada do grupo se levantou e, enérgico, foi até Harada e o levantou pela gola. Apesar da feição geralmente dócil, Ueda podia ser bastante perigoso quando alguém conseguia tirá-lo do sério e então ele mostrava a sua verdadeira força. Isso era uma coisa impossível, era o que todos acreditavam, até então.

- Como você teve coragem? – Harada mal pode ouvir a voz de Ueda, de tão baixa – Como você pode nos usar para chantageá-lo?

Harada não tinha intenção alguma de se defender. Apenas continuou olhando para Ueda, que considerava essa atitude como um deboche, o que aumentou ainda mais a sua fúria.

- Como você teve coragem de tocá-lo? Você nos viu crescer!

Ueda não pode se conter mais. Um soco no queixo levou aquele homem até o chão. Os óculos de Harada escorreram pelo chão até se esconder debaixo de uma cadeira. Ueda o pegou novamente pela gola, e estava preste a socá-lo mais uma vez quando foi segurado por Junno, o segundo do grupo a reagir.

- Pare com isso, Tatsuya. – ele pediu.

- Você não quer defender esse hipócrita, quer? – o outro rosnou.

Junno se assustou com a sua agressividade, mas se recuperou rápido do choque. Então, disse:

- Não, eu quero é te proteger! Você quer que ele te denuncie por agressão e armar um escândalo? Não percebe que todos os esforços do Jin foi para evitar algo assim? – perguntou emocionado, com as lágrimas enchendo seus olhos.

As palavras de Junno convenceram Ueda, que, temendo desperdiçar o sacrifício de Jin, preferiu se afastar do assessor.

Os executivos perceberam que uma grande confusão poderia se armar depois de tudo aquilo. Então, eles se apressaram em retirar Harada do local e o levaram para uma outra sala, onde seria discutido o seu destino.

Miura, no entanto, permaneceu no local e caminhou até Jin. O rapaz, cabisbaixo, não tinha coragem de encará-lo. Mas se surpreendeu ao sentir a mão do diretor em seu ombro e escutar:

- Bom trabalho, meu jovem. Você realmente trabalhou duro. Agora, é hora de descansar, certo?

Jin, então, ergueu a cabeça e encontrou um sorriso confortador em Miura. Depois disso, aquele senhor também se retirou, sabendo que era o momento dos seis jovens conversarem entre eles.

Contudo, Kamenashi se levantou bruscamente, sem dizer uma palavra e também saiu da sala, sob os olhares atônitos dos outros membros.

11

Ele necessitava de ar puro. Kamenashi sentia-se sufocado naquele ambiente devasso e humilhante. Ele precisava se afastar para pensar com clareza, mas isso talvez fosse uma missão impossível. Seus sentimentos explodiam ao mesmo tempo e seu corpo era pequeno demais para sustentar tantas sensações diferentes.

Ele passava pelas pessoas sem realmente registrar suas presenças, o que era realmente estranho vindo de Kamenashi, sempre tão atencioso com todo mundo. Ele andava com passos rápidos, desesperados, queria procurar um lugar para se esconder, ficar sozinho e acalmar aqueles pensamentos desordenados em sua cabeça.

Kamenashi entrou no primeiro banheiro que encontrou. Por sorte, não havia ninguém. Ele trancou a porta e foi até a pia. Não conseguiu suportar o seu próprio olhar no reflexo do espelho. Abaixou o rosto.

Era horrível pensar a que tipo de coisas Jin havia se submetido apenas para proteger a banda. Kamenashi sentiu-se péssimo por todas as vezes que o acusou de ser irresponsável, que devia se esforçar mais pelo grupo, que ele precisava se conscientizar da importância de cada ensaio, cada treino, cada suor despejado em prol do lançamento oficial...

Fechou as mãos com forças, como se dessa forma pudesse amenizar a dor e o remorso que sentia. Pensou, com amargura, até que ponto suas palavras obrigaram Jin a se sujeitar aos apelos sexuais de Harada.

Kamenashi sentiu, com surpresa, suas mãos úmidas. Ao tocar seu rosto, percebeu que chorava. Não tinha se dado conta das lágrimas até que elas se desprenderam de seu rosto. Uma vez consciente, não conseguiu evitar que outras seguissem as primeiras.

Chorou.

Lembrou-se do beijo inocente trocado entre eles dias antes. Jin, apesar da idade, ainda era capaz de amar como um menino, o que tornava ainda mais inaceitável o que Harada lhe fez.

Com força, esmurrou a pia e sua mente, ainda em um estado de semi-estupor, sequer registrou a dor física.

Kamenashi queria, desesperadamente, encontrar um meio de apagar todas aquelas imagens de sua cabeça, mas, principalmente, queria que existisse um meio de evitar que Jin passasse por tudo aquilo.

Infelizmente, era real. Aconteceu. Deveria digerir aquela história, por mais que desgostasse dela. Mas, ele se perguntava, seria forte o suficiente para isso?

12

A cadeira praticamente voou até a parede, depois do chute que Koki deu nela. O móvel chocou-se com força e caiu, inerte. O rapaz, ofegante, não conseguiu diminuir a sua raiva com tal gesto. Por isso, caminhou até a parede e jogou suas mãos contra ela, abaixando sua cabeça e se permitindo ao choro.

Jin o observava, sem saber ao certo qual era o sentimento do amigo. Era inevitável o medo que o dominou ao pensar que eles poderiam repudiá-lo por ter se sujeitado a tantas provações humilhantes. Afinal, a sua honra masculina havia sido reduzida a um monte de poeira e, em uma sociedade altamente machista como a nipônica, ele poderia ser considerado como alguém tão asqueroso quanto o próprio Harada. E esse medo apenas aumentou com a saída repentina de Kazuya.

Por isso, foi com apreensão que Jin olhava para cada um deles. A não ser pelo barulho da cadeira na parede, nenhum outro som foi escutado durante muito tempo. Cada um, a seu modo, estava processando tudo o que assistiram. Além da indignação e da raiva, todos estavam oprimidos por um sentimento de vergonha, afinal, viram um membro em situações constrangedoras demais e era difícil reagir da melhor forma possível, ainda que esse fosse o desejo de todos, pois não sabiam o que seria adequado ao momento.

Ueda, aturdido, mantinha a cabeça baixa e não conseguia encontrar muitas palavras a dizer para o rapaz. Sofria em se recordar das imagens vistas há poucos instantes e, ainda que fosse difícil demonstrar seus sentimentos na frente de tantas pessoas, não se importou com suas lágrimas. Deixou-as cair livremente, molhando todo o seu rosto.

O soluço de Ueda foi a válvula de escape para o próprio Jin. Ele deixou de conter aquela dor aguda em seu peito e deixou que ela saísse de dentro de si através de seus olhos.

O que aconteceu em seguida foi como o efeito “dominó”. Vendo Koki, Ueda e Jin entregues ao choro, Junno foi o seguinte a desabafar. Nakamaru piscou diversas vezes para segurar a sua tristeza.

- Minna... – Jin quebrou o silêncio – Gomen... – ele sussurrou antes de afundar o rosto em suas mãos. – Gomen. – ele repetiu.

Koki achou aquela desculpa totalmente fora de propósito, não fazia sentido algum o amigo tentar se redimir. Ele se aproximou e abraçou Jin de forma desajeitada. Não disse nada, apenas o abraçou com força, demonstrando a intensidade de sua gratidão, o reconhecimento de seus esforços, e, principalmente, a sua amizade. Quando Koki o soltou, Junno disse:

- Aquele dia, nós passamos do limite... Se pudéssemos ao menos imaginar o que aconteceria com você, não pediríamos para usar aquela roupa... Aliás, se pudéssemos, eu queria tanto evitar aquele dia, eu...

- Eu sei, Junno... – Jin afirmou – Obrigado...

- Jin...- Nakamaru chamou a sua atenção – Realmente, me desculpe. – ele foi direto – Eu não devia ter dito todas aquelas coisas... Cara, esse Harada é um maldito! – ele explodiu.

Jin concordou. Jogou sua cabeça para trás, encostando-a na cadeira e disse, sinceramente aliviado:

- Mas, agora está terminado...

O sorriso de Jin foi um conforto a todos eles.

13

Foi bastante difícil realizar a gravação que estava marcada no período da tarde, mas todos se esforçaram ao máximo para terminá-las, pois compreendiam que fazer o melhor era a única forma de agradecer e recompensar a Jin por todo o sofrimento que ele havia passado.

Jin sentiu-se um pouco egoísta em fazê-los acreditar que havia sido apenas pela banda, jogando muita responsabilidade nos ombros de todos eles, quando o que realmente o motivou a agüentar tudo aquilo tinha sido a idéia de que Kamenashi pudesse ser o mais prejudicado. Claro que ele se preocupava com todos, mas a razão principal era mesmo aquele baixinho que tanto alegrava seus dias.

Contudo, ele preferia dividir o fardo entre os seis, pois seria muito custoso para Kazuya carregar sozinho. Se depender dele, Kazuya jamais saberá qual era, de fato, a chantagem com a qual Harada o manteve em suas mãos por tanto tempo.

Embora convicto de que dessa forma era melhor, ele se sentia constrangido em receber tantas atenções e cuidados, principalmente por parte de Koki, que agia como se ele tivesse se tornado um inválido, sempre o cercando com palavras amistosas, falando baixo e hesitando em dizer qualquer coisa a respeito de Harada, sempre querendo fazer alguma coisa por ele. Jin agradecia sinceramente, mas não podia deixar de considerar aquilo um exagero que ele não merecia.

Além do mais, tornando-se o alvo das atenções de todos, ele não conseguia um momento a sós com Kamenashi, que se manteve distante, isolado em um evidente abatimento durante os intervalos das filmagens, mas que ele escondia perfeitamente quando diante do auditório.

À distância, Jin o observava tristemente, mas quando pensou em se aproximar, foi detido por um comentário de Ikuta Toma sobre qualquer coisa que aconteceu durante a primeira parte daquele Shonen Club.

14

- Uhum... E ele não abriu a boca uma única vez. Apenas ouviu e nem ao menos tentou se defender. Não que, diante das imagens, ele tivesse muita opção. – Jin falava ao celular, enquanto procurava a chave do apartamento em seu bolso – Merda... Será que eu esqueci a minha chave? Cadê a chave reserva, Pi? Ela não está debaixo do tapete...

- Eh? Putz, está comigo! Esqueci de deixar da última vez em que estive aí! – foi a resposta do outro lado da linha.

- Você esqueceu? Sabe, acho que “chave de reserva” seria justamente para quando EU esquecesse a minha chave em algum lugar...Ah! Achei, estava no fundo do bolso...

- Tá vendo? Você se estressa a toa! Depois eu passo aí e te devolvo a outra, mas me fala, qual foi a punição do Harada?

Já dentro de seu apartamento e sentado no chão para retirar os tênis, Jin explicou ao amigo que ainda não sabia. Os diretores estiveram discutindo o assunto por todo o dia e, mesmo quando o expediente chegou ao final, eles ainda estavam trancados na sala, com ordem expressa de não serem incomodados.

- Acho que só saberemos amanhã, talvez... De todo jeito, é o fim de tudo isso... – ele suspirou.

- Que bom, né Jin?

- E tudo graças a você e ao Ryo... Arigatou, né, Pi?

Provavelmente, pensou Jin, o outro estava tímido, pois demorou a dizer alguma coisa e quando o fez, havia mudado de assunto.

- E o KAT-TUN? Qual foi a reação deles?

Jin sabia que o amigo queria saber especificamente a atitude de Kamenashi. Entretanto, se o outro não quis perguntar diretamente, ele também não estava animado em entrar no assunto. Apenas disse:

- Eles são o máximo. Apenas digo que eles valem tudo o que eu passei...

- Não acho que eles se sentiriam honrados com esse tipo de homenagem. – foi a opinião sincera de Yamapi. – Ninguém gostaria de ver um amigo sofrendo tanto...

- Eu sei, Pi... Foi um modo de dizer... Em todo caso, eles ficaram chocados, claro e foi muito humilhante que eles assistissem aquelas cenas, mas, no fim, somos um grupo... Acredito que quando o mar se acalmar de novo, isso tudo vai apenas nos fortalecer!

- Tenho certeza de que você sairá muito mais forte disso tudo!

Jin agradeceu e, alegando cansaço, desligou. Ainda ficou sentado no chão, olhando o aparelho e pensando em seu amigo. O que teria sido dele se não pudesse contar com a amizade de Yamapi? Sorriu, sabendo que a eternidade não seria suficiente para agradecê-lo.

Ele se levantou e se dirigiu para o quarto, separou algumas roupas limpas e foi para o banho. Debaixo da ducha, sentiu todos os músculos relaxarem de verdade depois de muitos dias tensos. Ele não pôde deixar de pensar que, a partir de agora, o medo que sentia pela presença opressora de Harada já não existia mais.

Agora, tudo poderia voltar a ser como antes. Não, ele se corrigiu, nem tudo. A relação entre Kamenashi e ele jamais voltaria a ser como a do começo do ano. Ele ainda não tinha certeza do que aconteceria entre eles, mas, certamente, não seria igual antes.

Isso, entretanto, não seria de todo ruim, ele descobriria minutos depois, quando, após o banho e enquanto esquentava algo para encher o estômago, a campainha tocou.

Era Kazuya.




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Dom Mar 07, 2010 5:31 am

Waaaaaaaaa linda a cena d Akame *-------*
aeee finalmente hein Kame \e/
Hideki morreu ??? oq q triste TToTT
ah mto emocionante essa cena dos membros juntos e chorando
meu chorei aq /FATO
*snif snif*
ms d alegria ^^

ow cmo assim ainda vai começar o drama??? O_O
caramba td isso foi o q entao? O_O
medo agora
nao consigo imaginar os horrores q a pessoa q está po tras disso td vai fazer
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Dom Mar 07, 2010 11:37 pm

Essa cena Akame foi muito no improviso... Era para ser uma cena apenas do Jin dando uma volta pela rua, sentindo-se livre de novo... Mas aconteceu... Eles são um imã um para o outro ^.~! hahahahha

Mas acho que acabou ficando bom, né? Contudo, ainda não supera o lemon Pin XD... Aquela foi mesmo a cena que eu mais gostei de escrever ^^!

Morreu =/

E acho que essa foi a maior punição para o Harada. Além disso, se um dia o menino descobrisse como o pai conseguiu um coração para ele, seria bem doloroso =/ ...*aquela que já imaginava o futudo do Hideki XD*

É, podem falar o que quiserem sobre o KAT-TUN ser desunido (tudo bem que as últimas participação do KAT-TUN tem me deixado a impressão de que todos não se dão bem com o Jin... Ou seria o Jin que não se dá bem com todos O.o? Sei lá, ele anda muito quieto e alheio nas entrevistas =/...), enfim, eu quero acreditar que eles são unidos ao ponto de chorarem juntos hehehe.

Ah, então... Não sei se os próximos capítulos terão cenas mais pesadas que chantagens sexuais, eu acho que não, mas é mais doloroso pelo fato de quais pessoas vão tomar certas atitudes... E... Não vou dar mais spoiler XD!

Obrigada, Nara!!!

Beijoss




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Ter Mar 09, 2010 12:54 am

Término(s)

1

- Está chovendo forte. – Kazuya observou casualmente, enquanto Jin lhe entregava uma xícara de chá – Ainda bem que consegui chegar a tempo de não me molhar.

Jin concordou com um gesto de cabeça. As pancadas de chuva durante o verão podiam ser bem cruéis, mas ele não estava interessado nisso. Estava nervoso com a súbita visita do caçula, não conseguia entender o que se passava em sua cabeça. Por que ele tentava agir de modo tão normal depois de ter fugido daquela forma durante a manhã?

Tentou se acalmar. Sentou-se afastado do mais novo e esperou que ele entrasse no assunto. Por algum tempo, eles apenas permaneceram em silêncio, escutando a chuva agredir a janela da sala, enquanto tomavam chá.

Era de se esperar que Kamenashi iniciasse a conversa. Afinal, não havia outro assunto que o trouxesse até ali que não fosse a respeito de Harada. No entanto, o pequeno não dizia uma única palavra. Impaciente, Jin, de cabeça baixa, balbuciou um pedido de desculpas.

- Gomen, Kazu...

O outro parou a xícara próxima aos lábios e o olhou com espanto. Nunca, em todos os anos em que estiveram juntos, nunca o viu tão fragilizado. Claro, nunca antes vivenciaram uma situação como essa. Além disso, é natural que haja algumas mudanças de comportamento quando se é vítima de violência, mas Kazuya sabia que não era apenas o corpo de Jin que havia se machucado com aquela história toda.

Finalmente, ele enxergava a extensão do mal que Harada havia feito a seu amigo. A personalidade de Jin sofreu um grande golpe, a sua confiança estava abalada, a sua alma estava muito mais contida e insegura... Será que algum dia ele poderia se recuperar desse trauma?

Miserável!

Kazuya teve que engolir a sua raiva. Aquele não era momento de indignação, não mais. A sua revolta havia sido deixada naquele banheiro da empresa, local em que ele desabafou sozinho. Agora que estavam a sós, Kame entendia que era o momento de cuidar do rapaz.

- Você não tem que se desculpar, Jin... – ele disse suavemente, repousando a xícara na mesa de centro.

- Eu vou entender se você preferir continuar com a Tsubasa...

Era sempre difícil acompanhar o raciocínio de Akanishi, normalmente, mas para Kame, aquelas palavras beiravam ao absurdo! Logo agora que eles deram um passo importante no relacionamento deles, Jin achava que ele fosse mudar de idéia?

- Eu vou entender... – Jin continuava, ignorando a revolta do mais novo – Se você sentir... Nojo de mim.

Jin finalmente ergueu seus olhos para Kazuya. Era o momento de colocar as cartas na mesa. Estava dando a oportunidade para o outro recuar. Sabia o quanto era arriscado, pois não ignorava a intensidade do amor que o caçula sentiu por Tsubasa – ou, talvez, que ainda sentia - e o peso que lhe retirava dos ombros, caso ele se julgasse na obrigação de permanecer ao seu lado por gratidão ou, ainda, por pena.

- Me desculpe, Kazu, por te beijar sem que você estivesse a par de tudo... – ao dizer isso, a voz de Jin foi entrecortada por soluços.

Kamenashi sentiu como se uma lâmina cortasse sutilmente o seu coração ao ouvir a voz chorosa do rapaz.

Eles se olharam. Os olhos de Jin tremiam, hesitantes, com medo. Tinha mostrado a Kazuya a sua parte mais frágil, mais humilhada, e agora era a hora de saber o que realmente o pequeno sentia depois de tudo.

Kazuya, por sua vez, olhava com admiração aquele rapaz a sua frente. Ainda era difícil descrever o que sentia. Queria chorar, queria gritar, queria que nada daquilo fosse verdade. O seu coração diminuía por estar ciente daquelas violações, do rosto desamparado de Jin durante as cenas gravadas, da dor não proclamada por seus lábios ao sentir aquele homem o invadindo.

Mas, acima de tudo, o afligia perceber que Jin o havia interpretado de modo tão errado. Em algum momento, de modo não intencional, ele deixara a impressão errônea de que o que tinha acontecido poderia pôr um fim à relação entre eles, que ainda estava apenas no começo.

Ao ouvir tal desabafo, Kamenashi deixou-se dominar por um sentimento arrebatador, queria confortar o amigo de qualquer jeito, de qualquer modo. Desesperava-o perceber o medo que Jin sentia de perdê-lo por não se considerar mais digno de seu amor. Como aquele estúpido era capaz de se menosprezar tanto assim? Como Jin não conseguia enxergar o quanto era importante para ele?

Kazuya sabia que, em parte, essa insegurança era culpa sua. Ainda não havia demonstrado com clareza o que sentia em relação ao mais velho. Isso porque, na verdade, nem ele mesmo compreendia muito bem o que era aquilo que se passava dentro de si.

Contudo, naquele momento, ele tinha certeza apenas de uma coisa. O sofrimento de Jin lhe fazia mal. Era a pior coisa que lhe podia acontecer, muito pior do que se fosse ele a vítima de todas aquelas violações e chantagens. Ver o rapaz tão maltratado e se sentir tão incapaz diante disso apertava-lhe a garganta, era sufocante...

Essa agonia em seu peito era tão intensa, que lhe revoltava o espírito aquela idéia de Jin de que ele preferia ficar com Tsubasa depois de tudo. Ele precisava mostrar ao mais velho que tal pensamento era tão contrário à razão, que beirava ao disparate.

Saiu do lugar em que estava e se ajoelhou diante do rapaz. Jin, curvado para frente, com a fronte novamente baixa, apenas esperava com ansiedade a resposta de Kamenashi.

Kazuya tocou aquele rosto desamparado com as mãos e fez o outro olhar para si.

- Você está tão machucado... – ele murmurou – E saber disso é tão doloroso... Eu queria voltar no tempo e impedir que você passasse por tudo isso... Mas eu não posso... Gomen, Jin!

Em um movimento rápido de suas mãos, segurou o rosto de Jin e o beijou. Forçou-o a entreabrir os lábios, de modo que suas línguas finalmente se encontraram e se bateram com a intensidade de suas vontades naquele momento.

Kamenashi o beijava com ânsia, era um beijo avassalador, que expunha o seu desespero. Jin deixava-se dominar, apenas acompanhava o ritmo frenético que o outro lhe impunha. Com aquele beijo, Kazuya esperava que o outro compreendesse finalmente o que se passava em seu coração. Como um mar agitado durante uma tempestade, ele queria que Jin sentisse que o seu sentimento era igualmente forte.

- Eu quero ficar com você... – ele revelou, ainda de olhos fechados, em um momento em que seus lábios se separaram apenas um centímetro.

- Kazu... – sussurrou Jin, estonteado com o hálito do mais novo ainda se confundindo com o seu.

Kazuya voltou a beijá-lo no canto dos lábios, na bochecha, no nariz e, finalmente, na testa. Um beijo protetor.

- Eu vou terminar com a Akeko... E nós ficaremos juntos. – ele disse, sorridente.

Segurando firme a cintura de Kazuya, Jin o fez se levantar e sentar em seu colo. Admirou aquele rosto que sempre foi o alvo de seus desejos e que agora o olhava com a mesma intenção.

Tais palavras soavam como um sonho para Jin. Tanto tempo cultivando aquele amor, tantas provações, tantas lágrimas derramadas, mas, finalmente, a semente começava a germinar e, logo mais, cresceria e daria frutos... Ele não conseguia acreditar.

- Kazu... Eu te amo!

A declaração feita em um sussurro foi o golpe de misericórdia para o autocontrole de Kamenashi. As lágrimas inundaram seus olhos e ele já não se preocupou mais em escondê-las.

- Você é um grande idiota!

Jin o olhou espantado, mas Kamenashi, em seguida, sorriu com carinho.

- Você não devia ter suportado tudo isso sozinho, Jin... – a sua voz era entrecortada pelo choro e seus lábios tremiam pela emoção – Você devia ter nos contado, devia ter nos procurado!

- Gomen, Kazuya...

- Baka! Isso não é uma bronca... Isso... O que eu quero dizer, na verdade, é... – Kamenashi não sabia como dizer o que queria e isso era algo inesperado. Apesar de ser o mais novo, sempre foi aquele com mais domínio na hora de falar em público. Sempre teve uma ótima postura em qualquer tipo de situação, mas, naquele momento, as palavras lhe faltavam. Ele apenas pode sussurrar: - Arigatou... Obrigado por nos proteger...

Emocionado, Jin fitou Kamenashi diretamente nos olhos, em uma comunicação silenciosa de tudo o que de mais sincero havia em seus corações. Depois disso, eles fecharam os olhos e se entregaram mais uma vez aos lábios um do outro.

2

O Sol forte aumentou a temperatura do seu quarto consideravelmente, a ponto de despertá-lo com a testa molhada de suor, mas ele não tomou consciência disso. Ainda com os olhos fechados, sorriu.

Depois de ter dormido confortavelmente durante horas, o que ajudou a revigorar seu físico e tranqüilizar seu espírito depois das emoções do dia anterior, Kamenashi se pôs a refletir em sua situação.

Ele amava um homem. Ele nunca imaginou que isso pudesse acontecer, apesar dos inúmeros Fã Service realizado em shows, ensaios fotográficos ou em programas de televisão. Até então, era apenas uma relação profissional que, aos poucos, foi se transformando em algo muito mais forte...

De repente, como em um passe de mágica, descobriu-se envolvido por Jin a tal ponto que se tornou insuportável pensar que esteve a um passo de perdê-lo, pois tinha certeza absoluta de que, cedo ou tarde, Jin aceitaria o amor de Yamapi.

Revirou-se na cama, em um misto de preguiça com uma certa satisfação por ter recuperado o amor de Bakanishi. Queria continuar ali, deitado, apenas relembrando as carícias trocadas, mas sabia que precisava se levantar e trabalhar.

Lembrar-se do beijo do mais velho lhe devolveu a energia necessária para sair da cama de uma vez. Enfiou-se debaixo do chuveiro e, quando saiu, notou seu celular vibrando em cima da cômoda. Havia recebido uma mensagem de Akeko.

Precisamos conversar.
Vamos nos encontrar no final do dia em casa?

Kamenashi suspirou. Era incrível como aquela mulher possuía uma sensibilidade acima do normal. Por mais esforços que ele tivesse colocado em disfarçar seus sentimentos, ainda assim, ele tinha certeza de que Akeko, no final, teria percebido do mesmo jeito. Provavelmente, ela já sabia que o relacionamento deles estava chegando ao fim.

Não seria algo muito agradável, mas era necessário romper com ela o quanto antes. Ainda que lhe doesse magoá-la, seria pior prolongar este assunto.

Decidido, Kamenashi aceitou encontrar-se com ela.

3

Harada sentiu o peso daquele olhar em seu corpo. Se fosse uma pistola, provavelmente ele já estaria cheio de buracos em toda parte. Mas, ele percebeu, isso não fazia a menor diferença agora.

O homem a sua frente era dotado de um espírito geralmente brincalhão, sádico e sarcástico. Neste momento, contudo, ele mantinha uma expressão grave. Não podia ser diferente, já que o desenrolar dos seus planos não terminou do jeito que ele queria.

Harada havia sido demitido da Johnnys e a agência estava cuidando para mandá-lo ao exterior e garantir que ele não se aproximasse mais de Akanishi Jin. Dessa forma, ele era uma carta fora do barulho. Ele não poderia mais contar com o assessor para mais nada. Ele poderia, até mesmo, matá-lo, pois havia se tornado um completo inútil.

Irritava o fato de que todos os esforços haviam sido em vão. Akanishi permanecia na empresa, na banda, ao lado de Kamenashi.

Kamenashi...

Ele fechou o punho e bateu com toda a sua força na mesa, liberando a sua raiva depois de dez minutos de silêncio entre eles. Harada estremeceu, mas ainda assim, o seu rosto permanecia com uma indiferença assombrosa.

- Harada-san... Por que eu tenho a impressão de que você arquitetou toda a sua demissão?

Quando respondeu, o ex-assessor o fez em um tom de voz que pareceu sarcástico demais para aquele homem. Ele disse:

- Quem planejou tudo foi você... Você não considerou em nenhum momento que eles pudessem reagir... Quem diria que Nishikido-san me seguiu? Eu estou totalmente surpreso com essa ousadia.

- E você não percebeu que o material não estava mais em seu apartamento? – ele praticamente rugiu.

- Sinto muito, eu estava envolvido com a operação de Hideki.

Era uma explicação plausível, aquele homem não conseguia encontrar uma brecha no comportamento de Harada que indicasse que ele tinha se deixado apanhar. Ainda assim, ele tinha convicção de que o ex-assessor havia lhe traído.

- Está certo... – ele disse por fim, retomando a sua personalidade de sempre – Acredito que estejamos rompendo nossos laços, não é mesmo, Harada-san? Foi um prazer fazer negócios com você.

- O menino... Você irá desistir desse plano? – Harada quis saber.

- Você acha que eu estou acabado como você? Não se engane, Harada. Eu ainda tenho algumas cartas na mangá...

Harada notou a súbita mudança de humor daquele homem e se questionou sobre a sua sanidade. Sabia, porém, que qualquer reflexão em torno dele seria em vão. Consolou-se, ao menos a relação entre eles havia chegado ao fim. A um fim desastroso para ambas as partes, mas, ainda assim, era um final.

Levantando-se, Harada fez um breve aceno com a cabeça e se preparou para sair. Antes, porém, que pudesse alcançar a porta, ouviu aquele homem dizer:

- O amor é uma coisa assustadora, Harada-san... Ele é uma espécie de combustível... Dependendo da situação, você encontra nele a força necessária para seguir adiante, mas o amor não filtra os bons dos maus. Todos nós somos capazes de amar e de realizar ações pela pessoa amada, independente de serem coisas boas ou ruins... É irônico, não acha?

Ele não respondeu, preferiu ir embora.

4

Após a saída de Harada, ele sacou o seu celular do bolso do paletó e discou. Pouco depois, ouviu aquela voz tão agradável responder do outro lado da linha.

- Perdemos Harada, é um fato. – ele disse – Você disse que tinha um plano, caso isso acontecesse... Você sempre pensa em todas as possibilidades, não é verdade? – ele parou e escutou os detalhes – Você acha que isso é o suficiente? O que? Ah, não se preocupe comigo... Você sabe que eu sempre estarei em dívida com você... Não se preocupe, já disse! Eu farei tudo o que estiver ao meu alcance, tenha certeza disso... Vou apenas esperar a poeira do Harada abaixar e, então, entrarei em ação...

Trocou mais meia dúzia de palavras e encerrou a ligação. Sem sair da sua poltrona, ele apertou o botão do controle remoto e deixou-se distrair com os noticiários. Poucos minutos depois, alguém bateu na porta.

- Kirisawa-san? O News já está pronto para seguir para a gravação de hoje. – informou a secretária.

- Obrigada, Morita-san. Eu já estou indo.

Levantou-se, pegou a sua pasta e rumou para mais um dia de trabalho como assessor de um dos grupos em evidência da Johnnys Entertainment.

5

- Vamos terminar.

Ele não fez questão alguma em esconder a sua surpresa. Enquanto se dirigia à casa de Akeko, Kame pensou e repensou a melhor forma para terminar o relacionamento sem grandes traumas a ambos. Ele tentou visualizar todas as reações dela, suas argumentações – para serem prontamente abatidas – e de um modo que não fosse necessário envolver o nome de Jin.

No entanto, ao chegar aquele apartamento, a encontrou com uma expressão determinada e, de modo incisivo, ela apenas disse:

- Vamos terminar.

Kazuya perdeu todas as respostas que havia planejado. Não esperava de maneira alguma que o rompimento viesse de Akeko. Ficou sem ação, não sabia se devia aceitar aquilo de imediato, pois seria ferir demais seus sentimentos – afinal, quem gostaria de terminar um relacionamento sem enfrentar resistência? – além de ser uma afronta para a sua vaidade feminina. Porém, se ele argumentasse demais, ela poderia mudar de idéia.

Incerto, ele apenas questionou o motivo daquela decisão. A resposta que recebeu foi uma risada irônica, que lhe partiu o coração, pois, ao mesmo tempo, era notório uma pitada de resignação naquela mulher.

- Nosso relacionamento já terminou há tempos... – ela disse – Apenas não nos demos conta... Mas a nossa última viagem deixou isso bem claro. Você se afastou de mim, Kazu...

Ele percebeu o rancor em sua voz e ficou em silêncio, afinal, ela estava certa.

-... E eu também percebi que quero muito mais do que um menino de dezenove anos pode me oferecer! – ela disse, friamente – Eu, provavelmente, já passei da metade da minha vida e você está apenas começando...

- Akeko... – ele protestou, odiava quando ela destacava a diferença de idade entre eles, principalmente quando se referia a si mesma como uma velha à beira da morte.

Akeko, porém, não o deixou prosseguir. Aumentando o seu tom de voz, ela disse:

- Você ama outra pessoa e essa pessoa também te ama o bastante... Tenho certeza de que vocês serão felizes juntos. Por tanto, Kazu... Faça-me o favor de levar tudo o que for seu deste apartamento. Eu farei uma viagem de duas semanas a Hokkaido, então você terá o tempo que for preciso para isso.

- Por favor, Akeko, não coloque as coisas desta maneira...

Ela riu outra vez.

- Defina “desta maneira”?

- Não fale como se eu não me preocupasse com você!

Ela girou os olhos, impaciente.

- Desculpe-me, Kazu... Mas olhe nos meus olhos e me diga que eu estou errada... Afirme que você não está apaixonado por outra pessoa.

Akeko o olhou com ansiedade, mas apenas viu, sem surpresa, o garoto abaixar a fronte.

- Por favor, não peça desculpas. – ela disse com certa agressividade.

Kamenashi engoliu em seco o seu pedido de desculpas. Aquela mulher realmente o conhecia e constatar isso apenas o deprimiu ainda mais. A conversa estava ocorrendo pior do que ele imaginava. Akeko estava com um rancor intenso contra ele, mas ele sabia que era um sentimento justo.

Ele jamais teve a intenção de brincar com seus sentimentos. Quando iniciou o namoro, ele tinha consciência de que ela esperava muito mais do que ele. Kamenashi até evitou se aproximar demais de Tsubasa quando eles apenas estavam saindo, preocupando-se com as expectativas que poderia estar despertando em seu coração, mas foi impossível não se envolver por ela. Quando deu por si, estava apaixonado e até pensava, talvez imprudentemente, em levar o relacionamento para um patamar mais sério.

E, então, Jin se declarou. A principio, Kame acreditava que não tinha sido afetado pela primeira declaração do rapaz. Pensava que o que sentia era apenas a preocupação em perder a amizade que eles tinha construído durante anos, mas agora, porém, Kazuya pensava o contrário. Aquela noite no camarim, aquele abraço de Jin, não foi de todo indiferente, afinal de contas. A semente havia sido plantada naquele momento.

Pouco a pouco, o amor foi se desenvolvendo e expulsando Akeko de seu coração. Não era sua culpa, tão pouco era culpa de Jin. Não era culpa de ninguém, mas isso não aliviaria a desilusão daquela mulher.

Eles ficaram em silêncio por muito tempo. Akeko chorou durante esse intervalo, o que o fez ficar ainda pior do que já estava. Queria consolá-la, mas sabia que ele era última pessoa no mundo que teria direito a isso.

Percebendo que qualquer coisa que dissesse apenas tornaria a situação ainda mais difícil, ele se levantou e foi até o quarto da ex-namorada. Começou a recolher suas roupas.

6

- Kanpai!

Após o brinde, Jin levou o copo de cerveja a sua boca com enorme satisfação. A cerveja nunca esteve tão gostosa, tão gelada, tão necessária. Apreciou com sinceridade aquele gosto amargo deslizando em sua garganta.

Seus companheiros pareciam aproveitar também a bebida, mas não tanto quanto ele, isso era certo. Afinal, junto à cevada, Jin apreciava a sensação de estar livre novamente. Ainda que a palavra liberdade fosse algo relativo, uma vez que ainda era uma estrela da Johnnys Entertainment.

- Ah, hoje foi um dia bastante puxado. – exclamou Ryo.

Yamapi concordou. Os últimos dias foram corridos e tensos demais. Sentia como se seu corpo tivesse sido atropelado por um rolo de compressão. Tudo o que ele precisava era de pelo menos uma semana de sono.

- Então... Harada vai para o exterior? – perguntou Yamapi.

- Foi o que a diretoria decidiu. – explicou Jin. – Ele se mudará com a família.

- Imagino se a esposa esteja sabendo a verdade por trás dessa “transferência”... – disse Ryo, pensativo.

- Quem sabe? – Jin balançou os ombros – Honestamente, não sei o que é pior: descobrir a verdadeira face do marido ou continuar casada com um homem que ela desconhece.

E o assunto morreu ali. Afinal, agora que Jin estava livre de Harada, não havia motivos para continuarem mantendo a sua presença nas conversas. Uma vez deixado esse assunto de lado, o trio sentiu o clima descontrair e, tomados pelo álcool, aproveitavam aquele momento de relaxamento com risadas altas e, muitas vezes, sem sentido... Eles voltaram a ser os jovens de vinte e poucos anos que realmente são, idade em que não é preciso motivo algum para conseguir se divertir.

7

- Durma bem!

- Até mais!

Dentro do veículo de Yamapi, o motorista e Jin observaram Ryo se afastar e entrar em sua residência. Pouco depois, o carro partiu em direção ao apartamento de Jin.

- Eu realmente devo ter vocação pra motorista! – Yamapi resmungou e escutou a risada de Jin.

Jin sabia que precisava esclarecer a situação com Yamapi. Afinal, ele não ignorava os sentimentos do amigo, assim como o integrante do News sabia perfeitamente a quem ele amava. Contudo, ele achava que não seria justo para com Pi se ele não explicasse como andava seu relacionamento com Kamenashi. Por isso, quando se viu a sós com ele, disse:

- Né, Pi...

- Que foi?

- O Kamenashi me beijou.

Yamapi apertou discretamente o volante, mas sorriu e disse, bem-humorado:

- Até que enfim, hein? Então ele tomou uma atitude... E a namorada?

Jin observava atentamente a reação do amigo, mas não conseguiu enxergar nenhuma demonstração de que estivesse perturbado, o que lhe fez constatar, mais uma vez, que seu amigo era verdadeiramente seu anjo da guarda.

- Ele me mandou uma mensagem hoje... Parece que finalmente ela voltou de viagem e eles iam se encontrar no final do dia! Ele deve ter terminado com ela... Ao menos, era essa a intenção!

- Hey, Jin... Parece que tudo está se resolvendo, não é verdade? Que bom né?

Yamapi, apesar de honestamente contente com as palavras que ouvia, sabia muito bem o que realmente significavam. Eles estavam terminando. O que era algo engraçado, porque, de fato, eles nunca começaram nada. Mas o final estava ali, diante dele, no olhar de Jin, cujo brilho era destinado a outro rapaz.

Ainda que soubesse que isso aconteceria, ele não imaginou que fosse tão rápido e muito menos que fosse se sentir dessa maneira quando tomasse conhecimento. O vazio que sentiu em seu peito era mais doloroso do que ele esperava. Ainda assim, foi capaz de sorrir para Jin.

O sorriso do loiro era carregado de sinceridade e Jin sabia muito bem. Olhou com carinho para o amigo e retribuiu-lhe o gesto, profundamente agradecido




By Misakiti
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Mar 11, 2010 1:40 am

Namoro

1

Kazuya terminou de tomar a sua água quando foi surpreendido pela aproximação brusca de Jin, que lhe roubou um suave toque de seus lábios. Ele olhou em volta, descobrindo que apenas os dois estavam naquela sala e, depois, bronqueou com o mais velho. Mas era uma bronca carregada de bom humor.

- Não faça tudo o que tem vontade na hora que deseja, baka! – e ele não conseguiu esconder o sorriso. Olhou para o lado, timidamente. – O que você está pensando, oras?

Jin riu de seu acanhamento. A face rosada de Kazuya o deixava ainda mais bonito... Tornava ainda mais evidente a sua personalidade demasiadamente franca.

- Qual o problema? Estamos só nós dois!

- Não seja tão descuidado, Jin... Sabe que isso pode acabar nos prejudicando!

- Arrepende-se de estar comigo?

- Baka! Sabe que não é isso! É pelo bem de nosso namoro que eu quero que sejamos cuidadosos para não nos expormos desnecessariamente e... Por que você está rindo que nem um imbecil?

A boca de Jin se fechou em um franzido, em uma tentativa do rapaz em conter a sua alegria, mas foi inútil.

- Diga de novo... – ele pediu, em um sussurro.

- Hã? Dizer o que?

- O que acabou de dizer!

-... Que eu não quero que nosso relacionamento seja exposto dessa forma?

- Você não disse “relacionamento”! – ele protestou, rindo – Você disse... Namoro!

Kazuya piscou os olhos, surpreendido. Aquela palavra saiu de modo tão involuntário que ele nem ao menos tinha percebido, mas o outro a registrou imediatamente. Ficou sem jeito quando se deu conta de que eles ainda não classificaram a relação entre eles, apesar de duas semanas já terem se passado desde que ele assumiu o seu sentimento a Jin.

- N... Namoro? – ele repetiu, meio incerto – Não está certo?

O tom preocupado daquela pergunta apenas fez o riso de Jin aumentar. Deu a volta para abraçá-lo por trás, segurando firme em suas mãos.

- Meu namorado... – sussurrou ao pé do ouvido de Kamenashi – Meu...

- Você é realmente um idiota, né?

- E você não é nada romântico! – protestou.

Um barulho do lado de fora da sala os separou. Kazuya abaixou a fronte, encarando a garrafa de água em suas mãos, enquanto Jin olhava para o teto. Koki, que era o motivo do barulho, olhou para um e olhou para outro, dizendo por fim:

-... Suspeitos!

Ele continuou encarando a ambos com os olhos semicerrados.

- Seja lá o que vocês estão fazendo... Deixem para depois e voltem para o estúdio... Vamos entrar em cinco minutos – ele explicou, ainda fazendo a sua cara de detetive – Vocês estão aprontando, não estão? – inquiriu, por fim.

Kazuya já estava com a boca aberta para protestar, mas o rapaz continuava a falar.

- Ah, deixa, eu não quero mesmo saber! Continuem aprontando, ok? Vocês tem cinco minutos para isso. Bye, bye!

E ele saiu.

- Ele é maluco! – acusou Jin.

- A culpa é sua!

Kamenashi jogou a garrafa plástica no peito de Jin, que massageou o local atingido e o olhou com um bico. O mais novo, porém, soube muito bem como fazê-lo sorrir outra vez. Inclinou-se nas pontas dos pés e mordiscou-lhe os lábios.

- Oh! – Jin estava surpreso.

Kazuya não lhe deu satisfação e saiu da sala com pressa, deixando um abobalhado Jin para trás.

2

Era um sentimento diferente esse o de amar um homem. Kazuya refletia consigo mesmo, enquanto observava Jin ensaiando a sua parte na música em que cantaria no próximo Shounen Club. Encantou-se com aquela voz familiar reproduzindo harmoniosamente as letras daquela composição.

Jin errou a leitura do kanji, como se soubesse que estava sendo avaliado naquele momento e, tenso, errou na parte mais elementar. Pediu desculpas e retornou ao início.

Kazuya riu, notando que, em outro tempo, talvez tivesse bronqueado por aquele relapso que era nitidamente devido à falta de treino, afinal, quem erra logo no início e dessa forma?

Kame sentia como se algo dentro de si havia mudado – e esse algo transcendia muito mais às questões físicas de um relacionamento homossexual – parecia como se de repente não pudesse mais respirar se não ouvisse a voz de Jin durante o dia. Havia se tornado necessário estar junto a ele o máximo de tempo possível.

Inconscientemente, durante os ensaios, posicionava-se ao seu lado e ficava muito contente quando decidiam trabalhar mais Akame durante os Fã Services, onde podiam trocar olhares e intimidades sem a preocupação de serem repreendidos. Diante dessa necessidade pela presença de Jin, ele estava muito mais tolerante.

Quando suas agendas se desencontravam, o que era raro, esses dias tornaram-se molengas e as horas não passavam. Sentia-se agoniado longe de Jin e não era possível deixar de pensar nele, em seu rosto, em seu abraço, em suas mãos...

Para Kazuya, era algo novo o fato de não conseguir controlar sequer seus pensamentos. Sabia que o que sentiu por Akeko era amor. Mas era um amor maduro, que sabia o seu local e horário de acontecer. Jin, por outro lado, era impetuoso, inconstante e isso refletia no que Kame sentia. Cada dia aquele Bakanishi fazia seu coração bater de modo diferente, cada dia o fazia descobrir sentimentos diferentes... O mais velho realmente o conduzia de volta a época do colégio.

O extasiava essas descobertas com Jin, sentia seu peito esquentar por coisas tão pequenas como um meio sorriso, um olhar inesperado... Ao mesmo tempo, porém, sentia-se inseguro. E, em todos os seus relacionamentos anteriores, ele nunca havia perdido o controle dessa forma. Aliás, Kazuya sempre foi extremamente metódico em tudo o que fazia. Tanto no trabalho, quanto na amizade ou namoro. Já Jin, contudo, sempre se deixou guiar pelo instinto, agindo de uma forma em determinado momento e sendo dominado por uma atitude contrária no instante seguinte, tornando-o uma pessoa até mesmo misteriosa.

Jin jogou a cabeça para trás, depois de um erro de Koki, rindo. Um riso lindo e animado como aquele ainda era possível se fazer presente naqueles lábios. Pouco a pouco, o trauma de Harada estava se desfazendo, ele percebeu, contente.

- Moshi, Moshi...- Junno sacudiu a mão a sua frente – Kame, é a sua vez!

- Ahh, gomen, gomen...

- O que acontece com você, Kazuya? – perguntou Maru – Anda distraído demais!

- Deve estar apaixonado! – zombou Koki.

A face ruborizada de Kamenashi o impediu de mentir. Jin riu e olhou divertido para ele, deliciando-se com a situação constrangedora em que ele havia se enfiado.

- Talvez eu esteja... – foi o máximo que Kame conseguiu admitir.

- Ainda é aquela mulher no começo do ano? – quis saber Junno.

- Não, é outra pessoa... – seus olhos encontraram-se rapidamente com os de Jin, o que aumentou a vermelhidão em seu rosto – Aham... Vamos trabalhar, né?

3

Àquela hora, o que mais se escutava era “bom trabalho”. A equipe de produção, os artistas, assessores, todos se cumprimentavam ao final de mais um dia de trabalho realizado. Debaixo dessa enxurrada de despedidas, Jin e Kazuya se afastaram antes de todos e alcançaram o estacionamento da Johnny, onde finalmente se viram a sós.

- Te deixo na casa do seu amigo, então. – dizia Jin, girando a chave do seu carro.

- Valeu! – agradeceu Kazuya – Eu realmente não tinha como recusar, pois faz tempo que não os vejo!

- Tudo bem! Não fale como se eu estivesse te cobrando isso! – Jin riu – É sempre bom estar com você, Kazu, mas não tanto assim... Vinte e quatro horas por dia seria sufocante!

- Ah, você diz isso agora! Mas quem é que fica ligando para os outros de madrugada exigindo um encontro???

-... Mas você foi, não foi?

- Tinha como recusar?

- Tinha. Era só me deixar plantado lá, debaixo da chuva! – ele disse de um modo tranqüilo demais, na opinião de Kazuya – Além disso, quem é que ficou “ligando para os outros de madrugada” por simplesmente estar melancólico?

Kazuya o fitou com um olhar mortal. Estava envergonhado por se recordar daquela noite em que esteve tão carente e fragilizado, e por isso quis caçoar do outro também.

- Não inverta as coisas! Você se apaixonou por mim primeiro... Não pode resistir ao meu charme e...

Ele interrompeu o que dizia, pois foi bruscamente puxado contra a porta do carro. Notou que seu coração parou por um segundo, batendo violentamente logo depois. As mãos de Jin se grudaram ao veículo, cada uma de um lado de seu corpo, aumentando a sua ansiedade. Sem saber o que fazer, Kazuya apenas olhava para cima, mirando a expressão absurdamente sexy de Jin, cujo rosto se aproximava mais e mais do seu. Sentiu a respiração dele em cima do seu próprio nariz.

Jin apenas o olhava. Kazuya era tão bonito e sua beleza realçava ainda mais enquanto ele mantinha esse olhar inseguro, delicado e curioso em sua direção. Fitou cada traço daquele rosto hesitante, cada linha que formava aquela face que o manteve desperto incontáveis noites... O mesmo rosto que o deixou tão confuso antes de finalmente perceber que o amava, o mesmo pelo qual chorou quando foi rejeitado, mas, finalmente, aquele rosto agora o pertencia e agora ele tinha todo o direito de admirá-lo sem desviar seus olhos com vergonha ou aflição.

Enquanto estavam presos naquela contemplação mútua, o mais novo se questionou como demorou tanto tempo a perceber como aquele olhar era tão atraente. Sempre havia sido assim? Jin sempre foi o integrante com mais destaque entre as fãs, em termos de beleza, mas ele realmente nunca tinha prestado muita atenção. Agora, porém, era realmente custoso desgrudar seus olhos dele. Kazuya teve que se esforçar para não sorrir e se manter sério.

Ao notar o riso mal contido do rapaz, Jin finalmente retomou a conversa.

- Sim, eu me apaixonei por você primeiro! – sua boca sussurrou tão próxima ao ouvido do pequeno que fez aquela nuca alva se arrepiar. – Mas agora você é louco por mim, admita!

Kazuya riu e olhou para o lado, com um certo ar de deboche, apenas para provocar o mais velho e tentar controlar os próprios desejos. Ficou satisfeito por sua voz não tremer, mostrando uma confiança que ele não sentia, quando disse:

- Eu fiquei com dó de você, apenas isso! Não seja tão convencido!

- Ah! Dó? É dó?? – e Jin disse isso com os lábios por cima dos de Kazuya, mas não chegava a tocá-los – E se eu te beijar agora?

- Faça o que quiser! – Kazuya simplesmente balançou os ombros.

- Então tá!

Jin se inclinou para beijá-lo. Kazuya fechou os olhos, mas apenas sentiu o vento bater em seus lábios. Ao abrir os olhos novamente, Jin havia desaparecido. Olhou ao redor e o encontrou já do outro lado do carro, abrindo a porta do motorista e rindo.

- Touché! - ele apontou os dedos das duas mãos como se fossem duas pistolas – Você é doidinho pelo meu beijo! Seu coração fazia doki doki tão rápido! Incrível, achei que fosse explodir!

Kazuya tentou forçar uma irritação, mas não conseguiu, a risada escapuliu de sua boca enquanto dizia:

- Agora você tá ferrado! Nunca mais vai me beijar!

- Oh! Nunca mais?

- Nunca mais.

- É sério?

- Definitivamente.

- Nunca mais... Isso é muito tempo... Quero te beijar agora!

- Não vai.

- Como você vai me impedir?

Jin começou a circular o carro, mas Kazuya, assim que notou seu movimentou, andou em sentido contrário. Eles começaram a correr, permanecendo um bom tempo nessa brincadeira de gato e rato. Suas risadas ecoavam alto pelo estacionamento, mas o fato de que alguém pudesse flagrá-los apenas tornava a brincadeira ainda mais irresistível.

Eles só pararam de correr quando Jin, desajeitado, tropeçou no próprio pé e um violento som de algo se chocando no capô do carro ecoou pelo lugar. Jin foi ao chão.

- Itteeeee!

- Jin! – Kazuya correu até ele, aflito.

Jin, estatelado no chão, massageava sua cabeça com velocidade.

- Ittee... – ele resmungou de novo.

- Machucou?

Kazuya ajoelhou ao seu lado e o ajudou a se sentar. Olhava para a testa que a mão de Jin cobria, temendo ver algum corte profundo, mas não havia sinal de sangue. Então, ele percebeu o olhar malicioso de Jin, mas era tarde demais.

Os braços dele o prenderam como se fosse uma garra de máquina de pelúcias e o puxou em sua direção. Seus lábios se encontram rápido demais e, a princípio, Kazuya gemia com a dor, mas em seguida se deleitou com aqueles lábios quentes. Quando eles se afastaram para recuperar o folêgo, Jin gargalhou.

- Você realmente não resiste! – ele provocou.

- Baka! Que tipo de pessoa se machuca de propósito apenas para vencer um jogo? – Kazuya retrucou.

- Baka!! Que tipo de pessoa acredita que eu me machuquei de propósito? Não percebeu ainda que eu bati a mão no capô para fazer o barulho??

- Traiçoeiro! – Kazuya reclamou, mas rindo.

- Vem, vamos embora... – Jin se ergueu – Você já está atrasado.

- Culpa sua!

Jin levantou e ofereceu sua mão a Kazuya. Sorriram.

4

- Desculpem o atraso!! – ele entrou com as mãos unidas, para ressaltar o seu pedido de desculpas.

Ali estavam seus amigos mais próximos da época do colégio. Era sempre divertido quando ele conseguia um tempo para revê-los, pois esses momentos sempre o ajudavam a lembrar que existe uma outra realidade fora do mundo pop-star no qual entrou tão menino.

- Não se preocupe com isso, Kazuya! Vamos, tome alguma coisa! – Shun empurrou uma garrafa de cerveja em sua direção.

- Hoje não dá, amanhã tenho trabalho logo cedo! – ele entregou a garrafa para Akira.

- Ei Kazu, por que não trouxe a sua namorada? – alguém perguntou. Era Yumi.

- Ah... Bem, nós terminamos!

- Eh??? E nós ainda nem a conhecemos! – alguém reclamou.

Kazuya apenas sorriu, de modo a encerrar o assunto. Ainda que fossem ótimos amigos, ele não estava disposto a contar para eles sobre o fim do seu romance. Não conseguiu esconder de todos que estava com alguém – e isso devia ser por causa de Shun, o tagarela, Kazuya pensou – mas ao menos a identidade de Akeko havia sido preservada e ele queria que o término também passasse despercebido...

Akira, talvez notando a sua hesitação, foi hábil em mudar de assunto. Pouco depois, eles estavam envolvidos em uma nostálgica conversa sobre a época dos estudos e riram de muitos momentos compartilhados no início da adolescência. Teria sido uma noite divertida, se eles não tivessem iniciado uma conversa que deixou Kazuya tenso.

- Né, vocês ficaram sabendo do Matsubara? – questionou Shun.

Matsubara era um dos rapazes mais populares do colégio quando Kazuya ainda estava no primeiro ano. Por muito tempo havia sido o alvo dos suspiros de Yumi.

- Ahhhh, ele sempre teve um olhar tão lindo! – ela exclamou, apenas para receber um olhar de Akira, seu namorado – Isso já foi há tanto tempo, não precisa fazer essa cara!

Kazuya foi quem retornou ao tópico da conversa.

- Ele era bom no futebol, não era? – perguntou, acendendo um cigarro e se aproximando da janela. – O que tem o Matsubara, afinal? Está jogando profissionalmente?

- Que nada! Está é jogando no outro time! – Shun riu da própria piada.

A mente de Kazuya processou aquela frase e levou algum tempo até decodificá-la, porém, quando o fez, foi no exato momento em que a fumaça do cigarro estava escorrendo em sua garganta. Engasgou.

- MENTIRAAAAAA! – gritou Yumi, enojada – Ele era namorado da Aoyama naquela época! OHH! Inacreditável! Gay... Que desprezível!

A tosse de Kamenashi aumentou de intensidade.

– Ele está namorando aquele rapaz que vivia com ele naquela época... Como era mesmo o nome... Etto... Vocês sabem, aquele magricela...

- Cof, cof...

- Estou chocada!!

- É pra chocar mesmo! Gay e assumido! Cara, eles tem coragem... Que repugnante!

Aquela altura, Kazuya já estava pendurado na janela, tentando fazer o ar puro substituir a nicotina dentro das suas vias respiratórias.

- Mas o que diabos você tá fazendo, Kazuya? – Shun perguntou e se aproximou, batendo em suas costas para ajudá-lo – É, eu sei, essa notícia é algo para se assombrar!

Ele não percebeu o olhar mortal do amigo. Ainda que notasse, talvez apenas risse, pois a tosse impedia que o pequeno fosse realmente ameaçador.

Akira se aproximou com um copo de água, entregou a Kazuya, que agradeceu.

- De qualquer modo, isso é a vida deles. Matsubara e Watanabe se amavam desde crianças, apenas não tinham percebido... Ainda que vocês não consigam compreender, é uma forma de amor!

Kazuya olhou emocionado para Akira, preste a concordar com ele, mas Yumi e Shun, com caras de assombro, apenas disseram ao mesmo tempo:

- HENTAI! Você deve ser um pervertido se pensa assim! – caçoou Shun.

- Que decepção! Meu namorado é um pervertido!

- Eu só defendo a diversidade do amor, só isso... Querem parar com essas caretas?

Entretanto, por mais que implorasse, o pobre Akira não era atendido. Foi obrigado a aturar as zombarias dos dois até o final da noite.

5

“Deve doer um bocado!”

Kazuya saiu do banho esfregando os cabelos molhados. As palavras de Shun não lhe saiam da cabeça. Quando ele e Yumi deram uma folga a Akira, e a conversa ganhou um tom mais sério – se é que aquilo pode se chamar de conversa séria – eles inciaram um debate sobre o relacionamento homessexual.

Akira continuava defendendo o amor acima das relações carnais, mas tanto Yumi quanto Shun preferiam discutir a questão prática da coisa toda. Kazuya se perguntava quem eram os pervertidos no final das contas...

Então Shun soltou a frase.

“Deve doer um bocado... Quero dizer, se você for o passivo, né?”

Passivo. Ativo. Kazuya sabia muito bem o significado dessas palavras, mas ele sequer pensou nisso quando assumiu seus sentimentos a Jin. Será que eles terão esse tipo de relacionamento? Quem será o ativo?

Ao pensar no sexo entre eles, Kazuya ruborizou. Tentou afastar esses pensamentos, chacoalhando a cabeça, mas foi em vão.

“Deve doer um bocado...”

Kazuya mordeu a toalha, parando no meio do corredor, com medo. Seria realmente doloroso?

Essa dúvida o incomodou tanto que o fez correr até seu quarto e ligar o computador. Conectou-se à Internet. Procurou por depoimentos, sites e fotos. A cada página que acessava, mordia ainda mais a toalha e suas sobrancelhas se uniam a cada imagem que via. Em um dos sites, clicou em um vídeo.

- Cobra Amazônica... – ele leu o título e poucos segundos depois entendeu o por que - Estou... Chocado... Como é que... Como é que isso pode caber naquilo????

A preocupação do rapaz apenas aumentava a cada linha que lia.

- O meu cabresto... – e ele olhou entre suas pernas – Pode se romper? Que diabos, eu nunca soube que isso fosse como um registro de virgindade masculina! Ohhhhh! O que diabos é isso?? Nossa... Ocidentais tem mesmo as coisas maiores!

Cada vez mais apavorado, Kame desligou o computador e se jogou em sua cama, cobrindo-se com o edredom. Pensou repetidas vezes que as informações na Internet não eram confiáveis, mas, ainda assim, o choque visual o impedia de relaxar.

- AH!!! Por que eu não paro de pensar nisso?? Eu quero dormir... Eu vou dormir!! Eu preciso dormir!! É muito cedo para pensar neste assunto! Ainda levaremos alguns meses até lá... Isso, ainda é muito cedo...

Ele fechou os olhos, na esperança de finalmente conseguir descansar. Porém...

Ele usava uma calça justa, preta, e um chapéu de policial feito do mesmo tecido. Seu torso estava completamente despido e úmido de suor. Sentado em uma poltrona, Jin descruzou as pernas e sussurrou:

- Vem Kazu... Quero te mostra uma coisa... – e ele o mirou de forma a seduzi-lo – Venha conhecer a cobra nipônica...

Jin deslizou sua mão pelo zíper e, então...


Kazuya abriu os olhos. Olhou para o relógio ao lado de sua cama. Ele havia cochilado cerca de meia hora. Ele entendeu que não conseguiria mais dormir naquela noite, novamente agitado com as preocupações acerca de seu namoro com Jin e, agora, confuso com o excitante sonho que tivera. Perguntava-se, caso tivesse sonhado um pouco mais, se descobriria se o membro do namorado poderia ser tão grande e grosso quanto o da Cobra Amazônica...

-... Será? – ele murmurou, com um olhar preocupado.

6

As pessoas na rua estavam irritantemente barulhentas naquela manhã fria de agosto. Talvez, ele ponderou, era ele quem estava sem a menor paciência, uma vez que estava morrendo de sono e com a cabeça latejando.

Assim que chegou ao local da gravação, foi recebido por alguém da STAFF, que logo indicou o trailer do KAT-TUN. Entrou, murmurando um “bom dia”, notando vagamente que apenas Junno ainda não estava lá.

- Bom dia, Kazu! – aquela voz exageradamente alegre e alta veio do fundo do veículo de encontro aos seus ouvidos e a sua dor de cabeça.

- Bom dia, Jin... – ele devolveu, sem o mesmo humor.

Uma coloração escura abaixo de seus olhos foi imediatamente notada por seus colegas de banda, assim que ele retirou os óculos escuros.

- Kame, você já veio maquiado? – zombou Maru – Mas acho que não faremos nenhuma atração circense hoje!

- Eu não consegui dormir, tá legal? – foi a resposta mal-humorada.

- Abusou na cerveja ontem, aposto! – caçoou Jin.

- Eu não coloquei um pingo na boca!

- Então abusou na falta dela! Isso se chama abstinência!

A culpa dessas olheiras é sua, seu imbecil!

Jin se mostrou confuso ao receber aquele olhar irônico de Kazuya. Mas não se aborreceu e se aproximou. Falou baixo, próximo a ele:

- Está tudo bem?

- Só estou com um pouco de dor de cabeça...

- Tenho aspirinas!

- Já tomei, obrigado...

Jin pensou em algo para animar o garoto, então uma lembrança estalou em sua mente.

- Ei, Kazu, venha cá...

Kazuya teve a impressão de já ter vivenciado essa cena. A princípio, não conseguiu entender o motivo dessa sensação familiar. Jin viu com surpresa que o mais novo, parecendo preocupado, não se moveu de onde estava.

- Vem Kazu... Quero te mostrar uma coisa!

Mentira!!

A mente de Kazu entrou em pânico quando, enfim, ele se recordou do sonho. Notou vagamente que Jin usava calça jeans e sentiu um certo formigamento em seu baixo ventre.

- M-me mostre depois, temos trabalho!

- O Junno ainda não chegou, dá tempo...

É tão rápido assim? Por acaso você tem ejaculação precoce?

- Olhe isso aqui!

Não Jin, na frente dos outros não e... O que é isso?

Jin olhou com preocupação para as expressões que Kazuya fazia. Perguntou-se se estaria tudo normal dentro daquela cabecinha, mas logo deixou isso de lado e entregou a folha para Kazuya.

- É a escala das nossas folgas individuais... – ele sussurrou, mas não precisava se preocupar porque Ueda, Koki e Nakamaru estava entretidos com um programa na televisão -... Nós temos um dia de folga juntos! Vamos marcar nosso primeiro encontro oficial?

Kazuya piscou. Olhou para Jin, que mantinha um olhar cheio de uma ansiedade infantil. O mais novo teve que rir de si próprio, deixando o namorado curioso.

7

Alguns dias depois...

Após a denúncia e a “transferência” oficial de Harada para outro país, com a desculpa de pesquisar novos núcleos onde os artistas da Johnnys poderiam se apresentar no exterior, os dias se tornaram mais leves para Jin.

A rotina de trabalho já não era tão desgastante e, além disso, o clima de início de romance com Kazuya era um motivo a mais que renovava suas energias.

Eles estavam indo a ritmo lento, quase parando, no nível de namoro de colegiais, mas Jin gostava que fosse assim... Apesar do conforto que recebeu de Yamapi, que purificou seu corpo naquela noite em seu apartamento, ainda estava inseguro em transar com o seu namorado...

Namorado...

Ele ainda se deliciava com a nova realidade. Um sorriso bobo surgiu em seus lábios ao se recordar dessa palavra proferida por Kazuya.

Em todo caso, ainda era cedo para pensar em levar o relacionamento deles a um patamar acima. O próprio caçula impunha certos limites entre eles. Era óbvio que seria assim, já que Kamenashi jamais tinha se envolvido com outro homem antes, então era algo muito novo... Não que ele fosse muito experiente. A contragosto, teve sua vida sexual com um homem iniciada por Harada e, fora ele, apenas se entregou a Yamapi... Então, de sua parte, também preferia que fossem devagar.

Por isso, Jin estava honestamente satisfeito em apenas programar uma tarde sossegada com Kazuya, neste dia de folga que eles receberam após alguns shows e inúmeras gravações no mês de agosto. O primeiro encontro.

Olhou com prazer para os ingressos de futebol que conseguiu comprar no dia anterior.

Saiu de suas divagações quando a campainha tocou. Jin abriu a porta para um sorridente Kamenashi, que entrou dizendo de forma animada:

- Tenho boas notícias!

- É?? Quais são?

Kazuya estendeu um par de ingressos na frente de Jin, que, ao ler as palavras impressas, percebeu que se tratava de uma partida de basebol. Uma partida de basebol marcada para à tarde de sábado. Deste sábado. Sábado em que teria uma partida importante na J-league.

- Pensei em passarmos um dia tranqüilo hoje... Vamos ver um jogo e depois ir pra sinuca?

- Anooo... Eu também pensei em passar um dia calmo, assistindo a um jogo... – ele hesitou e olhou para o canto -... De futebol!

- Eu prefiro basebol...

- Eu prefiro futebol...

Eles se calaram, trocando sorrisos falsos. Ambos, porém, incentivado pelo espírito de “começo de namoro”, tentaram se fazer de desinteressados e diziam:

- Ah, vamos fazer o que você preferir! – disse Jin.

- Tudo bem, vamos ver futebol! – aceitou Kazuya, sacudindo a mão diante do rosto.

- Não, não! Vamos ver o basebol! Você já comprou os ingressos!

- Você também!

- Ok, vamos ver futebol! – disse Jin por fim.

- Oh! Concordou rápido demais! – bronqueou Kazuya, irritado.

Jin, reconhecendo o olhar do outro, bufou.

- Ok! Vamos ver basebol!

- Se você insiste! – e a tartaruga sorriu vitoriosa.

- Tenho a impressão de que fui enganado... – Jin suspirou.

8

- Dois hot-dogs e dois refrigerantes! – Jin pediu no balcão da cantina do estádio.

- Saindo dois hot-dogs e dois refrigerantes!

Ele abriu a carteira e já estava com o cartão de crédito em mãos, ao mesmo tempo em que Kazuya, ao seu lado, entregava o dinheiro para a atendente.

- Ei, eu pago! – protestou Jin.

- Não, tudo bem, eu pago!

- Você já pagou os ingressos!

- Ué... E em um encontro o certo não é pagar tudo? – ele questionou, piscando os olhos.

- Sim... Se você saísse com uma garota! – o outro retrucou, um tanto inconformado – Vou pegar nossos lugares! – disse, pegando os alimentos e se afastando.

- Ei, Jin... Você está bravo? – ele perguntou, confuso – Porcaria...

- Aqui está o seu troco.

Agradeceu a atendente e correu atrás do namorado. Com alguma dificuldade, eles alcançaram os lugares marcados, pois o estádio já estava bastante lotado. Tanto Jin quanto Kamenashi usavam bonés e óculos escuros para evitar qualquer fotógrafo inconveniente.

Jin gostava do esporte. Gostava mesmo, mas preferia futebol. Além disso, o campeonato já estava chegando em uma fase importante. Ao lembrar disso, Jin começou a bater os pés, ansioso. Olhou para o seu relógio, a partida começaria em dez minutos.

- Olhe, o Takayama! Ele é realmente muito bom! – comentava Kazuya.

- Ah... Ele é ! – concordou Jin.

- Você sabe a posição dele?

Jin respondeu prontamente que não.

- Como você pode concordar, então?

- Eu acredito no que você diz, Kazu! – ele afinou ainda mais a voz, de modo a derreter o outro rapaz. Ponto para ele, as bochechas de Kamenashi ficaram imediatamente rosadas.

- Preste atenção ao jogo! Ah!! Ah!!!! Home run!!! Sugoi!!

Kazuya, diante daquele lance, recordou-se dos seus melhores momentos quando, ainda criança, jogava em um time infantil. Começou a dissertar para Jin, que fingia ouvir, enquanto discretamente remexia em seu bolso, sintonizando o seu ipod na estação em que seria transmitida a partida de futebol. Ainda com mais sutileza, colocou o fone no ouvido direito, uma vez que Kazuya estava ao seu lado esquerdo.

- Ahhhhh! Essa foi quase! – comentou Kazuya, empolgadissimo.

- Foi mesmo, essa foi por um triz!

- Vai, vai!!

- Avança, cretino!!!

- Jin, esse é o adversário... – Kazuya o olhou com reprovação.

- AHHH! FALTA!! Juiz ladrão!!

- Falta?

- Maldição! Ufaaaa, essa foi por pouco!

- Jin, o que... AH! Outro home run??

Kazuya voltou a se concentrar no jogo, enquanto Jin, ao seu lado, estava completamente absorvido pela partida de futebol.

9

A situação estava crítica. Apesar dos dois home run, os adversários conseguiram empatar o placar com jogadas perfeitas. Naquele momento, o clima estava tenso na arquibancada em que Kazuya e Jin estavam sentados, afinal, o time havia cedido o empate muito fácil. O silêncio era total.

E, no momento mais delicado do jogo, um rapaz ergueu-se no meio da torcida, com um dos punhos acima da cabeça e gritou com toda a sua força:

- GOLLLLLLLLLLL!!!!!!!!!!

Kazuya e toda a arquibancada olharam torto para Jin. O mais novo, envergonhado, o puxou pela jaqueta, obrigando-o a se sentar.

- Cala boca, imbecil, o que você está pensando?

- Hã?? Foi gol, Kazu!!!!!!! – disse Jin, agora com os dois braços erguidos.

Kazuya olhou melhor para o ouvido de Jin e notou aquele pequeno fone afundado ali.

- Você está ouvindo a partida de futebol??

Pego em flagrante, Jin tentou se explicar:

- Eu só estou escutando alguns lances...

- Você prefere ouvir o futebol ao invés de assistir a partida comigo?

- Mas é que já estamos chegando nas finais e...

- E isso é mais importante que o nosso primeiro encontro?

- Eu não estou dizendo isso!

- Deveríamos ter ido assistir ao futebol, então! – ele disse, emburrado.

- Ora, Kazu, porque não podemos fazer os dois ao mesmo tempo?

- Se fosse para você assistir o futebol e eu o basebol, devíamos ter feito isso! Você deveria ter ido ao estádio, não precisava estar aqui comigo!

- Kazu, olha, eu...

- Psiiuuuuu! Volte a prestar atenção ao seu jogo e me deixe assistir ao meu, se é isso o que você quer!

Jin o olhou de modo enfadonho. Estava acostumado ao temperamento difícil de Kazuya, mas não era por isso que tinha que aceitar sempre. Perguntava-se se Tsubasa tinha tanta paciência assim com o seu pequeno.

10

Kazuya ainda estava de mau humor quando eles foram para o seu apartamento. Não estava mais com vontade de jogar sinuca. Entrou em casa, sentou no chão e tirou os sapatos, ajeitando-os em um canto.

- Tem cerveja na geladeira. – indicou a Jin, indo até a televisão e ligando o aparelho.

O mais velho fingia não perceber a sua irritação. Ainda achava que o que tinha acontecido não era motivo para tanto. Deixou seus tênis ao lado do sapato de Kazuya e seguiu para a cozinha. Ali, pegou uma lata, abriu e se deixou cair em uma cadeira.

O primeiro encontro havia sido um completo desastre até agora. Não era desse jeito que ele imaginou que seria o relacionamento deles. Suspirou desanimado, pensando se talvez fosse melhor ir embora...

Como se tivesse adivinhado a sua intenção, Kazuya surgiu na porta da cozinha, onde permaneceu, esfregando um pé na outra canela, constrangido. Olhando para o chão, ele disse:

- Neh, Jin... Me desculpe, eu não queria brigar com você desse jeito logo hoje... Nossa primeira folga e eu estraguei tudo! Desculpe, eu estava nervoso, não sabia como agir e só queria que nos divertíssemos juntos... Não queria estar apenas junto a você, fisicamente, mas que compartilhássemos alguma coisa... É meio... Bobo, não é?

Jin foi enfático ao balançar a cabeça.

- De jeito nenhum! Eu também, Kazu... Desculpe se eu fiquei distante enquanto estávamos assistindo o jogo... Mas era um jogo importante! – ele brincou.

Com um belo sorriso, Jin se aproximou e o envolveu em seus braços. Depois de um longo abraço, Kazuya teve seu corpo prensado contra a batente da porta. Sentiu os dedos macios de Jin alisando a sua face esquerda, então fechou os olhos para aproveitar ao máximo aquele toque, incentivando Jin a colar os lábios aos seus.

11

Eles estavam entrelaçados no sofá da sala. Jin, deitado entre as pernas de Kazuya, repousava a cabeça em seu peito, enquanto o mais novo, apoiado em uma grande almofada, brincava com seus fios de cabelo.

Na televisão passava um filme americano, era uma comédia, mas Kazuya não prestava muita atenção, as gargalhadas de Jin despertavam mais o seu interesse. Ele ria com tanto gosto, que seus olhos se apertavam ainda mais, ficando apenas dois risquinhos... Nessa hora, seus traços infantis se sobressaltavam.

Então, de repente, Jin parou de rir e se ergueu, sentando-se sobre as próprias pernas entre o vão das pernas de Kazuya, que o olhou com receio, consciente de que o outro estava preste a aprontar.

Kazuya sentiu as mãos de Jin em seu quadril. Entrou em pânico. Ele quer transar! Pensou, desesperadamente. Todas as imagens que viu na Internet dias atrás lhe saltaram a mente. Lembrou-se da Cobra Amazônica.

E, com um movimento súbito, ele foi puxado para baixo. Kazuya sentiu seu sexo roçar no joelho de Jin e isso o deixou tenso. Jin, em seguida, se colocou sobre o mais novo, apoiando-se com a mão ao lado do rosto de Kazuya.

Parecia que Kazuya podia escutar os gemidos daqueles vídeos que assistira, enquanto seu amigo Shun dizia “Deve doer um bocado!”.

Não estou preparado. Não estou! Sua mente gritava. Seus olhos transbordavam insegurança e medo.

- Ei, Kazu... Vamos dormir juntos??

Que direto!!!! Não vai ter nem preliminares? Sempre foi assim com suas garotas? Eu não quero que meu cabresto se rompa agoraaaaa!

Todas as perguntas que enchiam a sua cabeça desapareceram quando Jin simplesmente repousou a cabeça em seu peito e pediu:

- Faz cafuné?

- Eh??

Jin fechou os olhos e sorriu satisfeito em ouvir as batidas do coração de Kazuya, estranhou que estivesse tão acelerado, mas creditou isso a sua beleza incrível que fazia o mais novo tremer.

Pouco a pouco, recuperando-se do susto, Kazuya finalmente saiu do estupor e atendeu aquele pedido. Deixou suas mãos brincarem com os cabelos de Jin.

Afinal... Talvez demorará mesmo um tempo até Jin se recuperar...

E ele se deixou ficar assim, contemplando o rosto do namorado, que não demorou muito a pegar no sono.




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sex Mar 12, 2010 1:19 am

aaah gomen ne Kitty por nao ter comentado antes
é q nao tinha dado p/ ler
e agora li os 2 *-----*
nhaaa essas cenas de Akame me fazem rir shahshahshahs xDD
e o Kame com esses pensamento se dói ou nao , ter procuirado na net etc hehehe xDD
O Q ???? 01
quer dizer entao q é o assessor do NEWS q ta por tras disso td????

owww pq????
aaaaaaaaaa
e qm é a aoutra pessoa ja q ele nao ta sozinho nessa
tadinho do Pi ToT
qdo o Koya entra em açao hein hein? *----*
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sex Mar 12, 2010 6:14 pm

Imagina, não tem problema não, Nara ^^!

Eu tento postar a cada dois dias (algumas vezes não consigo hehehe) mas é porque a fic já tá finalizada (com 47 capítulos XD! Ao menos foram menos de 50 hehehe), então as atualizações são mais rápidas mesmo!

Ahhh, adorei escrever um clima de love entre eles finalmente... Ainda que o Kame tenha saído mais tímido (e assustado XD) e o Jin mais bobo do que eu tinha planejado hahaha

Sim, o Kirisawa é um dos mentores de tudo! Logo mais será explicado o porque ^.~... Eu estava fazendo as contas, ainda tem mais uns 8 ou 9 capítulos para o Koyama aparecer... Se tiver paciência, continue acompanhando até lá, onegai ^^!

Obrigadaaa!

Beijosss




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 13, 2010 1:15 am

Aaaaa vc ja acabou???? q triste TToTT
ah ms é claro q terei paciencia
Koyama é mto amooor *----*
imagina se eu perderei
e se ta no fim qro saber td esse misterio
o pq disso td hehe
ms é triste estar no fim ja
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 13, 2010 2:48 am

Ahhhh... Não está exatamente no fim! rsrsrsr

Eu já terminei de escrevê-la, mas a postagem aqui no fórum tá entrando na metade XD! São 47 capítulos, e aqui foram postados 19, vinte com o próximo.... Ainda tem muita água pra rolar! rsrsrsrrs

Desculpe a confusão ^^"!




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 13, 2010 2:51 am

Remédio

1

Jin acendeu o cigarro, tragando lentamente. Fitou aquela droga lícita sem muito interesse, esperando que ela fizesse o seu trabalho devidamente, como costuma fazer em todas as noites nas quais não conseguia dormir. Como esta noite. Soltou a fumaça e se recostou no sofá, sentindo a macia espuma em suas costas. Surpreendeu-se ao perceber o quanto suas costas estavam tensas.

O sonho ainda estava fresco em sua mente. Era capaz de dizer que ouvia e sentia a respiração de Harada em sua nuca. Por precaução, acendeu todas as luzes do seu apartamento.

Sua mão ainda tremia... Indagava-se até quando essa situação continuaria? Embora em outro país, aquele sacana continuava a atormentá-lo em sua hora de descanso. Levou o cigarro mais uma vez aos lábios.

- Ah... Não tem jeito...

Jin se rendeu mais uma vez. Deveria ser paciente consigo mesmo. Um dia estaria livre totalmente da existência daquele homem... Algum dia...

Ligou a televisão sem nenhuma preferência de canal. Qualquer coisa que desviasse o foco de sua mente o satisfaria. Quando deu por si, os raios de sol já invadiam a sua sala através da janela.

2

Sentado no sofá do camarim do KAT-TUN, enquanto folheava uma revista qualquer, Yamapi foi obrigado a escutar:

- Você esteve sumido.

Observou o seu acusador se jogar no mesmo sofá em que estava. Sentiu o braço desnudo de Jin esfregar-se ao seu. Era incrível, ele pensou, como Jin podia ser tremendamente egoísta e, até mesmo, cruel. Que tipo de pessoa o acusaria de se afastar depois que soube do seu namoro com Kamenashi?

Inconformado, fechou a cara, mas isso não durou muito tempo. O sorriso e o abraço de Jin foram suficientes para desfazer seu mau-humor.

- Senti sua falta! – ele passou o seu braço por trás do pescoço de Yamapi, olhando com curiosidade a revista que ele lia.

- Estive ocupado com alguns trabalhos do News. – foi a sua resposta, fechando o periódico e o jogando na mesa – Mas e você, está tudo bem?

Jin sabia o que o amigo queria realmente saber, mas antes fez um breve relato dos últimos trabalhos da banda. Depois, removendo seu braço do ombro dele, deixou suas costas caírem no encosto do sofá e disse:

- É verdade que, na companhia do Kazu, eu tenho pensado o menos possível em Harada... Sei que um dia poderei controlar essas memórias, mas, por enquanto, elas continuam me tirando o sono...

Yamapi pensou que aquele castigo a Harada não havia sido justo. Ele simplesmente foi despachado para longe, para outro país, enquanto Jin era obrigado a ficar com todo aquele trauma... O que ele merecia mesmo era a prisão, mas não podia dizer isso a Jin, sabia o que o amigo retrucaria. Ele próprio tinha consciência de que envolver a polícia chamaria atenção da mídia e poderia ser fatal para o KAT-TUN. Ainda assim, não podia deixar de achar aquilo injusto.

- De qualquer modo, você precisa relaxar Jin! Se tiver outra recaída como aquele dia...

- Não se preocupe! Estou me alimentando direito!

- Só isso não basta. – bronqueou Pi.

O sorriso conformado de Jin foi como se ele dissesse que não havia nada a fazer, a não ser esperar que sua mente e seu corpo esqueçam tudo o que passou. Yamapi suspirou.

- Baka... – o xingou, mas seu olhar era carinhoso.

3

- E, então, perguntaram se eu era o Ueda!! Me confundiram com o Ueda! Me diz, aonde é que eu sou parecido com o líder? – indignou-se Nakamaru.

Ele contava sobre a vez em que foi abordado por um casal de idoso enquanto passeava no Shopping.

- As pessoas sabem que somos artistas, mas não sabem quem somos de fato! – concordou Koki.

- Isso é por que ainda não debutamos. – foi o lamento de Kamenashi.

O trio havia se encontrado na entrada da empresa e rumavam para o camarim. Kamenashi estranhou aquela porta fechada, normalmente estava sempre aberta e, ao abri-la, descobriu, com desgosto, o motivo.

Ele viu Jin sentado muito próximo a Yamapi, rindo de qualquer coisa, que realmente não importava. Kamenashi pensou que, independente do assunto, eles não precisavam ficar tão juntos assim...

- Bom dia!! – Koki cumprimentou a todos alegremente, sendo imitado por Nakamaru.

Kamenashi limitou-se a sacudir a cabeça e lançou um olhar para Yamapi, que não desviou o seu. Analisavam-se, embora um não pudesse compreender qual era o motivo da avaliação do outro.

4

“Você sempre estará do meu lado, né Pi?”

“Sempre”

“Que bom”


Kazuya olhava os dois, conversando animadamente sobre assuntos que não eram de seu conhecimento, o que o incomodava. E o molestava ainda mais se lembrar daquela cumplicidade que testemunhou quando Jin esteve doente.

Yamapi o amava. Jin estaria consciente desse sentimento? Se estivesse, porque não deixava bem claro que eram apenas amigos? Eram apenas amigos, afinal de contas... Não eram?

Aquela dor era chata e insuportável. Porque sentia tanto ciúmes dele, afinal? Jin era seu namorado. Jin o escolhera e não a Pi. Isso não devia ser suficiente para tranqüilizá-lo?

- Ei, Kame, como é que tinha que ser o tom nesta parte? – Junno se aproximou, com a letra de uma música.

- Desculpe?

- Aqui, eu não tô conseguindo lembrar o tom... Pode me ajudar?

Fazendo que sim, Kazuya tentou afastar tais pensamentos que só o deixavam deprimido e tentou se concentrar em ajudar Junno, mas as risadas de Jin e Yamapi o incomodavam...

5

Aquele sentimento ruim apenas crescia com o passar dos dias, Kazuya percebeu com certa angústia. Não queria que isso se tornasse um problema entre Jin e ele, mas chegava a ser insuportável o quanto seu namorado era ligado a Yamapi... Sabia que não tinha o direito de exigir exclusividade e muito menos que Jin se afastasse de seu melhor amigo, nem cogitava tal idéia, mas era bastante difícil suportar o ciúme que sentia.

Invejava aquela compreensão que eles tinham um do outro. Queria saber tanto quanto Yamapi sobre Jin, queria poder dizer quando o rapaz estava triste bastando apenas olhá-lo uma única vez ou entender as suas piadas mais sem noção sem que fosse preciso repeti-las... Queria entender o que se passava no coração de Jin apenas ouvindo seus suspiros...

Eram namorados, mas Kamenashi queria mais, desejava que fossem cúmplices... E, mais do que tudo, ele queria se igualar ao nível de Yamashita. Talvez quando isso acontecesse, aquela insegurança chata que havia no fundo de seu coração em relação a amizade deles desaparecesse de uma vez. No fundo, a suspeita de que Jin se apaixonaria por Yamashita continuava a perturbá-lo.

Foi por causa desse temor que, ao chegar para a gravação do próximo Shounen Club, soube, com desgosto, que Yamapi e Jin seriam os apresentadores. O tema do programa seria “Nosso Verão”, e eles visitariam lugares que trazem recordações a ambos...

Quem foi o diabo que teve essa maldita idéia para o programa?

Ele e os demais KAT-TUN apareceriam em uma única cena, para falar sobre o verão de cada um. Seria uma participação curta, não deveriam ter muitos problemas para filmar, por isso gravariam primeiro e então Yamapi e Jin passariam o resto do dia gravando fora...

...Juntos.

6

Tendo sido rápida a gravação para o Shounen Club, Kamenashi preferiu permanecer na empresa, ensaiando sozinho. Revezou entre dança e canto. Realmente não importava o que, mas queria fazer algo que distraísse sua mente.

O dia longe de Jin, mais uma vez, passou vagarosamente. Quando finalmente anoiteceu, a esperança de que veria seu namorado ainda naquele dia desapareceu por completo. Não sabia em que lugares exatamente seriam as gravações. Perguntava-se se seria necessário que eles passassem a noite em algum hotel...

Decidiu ir embora, então rumou para o vestiário. Após um demorado banho, Kamenashi seguiu para o camarim. Ao final do corredor, avistou Yamapi, que andava com seus passos largos, descontraídos, em sua direção. Estava sozinho. Quando se encontraram, era evidente o mal-estar entre eles, apesar de não declarado. Encararam-se.

- Terminaram a gravação? – Kazuya perguntou, cortesmente.

- Faltaram algumas cenas que faremos ao longo da semana... Jin foi para casa. – ele informou, sem que o outro perguntasse.

- Entendo... Ainda tem trabalho, Yamapi?

- Bem, pode ser considerado um trabalho... – Yamapi foi bastante vago - Né, Kame... – ele disse, buscando algo em seu bolso. Era uma caixa de comprimidos. – Yamada-sensei disse que isso ajudará o Jin a dormir. Por favor, entregue isso a ele.

Kazuya, surpreso com aquela informação, mas não querendo que o outro percebesse que desconhecia a insônia de Jin, se fez de entendido e garantiu que o entregaria. Antes que Yamapi se afastasse, porém, ele perguntou:

- Por que você não o entrega diretamente?

-... Eu quero descobrir se você é capaz mesmo de tomar conta dele. – foi a resposta sincera. – Jya ne. – ele balançou a mão e seguiu seu caminho.

Kazuya engoliu em seco, sem explicar porque crescia dentro de si um sentimento de humilhação. Era natural que Yamapi quisesse ter certeza de que Jin ficaria bem, isso ele poderia compreender muito bem, mas... Não gostou de saber por intermédio de terceiros o problema do seu namorado. Ainda mais quando esta terceira pessoa tratava-se de ninguém menos que Yamapi.

Sabia que devia evitar essas idéias, era um ciúme idiota, mas o desesperava perceber o abismo que havia entre Jin e ele... E que, do outro lado do enorme buraco, Jin estava acompanhado de Pi...

Seria possível pular esse precipício? Era o que ele gostaria de saber.

7

A noite estava um pouco fria, Kazuya sentiu um leve arrepio assim que saiu da empresa. Caminhou até o metrô, um pouco indeciso em qual estação desceria. Devia levar o remédio até Jin, mas não estava nada animado em encontrá-lo. Não tinha certeza se conseguiria disfarçar o seu mal-estar e não queria que ele soubesse desses sentimentos, consciente de que eram egoístas.

“Eu quero descobrir se você é capaz mesmo de tomar conta dele”

Olhou para o relógio assim que o vagão chegou na plataforma. Eram vinte e duas horas. Suspirou derrotado e sacou seu celular. Quando Jin atendeu, Kazuya foi direto:

- Alô? Jin? Estou indo até aí, tudo bem?

Tendo o rapaz consentido, Kazuya encerrou a ligação. Pouco depois, já estava no apartamento de Jin, que o recebeu confortavelmente trajando moletom e camiseta larga. Parecia cansado, mas demonstrou alegria em vê-lo, apesar do horário.

- Você não consegue mais ficar longe de mim, né Kazu? – um sorriso maroto se fez nos lábios de Jin.

- Desculpe aparecer tão tarde. – essas palavras escapuliram de Kazuya, que no instante seguinte ficou mal em perceber que tal formalidade ainda existia entre eles...

- Tudo bem, não é tão tarde assim... Estava escolhendo um filme para assistir, você tem alguma preferência?

- Qualquer um está bom. – disse Kazuya, sentado no chão, enquanto retirava seus tênis.

Jin olhou preocupado para ele, notando o tom desanimado de sua voz. Antes que perguntasse o que estava acontecendo, Kazuya se aproximou.

- Eu vim te trazer isto. – ele explicou, estendendo uma pequena sacola branca em sua direção. – São remédios para dormir. Yamada-sensei receitou.

- Eh???? – Jin estava bastante surpreso – Como ele...

- Yamapi contou a ele... E pra mim também.

Jin não percebeu o olhar reprovador de Kazuya. Apenas riu e comentou:

- Aquele baka! Não é algo para se preocupar desse jeito! Arigatou, né? Por ter vindo aqui só por isso... Quer tomar alguma coisa?

Kazuya balançou a cabeça, negando, e foi se acomodar no sofá. Jin deixou o remédio em cima do móvel e, sentando-se ao seu lado, disse, empolgado:

- Né, vai passar aquele filme “Crash – No limite”, você já viu? É muito bom!! Também vai passar aquele filme do Kore-Eda, “Ninguém pode saber”. É tão triste! No canal de ação vai passar Oldboy, é bem violento! E também tem esse “Abaixo o Amor” que...

Kazuya decidiu interrompê-lo, afinal, não veio em busca de críticas de cinema.

- Jin... Por que você não me contou que está com problemas para dormir?

Apesar de Jin estar com seu rosto baixo, lendo a programação da televisão, Kazuya pode ver seu sorriso sumir. Ele ainda passou os olhos por mais alguns títulos, até que respondeu, ainda mantendo seu tom descontraído:

- É... Meu sono tem sido instável, mas não é nada demais... – ele coçou o nariz - O Pi é um exagerado! Ele acha que eu posso ter uma recaída...

- Não seria nada anormal... O ritmo de trabalho esteve muito puxado essas semanas.

- Está tudo bem! Tudo bem! Não se preocupe desse jeito!

Kazuya o olhou de um jeito incômodo, que Jin não soube como descrever. Parecia cheio de preocupação e, também, tristeza. Jin decidiu colocar o seu melhor sorriso para tentar descontrair o namorado.

- Eu já disse que está tudo bem, não precisa ficar assim.

A sua tática, porém, não funcionou, a expressão de Kazuya não se alterava.

- É... Por causa de Harada, não é?

Jin engoliu em seco, um pouco contrariado com a conversa. Decidiu mudar de estratégia, então avançou lentamente em Kazuya, até sentir a respiração dele em seu rosto.

- Não se preocupe, já disse...

Deslizou seus lábios nos de Kazuya, que imediatamente sentiu seu corpo esquentar, mas não o beijou. Virou o rosto, querendo dizer a Jin que ele não cairia nesse truque barato. O mais velho, porém, logo desviou a rota de sua boca para a ponta da orelha de Kame, mordendo-a levemente. Notou o arrepio do pequeno.

- Pare com isso, Jin... – ele pediu, mas sem muita convicção.

Kazuya percebia que estava perdendo o controle. Mais uma vez. Como Jin podia ter essa influência toda em seu corpo?

- Você não quer meu beijo?

- Precisamos conversar... – ele lutava para se manter sóbrio, mas Jin o provocava de todas as maneiras, com um sorriso curto, um olhar compenetrado e aquela voz... Ah, aquela voz...

- Podemos conversar a qualquer momento, mas é raro estarmos assim, só nós dois, em um lugar privado! – a voz de Jin saia mais rouca e pausada que o normal.

-...Mas também não podemos conversar sobre nosso relacionamento na frente de outras pessoas!

Jin sentiu a mão de Kazuya em seu peito, mas percebeu que não havia muita força do rapaz em tentar impedi-lo. Com um gesto simples, a afastou e voltou a colar seu peito ao do namorado. Dessa vez, ele teve permissão para adentrar naquela boca pequena. Um beijo molhado, longo, lento...

Kazuya notou que aquele beijo era diferente dos anteriores. Estava carregado de desejo. Assim como os toques de Jin estavam mais ousados. O rapaz o apertava pela cintura, provocando-lhe o riso, por vezes as suas mãos escorregavam para debaixo de sua camiseta, permitindo o contato de suas peles, oferecendo um décimo do seu gosto para o corpo de Kazuya.

O mais novo se assustou. Sabia bem que esses toques eram o início de algo mais íntimo. Apreensivo, lembrou-se, de novo, das imagens pornográficas da Internet.

Será que está na hora?

Kazuya estremeceu ao sentir o forte aperto da mão de Jin em sua coxa. Seus lábios se desgrudaram. Seus olhos se encontraram. Os de Jin pareciam brilhar em cobiça e os de Kazuya, em hesitação.

Eu tenho medo, Jin.

Ele sabia que teria que encarar esse medo cedo ou tarde, ou não seria capaz de construir um relacionamento mais profundo com Jin...

Jin mordiscou-lhe o lábio inferior, puxando-o devagar, chupando-o, para em seguida deslizar seus dentes ali. Acariciava a nuca de Kazuya com delicadeza, mas firmeza suficiente para que o outro não fugisse.

Ainda não estou preparado... Mas... Eu quero me unir a você...

Ele queria pular aquele abismo que o separava de Jin. Queria estar junto ao namorado, estar no mesmo nível que ele. Queria agarrar a sua mão no mesmo lado do precipício...

Jin... Se for com você... Não vou fugir!

Gentilmente, Jin o deitou no sofá. Admirou-o por alguns instantes, percebendo que Kazuya respirava rapidamente. Era evidente a sua ansiedade. Então, o mais velho se colocou por cima de Kazuya, voltando a beijá-lo. Seus lábios se desencontraram algumas vezes, seus dentes se bateram, eles riram, mas continuavam a se beijar.

E, então, da mesma forma como começou, Jin deliberadamente interrompeu as carícias quando a mente de Kazuya já não tinha mais controle sobre seu corpo. Saindo de cima, limpando a saliva de Kazuya em seu queixo, indagou:

- Você já jantou?

- Hein?

- Vou esquentar uma lasanha pra você... Ela é instantânea, não fui eu quem fiz! – ele emendou – Deu sorte que eu fiz compras hoje!

Kazuya o olhou como se ele fosse a coisa mais chocante que já viu em toda a sua vida. O que aquele idiota estava fazendo? A sua mente fervilhava. Estava sendo rejeitado? Por que Jin o recusava? Seria por causa de Harada? Mas quem tomou a iniciativa havia sido o próprio Jin.

Oprimido pelo peso daquela humilhação, sentiu as lágrimas subirem até seus olhos, o que contribuiu para deixá-lo ainda mais zangado. Sentia-se como um completo idiota. A raiva que sentia de Yamapi também veio à tona naquele momento. Explodiu. Levantou-se com fúria e atingiu o ombro de Jin com violência, assustando-o.

- Baka!!

- Kazu...

- Baka, baka, baka!!!!!

Jin tentou segurar seu pulso para acalmá-lo – e também dar um alento ao seu ombro que já doía muito – mas o pequeno, agitado, conseguia se esquivar e continuava a agredi-lo.

Quando finalmente Jin o segurou, jogou-o de volta ao sofá. Kazuya se agarrou à gola de sua camiseta e eles caíram, o que os fez voltar à posição de antes, Jin sobre Kazuya, ambos respirando forte de novo, mas, desta vez, era uma respiração irritada. Seus olhos também se machucavam com aquele rancor que trocavam.

- O que há com você, Kazuya? – perguntou Jin, bravo.

- O que há comigo?? O que há com você?? – ele devolveu o mesmo tom a principio, mas por fim amoleceu - Por que me humilha desse jeito???

Jin se condoeu diante daquela expressão triste. Suspirou. Tentou encostar seu rosto ao dele, mas Kazuya o repudiou, ainda agressivo. Jin usou de mais força e, estando por cima, conseguiu segurar o rosto do rapaz.

- Neh, Kazu... Você quer?

Ele não respondeu.

- Você quer mesmo transar comigo agora?

- Eu...

- Eu não quero transar com você.

Kazuya o olhou chocado. As lágrimas aumentaram.

- Eu não quero transar com você cedendo dessa forma. – ele explicou, com a voz novamente gentil - Quando a gente fizer sexo, será porque os dois desejam isso e não porque você aceita fazer minhas vontades... Não quero ver o medo estampado em seus olhos... – Kazuya viu o brilho das lágrimas em seus olhos - Não quero que você se entregue desse jeito... Não quero ver em seu rosto o pânico que eu senti na sala do Harada... – com o dedão, Jin massageou as bochecha de Kazuya, sentindo na ponta de seu dedo aquela pele tão macia, quente e, naquele momento, umedecida com lágrimas.

- Jin...

- Kazu, eu sei que você nunca se relacionou com outro homem antes. Eu não tenho pressa... Talvez eu tenha me excedido esta noite, mas é difícil resistir a você! – ele riu – Mas, de qualquer jeito, sinto que eu também não estou preparado ainda... Além disso, quero que você tenha consciência de que receberá um corpo que já foi usado em situações por demais vexatórias... Você quer mesmo assim?

Kazuya mordeu os lábios. Seu coração estava pequeno demais depois de ouvir aquelas palavras. Percebeu que estava enganado em relação à recuperação de Jin. Seu namorado ainda estava muito machucado. Sentiu-se extremamente egoísta naquele momento. Acusou Jin de humilhá-lo, mas, na realidade, foi ele quem não conseguiu compreender os sentimentos dele, enquanto o mais velho reconheceu de imediato o seu medo...

- Me desculpe...- ele soluçou, tímido – Eu entendi tudo errado, eu... Eu tenho errado tanto com você, Jin...

Kazuya o agarrou pelo pescoço, em um abraço cheio de desespero e arrependimento.

- Seu corpo é lindo... – ele sussurrou em seu ouvido– Ele é ainda mais bonito por ter suportado tantas provações pelo KAT-TUN... Por nossos amigos... Por mim... Como eu poderia repudiá-lo, Jin?

Jin sorriu, ainda acariciando aquele rosto. O mais novo fechou os olhos com força, mas ainda assim algumas lágrimas continuavam a cair. Jin prontamente as secou.

- Hey, Kazu... Está tudo bem... Não fique assim!

- Você tem razão... Eu ainda... Tenho medo.

- Não precisamos ter pressa, Kazu. – ele repetiu – Vamos ao seu ritmo... Está perfeito assim! Vamos tentar conversar mais sobre isso, ok? Não tenha idéias erradas sobre mim, baka... O que você pensou afinal? Que eu não te quero?

Kazuya olhou para o lado, envergonhado.

- Eu fico confuso com você, Jin... Às vezes você age tão natural, que eu penso que já superou tudo. Depois, percebo que ainda há momentos em que você cai em depressão... Isso me angustia, quero te ajudar, mas não consigo sequer compreender os seus sentimentos! É terrível não entender o que acontece com o meu próprio namorado... Por que eu tenho que ficar sabendo pelos outros que você não consegue dormir?

Jin compreendeu, finalmente, a aflição do pequeno. Sorriu de leve, agradecido pela sua preocupação.

- Neh, Kame... Talvez eu esteja mal acostumado... Não sou do tipo que conta os próprios problemas! O Yamapi sempre percebe por conta própria, não é como se eu contasse a ele e pedisse ajuda! Ele sempre sabe quando tem alguma coisa errada comigo... Isso porque ele é o meu melhor amigo, sempre esteve muito próximo de mim... Eu sou grato por tudo o que ele fez, ainda faz e certamente continuará fazendo por mim no futuro, mas... Acho que tê-lo por perto me fez esquecer da necessidade de dividir os problemas... Gomen, prometo que daqui pra frente serei mais sincero com você!

Kazuya não gostou de ouvir tamanha declaração sobre Yamapi, mas se fixou ao que realmente importava naquelas palavras. Jin estava lhe entregando a chave de seu coração. A ele e não a Yamapi. Não o coração em que estava o amor que dividiam, mas aquele coração em que estava o próprio Jin. Seu Bakanishi estava lhe dando a permissão de se instalar de uma vez por todas em sua intimidade.

Kazuya sentiu-se seguro mais uma vez do amor de Jin, mas, além disso, sentia que finalmente Jin o deixava amá-lo também... Finalmente eles se encontraram no tortuoso caminho dos apaixonados. Estavam juntos, no mesmo patamar.

- Jin... Eu... Te amo... – ele deixou escapar o sentimento que arrebatava seu coração.

Os olhos de Jin brilhavam. Contente, encostou sua bochecha a de Kame, em um desajeitado abraço devido à posição incômoda em que se encontravam para tal demonstração de afeto.

7

Seus dias já não eram mais tão coloridos. Até mesmo sua profissão começava a ser afetada, ela não conseguia cantar com toda a sua emoção. Tsubasa Akeko estava melancólica com o fim do namoro. Julgava-se uma tola por se deixar abater dessa forma tendo a idade que tinha... Mas, talvez, ponderou que o peso da sua idade era justamente a razão de seu desespero...

Deixando seus sapatos na entrada, rumou direto para a estante das bebidas. Pegou uma taça e o seu vinho preferido. Não acendeu nenhuma luz. Apenas ligou a sua vitrola. Sim, era antiquada. Gostava de ouvir os discos mais antigos que um dia pertenceram a seus pais. Jogada no chão, bebeu ao som de Love Me Tender.

- Me ame com doçura... – ela murmurou.

8

Jin virou-se de lado, fitando o seu guarda-roupa. O sono não vinha. Talvez devesse tomar o remédio de Yamada-sensei, refletiu. Esticou a mão até o seu criado-mudo, mas interrompeu o gesto ao sentir o seu colchão tremer. Ergueu o pescoço e viu um certo volume se remexendo debaixo do edredom. Sorriu, um sorriso de algo divertido e amoroso.

- Olá... – Kazuya disse, assim que seu rosto alcançou a ‘saída’ da coberta.

- Oh... Uma perfeita tartaruga! – ele comentou – Está sem sono? Eu falei pra você dormir aqui na cama que eu dormia lá na sala...

- Lá estava confortável. – ele garantiu – Só vim verificar se você estava dormindo...

- Você está mesmo encanado com isso, não está? – Jin bateu de leve em sua cabeça.

- Mas eu estava certo, afinal... Você está acordado!

- Sua presença não me deixa dormir...

- Ah, estou incomodando, então? Posso pegar um táxi e ir embora!

- Baka, você não sabe ser romântico mesmo, né?

Kazuya riu, fitando o colchão. Com o dedo, desenhava qualquer coisa imaginária. Jin admirou aquela face, encoberta pela metade pelo cabelo longo do garoto.

- Né, Kazu...

- Un?

- Ainda vai levar um tempo, Kazuya... Até que eu consiga esquecer certas coisas...

Kazuya interrompeu sua brincadeira e deixou seus olhos encontrarem os de Jin. Sorriu.

- Você pode levar o tempo que quiser, Jin... Só me deixe ajudá-lo! Deixe-me conhecê-lo da mesma forma que você me conhece... – enquanto dizia isso, ele ergueu o braço de Jin para o alto, abrindo espaço para se acomodar em seu peito – Me deixe estar ao seu lado, ok?

- Você está mesmo louquinho por mim, não?

- Baka! Cale a boca e durma!

- Oh... Tão genioso...

- Qual a parte do “cale a boca e durma” você não entendeu?

Jin riu, mas por fim calou-se e, em algum momento enquanto apreciava o perfume e o calor do corpo de Kazuya, adormeceu...

10

Kirisawa ergueu seus olhos dos documentos que analisava quando a porta se abriu e sua secretária anunciou a presença de Yamashita Tomohisa. Ele fez um gesto com a cabeça e pôs um sorriso simpático para receber o líder do grupo do qual era assessor.

- Ohayou. – cumprimentou o loiro, sentando-se no local indicado por Kirisawa.

- Bom dia, Tomohisa-san... Sei que anda muito ocupado com alguns trabalhos individuais! Deixe-me dizer que aquele episódio do Shounen Club sobre o verão foi realmente perfeito!

Yamapi agradeceu com um gesto de cabeça. Achava que aquele assessor às vezes era um tanto exagerado em suas maneiras de agir e pensar.

- Também peço desculpas por lotar a sua agenda dessa forma, mas precisamos continuar mantendo o NEWS em evidência, ainda que seja em trabalhos solo de seus integrantes.

O rapaz garantiu que estava tudo bem e que quanto mais trabalho, melhor. A si mesmo, Pi pensou que isso o manteria afastado de Kamenashi e Jin até que estivesse totalmente confiante de que poderia torcer por eles sem um pingo de ressentimento.

O que Yamashita só não podia prever era que aquele trabalho, ao invés de afastá-lo, apenas o aproximaria mais de Kamenashi. Entusiasmado em trabalhar em uma nova novela, ele leu o título do script do primeiro capítulo em voz alta:

- Nobuta wo produce...

Kirisawa observou com bastante atenção enquanto o jovem estava entretido com o novo personagem. Sorriu. Se Yamashita havia sido o motivo da falha de seu primeiro plano, agora seria a peça fundamental para afastar Kamenashi de Akanishi...




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 13, 2010 11:34 pm

Aaahn ta entendi agora xDD

shahshahsah aiai ms esse relacionamento d Akame hein
é lindo, é fofo, é engraçado hehe
Waaa Love me tender *----*
amoooo
waaa Nobuta
acredita q ainda nao vi?
aiai q coisa
sao tantos doramas p/ ver, minha lista só aumenta haha
e ja to vendo varios ao msm tempo rs
Continua
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Seg Mar 15, 2010 1:13 am

Akame é assim *.*!! Amo hahaha
Love me tender é clássica, né? Música perfeita *.*

Sério?? Nobuta é um dos meus doramas preferidos! Mas, quando eu assisti, eu só conhecia o SMAP e nem fazia idéia do que era JE... Achei o Kame meio estranho com aquela sobrancelha tão bem feita hahaha Mas me apaixonei pelo Pi *.*! Ele está o máximo nessa novela... Quando puder, veja, é muito boa mesmo!

Ah minha lista de dorama tb só aumenta hahaha Não consigo tempo para ver tudo! Pior que eu sou uma "baixadora" compulsiva XD... Nem tenho mais espaço no meu HD!

Beijosss




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Seg Mar 15, 2010 1:18 am

Pedido

1

Era mais um dia de apresentação, Kamenashi devia entrar em seguida para o seu solo, estava agitado, terminando de ajeitar seu figurino. Jin o observava em um canto do camarim, sorrindo.

- Do que está rindo, baka? Você viu a minha pulseira?

- Não estou rindo, estou sorrindo, não percebe a diferença?

- Não percebo é como eu possa ter perdido a minha pulseira!

- Por que está tão agitado, Kazuya... Não é aquela ali, ao lado da jaqueta do Koki, na mesa?

- Ah! Aí está... – ele tentou prender o acessório – Droga, eu não sei porque estou assim hoje... Na verdade, eu sei... Estive pensando no debut... Quero dar o meu melhor hoje e... Por que essa porcaria não prende?

Jin se aproximou e puxou seu pulso. Kazuya o fitou, enquanto o rapaz prendia o acessório. Uma vez a pulseira presa, ele não soltou a mão de Kazuya. Acariciou-a e em seguida puxou o garoto pela nuca, até seu peito.

- Ei, vai dar tudo certo hoje, ok? Estamos indo bem! Não pense tanto no debut... Vamos dar o nosso melhor pelo público e nos divertir, não é?

O olhar seguro de Jin trouxe a calma para Kazuya. Incrível, ele nunca tinha percebido o quanto a presença do mais velho o deixava tranqüilo. Agora, porém, era fácil perceber que ter Jin ao seu lado o fazia sentir-se confiante. Talvez sempre tenha sido assim, mas ele não foi capaz de notar porque nunca cogitou que um dia Jin pudesse estar ausente...

Ao mesmo tempo em que se regozijava diante de Jin, uma pequena dúvida corroeu seu coração. E se um dia eles tiverem que se separar? E se a empresa descobrir e os forçar a terminarem? Ou se vazar para a mídia e as fãs exigirem que eles não continuem mais juntos?

Ficou assombrado com a força da tristeza que sentiu em simplesmente pensar nessas possibilidades que, aliás, não eram nada improváveis. Ele se questionou como se deixou envolver dessa forma tão profunda por um relacionamento que tinha um futuro tão incerto?

Olhou para Jin com tanto desalento que o outro foi capaz de notar o seu mal-estar.

- O que houve Kazu?

Kazuya se desprendeu dos seus braços e recuou um passo.

- Nós... Podemos ficar juntos, Jin? – ele perguntou, mas sem coragem de encará-lo. Mirou os próprios pés.

- É o que queremos, não é? – Jin ficou aflito ao cogitar que talvez o mais novo estivesse arrependido daquela relação. – É o que você quer?

Kazuya fez que sim e mordeu os lábios.

- Então... Nós podemos. – Jin foi incisivo – Podemos e ficaremos juntos! Por que essa pergunta agora? Tem medo que descubram sobre nós? Preconceito?

- Isso também...

- Também?

Kazuya não respondeu de imediato. Pensava em como poderia descrever o que se passava em seus sentimentos. Como explicar a Jin algo que ele próprio não compreendia no momento?

Afinal, por que esses pensamentos sobre separação lhe vieram à cabeça tão depressa? Estavam apenas no começo do namoro, por que se preocupar com isso agora? Era o que ele tentava convencer a si mesmo. No entanto, não podia ignorar aquela aflição em seu peito... Por algum motivo, ele sabia que o amor deles teria que percorrer uma trajetória sofrida...

Julgando a si mesmo como um tolo, Kazuya balançou a cabeça, afastando tais preocupações e disse:

- Não é nada... Eu ainda estou um pouco nervoso... – forçou um sorriso – Mas darei o meu melhor!

- É isso aí... Dê o seu melhor.

Trocaram um último olhar e então se separaram. Kamenashi seguiu para o palco e Jin foi se arrumar para a próxima música.

2

A rotina de trabalho ajudou Kazuya a esquecer aquele pressentimento ruim em relação ao seu namoro com Jin. Empenhado nos projetos da banda, em seus trabalhos individuais, divertindo-se com Jin, ele chegou a rir de si próprio por ter se preocupado com situações irreais. Elas poderiam acontecer, poderiam, mas deixaria para se abater quando chegasse a hora.

Com essa decisão, seu espírito leve era capaz de agüentar todo o desgaste do ritmo alucinado de trabalho que estava sendo obrigado a enfrentar. E, agora, jogavam-lhe ainda mais responsabilidades em suas costas com mais uma novela.

- Um personagem que joga com as outras pessoas... Um jogo de popularidade? – Kazuya refletiu, balançando-se na cadeira giratória.

Diante dele, do outro lado da mesa, um homem de cabelos curtos, raspados e óculos escuros assentiu.

- Isso mesmo, Kamenashi-san. – respondeu o diretor – É esse o personagem que eu quero que você dê vida. Por favor, faça o seu melhor.

Kamenashi fez que sim.

- Hai. Eu me esforçarei. Se me der licença, eu tenho alguns compromissos agora a tarde e...

- Ah, já ia me esquecendo. – ele estalou os dedos - Yamashita Tomohisa interpretará o personagem Akira, que se torna o melhor amigo de Shuuji com o decorrer dos episódios... Como vocês dois são da mesma agência, seria interessante se criassem seus personagens juntos. Isso acaba refletindo na relação dos personagens.

- Tudo bem. – disse Kamenashi, balançando a cabeça levemente.

E essa agora? Era o pensamento de Kamenashi, já em um ônibus. Encostou a cabeça à janela, angustiado, e tal sentimento apenas aumentou quando viu “Yamapi” escrito em uma propaganda de outdoor. Era anúncio de algum shampoo ou qualquer outro produto de higiene. Assim que viu aquela imagem, imediatamente uma voz anasalada dizendo “Bakanishi” ressoou em sua mente.

Kamenashi chegou mais cedo do que previa na empresa. Olhou para o relógio, ainda havia quase uma hora até a reunião com a banda, mas decidiu ir para o camarim do mesmo jeito e esperar pelo pessoal enquanto lia mais sobre o seu personagem em “Nobuta wo produce”.

3

-...Não tem ninguém...

Kamenashi olhou para o camarim vazio e por um momento se perguntou se ele realmente tinha uma dedicação saudável pelo trabalho. Será que era normal estar assim tão ansioso a ponto de chegar tão cedo?

- Mas é algo importante...- murmurou.

Ele tentava se convencer de que sua vida não se resumia apenas ao trabalho logo aos dezenove anos de idade. Ainda sequer alcançou a maioridade pela lei japonesa, ser tão obcecado pelo trabalho seria algo deprimente nessa idade. Uma parte irritante da sua mente o lembrou da época do isolamento e que não sabia o que fazer quando era obrigado a faltar no trabalho.

Nesta tarde havia algo considerado importante, mas isso não mudava o fato de que ele era o que chegava mais cedo com certa freqüência. Por outro lado, essa rigorosa dedicação sempre trouxera resultados positivos, em sua maioria, excetuando-se as brigas quando algum membro não entendia o seu jeito severo com as obrigações.

Em todo caso, Kamenashi estava mesmo ansioso. Havia uma possibilidade de que o debut da banda saísse em breve. Eles se formaram em 2001 e, quatro anos depois, ainda continuavam como juniores. No fundo, era algo que vinha lhe tirando o sono há um bom tempo, principalmente depois de terem perdido uma ótima chance por culpa das chantagens de Harada.

Kamenashi reconhecia que estava recolhendo ótimos frutos devido ao seu trabalho árduo. Sempre se empenhava aos máximos em todos os projetos que se envolvia, por isso sabia que podia e queria ter mais. Não descansaria enquanto o KAT-TUN não tivesse o seu merecido reconhecimento. Devia isso a todos eles, mas, principalmente a Jin.

Olhou para o relógio em seu pulso e teve a decepção de ver que ainda faltavam quarenta minutos para o horário marcado e, obviamente, os demais membros ainda demorariam a chegar. Balançou os ombros, só lhe restava esperar.

Sentou no sofá e apanhou um mangá que estava perdido por ali. “Deve ser do Koki”, ele pensou. Começou a folhear, sem muito interesse a principio, mas com o avanço da leitura o enredo ficava mais interessante.

De repente, a porta foi aberta violentamente e Kamenashi, por cima do mangá, o viu entrar. Em um primeiro momento, Jin permaneceu parado na porta, admirando o namorado, mas em seguida entrou gritando:

- Konnichiwa!!!

Kamenashi mal teve tempo de se jogar para o lado, para fugir de Jin, que se lançou contra ele sem se importar com a sua altura e, principalmente os dez quilos de diferença entre seus corpos. Foi por um triz que o mais novo conseguiu escapar e resmungar:

- Porque você é sempre tão barulhento?

- Ah, qual é? Né, Kame? Fiquei sabendo que você vai fazer uma nova novela!

Ele já sabe? Como as fofocas correm! Era o pensamento de Kamenashi. Ah, isso vai tomar uma boa parte do meu tempo... Droga, eu não posso me descuidar da banda, estamos a ponto de debutar a qualquer momento...

- Kame...Kame...KAAMEEEE! – Jin formou uma concha com as duas mãos grudadas na sua boca e as colou no ouvido de Kamenashi – KAMEEEEEEEE!

Kamenashi fez uma careta e o empurrou, arrumando espaço para se deitar no sofá e voltar a ler o mangá. Jin também se acomodou, de bruços, apoiando seu queixo nas mãos. Ele insistiu:

- KAMEEE...

- Ahhhh, para com isso!

- Kameeeee...- dessa vez foi um sussurro.

- Que foi? – ele não tirou os olhos do mangá.

- Konnichiwa, tartaruga! – Jin tentava ler o mangá por cima de Kame, que simplesmente estendeu a revista para cima, de modo a impedi-lo.

- Eu já te cumprimentei, não?

- Na verdade, você me chamou de barulhento e não me deu boa tarde!

- Ah, sério? Gomen! Acho que estou um pouco distraído, no fim das contas...Boa tarde!

Jin fez um bico e perguntou:

- O que você tem?

- Você não está ansioso por hoje? – Kamenashi finalmente fechou o mangá, repousando-o em seu peito. Encarou Jin, que, em sua linha de visão, estava de cabeça para baixo.

- O que é que tem hoje?

- É, não está...Nada te deixa ansioso, Jin?

- Você me deixa ansioso! – ele respondeu e riu quando viu a face do outro se avermelhar – E no momento estou muito ansioso em te beijar! – e ele avançou com um bico em sua direção.

- Baka! – Kazuya o impediu de se aproximar afundando o mangá em seu rosto.

- O que é que tem hoje, afinal?

- Nós vamos escolher a música do nosso debut, não?

- Ah...Ah...É isso? – ele perguntou, sem muito interesse - Ah, mas é uma provável música, não é a que realmente usaremos, não é verdade? Eles devem enrolar a gente de novo! E, por falar em enrolar, você não me respondeu!

- Nani? Sobre?

- A nova novela...

- Ah...Sim, é verdade, parece que tem essa novela, “Nobuta wo produce”...

- Como assim “parece”...O elenco já foi escalado, e eu não passei no teste!

- Ah, você tentou?

- É, mas não passei...Mas sei quem pegou o papel do Akira! O Pi!

- Yamapi? É, eu tô sabendo.

- Que descaso! – caçoou Jin.

- Você sabe, eu não sou tão íntimo dele quanto você... – ele disse, com um ressentimento que passou despercebido a Jin - Além disso, ele é nosso senpai, não?

- Você não precisa agir assim com ele, o Pi é gente boa! E não fale como se ele tivesse alguma coisa a ver com o fato do KAT-TUN debutar ou não!

Kamenashi se irritou com a defesa tão incisiva de Jin, mas não quis demonstrar e tentou mudar de assunto.

- Vocês se conhecem desde moleque, tem uma certa diferença, eu acho...

- O que você tá falando, você ainda é moleque! – caçoou.

- Tá se achando porque tem permissão para fumar e beber? Grande coisa!

- Se você quiser, eu compro bebida pra você! – ele disse, piscando um olho – Mas você tem que tomar comigo, em casa!

- O que você quer insinuar com esse tom?

Akanishi não teve tempo para responder, a porta se abriu e Ueda e Nakamaru entraram.

- Ah! Estragamos alguma coisa? Podemos voltar depois...- brincou Nakamaru, apenas para se desviar em seguida de uma almofada que voou em sua direção.

Uma vez tendo o seu namoro interrompido, Jin se dispôs a fazer o que melhor sabia. Perturbar Nakamaru. O rapaz havia ido até um canto, com a intenção de ensaiar algumas músicas e Jin o seguiu.

- Você já pensou em aprender a cantar? – disse Jin seriamente, olhando para a letra nas mãos do amigo.

Nakamaru o olhou com a sua sempre cômica expressão de irritação e depois voltou a se concentrar.

- Você quer que eu te ensine? – Jin sorriu como um moleque que sabe que está irritando – Você realmente devia aprender a cantar, sabe?

- Você não tem nada pra fazer?

- Não!

- Percebi...Mas eu estou tentando trabalhar, dá licença?

Akanishi balançou os ombros e se aproximou de Kamenashi e Ueda, a tempo de escutar este último dizer:

- Honestamente, acho que vão nos enrolar de novo...Quero dizer, é melhor não alimentar grandes expectativas nessa música de debut, porque provavelmente não será ela!

- Eu disse, não disse? – perguntou Jin, se intrometendo sem nenhum pudor – O líder pensa igual a mim!

- Vocês dois são pessimistas! Temos que nos esforçar mais pela banda! – comentou Kamenashi.

- Não sei quando você terá tempo para a banda. – comentou Ueda, suavemente. Não era uma acusação, apenas estava declarando um fato. – Você já aceitou o papel em outra novela, não foi?

Realmente, não posso esconder nada por muito tempo. Pensou Kamenashi.

- Olhem aqui, se durante as filmagens de Gokusen nem o Jin e nem eu abandonamos a banda, então porque seria diferente agora? Vou conseguir conciliar meu trabalho como ator e cantor como venho fazendo!

- Não fale como se eu também duvidasse disso. – reclamou Jin – Eu não disse nada, foi o líder quem te acusou!

- Eu não acusei ninguém...

- Tá vendo, ninguém está duvidando da sua capacidade, tartaruga! – Jin deu dois tapinhas na cabeça de Kamenashi, que lhe fez uma careta.

A porta se abriu para a entrada dos dois integrantes que faltavam e assim pôs um fim àquela conversa, uma vez que Akanishi decidiu importunar um pouco o pobre do Junnosuke falando sobre alguma bobagem qualquer. Atencioso como sempre, Junno não teve coragem de mandá-lo calar a boca.

Koki era o único que estava tão ansioso quanto Kamenashi, que agradeceu em saber que alguém pensava como ele.

4

- Ele mora com o pai e o irmão mais novo, que, aliás, é o papel do Yuto, sabia?

Após a reunião com o produtor, da qual Kamenashi saiu extremamente decepcionado por Ueda e Akanishi estarem certos. Aquela realmente não seria a música do debut, depois de tudo. Eles teriam que esperar. Talvez, quem sabe, no ano que vem?

Para não demonstrar a sua irritação, uma vez que Jin estaria atarefado em uma sessão de fotos, o caçula da banda decidiu ir até um restaurante de lámen acompanhado de Koki, igualmente decepcionado, mas ele preferiu conversar sobre a nova novela do amigo para aliviar o clima entre eles. Por isso, Kamenashi estava lhe contando a história de Kiritani Shuji, seu personagem.

Eles estavam saindo da empresa, já na entrada, quando Kamenashi o viu. Ele andava despreocupadamente na direção dos dois, cumprimentando alguns funcionários no caminho. Yamapi distribuía sorrisos por onde passava.

É uma boa hora para fazer contato... Afinal, teremos que trabalhar juntos! Pensou Kame.

Kamenashi se inclinou em sua direção, disposto a cumprimentá-lo. Ergueu a mão para chamar a sua atenção, enquanto dizia:

- Konnichiwa!

Yamapi apenas passou direto, sem sequer olhar para o constrangido Kamenashi.

5

Aquela havia sido uma manhã cheia, mas proveitosa. Entre sessões de fotos, ensaios, gravações, Yamapi estava bastante animado, não se sentia nem um pouco cansado. À tarde, quando retornou para a empresa, o seu estado de espírito continuava intacto.

Ele costumava ter dias assim. Simplesmente acordava cheio de vigor. Nesses dias costumava também ser um pouco mais distraído que o normal. Além disso, ele estava pensando em como construiria o seu personagem na nova novela.

Avistou Kamenashi se aproximando ao lado de Koki e pensou que seria uma boa chance de conversar com ele sobre o trabalho que realizariam juntos. Essa era a sua intenção, mas, no entanto, algo chamou a sua atenção no jardim da Johnnys Entertainment.

- AH!!

Yamapi passou direto pelos integrantes do KAT-TUN até aquilo que atraíra seus olhos. Era um trevo de quatro folhas.

- Sugoi! Que sorte!! Isso realmente quer dizer que hoje é um dia bom e...Ué, para onde foi o Kamenashi?

6

Eu não acredito que ele me ignorou!

Kamenashi ainda sentia o sangue quente pela vergonha que passou diante de Koki e outros funcionários da empresa. Aquilo foi de uma de tremenda má educação, principalmente em uma sociedade que preza tanto as boas maneiras, como é a japonesa.

Em todo caso, ele tentou esquecer o assunto, mas foi inevitável que esse incidente, dias depois, caísse na mídia. As fofocas começaram a correr e chegou a tal ponto que até uma suposta briga entre os dois chegou aos jornais. Em uma tentativa de abafar tais boatos, Kamenashi e Yamapi foram obrigados pela agência a passarem mais tempo juntos, para que fossem fotografados em momentos descontraídos e, dessa forma, encerrasse qualquer dúvida que pudesse existir sobre a amizade entre eles.

Era por isso que, neste momento, eles estavam em um shopping, sentados na praça de alimentação, tomando milk-shake. Kamenashi estava com uma expressão de surpresa e seus lábios tremiam, incerto sobre o que deveria dizer. Por sua vez, Yamapi estava com um largo sorriso idiota, que se tornaria a marca registrada de seu personagem Akira. Ele dizia:

- kon kon!

- “Kon...Kon?” – Kazuya repetiu, inclinando a cabeça para o lado, em uma expressão de dúvida.

- Kon kon! – afirmou Yamapi, enquanto formava a cara de uma raposa com a mão, unindo os dedos do meio e o dedão, deixando o indicador e o mindinho levantados.

Este cara é maluco. Só podia ser amigo do Jin! Era o que Kazuya pensava.

- Etto... Isso é um pouco constrangedor, não é?

- Exatamente isso que eu acho que o seu personagem diria! Shuji é tão chato e sério, apesar de se mostrar “legal” para as outras pessoas.

- Essa é a minha opinião. Opinião Kamenashi Kazuya. – ele retrucou, irritado.

- Oh! Sério? – o outro não se abalou e simplesmente tomou um gole da sua bebida.

Kazuya suspirou irritado. Não havia dúvidas. Yamapi e ele não tinham nada em comum... O único elo entre eles era apenas Jin. Kazuya tentou se consolar ao pensar que as gravações começariam no dia seguinte e a novela começaria na segunda quinzena do mês de outubro...

Outubro... Kazuya deu-se conta de que o ano estava passando mais rápido do que ele podia perceber.

- Kon kon.

Yamapi o retirou de seus pensamentos. Aquele rosto que sempre parecia ter acabado de acordar começava a ser irritante para Kazuya.

- Vamos nos concentrar no script. – ele disse – Não precisamos fazer nenhum gesto, por hora, está bem?

- Kon kon. – foi a afirmativa do rapaz.

Esse vai ser o meu trabalho mais difícil... Refletiu Kame, tristemente.

- Ok, vamos ensaiar a música. – ele pediu, em uma tentativa de não escutar mais aqueles irritantes “kon, kon”.

Porém, com o passar dos dias, ele perceberia que seu julgamento havia sido errôneo. Posteriormente, Nobuta wo Produce lhe renderia boas memórias, além de um debut, com a dupla Shuji e Akira. Não era o debut que ele realmente almejava, mas, ainda assim, era um passo rumo ao lançamento oficial do KAT-TUN.

7

Yamapi não encontrava adjetivo que pudesse demonstrar a real intensidade de seu cansaço. Todos os seus ossos gemiam, todos seus fios de cabelos protestavam, até respirar doía...

Tudo o que ele queria era dormir e, de preferência, na sua cama. Mas, por conta das gravações da novela, tinha que se contentar com aquele quarto de hotel. Não que fosse um quarto pequeno ou desconfortável, longe disso. Era espaçoso e a cama muito macia, mas não havia aquela sensação de familiaridade... Não havia nada seu ali... E o que o fazia se sentir realmente relaxado era a sensação de estar em casa, algo impossível em um hotel.

Só havia dois lugares onde ele realmente se sentia bem. Em sua casa, com sua mãe e irmã. E a casa de Jin. Não o apartamento em que ele mora atualmente, mas a sua verdadeira casa onde mora a sua mãe... Yamapi muitas vezes se recordava com saudades do tempo em que morou com eles. Nesses momentos, podia até jurar que sentia o aroma da comida caseira da senhora Akanishi...

Bons tempos...

Eram esses os pensamentos que dominavam a cabeça de Yamashita quando ele caminhava pelo corredor, com os passos lentos de Akira, depois de um longo dia de gravações. A intenção era ir até o seu quarto, mas não resistiu e parou diante do quarto de Kamenashi, cuja voz era possível de ser ouvida do lado de fora.

O membro do News franziu o cenho. Que diabos, com quem Kamenashi falava de modo tão incisivo? Não demorou a responder a própria pergunta ao reconhecer as frases que ele dizia. Eram as palavras de Shuji.

Yamapi, então, lembrou de como o garoto tinha ficado aborrecido com uma das cenas em que eles tiveram dificuldades de gravar. O diretor não gostava de nenhuma das interpretações de Kamenashi e se mostrou pouco satisfeito com o resultado final. Depois disso, Kamenashi não foi mais visto por nenhum membro da produção. Nem mesmo durante o jantar. Yamapi percebeu, então, que ele esteve todo o tempo ali, ensaiando, sozinho...

É... Ele é mesmo bitolado no trabalho... Bem que o Jin falava...

Pi olhou para o pulso e viu que já era quase meia noite. Suspirou, cansado, mas apenas sacudiu os ombros e bateu na porta. Quando ela foi aberta, Pi notou a expressão meio zangada e meio surpresa de Kamenashi. Com um sorriso bobo, Pi ergueu sua mão e apenas disse:

- Kon, kon!

Novamente, ele não saberia dizer se Kamenashi estava bravo ou espantado.

- Boa noite... Shu-ji! – e entrou sem cerimônias.

- O que... O que você quer?

Olhando para Kamenashi com uma cara de palerma, ele apenas cantarolou:

- Diga o meu primeiro nome...

Kazuya ergueu a sobrancelha. Já tinha percebido há muito tempo que o melhor amigo de Jin não batia bem das idéias...

- Anooo... Você pode repetir? – ele lhe deu outra chance. Talvez o seu sono estivesse impedindo que compreendesse as palavras de Yamapi.

Ele repetiu, novamente entoando as palavras em melodia:

- Diga o meu primeiro nome...

Kamenashi olhou para o lado. Yamapi estava realmente dizendo aquilo. Confuso, murmurou:

- Tomo...Hisa?

- PÉÉÉINNNNN!! – Yamapi cruzou os braços em forma de “x” – Errado. Totalmente errado. E jogou a cabeça levemente para o lado, com uma cara de desânimo – Você precisa decorar melhor suas falas, Kamenashi-kun.

- Como??

- De acordo com o script... Você deveria falar “E qual é o seu primeiro nome?...” Aí eu entraria em “Akira shocks”!! – Yamapi jogou seu ombro em direção ao chão, imitando as quedas dos personagens em anime, quando escutam algo extraordinário – É essa a cena que você vai estudar agora, não é?

Kamenashi, ainda não entendendo até onde o rapaz queria chegar, foi até sua cama e pegou o script. Incrivelmente, a cena que ele descreveu era justamente a próxima. Enquanto lia aquelas linhas, perguntava-se porque Yamashita estava ali...

- Tic-tac, tic-tac... Está perdendo tempo, Shu-ji-kun.

- Por que? – Kazuya não conseguiu evitar a pergunta.

- Por que o tempo não para, oras! – e ele riu diante da obviedade.

- Não, baka! – Kazuya irritou-se – Por que você quer me ajudar?

- Por que eu não ajudaria? – foi a resposta/ pergunta.

Kamenashi queria deixar a situação mais clara, porém Yamashita não mostrava a menor disposição para tocar no assunto que realmente interessava a ambos: Jin. Diante disso, a parte responsável da mente de Kazuya prevaleceu aos seus sentimentos. Afinal, ele precisava compensar os erros da gravação de hoje, então era necessário ensaiar o máximo possível e, mesmo que empenhasse toda a sua força, sozinho ele não conseguiria o mesmo resultado do que se ensaiasse com alguém.

- Ok, eu vou fazer a Nobu-chan também! – Yamapi riu, respirou fundo, concentrou-se e então prosseguiu, afinando sua voz e fazendo careta – AKIRA!!!

Kazuya não conteve o riso.

- Duvido que a Maki-chan fosse interpretar desse jeito tão histérico!

- É mesmo, né? – Yamapi riu, mas logo cortou o bom humor e se fez de bravo - Ainda assim, concentre-se nas SUAS falas, ok?

- Hai, hai.

- Do início, então?

- Hai...

- Diga o meu primeiro nome...

- E qual seria o seu primeiro nome?

- OH! AKIRA’S SHOCK!!!! Você... Não... SABE?? É Akira!!!

- Ah! Hai, hai!

- AKIRA!!!

- Puft... Realmente a Maki-chan não fará desse jeito!!

- Dá para se concentrar, tartaruga?

- Ok. Desculpa.

Mas Kamenashi continuou a rir.

8

Quando Kame abriu os olhos, deparou-se com o rosto de Yamapi em frente ao seu. Ainda sonolento, assustou-se com a visão e não conseguiu evitar uma exclamação de susto em um tom de voz alto o suficiente para retirar o outro do mundo dos sonhos.

- Oh!!

- Na... Nani?? O que foi? O que foi? O que... – Yamapi não conseguiu perguntar pela terceira vez. Sem consciência do espaço da cama em que estava, foi ao chão – Itteeeeeee...

- Que diabos... – murmurou Kamenashi – Parece que apagamos...

Surgindo novamente na visão de Kazuya, apoiando o queixo no colchão, Yamapi apontou para algo atrás do rapaz. Kame olhou para o objeto. O relógio indicava oito horas da manhã. Eles gemeram:

- Atrasados!!!!

Kazuya correu para o banheiro e Yamapi para o seu quarto. Em um recorde de velocidade, quinze minutos depois eles estavam no set de filmagens. Ali, eles souberam de uma súbita mudança de planos.

- Como o tempo abriu, vamos gravar as cenas finais da novela, pois logo mais o inverno chegará rigoroso! – informou o diretor – Então, por favor, arrumem-se e vamos partir para o litoral.

- Ah, ah!! – Yamapi gemeu, quando apenas Kamenashi poderia ouvi-lo – Tanto trabalho para nada... E eu ainda estou com as minhas costas doloridas! Culpa sua! – apesar das palavras, ele ria do próprio infortúnio.

Naquele momento, Kazuya admirou os esforços e a dedicação de Yamashita. Pareceu a Kamenashi que finalmente aquela nuvem negra que havia estacionado em seu coração começava a se afastar, de modo que era possível enxergar Yamapi sem aquele ciúme que obscurecia toda a sua mente. Por isso, ele disse sinceramente:

- Né... Yamapi...

- Un?

- Arigatou.

E caminhou em direção ao carro que os levaria até o local da gravação. Yamapi sorriu.

9

As ondas batiam com força e a manhã estava quente. As gaivotas sobrevoavam o mar com tranqüilidade. Ali, ao lado de Yamashita/Akira, apesar de consciente da presença das câmeras e da equipe de produção, Kamenashi/ Shuji foi tomado por um sentimento incrivelmente bom. Esse contato com a natureza sempre o acalmava.

- Nós três juntos... – Shuji chamou a atenção de Akira.

- Un?

- Nós podemos viver onde quer que estivermos...

- O que?

Shuji, então, foi o primeiro que desviou os olhos da contemplação do mar e olhou para o amigo. Riu. Akira o olhou sem entender e bateu em seu ombro com certa irritação.

- Eu não posso ouvi-lo! – ele reclamou – Eu acredito que...

Shuji lançou um último olhar, ainda rindo, e se afastou. Akira sorriu e, correndo com o seu modo peculiar, lançou-se sobre as costas finas do outro. Shuji tentou segurá-lo, mas não conseguiu. Rodopiaram, entre gargalhadas, e finalmente entraram no mar. Com uniforme escolar e tudo. Mergulharam.

Akira estendeu a mão para Shuji. A mão de Kamenashi tocou a de Yamashita. Sorriram. E correram pela praia, totalmente encharcados.

10

- Hai, ok! Bom trabalho, pessoal!

A voz do diretor despertou o alívio tanto em Yamapi quanto Kamenashi. Finalmente teriam o resto da tarde para descansarem. Duas mocinhas da staff se aproximaram com toalha e recolheram o casaco do uniforme escolar que eles trajavam, ainda molhados.

Kamenashi seguiu até o trailer reservado para ele enquanto enxugava seus cabelos. Não percebeu que Yamapi vinha logo atrás e quase lhe fechou a porta na cara.

- Oh!! Abunai!! Isso é perigoso! – protestou o rapaz, com uma expressão zangada.

- Não siga os outros dessa forma, então!

Kame lhe deu as costas e retirou a camisa molhada, pegando uma limpa e seca em sua mochila. Yamapi o observou enquanto ele terminava de se vestir, enxugando os próprios cabelos, embora não se preocupasse com a sua roupa igualmente molhada. Por fim, ele disse:

- Eu amo o Jin.

O choque daquela declaração, dita de modo tão espontânea e sincera, paralisou Kamenashi enquanto ele ainda abotoava a calça jeans. Encarou a parede, sem coragem de se virar, esperando que Yamapi prosseguisse. A sua mente, porém, em oposição ao corpo, estava em grande movimentação. Inúmeras perguntas pipocavam dentro de sua cabeça, indagava-se o motivo daquela súbita conversa, qual seria o verdadeiro objetivo de Yamapi em declarar seus sentimentos dessa forma. Brigariam? Kamenashi acreditava que eles estavam se harmonizando, assim como Shuji e Akira.

Se ele tivesse tido a coragem de encarar seu rival, teria descoberto um rosto tranqüilo demais. Yamapi quase riu da tensão que percebeu em Kamenashi, mas não o fez, não era a sua intenção provocá-lo. Ainda mais.

- Eu amo o Jin. – ele repetiu – Por isso, eu precisava ter certeza de que você cuidará bem dele.

-... E a que conclusão você chegou? – Kazuya finalmente conseguiu encaixar o botão no caseado, mas manteve-se de costas.

- Né... Não é que eu não confie em você. – ele preferiu não responder a pergunta de imediato – Mas... Talvez não seja preciso que eu te diga, mas o Jin é um estúpido.

Kazuya uniu as sobrancelhas, não compreendendo aquelas palavras.

- Ele é o maior idiota que eu já conheci ou vou conhecer. Ninguém o supera nesse quesito.

Ainda que estranhasse, Kazuya tinha que concordar.

-... Mas, é por ser assim, retardado, que ele acaba sendo ingênuo demais... Ainda que seja mais velho que nós dois, às vezes ele age como se fosse muito mais novo! Quase como uma criança, se você se distrai e deixa de olhar um segundo por ele, acaba aprontando alguma arte. Ele é assim, o Jin. E foi por isso que ele caiu nas mãos do Harada.

- O que você realmente quer me dizer, Yamapi?

- Digo que, tonto como o Jin é, não duvido que ele acabe caindo em outra enrascada como essa futuramente. É por isso que eu preciso ter certeza de que você tomará conta dele. Uma vez que vocês estão juntos, eu não posso mais intervir... Eu não posso e não vou mais protegê-lo. Agora, é com você.

Parecendo finalmente compreender o rumo daquela conversa, Kazuya, mentalmente, admirou a força de Yamashita. O rapaz a sua frente estava abrindo mão de seu amor diante do seu principal rival.

- A última vez em que estive com o Jin, ele me devolveu o remédio do Yamada-sensei. Eu percebi que a caixa sequer foi aberta.

- Eu... – Kazuya não sabia como justificar essa falha, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, viu, com surpresa, Yamapi sorrindo.

- Você fez um bom trabalho, né?

- Hã?

- Jin disse que não precisaria dos remédios. Ao seu lado, ele consegue recuperar o sono sem ajuda de medicamentos...

- Eu...

- Por favor, cuide bem dele, né? Kon, kon.

- Yamapi, eu...

O integrante do News apenas sorriu, mais uma vez, e então deixou Kamenashi sozinho no trailer. Olhando fixo para o local em que o outro estava há poucos instantes, Kazuya murmurou para si mesmo:

- Vou protegê-lo... Definitivamente.

11

Ele realmente não se importava com as suas roupas ainda grudando em sua pele. Aproveitou o resto do Sol daquela tarde e caminhou pela orla da praia, aproveitando que aquele horário já não havia mais ninguém por ali. Em um determinado ponto, parou e agachou-se diante do mar. Adorava o mar. Seus olhos percorreram aquela imensidão até o horizonte.

- Bakaaaaaaaa! – ele gritou – Bakaaaaaa... Eu, né? – e riu sozinho, tentando aliviar aquela dor que crescia em seu peito.




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Nara
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Seg Mar 15, 2010 4:36 am

Kyaaaaa Pi é tao lindo *------*
nhaa ele ajudando o Kame a ensaiar
e abrindo mao d seu amor dizendo td isso ao Kame
aiai Pi é mto amor *-----*
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qua Mar 17, 2010 4:40 pm

olha só a fic que eu encontrei aki..rsrsrsrs
wow..essa fic é mais do que recomendada..rsrsrsrsss
Confesso que o que me chamo a atenção nela foi ter o nome do Pi na descrição, mas no final eu acabei gostando mto dela..rsrsrsrss. e do Jin tbm..rsrsrsrsrss..

O Pi abrindo mão do seu amor pelo Jin *--*
Kawaiiii
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Mar 18, 2010 1:34 am

Oi Nara!!

Sim, o Pi é o personagem perfeito nessa história *.*!
Ele é tipo o Hanasawa Rui de HYD XD! Maduro, apaixonado, super do bem *.*! (Já li algumas fics em que o Pi dá umas cutucadas maldosas no Kame por causa do Jin, mas não acho que ele agiria assim >.<)

Obrigada pelo comentário!!


Oiii Kimie-chan!
Quem te recomendou a fic? ^^

O Pi acabou se tornando o personagem preferido ^.~... Ele é perfeito nessa fic! *.*! E admito que o lemon do Pi e Jin foi a cena que eu mais gostei de escrever!

Obrigada por comentar ^^

Beijos, meninas!!




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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Mar 18, 2010 1:44 am

Retrocesso

1

Gostava da noite. Quando o céu tingia-se de negro era o único momento em que ele conseguia retirar a sua máscara e se deixar dominar por aquelas lembranças. Kirisawa tomou um gole do seu uísque, sentindo o álcool inflamar sua garganta e seu peito.

“- Você tem que abortar!!! – ouviu a sua própria voz com um grito exagerado.”

“Ela chorava por trás dos cabelos negros e sedosos, sua maquiagem forte borrava todo o seu rosto, seus lábios carmim tremiam, como se quisesse dizer algo, mas não saíam nenhum som além dos soluços. Ainda assim, ele não se condoeu diante dessa cena. Estava decidido a por um fim naquela loucura, precisava, portanto, ser firme”.

“Ele a sacudiu vivamente, desejando que isso a fizesse entender que não havia outro caminho, que, de alguma forma, ela finalmente enxergasse a realidade de ambos. Kirisawa não pensava apenas si próprio, mas também no futuro dela. Todos seus sonhos, que não eram poucos, seriam jogados no lixo se ela interrompesse seu trabalho logo agora que começa a receber o reconhecimento que merece”.

“- Não posso ter um filho agora. – ele tentou se acalmar – Quem sabe daqui quatro ou cinco anos, mas não agora! Não tenho como sustentar a você e a essa criança! Dar a luz a essa vida só trará sofrimentos, minha querida... Além disso, você quer mesmo abrir mão da sua profissão?”

“A resposta dela foi um soluço. Kirisawa suspirou, e passou a mão nos próprios cabelos, nervoso”.


Kirisawa sacudiu a bebida, ouvindo as pedras de gelos chocarem entre si. Ainda mantinha aquele olhar inocente e desesperados vivos em sua mente. Ela era tão dependente dele naquela época...

- Ah... Vinte anos? Isso já tem duas décadas... O tempo é uma coisa ingrata de fato! Onde estaríamos hoje, se eu tivesse tido a coragem de cuidar da sua gravidez? Eu teria conhecido Mayumi? O que aconteceu a Sayuka teria sido evitado?

Ele franziu o cenho, sentindo as lágrimas alcançarem seus olhos, mas as repudiou imediatamente. Não choraria mais. Concentraria seus esforços para acabar com o responsável pelo seu sofrimento dos últimos dois anos...

Kirisawa pegou a revista jogada em sua mesa de centro. Era uma revista velha, do início do ano, ainda na época de Gokusen 2... A imagem trazia os cinco alunos rebeldes da segunda temporada da série, com Akanishi Jin agarrado ao pescoço de Kamenashi...

Como esse garoto podia ser feliz enquanto ele era obrigado a viver com aquelas lembranças?

“- Sayukaaaaaa!”

O grito desesperado de Mayumi se confundida com o choro da grávida. Isso está acabando comigo... Não posso desistir agora... Estamos tão perto do final...

Kirisawa ingeriu o resto da bebida e foi até a sua estante. Pegou um disco de música tradicional e colocou em sua vitrola. Ouviu aquela música sem as batidas exageradas do pop japonês...

- Isso sim, é música. – ele murmurou, admirando a foto da cantora na capa.

2

Os dias se tornaram terrivelmente solitários desde que Jin se viu sem seu namorado e seu melhor amigo. Ironicamente, os dois estavam juntos e bastante ocupados com a nova novela. Ele tinha companhia, e das boas, como neste momento, em que estava indo com Ryo até um bar famoso em Ginza, mas sentia falta dos outros dois.

As luzes coloridas daquele bairro não foram suficientes fortes para afastar uma grande preocupação na cabeça de Jin. Ele olhou para Ryo e gemeu, angustiado:

- Bah, Ryo... Meu salário do mês já se foi! Não tenho orçamento para freqüentar este lugar toda semana!

- Jin, você precisa aprender a apreciar bons lugares! – ele retrucou - Garanto que se você fosse escolher o lugar ficaria satisfeito com uma mesa na calçada de algum boteco qualquer!

A resposta de Jin foi direta:

- Teria breja do mesmo jeito, não teria?? Tem alguns que tem até tequila!! – Jin balançou a cabeça para enfatizar o que dizia.

Ryo o olhou inconformado. Seu amigo não tinha a menor sensibilidade para os lugares da alta sociedade, apesar de gastar uma fortuna com roupas e acessórios.

- Afinal, você se veste desse jeito para quem, afinal? Para o garçom barrigudo do bar??

- Não, para o Kazuya. – ele sorriu alegremente.

- Poupe-me dessas viadices! – ele protestou, com uma careta, apenas para escutar uma risada debochada como resposta.

Eles escolheram uma mesa em um canto do fundo, com pouca iluminação, mais reservada, onde poderiam beber e conversar a vontade. Além disso, dali, Ryo poderia ter uma bela visão das dançarinas da casa.

Jin pediu saquê e Ryo, tequila. Enquanto aguardavam as bebidas, conversavam sobre suas atividades recentes, a novela em que Ryo estava atuando atingiu altos índices de audiência, além disso, ele estava bastante ocupado com as duas bandas que integrava.

- Eu não sei como você arranja tempo. Eu não estou em novela nenhuma, estou apenas em uma banda e, ainda assim, sinto que não descanso há meses!

- É por que você é um boêmio, Jin! Se parasse o seu trasseiro em sua casa, encontraria tempo para dormir!

Jin riu, mas protestou.

- Ora, se eu não fosse assim, hoje você estaria bebendo sozinho! Não seja hipócrita e me agradeça por retirá-lo desse quadro deprimente!

Ryo o olhou com assombro diante tamanha falta de modéstia.

- Você realmente pensa que é o meu único amigo?

- Não, mas sou o melhor!

- Baka!

A noite foi agradável, porém curta. Ambos tinham obrigações no período da manhã, então Jin deixou o amigo em casa e logo depois já chegava ao seu apartamento, onde encontrou uma agradável surpresa em sua porta.

Kazuya, de mochila e tudo, tinha acabado de voltar do litoral.

- Está bronzeado... – ele comentou, passando o dedo no rosto do mais novo.

- Estava bem quente por lá... E tivemos que regravar várias cenas! O diretor é bastante exigente!

- Tenho certeza de que será um trabalho perfeito... Vamos entrar! Por que não ligou? Eu poderia ter voltado mais cedo!

Kazuya balançou a cabeça.

- Tudo bem... Onde estava?

- Fui beber em Ginza com o Ryo... Estou sem um puto no bolso, agora, por causa daquele desgraçado!

Jin escutou a risada do namorado enquanto retirava seu tênis. Kazuya perguntou:

- Né, já ouviu falar em economia doméstica?

- Hum... Isso não é a matéria das garotas no colégio?

- Mas uma vez que se mora sozinho, você devia procurar saber mais sobre essas coisas, baka! Acaso lembrou-se de fazer compras?

A expressão patética de Jin o fez ter certeza de que não. Resmungando, Kazuya voltou a colocar os sapatos.

- Vamos!

- Aonde?

- Até a loja de conveniência! Estou faminto!

3

- Puxa, Kazu, você também é bastante prendado... Igual ao Ryo! – exclamou Jin, abraçando-o por trás, enquanto Kazuya preparava o jantar. Beijou a nuca do rapaz, que estava visível graças ao rabo de cavalo que usava.

- Não somos nós que somos prendados! É você que é imaturo demais para morar sozinho! – ele argumentou – Quantos anos você tem, afinal?

- Ora, hoje em dia não saber cozinhar não mata ninguém de fome. – Jin retrucou, se afastando e indo até a geladeira pegar a garrafa de água – Já ouviu falar em serviço delivery? Além disso, as lojas que vendem bentôs existem para isso!

- Você não nega que nasceu no final do século XX!

- Melhor do que parecer que nasci em 1700!

- Está me chamando de antiquado??

Jin achou mais saudável mudar de assunto. Após tomar um gole da água, na própria garrafa, perguntou sobre as gravações da novela.

- Teremos uma folga nos próximos dois dias... – Kame explicou - Yamapi tem que voltar aos seus projetos com o News e eu com o KAT-TUN... Pois depois começaremos uma maratona de entrevistas como Shuji e Akira.

- Você conseguiu, né, Kazu? – Jin comentou, olhando para o teto, mas com um sorriso sincero em seus lábios.

- Un? Nani? O que eu consegui? – Kazuya perguntou enquanto verificava a quantidade de sal do caldo do Udon que preparava.

- O debut! Parabéns!

- Está pronto! Prepare a mesa! – pediu Kazuya – Né, Jin... Você sabe que não é esse o debut que eu quero!

- Ainda assim, é um avanço em sua carreira individual! Vamos comemorar! – ele disse, indo pegar o saquê.

Com a mão na cintura, Kazuya suspirou:

- No final, tudo o que ele queria era um motivo para continuar bebendo... Que infantil!

4

Após a janta e um bom banho, Jin dormia tranqüilamente escondido no peito de Kazuya, ainda desperto, brincando com os fios de cabelo do outro rapaz. Estava exausto, mas ainda sentia saudades do namorado e queria compensar ao máximo o tempo que ficaram longe um do outro nos últimos dias.

Afastou-se um pouco de Jin e se ajeitou na cama, de modo a ficar com o rosto na mesma altura do rosto dele. Sentiu a respiração tranqüila de alguém em um sono profundo e revigorante.

Com seu dedo indicador, Kazuya percorreu lentamente os traços daquela face. Passou pelos lábios, subiu pelo nariz, desenhou a sobrancelha... Que sensação de paz aquele rosto conseguia transmitir. Não conseguia parar de admirá-lo, mas o sono finalmente o vencia...

- Te amo...- sussurrou.

Então, ele trouxe a mão de Jin até próxima ao seu rosto e dormiu.

5

A correria das gravações era insana, mas estavam fluindo bem e os meses de outubro e novembro voaram. Já estavam em dezembro e o último episódio estava sendo gravado há alguns dias.

Seu personagem, Akira, era bastante divertido e teve uma boa aceitação do público. Trabalhar com Horikita Maki foi bastante proveitoso, uma excelente atriz, na opinião de Pi. Kamenashi, por sua vez, era tão profissional quanto ele, o que proporcionou que a novela fosse um verdadeiro sucesso. Na frente das câmeras, ninguém poderia imaginar o triângulo amoroso que eles formavam nos bastidores.

Yamapi ajeitou seu cabelo mais uma vez, jogou sua mochila em seu ombro, despediu-se de seus companheiros de banda e saiu do camarim. Teria algumas cenas a gravar naquela tarde, então estava se dirigindo para o estacionamento quando Kirisawa o chamou até sua sala.

Conversaram sobre a imagem do rapaz depois da nova novela e como Yamashita deveria explorá-la de modo a beneficiar o NEWS. Com isso, Pi já estava atrasado para as gravações e toda vez que tentava dizer isso para Kirisawa, ele apenas prolongava o assunto, apesar de garantir que já estavam terminando.

- Não se preocupe, Yamashita-san! Eu o levarei até o set de filmagens!

O loiro concordou. Seu carro estava passando por uma revisão e ele estava dependente do transporte público naquela tarde. Agradeceu a carona, crente de que dessa forma chegariam rápido ao local. Ele só não contava com um grave acidente no trajeto que Kirisawa faria e que deixou o trânsito parado por longos e preciosos minutos.

- Que droga... Por essa eu não esperava. Desculpe-me, Yamashita-san! Ligarei para o estúdio e avisarei do seu atraso. – ele disse, sacando o celular do bolso – Ah, nossa... Eu esqueci que eu precisava tomar meu remédio... E eu não tenho nenhuma garrafa de água por aqui...

- Tem uma loja de conveniências... Comprarei para o senhor! – se ofereceu Yamapi.

- Eh, tudo bem?

- Tuuudo bem! Não parece que o trânsito vai fluir tão cedo... Já volto.

Kirisawa sorriu enquanto viu as costas de Yamapi cada vez mais distante. Aproveitou que estava sozinho e retirou uma foto do bolso. Em seguida, abriu a mochila do rapaz e a guardou ali.

- Isso deve acabar com o romancezinho. – ele murmurou, com um semblante sério.

6

Yamapi entrou afobado no camarim. Estava muito atrasado, a equipe de filmagem já estava aborrecida, Horikita Maki teve que adiantar outros trabalhos e voltaria mais tarde para gravar as cenas em que atuavam juntos.

Kamenashi, que já estava pronto, sentado no sofá, apenas observava o rapaz atrapalhado, que sequer havia notado que sua mochila estava com o zíper aberto.

- Né, Yamapi... Sua mochila está...

O zíper se abriu de vez, antes que Kame pudesse avisá-lo, esparramando todo o conteúdo do rapaz no chão. Kamenashi se perguntava como ele podia ser tão descuidado. Suspirou irritado e foi até o rapaz, ajudá-lo a recolher seus pertences.

- Quanta coisa você carrega nessa mochila! – ele resmungou, enquanto dobrava um casaco moletom.

Notou que Yamashita não lhe ouvia. Viu, então, que ele estava com uma expressão assustada, olhando fixamente para uma foto em suas mãos.

- Tudo bem?

Kazuya percebeu que ele tentou esconder aquela foto, o que deixou intrigado. Ergueu uma sobrancelha.

- O que é isso?

- Nada. – ele começou a recolher seus outros pertences.

- Deixe-me ver. – ele pediu, desconfiado.

- Isso é um assunto particular.

Eles se encaram. Ambos estavam agachados, mas Kazuya ergueu-se primeiro e se jogou sobre o outro, de modo que usou toda a força de seu corpo para conseguir arrancar aquela foto. Yamashita, porém, tentou segurá-la com toda a sua vontade, e aquele frágil material acabou se rompendo...

Kazuya se pôs totalmente de pé, em choque, segurando os rostos de Jin e Yamapi, compartilhando um beijo ardente. Eles estavam completamente despidos.

Na mão de Yamapi, o resto da imagem. O rapaz, sem reação, segurava o seu sexo e o de Jin e suas pernas entrelaçadas.

- Isso...

Kazuya não chegou a completar a frase. Um assistente da produção veio avisá-los de que a equipe de filmagens já estava pronta para começar as gravações. Kamenashi, embora atordoado, respondeu que sim e acompanhou o rapaz, deixando um confuso Yamashita para trás.

- Como... Essa foto veio parar aqui?

Ele não saberia responder, mas teve um péssimo pressentimento. Precisava falar com Jin, mas no momento tinha que se apressar em se arrumar e terminar o seu trabalho.

7

Seus passos ecoavam de modo seco pelo corredor da Johnnys. Depois de deixar Yamashita no local das gravações, retornou a empresa. Com seu porte austero, que realmente não combinava com sua personalidade, ele cumprimentava os artistas e os funcionários com igual simpatia. Caminhava tranqüilamente em direção ao seu escritório.

O nome da clínica estava escrito em uma discreta placa. Ele não pode evitar pensar que, apesar de ser uma prática legalizada no país, o aborto não era um assunto fácil e que fosse aceito por toda a população.

Ao entrar, parou um instante na sala que antecedia a sua, e admirou a secretária. Os mesmos lábios avermelhados, pensou consigo mesmo. Mas, como a maioria das jovens de hoje, seus cabelos eram tingidos.

- Bom dia, Kirisawa-san. – Higuchi o cumprimentou com a sua costumeira alegria.

- Bom dia, Higuchi-san. – ele devolveu, indo para a sua sala.

Olhou para ela. Seu rosto estava pálido e ela não parava de morder os lábios. Pobre criatura... Tinha vinte e dois anos, mas estava assustada como uma criança. Infantilmente, ela segurou em sua mão, apertando com firmeza. Um gesto leve de sua cabeça indicou que deveriam entrar.

Será que a criança que ela carregava no ventre estaria assustada igualmente? Kirisawa se pegava pensando sobre isso muitas vezes. Suspirou, lembrando que não estava em sua casa para se deixar distrair assim com as recordações do passado. Ainda havia trabalho a ser feito e também precisava fazer uma ligação.

A voz soou adorável como sempre. Ele não conseguiu evitar o sorriso.

- A minha parte está feita. – ele informou – Não foi difícil... Agora, é hora de colher os frutos.

8

Eu sabia... Eu sabia. Eu simplesmente sabia.

Sua cabeça estava pesada e seu peito ardia. Apesar disso, Kazuya esforçava-se ao máximo para não deixar transparecer seus problemas pessoais e se concentrar em seu personagem.

Eles estão envolvidos a esse ponto...

Shuji estava parado na porta da sala de aula, tomando um suco, observando a classe rindo com mais um programa da Nobuta... Olhou para Akira, sentado em uma fileira solitária... Sem jeito, Shuji se aproximou, sentando-se na carteira atrás do amigo.

- Eu... No final de tudo... Eu vou embora!

- Por que? – ele perguntou com o seu jeito costumeiro em arrastar as palavras, mas era nítido que estava zangado. Não tirou os olhos da televisão.

- Eu estou preocupado com meu irmão mais novo... Quando meu pai chegar tarde do trabalho, ele terá que fazer tudo sozinho...

Akira amoleceu. Apoiou o cotovelo na mesa de Shuji e o fitou. O semblante de Shuji demonstrava apenas um jeito tímido em contar tal notícia. Não conseguia identificar os sentimentos de Kamenashi. O que ele está pensando, agora? Yamapi se perguntava.

- Sim... Talvez... Mas... Por que não se preocupa mais com você mesmo?

Eles se olharam. Yamashita pensou que Kamenashi desviaria os seus olhos primeiro, o que os obrigara a encerrar a cena e refazê-la, mas caçula não desviou o olhar. Sustentou aquele momento, com a determinação que o seu personagem exigia.

Ele é forte. Pensou Yamapi, agindo como Akira, tentando não mostrar a preocupação que carregava dentro de si, ao mesmo tempo olhava para Shuji, que dizia:

- Fazer algo por alguém mais... Isso significa que eu não estou preocupado comigo?

Akira não respondeu. Yamapi sentiu o peso da sua responsabilidade pela noite passada com Jin cair em seus ombros.

- Eu...- continuava Shuji – Quando estou fazendo algo pela Nobuta, sinto como se estivesse fazendo por mim mesmo... – e olhou seriamente para Akira. Kamenashi fitava aquele rosto que recebeu os lábios de Jin antes dele. Seu coração agitou-se, seus olhos tremeram levemente, mas, por sorte, as câmeras registraram apenas a emoção de Shuji – Não pensa o mesmo?

Akira refletiu. Yamapi reorganizou seus pensamentos. Por fim, estalou os dedos, apontando o indicador para o amigo, dando-se por vencido. Shuji concluiu:

- Assim que... A Nobuta, quando está tentando fazer os outros felizes, não é ela a mais feliz?

-...OK! Corta!

As palavras do diretor foram rapidamente registradas pelo cérebro de Kazuya, que se ergueu rápido, sem dar tempo de Yamashita sequer reagir, e se afastou. Por sorte, o seu companheiro de agência ainda teria que gravar algumas cenas a mais, mas ele poderia ir embora.

Recolheu com pressa suas coisas no camarim, despediu-se com a mesma falta de tempo das pessoas e logo se viu dentro de um táxi, a caminho de sua casa, enquanto dentro de sua cabeça explodiam perguntas e mais perguntas.

Quando isso aconteceu?
Foi antes de Harada?
Depois de Harada?
Antes do nosso namoro?
Na casa de Yamapi?
Aquela não era a cama de Jin...


Seu peito latejava. Agora era fato... Era real. Não se tratava mais de um ciúme infantil e precipitado de sua parte. Jin e Yamapi fizeram sexo... Mordeu os lábios para conter aquele soluço. Ainda não estava em sua casa para desabafar como gostaria.

Parado no trânsito de Tóquio, imaginou como teria sido a relação. Pensou nos beijos de Jin sobre o peito nu de Yamashita. Aqueles lábios, que eram seus, sentindo o suor e o sal do corpo do integrante do News. Suas mãos massageando o membro ereto de Yamapi, enquanto este devorava-lhe o sexo...

O motorista repetiu pela segunda vez o valor da corrida e só então o pequeno se deu conta de onde estavam. Entregou o dinheiro, agradeceu e saltou do carro. Finalmente em seu apartamento, ele se deixou cair no chão, próximo ao sofá, e afundou o rosto no assento, apertando a ponta de uma almofada.

Que horrível sentimento. Sentia como se sua pele estivesse sendo rasgada... Sentia-se traído, mas não no sentido tradicional da palavra, afinal, ele não poderia exigir fidelidade de Jin se sequer sabia quando foi que isso aconteceu. Poderia ser muito bem durante o tempo em que ele estava com Akeko, portanto, se fosse esse o caso, ele não tinha direito nenhum.

Ainda assim, sentia que seus sentimentos foram traídos. Jin dizia que o amava, mas estava transando com Yamapi. Além disso, saltou-lhe a mente àquela noite em que tentou se entregar a ele, mas Jin o impediu.

“- Kazu, eu sei que você nunca se relacionou com outro homem antes. Eu não tenho pressa... Talvez eu tenha me excedido esta noite, mas é difícil resistir a você! – ele riu – Mas, de qualquer jeito, sinto que eu também não estou preparado ainda...”

Não estaria preparado para o sexo apenas com ele, seu namorado?

No entanto, não era isso o que mais corrompia o seu coração. O pior de tudo era sentir que havia se iludido mais uma vez. Acreditou que estivesse cada vez mais perto do coração de Jin, mas, agora percebia, de um modo cruel, que nunca superaria Yamapi. Ele sempre estaria um passo a sua frente. Ele sempre o venceria em relação a Jin...

Yamapi sempre teria Jin, ele percebeu. Assim como Jin sempre o teria, a ele, Kamenashi, enquanto por sua vez, Kame sentia que jamais teria Jin...

Suspirou, choroso, mordendo a almofada. Chorou. Com toda as forças, ele chorou. Um misto de humilhação, traição, raiva e choque. Não sabia o que fazer, sentia-se confuso. E isso era desesperador. Odiava sentir inseguro dessa forma. Precisava de colo, precisava de alguém que o orientasse... Alguém que fizesse essa dor parar.

A campainha tocou. Ele ignorou. A pessoa insistia. Kamenashi ponderou que talvez fosse algo importante. Hesitou, ao pensar que poderia ser Yamapi, que com certeza não ignorava o seu mal-estar. Não estava disposto a conversar com ele. Mas, talvez, poderia ser Jin... Seu orgulho queria muito menos a presença do namorado agora, mas seu coração parecia agir por impulso e o guiou até a porta, a qual abriu com surpresa em ver Akeko ali...

9

Ela usava o seu melhor vestido. O melhor vestido na opinião de Kamenashi. Era um vestido comportado, azul escuro, de mangas cumpridas e saia até o joelho, mas era um modelo que delineava bem todas as curvas perfeitas daquela mulher. Seus seios ficavam mais arredondados, além de ressaltar os seus quadris. Era sempre um forte impacto quando ela o vestia...

- Akeko... – ele murmurou. Tanto tempo havia se passado desde a última vez que se viram.

- Desculpe, eu vim sem avisar... – ela murmurou – Mas eu precisava vê-lo... Só uma vez... Uma última vez, Kazu... Me faça companhia...

Ele não soube o que responder diante daquele pedido. Ela, então, retirou um cd da sacola que trazia. Akeko sabia que o rapaz não possuía vitrola.

- Presley... – ele disse – Ainda o escuta bastante?

- Todas as noites. – ela foi sincera – Também trouxe saquê... Vamos beber e escutar?

- Eu não estou muito animado para isso.

- Perfeito! – um sorriso doce brotou naqueles lábios tingidos de vermelho - Normalmente, quando estamos animados é que não podemos ouvir músicas tristes, né? Vamos despejar nossas tristezas com a música e nos alegrar com o saquê...

Akeko sorriu. Aquele sorriso que só ela conseguia fazer, aquele que a deixava no meio do caminho entre a mulher e a menina Akeko. Kazuya riu, finalmente dando espaço para ela entrar.

Com delicadeza, ela tirou seus sapatos e o ajeitou ao lado dos de Kazuya, que foi buscar copos. Familiarizada com o local, ela não hesitou em ir até a estante e colocou o risco para rodar... A sua música preferida nos últimos dias.

Love me tender,
Love me sweet,
Never let me go.


Akeko pegou a garrafa de saquê e serviu a Kazuya. Apreciou o garoto tomando a bebida e em seguida serviu a si própria.

You have made my life complete,
And I love you so.


Kazuya sentiu o gosto amargo da bebida. Sentiu o beijo de Jin.
Ainda sentia o perfume de Yamapi. Via os dois rolando em cima de algum lençol branco, em algum lugar de Tóquio...

Love me tender,
Love me true,


Akeko o serviu mais uma vez. Ela não dizia nada. Não era preciso. A música falava por eles. Kazuya fitou as unhas vermelhas de Akeko em constaste a garrafa branca de saquê... Seu corpo já estava quente...

All my dreams fulfilled.
For my darlin I love you,
And I always will.


Sua vista já estava anuviada com o efeito do álcool. Olhou os lábios rubros de Akeko, colados ao copo, degustando da mesma bebida e se mantendo tão tranqüila... Notou o movimento de sua garganta, de seu peito subindo e descendo, respirando, tão segura, tão serena... Os cabelos cumpridos e lisos escorriam por um lado do corpo, cobrindo um de seus seios tão macios...

Love me tender,
Love me long,
Take me to your heart.
For it's there that I belong,
And well never part.


Akeko o olhou. Aquele olhar que Kazuya entendia tão bem. Essa sensação de pisar em terra firme, conhecida, que não sentia em momento algum ao lado de Jin, era tão confortante... Tomou o conteúdo de seu copo e estendeu em seguida para Akeko. Ela o encheu novamente.

Love me tender,
Love me true,

All my dreams fulfilled.
For my darlin I love you,
And I always will


Kazuya sentiu a mão gelada dela contra o seu rosto... Ou seria seu rosto que, tomado pela bebida, já estava quente demais? Não importava, o choque das diferentes temperaturas era agradável. Tão gostoso... Ele fechou os olhos.

Love me tender,
Love me dear,
Tell me you are mine.
Ill be yours through all the years,
Till the end of time.


Kazuya imaginou Jin despindo-se para Yamashita. Seus olhos marejaram. Pediu mais saquê. Akeko lhe fez a vontade. Pegou a garrafa mais uma vez. As unhas vermelhas contra o objeto branco... O pulso branco de Akeko. Um pedaço de sua pele. As curvas acentuadas. O seio macio... Um calor em seu membro... Yamapi penetrando e sendo penetrado por Jin...

Love me tender,
Love me true,

All my dreams fulfilled.
For my darlin I love you,
And I always will


Akeko sentiu o contato brusco do chão quando Kazuya avançou contra seu corpo, derrubando-a ali mesmo, na sala. Seus olhos a hipnotizavam, apesar de ser um olhar cheio de rancor, uma vez que não era a cantora quem ele realmente enxergava. Ele via a Jin.

- Kazu...

Ele a calou com um beijo longo e devorador...

Em um canto da sala, em cima de um móvel, o celular de Kamenashi vibrava com o mesmo desespero da pessoa que ligava. Jin.




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Última edição por Kitty em Sex Mar 19, 2010 1:56 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Mar 18, 2010 1:10 pm

^^
Na vdd eu conheço li sua fic de outro lugar..rsrsrsrsrss
E gostei bastante *---*
Eu tbm gostei bastante do lemon do Pi e do Jin..rsrsrsrrsss.


Eu definitivamente odeio a Akeko :x

E não sei de quem eu fico com mais dó, do Kame, do Jin ou do Pi =/

Bjs
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sex Mar 19, 2010 12:51 am

Ahh, entendi... leu no Nyah? Já terminou??

É, fica difícil responder quem sofreu mais na fic inteira XD... Foi influência das novelas mexicanas em minha vida, fato! hahaha

Spoiler:
 

Obrigada por ter lido, fico contente que tenha gostado!!

Beijosss




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Última edição por Kitty em Sex Mar 19, 2010 2:34 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sex Mar 19, 2010 1:56 am

xiii Kame viu a fto
Kame baka ta se deixando levar pelo ciumes sem antes perguntar ao Jin e faz essa besteira d beijar a Akeko, ms ela tbm hein
nao tinha nda q ter ido la ¬¬
Aaaa Elvis *----*
Love me tender sempre me lembra Teru teru kazoku q me lembra Ryo *______*
aii o Ryo cantando Love me tender é tao kawaii, nao resisto *----*
Hmm esse Kirisawa to desconfiada d uma coisa, ms nao sei se to certa hehe xDD
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MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Mar 20, 2010 1:12 am

Oi Nara!

Pois é, ele viu XD!

Por isso que eu disse que o drama aumentaria... Agora, é o Kamenashi quem começa a machucar o Jin... Ciumento e genioso, enfiou os pés pelas mãos u.u''

Está desconfiada do Kirisawa? Gostaria de saber o que está pensando! Mas a resposta se estará certa ou não, só com o decorrer da história ^.~

Ryo cantando Love Me Tender?? Eu NECESSITEI procurar isso... Coisa mais fofa!! hahahaha Ele pendurado cantando a música para a menina... Nem sei que dorama era aquele!

Beijosss




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