★ Johnnys no Brasil ★
 
InícioInício  PortalPortal  FAQFAQ  BuscarBuscar  MembrosMembros  GruposGrupos  Registrar-seRegistrar-se  Conectar-se  

Compartilhe | 
 

 [END] Eu Não Te Amo

Ir em baixo 
Ir à página : Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7  Seguinte
AutorMensagem
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Seg Abr 12, 2010 3:17 am

Passado

1

Akeko notou vagamente que seus dedos tremiam enquanto estava servindo o café, mas rapidamente se controlou. Apesar da raiva que sentia naquele momento, não poderia demonstrá-la dessa forma para Kamenashi. Ela, porém, estava ciente do que o rapaz queria com essa visita inesperada e, apesar de ter passado a noite em claro pensando em como deveria reagir, não conseguiu chegar a nenhuma conclusão. Lágrimas, ela já sabia que não o convenceriam. Talvez fosse melhor manter sua postura neutra, tranqüila e confiar em Kirisawa. Ele disse que a protegeria até o final...

- Aqui está, querido! – ela repousou a xícara diante dele, na mesa – Que surpresa, uma visita sua... Nem enquanto namorávamos você fez isso!

O rosto dele, ela observou, mantinha uma expressão rígida. Certamente ele quebraria logo com essa etiqueta desnecessária de cordialidade entre eles e entraria direto no assunto. E foi o que ele fez.

- Eu vim para conversar e definir de uma vez por todas a nossa situação.

Internamente, Akeko sorriu. Ele não mudou, continuava o mesmo Kazuya que ela conhecia tão bem... No entanto, afastou esse pensamento e se concentrou. Não seria uma discussão fácil.

- É verdade, temos que terminar este impasse, Kazuya. Espero que tenha compreendido a minha situação.

- Eu compreendo muito bem, quem não compreende coisa alguma é você! – ele reclamou.

Ele está mesmo nervoso... Encontrou tanta determinação em apenas um sexo com aquele garoto?

Kamenashi viu a expressão de Akeko endurecer, mas sabia que tinha que ser firme ou então voltaria ao mesmo lugar de antes, àquela postura que não conseguia romper as decisões da cantora.

Seus olhos se desafiaram. Durante um longo período de silêncio, apenas se olhavam. Mas ambos conseguiam ler o que se passava na cabeça do outro e percebiam que aquela difícil situação só abalaria ainda mais a frágil relação que ainda existia entre eles. Kamenashi se perguntava como algo que parecia tão concreto há meses atrás poderia ter se desintegrado dessa forma.

A vida é imprevisível.

Ele notou os lábios carmim de Akeko se movimentarem. Então, a discussão teve início.

2

Eles se encontraram sozinhos no camarim do KAT-TUN durante o intervalo dos ensaios. Sem dizer nada, Kamenshi fechou a porta e se aproximou cabisbaixo, logo se acomodou no tórax de Jin, que, ao abraçá-lo, notou o quanto o pequeno estava tenso.

- Foi a conversa mais difícil da minha vida... – ele sussurrou.

- E o resultado?

- O pior de todos... Ela continua teimosa como sempre, não aceitou, eu tive que ameaçar entrar na justiça e fazê-la compreender que não conseguirá ficar com a guarda da criança se prosseguir nesse escândalo...

Jin esfregou suas costas para confortá-lo.

- Ela me acusou de ser a pessoa mais cruel de sua vida... – ele sorriu amargamente – Além de ferir seus sentimentos, agora quero lhe roubar o filho... Foi uma conversa totalmente improdutiva e, no final, tive que ir embora porque ela começou a passar mal... Ela me olhou com tanta raiva,
que eu mal pude reconhecê-la, Jin... Que inferno!


Jin sabia o quanto um olhar raivoso de Tsubasa podia ferir alguém e por isso ele colocou mais força naquele abraço, demonstrando que estava e sempre estaria ao seu lado naquele problema. E receber este apoio, para Kazuya, era essencial naquele momento. Seu coração já não tinha mais dúvidas de que queria ficar com o mais velho, porém, isso não tornava aquela briga com Akeko menos desgastante. Fechou os olhos, tentando
esquecer-se dessa preocupação e deixou-se embalar pelo perfume e o calor daquele corpo que o cobria.


3

Yamapi observou com interesse aquela casa de construção antiga, mas muito bem conservada. Olhou para o nome escrito na plaquinha de entrada, em tons cobres. Takada. E depois olhou para o endereço que estava no papel em suas mãos. Era ali mesmo.

Foi uma sorte que a cidade em que estava fazendo gravações para a nova novela fosse tão próxima da que Tsubasa nasceu e passou boa parte da sua juventude.

Em uma pesquisa básica na Internet, ele conseguiu esses dados. Os fãs são surpreendentes, ele não pode deixar de observar. Conseguem muitas informações devido à persistência em estar, de alguma forma, mais próximos de seu ídolo. E era graças a determinação de alguma dessas pessoas que agora ele estava ali, em frente a casa em que a famosa cantora de enka passou sua infância.

Não perdeu mais tempo, logo teria que retornar para seu trabalho, então apertou fundo a campainha. Mas ninguém atendeu. Yamapi se perguntava se era possível que Tsubasa não tivesse mais nenhum parente. Ele não conseguiu encontrar uma única referência a qualquer relação familiar.

Apertou a campainha mais uma vez, mas sem resultado. Suspirou. O que eu estou fazendo? Era só uma suspeita infundada de Koyama, afinal de contas...

Yamapi estremeceu quando uma mão enrugada lhe alcançou o ombro. Olhou para trás e encontrou uma sorridente velhinha de cabelos cor de nuvem.

4


- Takada Hirina sempre foi uma menina muito especial...

Yamapi agradeceu a xícara de chá com um leve aceno de cabeça, enquanto Mariko, a senhora que o abordou na rua, acomodava-se na poltrona diante da sua. Estavam em sua casa, uma casa menor que a da família Takada, mas igualmente antiga e conservada. Os móveis também eram bem velhos, mas conservavam uma certa áurea elegante, assim como a dona do lugar.

Mariko era uma senhora de aparência severa. Alta, magra, pescoço erguido. No passado, ela lhe contou que sua família tivera uma boa renda que a proporcionou estudar nos melhores colégios dentro e fora do Japão. Ele pode comprovar que seu inglês era bastante fluente, ainda que antigo.

- Eu realmente acompanhei seus passos depois que voltei a me fixar nessa cidade... Ah, como eu viajei! Eu gostaria de voltar a viajar... Mas essas pernas já não me permitem ir para muito longe! – ela comentou com um bom humor que realmente não combinava com sua aparência. Ela era mais alegre e divertida do que deixava transparecer.

- Então Takada Hirina é o nome de batismo de Tsubasa?

- Que fã é você que não sabia disso? – ela riu discretamente.

Yamapi achou melhor se calar antes que estragasse o próprio disfarce. Deveria ter pesquisado um pouco mais, percebeu. O que teria feito se fosse mesmo um parente que o recebesse? Teria sido descoberto em dois tempos. Já devia agradecer ao fato daquela senhora não acompanhar o mundo pop japonês e sequer sabia o que News significava para o entretenimento asiático.

- Mas, como disse, ela sempre foi uma menina muito especial... Alegre, linda, talentosa... Sempre agradava aos mais velhos em noites de festas com sua voz tão gentil... – ela fechou os olhos, parecendo se recordar daqueles tempos – Ela realmente não merecia o que lhe aconteceu aos vinte anos...

- Eh? O que aconteceu?

- Ela perdeu um filho. – o olhar de Mariko parecia perdido em algum lugar do passado enquanto relembrava esses fatos, os quais saíam de sua boca com uma certa amargura - Na verdade, aquele namorado asqueroso a obrigou a abortar... Tentaram abafar o caso, é verdade, ela estava no começo de sua carreira como Tsubasa Akeko, então precisavam manter isso escondido... Mas aqui na cidade, todos sabiam dessa história. Foi por isso que ela se mudou para a capital. Uma atitude desnecessária, ninguém aqui queria o seu mal, ninguém lhe prejudicaria! Mas, um pouco, eu a compreendo... Passar por uma operação como essa deixaria qualquer pessoa frágil... Ainda mais se foi a pedido da única pessoa em que ela confiava de verdade...

Ela teve que parar alguns segundos para respirar. Tomou um pouco de chá e comeu um dos bolinhos de arroz que trouxera em uma linda porcelana quando se acomodaram naquela sala.

- Ela perdeu os pais muito nova, sabe? Aos treze anos... Um acidente de carro. Eles eram seus únicos parentes vivos, pois ambos eram filhos únicos. Os avós já tinham falecidos antes de Hirina nascer. Ela passou a viver com uma vizinha, que a adotou legalmente, mas acho que ela continua a se sentir solitária... Então, era natural que ela se apaixonasse perdidamente pelo primeiro rapaz que lhe demonstrasse tanto afeto... Eu nunca gostei daquele sujeito, aquele namorado insensível...

- Por um acaso... O nome dele poderia ser Harada Takeshi?

- Harada Takeshi? Hum... Nunca ouvi esse nome em toda minha vida! – ela foi enfática – Não, o nome dele era Nakamura Satoshi.

Yamapi controlou a sua frustração. Se Harada tivesse sido o namorado de Akeko, então havia uma chance dela estar envolvida no fato daquela foto ter aparecido em sua mochila de forma misteriosa. Mas não explicaria, ele pensou, o motivo de Akanishi ser o alvo de Harada... Afinal, se Tsubasa está envolvida, o único motivo que ela pode ter é Kamenashi... Harada
faria o que fez para ver uma ex-namorada com outro homem?


Ele deixou para refletir sobre essa questão mais tarde. Mariko estava se mostrando uma excelente fonte de informação, precisava colher mais dados.

- E esse Nakamura também cresceu aqui?

- Oh, sim! Eles sempre foram amigos, mas só iniciaram o namoro após a morte dos pais de Hirina... Acho que eles também perceberam que o rapaz não era um bom sujeito... Estava sempre envolvido em alguma confusão, sempre arranjava brigas aqui na rua, tinha as piores notas no colégio! Foi um alívio quando ele se mudou... Pena que levou a jovem Hirina com ele!

- Ele também foi embora?

- Sim... Foram embora juntos. Acho que ele a convenceu de que tinha que se afastar de seu passado... Ele é uma pessoa muito má! Sempre teve a maldade dentro de si! Ele fez que o queria com a vida de Hirina e depois a abandonou! A última vez que tive notícias sobre ele foi quando se casou... Eu soube disso porque seus pais ainda moravam aqui naquela época!

- Não manteve mais contato com os pais dele depois?

- Por algum tempo sim... A mãe dele era uma excelente mulher, continuava a me visitar, pois não se mudaram para muito longe, mandava cartas, telefonava, ela se preocupava muito comigo... Mas quando faleceu, vítima de câncer... Ah, essa doença vai acabar com a humanidade...

Então Yamapi teve que escutar as divagações dela sobre a doença e como ela acabou com metade de sua família, até que finalmente ela retornou ao assunto, dizendo que depois da morte da mãe de Satoshi, não recebeu mais nenhuma carta. Ela, inclusive, mostrou alguma das cartas para o jovem.

Mariko estava evidentemente entusiasmada por poder conversar tanto com alguém, ainda mais sendo um rapaz tão bonito, e não se importou com a curiosidade exagerada dele. Ela nem ao menos se questionou o porque dele ter copiado o endereço dos pais de Satoshi.

Em sua cabeça, ela achava perfeitamente normal que um fã, como ele havia se apresentado, quisesse saber de tudo sobre seu ídolo. Ela nem mesmo achou estranho que um jovem de cabelos repicados e se vestindo como ele se vestia pudesse gostar de enka.

Yamapi ainda permaneceu algum tempo, mostrando-se interessado em conversar sobre outros assuntos com aquela senhora, de modo a agradecer as informações que ela lhe passou.

5

Eles se encontraram mais uma vez à noite, a eterna companheira de suas lágrimas e recordações dolorosas. Dentro do carro de Kirisawa, o corpo de Akeko ignorava o frio do lado de fora, mas seu coração estava tão ou mais gelado que a temperatura das ruas de Tóquio.

Ele queria fumar um cigarro, mas conteve o seu vício devido ao protesto da mulher que o lembrou que ela estava grávida. Preocupado, fez-lhe à vontade, perguntando-se até que ponto agüentaria aquela situação sem dizer uma palavra. Sempre que se sentia indeciso, porém, aquelas imagens do aborto de Akeko anos atrás lhe saltavam à mente, para lembrá-lo da sua parcela de culpa na infelicidade daquela mulher.

Suspirou, derrotado pela própria consciência, e apoiou seu braço atrás do encosto do assento dela. Acariciou seus fios de cabelos, anotando mentalmente o quanto era delicioso o cheiro daquele xampu.

- Ele me enfrentou... – ela disse, após muito tempo em silêncio.

O tremor dos lábios carmim não passou despercebido por Kirisawa. Ele desviou a trajetória de suas mãos para alisar aquela face nervosa, querendo tranqüilizá-la. Mas ele tinha consciência de que só podia fazer uma coisa para acalentar de verdade aquele coração machucado.

Kirisawa sentiu sua raiva inflamar quando Akeko desmoronou em um choro. Porque ela tinha que sofrer tanto?

- Não chore... – ele pediu, secando suas lágrimas com os próprios dedos.

- Eu o perdi... – choramingou.

- Essa será a última vez que você chora por causa de Akanishi Jin, eu prometo!

Akeko perdeu-se dentro daquele olhar tão confiante de Kirisawa. Ele sempre conseguia contagiá-la com aquele espírito vencedor, seguro, de tal forma que se sentia mais aliviada ao seu lado.

- O que você vai fazer?

- O que for preciso...

Compreendendo, ela sorriu.

- Por favor, faça...

A fragilidade em sua voz o fez agir por impulso. Trouxe o rosto de Akeko para perto de si e a beijou. Não houve resistência.


6

- Eu não sei o que você pretende com tudo isso... – Ryo, como de costume, foi sincero – Mas consegui o que você me pediu com aquele meu amigo que ajudou na época em que invadimos o apartamento de Harada.
Estou enviando para o seu e-mail os dados que ele me encaminhou. Posso
perguntar o motivo de tudo isso?


- É apenas uma suspeita... – foi a resposta vaga de Yamapi – Contudo, se a suspeita se confirmar, então talvez Jin ainda esteja em perigo... E talvez o Kamenashi também!

- Eh?? Do que você está falando? O sujeito que o Jin viu outro dia era mesmo o Harada?

- Isso eu não sei, mas... Por favor, fique de olho naqueles dois, ok? Eu te explicarei melhor assim que eu tiver mais detalhes!

Ryo suspirou e colocou os pés em cima da sua escrivaninha. Repousou a nuca no encosto da cadeira e fitou o teto. Por mais que Yamapi dissesse que estava tudo bem, que já tinha superado seus sentimentos, ainda era evidente o quanto ele se preocupava com Jin.

O moreno admitia que Harada era um assunto importante, ele próprio estava apreensivo, mas... O problema era que Pi acabava se machucando sempre que tentava proteger o membro do KAT-TUN. No final, Yamapi não era capaz de ficar parado quando o assunto era Jin...

No entanto, não era do seu feitio insistir em um assunto quando a outra pessoa não estava disposta a falar. Por isso, Ryo encerrou o assunto e perguntou como andava o trabalho do amigo. Após um resumo das suas atividades, Yamapi desligou.

Sentando-se direito na cadeira, Ryo reabriu aquele e-mail e releu algumas das informações que estavam ali:

- “Nakamura Satoshi. Estado civil: Casado. Esposa: Nakamura Mayumi. Filhos: Nakamura Sayuka...” Quem são essas pessoas?

7

O desânimo de Kamenashi devido à situação em que se encontrava com Tsubasa sumiu por completo de seu rosto quando foi abraçado indevidamente por Jin no ambiente de trabalho. Um beijo foi estalado em sua bochecha e, apesar de se deleitar com este carinho, logo se recompôs e o empurrou, bronqueando que não era um lugar apropriado para isso, mesmo estando eles a sós na sala de ensaio.

- Irresponsável! E se nos pegam?

Apesar das palavras, internamente, Kazuya adorava aquelas provocações do mais velho. Fazer algo proibido fazia seu coração bater com mais vigor e preencher seu rosto com mais sangue, fazendo-o corar, mas, ao mesmo tempo, era um sentimento prazeroso da certeza de que o outro o amava.

- Né, Kazu, hoje eu vou jantar com o Ryo, tudo bem? – Jin mudou de assunto.

- Está bem... Até mesmo porque nossos horários hoje não estão se batendo né? Você vai sair primeiro, eu tenho algumas fotos para fazer!

Enquanto aguardavam a chegada dos outros membros, sentaram-se lado a lado no chão, com as costas no grande espelho da sala. Kazuya jogou o seu hálito, embaçando o vidro, e depois começou a desenhar qualquer coisa com o dedo. Estava concentrado em seu próprio mundo, quando a
voz de Jin lhe questionou:


- Alguma novidade com Tsubasa?

Sem desviar seu olhar da sua pequena diversão, ele respondeu:

- Liguei para sua assessora ontem à noite para saber como ela ficou depois da nossa discussão... Achei melhor não falar com ela, não quero deixá-la ainda mais nervosa a ponto de afetar a gestação. Disseram que ela está bem, mas passou a tarde no hospital...

- Talvez seja melhor esperar ela ter a criança, Kazuya...

- Talvez, mas... Eu sinto que a qualquer momento ela pode desaparecer, isso me deixa tão inquieto que eu acabo agindo sem prudência!

- Vai ficar tudo bem... – ele deslizou o dedo em sua testa.

Kamenashi se tranqüilizou diante do sorriso de Jin. Tinha a impressão de que poderia passar por cima dessa dificuldade desde que o mais velho estivesse ao seu lado. Era um alívio muito grande que eles finalmente puderam se entender e estavam juntos de novo... Sentiu um aperto no
peito em apenas relembrar um décimo da dor que sentiu enquanto estiveram brigados.


Mas, isso, ele observou radiante, era passado. Devolveu o sorriso para o namorado e pegou sua mão, voltando a brincar com o espelho, dessa vez usando o dedo de Jin como se fosse um pincel.

8

- Então, eu vou indo! Até mais, Jin!

Jin se despediu de Ryo com um aceno de cabeça, enquanto acendia um cigarro. Viu o moreno dobrar a esquina em direção ao metrô, já que estava sem seu carro naquela noite. Ele, por sua vez, voltaria a pé. Não estava muito longe de casa, desta vez eles saíram para comer em um lugar próximo de onde morava, então não teria nenhum problema em fazer uma rápida caminhada.

Depois que consumiu a droga, seguiu seu caminho. Pegou-se pensando em Kamenashi, em sua carreira e em como a vida estava, aos poucos, se endireitando. Ainda que seu namorado estivesse enfrentando problemas
com Tsubasa, sabia que esse problema, dia a dia, estava perdendo a sua força. A cantora teria que ceder no final, ela não era tão tola de deixar Kazuya levar o caso à justiça. Não seria bom para nenhum dos dois lados, mas certamente ela seria a mais prejudicada no final.


Com as mãos no bolso, já estava na rua que antecedia a de sua casa quando o viu. Ele não conseguia acreditar que Harada estava ali, encarando-o sem qualquer emoção em seu rosto. O que ele queria? Era a pergunta que dominava sua cabeça. Tenso, Jin olhou ao redor. A rua estava deserta, mas não se deixaria intimidar. Viu que aquele homem vinha em sua direção.

- Akanishi-san.

Jin se surpreendeu por conseguir rir com deboche. Mas era inevitável impedir essa reação diante de tamanha formalidade depois de tudo o que aquele homem lhe fizera. Perguntava-se como Harada conseguia ser tão cínico.

- O que você quer, Harada? Por que voltou? Por que não aproveitou a chance para viver em paz com a sua família? – rosnou.

- Precisamos conversar...

- Eu não acho isso! É melhor você correr, pois ligarei agora mesmo para a agência, que, por sinal, está atrás de você desde que pisou de novo em nosso país!

Harada viu o movimento de Jin em alcançar o seu celular em seu bolso. Foi mais rápido e avançou em sua direção, jogando o aparelho para o chão com um tapa forte em sua mão. Em seguida, segurou firme no pulso do rapaz, que, assustado, tentou se livrar daquele homem.

- Me solta, maldito!!

- Acalme-se!! – pedia Harada.

- Vai para o inferno!

- Pare de chamar atenção desnecessária!

- E você quer que eu não resista? – ele debochou e empurrou aquele homem com mais força.

Harada cambaleou, mas não caiu, então se recuperou e avançou com mais força contra Jin. Não era a sua intenção, mas o rapaz acabou se desequilibrando e caindo. Bateu com a cabeça em um poste e o impacto foi tão grande que por um momento tudo escureceu. A dor se espalhou por toda aquela região a ponto de despontar algumas lágrimas no canto de seus olhos.

- Ittee... – ele reclamou e levou a mão até o local, sentindo algo pegajoso escorrendo. Sangue.

- Você está bem??

Jin não respondeu, sentindo o medo lhe sufocar a garganta. Estava tonto devido à batida e isso o assustava mais do que a dor que latejava em sua cabeça, pois não conseguia dar a atenção merecida ao seu algoz. Sua vista estava comprometida com o golpe, estava turva e ele não conseguia
enquadrá-la. Sentiu aquela mão asquerosa lhe puxar pelo braço, obrigando-o a se levantar.


- N- não... Me deixe! – ele protestava.

- Pare de se debater!!

Obviamente, ele não obedeceu e, apesar de seus movimentos continuarem lentos pela pancada que levou, Jin tentava escapar a todo custo.

9

Ryo colocou a mão primeiro em seu bolso direito. Depois no esquerdo. Em seguida nos bolsos da calça. Merda. Não encontrava a sua carteira. Então, um flash.

- Sua carteira é igual a minha! – Jin comentou, olhando para o objeto em questão em cima da mesa.

- Ganhei do Pi!

- Eu também!

Eles se entreolharam, mas foi Ryo quem declarou em voz alta o que ambos pensavam:

- Aquele maldito comprou nossos presentes de aniversário em baciada em alguma promoção!


- Pão duro! Definitivamente, pão duro! – afirmou Jin.

- Aquele tonto do Jin pegou minha carteira achando que era a dele! – chegou à conclusão óbvia – Droga.

Ele retornou o caminho com o passo acelerado. Se não corresse, perderia o último trem. Ao menos, não estava longe da casa do amigo, então chegaria até lá em alguns minutos. Com alguma sorte e um pouco mais de velocidade, o encontraria ainda no caminho.


E Ryo, de fato, o encontrou a uma rua antes de sua casa. Só não esperava encontrar aquela cena. Ele viu um homem segurando Jin pelos braços e o arrastando em direção a um carro...

Teve impulso de gritar para que ele o largasse, mas não o fez quando reconheceu que aquele homem era Harada. Seu sangue ferveu, então ele se aproximou silenciosamente.

Harada só notou a presença do moreno quando sentiu aquela mão em seu ombro. Quando virou para trás, a mesma mão se fechou em um potente soco em seu nariz, fazendo-o perder o rumo. O integrante do News ainda acertou mais alguns socos naquele homem, descontando uma raiva acumulada durante muito tempo, até que ele foi ao chão.

Ryo parou de agredi-lo e recuperou o fôlego. Olhou para Jin, que, após ser solto por Harada, sentou-se no chão, tentando conter a dor em sua cabeça. O moreno notou um filete de sangue escorrendo pela testa do amigo. Foi até ele.

- Jin!

Harada aproveitou o momento, se levantou e saiu em disparada. Ryo pensou em ir atrás dele, mas se preocupou em largar Jin ali daquele jeito. Sem muita opção, foi até o amigo e o fez se apoiar em seu ombro. Depois, parou o primeiro táxi e o levou até o pronto-socorro mais próximo.

10

A notícia de que Akanishi Jin havia se envolvido em uma briga de rua começou a circular os maiores tablóides e noticiários, o que deixou o KAT-TUN negativamente em evidência. Dessa forma, a Johnnys se empenhou para colocá-los em constantes atividades positivas, principalmente Kamenashi, pois se colocassem o outro integrante com maior destaque da banda em trabalhos constantes, certamente a polêmica de Akanishi seria reduzida.

Uma vez que toda a verdade sobre Harada havia sido abafada pela empresa, o que se noticiou foi uma visão torta dos fatos. Tendo aparecido em um pronto-socorro ferido na cabeça, o boato de que ele, bêbado – e talvez drogado – teria arranjado encrenca em alguma boate e agredido algumas pessoas, foi difundido. Tais mentiras apenas contribuíram para aumentar a sua imagem de “bad boy”, que estava muito longe da sua verdadeira personalidade, diga-se de passagem.

- Seguranças?

Jin olhou para o homem que estava sentado a sua frente, Miura-san, que, apesar da conversa séria, mantinha a sua costumeira expressão bondosa.

- Acredito que no momento seja indispensável, Akanishi-san.

O rapaz voltou a brincar com aquelas bolinhas de gude penduradas por um cordão de metal que estava na mesa entre eles. Pegou a primeira e a soltou, visualizando o impacto causado na última bola. Enquanto isso, ele pensava que não se sentiria à vontade andando com guarda-costas, como se fosse ele um prisioneiro, além disso, tendo que agüentar os prováveis comentários de que, logo após o debut, passou a agir como aqueles artistas que mantém as fãs afastadas a todo custo.

Não era algo que ele não estivesse acostumado, por outro lado. Durante shows, entrevistas, programas, enfim, eventos em que o KAT-TUN participava, eles tinham uma segurança reforçada para o grupo. Mas Jin pensava que levar isso para a sua vida particular seria bastante desagradável.

Além disso, uma parte dentro de si ainda se sentia humilhado pelo fato de que não foi capaz de se defender daquele homem sozinho. O seu orgulho já estava na UTI devido a tantas pancadas que vinha sofrendo nos últimos meses. E isso o aborrecia profundamente.

- Talvez... Isso seja o melhor! – Kamenashi foi o primeiro a se pronunciar entre os integrantes da banda.

Jin olhou para Kamenashi e sorriu, tentando aliviar a preocupação que o menor demonstrava, assim como Junnosuke e Koki, os mais aflitos e que sequer tentavam disfarçar.

- Não é como se eu tivesse muita escolha, na verdade, não é Miura-san?

- Desculpe, Akanishi-san! Garanto que você sequer notará a presença deles! Eles serão muito discretos... Além disso, você poderá dispensá-los assim que Harada for encontrado, o que não deve demorar!

- E quando os seguranças começam? – quis saber Nakamaru.

- A partir de amanhã mesmo!

- Hum... Hoje é meu último dia livre? Posso aproveitar??

O riso dos presentes gerou uma pequena algazarra no ambiente. Até mesmo Miura não conteve o seu sorriso. Aquele, afinal, era o Jin que todos conheciam, com seus comentários inapropriados, pouco se importando com a hierarquia presente, mas sempre sincero. Sendo assim, era óbvio que ele se agarraria a um mínimo de liberdade que fosse possível.

- Tudo bem... Desde que não fique sozinho! – Miura aceitou a proposta.

- Nem que eu quisesse!

- Não mesmo! Ficaremos com ele até que os armários contratados para protegê-lo apareçam! – garantiu Koki.

- Oh! No final eu consegui um dia de folga para todo mundo? Não esqueçam de me agradecer devidamente!

Mas o que Jin recebeu foi uma chuva de tabefes em sua cabeça.

11

Apesar de grato com o carinho demonstrado por todos, Jin estava frustrado em se encontrar na casa de Ueda ao invés de seu apartamento confortável ao lado de Kamenashi. Isso porque ele tinha consciência de que, enquanto estivesse sob a proteção dos seguranças da Johnnys, ele não poderia se encontrar apropriadamente com o seu pequeno. O irritava ainda mais o
fato de que a sua tartaruga pareceu não se dar conta desse ‘detalhe’.


Pensava nisso, enquanto estava sendo massacrado no jogo de lutas por Junnosuke. Quando viu seu personagem cair aos pés do outro lutador, olhou para o amigo, fingindo irritação, e reclamou:


- Podia me deixar vencer, né? Já que hoje é o meu dia!

- Não é seu aniversário, logo, não é seu dia! – Junno retrucou.

- Mas é meu último dia de liberdade...

- Não seja tão dramático! – Nakamaru zombou, pegando o controle de suas mãos – Perdeu! Agora é minha vez!

A contragosto, ele lhe entregou o aparelho e se afastou, indo até o outro trio que conversava na cozinha de Ueda. Ali, ele se instalou ao lado de Kamenashi, de modo que fosse possível acariciá-lo por baixo da mesa sem que os demais percebessem.

A princípio, o caçula refutou sua mão, afastando-a de sua perna com discrição, pensando que seu namorado estava cada vez mais irresponsável. Mas não resistiu por muito tempo, principalmente quando percebeu que o único objetivo de Jin era o carinho, então deixou ele brincar com seus dedos, enquanto continuava a conversar animadamente com os outros.

12

Tiveram um pequeno momento a sós quando Ueda, deliberadamente, conseguiu levar Koki para a sala, fechando a porta discretamente, deixando as iniciais com um pouco mais de privacidade. Não era a privacidade ideal para Kamenashi incentivar qualquer aproximação de Jin, mas este, cansado, não se importou e o beijou assim que se viram sozinhos.


- Jin! – protestou, afastando-se – Que desespero! – ele riu.

- Aposto que você ainda não se deu conta de que não poderemos ficar juntos por um bom tempo, não é?

- Hã?

Diante da expressão confusa de Kazuya, Jin suspirou, pensando que o outro não era assim tão mais novo a ponto de ser tão ingênuo. Em todo caso, muitas vezes essa cabecinha lenta era um dos atrativos que mais o cativavam em Kazuya.

-...Ou você é do tipo que gosta que as pessoas lhe vejam fazendo sexo?

Ele se divertiu com o resultado da sua provocação. O sangue de Kazuya ficou evidente em sua face e ele gaguejou, até que finalmente questionou o que Jin queria dizer com isso.

- Ora, eu vou ter que agüentar pessoas me vigiando vinte e quatro horas por dia... Como é que nós vamos conseguir um tempo para nós?

A expressão envergonhada de Kazuya deu lugar a uma entristecida. O pequeno, de fato, não tinha chegado a essa conclusão. Havia pensado apenas na segurança de Jin e esquecendo-se que o relacionamento entre
eles era um caso escondido de todos... Ou quase todos. Apenas Yamapi, Ryo e Ueda sabiam sobre o namoro deles.


Kazuya, porém, foi além do momento em que se encontravam. Abateu-se ao considerar o fato de que nunca poderia sair abertamente com Jin, temendo a mídia, temendo as fãs, temendo a sociedade. Eles sempre teriam que sair como amigos e os momentos íntimos seriam apenas em seu
apartamento ou no de Jin...


Nem ao menos poderiam desfrutar de um motel, pois, apesar da privacidade que deveria existir nesses locais, era impossível evitar as fofocas... Só existia um lugar em todo o país em que poderiam ir tranqüilamente, mas era um lugar extremamente caro e ele só havia ido uma única vez com Akeko. Além disso, ele não se sentia seguro de que um relacionamento amoroso entre dois integrantes da Johnnys pudesse ser preservado mesmo naquele
hotel.


Era um amor proibido, afinal.

O olhar entristecido do pequeno fez Jin se aproximar dele novamente e o envolver com seus braços. Apertou os dedos contra os braços do mais novo e deixou seus lábios caminharem pelo canto do rosto de Kazuya, beijando-lhe ora o pescoço, ora a bochecha. Em retribuição, o caçula
afundou sua mão nos cabelos de Jin, brincando com seus fios.


- Vai ser difícil ficar longe de você... – Kazuya disse por fim – Mas sempre será assim... Né? Este é apenas um dos milhares de obstáculos que teremos que enfrentar por causa de nossa escolha.

- Se arrepende?

- Não. – o seu olhar era convicto - Mas não vai ser fácil.

- Eu pensei em tudo isso... Quero dizer, não imaginava que Harada pudesse fazer o que fez com a minha vida, mas... Naquela noite em que eu te disse pela primeira vez o que eu sentia, no nosso camarim, eu já vinha pensando em tudo o que um relacionamento como o nosso teria que enfrentar. E naquela época eu decidi que valia a pena tentar... – ele se afastou um pouco para fitá-lo nos olhos – E agora que você é meu, não vou voltar atrás mesmo!

- Que possessivo! – Kazuya arqueou as sobrancelhas e riu – Mas, mesmo que quisesse voltar atrás, eu não permitiria!

- Oh! Que genioso!

Kazuya sorriu e o beijou. Sentir a língua de Jin brincando com a sua, acomodando-se em sua boca sem nenhuma cerimônia, o deixava mais calmo. Deixou seus lábios se encontrarem mais algumas vezes e depois se
afastou.


- Vamos voltar para sala antes que comecem a desconfiar!

- Já?

- Já! Prometo que pensarei em um jeito de nos encontrarmos durante a sua prisão! – ele riu.

- Só mais um pouquinho!

- Não, vamos logo!

- Mais um beijo!

- De jeito nenhum!

- Um selinho?

- Nada!

- Como você é malvado!

Kazuya apenas riu e o puxou com mais determinação em direção a sala, soltando sua mão quando atravessaram a porta.




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Nara
Johnny's senior
Johnny's senior
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 2833
Idade : 33
Localização : São Paulo/SP
Emprego/lazer : bióloga
Unit Favorita : NewS, Arashi, Kanjani8, V6
Data de inscrição : 26/05/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Seg Abr 12, 2010 11:09 pm

Aiai esse passado da Akeko com o Kirisawa viu
ja nem sei ms o q pensar
do porque d td isso
pensava numa coisa ms ja nao penso iso faz tempo
misterio demais p/ minha cabecinha rsrs
entao Harada realmente voltou
hmm...
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://micellanews.blogspot.com/
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Abr 17, 2010 3:10 am

Oii Nara!

Gostaria de saber o que você estava pensando ^^!

O passado deles é realmente complicado =/

Obrigada por comentar!!

Beijoss




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Abr 17, 2010 3:43 am

Esconderijo

1

Jin perguntava-se se alguma entidade divina estava brincando com a sua vida ao fazer os dias arrastarem-se como lesmas. Todo dia acordava ansioso em ouvir a notícia de que a Johnnys teria encontrado Harada, mas, para sua frustração, esse dia nunca chegava. Tinha, portanto, que se conformar e seguir com aqueles quatro homens tão grandes e largos quanto seu guarda-roupa para qualquer lugar que fosse. O pior de tudo era que três deles eram estrangeiros e não tinham fluência em japonês, enquanto o inglês de Jin não era algo exemplar... Raramente eles conseguiam se comunicar. Isso era bastante cansativo.

A presença dos seguranças também começou a interferir em seu rendimento no trabalho. Não conseguia se concentrar sabendo que estava sendo observado a todo instante. Teve que contar com apoio de seus companheiros diante de seus inúmeros erros.

O pior de tudo, porém, era não ter notícias de Kazuya. Eles se viam todos os dias, mas somente por e-mail ou ainda por telefone que eles podiam conversar sobre Tsubasa. E, nos dois casos, não podiam falar abertamente sobre o assunto.

Por mais que compreendesse a necessidade de se manter protegido, não podia evitar sentir-se incomodado e até mesmo irritado com aquela situação. Foi para se aliviar daquela tensão que ele deu uma escapada até o vestiário.

Sozinho, respirou fundo, como se estivesse aspirando um ar mais puro. Caminhou até a pia, fechou o ralo e deixou a água transbordar. Depois, enfiou o próprio rosto ali. Ficou algum tempo relaxando, até que foi subitamente erguido por alguém. Olhou assustado para aquele rapaz loiro de quase dois metros de alturas.

Era Charles, um de seus seguranças. Faixa-preta em vários estilos de artes marciais que Jin não se deu ao trabalho de decorar, pois achava que o que era mais ameaçador era aquela arma presa em sua cintura.

- O que foi? – resmungou.

- Não deve ficar andando sozinho. – foi a resposta mal pronunciada em japonês. Ele sabia alguma coisa daquela língua.

Como se Harada fosse me pegar aqui dentro da Johnnys! Era a resposta que já estava na ponta da sua língua, mas a engoliu ao pensar no trabalho que teria em explicar ao americano o que realmente queria dizer. Preferindo economizar tempo, ele pediu desculpas e disse que em poucos minutos voltaria ao trabalho.

- O que estava pretendendo? – o segurança apontou para a pia.

- Me matar é que não era! – ele respondeu em inglês, não tendo a menor paciência desta vez. – Já disse que voltarei logo, pode me deixar sozinho um instante?

O armário balançou a cabeça, negativamente. Jin bufou. Pacientemente, como se estivesse falando com uma criança, o homem respondeu em sua língua materna.

- Nunca se sabe o que se pode acontecer... E nem em quem se pode confiar.

Apesar de irritado com aquele tom de voz, Jin ficou intimidado com aquele olhar. Desceu a vista até a arma do outro e achou mais prudente voltar logo ao trabalho. Pegou algumas folhas de rosto, secou-se rapidamente e deu as costas para seu segurança.

2

- Acho que vocês estão exagerando... – Jin comentou em inglês, enquanto esperava que Charles terminasse a revista em Kazuya.

O pequeno, com os braços erguidos, lançou um olhar de desalento para Jin, que balançou os ombros, como se quisesse dizer que aquilo tudo não era idéia sua.

- Ok, deixem ele ir! – pediu Masashi, o chefe dos seguranças e o único japonês do grupo.

Finalmente certificando-se que o outro membro do KAT-TUN não estava armado, foi permitida a sua passagem para dentro do apartamento de Jin, o qual fez questão de bater a porta com toda a sua força.

Ao menos, dentro de sua casa ele não era obrigado a olhar para a cara daqueles trogloditas, embora eles não desgrudassem de sua porta um único instante.

Assim que se viram a sós, Kazuya pegou um bloco de notas e rabiscou algumas palavras, pois temia que os seguranças ouvissem a conversa. Jin as leu rapidamente.

Vamos fugir?

Kazuya não precisou que Jin escrevesse nada para saber que ele ficou muito espantado com a proposta, a expressão em seu rosto foi suficiente.

Ueda elaborou um plano...

Como faremos?

Apenas finja que está passando mal e deixe o resto comigo, ok?

Jin experimentava aquela sensação de fazer algo errado. Tinha medo da repreensão, mas não podia negar que não estava excitado em fazer aquilo. Uma reação própria dele, o surpreendente era que tal sugestão estava vindo de Kazuya, sempre agindo de modo correto e responsável. Isso aumentou ainda mais a inclinação de Jin em aceitar a proposta.

O mais velho mordeu os lábios, desejando beijar seu namorado, mas sabendo que isso não seria muito prudente com apenas a porta separando-os dos guarda-costas. Sorrindo, de modo divertido, sacudiu a cabeça, concordando.

E então, a encenação teve início.

3

A porta foi aberta bruscamente e Masashi viu, com preocupação, Akanishi Jin sair apoiando-se no ombro de Kamenashi. O rapaz que deveria proteger estava pálido e suando.

- Ittee... – gemia Jin.

- O que aconteceu?

- Pedras! – explicou Kamenashi – Jin tem pedras nos rins e está tendo uma crise! Eu pedi ao Ueda para vir nos buscar, vamos levá-lo ao hospital!

- Vamos ajeitá-lo em nosso carro! – avisou Masashi.

- Tudo bem, iremos no carro de Ueda! Vocês nos sigam, pois não caberemos todos em um mesmo veículo!

Masashi olhou desconfiado, Jin passou a gemer mais forte e a pedir para que fossem logo, para que o chefe dos seguranças não tivesse muito tempo para pensar.

- Depressa, o que estão esperando?? – gritou Kazuya, voltando a caminhar em direção a saída do prédio.

Masashi, então, através de um rádio, pediu aos seguranças que faziam a guarda na rua para aprontarem o carro e explicou rapidamente a situação.

Uma vez na rua, Jin logo avistou Ueda dentro de um veículo, e percebeu que aquele não era o carro do amigo, mas decidiu perguntar sobre isso depois. Kamenashi entrou no carro e Jin entrou em seguida, com ajuda de um dos seguranças, deitando em seu colo.

Para azar de Masashi, que tinha a intenção de mandar um de seus homens naquele veículo, no banco da frente, ao lado do motorista, estava Junnosuke. Ueda comentou que eles estavam juntos em um restaurante quando recebeu a ligação.

- Diga para quem for dirigir o carro que iremos na velocidade máxima permitida, ok? – avisou Kame para o segurança – Vamos logo, Ta-chan!

O líder do KAT-TUN apenas fez que sim e ligou o carro. Masashi teve que correr até o veículo com seus seguranças para que não perdessem os integrantes do KAT-TUN de vista.

Masashi entrou no carro, com um pressentimento ruim diante desse súbito mal-estar de Akanishi. Mas por hora confiaria na habilidade de Charles ao volante.

4

Era horário do rush, infelizmente para Masashi. As ruas estavam travadas enquanto os trabalhadores regressavam para suas casas depois de um dia cansativo de trabalho. O que o aliviava, porém, era que o carro em que estava Akanishi Jin estava igualmente preso no trânsito... Até que, bruscamente, eles fizeram uma curva sem dar o sinal.

Charles não teve habilidade suficiente para segui-los, teve, então, que dar a volta no próximo retorno e só então entrou na mesma rua em que eles entraram. Perderam aproximadamente cinco minutos. Para seu alívio, e alívio de seu chefe, o carro de Ueda estava estacionado na rua, esperando por eles. Assim que o líder do KAT-TUN os viu, voltou a guiar.

Masashi, no entanto, tinha a vaga sensação de que havia alguma coisa errada.

5

- Ótimo, eles não conseguiram entrar! Desçam rápido! – ordenou Ueda.

Durante o trajeto até ali, Jin ficou a par dos planos. Soube que Maru e Koki estavam em um carro estacionado ali perto esperando por eles. Maru estava vestindo moletom cinza também e ele se passaria por Jin, enquanto Koki seria Kamenashi. Com uma peruca de cabelos cumpridos, e dentro do carro, os seguranças teriam dificuldades em dizer que eles não eram quem tentavam fingir.

Assim que o carro estacionou, Kamenashi puxou Jin para fora do veículo, sem tempo para agradecimentos, fariam isso depois. Correram até uma rua próxima e encontraram os outros integrantes, já fora do automóvel, que era idêntico ao que Ueda estava dirigindo. Igualmente sem tempo para qualquer coisa, Jin e Kazuya entraram naquele carro, enquanto a outra
dupla voltava pelo caminho que os dois fizeram.

Jin tomou a direção e rapidamente desviou o percurso, embora não tivesse idéia de onde levaria Kazuya. O pequeno, porém, estava com tudo planejado.

- Vamos para o apartamento de Ueda! Ele deixou a chave comigo! – e ele balançou o chaveiro, sorrindo.

- Quem diria que um dia você fugiria comigo?? – Jin riu.

- De vez em quando vale a pena quebrar as regras, não? – Kazuya piscou um olho – Teremos poucas oportunidades para aproveitar nossa juventude daqui pra frente!

Durante o percurso até a moradia de Ueda, Kamenashi explicou os detalhes do plano.

- Né Jin... O Ueda fez tudo isso por nós dois, pensando que não teremos muito tempo para namorarmos, mas... Koki, Maru e Junno fizeram isso por você! Todos perceberam o quanto você estava mal com toda essa situação... Apesar de entendermos os motivos e saber que é importante manter qualquer atenção contra Harada, pois este verme já demonstrou que está te perseguindo novamente... Também pensamos que é importante cuidar do seu espírito... Então pensamos em te dar uma folga, nem que seja apenas por uma noite! Então, por favor, depois que voltar para a sua prisão invisível, não se esqueça de agradecer a todos!

- Farei isso... Principalmente porque todos nós tomaremos uma bronca danada quando tudo isso terminar!

- Certamente! Mas não vamos pensar nisso agora! – Kazuya pediu – Então o Ueda elaborou todo este plano e eu consegui os carros do meu pai e do meu irmão mais velho emprestados! Eles compraram o mesmo modelo e da mesma cor e ainda querem insistir que não são parecidos! Bem... Veio a calhar, né?

- Que plano engenhoso... Mas e aí, como ficam os outros?

- Eles vão rodar pela cidade até conseguirem despistar seus seguranças e depois vão para algum lugar seguro! Pois você sabe que se pegarem eles, serão obrigados a revelar onde estamos né!

- Vamos torcer para que isso não aconteça... Ah, chegamos!

Estacionaram o carro e entraram na residência. Deixaram seus calçados na entrada e observaram o apartamento como se fosse a primeira vez que estivessem ali. Era um pouco desconfortável entrar sem a presença do dono, mas logo se acostumaram com o clima e brincaram que um dia seria
dessa forma se fossem morar juntos.

- Ainda que tenhamos fugido, não nos sobrou muita opção do que fazer... Trouxe alguns filmes, Ta-chan disse que tem alguns títulos bons em seu quarto e também que fez compras ontem e podemos usar o que quisermos para um jantar decente!

- Um jantar decente feito por você né? – Jin abriu um largo sorriso para convencer o mais novo.

- Como se a possibilidade de você cozinhar tivesse passado pela minha cabeça! – ele riu.

- Pra mim, isso é mais do que suficiente! Estar a sós com você era tudo o que mais queria nesses últimos dias! – Jin confessou, roubando-lhe um beijo.

- Espera... Ueda disse mais uma coisa!

- O que é?

- Ele pediu para não esquecermos de trocarmos o lençol e as fronhas...

O comentário provocou uma gargalhada em Jin.

6

- Pare o carro! – foi a ordem brusca de Masashi.

Charles o olhou confuso, sem entender aquela ordem, apesar dela ter sido proferida em inglês fluente.

- Pare já! – ele repetiu, nervoso.

Obedecendo, o loiro estacionou. Os demais seguranças também olhavam espantados para seu chefe, que explicou com poucas palavras:

- A placa desse carro é diferente.

Murmúrios cogitando em que momento eles teriam perdido o veículo de vista teve início depois da frase de Masashi, mas ele não deu a mínima atenção. Com os olhos estreitos, ele pensava na ousadia daqueles pirralhos em desafiarem seus quinze anos como chefe de segurança.

Ele sabia muito bem o momento em que houve a troca dos carros, mas saber disso agora de nada adiantava. Ele precisava pensar em como relataria o incidente aos seus superiores... Estava tremendamente envergonhado por ter sido enganado por aquelas crianças impertinentes...

7

Os lábios de Jin em seu pescoço despertaram um arrepio que percorreu toda a espinha dorsal de Kamenashi, fazendo seus olhos tremerem levemente ao apreciar aquela carícia. Enquanto recebia de bom grado os
beijos do rapaz, deixou suas mãos percorrerem pelas costas largas do mais
velho.

Separaram-se por alguns instantes, apreciando o rosto um do outro. Jin segurou o rosto de Kazuya entre suas mãos, deslizando seus polegares pela bochecha dele, estimando aquela beleza singular que era finalmente sua. Encostou sua testa a do mais novo, compartilhando sua respiração, aspirando o seu perfume, deixando seus hálitos se misturarem.

Jin deixou uma mão escorrer até a nuca do garoto, puxando-o para mais próximo de si e voltando a beijá-lo lentamente, distribuindo seu sentimento mais sincero em cada mordida que dava em seus lábios finos e rosados.

Ele interrompeu mais uma vez os beijos, deixando Kazuya lhe mirar com curiosidade. Em seguida, Jin se abaixou um pouco, de modo a capturar as pernas do mais novo e erguê-lo subitamente.

- Oh! – murmurou o pequeno surpreso, olhando para baixo, vendo o rosto alegre de Jin lhe mirar.

Kazuya ficou envergonhado com este gesto, sentia-se cada vez mais dependente quando estava na companhia de Jin, mas não era algo que realmente o incomodasse... Era muito bom ser protegido e mimado dessa forma pelo mais velho, principalmente se isso era capaz de fazer Jin lhe sorrir daquela forma. Adorava o sorriso de Jin.

Até mesmo porque, ele não teria forças para trocar de posição com o namorado. Conhecia a sua própria capacidade e o que lembrava das aulas de anatomia e física lhe garantiam que não seria capaz de segurar Jin do mesmo jeito. Deixou-se, então, desfrutar desse momento e segurou-se em Jin, entrelaçando seus braços ao redor de seu pescoço. Inclinou a cabeça para o lado e continuou a contemplar aquele rosto que já era senhor de
seus sonhos há muito tempo.

O modo como Kazuya lhe olhava, o jeito como inclinou o rosto e maneira como sorria... Ah! Como isso era um deleite aos olhos de Jin... Era como se, naquele instante, nada mais tivesse a menor importância. Esqueceu-se de Harada, esqueceu-se de seus seguranças, sequer lembrava de Tsubasa e seu filho... Esqueceu-se quem era o garoto em seus braços e não se importava nem um pouco em quem ele era para a sociedade japonesa. Jin
estava atento apenas ao fato de que a pessoa que amava estava em seus braços e queria que esse momento perdurasse o máximo possível...

No entanto, foi ele próprio quem os retirou desse transe quando tentou colocar o rapaz de volta ao solo, mas, para sua surpresa, assim que se inclinou para baixo e soltou as pernas de Kazuya, elas rapidamente se grudaram em sua cintura como se fossem puxadas por um imã. Tal movimento quase fez Jin perder o equilíbrio, mas ele logo se recuperou e olhou para um Kazuya sapeca, que sorria de modo divertido. Na posição em que estavam, o mais novo parecia um koala pendurado em uma árvore.

- O que você está fazendo? – Jin tentava conter a risada e se manter sério.

- Quero continuar grudado em você, não é óbvio?

- Eh?? Por quanto tempo?

- Para sempre!

- Assim minha coluna vai pro inferno!

Kazuya apenas riu e a risada aumentou de intensidade quando foi pego pela cintura quando Jin se endireitou, voltando seu corpo a posição horizontal.

- Você pode ficar agarrado assim em mim lá na cama! – e Jin sorriu maliciosamente.

- Ah... Meu namorado é um pervertido!

- “Quero te sentir... Quero você!”. – Jin disse forçando sua voz a sair rouca.

Completamente vermelho, o mais novo tentou se fazer de irritado, lambendo a parte de baixo de um dente superior e bufando.

- Você não perde uma chance de jogar minhas palavras na minha cara, não é verdade?

- Adoro o fato de que você me ama e me deseja! – comentou, como uma criança mimada.

- Eu te amo e te desejo, algum problema nisso? – ele perguntou arqueando a sobrancelha e usando o linguajar da Yakuza.

- Oh!! Assustador... Mas não combina você usar este tom de voz enquanto está agarrado dessa forma em mim!

- É verdade, né? – ele riu – Prefere que eu afine minha voz?

- Baka! Prefiro que seja Kamenashi Kazuya!

- Kamenashi Kazuya ator, cantor, compositor ou apresentador? Kamenashi Kazuya tem várias faces!

- Apenas seja o garoto que eu amo!

Novamente, ele enrubesceu. Jin era mestre em fazer seu coração bater mais forte e bombear mais sangue para seu rosto. E o ritmo do seu batimento cardíaco aumentou ainda mais quando aquela mão fez pressão em sua nuca e o beijou novamente, dessa vez com mais volúpia, deixando suas línguas se encontrarem com mais intensidade.

Kamenashi deixou-se perder nesse beijo e nem se deu conta quando foram para o quarto de Ueda, quando tomou consciência, já estava confortavelmente deitado com Jin sobre si, apoiado com a mão esquerda no
colchão, enquanto com a direita acariciava a sua face. Lentamente, os dedos de Jin desceram por seu pescoço, escorregaram em seu braço e adentrarem por baixo de sua camisa.

Eles estavam mais calmos dessa vez, sem o desespero da briga, sem a pressa da primeira vez, sem a urgência de se unirem como se fosse a única chance. Aproveitavam cada toque, não deixavam escapar nenhuma expressão de contentamento do outro, particularmente Kazuya, a quem
ainda surpreendia cada reação do próprio corpo perante Jin, o rapaz que amava.

Jin, desta vez, estava disposto em proporcionar mais prazer ao caçula, relembrando da sua expressão de choro após o primeiro sexo. Não deixava de ser uma bela visão, aquele bico infantil, mas queria que o pequeno pudesse aproveitar tanto quanto ele durante esses momentos íntimos. Com
esse objetivo, ele direcionaria o sexo desta vez.

Ergueu os braços de Kazuya acima de sua cabeça, para facilitar a retirada da camisa e depois o ajudou a tirar a sua. A mão de Jin escorregou pelo pescoço e o ombro do namorado algumas vezes, bem devagar, carinhosamente. Trouxe os lábios dele até os seus mais uma vez, mas não abriu a boca, deixou-se sentir apenas aquela carne macia e úmida que era cobiçada por centenas de japoneses.

Kamenashi, já impaciente, tentou forçar a entrada de sua língua, provocando o riso no mais velho, que o incentivou a investir com mais determinação até que Jin finalmente se rendesse e o deixasse beijá-lo com
mais vigor.

Em seguida, Jin o despiu por completo e beijou-lhe a barriga, mordiscando seu umbigo, deixando sua língua produzir cócegas no pequeno. Ao mesmo tempo, sua mão deslizava entre as coxas de Kazuya, brincando com a sua ansiedade, quando finalmente repousou em seu sexo. Jin segurou o membro entre seus dedos, acariciando-o vagarosamente, até finalmente cobri-lo com sua boca.

Kamenashi arqueou o corpo para frente, fazendo pressão na cama com os ombros, quando foi tomado desse jeito por Jin. A sucção dos lábios do mais velho em seu sexo lhe proporcionava uma sensação indescritivelmente deliciosa. O vai e vem de sua boca o fazia gemer com intensidade.

Então, subitamente, Jin parou. O mais velho sempre o surpreendia e desta vez Kazuya não fez questão de tentar entendê-lo, deixou que ele se explicasse porque o torturava daquele jeito, deixando-o tão excitado a ponto de seu sexo doer. Jin, tomando-lhe o rosto com cuidado, sussurrou
em seu ouvido:

- Me deixe ser seu também...

Seus olhos se encontraram em uma cumplicidade silenciosa. Kazuya fechou os olhos primeiros e então avançou com um beijo dominador, derrubando-o no colchão, deitando-se por cima do mais velho. Interrompeu o ato por alguns instantes, fitando-o profundamente, admirando aqueles olhos castanhos, deixando seu dedo acariciar aquela pinta ao final do olho direito. Depositou um beijo ali e depois se afastou.

Kazuya se acomodou entre as pernas de Jin, o qual as dobrou voluntariamente deixando visível a passagem para o seu interior. Ali, o caçula depositou um dedo lentamente, movendo-o com cuidado, enquanto
observava as expressões de Jin. O mais velho fechou os olhos e gemeu fraco. Pouco depois, um segundo dedo o invadiu para melhor estimulá-lo.

Para distraí-lo do incomodo em sua entrada, Kazuya inclinou-se para baixo e lambeu a ponta do sexo de Jin, envolvendo-o pouco a pouco com sua língua, até colocá-lo ao máximo que sua boca permitia.

Jin logo sentiu seu membro enrijecer e foi tomado pela volúpia. Gemeu.

Kazuya notou que a face de Jin se tornou mais relaxada, praticamente ignorando seus dedos, mas o mais velho ainda mantinha os olhos fechados. Sorrindo de modo arteiro, ele retirou os dedos e o substituiu rapidamente pelo seu sexo. Quando o membro de Kazuya o invadiu, Jin mordeu os lábios e franziu as pálpebras, tamanha era a força com a qual mantinha seus olhos fechados. Seu gemido foi mais forte desta vez.

- Eu não fui tão bruto com você, seu pequeno miserável! – ele rangeu os dentes, mas sorria.

- Ops, não foi intencional! – ele riu.

- Você vai... – Jin não conseguiu completar a frase, interrompendo-se com outro gemido -... Pagar por... Ahh... Isso!

Jin inclinou seu rosto para baixo, aproximando seu queixo do ombro e abriu a boca, mas não emitiu som algum, um gemido mudo. Segurava o lençol com força. Essa posição, mostrando como estava indefeso perante Kazuya, excitou o mais novo completamente, incentivando-o a se mover com mais força e velocidade com objetivo de ver tal expressão novamente estampada em Jin.

Era excitante vê-lo entregando-se dessa maneira,mas Kamenashi não gostava de vê-lo sofrendo. Ao menos, não muito. Por isso ele soltou uma de suas mãos do quadril de Jin e voltou a masturbá-lo, ajudando-o a aliviar a dor e o guiando ao prazer.

Seus corpos suados facilitavam o vai e vem do quadril de Kazuya, seu corpo já entrava com mais facilidade no de Jin, mas o calor produzido era angustiante, deixando ambos cansaço, mas o prazer supremo ainda não vinha.

Decidindo por ser egoísta mais uma vez, Kazuya fez as pernas de Jin se apoiarem em seu ombro e inclinou-se para frente, apoiando-se na cama ao lado da cintura de Jin e voltou a se mexer com mais velocidade dentro do mais velho. A nova posição despertou um suspiro prolongado e agoniado em Jin, levando o mais novo a perder completamente a razão. Atingiu o orgasmo.

Ele permaneceu dentro de Jin enquanto seu corpo tremia. Era realmente maravilhoso desfrutar tal sensação com o rapaz embaixo de si. Ainda por cima daquele corpo, notou o rosto corado de Jin com uma das faces encostada ao colchão, respirando com dificuldades. Seus cabelos estavam completamente molhados, colados em seu rosto. Estava lindo.

Deixou o corpo de Jin com cuidado. Precisava propiciar o prazer ao mais velho também. Afastou-se um pouco para poder sugar novamente o sexo de Jin, praticando-lhe o oral até que ele finalmente se satisfizesse também.

Enquanto o mais velho arfava, com os braços estirados pela cama, Kamenashi se aconchegou ao seu lado, beijando-lhe o canto dos lábios, e depois se permitiu relaxar e dormir...

8

Não dormiram muito. Inconscientemente, eles estavam preocupados com o fato de que não saberiam quando poderiam aproveitar a companhia do outro do mesmo modo depois que regressassem à vida real. Por isso, em menos de três horas, Kazuya deixava o banheiro para Jin se lavar e foi até a cozinha, preparar a janta.

Depois da janta, acomodaram-se na sala, com o pequeno esparramado pelo peito de Jin, assistindo a um filme de terror. Não assistiram até o final porque Kazuya, irritado com os apertões que Jin dava em seu braço durante as cenas mais tensas, em uma demonstração incrível de sua
coragem, preferiu mudar para um filme de outro gênero antes que o outro lhe quebrasse algum osso.

- Que é? Você não pode provar que fantasmas não existem, sendo assim, seu argumento de que eu não posso ter medo de algo que não existe é inválido! – ele refutou o comentário de Kazuya com rapidez.

Provavelmente, Kazuya pensou, não era a primeira vez que Jin enfrentava tal argumento. O que provava que mais pessoas conheciam o seu medo de fantasma.

- Que namorado corajoso eu fui arranjar! – provocou, enquanto escolhia outro filme.

- Coragem é algo relativo! – tentou se defender.

- O que quer ver?

- Nada em especial...

- Quer escutar música, então?

Kamenashi deixou os dvds de lado e se dirigiu até a estante dos cds, olhando os títulos que Ueda possuía. Nas pontas dos pés, ele tentava alcançar a estante mais alta, enquanto pensava que Ueda, sendo mais
baixo que ele próprio, não devia ter comprado um móvel tão alto.

Jin permaneceu no sofá, apenas o observando. Depois, por impulso, levantou-se e o abraçou por trás. Pego desprevenido, Kazuya não teve muito equilíbrio nas pontas dos pés, mas foi prontamente seguro por Jin. E o mais novo teve a certeza, mais uma vez, de que se sentir protegido por ele era um sentimento estranho, mas delicioso.

Não disseram nada. Eles permaneceram bom tempo ali, de pé, parados, abraçados. Conscientes de que cada minuto era precioso na companhia um do outro. Kazuya, mais do que Jin, apreciava de modo desesperado aquela chance entre eles, porque em seu íntimo sentia-se agoniado enquanto Harada não fosse capturado... Temia o que aquele homem estava planejando fazer.

Talvez, naquele momento, Kamenashi pressentisse o que estava por vir, embora não pudesse sequer imaginar. Apenas sentia uma dor aguda em seu peito e apertava as mãos de Jin com mais força, como se isso pudesse afastar essa má impressão e fazê-lo perceber que seu namorado estava ali, ao seu lado.

9

As formigas continuavam seu caminho tranqüilamente, sem se importarem com os obstáculos que eram aqueles pés humanos além dos móveis daquela sala. Era incrível verificar a existência de formigas ali, ele pensou, já que as salas eram devidamente arrumadas pelo menos duas vezes por dia. O que elas estavam fazendo ali, afinal?

Jin foi retirado dessa reflexão quando ouviu aquela voz firme e seca voltar a bronquear.

- Eu, sinceramente, gostaria de saber o que se passa na cabeça de vocês. – indagava Shimada, um dos executivos da Johnnys – O que vocês estavam pensando, afinal?

Seu olhar severo recaiu sobre aquelas seis cabeças, levemente inclinadas para baixo, em uma postura de arrependimento, embora ele soubesse perfeitamente que nenhum deles estava sendo sincero. Na verdade, Akanishi Jin mal segurava seu riso, o que provocava muitas cotoveladas em seu ombro por parte de Kamenashi.

- Vocês não são mais crianças! Como podem brincar em um momento sério como este? Acaso esqueceu o que este homem lhe fez, Akanishi?

- Ora, ora... Não precisamos relembrar sobre isso! – afirmou Miura – Embora eu tenha que admitir que os garotos do KAT-TUN foram longe demais desta vez!

- Gomen nasai... Eu peço desculpas de verdade. – Kamenashi, mais uma vez, assumiu a liderança para ser o porta-voz do grupo – Mas queríamos dar uma folga ao Jin! Sabíamos dos riscos, mas...

- Se sabiam dos riscos, deveriam ter deixado essa idéia idiota de lado! – cortou Shimada, apertando ainda mais seus olhinhos estreitos, o que demonstrava o quão irritado estava. – Dêem graças que nada aconteceu!

- Nós não fomos tão imprudentes! – argumentou Kamenashi – Nunca colocaríamos o Jin em risco! Apenas queríamos aliviá-lo... Não está sendo fácil toda essa situação para ele! Ficar trancado em casa daquele jeito, saindo apenas para trabalhar, quem agüenta esse tipo de pressão?

O mencionado olhou para o seu devoto, admirado com aquela defesa emocionada, mas temendo que algum dos diretores pudessem enxergar
algo além de amizade naquele tom de voz. Contudo, o real sentimento de Kazuya só foi percebido, além dele próprio, por Ueda, consciente do que de fato unia as iniciais do grupo.

- Eu peço desculpas por todos se preocuparem dessa forma comigo! – Jin decidiu tomar a palavra – Eu assumo a responsabilidade por tudo!

- Nada disso! – protestou Nakamaru – Nós seis somos igualmente responsáveis! Pare de bancar o herói, está bem?

- Você me critica até quando eu quero aliviar para o seu lado! – resmungou Jin, contrariado.

- Essa discussão não nos levará a lugar algum! – Shimada decidiu interrompê-los – Vou afastá-los das atividades por dois dias! E, Akanishi, a sua segurança será redobrada, já que, além de Harada, temos que nos preocupar com vocês também! Dessa vez, você não respirará sem que nós
sejamos informados!

O rapaz não fez questão de esconder seu descontentamento. Inflou suas bochechas como se fossem dois balões de ar, segurando o seu protestou, pois sabia que se dissesse alguma coisa ali, não seria do agrado de Shimada, o que apenas pioraria o seu castigo. Ele sacudiu a cabeça, aceitando o que lhe foi decretado.

Nenhum outro integrante protestou, todos estavam dispostos a aceitar as conseqüências quando Ueda sugeriu aquele plano. Depois disso, eles foram dispensados e cada um rumou para sua casa, sendo Jin devidamente seguido pelos seus seguranças.

Uma vez a sós, Miura deixou seu riso escapar, pouco se importando com o olhar mortal do outro diretor e menos ainda a sua reprimenda.

- Com o passar dos anos, você tem se tornado mais mole, Miura-san! Não era tão compreensivo assim na época em que o SMAP aprontava das suas, no início da carreira!

- Hai, tem razão... Mas isso é exatamente pelo que você disse... Com o passar dos anos, nos tornamos mais compreensivos... Isso porque, passamos a enxergar o que realmente importa! E eu vejo a união desses meninos! Sim, porque todos eles ainda mantêm seus espíritos infantis!

- Em outras palavras, imaturos! – ele não se deixou vencer pelo sentimentalismo do mais velho.

10

Yamapi ficou surpreso quando lhe anunciaram que alguém o procurava. Seu assessor tentou dispensar a pessoa, mas quando disseram aquele nome, Nakamura Satoshi, ele pediu que trouxessem aquele homem até a sua presença.

Enquanto esperava, pensou consigo mesmo que, desde que retornou das gravações iniciais de Kurosagi, não tivera tempo para continuar com sua investigação. Assim que voltou para Tóquio, soube do incidente entre Harada e Jin, o que o deixou apreensivo, mas, infelizmente, não encontrava brecha em sua agenda para agir.

Ele teve que se contentar com o fato de que a agência estava tomando providências, como disponibilizar seguranças para o amigo. Isso, porém, não foi suficiente para acalmá-lo, pois, dias depois, ficou sabendo que Jin havia fugido dos próprios seguranças.

Que estúpido era o seu melhor amigo!

Ao menos, os dois dias de isolamento garantiram que ele não arranjasse mais confusão e, agora, os seguranças o vigiavam até mesmo enquanto ele dormia.

Tudo isso resultou que já estavam quase no final de abril e suas pesquisas sobre o passado de Tsubasa estavam congeladas. Ele até estava cogitando procurar pela família Nakamura, mas parecia que não seria mais preciso.

Saiu de seus pensamentos quando bateram na porta. Ele havia pedido ao assessor para trazer a pessoa, enquanto aguardava na sala privativa da empresa, pensando que ali seria melhor para conversar com Nakamura.

Para sua frustração, quem entrou era um senhor com idade avançada demais para ser Satoshi. Assim que se acomodou, aquele velhinho imediatamente desfez a confusão:

- Não, não... Eu sou Nakamura Koichi. Usei o nome do meu filho, sabendo que assim você me atenderia!

Nakamura Koichi. Pai de Satoshi! Por essa, Yamapi não esperava de jeito nenhum.

- Desculpe vir sem avisar... Puxa, como essa agência é grande, não é verdade? Não é a toa que todos os rapazes dessa empresa são bastante famosos... Oh, me desculpe se estou sendo indiscreto, mas fiz algumas pesquisas sobre você antes de vir me apresentar!

Yamapi sacudiu a cabeça, pedindo para que ele não se preocupasse com tanta formalidade e confessou estar curioso sobre o interesse daquele senhor em sua pessoa. Koichi, então, tratou logo de explicar.

- Soube que você andou conversando com Mariko-chan! Ela não percebeu que você era um artista, mas eu tive uma neta muita interessada em vocês... Ela era muito fã de alguns garotos que eu não saberei dizer o nome! – ele riu – E quando Mariko-chan foi me visitar, ela encontrou uma revista perdida de minha neta em que você estava na capa, então me contou tudo!

Pego em flagrante, só restou ao rapaz pedir desculpas por ter mentido daquele jeito.

- Não foi por maldade! Eu irei pessoalmente pedir desculpas a Mariko-san!

Sacudindo a mão em frente ao próprio rosto,Koichi disse que não era necessário e que não veio até ali para bronquear.

- Você fez muitas perguntas sobre o passado de Takada, não é? Eu me pergunto se realmente seria apenas um interesse de fã... Mas, quanto mais eu penso sobre as suas perguntas, me convenço de que há algo por trás... Não, eu não vim até aqui para saber o que você realmente quer saber, Yamashita-san! Apenas... Vim dar um alerta!

O líder do News inclinou-se para frente, com mais interesse depois do que disse aquele senhor. E, então, ele escutou a frase que demonstrava que Koyama não estava de todo errado em relação à cantora.

- Você precisa tomar cuidado com essa mulher, rapaz! Takada Hirina é o demônio disfarçado de anjo...

11

Entre o KAT-TUN, Jin foi o último a deixar a empresa neste dia. A sua sessão de fotos atrasou por conta de uma falha nos equipamentos. Era a primeira vez que ele viu tantos problemas acontecerem de uma vez em todos os seus anos trabalhando naquela agência.

Primeiro foi um problema com a luz, depois as máquinas fotográficas, a roupa que deveria usar estava em um número menor – sobre isso, ele teve que agüentar as insinuações de que andava relaxado com o próprio corpo e teria engordado, mas Jin estava consciente de que não tinha engordado uma grama! – mas finalmente poderia ir embora.

Assim que saiu do vestiário, encontrou os quatro seguranças que lhe acompanhavam diariamente. Rangeu os dentes, como se rosnando para eles pudesse se livrar de suas presenças. Não se importou se estava sendo
patético ou não, mas precisava desabafar sua irritação.

Sem ao menos imaginar que seu melhor amigo estava descobrindo algumas verdades a respeito de Tsubasa, Jin passou pelo corredor daquela sala em que Yamapi conversava com Nakamura Koichi, e rumou para o estacionamento, seguindo para o carro da empresa. Nem dirigir mais ele tinha permissão. Que inferno!

- Eu ainda sei abrir a porta de um carro! – ele protestou, quando um dos rapazes se inclinou em direção à maçaneta.

Ele foi o primeiro a entrar, mas sabia que deveria se sentar no meio do banco. Ao seu lado, dois dos brutamontes acomodaram-se ao seu lado, enquanto os outros tomavam os assentos da frente.

Pouco depois, eles já estavam circulando pelas ruas de Tóquio. Jin não tinha a menor intenção de conversar com ninguém, portanto fechou seus olhos e encostou a nuca no encosto do banco. Sentiu o sono começar a pesar sua cabeça, mas não chegou a dormir, pelo contrário, foi desperto com a freada brusca do veículo.

- O que aconteceu? – abriu os olhos assustados. Ainda com a vista embaçada pelo sono, tentou distinguir aquela visão à frente.

12

- Talvez, o meu relato possa parecer apenas resmungo de um velho amargurado... Eu realmente não tenho como provar o que vou contar, mas, se posso pedir um favor, apenas considere os meus sentimentos de pai.

Yamapi pensou que não tinha como alguém encenar tão bem aquele olhar choroso que via estampado naquele homem a sua frente. Era um pouco constrangedor presenciar tal cena, mas percebia que Koichi queria ser
sincero, sem se importar com etiquetas sociais, ainda que estivesse diante de um jovem que mal conhecia. Mas, como disse Miura a Shimada, quando se atinge certa idade, carregando certas experiências de vida, passa a se desprezar atitudes que não se leva a lugar nenhum, como se sentir envergonhado em demonstrar seus sentimentos. Era esse o pensamento que mobilizava Koichi a agir dessa maneira.

- Eu não sei a sua relação com Takada... Ou Tsubasa, como ela se chama agora, mas, de alguma forma, sinto que é meu dever avisar-lhe sobre seu real caráter! Você é muito jovem, ainda há tempo de se afastar dessa mulher! Talvez, ela tenha se regenerado... Mas eu não acredito nisso!

Koichi balançou a cabeça e olhou para baixo, como se estivesse conversando sozinho, e ficou assim por um tempo. Yamapi chegou a
pensar que havia sido esquecido pelo homem, mas esperou pacientemente que ele retornasse ao seu relato.

- Tsubasa acabou com a vida de meu filho, Satoshi. Ele se apaixonou por ela... Não foi uma dessas paixões avassaladoras, súbitas, por impulso. Não, foi uma paixão mais perigosa... Aquela que se adentra em nossos corações vagarosamente, pouco a pouco, mas, quando se instala, é para sempre. Quase amor. Digo quase, porque esse sentimento não pode ser amor... É quase uma obsessão... Tsubasa e meu filho eram amigos de infância... Cresceram juntos, ela o conquistou com seus sorrisos doces e seu olhar ingênuo! Mas ela sabia muito bem o que fazia, ah, como sabia, aquela
diabinha mirim! Ela sabia que seus pais eram contra o namoro com meu Satoshi... Devo admitir que ele não era um exemplo de rapaz, arranjava muitas brigas, como Mariko bem lhe contou, estou certo. Mas Mariko, apesar de ser uma mulher digna, também foi influenciada pelo jeito cativante de Tsubasa... Por isso, a sua opinião sobre meu filho sempre foi negativa, mas conseguimos manter nossa amizade apesar disso... Mariko é, afinal, uma dama!

Yamapi concordou com a descrição. Pelo pouco que pode conhecer daquela senhora, ela era uma verdadeira dama. Fina, requintada, elegante.

- Como eu dizia, Tsubasa enfeitiçou meu menino. Ele perdeu o juízo por completo por ela... Depois da morte dos pais da menina, ele mudou muito. Começou a dizer que estava eternamente endividado pelo amor de Tsubasa, que tinha a obrigação de cuidar dela, que ela agora só tinha a ele... Enquanto eles foram estudantes, pude manter meus olhos sobre eles... Mas assim que se formaram, quiseram viver por conta própria. Discutimos, cortamos relações, reatamos depois, mas o mal estava feito. Meu filho já não pertencia mais a mim. Então, eis que aquela menina engravidou... Mas, àquela altura, parecia que a mágica que ela colocou em meu Satoshi estava chegando ao fim. Ele pareceu voltar à lucidez, percebendo que tinha vida própria. Não digo que ele agiu certo, ele devia ter assumido aquela criança, mas eu vislumbrei que meu filho voltava a ter vida própria e que também sabia influenciar aquela garota...

Até que ponto ele poderia dar credibilidade aquele relato? Era o que Yamapi se perguntava, apesar de estar inclinado a ser convencido pela emoção que embargava a voz daquele senhor. Mas, era preciso escutar até o fim antes de formar uma opinião, ele ponderou consigo mesmo. Voltou a ouvir com atenção total.

- Tsubasa abortou. E naquela operação eu achei que Deus a fez pagar pelo que ela fez aos próprios pais... Eu não tenho provas, apenas meu instinto, mas, para mim, aquela menina adulterou o carro dos pais para provocar aquele acidente... Se você pudesse ver o olhar que ela me lançou quando me disse que iria embora com meu filho, entenderia porque eu digo que ela é maligna!

- Ah, é! Bem, a primeira vez em que eu vi... Ela lançou um olhar meio estranho para mim!

Yamapi ouvia atentamente ao que dizia aquele senhor e, diante do comentário sobre os olhos de Tsubasa, saltou-lhe à mente o modo como Jin estava incomodado com o olhar da cantora.

- Em todo caso... Deus a puniu! Se foi capaz de tirar vidas, não deve mais ser capaz de gerar vidas...

- Espera! – Yamapi pediu – Está querendo dizer que Tsubasa é estéril?

Ele fez que sim.

- Eu não sei o truque que ela está usando para noticiar essa gravidez, mas eu me lembro perfeitamente quando meu filho veio correndo até mim, desesperado, confessando que tinha acabado com a vida de Takada ao pedir aquele aborto! Eu nunca poderei me esquecer daquele rosto perdido, de suas lágrimas descontroladas, sem rumo, tomado por uma tristeza profunda. E nesse dia, eu percebi, aquela mulher teria meu filho em suas mãos para sempre... Tsubasa é esse tipo, Yamashita-san. Ela envolve as pessoas com seu jeito doce e as usa como bem entender!

Ainda aturdido com tal informação, uma idéia lhe veio à mente e Yamapi perguntou em seguida:

- E onde está seu filho?

Ele sacudiu a cabeça, tristemente.

- Infelizmente, eu perdi contato com ele há dois anos. Depois do aborto, eles ainda ficaram juntos por algum tempo, mas meu filho acabou se separando dela. Mesmo longe, era perceptível que sua influência sob Satoshi continuava. Ainda assim, ele foi capaz de se apaixonar novamente e eu pensei que ele conseguiria superar Tsubasa. Ele casou com Mayumi e tiveram uma filha, mas, infelizmente, outra tragédia em nossa vida... Sayuka cometeu suicídio... Ainda hoje não compreendo o que a levou a se matar... Meu filho não agüentou, separou-se de Mayumi e sumiu de nossas vidas... Talvez Mayumi tenha alguma notícia, mas eu, sinceramente, não sei.

O rapaz pediu-lhe que lhe informasse o endereço da ex-nora sem realmente saber o que faria com isso, sua mente estava agitada em saber que a gravidez de Tsubasa provavelmente era falsa. Se isso estiver certo, então... Não haveria mais barreira algum entre Jin e Kamenashi. Eles finalmente poderiam ficar juntos sem culpa nenhuma.

Yamapi sufocou aquela dorzinha em seu peito.

13

Jin não reconheceu aquela rua em que estavam, mas notou que não havia muita iluminação e nenhuma loja estava aberta. Na verdade, percebeu que era uma rua residencial, por isso estava tudo silencioso. Teve um péssimo pressentimento, que só aumentou ao descobrir o motivo da freada do carro.

À frente do veículo em que ele estava, um outro carro estava parado de tal forma que bloqueava a passagem deles. O motorista fez um sinal para o rapaz ao seu lado, que imediatamente saiu do carro, assim como um dos rapazes que estavam no banco de trás.

Jin inclinou-se para frente, tentando visualizar melhor o que aconteceria. Viu os seus seguranças conversarem com aquelas pessoas, provavelmente pedindo para que eles se afastassem. Mas não foram obedecidos. Aquelas pessoas começaram a atacar os seguranças, sem muito sucesso, pois não eram tão altos e fortes quanto os guarda-costas.

- Que diabos... – ele murmurou, ao ver um dos agressores sacar uma pistola – Ei, vocês não vão ajudá-los? É melhor chamar a polícia!

No entanto, para surpresa de Jin, a resposta que obteve foi aquele som das portas sendo travadas. Engolindo em seco, notou o movimento do motorista dando a ré e modificando a trajetória inicial.

Prestando atenção no motorista, Jin não percebeu quando o rapaz ao seu lado retirou algo de seu paletó. Apenas sentiu algo úmido e gelado colocado a força em seu nariz e boca. Sentiu um cheiro forte e tentou
resistir, mas aqueles braços fortes conseguiram imobilizá-lo. Pouco depois,
sentiu seu corpo mole e não respondia mais aos comandos de sua mente.

Por fim, seus olhos fecharam lentamente e ele desmaiou.




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Nara
Johnny's senior
Johnny's senior
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 2833
Idade : 33
Localização : São Paulo/SP
Emprego/lazer : bióloga
Unit Favorita : NewS, Arashi, Kanjani8, V6
Data de inscrição : 26/05/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Abr 17, 2010 4:54 pm

shahshahshhahshahs esses rapazes viu
e td ideia do Ueda haha xDD
eles tavam precisando msm d um tempo só p/ Akame msm hehe
Tsubasa realmente é o demonio disfarçado d anjo
opaa Pi vai atras d Mayumi? ebaa
ê Jin ja se encrencou d nvo
e agora????
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://micellanews.blogspot.com/
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Abr 22, 2010 3:38 am

Oi Nara!

Ueda, sabendo do relacionamento Akame, precisava dar uma força aos amigos ^.~...

O Jin só se mete em confusão hehehe... Na verdade, ele até parece um imã! rsrsrs

Obrigada por continuar acompanhando ^^!

Beijoss




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Abr 22, 2010 4:02 am

Confronto

1

Jogado no chão, inconsciente, aquele rapaz estava totalmente indefeso. Ainda assim, ele estava bonito. De um modo estranho, Akanishi Jin nunca conseguia perder a sua beleza, ele observou.


Kirisawa aproximou-se do rapaz e acariciou aquela face que esteve presente em sua cabeça por dois longos anos. Aquela beleza era a responsável por metade de seus sofrimentos...

Talvez não seja preciso ser tão drástico... Quem sabe apenas estragar este rosto já seja o suficiente...

Ele sabia que não adiantava se enganar. Não conseguiria ficar tranqüilo em acabar apenas com a beleza e a carreira daquele rapaz. Isso já não era suficiente para ele, afinal.

Kirisawa assistiu aos vídeos gravados por Harada. Ele precisava ver o rosto de Akanishi contorcido pela dor... Achava que isso seria suficiente para aplacar a sua fúria, mas... Depois de tudo, Akanishi saiu apenas mais forte de todo o episódio e, o que era pior, na companhia de Kamenashi. Além de não conseguir se vingar, ainda seu plano estava atrapalhando a vida de Akeko...

Não.

A justiça só seria feita com a sua morte.

Afinal, Sayuka estava morta e ninguém a traria de volta.

Determinado, Kirisawa se levantou e olhou para os seguranças parados próximo à porta.

- Por favor, amarrem-no naquela cadeira... Eu vou pegar o dinheiro de vocês!

2

- Eu vou colocar um ponto final nessa história. Você deveria fazer o mesmo.

Aquelas palavras soaram com uma determinação invejável, pensou Harada, dentro de seu carro. Perguntava-se se conseguiria ter a mesma força de vontade para prosseguir com seus próprios planos. Vingança. Ele precisava se vingar daquela pessoa que só fazia mal a sua vida. E a de Akanishi Jin.

Harada tomou mais um gole da garrafa de uísque e ajeitou a toca que usava. Trocou seus óculos de grau por um escuro, para que ninguém o reconhecesse e estragasse o seu plano. Na verdade, ele não precisava se preocupar em ser identificado. Estava tão magro, pálido e barbudo, reflexo
de todo o apuro pelo qual passou depois de ser demitido da Johnnys, que nem mesmo a própria mãe poderia dizer quem ele era.


Um carro estacionou do outro lado da rua. Ele logo reconheceu o rapaz que desceu do veículo. O jovem se despediu da motorista, uma bela mulher, e logo entrou em seu prédio.

Harada pegou a pistola, guardada no porta-luva. Verificou que estava carregada, e então, guardou em sua cintura. Em seguida, saiu.

3

Tudo o que ele desejava naquele instante era um bom banho. Estava exausto com os trabalhos daquele dia e depois com um longo jantar na companhia de Akeko, em que evitou discutir com a cantora, mas sem desistir de seus objetivos. E, mais uma vez, havia sido uma conversa
nfrutífera. Kamenashi pensou que deveria seguir o conselho de Jin e esperar seu filho nascer, antes de insistir com mais vigor contra Akeko.


Seu corpo implorava pela água quente e pelo lençol macio de sua cama, mas ele sabia que isso seria um conforto momentâneo. Enquanto não resolvesse a situação com Akeko, sabia que não conseguiria descansar totalmente.

Kamenashi, porém, mal tivera tempo para tirar os sapatos quando o interfone soou. A voz do porteiro, sonolenta, disse aquele nome que ele não esperava ouvir tão cedo.

Harada.


- Eu...

- Escute, Kamenashi. Akanishi precisa de você. Você precisa vir comigo. – era a voz de Harada, que provavelmente tinha tomado o interfone das mãos do porteiro. – Não temos tempo a perder.

- O que você está dizendo? O Jin...

- Se você duvida, tente falar com ele! Só o aviso de que o tempo que você perder poderá ser fatal para o menino!

A mente de Kazuya fervilhou. Deveria acreditar naquele louco? Quais as chances dele estar dizendo a verdade? Mas... E se, de fato, Jin corria perigo?

Amaldiçoando-se por ser tão crédulo, Kazuya desligou o interfone e correu, enquanto discava o número de Jin em seu celular.

Não houve resposta.


4

A primeira coisa que notou, quando recobrou a consciência, foi que sua cabeça doía. A segunda, que estava sentado e, por fim, percebeu que seus braços estavam presos atrás da cadeira. Moveu suas mãos e sentiu aquelas argolas de metal baterem contra seus pulsos. Algemas.

Jin abriu os olhos e ergueu a cabeça. Notou que estava em uma sala vazia, com apenas uma janela enorme no lado oposto ao que estava, por onde a luz prateada da Lua conseguia iluminar um pouco o local.

Piscou os olhos, teve a impressão de que algo se moveu no lado mais escuro da sala. Em seguida, seus ouvidos registram passos. Alguém vinha por trás.


- Quem é você? – ele perguntou.

- Não me reconhece, Jin-kun? – ele perguntou divertido.

Akanishi soube quem era quando ele se aproximou da claridade. Ficou surpreso por não ser Harada, mas sim Kirisawa quem estava diante dele.

- Kirisawa... Porque?

- Você quer saber porque você está aqui? Isso é fácil de responder. Vou tirá-lo de uma vez por todas do meu caminho.

Jin não conseguia compreender aquela resposta. Ele nunca trocara mais que meia dúzia de palavras com aquele homem, como era possível que ele pudesse guardar alguma mágoa contra ele? Por mais que se esforçasse, não conseguia encontrar motivos para o seu seqüestro.

- Você deve estar se perguntando o meu motivo, certo? – Kirisawa agachou diante dele, sorrindo.

O jovem viu, então, que ele segurava uma arma em sua mão direita. O olhar de Jin não passou despercebido para o ex-assessor do News, que sorriu ainda mais e colocou o cano da pistola na testa do rapaz.

- Você é um jovem bonito e saudável... Bem, não muito saudável depois do que Harada fez com você, né? Ele diz que fez apenas por que eu o mandei, mas, sabe? Eu tenho certeza de que ele aproveitou bem o seu corpo... Qualquer um se deliciaria com um corpo bonito, como o seu né? Ah, não me olhe tão assustado! – ele gargalhou – Eu não sou gay!

Kirisawa se ergueu, andando em direção a janela e apreciando aquela vista. Seus olhos desviaram da Lua para a rua pouco movimentada naquela área em que se encontravam.

- Está uma noite tão bonita... Você deve apreciá-la... Não precisa me agradecer por lhe proporcionar essa imagem como aquela que ficará eternamente registrada em sua memória, mesmo quando seu espírito estiver muito longe daqui.

- Você é louco? – Jin não conseguiu evitar a pergunta.

- Talvez... Ah, mas eu estava lhe contando o meu motivo, né? Então, Jin-kun... Você acabou com a vida de uma pessoa muito importantes para mim... E está preste a arruinar mais uma!

- Do que você está falando?

A pergunta do rapaz, porém, pareceu que passou despercebida àquele homem, pois ele continuou a dissertar sem lhe responder.

- Veja bem, você é muito forte, não deveria ser assim! Se você tivesse fraquejado e desistido da banda quando foi violentado daquela forma por Harada, poderia continuar vivo... Mas, nãooooooooo... – ele gritou, de modo que Jin passou a se questionar sobre a saúde mental daquele homem
– Akanishi Jin quis ser o herói, quis proteger o amado Kamenashi. Como vê, você me obrigou a tomar medidas drásticas. Eu teria ficado satisfeito se você tivesse saído do meio musical e se afastado daquele garoto!


Jin sentia o suor escorrer pela sua face. Aquele maldito demente podia atirar a qualquer momento e ele morreria sem sequer entender a razão, pois, por mais que pensasse, as palavras de Kirisawa continuavam incompreensíveis.

Isso era o pior para um homem, morrer de modo tão vergonhoso. Irritado, tentou se soltar, mas apenas conseguiu que as algemas machucassem seus pulsos.


- Por que você não foi embora, Jin-kun? – Kirisawa viu o esforço inútil de Jin e o olhou com pena – Nós não precisaríamos chegar a essa situação. Eu vou me transformar em um assassino e você morrerá de forma covarde. Somos desprezíveis, não acha?

- Ora, vai se fuder!

- Ah! Harada tinha razão quando dizia que sua boca é muito mal-criada... Pois bem, Akanishi-san... Escute bem o que eu vou te contar. Preste bastante atenção e peça perdão à Sayuka... Você verá que, como pai, eu não poderia deixar de me vingar...

Akanishi estava dividido pelo medo e ansiedade em descobrir a razão de tanta raiva dedicada a sua pessoa. Perguntava-se quem seria Sayuka... Não se lembrava desse nome, como poderia ter feito algum mal a essa menina?

Harada, então, contou o seu relato. E o que Jin escutou, colocou uma dúvida em seu coração. Naquele instante, se ele pudesse, ele abandonaria a sua carreira. Ele sairia do KAT-TUN.

5

Por que? Por que? Por que?


Era a única pergunta que estalava dentro da cabeça de Kazuya, sentado ao lado de Harada, enquanto se dirigiam em alta velocidade para o suposto local em que Kirisawa estaria com Jin. Dentro daquele carro, ele se sentia como se o mundo estivesse desabando em sua cabeça.

Durante os primeiros minutos naquele veículo, Harada revelou a Kamenashi que tudo o que fizera com Jin havia sido planejado por Kirisawa. Em seguida, ele contou, chantagem por chantagem, o motivo de Jin realmente ter se submetido a toda aquela tortura.

Kazuya descobriu, finalmente, que não era apenas para proteger a banda, para preservar e garantir o debut que Jin se deixou violar de tal forma. Ele conteve o soluço quando foi informado que ele próprio havia sido usado para convencerem Jin...

Por que o Jin passou por tudo isso?

Kamenashi gostaria de saber essa resposta. Por que aquele tolo se arriscou e sofreu tanto por sua causa?

Ele se lembrou do soco que aplicou em Jin, quando discutiram por causa de Akeko, e pelo qual ambos foram enviados à sala de Harada. E foi aí que os abusos começaram...

Fechou os olhos, tomado pelo remorso, recordando-se de como sentira raiva do namorado naquela época, sem sequer imaginar o quanto Jin sofria por uma atitude impensada de sua parte...

Se eles não tivessem brigado naquele dia...

Jin estava mal, estava ferido pela sua rejeição, estava magoado, era natural o seu ciúme diante de Akeko... Por que ele não foi capaz de compreender isso naquela época? Era a pergunta que o atormentava naquele instante.

Caso tivesse sido mais ponderado, Jin não teria ficado sozinho com Harada naquela sala imunda...

O remorso pelas palavras duras que dissera a Akanishi subiu em seus olhos em forma de lágrimas, que ele conteve com toda a sua força. Não derrubaria uma lágrima na frente de Harada, estava determinado.

Ele não merecia tanto esforço. Não merecia aquele amor todo. Doeu-lhe muito saber que, enquanto repousava no ventre de Akeko, Jin passava por provações cruéis, desumanas, apenas para protegê-lo.

Se ele soubesse disso... Se ao menos ele pudesse ter noção de um décimo de tudo... Ele não teria se sentido tão inseguro, talvez ele não tivesse traído Jin... Como pode se deitar com Akeko naquela noite?

Agora que estava a par de todo o martírio de Jin, doía-lhe duas vezes mais
aquela maldita noite com a ex-namorada.


- Você é um miserável, Harada. – ele desabafou, com a voz rouca.

- Eu sei. Eu sei muito bem disso. – ele disse – Mas o que eu sou ou deixo de ser não é algo que devemos discutir agora. Chegamos.

O coração de Kamenashi quase parou ao escutar isso. Tentou abrir a porta do carro, mas descobriu que estava travada. Harada saiu pelo lado do motorista e trancou também aquela porta. Enquanto dava a volta para abrir a porta de Kazuya, sacou a sua pistola e apontou contra o rapaz.

- Desculpe-me, Kamenashi-san.

- O que... O que você...

- Desça e não tente fazer nada!

Em choque, Kamenashi não conseguia se mover. Então, Harada o puxou bruscamente para fora e o empurrou para frente. Colocou a arma em suas costas e o mandou andar.

- Harada...

- Calado. Akanishi está lá em cima, logo vocês estarão juntos.

Kamenashi olhou para o prédio em que eles estavam entrando. Era um prédio velho, possivelmente abandonado, com rachaduras e janelas quebradas. Ele sentiu medo, quando o ex-assessor fechou a porta atrás
deles.


6

- O que???

O grito de Shimada acordou a sua mulher bruscamente, que se ergueu da cama, assustada, olhando para seu marido com preocupação e curiosidade. O diretor da Johnnys se afastou do quarto, indo para seu escritório, ainda atordoado com as informações que recebia.

- Masashi e o outro estão bem? Em que hospital que eles estão? Certo, eu entendi... Alguém avisou ao Miura-san? Deixe comigo, eu o avisarei! Deixe que nós entraremos em contato com o KAT-TUN!

Ele desligou o telefone aflito. Nunca imaginaria que Harada seria tão ousado a ponto de infiltrar agentes na empresa... Como ele poderia supor que os seguranças seriam facilmente comprados? Sua mente fez uma pequena nota para tornar a seleção dos guardas-costa ainda mais rigorosa!

Nervoso, discou o número particular de Miura-san. Com palavras rápidas, desculpou-se por ligar tão tarde, mas havia um motivo importante, que ele explicou de forma seca e direta:

- Akanishi foi seqüestrado.

7

Sentia as lágrimas escapando de seus olhos, molhando toda a sua face, escorrendo até seu queixo e molhando a sua própria calça. Não conseguia manter a cabeça erguida. Jin, simplesmente, não conseguia olhar para Kirisawa.

Como conseguiria encarar aquele homem, depois do que escutou? Sentia o peso da vida de Sayuka em suas costas e não tinha certeza de continuar em pé depois disso. A culpa abriu um buraquinho em seu peito e entrou em seu coração.

Você matou minha filha, seu verme!

A voz agressiva de Kirisawa ecoava dentro de sua cabeça, esmagando a sua consciência. Ele não conseguia raciocinar contra aquela acusação, pois, diante daquele desabafo emocionado que ouviu, não conseguia se defender. Estava convencido de que era, de fato, culpado.

A verdade era que, depois de tudo, o espírito de Jin estava totalmente despedaçado. Sofria um cansaço físico e emocional inacreditável. Seu corpo chegou a ter um colapso durante os abusos de Harada, mas sua mente, sua alma, não conseguiriam repousar devidamente. Depois que se
livrou de Harada, entrou em uma grande tensão emocional com as brigas com Kamenashi. A volta de Harada também o deixou apreensivo.


Agora, era seqüestrado. Estava na mira de uma arma. Como poderia seu espírito permanecer firme depois de tantos acontecimentos?

Talvez... Talvez ele merecesse tudo aquilo, começava a cogitar. O mal que havia feito àquela menina, agora estava sendo reparado por seu pai.

- E é por isso... Que você tem que morrer, Akanishi! Pague com a sua vida pela vida que você tirou!

Com os olhos grudados no chão, Jin não viu o movimento de Kirisawa. Não o viu efetivamente apontar a arma contra a sua cabeça. Porém, escutou o gatilho sendo puxado.

A morte repararia o seu mal. Assim, ele deixaria de ser castigado. É, talvez, ele merecesse ser punido...

8

Jin fechou os olhos com toda a sua força. Sentiu medo quando pensou que seria alvejado por Kirisawa, mas o que ouviu não foi exatamente um tiro, mas uma pancada na porta. Notando que a dor em seu corpo não vinha, deduziu que Kirisawa não havia atirado.

Abriu os olhos. Talvez teria sido melhor continuar com eles fechados, pensou, assim que viu Kamenashi entrando na sala e, atrás dele, um homem maltrapilho com uma arma apontada em sua nuca.

- KAZUYA!!


O pequeno olhou em sua direção. Jin não sabia dizer se o rosto do mais novo demonstrava alívio ou apreensão. Kamenashi estava mais pálido que o normal, porém, sorria em vê-lo bem.

- JIN!! – ele exclamou.

Inconscientemente, Kamenashi andou em sua direção, mas Harada o segurou pela gola, grudando a pistola em sua nuca.

- Harada. – os olhos de Kirisawa se arregalaram – O que você faz aqui?

Harada?

O desespero de Jin aumentou. O pesadelo apenas piorava. Por outro lado, a aparição de Kamenashi o retirou da letargia e da resignação a que Jin havia se entregado depois de descobrir o motivo de Kirisawa. Agora, ele parecia mais vivo e atento ao que acontecia naquele lugar.

- Kirisawa, não foi você quem disse que eu deveria colocar um ponto final nesta história?

- Harada, você não... – Kirisawa continuava apontando contra Jin – O que você pretende?

- Colocar um ponto final nisso tudo. O objetivo de toda essa loucura não é o Kamenashi-san?

O mencionado olhou na direção de Kirisawa, não compreendendo porque ele havia se tornado o alvo daquela situação. Não estava entendendo mais nada, mas o preocupou o fato de que, como se não bastassem as chantagens que Jin sofreu, ainda houvesse algum outro motivo em que ele fosse o responsável pelo sofrimento do namorado. Que diabos estava acontecendo, afinal?

O rosto de Kirisawa se tornou tão vermelho que parecia que explodiria a qualquer momento. Seus olhos, arregalados, manifestavam toda a cólera que nutria diante dessa situação.

- Kamenashi morto não é o objetivo disso!! E sim, Akanishi!

- Definitivamente, se um morrer, o outro morre! – gritou Harada, tão nervoso quanto Kirisawa.

Kirisawa bufava, mas tentou recuperar a calma. Precisava de controle para reverter essa situação inesperada. Como podia ter calculado mal a presença de Harada no Japão e não se certificou de que ele não se intrometeria em seus planos? Respirou fundo, encarando Harada, ainda com o braço erguida contra Jin.

- Como você conseguiu nos encontrar?

Harada sabia que ele estava tentando ganhar tempo para pensar em alguma estratégia, mas não se importou em oferecer o tempo que fosse preciso, pois, ele próprio tinha que pensar em um meio de resolver aquela
sinuca que ele mesmo havia formado. Trouxera Kamenashi até ali deliberadamente para que ele se tornasse um escudo humano para Akanishi, sabendo que aquele lunático não arriscaria a vida da inicial do KAT-TUN. Porém, ele não teve tempo para planejar de que modo conseguiria tirar os dois artistas dali.


- Desde que voltei para o Japão, eu andei investigando, Kirisawa... Você me prometeu um coração! Um coração que salvasse a vida de meu filho... Ele não tinha um década de vida, seu miserável, e você brincou conosco! Me fez maltratar Akanishi de diversas formas, as mais desprezíveis possível, para, depois de tudo, aquele maldito órgão não ser capaz de salvar meu Hideki!

Jin olhou para Harada, surpreso. Era um alívio descobrir que o homem que fez parte de sua adolescência não agiu do modo que agiu por espontânea vontade. Não era um mau caráter. Apesar disso, porém, ele não era capaz de lhe perdoar... Lembrou-se dos seus toques. Sentiu sua garganta se fechar.

- Ora, eu já lhe expliquei muito bem sobre isso, não seja irritante, Harada!

- E eu não engoli a sua explicação! Decidi me vingar e passei a vigiar seus passos... Descobri que você subornou dois dos seguranças particulares de Akanishi! Mas pessoas que são subornadas não são confiáveis, sabia? Basta um valor maior para que elas debandem para o outro lado! Assim, quando você ordenou a Charles que seqüestrasse o rapaz, eu fui imediatamente informado! Enquanto eles traziam Akanishi para cá, eu fui buscar Kamenashi... E aqui estamos nós!

- O que você quer, Harada?

- Liberte Akanishi!

- Não vai dizer que está arrependido do que fez? – ele ironizou apenas para provocar o outro – Não vai negar que não se deliciou com este corpo?

Kazuya se irritou com o modo como Kirisawa deixou claro que o corpo de Jin havia sido usado como Harada bem entendesse. Quem era esse homem, afinal? E porque tanta raiva de Jin?

- Eu não nego a minha culpa! – afirmou Harada – Por isso estou aqui! Não é como se eu estivesse pedindo o perdão dele! Apenas quero fazer com que a morte de Hideki não tenha sido totalmente inútil e que ele não sinta mais vergonha do pai que teve!

- Oh, estou comovido!

- Você não devia ser tão sarcástico, Kirisawa! Se meu dedo escorregar, o gatilho será disparado e acertará em cheio a nuca de Kamenashi... Não haverá chance de sobrevivência...

Kamenashi se arrepiou com aquela ameaça, enquanto Jin olhou com fúria para Harada, mas este já estava acostumado em receber o seu ódio e não se importou. Jin queria muito saber porque Kamenashi também havia sido envolvido naquela história toda, mas, principalmente, porque o caçula era
tão importante para Kirisawa, a ponto de se tornar um trunfo para Harada?


- E aquela pessoa sofrerá muito se Kamenashi morrer, não é verdade? Sofrerá por sua causa mais uma vez! Você não sente sua consciência pesar, Kirisawa? – Harada se permitiu exibir um meio sorriso.

Kirisawa rangeu os dentes. Pelo visto, o ex-assessor do KAT-TUN fizera muito bem seu dever de casa. Claro, Harada, tendo sido transferido para outro país e tendo o caso de Akanishi sido devidamente abafado, não perdeu sua influência no Japão. Ele tinha seus contatos, seu dinheiro e soube bem a quem recorrer para descobrir o seu passado. Neste momento, Kirisawa arrependia-se amargamente por não ter dado um fim a esse homem antes.

- Essa pessoa... Foi ela quem idealizou todo este plano, não é?

- CALE-SE! – ordenou – Não diga mais nenhuma palavra!

Jin sentiu sua cabeça pesada. Estava disposto a se deixar abater por Kirisawa, mas quando viu Kazuya adentrar aquela sala, percebeu que queria continuar vivo. Mesmo que fosse justo trocar sua vida pela morte de Sayuka, ele se permitiu ser egoísta e desejou continuar vivendo ao lado do seu pequeno. Havia tantas coisas que ele planejava fazer... Tantos projetos... Individuais... Ao lado de Kazuya... Ao lado do KAT-TUN...

Ele queria procurar um meio de fugir com Kazuya, mas, estando algemado, como poderia fazer coisa alguma?

Sentir-se incapacitado dessa forma era humilhante. E o deixava pior ver que Kazuya, a sua frente, estava com uma arma colada em sua nuca... Jin até esquecera-se da pistola que era apontada contra ele próprio. Apenas torcia para que Harada recobrasse a consciência e não apertasse aquele maldito gatilho ou que nenhum acidente ocorresse e aquela arma disparasse sem querer.

Maldição!

Ele realmente não podia fazer nada, apenas assistir. Que tortura! E aqueles homens continuavam a falar coisas sem sentido, não explicavam absolutamente nada o que estava acontecendo... Quem eram a outra pessoa, além de Sayuka, que ele havia feito mal, segundo Kirisawa? Por que Harada ameaçava Kazuya? O que eles estão falando?

Pelo amor de Deus, parem com esta maldita loucura!

As bocas dos ex-assessores da Johnnys movimentavam-se de forma enérgica, disparavam palavras sem sentido. Kirisawa agitava a pistola, cada vez mais nervoso. A arma na nuca de Kazuya aumentava cada vez mais a pressão, deixando uma marca vermelha no garoto.

Parem... Parem com isso!

O suor escorria de sua testa. Seus lábios estavam rachados, sua boca, seca. Seu olhar, abatido, encontrou-se com o olhar amedrontado de Kazuya. Ele estava tão confuso e desesperado quanto ele. Jin desejou ardentemente que tudo isso acabasse o quanto antes.

Kazuya, fuja logo...

9

Quando viu Jin, ele se sentiu aliviado, mas esse sentimento durou pouco quando sua mente o recordou de que eles estavam longe de estarem seguros. Pelo contrário. Naquele momento, a vida de ambos estava em
perigo.


Kamenashi olhou para Kirisawa, enquanto sentia a pistola prensada em sua nuca por Harada. Será que ser maluco era um dos requisitos para entrar na Johnnys? Como a agência podia ter contratado dois desequilibrados como eles?

Escutou com apreensão toda a conversa entre eles, mas nada parecia justificar tamanha loucura. Seu olhar, então, recaiu sobre Jin, que lhe mirava. A sua imagem afligiu o seu coração. Jin, cabisbaixo, parecia enfraquecido amarrado daquela forma...

Estava tão frágil...

O que estaria se passando em sua cabeça agora? O que ele pensava de toda essa situação?

Se Kame pudesse ter direito a um desejo, ele gostaria de retornar ao começo do ano, ao camarim. Queria ouvir mais uma vez a declaração de Jin e, desta vez, ele o aceitaria. Talvez tudo tivesse sido diferente...

Será?

Não tinha como ter certeza, mas era a única coisa que podia fazer agora. Imaginar uma realidade em que eles não tivessem que passar por nada disso. E rezar para que aqueles homens consigam recuperar a lucidez e tudo isso possa terminar da melhor forma possível...

Jin... Por favor, alguém o salve!

10

Eles não poderiam fazer nada, mas todos concordavam que não conseguiriam ficar em casa depois da ligação que receberam. Quando não conseguiram contatar Kamenashi, dois funcionários da empresa rumaram
até o seu apartamento e descobriram pelo porteiro que ele havia saído de casa há algum tempo com um homem chamado Harada. Kamenashi também estava em perigo.


Junno entrou no camarim com quatro copos plásticos de café. Àquela hora, três e meia da manhã, não havia nenhuma copeira na empresa, havia somente aquela máquina de café, mas era suficiente.

Nakamaru, Ueda e Koki agradeceram pela bebida quente. Ficaram em um breve silêncio enquanto tomavam o primeiro gole da bebida.

- Ah... Por que não nos deixam participar da reunião? – impacientou-se Koki.

- Ora, o que podemos fazer lá? – retrucou Nakamaru.

- Ao menos, ouviríamos a notícia ao mesmo tempo em que eles! É uma tortura ficar aqui sem saber de nada!

- Acalme-se! – pediu Ueda – Eles vão nos avisar assim que souberem de alguma coisa...

- Maldito Harada! – rosnou Maru – Eu só espero que tudo termine bem!

Junno, um pouco afastado de todos, perguntou com certo receio:

- Vocês acham que ele será capaz de... Matá-los?

Os três pares de olhos repousaram no rapaz ao mesmo tempo, que contraiu os ombros, sem saber se pelo peso daqueles olhares ou devido ao medo da própria pergunta.

- Harada é louco.

A afirmação de Koki era o mesmo que uma resposta afirmativa. Junno baixou os olhos, fitando o líquido preto em seu copo descartável. Maru molhou os lábios, inquieto.

Ueda se aproximou da janela, ficando de costas a todos, encarando o negrume do lado de fora. Em breve amanheceria, observou.


Kazuya... Jin... Onde vocês estão?

11

Suas costas protestaram quando Koyama o prensou contra a parede. Encarou o seu companheiro de banda que, agora, voltava a olhá-lo de um modo gentil.

- Infelizmente, você não pode fazer nada agora.

A mão de Koyama, segurando os ombros de Yamapi, sentiu a sua respiração pesada. Pi estava irritado, percebeu.

Próximo a eles, Ryo e Massu observavam a cena sem saberem o que fazer. Eles estavam na casa de Koyama, para mais uma reunião descontraída, apesar de Shigue e Tegoshi não estarem ali, ocupados com trabalhos individuais. E eles realmente estavam se divertindo, relaxando dos últimos dias, bebendo, conversando...

Teria sido mais uma noite em que dormiriam tarde, deixando o dono da casa cuidando de todos eles mais uma vez, se Yamapi não tivesse recebido aquela ligação de Ueda, avisando-o sobre a situação de Jin.


Apesar da agência ter ordenado sigilo sobre o assunto, o líder do KAT-TUN pensava que Yamapi deveria ser avisado, pois, se fosse necessário avisar aos familiares de Jin, era o líder do NEWS o mais gabaritado a essa missão.

Contudo, a personalidade de Pi o impedia de ficar parado, apenas aguardando notícias. Ele queria fazer alguma coisa e, em um momento de distração de Koyama, ele tentou sair, mas foi pego em flagrante e jogado contra a parede pelo mais velho do News.

- E você quer que eu fique aqui bebendo? – ele perguntou, emburrado – Não consigo fazer isso, não tenho esse sangue frio!

- Não se trata disso, Pi! – o tom de voz de Koyama já estava manso novamente – Mas, o que você pode fazer, me diz?

Ele não respondeu e olhou para o chão. Koyama sentiu seu coração ficar pequeno quando observou o olhar de seu líder vacilar, como se fosse se entregar ao choro, mas conseguindo se conter no último segundo.

- Não há nada que você possa fazer agora, Pi... Fique com a gente, não faça nada imprudente... Confie que a Johnnys irá encontrá-los... E, em último caso, com certeza a polícia fará o seu melhor!

Persuadido, Yamapi se afastou para porta, em silêncio, e se aproximou do sofá. No último instante, porém, chutou a mesa de centro, derrubando-a com todos os objetos que estavam em cima do móvel. Massu estremeceu com a atitude do sempre pacífico líder e olhou para Ryo. O moreno suspirou, resignado.

- Ok. – disse Ryo – Vamos para a empresa.

Koyama o olhou sem entender.

- Lá saberemos mais rápido de qualquer coisa e assim esse imbecil se acalma um pouco!

- Vamos avisar os outros? – perguntou Massu.

- Não... Pra começo de conversa, não era nem para vocês estarem sabendo! – comentou Yamapi, arrependido de ter contato a Koyama o
conteúdo da ligação de Ueda. – Por isso, iremos apenas o Ryo e eu.


O moreno fez que sim e pegou as chaves de seu carro. Ignorou o olhar irritado que Koyama lhe lançou. Sabia que ele estava preocupado com Pi, mas o líder, por sua vez, estava preocupado demais com Jin e não ficaria tranqüilo ali parado. Ao menos na empresa, ele teria a falsa impressão de que estava fazendo alguma coisa e isso o acalmaria.

Ryo fechou a porta, deixando para trás a expressão zangada de Koyama. O moreno pensou que devia se afastar de uma vez por todas desses triângulos amorosos... Pi, Jin, Kamenashi e, agora, Koyama, estavam lhe trazendo muitas dores de cabeça.

Eu preciso de férias...

12

A discussão continuava inflamada e os dois artistas sentiam-se sufocados naquele clima indeciso. O desespero em não saber o que aconteceria a eles movimentava seus corações na velocidade máxima. Seus corações batiam com tanta força, que chegavam a abafar as palavras de Harada e Kirisawa.

Harada finalmente parecia inclinado a revelar o motivo pela qual Kamenashi era a razão principal de todo aquele drama. Mas, ao perceber essa intenção, Kirisawa o interrompeu com um berro.

- NÃO DIGA MAIS UMA PALAVRA! – Kirisawa bradou com todo o ar de seu pulmão.

Para desespero de Kazuya, ele viu o ex-assessor do News avançar dois passos na direção de Jin. Ele entendeu que aquele homem estava decidido. Ele ia atirar em Jin... Sem se preocupar com Harada atrás de si, Kame tomou uma decisão.

Não posso ficar sem ele! Kamenashi pensava.

Kirisawa apertou o gatilho. Akanishi arregalou os olhos e foi tomado por um sentimento doloroso ao ver Kame correr em sua direção, enquanto Harada também apertava o seu gatilho.

O pequeno o abraçou com toda a emoção que sentia no momento. Jin sentiu aqueles braços, trêmulos, envolver a sua nuca e o segurarem com força. Então, os dois fecharam os olhos no mesmo instante. Jin não agüentaria ver o tiro atingindo Kazuya e este, com medo da dor, preferiu a escuridão.

Então Jin escutou outro tiro. E o corpo de Kazuya tremeu por cima do seu. E um terceiro tiro foi disparado. Quarto... Quinto...

Ainda mantendo os olhos fechados, Jin sentiu o desespero crescer dentro de si quando o corpo do caçula parou de se mexer ao mesmo tempo em que o silêncio voltava a se instalar naquele ambiente.

O cheiro de pólvora e sangue era insuportável.

12

Jin foi o primeiro a abrir os olhos, quando ouviu o último disparo. E foi o primeiro a ver aquela cena.

Kirisawa mantinha seu braço erguido, como estava no momento do disparo, e um buraco médio em seu peito esquerdo deixava que seu sangue escorresse em toda a sua camisa branca. Abaixo do primeiro tiro, seguia-se outro e um terceiro buraco o atingiu na garganta.

Harada, diante de Kamenashi, segurava o próprio estômago, que estava guardando as duas balas que deveriam ter acertado o caçula do KAT-TUN. Mas isso não aconteceu porque o ex-assessor correu logo depois do pequeno. O braço de Harada também estava erguido na direção em que disparou contra o outro homem.

Kirisawa parecia que ia dizer alguma coisa, provavelmente algum xingamento contra o outro homem, mas não houve tempo. Desabou de costas no chão.

O ex-assessor do KAT-TUN também não conseguiu dizer nada. Cambaleou até a parede mais próxima e escorregou até ficar sentado no chão, com as costas apoiadas e as mãos cobrindo seu ferimento.

- Kazu... – Jin murmurou – Kazu...

O pequeno ergueu os olhos em sua direção, ainda tomado pelo medo. Jin inclinou-se o máximo que pode e o beijou na testa, aliviado por vê-lo bem.

- Jin... Eu não...

Afastando-se de Jin, Kamenashi apalpou o próprio peito, com uma indagação expressa em seu rosto.

- Eles se atingiram... – Jin sussurrou.

Kamenashi finalmente olhou para trás e o pânico surgiu em seus olhos.

- Precisamos chamar uma ambulância!!

Incentivado com a própria frase, Kamenashi ergueu-se, apalpando o próprio corpo em busca do seu celular, mas lembrou-se de que ele foi confiscado por Harada. Receioso, ele se aproximou daquele homem que, ainda consciente, não ofereceu resistência.

Kamenashi ligou primeiro para a agência e falou com o próprio Shimada. Deu informações vagas sobre a localização em que estavam, apenas o que conseguia se lembrar do trajeto feito por Harada e ele, mas foram suficientes para o diretor garantir que logo estariam ali.

Depois disso, Kamenashi se aproximou de Kirisawa para procurar a chave das algemas de Jin. Ele chutou a arma que ainda estava em sua mão para longe, mas não era preciso.

Kirisawa estava morto.

13

Kame e Jin dividiam uma coberta dentro do carro de Shimada e, por isso, não precisavam se preocupar em estarem tão próximos um do outro na frente do diretor. As suas mãos estavam unidas, mas devidamente escondidas debaixo da coberta.

O diretor falava alguma coisa, mas apenas Kamenashi conseguia prestar atenção. Jin com um olhar sombrio se mantinha em silêncio.

Ela estava tão animada com aquele show... Era a primeira turnê de um grupo que sequer havia sido lançado oficialmente pela Johnnys, mas ela já era fã. Principalmente de um rapaz de rosto bonito, Akanishi Jin.

Sayuka praticamente o idolatrava, Jin-kun. E, aposto, você nem deve se lembrar de seu rosto. Nem deve se lembrar de suas atitudes bruscas que agrediram o coração daquela menina...

Você nem deve saber que, por sua culpa, ela cometeu suicídio.

Jin não conseguia deixar de pensar nas palavras de Kirisawa. Toda essa maldita loucura tinha começado por culpa sua, ele percebeu. E, o pior de tudo, era que aquele homem tinha razão...

Ele não sabia quem era Sayuka. Não se lembrava daquela garota a quem fez sofrer de tal maneira que ela preferiu acabar com a própria vida.

Absorvido em seu próprio pensamento, Jin não notou quando chegaram à agência. Mal percebeu quando saiu daquele carro, auxiliado por Kamenashi e Shimada, sequer notou os olhares preocupados de ambos com a sua mudez...

Shimada quis levá-lo direto a Yamada-sensei, que havia sido convocado assim que recebeu a ligação de Kamenashi, mas este preferiu guiá-lo até o camarim, onde sabia que estavam seus amigos... Ele pensava que o calor daqueles que os amavam pudesse retirar Jin de sua catatonia...

14

Quando a porta abriu e eles entraram, Yamapi não foi capaz de descrever os sentimentos que se agitaram dentro de si. A princípio, soube que foi tomado pelo alívio. Jin estava bem. Estava vivo. Não estava machucado fisicamente. E isso lhe trouxe uma paz incrível... Contudo, isso não durou mais que um breve instante, pois logo percebeu o olhar morto de seu amigo.

A tristeza que assolou o seu coração ao se dar conta de como seu amigo havia sido mal-tratado o fez ignorar por completo a presença das outras pessoas, principalmente a de Kamenashi. Ele não deixou que Jin se acomodasse no sofá, antecipou-se a isso e o abraçou com toda a sua força.

Kamenashi, que entrava por trás, sentiu o ciúme lhe aquietar o coração, mas o engoliu rapidamente. Sabia que não havia segundas intenções naquele abraço, que este era apenas uma demonstração do quanto Yamapi
estava preocupado. E isso, essa preocupação, jamais mudaria... Era um laço que os uniria até o fim da vida e ele teria que se acostumar. Ele, porém, não teve muito tempo para se deter nestas reflexões. Koki e Junno se lançaram sobre ele, demonstrando o quanto eles estavam apreensivos.


Os dois o afastaram de Jin e Yamapi, levando-o para perto de Maru e Ueda. Logo foi metralhado por suas perguntas e ele respondeu algumas quando conseguia alguma brecha, mas estava bastante cansado para conseguir respondê-las com precisão. Dizia coisas vagas, mas estava honestamente contente com toda aquela atenção. Estava vivo, afinal...

Depois daquele trauma, era um máximo estar com seus amigos novamente. Olhou de soslaio para Jin, ainda abraçado a Yamapi. Eles estavam imóveis naquela posição. Em seguida, Kamenashi se corrigiu. Jin estava imóvel. Ele nem ao menos retribuiu ao carinho de Pi... Seus braços estavam estendidos ao lado do próprio corpo. Kamenashi tinha a impressão de que seu namorado não havia sequer registrado a presença do melhor amigo...

Jin...

15

- Jin...

O sussurro de Yamapi não foi suficiente para despertá-lo. Um pouco atrás de Yamapi, Ryo observava a cena com preocupação. Aos poucos, os rapazes do KAT-TUN também perceberam que ele não estava reagindo.

- Vamos levá-lo até Yamada-sensei. – Shimada ordenou.

Sem que Pi pudesse sequer protestar, o rapaz foi retirado de seus braços, sendo guiado pelo diretor da empresa. Após eles se afastarem, todos os olhares recaíram sobre Kamenashi. Yamapi se aproximou e o abraçou, para sua surpresa.

- Como você está?

- Agora... Fisicamente... Estou bem. – ele agradeceu a preocupação – Agora, está terminado... O inferno de Jin, finalmente acabou, mas... Tenho medo das seqüelas...- ele desabafou, sentindo seus olhos marejarem.

Yamapi apertou o ombro de Kamenashi, para consolá-lo, apesar dele próprio estar assustado com a reação de Jin. Ele tentou animar o outro, embora se sentisse um tanto hipócrita, pressentindo que a tempestade ainda não tinha terminado... Restava resolver o problema com Tsubasa, e ele temia que Koyama estivesse certo, que, no final, aquela mulher também estivesse envolvida com Harada.

16

Harada morreu a caminho do hospital. Os agentes da Johnnys Entertainmeint conseguiram que a polícia arquivasse a morte de Kirisawa e Harada como uma briga particular. Não deixaram que a imprensa soubesse que ambos havia trabalhado em uma das maiores agências de talentos do
Japão. Abafou-se ao máximo a presença de Kamenashi e Akanishi naquele local.


Enquanto isso, no camarim do KAT-TUN, os presentes ouviram o relato mais detalhado de Kamenashi. Ficaram sabendo que Harada havia sido controlado por Kirisawa, na esperança de salvar o próprio filho, que precisava de um coração. E, na realidade, havia sido o assessor do News quem seqüestrou Jin subornando os seguranças Charles e Jean.

O caçula omitiu o fato de que ele era, de alguma forma, o responsável por tudo aquilo, segundo palavras de Harada. Ele não diria isso neste momento, ainda sentia-se confuso, precisava descobrir o que aquele homem queria realmente dizer ao acusá-lo dessa forma.

Em algum momento, alguém tentou convencê-lo a ir para casa e descansar, mas, teimoso, Kamenashi quis permanecer na empresa para ter notícias de Jin. Aceitou ser alimentado, então Ueda e Junno foram buscar
alguma coisa no refeitório.


Kame nem havia se dado conta que já estava próximo do horário do almoço e nem quanto tempo fazia desde que eles retornaram à empresa. Sabia apenas que fazia muito tempo desde que Shimada e Jin foram para a enfermaria e, desde então, a única informação que chegou até ele foi de
que o rapaz ainda não respondia e que a empresa estava providenciando
especialistas para verificar o seu estado.


Ninguém tinha permissão para visitá-lo.




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Nara
Johnny's senior
Johnny's senior
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 2833
Idade : 33
Localização : São Paulo/SP
Emprego/lazer : bióloga
Unit Favorita : NewS, Arashi, Kanjani8, V6
Data de inscrição : 26/05/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Abr 22, 2010 9:04 pm

OMG cap tenso, mto tensoo
Mas afinal pq o Jin é culpado pela morte da Sayuka???? o q ele fez???
*curiosa mode on*
É um alivio eles terem saido de la sã e salvos, ou melhor, mais salvos do q sã né
ja q Jin ta mto abalado, claro
Entao no fim Kirisawa e Harada morreram
q pena pq Kirisawa tinha q sofrer mais depois d ter mandado Harada fazer td aqlo
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://micellanews.blogspot.com/
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Dom Abr 25, 2010 6:44 pm

Oi Nara,

O motivo da morte da Sayuka é o que vai direcionar os passos de Jin daqui para a frente, mas isso só sera esclarecido na reta final hehehe.

A punição do Kirisawa, na verdade, aconteceu após a morte da Sayuka. Ele viveu esses dois anos sendo toturado por esse episódio... Meio que ele sofreu por antecipação XD... É como eu vejo... As coisas que ele fez foram motivadas por uma vingança - talvez absurda - mas ele já não tinha mais uma visão clara da realidade. Não que isso justifique, mas, diferente da Akeko, ele carregava uma grande mágoa contra o Jin e essa mágoa o impedia de seguir em frente com a sua vida.

Resumindo, após a morte de Sayuka, Kirisawa não vivia realmente. É como se ele já tivesse morrido junto com ela. Mas ele merecia um pouco mais de sofrimento, talvez hehehe.

E o Harada, bem... Ele não era de todo mal, mas fez a sua escolha, que resultou em sua própria morte... E na do filho Hideki. No final, eu tenho dó dele XD...

Obrigada pelo comentário!!

Beijoss




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Dom Abr 25, 2010 6:56 pm

Seqüelas

1

Sentia o seu corpo gelado por estar deitada no chão apenas de camisola. Seu rosto estava marcado pelas lágrimas, mas ela não se importava. Enquanto acariciava o ventre, onde carregava o filho de Kazuya, ela pensou em Kirisawa.

Makoto não estava respondendo às suas ligações. O telefone chamava, chamava, chamava... E ninguém atendia do outro lado. O sentimento de solidão a consumiu. Sentiu aquela dor incômoda em seu peito, que produziu um arrepio por todo o seu corpo.

Estava sozinha.

Tinha tanto medo da solidão.

A sua frente, a televisão estava ligada. O noticiário do meio-dia trazia informações sobre um homicídio em um prédio abandonado. Dois homens atiraram um contra o outro por brigas particulares que a polícia ainda está investigando.

- Atenda... Makoto... – ela suplicou.

Aquele maldito aparelho televisor a lembrava constantemente de que ele não atenderia mais... Nunca mais.

2

Piscou algumas vezes até despertar por completo. Sentia o calor daquele edredom e essa sensação era tão boa... A sua cama, macia, era muito confortável, mas seu corpo já reclamava... Tinha a impressão de que estava dormindo há muito tempo... Então, Kamenashi abriu os olhos de vez. Não deveria estar em sua cama, sua mente o avisou. E, de fato, ele não estava em sua cama. Ali não era o seu quarto, mas era um lugar que ele conhecia bem... Bem demais.

Estava no quarto de Ueda, mas não conseguia se lembrar como chegou até ali. Erguendo-se para se sentar, ele relembrou os momentos difíceis daquela madrugada. Fechando os olhos, ele poderia jurar que estava ouvindo os tiros trocados por Harada e Kirisawa. Estremeceu.

Era inacreditável que tenha saído ileso daquele episódio. Ele e Jin. Ao pensar no namorado, sua mente despertou por completo.

Jin!

Não devia estar longe dele, Kamenashi repreendeu a si mesmo. Tinha intenção de sair daquela cama e correr até a enfermaria da agência, mas a porta se abriu e Ueda entrou naquele instante.

- Oh, ohayou!

Ueda entrava com a sua calmaria de sempre no quarto.

- O que eu estou fazendo aqui?

- Acalme-se, Kazuya... Você dormiu no camarim... Ali, você não conseguiria descansar o suficiente, então te trouxe para casa!

- Por quanto tempo eu dormi?

- Cerca de 20 horas...

Era por isso que ele se sentia tão mole, afinal.

- Se você quiser... – Ueda chamou sua atenção novamente - Pode tomar um banho e, depois que você comer algo, voltaremos para a agência, mas te informo que não houve mudanças no estado de Jin... Assim, não importa se você esteve lá para escutar isso ou repousando devidamente aqui, certo? Recupere toda a sua força, porque o Jin vai precisar de você...

O líder viu o olhar entristecido do caçula e se aproximou, sentando-se na beirada da cama e apoiando uma mão naquele ombro caído. Kamenashi o fitou.

- Sei que é difícil, mas você terá que ser forte por duas pessoas neste momento... Por Jin e por você mesmo, ok?

Ele não respondeu, apenas pediu toalha e alguma roupa limpa, notando que estava usando um pijama de Ueda. Seu líder tivera o cuidado de trocar a sua roupa... Devia estar mesmo com um sono pesado. Mas, posteriormente, descobriria que a refeição que Ueda e Junno haviam lhe dado anteriormente estava com um calmante misturado. Não foi o melhor jeito, mas Kamenashi reconheceria que precisava de um descanso. Agora que estava recuperado, porém, ninguém o convenceria a se afastar de Jin.

Após o banho, ele seguiu com Ueda de volta para a empresa.

3

Kamenashi olhou com esperanças quando Yamada-sensei, Shimada e os outros médicos contratados pela Johnnys finalmente deixaram o quarto em que Jin estava. Imediatamente olhou para Yamapi, que também o olhava com igual ansiedade.

O líder do News ficou o tempo todo na ante-sala, esperando por alguma novidade. Ele contou com a companhia de Ryo por algum tempo, mas depois o moreno foi substituído por Koyama.

Maru, Junno e Koki também se revezavam. Kazuya podia ver o cansaço estampado em todos eles e se sentiu culpado por ter ido descansar. Mas logo afastou esse pensamento, voltando sua atenção para os médicos.

Depois de se despedir daqueles distintos senhores, e trocar algumas palavras com Shimada, Yamada se aproximou dos jovens para divulgar os diagnósticos.

- Chegamos a um consenso de que a reação de Akanishi é uma defesa do próprio corpo pelo trauma que passou... Uma situação tensa pode gerar diversas reações no corpo humano. Em todo caso, nós o levaremos para um quarto particular no Hospital de Tóquio. Faremos os exames que forem necessários, mas, se realmente ficar comprovado que se trata de um trauma, não há muito que a medicina possa fazer para reverter a situação.

- Você está dizendo que ele ficará assim para sempre? – perguntou Koki, assustado.

- Não vamos pensar no pior. – Yamada pediu – Os enfermeiros estão aprontando Jin e, assim que tudo for arranjado o levaremos. Espero que ainda no fim da tarde façamos a transferência...

Yamapi, até então em silêncio, ingerindo aquelas informações, olhou para o médico e pediu:

- Podemos vê-lo?

- É uma situação dolorosa, Yamashita...

- Tudo bem. Enquanto os familiares dele não forem avisados, ele só pode contar com a nossa companhia, certo? Não vou deixá-lo sozinho logo agora!

Yamada foi obrigado a consentir depois de tamanho desabafo. Ressaltou a necessidade de um ambiente tranqüilo para Jin e, por isso, apenas permitiria a entrada de no máximo duas pessoas por vez.

Apesar de Yamada também estar preocupado com o emocional do caçula do KAT-TUN, ele, assim como todos, concordou que o rapaz deveria ser o primeiro a entrar. Sabia da amizade forte entre as iniciais do grupo e, portanto, era natural que um pudesse ser o remédio do outro...

4

Ele entrou vagarosamente, notando que o quarto estava um pouco escuro, com a janela fechada, mas um pouco da luz solar conseguia entrar pelas brechas da madeira. O abajur ligado trazia ao ambiente uma cor amarelada.

Quando, por fim, entrou por completo no quarto, não pode evitar o choque. Era tão brusco aquele silêncio que as lágrimas surgiram assim que se viu mais uma vez diante daquele olhar opaco. Jin estava deitado de lado na cama, olhando para a direção da porta, mas não reagiu quando ela foi aberta por ele.

Kamenashi mordeu os lábios, fungou e arrastou uma cadeira para próximo da cama. Ficou perto o suficiente para acariciar aquele rosto tão quente... Ele se indagava como era possível uma pessoa chegar a esse estado? Era tão contraditório aquele calor em seu rosto diante da frieza de seus olhos.

- Jin... – ele murmurou – Acorde...

Não houve resposta. O olhar de Jin continuava a atravessar o corpo de Kamenashi, ignorando por completo a sua presença. O mais novo pegou em sua mão, movimentou seus dedos, chegou a mordê-los com certa força... Nada.

- Jin...

Seu choro já corria livremente a essa altura. Queria tanto ouvir a sua voz de novo, aquela voz rouca e jovial, dizendo indevidamente que o amava. Queria receber seu olhar carinhoso e ser pego desprevenido por um beijo de Jin. Era tão doloroso ver aquele rapaz, geralmente tão alegre e agitado, parado dessa forma, completamente inerte, quase morto.

Em que momento Jin havia caído nesse estado? Kamenashi ainda sentia os lábios de Jin em sua testa depois que o tiroteio havia se encerrado. Foi apenas o tempo dele ligar para Shimada e pedir ajuda, depois disso, Jin se calou.

Naquela hora, ele não teve idéia do que estava acontecendo com o seu namorado. Pensou que fosse um silêncio normal, de alguém que não sabia o que dizer depois de tudo o que vivenciou. Mas não era isso. Naquele instante, Jin havia sido roubado dele. Alguém o levou embora e deixou apenas o seu corpo...Talvez, para sempre.

Essa idéia o desnorteou. O pequeno sentiu-se sufocado ao imaginar que não voltaria a ver o rosto expressivo de Jin.

- Onegai... Volte!

Uma idéia infantil brotou em sua mente. Lentamente, aproximou-se daqueles lábios que tanto adorava e depositou um beijo. Ingênuo, queria acreditar que milagres existiam, queria crer que seu amor era forte o suficiente para resgatar Jin de onde quer que ele esteja.

Esperançoso, manteve seus olhos fechados, ainda que já tivesse afastado seus lábios, ficando próximo para sentir a respiração do mais velho. Ele não conseguia abrir os olhos e tornar real a sua decepção. Não queria ver novamente aqueles olhos sem brilho, aquele rosto apagado, aqueles lábios secos...

E, no entanto, quando os abriu, nada havia mudado. Recebeu de perto o olhar vago de Jin e esse golpe fez suas lágrimas aumentarem, caindo como duas goteiras em cima da face imóvel do outro rapaz. Kame deixou sua bochecha se colar a dele, oferecendo o seu próprio calor a Jin. Aspirou o seu cheiro, enganando-se com aquele aroma e com a temperatura corporal do namorado.

Ele só está dormindo... Ele quis acreditar.

- Jin, eu estou aqui... Por favor, reaja...

Não adiantava Kamenashi dizer coisa alguma. Suas palavras não eram capazes de atravessar aquela barreira invisível que os separava. Naquele momento, Jin estava distante demais para conseguir ouvi-lo...

4

Estava perdido. Essa era a impressão que Kazuya tinha de si mesmo quando deixou o quarto em que Jin estava repousando. Percebia que suas pernas caminhavam, mas para onde estava indo?

As vozes de seu amigo passaram de raspão em seus ouvidos. Afastou-se dos braços de Koki e Nakamaru, ignorou os olhares preocupados de Ueda e Junno. Não prestou atenção a Yamapi. Precisava encontrar Jin.

Mas não o permitiram. Não deixaram que ele fosse encontrá-lo. Fortes braços o seguraram e ele não foi capaz de se soltar. Alguém o abraçava. Não saberia dizer quem era, mas aquele calor liberou suas lágrimas mais uma vez. Sabia que não devia chorar dessa maneira na frente deles, mas não pode suportar aquela dor que rasgava sua alma...

Pouco a pouco, o carinho de seus amigos prevaleceu. Kame fechou os olhos e se permitiu ser envolvido por aquele calor... Um carinho tão acolhedor, tão confortante, tão bom...

... Um sentimento que Jin já não era mais capaz de sentir, uma parte da sua mente lhe avisou.

5

Não chorou. Apesar de vê-lo naquele estado, Yamapi não chorou. Buscou forças no kanji que fazia parte de seu sobrenome e encontrou a firmeza das montanhas para conseguir ser forte neste momento.

Não foi capaz de dizer uma palavra. Seu esforço em se manter firme diante dessa situação tão inédita seria desperdiçado se ele tentasse falar com Jin e recebesse apenas o silêncio como resposta. Seria como se uma faca fosse cravada em seu coração e certamente ele desmoronaria. Por isso, manteve-se calado.

Como Koyama havia lhe repetido tantas vezes nessas últimas horas, não havia nada que ele pudesse fazer para ajudar Jin diretamente. No entanto, Yamapi sabia que podia fazer alguma coisa, ainda que isso não trouxesse seu amigo de volta. Podia ser um esforço inútil, mas, parado, ele não poderia ficar.

Aproximou-se da cabeceira e segurou o queixo de Jin. Ergueu aquela face em sua direção, resistindo à dor em seu coração diante daquela inanição, obrigando a si próprio a não desviar seu olhar dos orbes congelados do rapaz.

O beijou na testa e foi embora, decidindo que não voltaria ali enquanto Jin não despertasse.

6

- Você está bem com isso?

A voz de Koyama soava preocupada e ele nem ao mesmo tentou disfarçar enquanto caminhava ao seu lado em direção ao estacionamento. Yamapi, ainda mais calado que o normal, apenas balançou a cabeça, em uma afirmativa.

- Você não precisa ser assim tão radical...

- Eu tenho trabalho a fazer. – ele explicou, mas para o amigo isso não era uma justificativa aceitável.

Koyama balançou os ombros, pensando que Yamapi preferia demonstrar sua dor dessa forma. Não sabia se esse tipo de atitude poderia ser prejudicial, por tanto, não achou necessário removê-lo dessa idéia. Talvez fosse mesmo melhor que seu líder não enfrentasse todo dia aquela situação difícil em ver a pessoa pela qual era apaixonado naquele estado catatônico.

- Te deixo em casa. – Pi disse – Hoje você não tem mais nada a fazer por aqui?

- Não, as gravações foram adiadas por conta do que aconteceu com o KAT-TUN, embora ninguém da diretoria tenha explicado o motivo para o pessoal. Sei que o Ryo está tendo dificuldades em ludibriar o Kanjani 8, pois todos imaginam que ele esteja a par dos acontecimentos.

- É difícil esconder algo dessa proporção... Mas a Johnnys sempre dá um jeito... Então, eu vou te deixar em sua casa e depois vou descansar. Hoje à noite ainda terei algumas cenas de Kurosagi para fazer!

Koyama aceitou fazer o jogo de Pi. Se ele preferia agir normalmente, ele o ajudaria. Evitou qualquer menção a Jin durante todo o trajeto até sua casa.

7

Ela se sentia terrivelmente cansada. Se o céu desabasse em suas costas, não seria tão pesado quanto aquilo que ela carregava em seu coração. Seria remorso? Akeko se questionava enquanto caminhava entre as lápides em direção à saída do cemitério. Parou na porta e voltou um último olhar para aquele lugar. Suspirou, despedindo-se silenciosamente, sentindo as lágrimas insistirem em subir até seus olhos...

Seu carro estava estacionado ali perto. Logo já estava seguindo para o seu escritório. Não tinha ânimo algum para trabalhar naquele dia, mas como poderia explicar o seu luto por um “desconhecido”? Poderia alegar um mal-estar pela gravidez, mas ela não se deixava enganar. Se usasse essa desculpa, teria que inventar uma outra para o dia seguinte, e outra para o próximo, e assim seria eternamente. Akeko tinha a impressão de que jamais se recuperaria daquele golpe, portanto, faltar hoje no trabalho não aliviaria em nada a sua dor...

Talvez conseguisse se distrair enquanto focava sua mente em seus projetos como cantora. Isso era tentador o suficiente para que ela conseguisse persuadir a si mesma. A sua vontade, o seu real desejo, no entanto, era afundar-se em sua cama e se desmanchar em choro...

Como poderia seguir em frente sem seu principal aliado?

Ela o conhecia bem demais para saber que, se ele estivesse ao seu lado neste momento, se ele pudesse lhe dizer uma última mensagem, seria para seguir em frente e ser feliz, porque ela, mais do que ninguém merece a felicidade. Ela, que sofreu tanto no passado e continua a sofrer no presente, precisa continuar lutando e buscando pelo dia em que seria plenamente feliz...

Akeko sabia que não podia jogar todos os esforços de Makoto no lixo... Ela tinha que seguir em frente, levar a cabo todos os planos que arquitetaram juntos. Parada no trânsito de Tóquio, ela acariciou sua barriga. Conquistaria Kamenashi de uma vez por todas... Nem que fosse preciso sacrificar tudo o que ela tinha de mais precioso naquele instante.

Uma idéia começava a se formar dentro de sua cabeça, mas ela só ganhou vida quando se encontrou com Yamashita Tomohisa.

8

O encontrou aconteceu três dias depois do seqüestro de Jin. Enquanto seu amigo, já internado secretamente em um hospital particular, continuava sem reagir, Yamashita seguia sua rotina de trabalho e, quando teve uma brecha nas gravações, apareceu sem aviso prévio ao escritório da cantora.

Mitiko estranhou tanta movimentação dos artistas da Johnnys naquele lugar. Perguntava-se o que Kamenashi teria querido com sua amiga, algum tempo atrás, e o que teria discutido com Akeko, que demonstrou um grande abalo após a saída do jovem. Agora, Yamashita estava ali e, por mais que ela se esforçasse em pedir para que ele voltasse outro dia, ele, como uma montanha, ele não arredava os pés dali.

Quando Akeko chegou ao trabalho, demonstrou-se igualmente surpresa em encontrar aquele menino que tanto atrapalhou seus planos. Ela se recordou das noites em que ouvia Kamenashi comentar sobre o relacionamento de Akanishi e Yamashita. Naquele tempo, ela foi capaz de que notar o que o próprio Kamenashi não tinha consciência. Ela percebeu imediatamente o ciúme que o seu, na época, namorado sentia daquela amizade.

Ela sempre soube que Yamapi era importante para Akanishi, mas errou em menosprezar a força dos sentimentos daquele jovem. Através dos relatórios de Kirisawa, ela soube que o integrante do News nutria algo mais forte do que amizade pelo outro rapaz. Akeko se perguntava o que Akanishi poderia ter de tão especial para que tanto Yamashita quanto Kamenashi se sentissem atraídos por ele.

Quando escutou sobre Yamashita pela primeira vez, ela desejou sinceramente que o rapaz conquistasse seu objetivo. Que ele iniciasse um romance com Jin o quanto antes. Dessa forma, não seria necessário pedir ajuda a Kirisawa...

Teria sido coincidência o fato de reencontrar Kirisawa na mesma época em que Kamenashi lhe contou que Jin havia se declarado em uma noite no camarim deles? E no mesmo período em que Makoto iniciava seu plano de vingança? Ela sempre acreditou que Kirisawa fosse seu anjo da guarda.

Diante da declaração de amor de Akanishi, ela teve confirmação de que era necessário fazer alguma coisa para impedir Kamenashi de perceber que já estava se apaixonando pelo colega de banda.

Percebendo que Yamashita não tinha uma atitude ativa em relação aos próprios sentimentos, achou melhor afastar Jin de uma vez por todas do seu caminho. Ela só não imaginava que, depois de tudo, fosse Yamashita o responsável por acabar com seus planos. Ele consolou a Jin, salvou-o de Harada e ainda o entregou para Kamenashi...

Sinceramente, Akeko acreditou que, quando Kamenashi descobrisse aquelas fotos do sexo entre Akanishi e Yamashita, este perderia a sua força. Pensou que Akanishi brigaria com seu melhor amigo e perderia o seu namorado de uma só vez. Sozinho, ele seria mais fácil de destruir. Contudo, Akanishi nem ao menos discutiu com o amigo e, mais uma vez, apoiou-se nele para enfrentar aquela crise...

Definitivamente, Tsubasa não se sentia capaz de entender o sentimento que unia Akanishi a Yamashita, mas, principalmente, não conseguia compreender como Yamashita abria mão do seu amor dessa forma. E isso o tornava um inimigo poderoso. Um inimigo a qual não se consegue compreender é impossível de prever seus movimentos.

E, agora, ele estava ali, na sua sala, sentado à sua frente, separados apenas pela mesa. Ela se dispôs a conversar com ele, pois sabia que ele era uma ameaça a seus objetivos. Precisava, portanto, estar a par do que ele queria.

Mitiko entrou na sala e trouxe café para eles. Depositou as xícaras diante de cada uma e saiu, lançando um último olhar intrigado naquela cena tão inusitada. Ela notou o olhar severo do rapaz. Fechou a porta atrás de si, travando uma luta interna sobre se deveria escutar aquela conversa ou voltar ao seu trabalho.

9

Ele entrou no quarto de Jin com um cumprimento bastante alegre, assim como vinha fazendo nos últimos dias.

- Boa tarde!

- Boa tarde, como está? – foi a educação que recebeu de volta da senhora Akanishi.

A mãe de Jin ainda era uma mulher esbelta e jovem, uma vez que dera à luz muito cedo. Apesar do seu rosto abatido, ela mantinha o sorriso encantador que ela jamais hesitava em exibir diante daquele jovem que adentrou ao quarto.

Era evidente, no entanto, que chorava, se não o dia todo, ao menos o suficiente para seus olhos ganharem a coloração vermelha. Entretanto, ela estava disposta a não fraquejar e considerava as próprias lágrimas uma reação natural e não uma demonstração de que estava sendo derrotada pela difícil situação em que seu primogênito se encontrava.

A primeira vista, ninguém era capaz de supor o quão forte era aquela mulher de aparência tão delicada. Mas ela foi capaz de suportar muitas coisas até agora e esse incidente era somente mais um obstáculo que deveria pular.

Soube vagamente o que tinha acontecido. Um seqüestro! Seu filho havia sido vítima de um homem vingativo, que tinha sido demitido da agência e não conseguiu aceitar pacificamente o fato.

A história havia sido muito bem contada por Miura-san, mas seu instinto maternal desconfiava de que havia algo mais obscuro naquela história. Não conhecia os sentimentos de uma pessoa seqüestrada, apenas podia imaginar, sem sequer chegar perto da tensão que uma pessoa vive em momentos assim, mas conhecia seu filho. Ele não era de se abater tão fácil... Afinal, essa não havia sido a primeira vez em que ele se viu diante da morte. Ela ainda se lembrava do seu rosto pálido e seus lábios azuis.

Quando criança, ele sofreu um acidente de barco. Um parente o empurrou na água e ele quase se afogou... O seu rostinho estava carregado de medo e confusão quando recobrou a consciência... Uma semana depois, contudo, lá estava ele querendo entrar no mar de novo, como se nada tivesse acontecido...

Diante dessa prova, como ela poderia acreditar que seu filho teria entrado em choque dessa maneira? Não, ela sabia que havia algo mais. Sendo uma mulher paciente, ela decidiu que o próprio filho seria aquele quem lhe revelaria toda a verdade. Portanto, tinha que aguardar a sua recuperação.

- Trouxe frutas para a senhora. – Kamenashi estendeu a sacola em sua direção, evitando olhar diretamente para a cama em que Jin estava.

- Oh, não precisava se incomodar! Arigatou!

- Se a senhora quiser ir para casa descansar, eu estou com a tarde livre, posso ficar aqui!

- Não se preocupe! Agradeço tudo o que tem feito por nós e, principalmente, a amizade que dedica ao meu filho... Eu devo realmente ir para casa um pouco, mas Reio ou meu marido devem ficar em meu lugar, por isso, não se preocupe!

Kamenashi fez que sim, então finalmente foi obrigado a encarar o seu namorado. No dia anterior, logo cedo, Jin fechou os olhos. Apesar de não ser algo significativo, poderia até mesmo ser preocupante, ainda assim, havia sido uma reação. Kamenashi não conseguia definir se o fato dele não tornar a abrir os olhos o incomodava mais do que quando recebia o olhar inanimado de Jin, mas agarrava-se a esperança de que ele ainda estava ali.

Na presença da senhora Akanishi, ele não era livre para desabafar o que sentia, e conversava animadamente com Jin, mesmo que a ausência de respostas o machucasse dolorosamente. Por outro lado, enquanto falava sobre coisas relacionada à banda, os projetos próprios, assuntos triviais, ele sentia-se melhor. Fingir que Jin lhe ouvia aquietava suas preocupações. Por isso, ele contava tudo o que queria que o rapaz ouvisse com um sorriso sincero estampado em seus lábios.

10

Akeko mordeu os lábios, sentindo-se sufocada pelas próprias lágrimas, mas não poderia chorar na frente de Yamashita. Coçou a nuca levemente, com delicadeza, tentando conter aquela angustia que embaralhava seus pensamentos.

Por que esse rapaz está dizendo essas coisas terríveis?

Por que Makoto não está agora ao meu lado para me proteger?

Por que até mesmo Mitiko duvida da minha gravidez?


Recuperando um pouco o controle sobre si mesma, ela colocou um sorriso forçado e fechou os olhos por um instante. Quando os abriu novamente, já estava vestida com a sua postura tranqüila de sempre.

- Ora, Yamashita-san, o que está dizendo? Não vou me ofender pelas suas palavras, vejo que está abatido com alguma coisa e está confuso... Eu não estou grávida? O que pensa que eu carrego no ventre? Desculpe, não é algo que uma mulher gosta de admitir, mas eu engordei oito quilos desde o início desta gestação!

Yamapi sorriu com deboche. Sabia que ela jamais admitiria aquele teatro, mas ele tinha uma carta em sua manga.

- Tsubasa-san, a medicina ainda não consegue reverter a infertilidade!

Ele viu seus olhos tremerem, parecendo assustada.

- Nakamura-san a obrigou abortar anos atrás, não é verdade? Isso provocou que você jamais será capaz de gerar vida novamente...

O ar pareceu mais abafado, sentia cada vez mais dificuldade em respirar. Como aquele insolente sabia sobre o seu passado? Não conseguia atinar como ele poderia estar a par dos acontecimentos de sua vida quando ainda estava no começo de sua juventude... Como ele poderia saber sobre Satoshi? Será que ele sabia? Saberia quem era Satoshi de verdade?

- Por favor, Yamashita-san, na minha condição, eu não posso ficar nervosa... Por favor, peço que vá embora...

Yamapi notou o quanto ela estava abalada com aquela conversa. No entanto, antes mesmo de dizer o motivo que o trouxera até ali, ela parecia inquieta, como se imaginasse que passaria por um momento tenso... Mas, ela teria como imaginar o que ele queria?

Ele estava cada vez mais certo de que aquela gravidez era uma artimanha para ela continuar com Kamenashi, mas não conseguia provar se ela tinha alguma ligação com Harada ou Kirisawa. Se ela estava abalada antes dele chegar, ele cogitou, seria por causa da morte deles? Caso esteja envolvida com eles, por certo não seria tão insensível a essa notícia, mas... Talvez poderia ser algum problema particular que a afligisse. Parentes estava fora de questão, de acordo com os relatos de Mariko e Koichi. Seria por causa do trabalho?

Yamapi deixou para refletir sobre isso mais tarde, era melhor se retirar antes que ela se exaltasse ainda mais, porém, tinha que deixar bem clara as suas intenções. Por isso, ajeitando-se na cadeira, ele disse:

- Eu não vou acreditar nessa gravidez de jeito nenhum enquanto a criança não nascer e não for comprovado que se trata de um filho de Kamenashi. – Yamapi observou atentamente o rosto de Akeko, que não se alterou – Por isso, é melhor você pensar no que você prefere... Prefere contar pessoalmente ao Kamenashi o porque de toda essa mentira ou prefere que eu conte?

Ele se levantou sem se despedir e saiu.

11

Nem ao menos estremeceu quando falei sobre Kamenashi. Acaso, não era para ser um segredo o relacionamento deles? Será que ela pensa que ele me contou ou simplesmente esqueceu de fingir surpresa por eu saber desse fato?

Enquanto se dirigia à saída Yamapi ponderava até onde chegaria a interpretação de Tsubasa. Mas, sensato, ele também refletia até que ponto ele estaria se deixando levar por suas impressões pessoais e misturando a realidade com o que ele queria enxergar.

Entretido em seus próprios pensamentos, Yamashita não notou a assessora Mitiko o observando atentamente e nem escutou aquele murmúrio que escapou de sua boca.

- Kamenashi Kazuya é o pai do filho de Akeko? – ela não conseguia acreditar em suas próprias palavras.

12

Alguém mais estava duvidando daquela gravidez, isso aumentava as suas suspeitas. No entanto, como explicar aquela barriga?

Esse era o pensamento de Mitiko, depois que encerrou o expediente e caminhava em uma livraria, tentando se distrair um pouco da sua tão cansativa rotina profissional. Foi então que seus olhos recaíram sobre uma revista científica, com uma das chamadas de capa que despertaram a sua atenção.

- Gravidez psicológica... Será?

Ela se animou. Ainda que fosse uma situação preocupante, era melhor do que descobrir que sua amiga estava enganando Kamenashi Kazuya para ficar com ele, como Yamashita dera a entender naquela tarde. Mitiko tinha plena certeza de que sua amiga não era uma pessoa má.

- Akeko...

Decidindo pesquisar mais sobre o assunto, pegou a revista e depois foi para a sessão de medicina, procurando algum livro sobre o assunto. Quando encontrou um dedicado a leigos, pagou pelos produtos e correu para casa.

13

Ela cobriu o seu marido com um cobertor deixado por uma das enfermeiras. Ele estava tão cansado, que nem ao menos percebeu que dormia na poltrona, apesar da cama disponibilizada a eles naquele quarto.

A senhora Akanishi estava igualmente cansada, mas seu cansaço era mais psicológico do que físico. Não trabalhava e, durante esses últimos dias, esteve se dedicando à recuperação de seu filho. Seu marido, que fez questão de compartilhar a sua jornada de trabalho com as horas de plantão ao lado do primogênito, deixou que ela fosse para casa naquela tarde para repousar. Dessa forma, fisicamente, ela estava recuperada.

Não conseguiu, porém, ficar muito tempo em casa. Assim que seu filho Reio chegou, ela lhe fez a janta e rumou de volta para o hospital. Ao entrar no quarto, deparou-se com aqueles dois homens de sua vida entregues ao sono. A diferença era que ela sabia que seu marido acordaria a qualquer momento...

Depois que acomodou o senhor Akanishi de uma forma melhor naquela poltrona, ela voltou a sua atenção para o filho. Caminhou até a cama e se inquietou com aquela coberta devidamente arrumada em seu pescoço. Jin não tinha um sono tranqüilo, ela sabia muito bem. Assim como quando está acordado, durante o sono ele era igualmente agitado.

Quando criança, ela se perguntava se o menino poderia estar sempre sonhando com alguma guerra, pois de manhã não havia vestígios de lençol ou coberta. Ele apenas ficava agarrado ao seu travesseiro, quase sem fronha, e deitado nas posições mais inimagináveis...

Com o tempo, isso mudou um pouco, mas, certamente, com o calor que já fazia naquele mês de maio, ele não suportaria aquela coberta grudada ao seu pescoço. Pensando nisso, ela se aproximou e o libertou, abaixando um pouco o cobertor.

Ele mantinha uma expressão tão serena... E isso lhe provocou um arrepio ao relacionar esse fato com a morte. Seu filho não estava morto!

Ela fechou os olhos e se afastou da cama. Era terrivelmente cruel que cenas como essa pudessem acontecer. Uma mãe que não conseguia encarar o próprio filho... Mas era doloroso ver aquele rosto tão tranqüilo...

Aproximou-se da janela e fitou a Lua. Em seguida, uniu as mãos e, sendo cristã, pediu a Deus que cuidasse do seu menino.

14

A luz estava diminuindo quanto mais ele afundava, perdido naquele azul marinho opressor, afastando-se cada vez mais da superfície. Era tão silencioso debaixo da água. E ele odiava o silêncio.

Seu pulmão começou a exigir ar, mas havia apenas água. Sabia que o ar estava lá em cima, bastava movimentar seus braços pequenos e fazer seu corpo subir. Mas ele não subia.

Fechou os olhos. Era o fim.

Mãos fortes o agarraram e ele sentiu medo ao pensar que poderia ser a morte. Não conseguiu resistir. Deixou-se dominar.

Jin... Jin...

A voz desesperada de sua mãe o fez recobrar a consciência pouco a pouco e ele viu aquelas pessoas assustadas diante de si. Engasgou com água que ainda estava dentro de si e tossiu com hesitação, sem compreender o que tinha acontecido.


15

Piscou os olhos lentamente. O soluço entristecido de sua mãe continuava vivo em sua mente. Não suportou aquela escuridão, tinha medo de que estivesse novamente no fundo do mar.

Buscou o abajur, mas sentia seu braço pesado. Moveu sua mão pelo ar. Que desespero, não encontrava nada.

Outro soluço.

Não precisava se preocupar mais, a sua mãe estava ali.

- Mãe... – ele a chamou.

16

- Mãe...

A principio, era um chamado fraco e a senhora Akanishi não tinha certeza se tinha sido algo produzido dentro de sua cabeça ou se, realmente, seu filho a chamava. Interrompeu o choro e se virou na direção da cama. Viu algo se movendo ali. Jin estava com os braços erguidos. Ele a chamou de novo.

- Mãe...

- Oh, meu Deus!

Ela correu até o interruptor e acendeu a luz para visualizar perfeitamente o retorno de seu filho. Jin, apesar da ardência que dominou seus olhos, sentiu-se grato pela luz. A escuridão foi embora.

- Jin!

Ele piscou algumas vezes mais até reconhecer a figura daquela mulher. Disse, de modo embaralhado:

- Molhado... Toalha... Por que me empurraram?

Sem compreender coisa alguma do que seu filho dizia, a senhora Akanishi foi tomada pelas lágrimas. Em um pequeno instante, ficou apenas observando o olhar confuso de Jin, mas depois foi despertar seu marido.

- Querido... Querido, vamos, acorde!

Depois de um pouco de resistência, o senhor Akanishi despertou. Ainda custou-lhe a crer que não estava sonhando e a entender o que sua esposa falava, por fim, quando compreendeu que seu filho havia acordado, ele se pôs de pé no mesmo instante.

Quando viu seu pai, Jin repetiu o seu pedido:

- Toalha, pai... Tô molhado!

Mas, de novo, ele não foi atendido. Foi surpreendido por um abraço que o ergueu quase por inteiro daquela cama. Seu pai era forte. Aquele peito trouxe novamente a escuridão para os olhos de Jin, mas, desta vez, não tinha porque sentir medo. Ali era tão seguro e quentinho... Só não entendia porque sua mãe continuava chorando.

17

O telefone tocava incessantemente na casa de Pi. Sonolento, ele saiu da cama e foi atender. Ainda não tinha despertado por completo quando ouviu a voz chorosa que lhe era bastante familiar. Era a senhora Akanishi e o que o ela contou fez seu sono desaparecer por completo.

18

Kame estava deitado em sua cama, mas não dormia. Em posição de feto, ele mantinha os olhos abertos do mesmo modo que Jin. Algumas vezes, tentava adivinhar o que a mente dele poderia estar projetando dentro da sua cabeça. Estaria revivendo os últimos momentos ou um passado mais distante? Estaria, talvez, tão inerte quanto o resto do corpo? O que poderia ser tão atraente dentro de si mesmo que o impedia de regressar ao exterior?

Suspirou, um gesto cansado e choroso. Afundou sua face no travesseiro, sentindo toda a sua maciez, em busca de algum conforto. No entanto, o algodão dali não era suficiente para protegê-lo dos próprios sentimentos.

Os dias estavam sendo bastante difíceis para Kamenashi. Não tinha ânimo para discutir com Akeko, por isso se manteve afastado. O ritmo do trabalho não estava tão intenso, houve épocas bem piores, mas ele sentia que desta vez cada dia parecia ter 48 horas de tão esgotado que ele ficava ao final do expediente. Em grande parte, isso se devia ao estado de Jin, que lhe sugou metade da sua energia e seu bom humor, mas também aos pensamentos sombrios que preenchiam sua mente.

Ele se martirizava com as recordações daquela noite. Lembrava-se constantemente do susto quando Harada veio até seu apartamento, das coisas incríveis que ele lhe revelou, do medo que sentiu diante de Kirisawa, da dor em ver Jin naquele estado deplorável, algemado a uma cadeira e sendo ameaçado por um lunático... A si mesmo na mira da arma de Harada.

Depois que tomou consciência da sua culpa na violação de Jin, ele também se recordou daquele vídeo preparado pelo namorado para denunciar Harada. Sofreu mais uma vez com todos aqueles momentos.

Reviver esses momentos acabava com a sua disposição, mas era impossível conter as lembranças. Ele havia escapado fisicamente ileso de tudo isso, mas tinha a sua própria seqüela. O remorso.

Kamenashi não teve e oportunidade de contar a Jin que sabia de tudo. De lhe pedir perdão e declarar o quanto o amava. Esses sentimentos, ele foi cruelmente obrigado a sufocar dentro de si diante do silêncio do namorado.

Ele voltaria a se sentir bem de novo quando pudesse despejar o seu amor a Jin mais uma vez, mas, enquanto aguardava por isso, era obrigado a dissimular o seu sofrimento, não queria ser mais um peso para seus amigos naquele momento, por isso havia guardado apenas para si o que Harada lhe contou.

Ele só podia desabafar desse modo, apenas consigo mesmo, sozinho em seu apartamento. Na presença de Koki, Maru, Ueda e Junno, ele vestia o seu melhor sorriso e carregava um discurso positivo na ponta da língua. Mostrava-se forte a todos eles, quando queria, na verdade, chorar nos braços de Jin...

Era por isso que Kazuya estava completamente acordado quando a campainha tocou. Ficou preocupado, quem o visitaria a essa hora da madrugada? Soube no mesmo instante que só podia ser notícias de Jin, o que fez seu coração disparar. Seriam boas ou péssimas notícias? Aflito, correu até a porta sem se preocupar com a própria aparência.

Yamapi lhe sorriu, emocionado, quando a porta foi aberta. E, então, Kame escutou aquelas palavras que tanto desejava:

- O Jin acordou.


19

- Eu não me lembro... – ele desviou seu olhar para o teto e o deixou ali, forçando a sua mente a responder o que lhe perguntavam.

A senhora Akanishi sentiu desespero ao rever aquela expressão distraída em seu filho mais uma vez, mas, para seu alívio, ele estava apenas refletindo e logo voltou a falar.

- Eu não consigo me lembrar o que aconteceu depois que eu saí da empresa com os seguranças... – e Jin depositou seus olhos mais uma vez em Yamada-sensei, para depois encarar os outros médicos que ele não sabia quem eram.

- Tudo bem, tudo bem. – Yamada-sensei mostrou-se compreensivo – Não se irrite com isso agora... As memórias voltarão lentamente... Esteja preparado.

Jin fez que sim e apenas escutou as recomendações dos especialistas. Ele deveria manter repouso e, assim que amanhecer, eles preparariam uma série de exames. Outra série de exames, Jin pensou consigo mesmo, pois, logo depois que seus pais avisaram aos médicos sobre seu estado, ele foi encaminhado, depois de Yamada-sensei verificar sua condição física ao lado de outro médico – que não estava mais sala no momento – a uma sala em que lhe foi tirado o raio-x e outros exames que ele não fazia a menor idéia do que seriam.

Ele ouviu aquelas instruções pela metade, sabendo que sua mãe estava atenta a todos os detalhes, e se permitiu perder-se em pensamentos. Se sua mãe tivesse a capacidade de descobrir o que se passava em sua mente, certeza de que ela lhe daria uns bons cascudos, pois Jin, além de ter mentido, agora revivia todos os momentos que eram a causa de sua estadia naquele hospital.

Jin se lembrava de tudo, afinal. Teve uma pequena confusão mental quando despertou, mas, no meio dos exames, suas lembranças seguiram para seus devidos lugares. Sabia que seu quase afogamento havia sido durante sua infância e que recentemente ele tinha sofrido um seqüestro.

Ele só não se recordava de como havia saído daquele lugar horrível em que presenciou as mortes de Kirisawa e Harada. Na verdade, ele não tinha certeza de que estavam mortos, mas imaginava que sim. Havia muito sangue esparramado e os tiros atingiram lugares preocupantes.

Kazuya...

Como estaria o seu pequeno? Ele queria notícias suas, mas não se atrevia a perguntar nada, pois tinha medo de se trair, não estava confiante em sua própria língua. Sentia-se cansado, sonolento, às vezes não conseguia pronunciar as palavras que queria, dizia outras, julgando-as corretas, mas as pessoas lhe olhavam com confusão. Que irritante.

Decidiu fechar os olhos por um instante, mas foi um gesto imprudente, sentiu seu ombro sendo sacudido logo em seguida. Abriu os olhos e encontrou a sua mãe, visivelmente tensa, o observando.

- Quero dormir! – ele protestou.

- Querido, você já dormiu por cerca de seis horas... Os exames foram adiados para o final da tarde...

Mentira! Eu só pisquei! Era o pensamento que ele queria proferir em voz alta, mas sua mãe disse antes:

- Você precisa se alimentar e, além disso, seus amigos estão aqui... Eles vieram pouco depois que você dormiu e estão esperando até agora! A não ser que você esteja se sentindo mal, posso pedi-los para entrar?

- Eu estou bem... – ele bocejou.

Jin tentou se erguer, e só então notou a presença de seu irmão, pois foi ele quem o ajudou a se sentar na cama, enquanto sua mãe saiu para chamar seus amigos. Quem seria? Ele esqueceu de perguntar, mas um deles só podia ser Pi. Ficou um pouco ansioso em supor que a outra pessoa fosse Kazuya.

- Cadê o pai?

- Foi para casa assim que você dormiu. Disse que ia para o trabalho! – explicou Reio.

- Ele não muda... – Jin riu de leve, um riso fraco.

- Mas ele estava muito animado para trabalhar! – Reio lhe sorriu com cumplicidade – Vê se não dá mais preocupações para a família, ouviu? – pediu, dando um leve tapa na cabeça do irmão.

O contato fraternal foi interrompido quando a porta se abriu e a senhora Akanishi, escandalizada, bronqueou:

- Não bata na cabeça do seu irmão, Reio!

- Por que, mãe? A essa altura, ele não vai ficar mais tonto do que sempre foi!

- Não se supõe que os caçulas devam respeitar os mais velhos? – Jin reclamou, enfadonho.

A ligeira irritação com Reio foi deixada de lado assim que seus olhos pousaram em seus visitantes, os quais ele tinha cogitado corretamente serem o seu melhor amigo e o seu namorado. Sorriu, de modo a incentivá-los a se aproximarem, pois ambos pareciam hesitantes. Kazuya certamente pela presença de sua família, mas não entendia a hesitação de Pi. Jin percebeu, então, o quanto seu amigo estava abatido.

20

Ele estava ali. Acordado, brincando como sempre. Apesar do rosto cansado e ainda pálido, Jin estava ali. Essa imagem pareceu despertar o seu próprio coração, que imediatamente passou a bater fortemente. A sua vontade era de correr até ele e tomá-lo em seus braços, para certificar-se de que desta vez ele responderia aos seus apelos. Entretanto, a mãe e o irmão de Jin estavam ali, não poderia ser tão irresponsável. Contendo sua ansiedade, Kamenashi permaneceu próximo à porta.

- Bem, deixaremos vocês a sós por um instante. Jin, eu pedirei para enfermeira trazer o seu almoço.

- Estou um pouco enjoado... – ele protestou.

- Mas você tem que voltar a se alimentar aos poucos, querido! – ela explicou lentamente, como se falasse a uma criança – Fiquem à vontade! – disse, dirigindo-se a Kamenashi e Yamapi.

Em seguida, a mãe de Jin saiu com Reio, não sem antes tocar a face de Yamapi e comentar que ele estava muito bonito com os cabelos negros. Um pouco constrangido, ele agradeceu.

- Não a leve a sério. – Jin pediu, abanando a mão – Sabe que opinião de mãe não conta, né?

Apesar do gracejo, Yamapi não respondeu, apenas o olhou com uma certa indignação. Como sempre, Jin agia naturalmente após lhe causar uma grande preocupação. A sua voz fraca dizendo aquelas palavras extrovertidas lhe causavam uma dorzinha em seu coração, ao mesmo tempo em que era um grande alívio vê-lo bem. E esse conflito de sentimentos o paralisou, por isso ele apenas observava o amigo, como se ainda não fosse capaz de crer que ele estava de volta.

Jin piscou os olhos e olhou de um para o outro. Odiava esses momentos silenciosos, que eram sempre os responsáveis por lhe despertar o lado mais idiota de seu espírito, fazendo-o dizer besteiras descontroladamente.

- Né, vocês não precisam ficar com essa cara de enterro... Pelo que me contaram, eu só dormi alguns dias... Eu tava mesmo cansado, ok? Agora não seria o momento de vocês me encherem de abraços e chorarem pelo meu retorno?

- Baka! Não seja tão irresponsável com os sentimentos dos outros!

Jin, apesar da bronca, sorriu para Kazuya. O seu pequeno era sempre o primeiro a revidar suas provocações. E seu sorriso aumentou ainda mais quando viu a expressão zangada dele se desmanchar em uma mais aliviada. Ele finalmente se aproximou e o olhou com carinho.

- Eu tinha te pedido, na época daquele seu colapso, para não me assustar mais desse jeito, eu não tinha? – por mais que se esforçasse, a sua voz não saiu exatamente zangada, ao contrário, ela era hesitante e chorosa.

- Oh, gomen! No que estiver ao meu alcance, prometo que isso não vai se repetir! – diferente de Kazuya, Jin manteve seu tom de voz irônico, querendo preservar um clima de bom humor.

- Como você está se sentindo?

- Um pouco cansado... Meu corpo dói, mas disseram que é porque eu não o movimentei esses dias, então eu ainda devo ficar mais um tempo no hospital. Pelo menos, até os exames saírem.

- Você lembra de alguma coisa?

Jin ficou sério. Não estava disposto a falar sobre o que tinha acontecido, mas logo percebeu que não era sobre isso que Kazuya indagava.

- Enquanto você esteve dormindo... Você lembra de alguma coisa?

- Se eu sonhei, você quer dizer?

- Também... Mas sua família esteve aqui todo esse tempo, nós conversamos com você... Você lembra de alguma coisa nesse sentido?

Ele sacudiu a cabeça, negando. Explicou que tinha a sensação de ouvir vozes, mas eram palavras embaralhadas, não fazia muito sentido e a única coisa que ele tinha sonhado era com uma lembrança do passado, mas ele não explicou a Kazuya do que se tratava.

- Foi uma coisa muito esquisita essa que aconteceu com você. – Kazuya comentou – Foi horrível...

- Gomen, Kazuya...

- Não estou te culpando, imbecil!

- Adoro o seu carinho!

-... Só estava dizendo que senti sua falta e o que foi muito ruim, muito mesmo, ficar sem ouvir a sua voz.

Jin ficou surpreso com aquela declaração e depois achou graça no jeito tímido do rapaz. Nesse momento, Yamapi limpou a garganta para lembrá-los de sua presença.

- Pi, você está mais quieto que o de costume... Eu estou bem, não se preocupe que você não se livra de mim facilmente!

- Não tenho essa sorte!

- Ora, porque todo mundo me responde desse jeito? – resmungou, lembrando-se de Junno - Custa dizer que sofreu em pensar que eu ia morrer? Meu ego agradeceria, sabe, e... Pi... Você... Está chorando?

Kazuya olhou para Yamapi, repreendendo-se por esse gesto ao perceber que isso havia incomodado o outro rapaz, que virou o rosto. Ele tinha se mantido calado até aquele instante para evitar esse tipo de cena, mas a verdade é que já estava incontrolável o seu choro. Era um alívio tão grande ver seu melhor amigo novamente que ele não foi capaz de impedir seus sentimentos desta vez. Por sorte, apenas Kamenashi e Jin eram testemunhas dessa sua demonstração de afeto.

- Meus olhos andam sensíveis! – ele tentou se justificar, enquanto fungava, ainda olhando para a parede atrás de si.

Enquanto não tinha coragem de encará-los, Yamapi não notou a movimentação de Jin. Apenas percebeu que ele tinha deixado a cama quando aqueles braços calorosos envolveram o seu pescoço.

Apesar da sensação agradável, Pi tinha consciência de que Jin estava apenas molestando-o. Aquele palhaço gostava de vê-lo em situação constrangedora e sabia que isso faria o seu choro aumentar de intensidade. Teve certeza disso quando, ao virar seu rosto para encará-lo, notou aqueles olhos curiosos fitando atentamente cada lágrima sua, como se fosse a primeira vez que via tal coisa.

- Baka! – foi o máximo que Pi conseguiu proferir e voltou a chorar, embora manifestasse um sorriso também.

21

Kazuya saiu do quarto alegando que pegaria café para Yamapi e ele, a pretexto de deixá-los a sós. Embora seu coração brigasse com sua consciência no instante que fechou a porta, pois era evidente que estava enciumado, sabia que isso era o certo a fazer naquele momento.

Sentiu inveja de Pi, mais uma vez. Caso a senhora Akanishi os pegasse em flagrante naquele abraço terno, o máximo que aconteceria seria uma bronca por Jin estar de pé. Ainda que seu estado não fosse tão grave a ponto dele não poder se levantar, mas ele estava debilitado. Ela não julgaria aquele sentimento entre eles, pois certamente o consideraria apenas fraternal. Do lado de Jin, ela acertava, mas será que poderia suspeitar o que já tinha acontecido entre eles?

O fato era que se, ao invés de Pi, fosse ele quem estivesse abraçado de tal forma com Jin, ainda que tivesse esse direito por ser seu namorado, seria realmente constrangedor. A senhora Akanishi não veria apenas amizade nesse gesto, isso porque ele não seria capaz de camuflar seu verdadeiro sentimento.

Jin estava desperto agora, mas não era possível desabafar o que Kazuya tanto queria desde que soube toda a verdade de Harada. Teria que ser paciente e esperar mais um pouco.

Apertou o botão da máquina de café e, depois que pegou a bebida, encostou-se à parede. Tomou um gole, sentindo aquele gosto amargo lhe revigorar aos poucos sua energia. Então se lembrou de ligar para Ueda e contar a novidade. E ele também tinha que explicar o porque de ter faltado no ensaio daquela manhã... Apesar de saber que a agência, àquela altura, provavelmente já estava a par do estado de Jin. Por um tempo, isso afastou os pensamentos sobre Yamapi e Jin de sua cabeça.

22

Despertou subitamente naquela madrugada. Ao ajeitar-se de lado, ele distinguiu a figura de seu pai repousando na poltrona, de novo.

Por que o velho insiste em dormir ali quando há uma cama bem a sua frente? Jin gostaria de saber. Que cabeça dura! Ah! Já sei a quem eu puxei...

Não deu muita atenção ao seu pai, no entanto. Acordou inquieto, talvez porque já estava cansado de dormir. Depois que Yamapi e Kamenashi foram embora, ele almoçou – uma sopa, já que seu estômago ainda não estava apto a receber alimentos sólidos – e caiu no sono mais uma vez. Foi acordado para os exames e, quando retornou, dormiu até agora.

- Ahhh... eu quero um cigarro! – resmungou, bem baixinho, a si mesmo.

Voltou à posição original, deitado com a barriga para cima. Olhou para o teto. Aquele teto branco e limpo, sem uma rachadura, de sempre. Que tédio. Deu às costas ao seu pai e fitou a porta que levava ao banheiro do quarto. Terrivelmente silencioso. Bufou.

Então, sem pedir licença, a voz de Kirisawa ressoou em sua mente, contando-lhe mais uma vez sobre Sayuka. Dessa vez, o impacto daquela informação não foi tão forte e, na verdade, ele percebeu que faltavam detalhes importantes naquele relato.

O que foi que eu fiz?
Quando ela se matou?
Como ela se matou?
Será que o seu corpo foi cremado ou enterrado?

As últimas perguntas que fizera a si mesmo eram a mais importante para ele. Queria saber tudo sobre esse caso para, de alguma forma, pode recompensar aquela menina. Se estivesse enterrada, poderia descobrir o cemitério e visitá-la, mas caso tivesse sido cremada, suas cinzas certamente estavam com a sua família. Teria coragem de encarar outro parente? Eles deveriam odiá-lo, assim como Kirisawa. Talvez com menos intensidade, mas, ainda assim, deviam odiá-lo.

Estava assustado com tamanho ódio vindo de uma atitude sua que ele sequer se recordava. Percebeu que qualquer ato seu poderia ter conseqüências irremediáveis. Isso era algo natural para qualquer humano, basta estar vivo.

Qualquer atitude gera uma conseqüência positiva ou negativa. Ninguém está livre disso, mas, ele ponderou que o fato de ser uma pessoa presente na mídia apenas ampliou essa responsabilidade. Pessoas como ele, Kazuya, Pi e Ryo, desde que começaram a trabalhar como artistas entraram no imaginário de muitas pessoas...

Todos os dias e noites, em qualquer lugar e hora, alguém estava sonhando com um deles. A eles, isso não mudava absolutamente em nada, porque eles sequer tomavam consciência de tais sentimentos. Respeitavam seus fãs, mas era impossível conhecer todos os seus nomes, seus rostos, sua identidade, sua individualidade.

Por outro lado, para aquela pessoa que ama seu artista, é um sentimento intenso devotado a uma pessoa que ela conhece muito bem, sabe de cor seus gostos, o modo como sorri, o tom de sua voz, os seus tiques e, até mesmo, alguns defeitos.

Era um jogo injusto, esse o do mundo do entretenimento, concluiu. Injusto para as duas parte, porque, elas não podem ou devem ser realmente responsabilizadas por nada. Era um jogo que estava acima da capacidade de qualquer um dos lados. Eles apenas cumpriam seus papéis... Ele, o de promover uma felicidade ilusória aos fãs, enquanto iludia-se a si mesmo com seus próprios talentos de cantor, ator, apresentador, como se fosse realmente dono dessas qualidades. E os fãs, o de consumir de modo desenfreado tudo ao seu respeito. Desse modo, eles eram as engrenagens que faziam a máquina do entretenimento funcionar dentro do sistema capitalista...

Naquele instante, Jin percebeu que era apenas uma marionete. Estava totalmente amarrado por aquelas cordas que controlam o boneco, mas que o público não pode ver. Mordeu os lábios, contendo a sua revolta e impedindo o seu suspiro resignado.

Teria como escapar desse jogo?

Ele só via uma possibilidade.

Fazia muito tempo, ele pensou, desde que esse sentimento de deixar o Japão e ir embora o incomodou pela última vez. Naquela época, estava apenas no início das torturas de Harada. Ao que parecia, essa vontade não tinha desaparecido por completo. Alojou-se em algum canto do seu coração e agora esta despertando novamente...




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Nara
Johnny's senior
Johnny's senior
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 2833
Idade : 33
Localização : São Paulo/SP
Emprego/lazer : bióloga
Unit Favorita : NewS, Arashi, Kanjani8, V6
Data de inscrição : 26/05/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Seg Abr 26, 2010 3:56 am

aiai Mitiko cmo vc é ingenua
tadinhaa imagina qdo souber td q a akeko ja fez :/
ms cmo se explica a barriga dela?
gravidez psicologica foi o q pensei tbm ^^
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://micellanews.blogspot.com/
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Maio 01, 2010 8:34 pm

A Akeko sabe envolver as pessoas, esse é o seu maior trunfo e algumas pessoas boas como a Mitiko e o Kame foram facilmente enganados por ela -.-!

A gravidez dela ainda vai causar alguma revolta u.u'' rsrsrs

Obrigada por continuar acompanhando essa fic tão gigante ^^! rsrsrs

Beijoss




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Maio 01, 2010 8:41 pm

Casa

1

Alguns dias depois...

A saudade apertou quando se viu diante daquela casa. Era incrível como só se é capaz de perceber o quanto sente a falta de alguma coisa quando se depara com ela novamente. Quando se está longe, existe a ilusão de que a saudade é possível de se controlar. Era justamente isso o que Jin sentia diante da casa em que passou a sua infância.

Atravessou o portão e foi recebido por latidos altos e alegres. Largou a sua mala no chão e ajoelhou diante da recepção de Ten e Maru. Abriu os braços para envolvê-los, enquanto eles procuravam afoitamente pelo seu gosto, sendo atiçados pelo seu cheiro desde que o carro havia estacionado, lambendo-o com certa agressividade.

- Tadaima! – ele disse aos animais e interpretou seus latidos como “okaeri”.

- Jin, não os deixe lamber seu rosto dessa forma! – sua mãe o repreendeu – Levante-se e vá se lavar!

Ela suspirou, sabia que era inútil dizer qualquer coisa a seu filho quando ele estava envolvido com seus amigos caninos. Nesses momentos, ela tinha que admitir que Jin deixava qualquer racionalidade de lado, tornando difícil distinguir qual dos três era de fato o seu filho.

2

- Ah!! Faz tempo, né?

Ele entrou sorridente em seu quarto, após se lavar devidamente para escapar de mais uma onda de protestos de sua mãe. Admirou o lugar, reparando que continuava o mesmo.

Olhou o armário, abriu a janela, sentou-se na cadeira do computador, rodopiando sem sair do lugar, recordando-se da época em que passava algum tempo pesquisando a matéria da prova que teria no dia seguinte. Ele admitia que nunca foi um aluno exemplar e sempre estudava em cima da hora.

- Ora, não seja imprudente, Jin! – sua mãe ralhou, entrando no quarto logo em seguida para ajeitar a bagagem do filho.

- Acalme-se, okaa-san! Eu já estou bem!

- Não está tão bem assim, tem que ir devagar agora!

- Pode deixar minha mala do jeito que está, mãe. – ele pediu, levantando-se – Eu arrumo depois e, de qualquer maneira, não vou poder ficar mais do que três dias aqui... Tenho que voltar ao trabalho.

O olhar apreensivo de sua mãe não lhe passou despercebido. Jin a olhou com curiosidade, mas sem muita preocupação. Tinha uma vaga idéia do que ele estava preste a dizer. No hospital, várias vezes ela jogou indiretas sobre ele largar o emprego.

- O que foi, mãe?

Ela não queria realmente tocar nesse assunto agora, mas houve essa brecha. Além disso, no momento, estavam apenas os dois em casa, de modo que a conversa poderia ser totalmente à vontade.

- Né, Jin...

- Un?

- Miura-san informou que aquele homem, Kirisawa, foi demitido e quis se vingar... Por isso o seqüestrou.

Jin fechou a cara. Ainda não queria falar sobre o assunto... Mas, será que um dia ele teria vontade de tocar nessa questão? Não sabia. Deu as costas para sua mãe e remexeu em sua mala, retirando as outras peças de roupas que ainda estavam ali e começando a pendurá-las ele mesmo em seu armário.

Apesar do gesto brusco de Jin, a senhora Akanishi não lhe deu muita atenção e continuou a dizer o que queria.

- Foi isso mesmo o que aconteceu?

- Un. – ele murmurou – Foi exatamente assim.

- E... Você quer voltar para aquela empresa mesmo assim?

- Não se preocupe, mãe... – foi a sua resposta vaga, depois de um longo momento de silêncio.

- Como não vou me preocupar, Jin? Você por acaso sabe explicar o que aconteceu com você? Onde você esteve esses dias? Como você retornou? Pode ter uma recaída?

Jin interrompeu seu movimento de pendurar sua camisa xadrez favorita – a vermelha e preta – e engoliu em seco. Não queria fazer sua mãe se desesperar dessa forma, mas como poderia contar-lhe toda a verdade? De que maneira poderia explicar os atos de Harada? Pior, como ele poderia explicar que se sujeitou a tantas humilhações por que amava um homem? E que, no meio do seqüestro, temeu tanto a morte de Kazuya que por um minuto pensou que teria uma parada cardíaca?

- Mãe, a minha matéria favorita sempre foi o intervalo das aulas.

As sobrancelhas da senhora Akanishi se ergueram em uma indagação. Pensou que seu filho estivesse delirando novamente e se inquietou.

- Por isso... – Jin prosseguiu – Eu não posso explicar o que me aconteceu... Não sou estudioso e nem me formei médico...Ainda bem, diga-se de passagem, só por esse fato muitas vidas foram salvas! – ele riu.

Ela balançou levemente a cabeça em repreensão. Seu primogênito era um irresponsável. Brincava nas piores horas, mas, em seu íntimo, sentia-se bem que ele demonstrasse tamanho bom humor, ainda que fosse apenas para provocá-la naquele momento.

-... Mas, mãe... Não fique temendo que isso pode acontecer novamente... E não pense em coisas que não existem, ok? Foi um trauma, eu vi duas pessoas se matando na minha frente...
Jin hesitou, procurando coragem para dizer o que queria. Pensava que não precisava ficar envergonhado diante de sua mãe, mas não era fácil admitir uma fraqueza.

- E... – ele começou lentamente - Eu posso dizer para você que... Afinal, você é minha mãe, não vai zombar de mim, só não conte ao Reio para ele não me perturbar depois... – Jin pareceu cogitar alguma coisa dentro de sua cabeça - Nem ao pai, porque ele é muito boca mole e vai acabar contando ao Reio... – por fim, ele atrasou mais uma vez sua confissão ao se lembrar de mais uma pessoa - Não conte nem ao Pi, está bem?... – e, então, finalmente, ele fechou os olhos e deixou escapar o que realmente queria: - Mas... A verdade é que eu tive muito medo... Eu realmente senti medo... Muito...

- Querido...

A sua mãe o puxou para a cama, fazendo-o repousar em seu colo, como na época em que ainda era menino. Alisou o seu cabelo, afagou-lhe a nuca, enquanto esfregava um de seus ombros, consolando-o sem dizer uma palavra.

- Eu pensei que não voltaria a te ver mais, mãe... Nem ao pai... Nem ao Reio... Nem ao Ten e o Maru...

Então, Jin se calou. Fechou os olhos para apreciar o carinho de sua mãe. Era muito bom estar em seu colo novamente. Tinha vontade de lhe contar tudo, mas sabia que seria pior dessa forma. Ele teve que se contentar em receber o conforto apenas das mãos da senhora Akanishi. E isso já era muito, em sua opinião, principalmente por que ele esteve de fato a um passo de perder os afagos de sua mãe.

3

Acordou mais disposto no dia seguinte. Na verdade, ele já poderia retornar às suas atividades, já estava recuperado para isso, mas decidiu aproveitar aqueles dias de folga ao lado de sua família. Por isso, ele fez questão de se levantar cedo e pegar seu pai e irmão durante o café da manhã.

- Ohayou!

A senhora Akanishi ergueu os olhos para o filho que descia a escada. Perdeu-se em recordações antigas, quando ele e Yamapi, na época do colégio, desciam os degraus fazendo muito barulho. Seu filho havia mudado bastante daquela época. Apesar de manter traços infantis, sua voz já era mais grossa, seus ombros mais largos e seu rosto mais cheio.

- Ohayou, Jin.

Os cumprimentos de seus pais foram mais animados que o de Reio, que, sonolento, mal se entendia o que ele estava pronunciando. Jin não se importou, fazia tempo que eles não se sentavam à mesa todos juntos no café da manhã. Podia ter uma imagem rebelde divulgada na imprensa, mas ele gostava bastante desses momentos familiares. E esse gosto estava ainda mais aflorado depois de tudo o que sofreu.

A mãe de Jin retornou à cozinha para buscar a refeição de seu filho. No seu último dia de internação, ele já estava comendo de tudo, então ela não se preocupou em fazer tudo o que seu filho mais gostava.

Quando retornou à sala de jantar, encontrou seus homens rindo de alguma coisa e Jin batendo de leve nos ombros do pai, gracejando com ele. Aquela risada escandalosa, estridente, a senhora Akanishi não tinha percebido até então o quanto ela fazia falta naquela casa. Dizem que se criam os filhos para o mundo, mas, naquele momento, se ela pudesse, trancava a sua casa a sete chaves e as jogava fora...

Era pedir muito que seus filhos permanecessem ao seu lado para sempre?

Afastou este desejo, sabendo ser um absurdo, e serviu a refeição matinal a Jin, que agradeceu a comida e não hesitou em devorá-la. A comida da sua mãe era a melhor do mundo! Principalmente depois de uma temporada digerindo apenas comida hospitalar.

A refeição familiar ocorreu em um clima bastante harmonioso e divertido, mais que o normal, e Jin sabia que todos eles estavam querendo enchê-lo de mimos, até mesmo Reio, embora disfarçasse ao máximo. Em pensamento, agradeceu à sua família.

4

- Não cometa abusos, Jin! – foi a recomendação de seu pai, antes de sair com Reio para o trabalho.

- Hai, hai! Eu sei disso! Vou apenas levar o Maru e o Ten para passear! – foi a sua resposta, enquanto terminava de calçar os tênis na entrada da casa.

- Obedeça mesmo ao seu pai! – pediu a senhora Akanishi, aproximando-se do marido e do filho caçula para desejar bom trabalho aos dois.

Jin se levantou e, ao lado de sua mãe, imitou os gestos dela. Ergueu uma das mãos e acenou para seus parentes, enquanto afinava a voz para soar como a mulher ao seu lado, dizendo ao mesmo tempo em que ela:

- Itterashai! (*Vá com cuidado)

A senhora Akanishi lhe lançou um olhar de reprimenda, ao que Jin retribuiu contendo o seu riso e a olhando com pouca seriedade. Ela não agüentou e riu, voltando em seguida para seus afazeres domésticos.

- Ei, mãe! Me deseje “itterashai” também! – Jin reclamou diante do descaso dela – Mãe!

- Ah-ah! Você anda muito carente, Jin!

- Ora, você devia aproveitar que seu filho mais velho está em casa por alguns dias... Não é sempre que tem essa chance, aproveite senhora Akanishi! Ittekimasu (*Estou indo).

- Itterashai! – o tom de voz dela foi meloso demais, apenas para zombar do filho.

Rindo, Jin vestiu o capus de seu casaco, colocou óculos escuros e saiu. Como se eles tivessem compreendido que sairiam a passeio, os cães se aproximaram alegremente de Jin, embora sem aquela afobação do dia anterior, uma vez que não podiam saber que a estadia do rapaz seria curta, não tinham como se afligir com o pouco tempo que passariam com ele.

- Ow, fica quieto, Maru! – Jin tentava colocar a coleira naquele cachorro rebelde – Vamos, sem manha! Ten vem cá... Você devia aprender a ser bonzinho como Ten, Maru!

Com os animais presos naquela coleira dupla, Jin abriu o portão e parou um instante, pensando qual caminho seguiria. Decidiu que valia a pena caminhar próximo ao colégio em que estudou. Ainda era cedo, mas os estudantes já deviam estar dentro das salas, portanto, os arredores estariam tranqüilos.

Apesar de ser a mesma cidade, Tóquio, aquela área era um pouco menos movimentada que o centro e o bairro em que Jin morava. E, mesmo que fosse menos de meia hora de distância entre suas duas casa, o ritmo do seu trabalho o impedia de visitar seus pais com freqüência.

Era incrível como sendo bairros praticamente vizinhos ele não fosse capaz de passar por ali em um intervalo de tempo razoável. Tinha a impressão de que tinha se mudado de país. Tantas coisas mudaram enquanto esteve afastado.

A casa de jogos em que costumava matar aula já não estava mais ali. Havia sido substituída por uma casa de karaokê. Os lugares em que costumava comer naquela época foram todos reformados e alguns deles até mudou a linha de alimentos com a qual trabalhavam. Sentia falta da barraca de lámen que ficava na esquina da sua escola.

Estou sentimental outra vez... Que droga!

Não é que fosse algo ruim sentir falta de seu passado, mas, no momento em que ele se encontrava, qualquer traço de saudade de uma época anterior ao KAT-TUN, anterior a Johnnys, aumentava o seu cansaço. Jin chegou a se perguntar se conseguiria voltar para o ritmo de ensaios diários, gravações, fotos, shows...

As luzes dos estúdios já não eram tão atraentes, a fumaça dos palcos se tornou sufocante e o clamor do público chegava até atemorizá-lo. Jin estava incerto se o entretenimento era o seu caminho. Ah, como desejava voltar ao passado, ao dia em que ele deveria participar de uma audiência na Johnnys. Se ele tivesse faltado a esse compromisso, como seria sua vida agora?

Foi então que, ao dobrar uma esquina, ela surgiu como se fosse uma resposta para a sua pergunta. Anos tinham se passado desde a última vez em que se viram, mas ele a reconheceu de imediato. Aquele olhar gentil era único, assim como as covinhas que se formaram quando ela lhe sorriu. Apesar da touca e dos óculos, ela pode reconhecê-lo facilmente...

- Jin...

- Yuko!

E por falar em passado... Será que o choroso Jin de quinze anos poderia imaginar que um dia reencontraria Yuko casualmente na rua sendo capaz de sorrir como ele fazia agora?

- Jin! – o sorriso dela aumentou.

5

- É tão incrível que o meu colega de classe tenha se tornado tão famoso! – ela comentou, após um longo gole do suco de melão, acomodada em uma mesa do parque em que decidiram parar e conversar.

- Aposto que você está arrependida em ter me dado um fora naquela época, não? Você poderia ter se tornado a senhora Akanishi e desfrutar comigo desse sucesso!

Yuko riu alto.

- Baka! Você continua dizendo baboseiras? Como os jornalistas perdem tempo entrevistando alguém como você? Claro que eu estou completamente arrependida em ter dado um fora em você, não está vendo meus olhos brilhando, tomados por lágrimas de remorso? – ela disse isso, inclinando a cabeça para o lado, marota.

Jin, então, se lembrou do porque ele tinha se apaixonado por aquela garota. Ela era uma das poucas pessoas que o acompanhavam em seu bom humor. Yuko era tão ou mais animada que Jin, era bastante popular na escola por conta disso. Além da sua beleza, que apenas aumentou nesse tempo em que não se viram.

Quando tinha dezesseis anos, ela mantinha os cabelos curtos, alegando que era melhor para praticar esportes. Yuko era bastante moleca. Preferia jogar vôlei, basquete e até futebol – outro ponto que Jin adorava – a ficar cuidando da própria imagem. Ela tinha sorte de ser naturalmente bonita, porque realmente ela não se ajudava nem um pouco. O único momento em que a viam usando saia era com o uniforme escolar, fora isso, ela sempre esteve de moletom, para ter maior mobilidade enquanto brincava com seus amigos.

Yuko sempre foi rodeada pelos meninos da rua, quase todos apaixonados por ela, mas o motivo para isso de fato era que ela não tinha paciência com as meninas. Julgava a todas como choronas e fúteis. Além disso, os meninos sempre estavam praticando algum esporte, que, já se tornou óbvio, ela era apaixonada.

Tendo essa imagem dela, foi uma surpresa para Jin revê-la com os cabelos longos. Estava vestindo jeans, ele notou, mas era um modelo da moda, que lhe acentuava bem o quadril e uma blusa de rendas, cor-de-rosa. Estava bastante feminina. Estava linda!

- A bem da verdade, eu não me arrependo nenhum pouco, Don Juan! Aposto que teríamos terminado em dois tempos... Nascemos para nos tornarmos amigos, Jin, nada mais do que isso... Eu teria me arrependido era de perder o seu companheirismo... Lembra quando trancamos o Fukuda na sala de ciências? Ele odiava aquele esqueleto que tinha lá...

- Você sempre teve uma mente voltada para o mal! – ele riu com a lembrança.

- Olha quem fala! Não se lembra do que você fez com o professor Ensou? Aposto que ele está tomando calmante até hoje depois de ter sido seu professor durante três anos!

- Que isso, ele me adora! Só porque eu sempre levava algum animal para a aula dele? Ele não era professor de biologia, afinal?

- Tudo bem, mas levar um filhote de raposa foi um pouco demais, não? Além disso, como diabos você conseguiu aquela raposa?

Eles reviveram o passado durante algum tempo, conversa que ajudou o rapaz a se animar. Depois disso, Jin ficou sabendo que, após o colégio, Yuko se mudou para o sul do país. Agora ela retornava para Tóquio a fim de terminar os estudos. Teve que interromper a faculdade de psicologia para ajudar nos negócios da família, que passou por um período complicado depois que seu pai faleceu, mas agora já estava tudo reestruturado e ela pode finalmente voltar.

- Ficarei até o fim da faculdade... Se arranjar emprego eu fico, se não, volto a morar com minha mãe. Bem, só o tempo dirá o que acontecerá comigo... Mas penso em estudar fora também! Inglês, hoje em dia, é fundamental em qualquer profissão!

- Eu devia imaginar que casar e constituir família não faria parte dos seus planos! – ele comentou sarcasticamente.

- Ora, quando eu encontrar alguém que dê valor a uma mulher independente e inteligente, obviamente eu casarei! Mas não agora... Tem tanta coisa que eu quero conhecer ainda! E você, Jin, conseguiu encontrar alguém que o faça tirar a minha imagem do seu coração?

-... Você sabe provocar, não?

- Afinal de contas, Akanishi Jin era apaixonado por mim e não ao contrário! – e ela lhe sorriu divertida.

- Maldita hora em que me incentivaram a revelar meus sentimentos a você! Se eu soubesse antecipadamente como seria, teria ido para o túmulo sem dizer uma palavra!

- Você acabaria revelando, com ou sem incentivo de terceiros!

- Ah, é? Por que tem tanta certeza?

- O meu charme iria te consumir até você se sentir sufocado e se tornar incapaz de conter o amor que sentia por mim!

- E o convencido sou eu?

Ela riu e voltou a insistir na pergunta original. Aí, Jin aproveitou para zombar dela.

- Encontrei sim, encontrei no dia seguinte ao fora que você me deu... Essa pessoa certamente expulsou você do meu coração rapidinho! Não que tenha sido uma missão difícil!

- Oh, que cruel! – ela continuou na brincadeira – De verdade, Jin, você está feliz?

Ele se perguntou que tipo de pessoa era capaz de converter uma conversa divertida em algo tão sério? Essa era a Yuko.

- Ahhh... – ele gemeu, um pouco tímido – Felicidade é algo relativo, não?

Yuko o observou se espreguiçar e depois se apoiar na mesa, com os braços cruzados. Ele apoiou a cabeça em um dos braços, olhando para seus cães, amarrados ao pé da mesa. Sem os óculos, ela notou aquele brilho cansado nos olhos do seu amigo mais querido de sua infância. Se Jin não mudou muito daquela época, como ela acreditava que fosse verdade, então tinha algo o incomodando. E era algo grave, já que aquele garoto desmiolado não costumava se preocupar com nada.

Ela, porém, não pode perguntar o que o incomodava, pois Jin voltou a dizer:

- Se você quer saber se eu estou bem com alguém... Sim, eu encontrei mesmo alguém que me faz muito feliz! Foi muito difícil, mas agora estou com essa pessoa... Por que as pessoas por quem eu me apaixono me dão um fora? – e ele encarou Yuko, que ficou tímida, fazendo-o rir – Essa pessoa me deu um fora, mas agora é completamente doida por mim! Está vendo, um pouco mais e você se apaixonaria perdidamente por mim!

- Baka! – ela o estapeou – Aposto que você deu muitos foras nessa vida... E, atualmente, deve ter um monte de menininhas correndo atrás de você. Dê-se por satisfeito.

Jin sabia que não havia acusação na frase da amiga, mas ele se lembrou de Sayuka. Sentiu seu peito doer.

- Oh! Acho que ficamos muito tempo conversando e nem vi a hora passar... Gomen, Jin, preciso voltar para casa e ajeitar as coisas da mudança. Até quando você fica na casa dos seus pais?

- Até amanhã... Depois eu volto para o meu apartamento, mas não é longe daqui, anote o endereço e vá me visitar!

- Ok! Mande lembrança aos seus pais e ao Reio...

- Pode deixar... Ah, pensando bem, porque não passa lá em casa mais tarde? Minha mãe vai gostar em te rever!

- Hum... Pode ser... Te ligo pra combinar melhor, o número continua o mesmo?

Jin fez que sim, mas também passou o número do seu celular e anotou o dela. Depois disso, eles se despediram. Ele ainda ficou ali, enquanto ela se afastava, refletindo naquele encontro casual e tão divertido.

6

- Aí o Jin, com a maior naturalidade, virou para mim e perguntou se eu poderia imaginar quem era o responsável por estragar a plantação da escola daquele jeito! Eu quis matá-lo por ele ter jogado a bomba para as minhas mãos! Eu queria tanto rir, mas tive que me fazer de séria!

A senhora Akanishi riu com certa desaprovação, enquanto seu marido estapeava seu filho.

- Eu o mandava para escola para estudar, seu cabeça de vento!

- Hai, hai! Desculpa, pai, mas entramos em um consenso há muito tempo que a vida acadêmica não é pra mim e você, Yuko, você poderia, por favor, parar de revelar meus segredos enquanto estamos jantando em um ambiente que deveria ser de harmonia familiar?

- Ora, mas foi o Reio quem perguntou!

- Ignore-o, ignore-o e pronto!

Depois da janta, Yuko ajudou a mãe de Jin a arrumar a louça e aproveitou para contar como estava sua família, particularmente sua mãe. Enquanto as mulheres conversavam na cozinha, Jin se juntou a seu pai e irmão que estavam no quintal tomando cerveja.

O primogênito se aproximou discretamente do frigobar a fim de pegar uma lata, mas foi prontamente atingido em seu cocuruto com o punho fechado de seu pai.

- Itteee!

- Você tá proibido de beber!

- E apanhar eu posso?? – ele reclamou, ainda esfregando sua cabeça com velocidade – Eu já to bem, pai! Tá calor, só um gole, vai?!

- Não! Senta aí e fica quieto!

Jin fez bico, mas obedeceu, e sentou-se no chão, de frente para a cadeira em que seu pai estava, encostado à parede da casa. Depois lançou um xingamento mudo para Reio, que tomava a sua bebida com muito gosto. Era uma noite muito quente, era maldade não deixarem-no beber um golinho de cerveja... Por instinto, Jin alcançou seu bolso, na intenção de pegar seu cigarro, mas deixou o gesto morrer na metade do caminho, prevendo a bronca que tomaria.

Nesse momento, Ten se aproximou e deitou sua cabeça no joelho do rapaz. Acariciando a cabeça do animal, Jin se mostrou agradecido.

- Só você me apóia, né Ten?

Eles permaneceram assim por um tempo, conversando sobre assuntos do trabalho de seu pai e Reio. Jin evitava falar sobre o próprio trabalho, não se sentia à vontade com isso. Dava respostas vagas sobre os próximos shows, se trabalharia em alguma novela novamente, o que o KAT-TUN faria já que o formato do Shonen Club mudou e agora eram Koyama e Nakamaru quem apresentava o programa.

Em um certo momento, Reio se afastou para atender uma ligação, deixando Jin a sós com seu pai. Por um instante, ficaram em silêncio, apenas Ten reclamou quando foi atingido pelo cotovelo de Jin quando este tentou novamente alcançar a geladeira. Apenas tomou um chute do pai em sua mão. Olhando para o cachorro, Jin fechou a cara e acusou:

- Dedo-duro!

Ao que o cão protestou com um latido mais feroz. Diante dessa cena, o senhor Akanishi se perguntou onde teria errado na educação daquele menino. Não conteve, porém, um sorriso em vê-lo assim, tão natural.

- Jin...

- Un? – ele não desviou seu olhar de Ten, que também o encarava, ainda magoado com a cotovelada.

- Você não será acusado se quiser parar.

- Hã?

- Se você quiser desistir da carreira que escolheu... Ou se quiser continuar... Tudo bem para nós... Apenas, não se force além do seu limite.

- Pai...

- Temos o hábito de dizer ao outro para dá o melhor de si em tudo... Mas não há vergonha nenhuma em se afastar daquilo que lhe faz mal. Se for esse o caso, apenas quero que saiba que você sempre pode voltar para casa. Não hesite.

Ele se sentiu grato, mais uma vez, por ser seu filho, mas não sabia o que responder. Tampouco foi preciso, pois Yuko e sua mãe se aproximaram, tendo terminado de arrumar a cozinha.

O tempo em que aquela menina ficou distante daquela família pareceu ter evaporado e Yuko estava completamente à vontade novamente entre eles. Pegou uma cerveja sem cerimônia e emendou uma conversa bastante animada com o senhor Akanishi. Apesar de se jogar ao lado de Jin, ela o ignorou por completo. Eles só tiveram um momento a sós quando ele a levou para casa.

- Sinto que entrei em um túnel do tempo! – ela comentou, fingindo estar sem fôlego, quando o carro parou em um farol vermelho. – Realmente, já faz quase sete anos, Jin?

- Você está ficando velha!

- Ah! Você é mais velho que eu!

- Duas semanas, grande coisa...

- É muita coisa, viu? Em duas semanas você pode viajar, pode conseguir um emprego novo, pode encontrar o amor da sua vida, pode até fazer um intercâmbio em algum país próximo!

- Oh!

- O que foi?

Yuko ficou apreensiva com o olhar penetrante de Jin em sua direção. Ele havia se tornado um homem muito bonito, apesar de manter traços delicados, praticamente femininos. Já não era mais aquele magricela meio cabeçudo que ela conheceu no primário... Sua voz já não era mais irritante como naquela época também.

Jin se aproximou lentamente do seu rosto, sem notar a respiração acelerada em Yuko ou aquela coloração rosada em suas faces. Com bom humor, ele arrancou um fio de cabelo branco.

- Olha isso! E você vem dizer que eu sou o velho! – ele gargalhou.

- BAKA!!! – ela o estapeou algumas vezes – Agora vai nascer o dobro... Não se arranca cabelo branco, não sabia?

Ela o bronqueou com o mesmo humor, rindo mais de si mesma por ter pensado que ele estava a um ponto de beijá-la. Yuko pensou que o tempo entre eles já havia passado e ela deixou que ele escapasse. Contudo, ela foi sincera em dizer que preferia a amizade de Jin, embora não pudesse afirmar que não havia um pingo de arrependimento...

- Jin, sua mãe comentou que você andou meio estressado com o trabalho. Eu não consigo imaginar esse tipo de cena... Então, existe alguma coisa que faça sua cabecinha esquentar?

Ele a fitou, pensando que sua mãe não deveria despejar certos assuntos nos ombros de outras pessoas, mas no fundo ele sabia que a senhora Akanishi estava muito preocupada e não descansaria enquanto não descobrisse o que de fato afligia seu filho. E isso incluía até pedir ajuda a uma pessoa de fora da família. Provavelmente, sua mãe deve ter pensado em procurar Yamapi, mas ela não era ingênua a ponto de pensar que seria fácil abrir a boca daquele rapaz. Já Yuko, era uma excelente aliada. Tudo graças à cumplicidade feminina.

- Ah... O que minha mãe te disse na verdade?

- Não conseguiria te enganar quanto a isso, né? Bem, ela me pareceu estar bem aflita, mas não me contou o que aconteceu exatamente. Apenas pediu para eu sugerir um outro caminho para você...

- Hã? Outro caminho?

- Ela acha que o seu trabalho está te fazendo mal. Ela tem motivo pra isso, Jin?

O silêncio que se formou naquele carro era opressivo, principalmente para aqueles dois que amavam o barulho. Jin seguiu dirigindo por um tempo sem dizer absolutamente nada. Yuko orientava a direção que deveria tomar. Quando estacionaram em frente a sua casa, ela tomou coragem e disse:

- Jin, provavelmente, depois de amanhã, você vai retornar ao seu mundo próprio... E eu para o meu. Talvez não nos vejamos mais. Quem sabe você partirá para uma turnê pela Ásia? Quem sabe eu não ganhe uma bolsa de estudos no estrangeiro? Então, eu proponho um jogo.

- Que jogo?

- Abra o seu coração para mim nesta noite e me deixe levar o que há de mais sincero em seu coração. E, por favor, guarde o que há de mais importante para mim com você.

As palavras eram sérias demais para aquela menina. Além disso, o sorriso que exibia era totalmente contraditório àquele clima.

- Uma troca de segredos?

- É, para aliviar nossos corações!

- Você também está com problemas, Yuko?

Yuko gostou de ver a preocupação de Jin. Sentiu-se querida. E isso era tão bom...

- Eu menti para você, Jin. Eu não voltei por causa dos estudos... É verdade que eu quero terminá-los, mas, eu simplesmente não tive opção.

- Por que? O que está acontecendo?

- Minha mãe voltou a se relacionar com homens depois da morte do meu pai. Muitos homens, na verdade. – ela riu, mas não teve coragem de encarar o amigo – Acho que era um jeito desesperado de suprir a falta dele, mas... Ela acabou conhecendo aquele sujeito. Eu não sei exatamente com o que ele está envolvido, sei apenas que é algo ilegal. – ela parou de falar por um momento, perdida em alguma lembrança, mas quando retomou a palavra, foi praticamente um suspiro: - Ele é violento.

- Eh?? – ele exclamou, surpreso e, sem o menor tato, perguntou diretamente: - Ele bateu em você?

Yuko sacudiu a cabeça.

- Minha mãe nunca permitiu... Por isso, ela me expulsou de casa. Tivemos uma briga feia, mas sei que foi um jeito dela me tirar daquela situação. Sem ter onde ficar, eu fui obrigada a voltar para Tóquio. Tenho alguns parentes por parte do meu pai que estão me ajudando e eu consegui um bom emprego em uma empresa da região. Por enquanto, o único meio que eu tenho de ajudá-la é enviando dinheiro.

- Yuko, por que você não o denuncia?

- Se ele fosse uma pessoa fácil de se prender, a polícia já o teria feito. Sei que ele tem a proteção de um delegado aqui de Tóquio. Oh, mas não faça essa cara, Jin! Eu vou dar um jeito nessa situação... Mas há momentos em que devemos reconhecer que não temos a força necessária. Devemos dar um tempo a nós mesmos, colocar a cabeça no lugar, e então voltamos a agir! Bem, obrigada pela carona!

- Ei, espera... Você não vai me ouvir?

- Eu já disse o que eu queria... Pense nisso, Jin. Talvez você também precise dar um tempo em sua vida... Mas, se você quiser sinceramente que eu te escute, você tem meu telefone e já sabe onde eu moro. Se precisar, sabe que pode me procurar, né?

Ela sacudiu a mão e fechou a porta, entrando em sua casa pouco depois. Jin, pasmo por um momento, riu em seguida. Yuko era uma pessoa única.

7

Em seu carro, ele refletiu na situação de Yuko. Era triste que uma pessoa que ele estimava tanto estivesse envolvida em uma situação como a dela. Teria alguma maneira de ajudá-la? Depois de se perguntar isso, Jin teve que aceitar que não podia fazer nada. Não era capaz de resolver os próprios problemas, como poderia se intrometer na vida de Yuko, então?

Estacionou o carro e saiu. Fechou o automóvel e entrou em sua casa. Seus pais já tinham ido se deitar e Reio estava assistindo à televisão. Ficou um tempo em sua companhia, querendo saber mais da vida do irmão, mas também querendo um motivo para sua mente se distrair. Quando foi para o seu quarto, porém, as preocupações voltaram.

Sentado em sua cama, abraçado ao travesseiro, ele se lembrou de algo grave. Harada e Kirisawa falaram em uma terceira pessoa. O suposto mandante de toda a desventura pela qual ele passou. Quem seria? E o motivo? Seria mais alguém da família de Sayuka? Era alguém relacionada a Kirisawa, sem dúvida. O que mais o afligiu, porém, era não ter como saber se com a morte de Kirisawa tal pessoa desistiu de atormentá-lo.

E se ela ainda estivesse disposta a persegui-lo?

Jin suspirou, cansado. Quando é que tudo isso terminaria? No entanto, dentro de si, ele sabia um modo de encerrar seus problemas. Yuko estava certa. Ele precisava de um tempo para ele próprio.

Tentou afastar tais pensamentos, afinal, estava sob os cuidados de seus pais novamente para poder descansar por completo. Colocou um dos seus cds favoritos para tocar e tentou relaxar. Aos poucos, foi dominado pelo sono.

8

Estava jogando videogame no quarto do Reio quando a porta foi aberta. Na verdade, estava apanhando pelo oponente controlado pelo computador. Ele queria muito saber como o Junno fazia aquele jogo parecer tão fácil. Ele já estava a ponto de desistir quando sua mãe entrou anunciando uma visita bastante especial. Jin olhou com alegria para aquele rapaz que adentrou em seguida.

- Olá! – Kazuya disse.

- Obrigada por se dar a tanto trabalho pelo meu filho... Por favor, fique a vontade! – a senhora Akanishi sorriu para Kamenashi e em seguida saiu.

Uma vez a sós, o pequeno tratou de se explicar:

- Eu estava esperando você voltar para o seu apartamento, mas... E como hoje eu estou de folga... E... Não tinha nada melhor para fazer... Quer parar de me olhar assim?

Kazuya fitou o chão diante o olhar vitorioso de Jin e não era preciso que ele dissesse coisa alguma, o mais novo estava ciente de que não estava conseguindo preservar seu orgulho próprio e era evidente que não agüentava mais ficar longe do mais velho. Ele tentava se enganar e acreditar que a intensidade com que seu coração batia agora era devido aos momentos tensos que eles passaram, depois à doença de Jin e, mesmo depois da sua recuperação, eles ainda não tiveram a chance de conversarem abertamente. Era, portanto, justificável a sua ansiedade em revê-lo, certo?

- Confesse que sentiu saudades e estava louco pra me ver!

- Eu já te disse que senti a sua falta, não disse? – ele irritou-se – Ainda no hospital!

Jin riu e finalmente se levantou. A bem da verdade, ele se manteve imóvel porque estava surpreso com a visita de Kazuya e não tinha certeza da firmeza em suas pernas, afinal, ele igualmente sentia a falta do rapaz. Quando recuperou o controle, ele parou com a zombaria e foi abraçá-lo.

O pequeno, porém, para se vingar, o evitou estendendo um braço entre eles, segurando no peito de Jin.

- Não seja imprudente, estamos em sua casa e sua mãe pode vir até aqui a qualquer momento!

Como se para demonstrar a veracidade daquelas palavras, a senhora Akanishi retornou ao quarto, mas, para desalento da vingança de Kamenashi, ela apenas veio avisar que estava saindo para fazer compras.

- Ah, mãe, não esquece de comprar...

Kamenashi pensou que o sorriso de Jin era muito suspeito. Ninguém sorri daquele modo simplesmente para pedir a sua fruta favorita. E ele teve a confirmação de que ele estava aprontando quando, após a saída de sua mãe, ele lhe puxou com determinação pelo corredor.

- Vamos para o meu quarto!

- Ei, espera... Sua família pode voltar a qualquer momento!

- Trancamos a porta!

- Baka! Como vamos explicar uma porta trancada?

- Já sei... A porta debaixo trava se a chave ficar na fechadura... Aí, quem voltar antes do tempo terá que tocar a campainha e assim ninguém ficará sabendo o que vamos fazer!

- E o que vamos fazer? – ele se fez de inocente.

- Não me diga que você não imagina!

- Ah, Jin... Eu não quero fazer isso na casa da sua família! – ele estava sendo sincero dessa fez.

- Agora é tarde! Quem mandou me provocar?

- Como é que uma simples recusa ao seu abraço pode terminar com nós dois na cama? Isso é totalmente desproporcional! É injusto!

- O mundo é injusto! – Jin suspirou, com um ar forçadamente pesaroso.

Depois que Jin deixou sua chave na porta da casa, eles subiram de volta ao seu quarto. Apesar da sua consciência continuar reprovando esse comportamento, Kamenashi não podia negar que aquela sensação de fazer algo proibido era viciante... Sentia a ansiedade subir e descer em seu estomago, bem vagarosamente, ainda tímida e incerta se deveria tomá-lo por completo...

Havia, ainda, mais um item na mente de Kamenashi do que o fato de estarem na casa dos pais de Jin. A sua intenção em ir até ali era para finalmente desabafar tudo o que estava guardado em seu peito desde que soube a verdade. Ele precisava dizer tudo aquilo que vinha formulando desde o momento em que pode refletir sobre a sua situação.

Contudo, Jin parecia pouco disposto a conversar. O mais velho, desde que acordou novamente, pensava em Kamenashi constantemente. No hospital, não puderam se falar abertamente e tiveram que se proteger sob a manta da amizade, e, depois que veio para a casa do seu pai, ele acreditou que sua saudade estava amenizada. Achou que aquela necessidade de vê-lo desesperadamente havia se transformado em algo mais maduro e aceitou esperar pacificamente a ocasião em que poderiam estar a sós. Isso, porém, desapareceu por completo quando o viu diante de si.

De repente, Jin foi dominado por uma vontade insaciável em sentir sua pele de novo, tomá-lo pelos lábios, receber o movimento de sua língua. E, agora que ele estava em seu quarto, trancado a sós com ele, o apetite dele apenas aumentou. Assim que girou o trinco, Jin se virou com a intenção de saltar sobre o mais novo e derrubá-lo logo na cama, mas, aquela imagem o congelou.

Kamenashi tinha corrido para a janela, a pretexto de fechar a cortina, mas, ainda com a mão naquele tecido, observou por algum tempo a paisagem do lado de fora. Tentava controlar a si mesmo, procurando um modo de iniciar o assunto com o namorado. Enquanto nessa posição, o Sol dourava seus cabelos tingidos, dando-lhe uma nova cor, entre o vermelho e o acobreado. Os fios caíam-lhe pela face esquerda, moldando-lhe o rosto pálido, atraente contraste com a camisa preta que o pequeno vestia. A regata, da mesma cor, que usava por baixo, não tinha uma gola suficientemente alta para esconder as clavículas do garoto, deixando-as às vistas do namorado de modo bastante provocador.

Kamenashi estava incrivelmente belo, Jin observou consigo mesmo, sem proferir uma única palavra. Essa imagem diminuiu a velocidade de seus gestos, mas não conteve o seu desejo. Aproximou-se do namorado, passando-lhe o braço pelo pescoço, como se fosse enforcá-lo, mas seu gesto era gentil.

E no instante que seus corpos se reencontraram, Kamenashi sentiu um leve choque, que trouxe à tona todo aquele desespero de quando pensou que não voltaria a vê-lo desperto; aquela saudade incontrolável em ouvir sua voz; o desejo de ter novamente seus toques... Mas, acima de tudo isso, o remorso. Sabia, embora não pudesse compreender o porque, que era o culpado por tudo o que tinha acontecido a Jin.

- Jin, eu... – Kame virou o rosto em sua direção, levemente inclinado para cima, de modo a superar a diferença de altura. Seus olhos já estavam úmidos...

- Pssiuuu, não diga nada. – um pedido sussurrante.

- Mas, eu...

- Psiuuu...

Jin colocou sua mão sobre a de Kazuya e puxou a cortina, fechando-a por completo. E quando a luz solar perdeu domínio sobre aquele quarto, Kamenashi soube que não haveria argumento algum que impedisse seu namorado. Suspirou, teria que guardar seus sentimentos mais uma vez e deixá-lo saciar seus desejos... Não que fosse uma troca desvantajosa, confessou para si mesmo.

O mais velho segurou em seu queixo para alcançar-lhe a boca. Beijou-a com delicadeza, mas, consciente de que o tempo era escasso, liberou toda a sua vontade de consumi-lo, aumentando o ritmo de sua língua. A sua mão desceu pelo tórax de Kazuya, até atingir o sexo do pequeno. Desabotoou rapidamente seu cinto e desceu o zíper, deixando o caminho livre para seus dedos percorrerem o local com bastante mobilidade.

O gemido baixo que escapou de Kazuya foi prontamente absorvido pelos lábios de Jin, que abafou a sua voz com um beijo longo, carregado de volúpia. Com cuidado, ele arrastou o seu pequeno até a cama e o repousou no colchão. Em seguida, ele subiu por cima do namorado e o fitou por alguns instantes. Fechou os olhos e retomou as carícias.

Kazuya o ajudou a retirar sua roupa por completo e depois Jin lhe puxou as calças e a cueca. O mais velho esfregou suas mãos pelo dorso de Kazuya, apertando seus mamilos. Inclinou-se até ficar próximo do rosto dele, movimentando seu quadril de modo a permitir o contato entre seus sexos. Em seguida, despejou beijinhos pelo tórax, até que seus lábios encontraram aquele membro já desperto. Enfiou-o pouco a pouco em sua boca, lambendo e chupando o seu início com bastante dedicação.

Jin aumentou a velocidade depois de se divertir com a agonia que provocava em Kame. Ficou excitado quando o pequeno corpo se arqueou e escutou o gemido de Kazuya. Como sentiu saudades dessa voz rouca, ardente, que com apenas seus gemidos dizia tanto ao seu coração...

Sentia uma falta imensa de Kazuya e quanto mais o consumia, mais o queria. Queria o sentir por inteiro, todo o seu gosto, o seu suor, o seu sal... O seu gozo. Não foi igual àquela vez com Harada. Não houve ânsia ou mal-estar. Engoliu, consciente que desta vez o fazia com amor.

Abriu os olhos. Kazuya ainda estremecia em sua cama, totalmente perdido naquele prazer colossal. Queria poder observar essa cena por mais tempo, admirar o sorriso completo de Kame, a sua expressão extasiada... Mas, ainda estava dominado pela libido.

Dessa forma, não deu tempo para o pequeno se recuperar, virou-o de bruços. Quando separou suas nádegas, porém, escutou um protesto.

- Espera, assim não! Pegue uma coisa na minha calça...

- O que é?

- Vai logo, se não, não saberá...

Não era sua intenção fazer mistério, acontecia era que Kamenashi se sentia completamente constrangido em dizer o que era. Olhou com certa ansiedade, temendo alguma reprovação por parte do mais velho, enquanto este lhe obedecia, indo em busca de sua calça, que havia sido jogado aos pés da cama. Ali, Jin encontrou um pequeno pote, parecia um creme, mas, ao ler as inscrições, sorriu com malícia.

- Então... Você veio justamente para isso, não é? – ele riu, abrindo o pote do lubrificante.

- Não! Claro que não! – Kazuya se defendeu, completamente vermelho – Mas eu te conheço... Não pensei que faríamos aqui, mas, pensei que, talvez, pudéssemos dar um passeio perto do meu ou do seu apartamento e... Além disso, eu só quis me precaver, da outra vez... Ficou muito dolorido!

A explicação apenas trouxe mais riso ao mais velho, que voltou para cama, ainda mais motivado que antes, ajoelhando-se no vão entre as pernas de Kazuya. Rodopiou a tampa e usou dois dedos para aplicar o produto com cuidado, porém, deixando que um e, de vez em quando os dois, escorregasse para o interior de Kazuya. Quando isso acontecia, o pequeno dava pequenos pulos, pego desprevenido com aquelas invasões.

Quando, por fim, sentiu a penetração máxima, Kamenashi gemeu com grande satisfação. A dor, realmente, era bem menor dessa maneira. Agora, ele podia se entregar por completo à sensação de ter Jin dentro de si.

Jin segurou na cabeceira da cama para poder se equilibrar melhor naquela posição e consumir Kazuya integralmente. Assim, ele foi capaz de movimentar seu quadril com mais força e velocidade, fazendo-o gemer em intervalos cada vez mais curtos, ainda que Kazuya resistisse a gemer com liberdade, pois temia que alguém pudesse ouvi-los do lado de fora da casa. Era um medo exagerado, evidentemente, mas ele não podia evitar.

O mais velho se soltou da cama e deitou sobre as costas do mais novo, pressionando-o contra o colchão. Dessa maneira, enquanto era invadido, seu sexo roçava no tecido áspero que cobria a cama, e esse atrito era agoniante. Quando Jin atingiu o orgasmo e se afastou, porém, Kazuya sentiu que seu membro estava começando a despertar novamente, mas, sabendo que não tinham mais tempo, controlou sua vontade.

Ainda de bruços, Kazuya lançou um olhar para Jin, que respirava fundo e mantinha os olhos fechados. Apesar de ser uma cama de solteiro, eles conseguiam se manter deitados lado a lado, mas para isso tinha de se manter muito próximos. De onde estava, Kazuya podia observar todos os traços de Jin, de modo a devorar com os olhos toda a sua beleza...

O importante naquele momento, porém, era deixar seus olhos confirmarem que era verdade. Jin estava ali, ao seu lado, amando-o com muita força... Kazuya mordeu os lábios e fungou, ato que despertou o mais velho.

Jin viu, com surpresa, Kazuya derramar algumas lágrimas. O pequeno já não lhe mirava, encarava o travesseiro e mordia os lábios com força.

- Kazu...

- Gomen, Jin!

- Hã?

- Eu queria tanto te pedir desculpas antes, mas... Você simplesmente não acordava! “Gomen”, essa palavra está engasgada em mim... Me desculpa, Jin!

O olhar do mais velho era honestamente confuso. No entanto, naquele momento, Kazuya não conseguia explicar nada. Repetia o seu pedido de desculpas e apenas se calava para limpar as lágrimas. Kazuya fungou uma última vez.

- Você não está entendendo nada, né? – ele riu de si próprio – Posso te explicar outro dia? Daqui a pouco sua mãe está de volta e eu gostaria de tomar um banho, posso?

Atônito, a resposta de Jin foi automática.

- Vá em frente...

Ele esforçou-se ao máximo para conseguir se erguer da cama, sem desfrutar do abraço terno de Jin, como normalmente o outro fazia depois do sexo. Embora arrependido, sabia que precisava se recompor, a mãe de Jin voltaria dentre minutos à casa. Recolheu sua roupa e depois se dirigiu ao banheiro. Hesitando um pouco em correr para o local usando apenas uma toalha. Antes de sair, porém, Kazuya lhe lançou o seu sorriso mais encantador e disse:

- Não se preocupe com isso, ok? Eu estou bem, apenas... Não agüentei mais! Conversaremos direito sobre isso, tá?

- Ah... Ok...

Jin fitou a porta por mais um tempo, indagando-se o que tinha acontecido com a sua tartaruga. Preocupou-se por um momento se teria feito algo errado, mas o sorriso que Kazuya lhe entregou minutos atrás era uma confortável explicação de que o pequeno não estava nem bravo e nem chateado... Mas o que perturbava o seu pequeno, afinal?

Sabia que não seria capaz de descobrir sozinho e, decidindo que confiaria em Kazuya, que prometeu que lhe explicaria o que estava acontecendo, Jin deixou de pensar naquelas lágrimas. Enquanto esperava pelo namorado, ele começou a se vestir. Abriu a janela novamente e, uma vez que não tinha ninguém para recriminá-lo, aproveitou para fumar.

Que paz... É incrível como o Kazu me faz esquecer de tudo o que aconteceu... É uma pena que seja por tão pouco tempo... É só ele se afastar, e tudo volta... Será que eu consigo ficar longe dele? Não, não consigo, mas... Será que eu consigo continuar no KAT-TUN fingindo que nada aconteceu?
Esses dias em casa... Foram tão tranqüilos... Queria que durassem mais tempo... Se eu tivesse que escolher ontem o meu destino, teria escolhido a minha família... Mas, agora que eu reencontrei o Kazu... Honestamente, não sei mais...
Casa

1

Alguns dias depois...

A saudade apertou quando se viu diante daquela casa. Era incrível como só se é capaz de perceber o quanto sente a falta de alguma coisa quando se depara com ela novamente. Quando se está longe, existe a ilusão de que a saudade é possível de se controlar. Era justamente isso o que Jin sentia diante da casa em que passou a sua infância.

Atravessou o portão e foi recebido por latidos altos e alegres. Largou a sua mala no chão e ajoelhou diante da recepção de Ten e Maru. Abriu os braços para envolvê-los, enquanto eles procuravam afoitamente pelo seu gosto, sendo atiçados pelo seu cheiro desde que o carro havia estacionado, lambendo-o com certa agressividade.

- Tadaima! – ele disse aos animais e interpretou seus latidos como “okaeri”.

- Jin, não os deixe lamber seu rosto dessa forma! – sua mãe o repreendeu – Levante-se e vá se lavar!

Ela suspirou, sabia que era inútil dizer qualquer coisa a seu filho quando ele estava envolvido com seus amigos caninos. Nesses momentos, ela tinha que admitir que Jin deixava qualquer racionalidade de lado, tornando difícil distinguir qual dos três era de fato o seu filho.

2

- Ah!! Faz tempo, né?

Ele entrou sorridente em seu quarto, após se lavar devidamente para escapar de mais uma onda de protestos de sua mãe. Admirou o lugar, reparando que continuava o mesmo.

Olhou o armário, abriu a janela, sentou-se na cadeira do computador, rodopiando sem sair do lugar, recordando-se da época em que passava algum tempo pesquisando a matéria da prova que teria no dia seguinte. Ele admitia que nunca foi um aluno exemplar e sempre estudava em cima da hora.

- Ora, não seja imprudente, Jin! – sua mãe ralhou, entrando no quarto logo em seguida para ajeitar a bagagem do filho.

- Acalme-se, okaa-san! Eu já estou bem!

- Não está tão bem assim, tem que ir devagar agora!

- Pode deixar minha mala do jeito que está, mãe. – ele pediu, levantando-se – Eu arrumo depois e, de qualquer maneira, não vou poder ficar mais do que três dias aqui... Tenho que voltar ao trabalho.

O olhar apreensivo de sua mãe não lhe passou despercebido. Jin a olhou com curiosidade, mas sem muita preocupação. Tinha uma vaga idéia do que ele estava preste a dizer. No hospital, várias vezes ela jogou indiretas sobre ele largar o emprego.

- O que foi, mãe?

Ela não queria realmente tocar nesse assunto agora, mas houve essa brecha. Além disso, no momento, estavam apenas os dois em casa, de modo que a conversa poderia ser totalmente à vontade.

- Né, Jin...

- Un?

- Miura-san informou que aquele homem, Kirisawa, foi demitido e quis se vingar... Por isso o seqüestrou.

Jin fechou a cara. Ainda não queria falar sobre o assunto... Mas, será que um dia ele teria vontade de tocar nessa questão? Não sabia. Deu as costas para sua mãe e remexeu em sua mala, retirando as outras peças de roupas que ainda estavam ali e começando a pendurá-las ele mesmo em seu armário.

Apesar do gesto brusco de Jin, a senhora Akanishi não lhe deu muita atenção e continuou a dizer o que queria.

- Foi isso mesmo o que aconteceu?

- Un. – ele murmurou – Foi exatamente assim.

- E... Você quer voltar para aquela empresa mesmo assim?

- Não se preocupe, mãe... – foi a sua resposta vaga, depois de um longo momento de silêncio.

- Como não vou me preocupar, Jin? Você por acaso sabe explicar o que aconteceu com você? Onde você esteve esses dias? Como você retornou? Pode ter uma recaída?

Jin interrompeu seu movimento de pendurar sua camisa xadrez favorita – a vermelha e preta – e engoliu em seco. Não queria fazer sua mãe se desesperar dessa forma, mas como poderia contar-lhe toda a verdade? De que maneira poderia explicar os atos de Harada? Pior, como ele poderia explicar que se sujeitou a tantas humilhações por que amava um homem? E que, no meio do seqüestro, temeu tanto a morte de Kazuya que por um minuto pensou que teria uma parada cardíaca?

- Mãe, a minha matéria favorita sempre foi o intervalo das aulas.

As sobrancelhas da senhora Akanishi se ergueram em uma indagação. Pensou que seu filho estivesse delirando novamente e se inquietou.

- Por isso... – Jin prosseguiu – Eu não posso explicar o que me aconteceu... Não sou estudioso e nem me formei médico...Ainda bem, diga-se de passagem, só por esse fato muitas vidas foram salvas! – ele riu.

Ela balançou levemente a cabeça em repreensão. Seu primogênito era um irresponsável. Brincava nas piores horas, mas, em seu íntimo, sentia-se bem que ele demonstrasse tamanho bom humor, ainda que fosse apenas para provocá-la naquele momento.

-... Mas, mãe... Não fique temendo que isso pode acontecer novamente... E não pense em coisas que não existem, ok? Foi um trauma, eu vi duas pessoas se matando na minha frente...
Jin hesitou, procurando coragem para dizer o que queria. Pensava que não precisava ficar envergonhado diante de sua mãe, mas não era fácil admitir uma fraqueza.

- E... – ele começou lentamente - Eu posso dizer para você que... Afinal, você é minha mãe, não vai zombar de mim, só não conte ao Reio para ele não me perturbar depois... – Jin pareceu cogitar alguma coisa dentro de sua cabeça - Nem ao pai, porque ele é muito boca mole e vai acabar contando ao Reio... – por fim, ele atrasou mais uma vez sua confissão ao se lembrar de mais uma pessoa - Não conte nem ao Pi, está bem?... – e, então, finalmente, ele fechou os olhos e deixou escapar o que realmente queria: - Mas... A verdade é que eu tive muito medo... Eu realmente senti medo... Muito...

- Querido...

A sua mãe o puxou para a cama, fazendo-o repousar em seu colo, como na época em que ainda era menino. Alisou o seu cabelo, afagou-lhe a nuca, enquanto esfregava um de seus ombros, consolando-o sem dizer uma palavra.

- Eu pensei que não voltaria a te ver mais, mãe... Nem ao pai... Nem ao Reio... Nem ao Ten e o Maru...

Então, Jin se calou. Fechou os olhos para apreciar o carinho de sua mãe. Era muito bom estar em seu colo novamente. Tinha vontade de lhe contar tudo, mas sabia que seria pior dessa forma. Ele teve que se contentar em receber o conforto apenas das mãos da senhora Akanishi. E isso já era muito, em sua opinião, principalmente por que ele esteve de fato a um passo de perder os afagos de sua mãe.

3

Acordou mais disposto no dia seguinte. Na verdade, ele já poderia retornar às suas atividades, já estava recuperado para isso, mas decidiu aproveitar aqueles dias de folga ao lado de sua família. Por isso, ele fez questão de se levantar cedo e pegar seu pai e irmão durante o café da manhã.

- Ohayou!

A senhora Akanishi ergueu os olhos para o filho que descia a escada. Perdeu-se em recordações antigas, quando ele e Yamapi, na época do colégio, desciam os degraus fazendo muito barulho. Seu filho havia mudado bastante daquela época. Apesar de manter traços infantis, sua voz já era mais grossa, seus ombros mais largos e seu rosto mais cheio.

- Ohayou, Jin.

Os cumprimentos de seus pais foram mais animados que o de Reio, que, sonolento, mal se entendia o que ele estava pronunciando. Jin não se importou, fazia tempo que eles não se sentavam à mesa todos juntos no café da manhã. Podia ter uma imagem rebelde divulgada na imprensa, mas ele gostava bastante desses momentos familiares. E esse gosto estava ainda mais aflorado depois de tudo o que sofreu.

A mãe de Jin retornou à cozinha para buscar a refeição de seu filho. No seu último dia de internação, ele já estava comendo de tudo, então ela não se preocupou em fazer tudo o que seu filho mais gostava.

Quando retornou à sala de jantar, encontrou seus homens rindo de alguma coisa e Jin batendo de leve nos ombros do pai, gracejando com ele. Aquela risada escandalosa, estridente, a senhora Akanishi não tinha percebido até então o quanto ela fazia falta naquela casa. Dizem que se criam os filhos para o mundo, mas, naquele momento, se ela pudesse, trancava a sua casa a sete chaves e as jogava fora...

Era pedir muito que seus filhos permanecessem ao seu lado para sempre?

Afastou este desejo, sabendo ser um absurdo, e serviu a refeição matinal a Jin, que agradeceu a comida e não hesitou em devorá-la. A comida da sua mãe era a melhor do mundo! Principalmente depois de uma temporada digerindo apenas comida hospitalar.

A refeição familiar ocorreu em um clima bastante harmonioso e divertido, mais que o normal, e Jin sabia que todos eles estavam querendo enchê-lo de mimos, até mesmo Reio, embora disfarçasse ao máximo. Em pensamento, agradeceu à sua família.




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sab Maio 01, 2010 8:41 pm

4

- Não cometa abusos, Jin! – foi a recomendação de seu pai, antes de sair com Reio para o trabalho.

- Hai, hai! Eu sei disso! Vou apenas levar o Maru e o Ten para passear! – foi a sua resposta, enquanto terminava de calçar os tênis na entrada da casa.

- Obedeça mesmo ao seu pai! – pediu a senhora Akanishi, aproximando-se do marido e do filho caçula para desejar bom trabalho aos dois.

Jin se levantou e, ao lado de sua mãe, imitou os gestos dela. Ergueu uma das mãos e acenou para seus parentes, enquanto afinava a voz para soar como a mulher ao seu lado, dizendo ao mesmo tempo em que ela:

- Itterashai! (*Vá com cuidado)

A senhora Akanishi lhe lançou um olhar de reprimenda, ao que Jin retribuiu contendo o seu riso e a olhando com pouca seriedade. Ela não agüentou e riu, voltando em seguida para seus afazeres domésticos.

- Ei, mãe! Me deseje “itterashai” também! – Jin reclamou diante do descaso dela – Mãe!

- Ah-ah! Você anda muito carente, Jin!

- Ora, você devia aproveitar que seu filho mais velho está em casa por alguns dias... Não é sempre que tem essa chance, aproveite senhora Akanishi! Ittekimasu (*Estou indo).

- Itterashai! – o tom de voz dela foi meloso demais, apenas para zombar do filho.

Rindo, Jin vestiu o capus de seu casaco, colocou óculos escuros e saiu. Como se eles tivessem compreendido que sairiam a passeio, os cães se aproximaram alegremente de Jin, embora sem aquela afobação do dia anterior, uma vez que não podiam saber que a estadia do rapaz seria curta, não tinham como se afligir com o pouco tempo que passariam com ele.

- Ow, fica quieto, Maru! – Jin tentava colocar a coleira naquele cachorro rebelde – Vamos, sem manha! Ten vem cá... Você devia aprender a ser bonzinho como Ten, Maru!

Com os animais presos naquela coleira dupla, Jin abriu o portão e parou um instante, pensando qual caminho seguiria. Decidiu que valia a pena caminhar próximo ao colégio em que estudou. Ainda era cedo, mas os estudantes já deviam estar dentro das salas, portanto, os arredores estariam tranqüilos.

Apesar de ser a mesma cidade, Tóquio, aquela área era um pouco menos movimentada que o centro e o bairro em que Jin morava. E, mesmo que fosse menos de meia hora de distância entre suas duas casa, o ritmo do seu trabalho o impedia de visitar seus pais com freqüência.

Era incrível como sendo bairros praticamente vizinhos ele não fosse capaz de passar por ali em um intervalo de tempo razoável. Tinha a impressão de que tinha se mudado de país. Tantas coisas mudaram enquanto esteve afastado.

A casa de jogos em que costumava matar aula já não estava mais ali. Havia sido substituída por uma casa de karaokê. Os lugares em que costumava comer naquela época foram todos reformados e alguns deles até mudou a linha de alimentos com a qual trabalhavam. Sentia falta da barraca de lámen que ficava na esquina da sua escola.

Estou sentimental outra vez... Que droga!

Não é que fosse algo ruim sentir falta de seu passado, mas, no momento em que ele se encontrava, qualquer traço de saudade de uma época anterior ao KAT-TUN, anterior a Johnnys, aumentava o seu cansaço. Jin chegou a se perguntar se conseguiria voltar para o ritmo de ensaios diários, gravações, fotos, shows...

As luzes dos estúdios já não eram tão atraentes, a fumaça dos palcos se tornou sufocante e o clamor do público chegava até atemorizá-lo. Jin estava incerto se o entretenimento era o seu caminho. Ah, como desejava voltar ao passado, ao dia em que ele deveria participar de uma audiência na Johnnys. Se ele tivesse faltado a esse compromisso, como seria sua vida agora?

Foi então que, ao dobrar uma esquina, ela surgiu como se fosse uma resposta para a sua pergunta. Anos tinham se passado desde a última vez em que se viram, mas ele a reconheceu de imediato. Aquele olhar gentil era único, assim como as covinhas que se formaram quando ela lhe sorriu. Apesar da touca e dos óculos, ela pode reconhecê-lo facilmente...

- Jin...

- Yuko!

E por falar em passado... Será que o choroso Jin de quinze anos poderia imaginar que um dia reencontraria Yuko casualmente na rua sendo capaz de sorrir como ele fazia agora?

- Jin! – o sorriso dela aumentou.

5

- É tão incrível que o meu colega de classe tenha se tornado tão famoso! – ela comentou, após um longo gole do suco de melão, acomodada em uma mesa do parque em que decidiram parar e conversar.

- Aposto que você está arrependida em ter me dado um fora naquela época, não? Você poderia ter se tornado a senhora Akanishi e desfrutar comigo desse sucesso!

Yuko riu alto.

- Baka! Você continua dizendo baboseiras? Como os jornalistas perdem tempo entrevistando alguém como você? Claro que eu estou completamente arrependida em ter dado um fora em você, não está vendo meus olhos brilhando, tomados por lágrimas de remorso? – ela disse isso, inclinando a cabeça para o lado, marota.

Jin, então, se lembrou do porque ele tinha se apaixonado por aquela garota. Ela era uma das poucas pessoas que o acompanhavam em seu bom humor. Yuko era tão ou mais animada que Jin, era bastante popular na escola por conta disso. Além da sua beleza, que apenas aumentou nesse tempo em que não se viram.

Quando tinha dezesseis anos, ela mantinha os cabelos curtos, alegando que era melhor para praticar esportes. Yuko era bastante moleca. Preferia jogar vôlei, basquete e até futebol – outro ponto que Jin adorava – a ficar cuidando da própria imagem. Ela tinha sorte de ser naturalmente bonita, porque realmente ela não se ajudava nem um pouco. O único momento em que a viam usando saia era com o uniforme escolar, fora isso, ela sempre esteve de moletom, para ter maior mobilidade enquanto brincava com seus amigos.

Yuko sempre foi rodeada pelos meninos da rua, quase todos apaixonados por ela, mas o motivo para isso de fato era que ela não tinha paciência com as meninas. Julgava a todas como choronas e fúteis. Além disso, os meninos sempre estavam praticando algum esporte, que, já se tornou óbvio, ela era apaixonada.

Tendo essa imagem dela, foi uma surpresa para Jin revê-la com os cabelos longos. Estava vestindo jeans, ele notou, mas era um modelo da moda, que lhe acentuava bem o quadril e uma blusa de rendas, cor-de-rosa. Estava bastante feminina. Estava linda!

- A bem da verdade, eu não me arrependo nenhum pouco, Don Juan! Aposto que teríamos terminado em dois tempos... Nascemos para nos tornarmos amigos, Jin, nada mais do que isso... Eu teria me arrependido era de perder o seu companheirismo... Lembra quando trancamos o Fukuda na sala de ciências? Ele odiava aquele esqueleto que tinha lá...

- Você sempre teve uma mente voltada para o mal! – ele riu com a lembrança.

- Olha quem fala! Não se lembra do que você fez com o professor Ensou? Aposto que ele está tomando calmante até hoje depois de ter sido seu professor durante três anos!

- Que isso, ele me adora! Só porque eu sempre levava algum animal para a aula dele? Ele não era professor de biologia, afinal?

- Tudo bem, mas levar um filhote de raposa foi um pouco demais, não? Além disso, como diabos você conseguiu aquela raposa?

Eles reviveram o passado durante algum tempo, conversa que ajudou o rapaz a se animar. Depois disso, Jin ficou sabendo que, após o colégio, Yuko se mudou para o sul do país. Agora ela retornava para Tóquio a fim de terminar os estudos. Teve que interromper a faculdade de psicologia para ajudar nos negócios da família, que passou por um período complicado depois que seu pai faleceu, mas agora já estava tudo reestruturado e ela pode finalmente voltar.

- Ficarei até o fim da faculdade... Se arranjar emprego eu fico, se não, volto a morar com minha mãe. Bem, só o tempo dirá o que acontecerá comigo... Mas penso em estudar fora também! Inglês, hoje em dia, é fundamental em qualquer profissão!

- Eu devia imaginar que casar e constituir família não faria parte dos seus planos! – ele comentou sarcasticamente.

- Ora, quando eu encontrar alguém que dê valor a uma mulher independente e inteligente, obviamente eu casarei! Mas não agora... Tem tanta coisa que eu quero conhecer ainda! E você, Jin, conseguiu encontrar alguém que o faça tirar a minha imagem do seu coração?

-... Você sabe provocar, não?

- Afinal de contas, Akanishi Jin era apaixonado por mim e não ao contrário! – e ela lhe sorriu divertida.

- Maldita hora em que me incentivaram a revelar meus sentimentos a você! Se eu soubesse antecipadamente como seria, teria ido para o túmulo sem dizer uma palavra!

- Você acabaria revelando, com ou sem incentivo de terceiros!

- Ah, é? Por que tem tanta certeza?

- O meu charme iria te consumir até você se sentir sufocado e se tornar incapaz de conter o amor que sentia por mim!

- E o convencido sou eu?

Ela riu e voltou a insistir na pergunta original. Aí, Jin aproveitou para zombar dela.

- Encontrei sim, encontrei no dia seguinte ao fora que você me deu... Essa pessoa certamente expulsou você do meu coração rapidinho! Não que tenha sido uma missão difícil!

- Oh, que cruel! – ela continuou na brincadeira – De verdade, Jin, você está feliz?

Ele se perguntou que tipo de pessoa era capaz de converter uma conversa divertida em algo tão sério? Essa era a Yuko.

- Ahhh... – ele gemeu, um pouco tímido – Felicidade é algo relativo, não?

Yuko o observou se espreguiçar e depois se apoiar na mesa, com os braços cruzados. Ele apoiou a cabeça em um dos braços, olhando para seus cães, amarrados ao pé da mesa. Sem os óculos, ela notou aquele brilho cansado nos olhos do seu amigo mais querido de sua infância. Se Jin não mudou muito daquela época, como ela acreditava que fosse verdade, então tinha algo o incomodando. E era algo grave, já que aquele garoto desmiolado não costumava se preocupar com nada.

Ela, porém, não pode perguntar o que o incomodava, pois Jin voltou a dizer:

- Se você quer saber se eu estou bem com alguém... Sim, eu encontrei mesmo alguém que me faz muito feliz! Foi muito difícil, mas agora estou com essa pessoa... Por que as pessoas por quem eu me apaixono me dão um fora? – e ele encarou Yuko, que ficou tímida, fazendo-o rir – Essa pessoa me deu um fora, mas agora é completamente doida por mim! Está vendo, um pouco mais e você se apaixonaria perdidamente por mim!

- Baka! – ela o estapeou – Aposto que você deu muitos foras nessa vida... E, atualmente, deve ter um monte de menininhas correndo atrás de você. Dê-se por satisfeito.

Jin sabia que não havia acusação na frase da amiga, mas ele se lembrou de Sayuka. Sentiu seu peito doer.

- Oh! Acho que ficamos muito tempo conversando e nem vi a hora passar... Gomen, Jin, preciso voltar para casa e ajeitar as coisas da mudança. Até quando você fica na casa dos seus pais?

- Até amanhã... Depois eu volto para o meu apartamento, mas não é longe daqui, anote o endereço e vá me visitar!

- Ok! Mande lembrança aos seus pais e ao Reio...

- Pode deixar... Ah, pensando bem, porque não passa lá em casa mais tarde? Minha mãe vai gostar em te rever!

- Hum... Pode ser... Te ligo pra combinar melhor, o número continua o mesmo?

Jin fez que sim, mas também passou o número do seu celular e anotou o dela. Depois disso, eles se despediram. Ele ainda ficou ali, enquanto ela se afastava, refletindo naquele encontro casual e tão divertido.

6

- Aí o Jin, com a maior naturalidade, virou para mim e perguntou se eu poderia imaginar quem era o responsável por estragar a plantação da escola daquele jeito! Eu quis matá-lo por ele ter jogado a bomba para as minhas mãos! Eu queria tanto rir, mas tive que me fazer de séria!

A senhora Akanishi riu com certa desaprovação, enquanto seu marido estapeava seu filho.

- Eu o mandava para escola para estudar, seu cabeça de vento!

- Hai, hai! Desculpa, pai, mas entramos em um consenso há muito tempo que a vida acadêmica não é pra mim e você, Yuko, você poderia, por favor, parar de revelar meus segredos enquanto estamos jantando em um ambiente que deveria ser de harmonia familiar?

- Ora, mas foi o Reio quem perguntou!

- Ignore-o, ignore-o e pronto!

Depois da janta, Yuko ajudou a mãe de Jin a arrumar a louça e aproveitou para contar como estava sua família, particularmente sua mãe. Enquanto as mulheres conversavam na cozinha, Jin se juntou a seu pai e irmão que estavam no quintal tomando cerveja.

O primogênito se aproximou discretamente do frigobar a fim de pegar uma lata, mas foi prontamente atingido em seu cocuruto com o punho fechado de seu pai.

- Itteee!

- Você tá proibido de beber!

- E apanhar eu posso?? – ele reclamou, ainda esfregando sua cabeça com velocidade – Eu já to bem, pai! Tá calor, só um gole, vai?!

- Não! Senta aí e fica quieto!

Jin fez bico, mas obedeceu, e sentou-se no chão, de frente para a cadeira em que seu pai estava, encostado à parede da casa. Depois lançou um xingamento mudo para Reio, que tomava a sua bebida com muito gosto. Era uma noite muito quente, era maldade não deixarem-no beber um golinho de cerveja... Por instinto, Jin alcançou seu bolso, na intenção de pegar seu cigarro, mas deixou o gesto morrer na metade do caminho, prevendo a bronca que tomaria.

Nesse momento, Ten se aproximou e deitou sua cabeça no joelho do rapaz. Acariciando a cabeça do animal, Jin se mostrou agradecido.

- Só você me apóia, né Ten?

Eles permaneceram assim por um tempo, conversando sobre assuntos do trabalho de seu pai e Reio. Jin evitava falar sobre o próprio trabalho, não se sentia à vontade com isso. Dava respostas vagas sobre os próximos shows, se trabalharia em alguma novela novamente, o que o KAT-TUN faria já que o formato do Shonen Club mudou e agora eram Koyama e Nakamaru quem apresentava o programa.

Em um certo momento, Reio se afastou para atender uma ligação, deixando Jin a sós com seu pai. Por um instante, ficaram em silêncio, apenas Ten reclamou quando foi atingido pelo cotovelo de Jin quando este tentou novamente alcançar a geladeira. Apenas tomou um chute do pai em sua mão. Olhando para o cachorro, Jin fechou a cara e acusou:

- Dedo-duro!

Ao que o cão protestou com um latido mais feroz. Diante dessa cena, o senhor Akanishi se perguntou onde teria errado na educação daquele menino. Não conteve, porém, um sorriso em vê-lo assim, tão natural.

- Jin...

- Un? – ele não desviou seu olhar de Ten, que também o encarava, ainda magoado com a cotovelada.

- Você não será acusado se quiser parar.

- Hã?

- Se você quiser desistir da carreira que escolheu... Ou se quiser continuar... Tudo bem para nós... Apenas, não se force além do seu limite.

- Pai...

- Temos o hábito de dizer ao outro para dá o melhor de si em tudo... Mas não há vergonha nenhuma em se afastar daquilo que lhe faz mal. Se for esse o caso, apenas quero que saiba que você sempre pode voltar para casa. Não hesite.

Ele se sentiu grato, mais uma vez, por ser seu filho, mas não sabia o que responder. Tampouco foi preciso, pois Yuko e sua mãe se aproximaram, tendo terminado de arrumar a cozinha.

O tempo em que aquela menina ficou distante daquela família pareceu ter evaporado e Yuko estava completamente à vontade novamente entre eles. Pegou uma cerveja sem cerimônia e emendou uma conversa bastante animada com o senhor Akanishi. Apesar de se jogar ao lado de Jin, ela o ignorou por completo. Eles só tiveram um momento a sós quando ele a levou para casa.

- Sinto que entrei em um túnel do tempo! – ela comentou, fingindo estar sem fôlego, quando o carro parou em um farol vermelho. – Realmente, já faz quase sete anos, Jin?

- Você está ficando velha!

- Ah! Você é mais velho que eu!

- Duas semanas, grande coisa...

- É muita coisa, viu? Em duas semanas você pode viajar, pode conseguir um emprego novo, pode encontrar o amor da sua vida, pode até fazer um intercâmbio em algum país próximo!

- Oh!

- O que foi?

Yuko ficou apreensiva com o olhar penetrante de Jin em sua direção. Ele havia se tornado um homem muito bonito, apesar de manter traços delicados, praticamente femininos. Já não era mais aquele magricela meio cabeçudo que ela conheceu no primário... Sua voz já não era mais irritante como naquela época também.

Jin se aproximou lentamente do seu rosto, sem notar a respiração acelerada em Yuko ou aquela coloração rosada em suas faces. Com bom humor, ele arrancou um fio de cabelo branco.

- Olha isso! E você vem dizer que eu sou o velho! – ele gargalhou.

- BAKA!!! – ela o estapeou algumas vezes – Agora vai nascer o dobro... Não se arranca cabelo branco, não sabia?

Ela o bronqueou com o mesmo humor, rindo mais de si mesma por ter pensado que ele estava a um ponto de beijá-la. Yuko pensou que o tempo entre eles já havia passado e ela deixou que ele escapasse. Contudo, ela foi sincera em dizer que preferia a amizade de Jin, embora não pudesse afirmar que não havia um pingo de arrependimento...

- Jin, sua mãe comentou que você andou meio estressado com o trabalho. Eu não consigo imaginar esse tipo de cena... Então, existe alguma coisa que faça sua cabecinha esquentar?

Ele a fitou, pensando que sua mãe não deveria despejar certos assuntos nos ombros de outras pessoas, mas no fundo ele sabia que a senhora Akanishi estava muito preocupada e não descansaria enquanto não descobrisse o que de fato afligia seu filho. E isso incluía até pedir ajuda a uma pessoa de fora da família. Provavelmente, sua mãe deve ter pensado em procurar Yamapi, mas ela não era ingênua a ponto de pensar que seria fácil abrir a boca daquele rapaz. Já Yuko, era uma excelente aliada. Tudo graças à cumplicidade feminina.

- Ah... O que minha mãe te disse na verdade?

- Não conseguiria te enganar quanto a isso, né? Bem, ela me pareceu estar bem aflita, mas não me contou o que aconteceu exatamente. Apenas pediu para eu sugerir um outro caminho para você...

- Hã? Outro caminho?

- Ela acha que o seu trabalho está te fazendo mal. Ela tem motivo pra isso, Jin?

O silêncio que se formou naquele carro era opressivo, principalmente para aqueles dois que amavam o barulho. Jin seguiu dirigindo por um tempo sem dizer absolutamente nada. Yuko orientava a direção que deveria tomar. Quando estacionaram em frente a sua casa, ela tomou coragem e disse:

- Jin, provavelmente, depois de amanhã, você vai retornar ao seu mundo próprio... E eu para o meu. Talvez não nos vejamos mais. Quem sabe você partirá para uma turnê pela Ásia? Quem sabe eu não ganhe uma bolsa de estudos no estrangeiro? Então, eu proponho um jogo.

- Que jogo?

- Abra o seu coração para mim nesta noite e me deixe levar o que há de mais sincero em seu coração. E, por favor, guarde o que há de mais importante para mim com você.

As palavras eram sérias demais para aquela menina. Além disso, o sorriso que exibia era totalmente contraditório àquele clima.

- Uma troca de segredos?

- É, para aliviar nossos corações!

- Você também está com problemas, Yuko?

Yuko gostou de ver a preocupação de Jin. Sentiu-se querida. E isso era tão bom...

- Eu menti para você, Jin. Eu não voltei por causa dos estudos... É verdade que eu quero terminá-los, mas, eu simplesmente não tive opção.

- Por que? O que está acontecendo?

- Minha mãe voltou a se relacionar com homens depois da morte do meu pai. Muitos homens, na verdade. – ela riu, mas não teve coragem de encarar o amigo – Acho que era um jeito desesperado de suprir a falta dele, mas... Ela acabou conhecendo aquele sujeito. Eu não sei exatamente com o que ele está envolvido, sei apenas que é algo ilegal. – ela parou de falar por um momento, perdida em alguma lembrança, mas quando retomou a palavra, foi praticamente um suspiro: - Ele é violento.

- Eh?? – ele exclamou, surpreso e, sem o menor tato, perguntou diretamente: - Ele bateu em você?

Yuko sacudiu a cabeça.

- Minha mãe nunca permitiu... Por isso, ela me expulsou de casa. Tivemos uma briga feia, mas sei que foi um jeito dela me tirar daquela situação. Sem ter onde ficar, eu fui obrigada a voltar para Tóquio. Tenho alguns parentes por parte do meu pai que estão me ajudando e eu consegui um bom emprego em uma empresa da região. Por enquanto, o único meio que eu tenho de ajudá-la é enviando dinheiro.

- Yuko, por que você não o denuncia?

- Se ele fosse uma pessoa fácil de se prender, a polícia já o teria feito. Sei que ele tem a proteção de um delegado aqui de Tóquio. Oh, mas não faça essa cara, Jin! Eu vou dar um jeito nessa situação... Mas há momentos em que devemos reconhecer que não temos a força necessária. Devemos dar um tempo a nós mesmos, colocar a cabeça no lugar, e então voltamos a agir! Bem, obrigada pela carona!

- Ei, espera... Você não vai me ouvir?

- Eu já disse o que eu queria... Pense nisso, Jin. Talvez você também precise dar um tempo em sua vida... Mas, se você quiser sinceramente que eu te escute, você tem meu telefone e já sabe onde eu moro. Se precisar, sabe que pode me procurar, né?

Ela sacudiu a mão e fechou a porta, entrando em sua casa pouco depois. Jin, pasmo por um momento, riu em seguida. Yuko era uma pessoa única.

7

Em seu carro, ele refletiu na situação de Yuko. Era triste que uma pessoa que ele estimava tanto estivesse envolvida em uma situação como a dela. Teria alguma maneira de ajudá-la? Depois de se perguntar isso, Jin teve que aceitar que não podia fazer nada. Não era capaz de resolver os próprios problemas, como poderia se intrometer na vida de Yuko, então?

Estacionou o carro e saiu. Fechou o automóvel e entrou em sua casa. Seus pais já tinham ido se deitar e Reio estava assistindo à televisão. Ficou um tempo em sua companhia, querendo saber mais da vida do irmão, mas também querendo um motivo para sua mente se distrair. Quando foi para o seu quarto, porém, as preocupações voltaram.

Sentado em sua cama, abraçado ao travesseiro, ele se lembrou de algo grave. Harada e Kirisawa falaram em uma terceira pessoa. O suposto mandante de toda a desventura pela qual ele passou. Quem seria? E o motivo? Seria mais alguém da família de Sayuka? Era alguém relacionada a Kirisawa, sem dúvida. O que mais o afligiu, porém, era não ter como saber se com a morte de Kirisawa tal pessoa desistiu de atormentá-lo.

E se ela ainda estivesse disposta a persegui-lo?

Jin suspirou, cansado. Quando é que tudo isso terminaria? No entanto, dentro de si, ele sabia um modo de encerrar seus problemas. Yuko estava certa. Ele precisava de um tempo para ele próprio.

Tentou afastar tais pensamentos, afinal, estava sob os cuidados de seus pais novamente para poder descansar por completo. Colocou um dos seus cds favoritos para tocar e tentou relaxar. Aos poucos, foi dominado pelo sono.

8

Estava jogando videogame no quarto do Reio quando a porta foi aberta. Na verdade, estava apanhando pelo oponente controlado pelo computador. Ele queria muito saber como o Junno fazia aquele jogo parecer tão fácil. Ele já estava a ponto de desistir quando sua mãe entrou anunciando uma visita bastante especial. Jin olhou com alegria para aquele rapaz que adentrou em seguida.

- Olá! – Kazuya disse.

- Obrigada por se dar a tanto trabalho pelo meu filho... Por favor, fique a vontade! – a senhora Akanishi sorriu para Kamenashi e em seguida saiu.

Uma vez a sós, o pequeno tratou de se explicar:

- Eu estava esperando você voltar para o seu apartamento, mas... E como hoje eu estou de folga... E... Não tinha nada melhor para fazer... Quer parar de me olhar assim?

Kazuya fitou o chão diante o olhar vitorioso de Jin e não era preciso que ele dissesse coisa alguma, o mais novo estava ciente de que não estava conseguindo preservar seu orgulho próprio e era evidente que não agüentava mais ficar longe do mais velho. Ele tentava se enganar e acreditar que a intensidade com que seu coração batia agora era devido aos momentos tensos que eles passaram, depois à doença de Jin e, mesmo depois da sua recuperação, eles ainda não tiveram a chance de conversarem abertamente. Era, portanto, justificável a sua ansiedade em revê-lo, certo?

- Confesse que sentiu saudades e estava louco pra me ver!

- Eu já te disse que senti a sua falta, não disse? – ele irritou-se – Ainda no hospital!

Jin riu e finalmente se levantou. A bem da verdade, ele se manteve imóvel porque estava surpreso com a visita de Kazuya e não tinha certeza da firmeza em suas pernas, afinal, ele igualmente sentia a falta do rapaz. Quando recuperou o controle, ele parou com a zombaria e foi abraçá-lo.

O pequeno, porém, para se vingar, o evitou estendendo um braço entre eles, segurando no peito de Jin.

- Não seja imprudente, estamos em sua casa e sua mãe pode vir até aqui a qualquer momento!

Como se para demonstrar a veracidade daquelas palavras, a senhora Akanishi retornou ao quarto, mas, para desalento da vingança de Kamenashi, ela apenas veio avisar que estava saindo para fazer compras.

- Ah, mãe, não esquece de comprar...

Kamenashi pensou que o sorriso de Jin era muito suspeito. Ninguém sorri daquele modo simplesmente para pedir a sua fruta favorita. E ele teve a confirmação de que ele estava aprontando quando, após a saída de sua mãe, ele lhe puxou com determinação pelo corredor.

- Vamos para o meu quarto!

- Ei, espera... Sua família pode voltar a qualquer momento!

- Trancamos a porta!

- Baka! Como vamos explicar uma porta trancada?

- Já sei... A porta debaixo trava se a chave ficar na fechadura... Aí, quem voltar antes do tempo terá que tocar a campainha e assim ninguém ficará sabendo o que vamos fazer!

- E o que vamos fazer? – ele se fez de inocente.

- Não me diga que você não imagina!

- Ah, Jin... Eu não quero fazer isso na casa da sua família! – ele estava sendo sincero dessa fez.

- Agora é tarde! Quem mandou me provocar?

- Como é que uma simples recusa ao seu abraço pode terminar com nós dois na cama? Isso é totalmente desproporcional! É injusto!

- O mundo é injusto! – Jin suspirou, com um ar forçadamente pesaroso.

Depois que Jin deixou sua chave na porta da casa, eles subiram de volta ao seu quarto. Apesar da sua consciência continuar reprovando esse comportamento, Kamenashi não podia negar que aquela sensação de fazer algo proibido era viciante... Sentia a ansiedade subir e descer em seu estomago, bem vagarosamente, ainda tímida e incerta se deveria tomá-lo por completo...

Havia, ainda, mais um item na mente de Kamenashi do que o fato de estarem na casa dos pais de Jin. A sua intenção em ir até ali era para finalmente desabafar tudo o que estava guardado em seu peito desde que soube a verdade. Ele precisava dizer tudo aquilo que vinha formulando desde o momento em que pode refletir sobre a sua situação.

Contudo, Jin parecia pouco disposto a conversar. O mais velho, desde que acordou novamente, pensava em Kamenashi constantemente. No hospital, não puderam se falar abertamente e tiveram que se proteger sob a manta da amizade, e, depois que veio para a casa do seu pai, ele acreditou que sua saudade estava amenizada. Achou que aquela necessidade de vê-lo desesperadamente havia se transformado em algo mais maduro e aceitou esperar pacificamente a ocasião em que poderiam estar a sós. Isso, porém, desapareceu por completo quando o viu diante de si.

De repente, Jin foi dominado por uma vontade insaciável em sentir sua pele de novo, tomá-lo pelos lábios, receber o movimento de sua língua. E, agora que ele estava em seu quarto, trancado a sós com ele, o apetite dele apenas aumentou. Assim que girou o trinco, Jin se virou com a intenção de saltar sobre o mais novo e derrubá-lo logo na cama, mas, aquela imagem o congelou.

Kamenashi tinha corrido para a janela, a pretexto de fechar a cortina, mas, ainda com a mão naquele tecido, observou por algum tempo a paisagem do lado de fora. Tentava controlar a si mesmo, procurando um modo de iniciar o assunto com o namorado. Enquanto nessa posição, o Sol dourava seus cabelos tingidos, dando-lhe uma nova cor, entre o vermelho e o acobreado. Os fios caíam-lhe pela face esquerda, moldando-lhe o rosto pálido, atraente contraste com a camisa preta que o pequeno vestia. A regata, da mesma cor, que usava por baixo, não tinha uma gola suficientemente alta para esconder as clavículas do garoto, deixando-as às vistas do namorado de modo bastante provocador.

Kamenashi estava incrivelmente belo, Jin observou consigo mesmo, sem proferir uma única palavra. Essa imagem diminuiu a velocidade de seus gestos, mas não conteve o seu desejo. Aproximou-se do namorado, passando-lhe o braço pelo pescoço, como se fosse enforcá-lo, mas seu gesto era gentil.

E no instante que seus corpos se reencontraram, Kamenashi sentiu um leve choque, que trouxe à tona todo aquele desespero de quando pensou que não voltaria a vê-lo desperto; aquela saudade incontrolável em ouvir sua voz; o desejo de ter novamente seus toques... Mas, acima de tudo isso, o remorso. Sabia, embora não pudesse compreender o porque, que era o culpado por tudo o que tinha acontecido a Jin.

- Jin, eu... – Kame virou o rosto em sua direção, levemente inclinado para cima, de modo a superar a diferença de altura. Seus olhos já estavam úmidos...

- Pssiuuu, não diga nada. – um pedido sussurrante.

- Mas, eu...

- Psiuuu...

Jin colocou sua mão sobre a de Kazuya e puxou a cortina, fechando-a por completo. E quando a luz solar perdeu domínio sobre aquele quarto, Kamenashi soube que não haveria argumento algum que impedisse seu namorado. Suspirou, teria que guardar seus sentimentos mais uma vez e deixá-lo saciar seus desejos... Não que fosse uma troca desvantajosa, confessou para si mesmo.

O mais velho segurou em seu queixo para alcançar-lhe a boca. Beijou-a com delicadeza, mas, consciente de que o tempo era escasso, liberou toda a sua vontade de consumi-lo, aumentando o ritmo de sua língua. A sua mão desceu pelo tórax de Kazuya, até atingir o sexo do pequeno. Desabotoou rapidamente seu cinto e desceu o zíper, deixando o caminho livre para seus dedos percorrerem o local com bastante mobilidade.

O gemido baixo que escapou de Kazuya foi prontamente absorvido pelos lábios de Jin, que abafou a sua voz com um beijo longo, carregado de volúpia. Com cuidado, ele arrastou o seu pequeno até a cama e o repousou no colchão. Em seguida, ele subiu por cima do namorado e o fitou por alguns instantes. Fechou os olhos e retomou as carícias.

Kazuya o ajudou a retirar sua roupa por completo e depois Jin lhe puxou as calças e a cueca. O mais velho esfregou suas mãos pelo dorso de Kazuya, apertando seus mamilos. Inclinou-se até ficar próximo do rosto dele, movimentando seu quadril de modo a permitir o contato entre seus sexos. Em seguida, despejou beijinhos pelo tórax, até que seus lábios encontraram aquele membro já desperto. Enfiou-o pouco a pouco em sua boca, lambendo e chupando o seu início com bastante dedicação.

Jin aumentou a velocidade depois de se divertir com a agonia que provocava em Kame. Ficou excitado quando o pequeno corpo se arqueou e escutou o gemido de Kazuya. Como sentiu saudades dessa voz rouca, ardente, que com apenas seus gemidos dizia tanto ao seu coração...

Sentia uma falta imensa de Kazuya e quanto mais o consumia, mais o queria. Queria o sentir por inteiro, todo o seu gosto, o seu suor, o seu sal... O seu gozo. Não foi igual àquela vez com Harada. Não houve ânsia ou mal-estar. Engoliu, consciente que desta vez o fazia com amor.

Abriu os olhos. Kazuya ainda estremecia em sua cama, totalmente perdido naquele prazer colossal. Queria poder observar essa cena por mais tempo, admirar o sorriso completo de Kame, a sua expressão extasiada... Mas, ainda estava dominado pela libido.

Dessa forma, não deu tempo para o pequeno se recuperar, virou-o de bruços. Quando separou suas nádegas, porém, escutou um protesto.

- Espera, assim não! Pegue uma coisa na minha calça...

- O que é?

- Vai logo, se não, não saberá...

Não era sua intenção fazer mistério, acontecia era que Kamenashi se sentia completamente constrangido em dizer o que era. Olhou com certa ansiedade, temendo alguma reprovação por parte do mais velho, enquanto este lhe obedecia, indo em busca de sua calça, que havia sido jogado aos pés da cama. Ali, Jin encontrou um pequeno pote, parecia um creme, mas, ao ler as inscrições, sorriu com malícia.

- Então... Você veio justamente para isso, não é? – ele riu, abrindo o pote do lubrificante.

- Não! Claro que não! – Kazuya se defendeu, completamente vermelho – Mas eu te conheço... Não pensei que faríamos aqui, mas, pensei que, talvez, pudéssemos dar um passeio perto do meu ou do seu apartamento e... Além disso, eu só quis me precaver, da outra vez... Ficou muito dolorido!

A explicação apenas trouxe mais riso ao mais velho, que voltou para cama, ainda mais motivado que antes, ajoelhando-se no vão entre as pernas de Kazuya. Rodopiou a tampa e usou dois dedos para aplicar o produto com cuidado, porém, deixando que um e, de vez em quando os dois, escorregasse para o interior de Kazuya. Quando isso acontecia, o pequeno dava pequenos pulos, pego desprevenido com aquelas invasões.

Quando, por fim, sentiu a penetração máxima, Kamenashi gemeu com grande satisfação. A dor, realmente, era bem menor dessa maneira. Agora, ele podia se entregar por completo à sensação de ter Jin dentro de si.

Jin segurou na cabeceira da cama para poder se equilibrar melhor naquela posição e consumir Kazuya integralmente. Assim, ele foi capaz de movimentar seu quadril com mais força e velocidade, fazendo-o gemer em intervalos cada vez mais curtos, ainda que Kazuya resistisse a gemer com liberdade, pois temia que alguém pudesse ouvi-los do lado de fora da casa. Era um medo exagerado, evidentemente, mas ele não podia evitar.

O mais velho se soltou da cama e deitou sobre as costas do mais novo, pressionando-o contra o colchão. Dessa maneira, enquanto era invadido, seu sexo roçava no tecido áspero que cobria a cama, e esse atrito era agoniante. Quando Jin atingiu o orgasmo e se afastou, porém, Kazuya sentiu que seu membro estava começando a despertar novamente, mas, sabendo que não tinham mais tempo, controlou sua vontade.

Ainda de bruços, Kazuya lançou um olhar para Jin, que respirava fundo e mantinha os olhos fechados. Apesar de ser uma cama de solteiro, eles conseguiam se manter deitados lado a lado, mas para isso tinha de se manter muito próximos. De onde estava, Kazuya podia observar todos os traços de Jin, de modo a devorar com os olhos toda a sua beleza...

O importante naquele momento, porém, era deixar seus olhos confirmarem que era verdade. Jin estava ali, ao seu lado, amando-o com muita força... Kazuya mordeu os lábios e fungou, ato que despertou o mais velho.

Jin viu, com surpresa, Kazuya derramar algumas lágrimas. O pequeno já não lhe mirava, encarava o travesseiro e mordia os lábios com força.

- Kazu...

- Gomen, Jin!

- Hã?

- Eu queria tanto te pedir desculpas antes, mas... Você simplesmente não acordava! “Gomen”, essa palavra está engasgada em mim... Me desculpa, Jin!

O olhar do mais velho era honestamente confuso. No entanto, naquele momento, Kazuya não conseguia explicar nada. Repetia o seu pedido de desculpas e apenas se calava para limpar as lágrimas. Kazuya fungou uma última vez.

- Você não está entendendo nada, né? – ele riu de si próprio – Posso te explicar outro dia? Daqui a pouco sua mãe está de volta e eu gostaria de tomar um banho, posso?

Atônito, a resposta de Jin foi automática.

- Vá em frente...

Ele esforçou-se ao máximo para conseguir se erguer da cama, sem desfrutar do abraço terno de Jin, como normalmente o outro fazia depois do sexo. Embora arrependido, sabia que precisava se recompor, a mãe de Jin voltaria dentre minutos à casa. Recolheu sua roupa e depois se dirigiu ao banheiro. Hesitando um pouco em correr para o local usando apenas uma toalha. Antes de sair, porém, Kazuya lhe lançou o seu sorriso mais encantador e disse:

- Não se preocupe com isso, ok? Eu estou bem, apenas... Não agüentei mais! Conversaremos direito sobre isso, tá?

- Ah... Ok...

Jin fitou a porta por mais um tempo, indagando-se o que tinha acontecido com a sua tartaruga. Preocupou-se por um momento se teria feito algo errado, mas o sorriso que Kazuya lhe entregou minutos atrás era uma confortável explicação de que o pequeno não estava nem bravo e nem chateado... Mas o que perturbava o seu pequeno, afinal?

Sabia que não seria capaz de descobrir sozinho e, decidindo que confiaria em Kazuya, que prometeu que lhe explicaria o que estava acontecendo, Jin deixou de pensar naquelas lágrimas. Enquanto esperava pelo namorado, ele começou a se vestir. Abriu a janela novamente e, uma vez que não tinha ninguém para recriminá-lo, aproveitou para fumar.

Que paz... É incrível como o Kazu me faz esquecer de tudo o que aconteceu... É uma pena que seja por tão pouco tempo... É só ele se afastar, e tudo volta... Será que eu consigo ficar longe dele? Não, não consigo, mas... Será que eu consigo continuar no KAT-TUN fingindo que nada aconteceu?

Esses dias em casa... Foram tão tranqüilos... Queria que durassem mais tempo... Se eu tivesse que escolher ontem o meu destino, teria escolhido a minha família... Mas, agora que eu reencontrei o Kazu... Honestamente, não sei mais...




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Nara
Johnny's senior
Johnny's senior
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 2833
Idade : 33
Localização : São Paulo/SP
Emprego/lazer : bióloga
Unit Favorita : NewS, Arashi, Kanjani8, V6
Data de inscrição : 26/05/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Dom Maio 02, 2010 1:38 am

Jin foi pra casa dos pais ^^
isso é bom, ate reencontrou uma velha amiga ^^
gostei dela, oh mas poxa q namorado a mae dela arranjou hein :/
qm é esse cara hein ?
haha Kame safadinho, levou o lubrificante né ja esperando por algo haha xD
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://micellanews.blogspot.com/
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Ter Maio 04, 2010 2:42 am

O namorado da mãe da Yuko não tem grande importância na história, na verdade. Foi apenas para dar consistência ao personagem e para gerar um argumento de um fato que surgirá nos capítulos finais!

Dizem que o Kame é meio pervo... Mas eu acho que ele deve ser um pervo tímido XD! hahahahha

Obrigada por comentar ^^




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Ter Maio 04, 2010 2:46 am

Acidente?

1

- Eu até pensei que vocês estivessem brigados! Tomo-kun, por favor, não se afaste de nós desse jeito de novo! – a senhora Akanishi pediu, sem esconder a sua felicidade em ter seu primogênito e seu filho postiço jantando a sua comida mais uma vez depois de tanto tempo.

- Realmente é a falta de tempo que me afastou da sua comida! – Pi foi sincero e, ainda rindo, explicou: - Estive, na verdade ainda estou, ocupado com a nova novela!

- Ah, eu sei, Kurosagi, né? Você está ótimo como sempre!

Jin olhou para sua mãe e depois para seu amigo, mal disfarçando a sua vontade de rir daquela rasgação de seda. Zombou:

- Mãe, a senhora lembra que o seu filho primogênito, que esteve internado há poucos dias no hospital, e por um triz não foi assassinado, sou eu né?

- Baka, não diga essas coisas! – a bronca veio do senhor Akanishi, junto com a sua pesada mão.

Jin esfregou a parte de trás de sua cabeça, a que foi atingida pelo cascudo de seu pai, e resmungou, ainda enciumado.

- Eu só queria lembrá-la de que o filho dela sou eu, oras!

- Não precisa desse ciúme todo! Você tem recebido muita atenção! – comentou Reio.

A demonstração de ciúmes de ambos os filhos apenas alegrou o coração da senhora Akanishi, mas, ainda assim, ela estava com mais inclinação em suprir a saudade que sentia de Yamapi, então continuou a dar-lhe toda a sua atenção.

2

A fumaça do banho quente escapou pelo apartamento quando ela abriu a porta do banheiro e foi para o seu quarto. De toalha, Akeko parou diante do seu espelho. Seu olhar parecia distante do que realmente via. Sobre o tecido felpudo, ela acariciou o próprio ventre.

- Né, Makoto? Isso é o certo, não é? É o que eu tenho que fazer...

Lançou um olhar para a cama e sorriu. Depois, voltou a encarar a sua imagem refletida.

- Gomen, né? Mas não se preocupe... Você trará muita alegria a mamãe... – enquanto dizia isso, com a voz embargada, seus olhos foram inundados pelas lágrimas.

Fechou os olhos, procurando pela tranqüilidade que era uma de suas características. Não podia se perder dessa forma, ela tinha que retomar o controle, o jogo ainda não estava de todo perdido... No entanto, o que mais a assustava, era o fato de ficar sozinha...

Sem Makoto, ela arriscava tudo o que tinha em uma tentativa de ficar com Kazuya, mas... E se não desse certo? E se aquele maldito garoto ainda conseguisse ficar com o seu Kazuya?

Ela certamente ficar sozinha.

3

- Dá uma olhada nessa letra. – Yamapi lhe estendeu um papel.

Deitado em sua cama, Jin se esticou até o amigo para pegar o papel. Leu rapidamente as primeiras linhas e ergueu um olhar curioso para Pi.

- Você faz uma melodia pra mim? – pediu o integrante do News.

- Para quando?

- Não tem prazo... Não é um trabalho, apenas escrevi essas linhas e acho que ficaram bacanas! Mas não consegui uma boa melodia... Então, você faz?

Jin ficou em silêncio por algum tempo, relendo as letras e refletindo. Depois, espreguiçando-se, disse:

- Ah! Tenho preguiça!

- Que tipo de resposta é essa? – o outro bronqueou, tentando pegar a folha de volta.

- É brincadeira! – ele pulou da cama e foi vasculhar em seu armário. Pegou aquele velho violão, o primeiro que ganhou de seus pais. – Deixa eu dar uma afinada...

E durante o resto da noite eles se entretiveram com aquilo que já fazia parte de suas essências há muito tempo, a música.

4

- Okaeri, Jin!!

Jin teve a impressão de já ter vivido essa cena no camarim do KAT-TUN. Como se tivesse lido seus pensamentos, Koki comentou:

- Espero que esta seja a última vez que eu tenha que te dizer “bem vindo!”.

Era verdade. Essa era a terceira vez que esse tipo de cena acontecia entre eles em um intervalo de tempo muito curto... E ele era sempre a pessoa que estava retornando... A primeira vez foi logo depois do isolamento, quando brigou com Kamenashi, a segunda, depois da sua temporada de descanso do seu primeiro colapso... E, agora, depois de ter estado em uma espécie de coma.

Jin sorriu para Koki, que entendeu aquele gesto como uma afirmativa ao seu pedido, mas Jin não estava tão seguro de que esta seria a última vez. Deixou isso de lado e deu atenção aos demais integrantes, ansiosos em lhe cumprimentar. Era bastante claro o quanto todos estiveram preocupados.

Junho estava começando e a banda estava recheada de novos projetos. Kamenashi estava sendo sondado para uma nova novela, mas Jin não gostou muito do enredo. O seu pequeno interpretaria um estagiário que se apaixonaria por uma mulher mais velha... Era um pouco parecido com Anego, o enredo principal, mas os personagens eram completamente diferentes.

Principalmente, porque eu não me apaixonei por nenhuma mulher mais velha na vida real! Mas Jin guardou esse comentário dentro de sua cabeça e continuou a escutar as novidades.

Koki também estava escalado para atuar em outra novela, dessa vez tendo como colegas de elenco Nagase Tomoya e Tegoshi Yuya. Tanto o novo trabalho de Kamenashi quanto de Koki seriam transmitidas no próximo mês, então, eles estavam bastante ocupados.

Tendo passado por uma crise séria de saúde, o retorno de Jin foi apenas para se atualizar das informações da banda e começar o seu preparo físico para agüentar os ensaios e as apresentações. Por isso, ele foi o primeiro a acabar suas obrigações, mas aceitou esperar os amigos para jantarem juntos em um restaurante próximo. Fazia tempo que não saiam os seis juntos.

Ficou no camarim, escutando seu tocador de mp3, folheando alguns mangás ali espalhados – Koki, provavelmente – que não o interessou muito, então ele foi fumar na janela. Ficou ali, observando a movimentação da rua, enquanto relembrava daquela vez em que se declarou para Kamenashi e do fora que o levou a nocaute. Sorriu, lembrando-se de como aquilo o deprimiu, sem sequer imaginar que, um ano depois, estariam namorando...

Um barulho na porta chamou sua atenção. Era o rapaz que havia substituído Harada na assessoria do grupo.

- Akanishi-san, eu espero que tenha se recuperado plenamente. – ele foi cortês – Achei que os outros integrantes estariam aqui...

- Kamenashi está fora, em reunião sobre a nova novela... Tanaka está no prédio, mas também está resolvendo sobre a novela em que atuará... E os outros estão fazendo fotos lá no estúdio...

Eram informações desnecessárias, sendo o assessor, ele estava a par das atividades do grupo. Isso fez com que Jin desconfiasse de suas intenções e, por isso, perguntou:

- Tem alguma coisa que eu possa lhe ajudar?

- Sei que o combinado foi que você voltasse aos poucos às suas atividades, mas...

- Está acontecendo alguma coisa? – Jin o cortou, de modo que ele entrasse direto no assunto.

- Tem algumas fãs do KAT-TUN fazendo um pequeno tumulto na entrada. Já tentamos de tudo para fazê-las irem embora, mas querem a presença de um de vocês... Será que você poderia dar uma palavrinha com elas... Aposto que cinco minutos serão suficientes.

O que Ito-san estava pedindo não era algo sobrenatural. Não era a primeira vez que fãs apareciam querendo ver seus artistas e, muitas vezes, quando era possível, um ou dois integrantes da unit idolatrada apareciam. Ele mesmo, algumas vezes, foi receber suas fãs... E, de repente, um pensamento o alarmou. Em uma dessas ocasiões, Sayuka poderia estar entre aquelas fãs...

Ficou inseguro.

- Eu...

O que devia fazer? Não podia evitá-las o resto da carreira. Se pretendia continuar na banda, teria que fazer a sua parte com as fãs, mas... Imaginou-se diante delas, falando alguma bobagem, como poderia evitar que fosse mal interpretado? Imaginou aqueles olhares apaixonados todos voltados para si. Não queria provocar outra morte. Que pressão. Sentiu sua nuca endurecer, seus ombros se contraíram e sua boca ficou seca.

- Akanishi-san?

Jin havia se esquecido da sua presença. Olhou para ele, desconcertado, não sabia o que deveria ser feito. E foi nesse momento que Ito recebeu uma ligação.

- Hum... Entendido. Obrigado por avisar, Aikawa-san. – ele desligou o celular – Parece que não vai ser mais preciso, Akanishi-san. Kamenashi-san acabou de chegar e parece que as meninas ficaram satisfeitas. Desculpe incomodá-lo.

- Ah... Tá... Não se preocupe com isso.

Mesmo depois que a porta se fechou atrás de Ito-san, o coração de Jin continuou acelerado. O que foi isso que sentiu? Ele se perguntava. Por que esse medo todo? Será que esses dias afastados do trabalho não foram suficientes para lhe restabelecer a calma? Como se portaria em um show, então? E nas gravações de programas? E na rua, quando fosse abordado? Sairia correndo?

Sentiu-se um idiota por portar-se dessa maneira. Estava envergonhado da própria atitude, ao mesmo tempo, estava impaciente e irritado.

- Inferno!! – ele passou os dedos em seu cabelo, jogando-os para trás.

Você matou minha filha!

- Eu não matei ninguém! – rosnou.

Ele tentava acreditar em sua própria inocência, mas, então, porque estava tão incomodado? Por que não foi capaz de realizar uma tarefa tão simples de atender as fãs?

Jin gostaria de saber até quando teria que conviver com os resquícios da passagem de Kirisawa e Harada em sua vida? Quando voltaria ao normal?

Seria possível ser o mesmo Jin de antes de tudo isso?

5

Kamenashi não escutou o que Nakamaru dizia, fazendo todos rirem, até mesmo Jin, o que o obrigou a fingir uma risada e depois voltou a observar a atitude do namorado. Jin estava esquisito, o que ele deveria considerar uma reação normal, depois de tudo o que aconteceu. Deveria, inclusive, esperar essas alternações de bom e mau humor do rapaz. Mesmo sabendo disso, ele não conseguia deixar de se preocupar.

Ao entrar no camarim, depois de regressar da reunião sobre a nova novela e atender algumas fãs na portaria, ele encontrou um Jin amuado e até um pouco irritado. Conversaram apenas sobre assuntos profissionais até que os outros integrantes do grupo terminaram seus respectivos trabalhos e foram ao encontro deles.

Ele está tão calado... Até mesmo no hospital ele parecia mais animado. Depois em sua casa, ele parecia o Jin de sempre... Até mesmo hoje de manhã ele parecia normal... Aconteceu alguma coisa depois que cada um seguiu para sua atividade do dia? Talvez ele devesse ter ido para casa descansar... Ah, Jin, o que há com você hoje?

O seu desejo naquele momento era arrastar o namorado para o apartamento e, finalmente, conversar com ele sobre tudo o que passaram. Além de desabafar o que estava sentindo, tinha certeza de que faria bem a Jin despejar o que pensava. Sabia que nem mesmo Yamapi conseguiu abrir uma brecha no muro que o mais velho tinha construído em torno desse assunto.

Kamenashi voltou sua atenção à mesa quando ouviu aquela risada escandalosa. Jin ria de algo, que, novamente, ele não prestou atenção. Dessa vez, era uma risada sincera. Kazuya decidiu deixar sua preocupação de lado e ajudar seus amigos a animarem Jin. Não sabia se todos tinham percebido o mal-estar do seu namorado, talvez fosse por causa do tempo em que ficaram distantes, mas acontecia que todos eles, pelo menos uma vez, se esforçaram para fazê-lo sorrir.

Arigatou, minna!


- Serei uma espécie de membro iniciante da Yakuza! – Koki explicava o seu novo personagem, quando a conversa entrou em um clima mais sério - Meu personagem é encarregado de boa parte da comédia, vai ser difícil!

- Nem tanto! – Jin caçoou – Olhe-se no espelho e você vai encontrar a inspiração para ser engraçado!

- O que você tá querendo dizer com isso, seu maldito?? – brincou Koki, usando o linguajar da Yakuza, afinal, tinha que treinar.

Aos poucos, a animação de seus amigos fez as preocupações de Jin ficarem escondidas em um canto de sua mente, deixando-o aproveitar aquelas companhias tranqüilamente. Ele sabia, porém, que elas voltariam quando ficasse sozinho de novo.

6

Após deixarem Ueda em sua casa, Jin e Kamenashi seguiram em direção ao apartamento do pequeno, mas este, em um determinado momento, pediu a Jin:

- Vamos para a praia?

- Eh?? Agora?

- Nós temos a manhã livre amanhã, então... Além disso, de carro, a essa hora, não é tão longe, é?

Jin abriu a boca, como se fosse exclamar “Ohh”, formando um círculo com seus lábios, mostrando toda a sua surpresa.

- Você tem se mostrado muito irresponsável, Kazu! – ele comentou, entre risos, desviando a trajetória.

- Isso é influência sua!

- Eh?? Lógico que não! Nos conhecemos há anos, porque só agora eu te influenciaria?

- Eu não vou responder o que você quer! – ele afirmou, rindo e olhando para a janela, evitando encontrar a expressão divertida de Jin. – De jeito nenhum!

- Devo ir para o seu apartamento, então?

-... Isso é chantagem?

- Quem está no volante?

- Isso é chantagem.

- Nada, só estou com sono e prefiro ir para minha casa, encontrar minha cama e dormir confortavelmente.

- Você desistiu até de ir para o meu apartamento?

- Ah, eu preciso pensar no porque eu te influenciei só agora... E isso eu faço melhor sozinho!

Kazuya lançou um olhar estreito para Jin, acusando-o sem proferir uma única palavra. Já sentia sua face arder, provavelmente já estava rubro, não acreditando que caía facilmente naquele jogo de Jin. Tentou fingir que era uma cena de novela, mas não funcionou, pois sabia que, mesmo fingindo, o sentimento era sincero... E isso era o suficiente para deixá-lo nervoso.

- Ah, olha lá o retorno!

E o desgraçado do seu namorado não contribuía em nada o pressionando desse jeito.

- Ok, eu falo!

Jin sorriu.

- Mais para frente tem outro desvio então você vai ter mesmo que dizer antes dele, caso contrário, eu faço o retorno!

Kazuya fez que sim, fechou os olhos, que tremeram levemente, mostrando o quando estava envergonhado. Abriu os repentinamente e, com um gesto brusco, ligou o rádio e aumentou o volume até o máximo.

Jin se assustou e olhou para Kazuya, que movimentava seus lábios, dizendo alguma coisa. Ele riu, mas estacionou o carro, aproveitando que a estrada estava vazia. Desligou o rádio e bronqueou:

- Isso foi jogo sujo! Não valeu, vamos voltar no próximo retorno e...

- É porque só agora eu te amo! – ele disse, pouco se importando com o que Jin dizia.

Jin parou o que falava, processando aquelas palavras, e não houve tempo para mais nenhuma gracinha. Kamenashi o impediu de dizer qualquer coisa com um longo beijo.

7

Ele apreciava a natureza. Não tinha algo em especial. Adorava o mar, adorava o campo, adorava a floresta, a montanha... Ele simplesmente se sentia bem estando próximo de tudo o que não foi construído pelo homem. Sentia a energia quente e gigantesca que a natureza emanava. Era o suficiente para recarregar as suas forças.

À noite, a praia era encoberta por um breu total. O mar se confundia com o céu e tudo se tornava negro. Mas isso não o assustava. Era um efeito natural e, a seu modo, acolhedor... Kamenashi pensava que era desse modo que um feto devia sentir-se dentro do ventre de sua mãe. Era escuro, mas nem por isso precisava sentir medo, estava seguro pela maior das proteções...

Pensou em Tsubasa. Talvez, com o nascimento da criança, ela se tornasse menos teimosa. Dizem que as mulheres e mesmo os homens mudam depois do nascimento de um filho. Mas essa mudança costuma ser maior nas mulheres, afinal, é uma vida que saí de dentro delas... Como explicar os efeitos disso para elas?

Uma brisa suave brincou com seu cabelo e levou essas reflexões embora. Olhou para Jin, que caminhava a sua frente, com a cabeça baixa, mas não por estar triste. Ele olhava para a água gelada que molhava seus pés quando a maré subia e os alcançavam. Ele ria e gemia de frio.

Jin parou de andar e ficou de frente para o mar, tentando enxergar alguma coisa além da escuridão, relaxando ao ouvir o barulho das ondas. Foi surpreendido por um abraço de Kazuya, que encostou uma das faces em suas costas e deixou os braços envoltos em sua cintura. Jin acariciou aquelas mãos e esperou. Sabia que o seu pequeno andava sensível com alguma coisa... Era hora de descobrir o motivo.

- Né, Jin...

- O que foi, Kazu...

- Você é capaz de me perdoar?

- O que?

- Tudo o que eu te fiz?

- O que você me fez?

- Eu te disse horríveis e te soquei. Eu fiquei irritado quando você nos fez perder o debut. Eu te traí... – ele apertou a cintura de Jin com mais força.

- Nós nos perdoamos na época daquela briga. E o debut foi por causa do Harada. E a sua traição... Estamos juntos, agora, não é o que importa? Por que tocar nesses assuntos agora?

A voz de Jin era carinhosa, em uma tentativa de acalmar o mais novo que, aquela altura, estava bastante nervoso. Jin podia sentir os braços trêmulos de Kazuya agarrados ao seu corpo.

- Por que na época em que pedi desculpas por todas essas coisas, eu não sabia o principal, eu não sabia o mais importante! Agora que eu sei, eu preciso me desculpar de novo...

Kazuya abafou um soluço, dando tempo para Jin indagar:

- E o que é tão importante?

- Você esteve me protegendo todo esse tempo... – a voz de Kazuya vacilou – Harada me contou todas as suas chantagens... Uma por uma... E qual foi a sua reação diante delas...

Jin ficou surpreso. Seu olhar se alargou... Não queria que Kazuya descobrisse dessa forma... Aliás, não queria que ele descobrisse de jeito nenhum. Maldito Harada.

- Ele ameaçou me tirar da banda. E, sabendo o quanto o KAT-TUN é importante para mim, você se sujeitou a ele... Ele te pressionou quando me levou para sua sala... Embora apenas tivesse me deixado de isolamento, ele fez você pensar que ele também iria me usar... Era por isso que você estava tão assustado aquele dia no metrô... Ele ainda te chantageou com imagens nossa de quando eu estava em isolamento e também fez ameaças com um vídeo meu e de Akeko... Ele te fez assisti-lo, enquanto ele... Enquanto ele... Oh, Jin! Por que você aceitou tudo isso?

- Eu aceitei... Por que não queria te ver sofrendo, Kazu... Por isso, não chore assim, está bem? Tudo acabou, eu consegui passar por todos esses acontecimentos... Não, nós conseguimos... Mesmo que você não soubesse, a sua presença foi fundamental para que eu prosseguisse. Quando todos ficaram contra mim por causa do debut, você ficou ao meu lado... E, depois, quando começamos a namorar... Os momentos que passamos juntos desde então... São eles que me ajudam a esquecer o que passou. Por isso, não se culpe dessa forma...

Jin soltou as mãos de Kazuya e se virou, para abraçá-lo de frente. Puxou aquele rosto para escondê-lo em seu peito, sentindo sua camiseta umedecer a medida em que as lágrimas começaram a correr livremente dos olhos do caçula. Jin afagou sua cabeça, massageou sua nuca, beijou-lhe a testa.

- Gomen, Jin! Gomen!

- Você não tem que pedir desculpas por isso... Kirisawa era um louco e Harada estava desesperado.

Jin segurou o queixo de Kazuya e o ergueu em sua direção. Deixou seus lábios secarem aquelas lágrimas, beijando-o com carinho, para só depois permitir suas bocas se unirem.

Suas línguas se encontraram vagarosamente, como se fossem duas desconhecidas, ou, simplesmente, estivessem constrangidas uma com a outra depois daquele desabafo. Tocavam-se, afastavam-se, tímidas.

Kazuya afastou-se um pouco e, segurando na gola de Jin, começou a sentar-se na areia. O mais velho entendeu a sua intenção e deixou-se ajoelhar na areia, para depois subir por cima do corpo pequeno, este já deitado. Voltaram a se beijar e, desta vez, com mais determinação.

O vai e vem das ondas tranqüilas era um reflexo daquele beijo. Ainda era lento, porém constante e seguro. A maré começava a molhar a calça de ambos até a altura do joelho, mas eles não se importaram.

8

- No fim, eu seria vítima de um plano louco de qualquer jeito. – Jin explicou, deitado com os braços atrás da cabeça. – Kirisawa me odiou com uma força inimaginável, Kazu e... Com ou sem Harada, usando você ou não, ele viria atrás de mim cedo ou tarde... Por isso, não se culpe, está bem?

Kamenashi, já mais calmo, deitado na mesma posição ao seu lado, encarando o mesmo céu escuro, ficou curioso com aquela afirmação. Então, Jin, pela primeira vez, contou o que aconteceu antes de Harada e Kazuya aparecerem.

- Você não pode ser culpado por isso, Jin... Ainda que você a tenha tratado muito mal, o que eu não acredito, você acha que conseguimos sempre ser cortês com as pessoas? Nós temos nossos próprios problemas, mesmo que as pessoas pensem que somos perfeitos, nós temos o direito de nos estressar... Não digo que seja certo maltratarmos alguém por conta dos nossos problemas, mas, afinal, somos humanos e um erro nosso não deveria ser julgado de forma tão rigorosa quanto Kirisawa fez com você...

- Eu sei disso, Kazu... Mas eu me sinto culpado porque eu nunca pensei em minha responsabilidade... – ele suspirou – Sabe? Quando você me disse que eu levo a vida como se fosse uma diversão, você estava certo... Eu realmente estava levando tudo como uma brincadeira! Era sempre muito divertido aparecer na televisão, cantar para milhares de pessoas, ser adorado... Eu tentava fazer cada vez melhor, porque era divertido, e, em partes, porque eu queria retribuir aos fãs, mas eu nunca me coloquei no lugar deles... Eu quero dizer, eu nunca dei o devido valor ao que eles sentem por nós... Eu os respeitava, apenas isso, mas simplesmente achava que eles se divertiam da mesma forma que eu... Nunca pensei em um sentimento mais intenso...

- Não seja tão rigoroso com você mesmo. – ele pediu, deitando-se de lado para esfregar o peito de Jin, um consolo. – Você só tem vinte e um anos... Nós ainda teremos que aprender muitas coisas, não é fácil, ninguém nasce sabendo tudo para poder agir certo... Né? Ainda assim, sabendo que você errou, isso não justifica toda aquela loucura...

- A filha dele se matou... Isso choca um pai, não? Não que justifique, mas talvez ele tenha mesmo ficado louco com isso. E isso me assusta um pouco... Vai saber em que vai resultar o próximo gesto que eu fizer?

- Você não pode pensar assim, Jin! Entendo que seja difícil, mas você vai deixar de viver por isso?

Jin segurou a mão de Kazuya que lhe acariciava. Brincou com seus dedos, enquanto refletia. Decidiu ser sincero:

- Estou um pouco cansado de tanta pressão, Kazuya...

- Você não tem que carregar tudo isso sozinho, Jin... – ele o alertou, aproximando-se e beijando sua face – Quando precisar de um repouso, me deixe ajudá-lo...

- Você já é o maior conforto que eu tenho... – ele sussurrou.

- Vamos para casa, vamos dormir juntos... – e diante do modo como os olhos de Jin despertaram, ele se corrigiu: - Vamos apenas dormir juntos, ok?

- Ok! – ele disse, cruzando os dedos na frente de Kazuya.

- Baka!

Eles se levantaram e bateram em suas roupas para tirar a areia. Jin foi até as costas de Kazuya e o limpou com tapas leves. Kazuya retribuiu a atenção. Eles se olharam. Ficaram nessa contemplação por algum tempo, até Kazuya dizer:

- Obrigado por me amar desse jeito...

O arrepio que sentiu, Kazuya não soube dizer se foi pelo frio da madrugada ou pela própria declaração.

- Agradeça-me devidamente com um beijo... – Jin pediu.

Apesar de dizer isso, quando Kazuya avançou em sua direção, Jin o impediu, segurando-o pelo ombro.

- Isso... Se você conseguir me pegar!

Enquanto o pequeno processava aquela afirmação, Jin saiu correndo com toda a sua velocidade. Diante daquela aposta, Kazuya não teve como recusar a brincadeira e correu atrás de Jin. Era um pouco difícil correr na areia, ambos perderam o equilíbrio muitas vezes, correram pela maré, molharam-se...

Passaram um bom tempo naquela brincadeira. Já estava amanhecendo quando foram embora, temendo serem flagrados nesse momento tão descontraído.

9

Ela sabia que essa era a sua última cartada. Não que isso tornasse mais fácil fazer o que tinha que ser feito. Enquanto dirigia pelas ruas de Tóquio, ela relembrou um pouco do seu passado.

Quando descobriu que estava grávida de Satoshi, ficou tão contente, que nem ao menos se lembrou da sua carreira de cantora. Não pensou que isso traria alguma conseqüência, mas, ao contar a novidade para seu namorado, ele lhe jogou friamente a realidade diante dos seus olhos.

Akeko não devia ter aquele filho.

E ela não teve.

O fantasma daquele aborto ainda assolava as suas lembranças. Pensou como seria suportar a vida de duas crianças em suas costas. Ela assassinaria o seu segundo filho dentre em breve... Se este sacrifício não for suficiente para trazer Kazuya de volta, o que ela deveria fazer, então?

Não quis pensar negativamente. Nem Kamenashi poderia perdoar Akanishi por assassinar o seu filho... Kazuya não poderia ser assim tão insensível. Akeko, no entanto, não tinha tanta convicção de que o rapaz acreditaria ter sido algo premeditado por Akanishi...

E, se ele pensar que foi um acidente?

Cutucou o volante com os dedos, enquanto refletia. O farol, vermelho, era como se estivesse vendo o próprio sangue manchado nos uniformes dos médicos ao redor do seu corpo jovem, retirando aquela pequena vida de dentro de si.

Será que Kazuya é capaz de perdoar Akanishi por um acidente que vitimou seu filho?

A buzina do carro de trás a alertou de que o farol estava aberto. Pôs o carro novamente em movimento enquanto repensava seu plano.

Kazuya está disposto a entrar na justiça para ficar com meu filho e com Akanishi... Ele enfrentou a mãe do próprio filho dessa forma. Ele ignorou a ameaça de perder o filho por causa daquele moleque...

Ela já podia ver o prédio de Jin. Ainda não tinha certeza do que devia fazer... Repensando em todas as falhas dos planos anteriores, percebeu que apenas um teve um pequeno sucesso. Quando Kamenashi descobriu sobre Yamapi e Jin, ele se tornou uma presa fácil...

Yamashita...

Uma idéia saltou em sua mente. Era tão claro. Como não tinha pensado nisso antes?

Acelerou e mudou a sua trajetória.

10

Quando abriu a porta, ele ficou surpreso com aquela pessoa, mas não demonstrou. Manteve-se impassível diante de Tsubasa Akeko, que o fitava de modo enigmático. Ele abriu espaço e pediu para ela entrar. Ela, porém, recusou.

- O que eu vim tratar com você é rápido. – ela retirou os óculos escuros para observar melhor a reação do rapaz. – Eu não vou desistir do Kazuya. Você está maluco se pensa que esta é uma gravidez falsa.

- Você é infértil!

- Eu não sei de onde você tirou essa idéia, mas ela é falsa. Acha que eu seria esse tipo de pessoa?

- Eu não te conheço. – ele admitiu – Mas Nakamura-san está convicto de que você assassinou seus pais, obrigando Nakamura Satoshi a ficar com você quando eram jovens. Por que ele teria esse tipo de impressão?

Aquele velho bastardo... Maldito, então foi ele? Mas como Yamashita e Nakamura se conheceram?

Apesar de chocada, Tsubada não deixou transparecer o seu nervosismo. Yamapi não conseguiu distinguir um traço de abalo naquele rosto seco e severo. Ponderava que Tsubasa ou era uma mulher muito fria ou a história de Nakamura não era verdadeira, mas, neste caso, ela não deveria demonstrar alguma surpresa com essa mentira?

- De qualquer modo, Yamashita... Eu não compreendo porque você abre a mão de seu amor dessa forma...

Ele a olhou desconfiado, mas não precisou dizer nada, ela ainda não tinha terminado de falar.

- Kazuya falava muito sobre a relação de Akanishi e você enquanto estávamos juntos. Foi quando eu comecei a suspeitar que ele estava se apaixonando pelo colega de banda. Na época, acreditei que vocês dois ficariam juntos... Por que não luta pelo que você deseja?

Yamapi esboçou um leve sorriso.

- Esse não é o tipo de conversa para se manter no corredor de um prédio, mas acho que posso te responder que é pelo simples fato que o que eu sinto não é um “desejo”.

Foi a vez da mulher deixar escapar um riso de deboche.

- Está dizendo que é amor? Isso faz menos sentido ainda... Como o não querer ficar com a pessoa que se ama pode ser amor? Você tem que lutar com todas as suas armas para conquistá-la e não ser tão passivo!

- Existem várias formas de amor e de amar. Se não fosse assim, qualquer pessoa seria a ideal para se apaixonar.

- Ah... O romantismo da juventude. – ela riu – Você não sabe como o tempo é cruel... Abafa nosso sentimentalismo quando nos deparamos com uma realidade mais crua... Quando você percebe que não há mais tempo e você não conquistou nada. Será que você continuará a pensar dessa forma quando Kazuya e Akanishi te deixarem para trás, sozinho?

Por um instante, Yamapi sentiu a dor daquelas palavras. Imaginar uma realidade em que sua amizade com Jin não existisse mais não era algo que o deixasse insensível. Contudo, escondeu essa picada de ciúmes que o atingiu, e disse:

- O que você quer, afinal? Uma aliança para cada um ficar com a pessoa que quer? Isso não é muito dramático?

- Isso seria, de certa forma, interessante... Mas você jamais aceitaria, não é?

- Absolutamente.

- Neste caso, eu apenas vim te dar uma resposta. Você quer contar uma mentira a Kamenashi, dizer que eu não estou grávida... Eu poderia esperar que meu filho nasça para te provar que você está enganado, mas, sabe? Eu não sou uma pessoa que deixa barato quando me provocam... Você esteja preparado... Se quiser se intrometer em meu caminho, colocar alguma intriga entre o Kazu e eu... Com certeza Akanishi pagará por isso.

Ela sorriu quando finalmente conseguiu enxergar algum abalo no rosto do jovem a sua frente. Sem dar tempo para que ele processasse aquela informação, ela caminhou em direção às escadas, indo embora.

Yamapi, porém, correu até ela e a segurou pelo braço quando ela já estava descendo o primeiro degrau.

- O que você pretende fazer a ele? Por que não joga limpo e me ataca ao invés de ameaçá-lo? O Jin não sabe de nada do que eu estou fazendo!

- Seu amor é tão grande, Yamashita, você não devia sufocá-lo dessa forma... Eu poderia fazer muitas coisas a Akanishi. Seria uma forma de te atacar indiretamente, não? De uma forma muito cruel, atingindo aquilo que lhe é mais caro, como você está fazendo comigo... Mas eu não sou este tipo de pessoa, Yamashita. – ela repousou sua mão sobre a de Yamapi, retirando seus dedos do seu braço de forma delicada. Yamapi não ofereceu resistência - Eu ataco de frente, como você bem me pediu... – Uma vez livre, ela pegou a mão do rapaz e a levou até o seu ventre – Você não consegue sentir a vida que eu carrego?

Realmente, ele não sentia nada, mas Yamapi ficou calado, esperando o final daquele discurso.

- Eu amo tanto o Kazuya, talvez com a mesma intensidade que você ama Akanishi, mas, somos diferentes. Eu faço tudo para ficar com a pessoa que eu amo. Eu faço qualquer sacrifício...

Ela pressionou aquela mão mais grossa e forte que a sua contra o seu ventre, ao mesmo tempo em que dava um passo para trás.

Yamapi abriu os olhos quando viu aquele corpo pequeno e delicado inclinando-se para trás. Tsubasa lançou um sorriso a ele e depois fechou os olhos. Aconteceu tão rápido, ele tentou segurá-la, mas o vestido que ela usava era de um tecido tão fino que não foi capaz de evitar a queda. Com um pedaço da saia de Tsubasa nas mãos, ele a viu rolar os degraus até o andar debaixo.

E o silêncio preencheu o ambiente.




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Nara
Johnny's senior
Johnny's senior
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 2833
Idade : 33
Localização : São Paulo/SP
Emprego/lazer : bióloga
Unit Favorita : NewS, Arashi, Kanjani8, V6
Data de inscrição : 26/05/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Ter Maio 04, 2010 9:35 pm

Aaaaa essas Akeko é loucaaaa!!!!!
aaaa q raiva dela !!!!!!
*bufa*
Pi vai sr culpado pela queda né?
aiaiai e agora????
*desespero*
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://micellanews.blogspot.com/
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Dom Maio 09, 2010 10:50 pm

Akeko mudou o alvo dela >.<. Sim, o Pi será culpado =/
E agora vai começar a última cartada dela ^^!

Obrigada por continuar acompanhando!

Beijosss




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Seg Maio 10, 2010 12:34 am

Aborto

1

- Não havia bebê algum.

Aquela era uma sala sombria demais para um hospital, pensava Mitiko. Não, ela se corrigiu, o assunto era que tornava o ambiente mais pesado. Apesar das paredes brancas e da luz acessa, o clima ali era sufocante e não apenas por que as janelas e as cortinas estavam fechadas.

Olhou para o seu superior, Tamura-san, que estava sentado ao seu lado, diante do diretor do hospital. Fujikawa-san estava com as mãos unidas em cima da mesa, explicando com detalhes técnicos o que Mitiko já imaginava devido às pesquisas que fizera.

Akeko estava doente. Uma gravidez psicológica. Os fãs ficariam bastante surpresos, mas Mitiko não estava tão chocada. O passado da amiga não foi nada fácil. Perdeu os pais muito nova e ainda abortou quando engravidou pela primeira vez. O namorado fugiu e se casou com outra. Akeko até mesmo conheceu a filha do namorado e muitas vezes a levou para passear... Algum dia, esses fardos seriam pesados demais para ela continuar caminhando com tanta tranqüilidade.

Ela só não sabia se esse acidente na escada poderia abalar ainda mais o emocional de Akeko. Ela conseguiria entender que não perdeu um filho pela segunda vez? Descobrir que não estava grávida poderia ser um choque maior ainda.

A preocupação com a amiga a fez ficar alheia àquela reunião, porém, um comentário do médico a fez voltar para a realidade.

- Isso é totalmente antiético.

- Por favor, Fuji-san. Eu não estou pedindo para você mentir, apenas garanta que essa gravidez psicológica não seja disseminada pela mídia... E eu sei que você tem condições para garantir isso! Este hospital sempre recebe inúmeras personalidades importantes para o país e até mesmo internacionais... Apenas confirme que não há mais bebê.

- Nunca houve.

- Sim, mas não é necessário dizer isso. Vamos continuar com a história de que Tsubasa perdeu o bebê.

- Tamura-san! – exclamou Mitiko, horrorizada – E como você acha que Tsubasa vai ficar? Ela não vai agüentar uma história como essa!

- Ela já sofreu um aborto, não vai ser algo tão chocante. – foi a resposta seca – Agora, se a imprensa descobre que, além dela ter se envolvido em um acidente na casa de um artista da Johnnys, muito mais novo que ela, e que estava com gravidez psicológica... A carreira dela termina. Com certeza, termina. E, a essa altura, o que sobra para Tsubasa além do trabalho?

Mitiko achou aquelas palavras cruéis demais, mas elas eram cruéis justamente por serem verdadeiras. Essa era a realidade em que sua amiga havia se envolvido. Embora admitisse isso, Mitiko pensava que se tratava da saúde de uma pessoa e que não deveriam resolver isso dessa forma tão precipitada... Ao mesmo tempo, tinha consciência de que não havia muito tempo em se tratando da imprensa. Logo mais jornalistas estariam ali para tentarem descobrir todos os detalhes possíveis.

A contragosto, ela permaneceu em silêncio, enquanto Tamura continuava a convencer o médico.

2

Olhou para o aparelho celular em suas mãos. Pensava se seria melhor ele mesmo chamar Kamenashi. Yamapi não conseguia tomar uma atitude, pois não conseguia imaginar qual era a intenção de Tsubasa ao se jogar daquela forma pela escada. Ele sabia que isso seria uma desculpa para não dar a luz. Dessa forma, contar a Kamenashi que ela não estava grávida já perderia o seu sentido... Como provar que ela nunca esteve grávida?

Ele tinha o testemunho de Nakamura-san. No entanto, ele tinha consciência de que não era algo sólido. Podia ser apenas uma declaração de um pai amargurado com o afastamento e o declínio da vida do filho e que, por alguma razão, culpou a namorada do rapaz por tudo. O próprio Nakamura não tinha provas do que lhe contou. Mas, com essa atitude de Tsubasa, agora, mais do que antes, Yamapi tinha certeza do seu envolvimento pelo martírio que Jin sofreu... Ele só precisava descobrir como.

Previa que a “perda do bebê” seria jogada contra ele. Kamenashi certamente o acusaria, mas não podia permitir que isso caísse sobre os ombros de Jin de jeito nenhum. Pois, de alguma forma, com certeza Tsubasa pretende fazer os dois terminarem por causa de incidente. Se ao menos ele pudesse provar que ela se jogou da escada... Mas estavam apenas os dois, seria o seu testemunho contra o dela. E, apesar de estar tão claro sobre o caráter de Tsubasa para ele, Yamapi sabia que, para Kamenashi, ela era uma mulher honesta.

Não havia, por tanto, muita escolha no momento. Ele havia decidido que assumiria a culpa e, por isso, quando os agentes de Shimada chegaram ao local para abafarem a encrenca, ele apenas escutou em silêncio as recomendações, sabendo que não as seguiria.

3

Deitado de bruços, com a boca encostada em seu braço direito, ele observava o outro garoto dormindo tranqüilamente, com o rosto voltado seu direção. Era um contraste tão grande essa imagem com o que tinha acontecido no mês anterior...

Jin olhou para o relógio na cabeceira e se levantou. Deixou Kazuya dormindo e foi tomar um banho. Sentia-se incrivelmente bem naquele finalzinho da manhã, pois já estava quase na hora do almoço. Acordar ao lado da pessoa que se ama faz uma diferença enorme no humor de qualquer pessoa, ele percebeu.

Quando saiu da ducha, encontrou Kazuya já desperto, que lhe sussurrou um cumprimento bastante vago, ainda estava sonolento.

- Vai tomar um banho e vamos sair pra comer... Já está quase na hora de irmos para a agência!

- Cinco minutos... Aqui está quentinho...

- Debaixo da água também está quentinho! Vamos logo! – ele riu.

Kazuya tentou se enrolar debaixo do edredom querendo evitar ao máximo sair da cama, mas Jin foi mais rápido e puxou a coberta, produzindo um vento ainda mais forte e frio, que atingiu o pequeno com toda a força.

- Ahhh, que maldade!

- Eu ainda não terminei!

- Ehh?? O que mais você pretende fazer?

Jin não respondeu, ele foi até o banheiro, voltando pouco depois e foi até a cama. Puxando um dos braços de Kazuya, colocou-o em suas costas, e o levou até a ducha, com pijama e tudo e abriu o chuveiro com a água gelada.

- Ah!!! Tá frioooo!

O mais velho riu ao ver o outro tendo que se colocar nas pontas dos pés para alcançar o chuveiro e mudar para água quente. Agora, ele estava totalmente desperto.

- Você me paga!

A ameaça não produziu muito efeito, estando Kazuya daquele modo, com os cabelos já encharcados. Ele retirou sua roupa e as jogou com toda a força contra Jin, que simplesmente as deixou cair no chão, admirando o involuntário strip-tease que o pequeno fazia.

Kazuya fez pouco caso do seu olhar de cobiça, dizendo:

- É melhor você não se animar, estamos com pouco tempo, lembra? – e ele fechou o boxe.

Pouco depois, a fumaça produzida pelo chuveiro embaçou o vidro da porta e Jin não foi capaz de enxergar mais que o contorno do pequeno. Não deixava de ser erótico, mas se conteve, eles estavam mesmo com pouco tempo. Recolhendo o pijama do chão, ele deixou o namorado em paz.

4

Ele saiu com a toalha enrolada na cintura e foi para o quarto. Encontrou suas roupas dobradas em cima da cama e sorriu por mais essa atenção de Jin. Vestiu-se e recolheu seus pertences, que não eram mais que sua carteira e o celular. Estava indo para sala quando o aparelho vibrou em seu bolso.

- Alô?

- Kamenashi-san? Aqui quem fala é Nagasawa Mitiko. Assessora de Tsubasa Akeko.
A expressão de Kamenashi endureceu ao escutar o que aquela mulher tinha a dizer.

5

Durante o caminho até o hospital, eles se mantiveram em silêncio. Jin não sabia como consolar o namorado, não era uma situação muito comum, afinal. Kazuya, por sua vez, não conseguia parar de pensar na criança.

Estacionaram o carro em um andar privativo do hospital, algo que havia sido providenciado pela assessora de Akeko, já que se tratava de um caso que exigia o máximo de sigilo possível.

Eles desceram e estavam indo para o elevador, mas pararam no meio do caminho quando encontraram alguns funcionários da Johnnys e, entre eles, Yamapi caminhava cabisbaixo.

- Pi? – Jin não escondeu a surpresa. – O que você está fazendo aqui?

Yamapi respirou fundo. A sua intenção era ir embora o quanto antes, para evitar encontrar Kamenashi, mas foi preciso permanecer até o final do interrogatório e só agora havia sido liberado. Sem qualquer disposição para conversar, ele apenas ergueu as mãos, em um cumprimento aos dois. Sabia, porém, que precisava dizer alguma coisa. Preferiu ser direto.

- Kame... Tsubasa-san caiu da escada do meu prédio.

As sobrancelhas do pequeno se uniram, em uma evidente confusão.

6

“ - Discutimos e ela caiu da escada.”

“ – E a criança?”

“- Não sei. Eu estava em interrogatório até agora!”


O laconismo de Yamapi era famoso entre aqueles que o conheciam bem, até mesmo entre a imprensa, mas havia algo em seu tom de voz que deixou Kamenashi inquieto. Além disso, ele se perguntava o que Tsubasa estaria fazendo em seu apartamento e porque eles discutiram?

Não teve tempo para perguntar isso agora, estava mais preocupado em saber o estado da criança. Assim que o elevador chegou, ele subiu imediatamente, sendo seguido por Jin.

Jin, por sua vez, estava preocupado com Pi. Notou, assim que o viu, o seu cansaço. Mas, acima disso, notou o seu olhar estranho. Precisava conversar com ele, mas, no momento, Kamenashi também necessitava do seu apoio. As mesmas perguntas que passavam na cabeça de Kazuya, Jin as fazia para si mesmo. Quando Tsubasa e Pi se conheceram a ponto dela estar em seu apartamento e por qual assunto teriam discutido? Não conseguia pensar em como isso era possível.

No andar do quarto em que Tsubasa repousava, eles encontraram primeiro Mitiko, que se afastou de Tamura-san e foi ao encontro dos jovens. Naquele momento, não era mais necessário disfarçar o relacionamento entre Kamenashi e Tsubasa e, por isso, Mitiko pediu um momento a sós com o rapaz. Jin alegou que pegaria café na máquina e se afastou.

Kamenashi e Mitiko se sentaram em um banco próximo e o rapaz foi direto:

- Como está Tsubasa? E a criança?

- Tsubasa está descansando... Ela já despertou, mas está muito abatida, Kamenashi-san. Ela vai precisar de muito apoio.

- E a criança?

Mitiko baixou o olhar. Não tinha coragem de seguir com aquele teatro. Ele pensava que era pai de uma criança que não existia e que agora pensava estar morta... Não disse nada, mas o seu silêncio bastou como uma resposta. Kamenashi interpretou o gesto de Mitiko como a confirmação de que Tsubasa perdera a criança.

Em choque, ele perguntou se poderia vê-la. Mitiko informou que em breve eles liberariam as visitas. Não houve conseqüências graves ao físico de Tsubasa, mas seria necessário ficar em observação, já que ela bateu a cabeça durante a queda.

Sem agüentar o olhar carregado de dor do jovem, Mitiko se levantou e se uniu novamente a Tamura-san. Jin, que os observava de longe, aproveitou o momento para se aproximar. Estendeu um copo de plástico com café para o pequeno, que recusou e disse:

- Ela perdeu o bebê... A criança... O meu filho...

Kamenashi, com o corpo inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, uniu as mãos e encostou sua testa a elas. Fechou os olhos, não querendo chorar ali, na frente de Jin e de desconhecidos. Ao sentir a mão de Jin esfregando suas costas, não foi capaz de resistir. Deixou escapar um soluço e chorou.

Sem saber o que dizer, Jin permaneceu ao seu lado, confortando o pequeno com o calor de sua mão.

Que inferno... E essa agora? Jin se perguntava quando haveria um momento de paz completa entre eles.

7

Quando recobrou a consciência, ela sentiu um pequeno desespero, tinha esquecido de que tudo tinha sido planejada por ela mesma. Queria apenas notícias do seu bebê. Embora tenha se recordado de que havia decidido que este seria o melhor caminho para recuperar Kazuya, ainda assim, não foi fácil ouvir da boca de Mitiko de que tinha perdido a criança.

Desejou que Makoto estivesse de novo ao seu lado, mas isso também não era possível. Perceber que nada do que almejava era capaz de se realizar a irritou. Tomada pelo desespero, o abraço caloroso de Mitiko não foi capaz de acalmá-la.

Um sedativo a deixou tranqüila novamente e seus olhos se tornaram pesados demais.

8

Despertou novamente, com a sensação de estar vivendo um deja vu. Porém, quem estava ao seu lado desta vez era Kazuya... Seria um sonho?

Ao notar que ela estava acordada, Kamenashi segurou em suas mãos e lhe sorriu.

- Akeko...

Era tão bom ver a preocupação de Kazuya em seu olhar. Isso porque, desta vez, ele estava preocupado com ela. Ele ainda possuía algum sentimento a sua pessoa, não havia se tornado totalmente indiferente o garoto...

- Kazuya... O nosso filho...

- Não pense nisso agora... Você precisa se cuidar, certo?

- Você vai tomar conta de mim, Kazu?

Ele nunca a viu tão fragilizada antes. Não teve como se negar. Sorriu e sacudiu a cabeça. Depois, deixou sua mão deslizar naquela face amedrontada. Akeko fechou os olhos e se sentiu protegida... Era inexplicável o sentimento que sentia em tê-lo ao seu lado mais uma vez.

Sim, ela precisava descansar e recuperar suas energias para prosseguir. Desta vez, ela não deixaria Kazuya voltar para aquele moleque impertinente. Ele era dela.

9

Depois de um bom banho para tirar a tensão e o cansaço e de preencher o estômago com algo sólido, Yamapi se jogou em seu sofá, precisava tirar um cochilo, seu corpo necessitava de descanso, mas não conseguiu. Os momentos naquela sala em que foi realizado o interrogatório não o deixavam dormir.

Uma vez que Tsubasa não o acusou de empurrá-la, a polícia não foi acionada. O hospital recebeu aquele caso como um acidente e, sendo dois artistas de importância considerável, as suas respectivas agências trabalharam em conjunto para abafar o caso. Ainda assim, tanto a Johnnys quanto a Safira Star, agência em que Tsubasa trabalha, queriam saber todos os detalhes do acidente.

Yamapi foi chamado a uma sala, onde foi anotado o seu depoimento. Ele evitou os nomes de Kamenashi e Jin. E disse, sucintamente, que Tsubasa e ele discutiram em seu apartamento, próximos a escada, então ela caiu.

- E qual foi o motivo da discussão? – perguntou Hayashi Seto, agente da Safira.

- É um assunto particular.

- Yamashita-san, compreenda... – pedia Watanabe Shunji – A sua situação é delicada. Houve uma testemunha que disse ter ouvido “Você não pode ter esse bebê!”. E, pouco depois, Tsubasa-san rolava as escadas. Você entende a situação, não entende?

- Eu nunca disse isso. E eu não a joguei da escadaria se é isso o que estão pensando. A causa mais provável é acidente!

- A causa mais provável? Você não tem certeza? – indagou Hayashi.

- Eu não sei se ela perdeu o equilíbrio ou se jogou da escada. – Yamapi disse finalmente.

- Ora, porque ela faria algo desse tipo? – Hayashi estava revoltado a essa altura.

- Eu não sei.

- Yamashita-san, porque não nos conta o que vocês discutiram?

Ele se manteve em silêncio. Não era uma conversa judicial, portanto, podia se manter em silêncio. Essa atitude, porém, apenas foi considerada como uma afronta, na opinião de Hayashi, que passou a exigir alguma punição para o rapaz.

- Acalme-se, acalme-se! Não vamos estremecer as relações cordiais entre nossas agências! – Pediu Watanabe – Garanto que certamente Yamashita será punido, mas precisamos de todos os detalhes e ver se realmente o rapaz tem culpa.

- Se não quer dizer a verdade, só pode ser culpado.

- Ora, acalme-se.

Aquela reunião prosseguiu por muito mais tempo, mas, como Yamapi estava irredutível em sua posição, não tiveram grandes avanços e o rapaz foi liberado.

- Uma testemunha?

Ele se perguntava quem seria. Não havia ninguém no andar debaixo. Essa dúvida ficou para mais tarde, pois a campainha começou a tocar. Desanimado, ele abriu a porta e sorriu de leve para Ryo e Koyama, consciente de que eles já estavam a par da sua situação e, portanto, vieram animá-lo. Afinal de contas, eles eram seus amigos.

10

- Ok, bom trabalho pessoal!

O diretor do programa encerrou a filmagem, os apresentadores agradeceram a presença dos convidados, entre eles, KAT-TUN. Os membros se dirigiram para o camarim, a fim de se arrumarem e, finalmente, irem embora. Kamenashi tomou a dianteira, correndo para a sala reservada a eles. Ele nem percebeu que Jin o seguiu com a mesma velocidade, apenas quando entrou na sala foi que o notou.

- Kazu, eu tava a fim de comer comida italiana, tem um restaurante aqui perto que...

- Oh... Gomen, Jin! – o pequeno interrompeu o resgate de seus pertences para encarar o namorado.

Jin ficou mudo diante de Kazuya, que uniu as mãos e se curvou levemente, em um pedido de desculpas.

- Eu não posso hoje... Prometi a Akeko que a buscaria no hospital... Ela recebeu alta hoje e eu preciso ir voando para lá... Eu realmente sinto muito!

Jin não teve como não perdoar aquele rostinho inconsolável. Apertou o ombro de Kame de leve e disse que ficava para próxima. Estimou melhoras à cantora e observou o namorado sair apressado do local. No mesmo instante, Koki e Junno entravam.

- Eita, que pressa! – comentou Koki.

- Aconteceu alguma coisa? – logo se preocupou Junno.

- Sim, a ex-namorada do Kazuya caiu da escada do Pi e perdeu o filho...

- O filho do Pi?

- Não, o filho do Kazuya.

Jin pensou que seria um pouco estranho responder com a verdade naquele momento, já que os outros integrantes do KAT-TUN não estavam a par de todo rolo.

- Ei, Jin, para de sonhar e responde! – pediu Koki.

- Ah, nada... Acho que ele precisava passar na casa dos pais e já estava atrasado!

- Hum... Entendi... Vamos jantar juntos hoje? – propôs Junno.

- Você não vai me levar pra cama com apenas um convite para jantar! – brincou Jin, para levar um tabefe de Junno em sua nuca – Mas se for restaurante italiano, eu posso abrir uma exceção!

Jin continuou a importunar a vida do pobre Junno enquanto eles esperavam por Ueda e Nakamaru para finalmente irem jantar.

11

- Eu já tinha o enxoval branco e amarelo... Que são cores neutras... Como eu tinha decidido descobrir o sexo depois do parto, não podia comprar uma cor masculina ou feminina né?

O tom da voz de Akeko estava mais baixo que o normal. Kazuya notou o quanto ela estava abatida. O rosto daquela mulher não disfarçava nem um pouco a sua amargura. Doeu-lhe perceber o seu sofrimento...

- Você tinha pensado em algum nome, Kazu?

Ele não tinha pensado em nenhum. Diante da pergunta de Akeko foi que ele percebeu que em nenhum momento conseguiu pensar naquela criança devidamente. Isso porque, quando soube da sua existência, entrou em choque. Primeiro, nunca pensou em ser pai aos vinte anos, segundo, o término do namoro com Jin o machucou demais. Depois disso, quando ele se acertou com Jin, começou a brigar pela guarda da criança.

Mas, em algum momento, ele cogitou em como seria o seu rosto? Os seus olhos, o seu nariz, a sua boca? Ele nem ao menos pensou em algum nome ou que sexo seria...

Ele já estava falhando como pai antes mesmo do nascimento. Não suportou essa constatação.

Akeko o viu virar o rosto com pesar. Ela se inclinou na cama, em sua direção, e se agarrou ao seu pescoço.

- Nosso bebê está morto... – ela sussurrou em seu ouvido.

Kazuya segurou firme naqueles braços delicados, tentando consolá-la e a si mesmo.

12

Alguns dias depois...

Kamenashi entrou correndo no vestiário. A impressão que tinha era que ele estava fazendo tudo com pressa nos últimos dias. Olhou para seu relógio e xingou baixo, estava atrasado. Ele gostaria que os dias tivessem mais de vinte e quatro horas e que o seu corpo não precisasse dormir para conseguir cumprir seus compromissos. E, para piorar a sua falta de tempo, o acidente com Akeko.

Ele não sabia o que pensar de tudo aquilo. Akeko não lhe contava de jeito nenhum o que estava fazendo no apartamento de Yamapi e este havia sido punido em duas semanas com o isolamento. Kame poderia visitá-lo, já que era de outra banda, mas não conseguia encontrar tempo. Dividia seus horários de folga com ex-namorada, que precisava muito do seu apoio neste momento.

Abriu o seu armário para guardar seus pertences e ficou surpreso. Havia um embrulho ali. Sentiu seu coração apertar, sabendo que estava em falta com Jin... Pegou o presente e leu o cartão.

Feliz dez meses de... Namoro? Eu não sei! Teve aquele período em que terminamos... Eu não sei se a gente tem que retornar a contagem e começar do zero, ou a gente pula aquele tempo, ou a gente conta tudo e... Em todo caso, hoje faz onze meses que você me disse que era louco por mim, lembra? Ah, não precisa fazer essa cara de zangado, estou brincando! Hoje faz dez meses que você disse que queria ficar comigo... No meu apartamento, depois da denúncia contra Harada, lembra? Acho que podemos contar essa data como um aniversário? Então... FELIZ ANIVERSÁRIO! (Eu devia ter escrito isso no começo?). Muitas felicidades e aproveite o lindo namorado que Deus lhe deu! Ok?

Jin.

PS: Ah... Gambatte, ne? Com Tsubasa... Dê todo o apoio que ela precisa, mas não se esqueça de você mesmo, ok? Estarei ao seu lado quando você quiser falar o que você está sentindo, ok?


Kazuya sorriu. Jin era o melhor, com certeza. Abriu o presente e o que viu, fez ele ter a certeza de que Jin era o pior.

- Como esse imbecil teve coragem????

O seu rosto se tingiu de vermelho diante do vibrador em formato cilíndrico que estava na caixa. Olhou ao redor, certificando-se de que ninguém estava ali para ver aquele presente infame e o guardou desajeitadamente de volta na caixa. Bateu a porta do armário com toda a sua força.

13

Ele viu seu pequeno entrar com um olhar enfezado. O instinto de Jin logo o avisou de que estava em perigo, então ele rapidamente se colou em Koki, sabendo que Kazuya não tentaria lhe bronquear na frente de ninguém, especialmente Koki, que certamente caçoaria caso descobrisse o motivo da fúria do pequeno.

Não espere que o Koki vá te proteger até o final do dia! Era o que dizia aquele olhar ameaçador, o qual Jin respondia com um cheio de malícia, como se dissesse: Não vejo a hora de estreiar o seu presente!

Ao final dos ensaios daquele dia, porém, a zanga de Kamenashi já tinha passado. No entanto, a comemoração do aniversário teria que esperar, uma vez que ele tinha prometido visitar Akeko.

14

- Você tem certeza de que não quer que eu faça isso? – Ryo perguntou pela terceira vez.

- Por que a massa ficou desse jeito? – Jin o ignorou, mais preocupado com aquele conteúdo indescritível dentro da panela – E ainda dizem que é fácil fazer macarronada... Que inferno!

Ryo suspirou sem paciência, indagando-se que tipo de pessoa conseguia fazer uma simples macarronada virar um bicho de sete cabeças? Não agüentando mais assistir aquela demonstração patética de dotes culinários, o moreno se adiantou ao amigo e abriu um novo pacote de macarrão.

- Você só tem que seguir as instruções da embalagem, imbecil! E o truque fica no molho, entendeu? O molho é que tem que dar o gosto especial! – ele explicou, enquanto enchia uma nova panela com água e a colocou para ferver.

- Ok, farei isso, agora me dá o macarrão!

- Se não quer minha ajuda, para que me chamou?

- Justamente, eu quero uma ajuda, mas se você fizer tudo não terá sentido!

- Não tem sentido é você querer mandar o Kamenashi para o hospital com intoxicação alimentar! Que seja, vamos ver dessa vez como você se saí!

Jin aceitou o desafio e voltou a prestar atenção à panela. Dessa vez, ele faria tudo certo. Estava determinado.

- Né, Jin?

- Un?

- Você não vai ver o Pi?

- Vou, sim. Apenas estou dando um tempo porque ele parece que não quer me ver. Não está atendendo minhas ligações... Sei que parece um pouco egoísta, depois de tudo que o Pi me fez, mas, no momento, além de dar espaço para ele, eu também preciso dar apoio ao Kame. Eu não sei direito o que ele está sentindo com toda essa confusão.

Ryo arqueou a sobrancelha e fez uma expressão de nojo.

- Você está mesmo amando! Tenho calafrios só de imaginar!

- Ei!! Não pense no Kazu e eu fazendo sexo!!

- BAKA!! Não pensarei, com certeza, não pensarei e...

Jin não pode deixar de rir.

- Você está pensando!!!

- Definitivamente, não estou!!

- É impossível! Quando alguém fala não pense nisso, é justamente o que você faz! Mas, por favor, preserve a minha intimidade, ok? Ah... E eu sou o passivo... Algumas vezes!

- Eu não preciso saber desses detalhes, imbecil!!!

Jin só parou de rir quando sentiu um cheiro de queimado.

- AH!! O MOLHO!!! Essa não, olha o que você fez, Ryo!! Maldição!

15

Jin olhou para o relógio. Eram oito e meia da noite. Verificou o jantar, estava devidamente pronto, só seria necessário esquentar quando o Kazuya chegasse. Deu uma olhada na sala, estava ajeitada, organizou rapidamente a bagunça, ou pelo menos não a deixando tão a vista do seu pequeno perfeccionista.

Kazuya estava um pouco atrasado, mas tudo bem, nada muito desesperador. Sentia fome, mas poderia controlar por mais um tempo. Ele ligaria desmarcando se não pudesse vir.

Talvez, tenha ficado zangado de verdade com o seu presente, Jin cogitava. Não, Kazuya certamente viria apenas para lhe bronquear se fosse o caso. Ficaria muito bravo, mas certamente viria.

Ele vem, com certeza!

Em um cantinho de seu coração, porém, doía-lhe recordar daquela única vez em que Kazuya se atrasou em um encontro entre eles. Na verdade, não foi um atraso, ele realmente não apareceu naquela vez em que iriam comemorar o namoro, porque tinha visto aquela foto dele com Pi...

16

Não havia muito sinal de vida do lado de fora. As luzes dos prédios e casas vizinhas estavam acesas, mas poucas pessoas estavam fora de casa e um número ainda menor de carros passava pela sua rua. Eram onze horas, afinal.

Jin suspirou, tentou entrar em contato com Kamenashi, mas ele não respondia as suas ligações. Desanimado, jogou-se no sofá. Quando havia se tornado tão dependente de Kazuya? Por que sentia mais vontade de chorar do que se irritar?

Compreendia o momento de Kazuya. Sabia que era seu dever apoiá-lo, mas estava certo deixar o namoro deles de lado dessa forma? Além disso, se Kazuya não vinha ao seu encontro e nem deixava encontrá-lo, como poderia oferecer conforto a ele?

Era nisso que ele pensava, quando a campainha tocou. Seu coração deu um pulo e, contra a sua vontade, sua alegria voltou. Queria mostrar-se bravo, queria agradar o seu orgulho próprio, mas não pode evitar o largo sorriso que exibiu quando viu Kazuya entrar, com o seu típico gesto de unir as mãos e pedir desculpas pelo atraso.

- Tudo bem, podia ter ligado avisando que se atrasaria! – foi a bronca máxima que Jin lhe deu.

- Eu esqueci meu celular em casa, gomen! E tive que ficar até agora com Akeko porque a sua assessora teve alguns problemas e só chegou agora a pouco... Realmente, me desculpe!

- Tudo bem, já disse... Você trouxe?

- O que?

- O seu presente, oras... Comprei com tanto amor!

- Que presen... JIN! Eu não vou usar aquilo, pode tirar essas idéias estranhas da sua cabeça! – e aquelas sobrancelhas finas se uniram em indignação.

- Por que?? Da última vez você estava bem liberal...

- Lubrificante e vibrador são duas coisas bem diferentes, ok? Aliás, o que você estava pensando em deixar aquilo no meu armário? E se alguém visse??

- Kazu, não fique tão bravo! Qual a chance de alguém ver algo dentro do seu armário? Além disso, estava embrulhado! Vamos, vamos... Sente-se e assista um pouco de televisão... Eu vou esquentar a janta!

- Ah, eu já comi.

- Eh??

- Na casa da Akeko... Fiz algo para ela comer e acabei aproveitando...

Jin não sabia porque aquilo lhe doeu tanto. Engoliu o seu incômodo e repetiu para o pequeno ligar a televisão, enquanto ele foi até a cozinha. Fechou a porta e ficou encostado ali, por algum tempo, tentando fazer aquele ciúme ir embora.

Ele não sabia quanto tempo ficou assim, mas aquele sentimento não o deixava em paz, percebeu que estava demorando quando sentiu a maçaneta ser girada pelo outro lado e a voz de Kazuya, abafada, chamar pelo seu nome.

- Jin? – o pequeno insistia – Jin?

- Eh?? – ele tentou disfarçar seu tom.

- O que aconteceu?

- Nada... Quebrei um prato... Não entra, está cheio de caco. – e ele girou o trinco da porta – Daqui a pouco eu vou pra sala, volte pra lá.

Jin se afastou e começou a recolher a bagunça que tinha feito enquanto preparava o jantar. Separou o lixo, lavou as panelas e, por fim jogou fora a macarronada. Já não sentia fome.

17

Quando ele retornou para sala, apenas a respiração pesada de Kazuya se fazia ouvir. Ele estava dormindo encolhido no sofá. Tal imagem, que sempre cativou a Jin, naquele momento, aumentou a sua irritação. Depois de tudo, aquele garoto teve a coragem de dormir em um dia que era para ser uma comemoração.

Desastre. Um verdadeiro desastre.

Jin, naquele momento, já não tinha mais certeza se valia à pena insistir em um relacionamento com tantos obstáculos. Sentia-se como se estivesse esmurrando a ponta de uma faca. Insistir nisso só parecia trazer sofrimento...

Aproximou-se do pequeno e logo se arrependeu dos próprios pensamentos. Kamenashi estava tão cansado e, apesar de não demonstrar na sua frente, com certeza estava sofrendo com a perda daquela criança.

Ah-ah... Jin não queria ser tão egoísta, mas foi inevitável controlar seus sentimentos. Queria estar ao lado do namorado e ajudá-lo, mas ele andava tão distante...

- Né, Kazu... Como nós vamos superar essa distância dessa vez? Eu não sei...

Ele suspirou, resignado.




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Nara
Johnny's senior
Johnny's senior
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 2833
Idade : 33
Localização : São Paulo/SP
Emprego/lazer : bióloga
Unit Favorita : NewS, Arashi, Kanjani8, V6
Data de inscrição : 26/05/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Ter Maio 11, 2010 1:31 am

aii Pi e agora????
omg mas essa Akeko viu
q absurdooo
haha mas esse presente do Jin tbm rs
q enroscada q se meteram hein :/
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://micellanews.blogspot.com/
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sex Maio 14, 2010 1:54 am

É, a situação está ficando cada vez mais difícil entre Akame =/

E o presente do Jin é bem adequado a personalidade dele XD! rsrsrs

Obrigada pelo comentário!

Beijosss




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Kitty
Moderador
Moderador
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 314
Idade : 32
Localização : São Paulo
Emprego/lazer : Jornalista não mais desempregada =D!
Unit Favorita : SMAP e KAT-TUN
Data de inscrição : 21/03/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sex Maio 14, 2010 1:56 am

Opostos

1

- Eu não acredito que eu dormi...

A decepção era verdadeira nos olhar carregado de tristeza de Kamenashi enquanto ele se desculpava a Jin. Eles estavam na cama do mais velho, tendo o primeiro acordado com um sobressalto, pensando que tinha cochilado por alguns instantes, quando, na realidade, tinha deixado passar toda a comemoração deles.

- Ah, eu não acredito!

- Você estava cansado...

- Você também estava, mas não dormiu... Ah, Jin, gomen!!

Toda a sua irritação desapareceu diante da sinceridade de Kazuya, Jin percebeu. Foi capaz de sorrir para confortar o pequeno e o abraçou, puxando-o de volta para dentro da coberta. Enrolou-se a ele e puxou o edredom por cima deles. Beijou seu pescoço, mordendo ali de leve. Depois, acomodou-se de modo a deixar seus olhos na mesma altura aos do namorado.

- Está tudo bem. – garantiu Jin - Você não está em uma boa fase, não é verdade?

- Gomen, Jin... – ele desviou os olhos.

- Pare de se desculpar... Se abra comigo, Kazu. “Você não tem que levar esse peso sozinho”, não foi o que você me disse na praia?

Kazuya sorriu de leve. Jin estava com a razão. Se não pudesse se abrir com aquele a quem amava, com quem mais poderia desabafar? Ergueu o olhar para Jin e, então, expôs o que sentia naquele instante.

- Tantas coisas aconteceram em um intervalo de tempo muito curto... E foram coisas que mexeram muito com meus sentimentos... Conheci Akeko e o que eu senti por ela foi muito forte... Depois aconteceu aquilo tudo entre Harada e você... Enquanto isso, eu fui descobrindo um novo lado seu... Talvez tenha sido um lado novo apenas para mim, talvez estivesse lá o tempo todo, mas eu só fui capaz de perceber depois de muito tempo...

Jin o ouvia com bastante atenção, enquanto deixava sua mão caminhar entre os cabelos de Kazuya, fazendo-lhe carinho.

- Quando eu percebi que gostava de você, foi algo muito estranho, era bom, é bom, mas era estranho... E quando eu já estava totalmente entregue, nós terminamos daquele jeito tão brusco. Voltamos depois de meses, mas a situação continuava tumultuada entre Akeko e eu... Cada vez que nos encontrávamos, discutíamos, e, então, Harada e Kirisawa nós envolvem naquele pesadelo todo...

Kazuya engoliu de modo amargurado, aquelas recordações ainda não podiam ser encaradas facilmente. Lembrava-se dos tiros, do medo que sentiu, do olhar desamparado de Jin, do corpo inerte de Kirisawa, do sangue de Harada.

- Aquele foi o momento mais tenso que eu já vivi em minha vida, pensei que nada poderia ser pior, contudo... Você caiu naquela estranha doença. Eu fiquei desesperado. Quando você acordou, eu não sou capaz de descrever a alegria que eu senti... Foi tão grande que eu pensei que não fosse agüentar... – ele riu, tímido – E, mais uma vez, eu acreditei que finalmente nós poderíamos viver de um modo tranqüilo. Foi aí que aconteceu o que aconteceu com meu filho e Akeko...

A voz chorosa de Kazuya agredia o coração de Jin, desejava ter algum tipo de poder que pudesse evitar que seu pequeno tivesse passado por todas essas coisas, mas não existia tal coisa. A única coisa que ele podia fazer no momento era escutá-lo e ampará-lo.

- Jin, eu sinto que estou preso dentro de uma roda gigante. Uma hora estou em cima, outra hora estou embaixo... Não, acho que bungee jump é um exemplo melhor. Eu sou atirado aos extremos com uma velocidade incrível. Uma hora eu estou muito feliz, outra hora estou completamente triste... E o que me dá raiva é que são coisas que eu não tenho o menor controle, ou por ignorância, ou por não ter o que fazer, ou simplesmente por não ter agido de modo correto...

Kazuya deu uma pausa, para respirar e para elaborar bem as palavras que diria. Olhou dentro dos olhos de Jin e prosseguiu:

- Eu errei com você Jin, eu demorei a admitir o que eu sentia... Eu errei com a Akeko, sabia que não devia ter me envolvido tanto com ela e ter permitido que ela tivesse falsas esperanças. Errei em deixá-la tão de lado quando terminamos, tão envolvido eu estava em minha própria felicidade... Eu errei até com aquela criança, eu nunca a olhei com os olhos de um pai... E eu jamais poderei me redimir com ela... Nunca mais...

Kazuya teve que retirar a coberta de cima deles, já não agüentava o calor, tamanha era a sua emoção enquanto despejava essas palavras. O contato da sua pele quente com o ar mais brando do quarto foi um alento ao seu corpo, porém, seus sentimentos ainda estavam em ebulição. Calou-se e fechou os olhos com força. Sentiu uma nova onda de calor quando Jin o abraçou, mas este calor, mais do que suportável, era, até mesmo, cobiçado.

- Eu tento administrar tudo... Mas, às vezes, eu não consigo... – ele voltou a falar, em voz baixa - Me desculpe se eu estou falhando com você. Eu não quero mais errar com mais ninguém, mas, é impossível...

- Está tudo bem, Kazuya... Está tudo bem... Eu também errei muito com você, não se sinta mal!

- Quando você errou comigo, Jin? Tudo o que eu tiver como algum ressentimento foi obra de Harada e Kirisawa!

-... É verdade, eu sou um namorado perfeito, você tem muita sorte!

- Baka! – Ele riu, limpando as lágrimas – Se eu puder fazer alguma coisa para compensar o que eu fiz ontem...

- Hum...

- Pode dizer, eu faço!

- Qualquer coisa?

- Eu faço...

- Você não trouxe mesmo o seu presente?

- Baka!! Pode esquecer!

- Você não acabou de dizer que faria qualquer coisa? Onde fica a sua palavra?

- Qualquer coisa menos isso! Posso até mesmo passar por alguém que quebra suas promessas!

- Oh! Então, eu não quero mais nada.

- Tudo bem, eu conviverei com o remorso, então!

- Você não quer mesmo usar?

- Definitivamente!

- Nem se eu te pedir?

- Já disse que não! Isso é vergonhoso!

- Mas você fica de olhos fechados e só eu vou estar vendo!

- Jin!

Kazuya lhe deu as costas, indignado com o rumo que a conversa teve, mas, como Jin não podia ver, deixou escapar um sorriso. A quantidade de perversão que havia em seu namorado não lhe era de toda desagradável. No entanto, seu ato se mostrou um erro, pois deixou seu traseiro à mercê da mão libertina de Jin.

- Jin!! – ele repetiu o tom reprovador quando sentiu o dedo do outro deslizar entre suas nádegas sem nenhum pudor.

Aquela reprovação, no entanto, apenas incentivou o mais velho a se colar ao seu corpo, beijando-lhe a nuca, mordicando-lhe a ponta da orelha. A mão de Jin desviou sua rota e perambulou pela frente de Kazuya, enrolando-se nos pêlos pulbianos do rapaz. Depois de dar alento ao espírito de Kame, agora era vez do seu corpo... Essa era a intenção de Jin, mas...

... O celular de Kazuya tocou.

- É Akeko! – ele disse.

- Como sabe?

- Algum tempo atrás, enquanto namorávamos, ela configurou o toque do meu celular para quando eu recebesse suas chamadas... Essa música é do Elvis, conhece?

- Love me tender... O mundo inteiro conhece! É melhor você atender...

Jin saiu da cama e foi tomar um banho, deixando o pequeno falar à vontade com a ex-namorada, e também para eliminar aquela ligeira irritação que começava a surgir em seu peito novamente.

2

Os dias que se seguiram foram estranhos, na opinião de Jin. Ele ficou sabendo, através do Ryo, que soube diretamente de Pi, sobre relatório oficial que a Johnnys e a Safira produziram sobre o caso.

Aparentemente, Yamapi discutiu com a cantora por causa do filho que ela carregava no ventre. O documento dizia que Pi não era o pai da criança, mas não queria o nascimento. A identidade do pai foi mantida em sigilo entre os envolvidos. Não foi provado que o rapaz a jogou da escada, tendo sido um resultado da exaltação dos ânimos dos dois. Essa era a história aceita pelas duas agências.

Ainda que não tenha culpa direta no acidente, Yamapi foi isolado.

Enquanto isso, Kamenashi estava cada vez mais distante. Seu namorado estava sobrecarregado com a novela Suppli e, nas horas vagas, passava seu tempo com Tsubasa, que continuava afastada do trabalho e em repouso em sua casa.

Apesar do ciúme em vê-lo cuidar de forma tão atenciosa da ex-namorada, Jin entendia que eles precisavam um do outro para passar por cima dessa crise. Eram, afinal, pai e mãe e, por mais que a criança não tenha nascido, era um elo que sempre existirá... Além disso, apenas os dois poderiam compreender o que estavam sentindo com a perda do filho.

Jin decidiu dar espaço para o pequeno ajeitar sua vida, continuou a apoiá-lo, perguntava sobre o estado de Tsubasa e tentou manter o máximo de paciência que podia. Precisava estar ao lado de seu pequeno neste momento e não ser mais um estorvo a ele, ainda que fosse necessário se distanciar para que o caçula não se sentisse sufocado. Ele, inclusive, chegou a esconder os seus próprios problemas.

Jin não contou a Kamenashi o medo que sentiu em confrontar as fãs diretamente, nem o quanto se sentia desconfortável quando tinha que gravar algum programa com a presença da platéia – o que acontecia em praticamente em quase todos os programas – nem ao menos comentou que estava sentindo algumas dificuldades em decorar músicas e coreografias, ainda que fossem músicas antigas. Além de não querer trazer mais um problema a Kazuya, naquele momento, o próprio Jin acreditava que se tratava de algo passageiro, ligado ao seu mal-estar com Sayuka e Kirisawa, em breve se recuperaria... Ele queria acreditar nisso. No fundo, porém, era algo que começava a incomodá-lo.

Nos poucos momentos em que eles se encontravam, Jin preferia não estragar o encontro com suas lamúrias. Optava por tentar se distrair e se divertir com seu namorado, mas, muitas vezes Kamenashi estava cansado demais e dormia rapidamente ou, então, estava irritado e acabavam discutindo por algum motivo insignificante.

Era domingo, ele já estava integrado novamente em todas as atividades com o KAT-TUN, mas era um dia de folga. Dormiu até tarde e, quando se levantou, abriu a janela e constatou uma manhã cinzenta, porém, abafada.

Decidiu visitar Pi, já que certamente ele deveria estar entediado com aqueles dias de isolamento. Jin achou exagerado que ele tivesse sido punidos em duas semanas, ainda mais se não foi provado a sua culpa no acidente, mas não tinha como argumentar com a diretoria.

Ele queria conversar com Pi e saber exatamente o que tinha acontecido. Com esse objetivo, em poucos minutos ele já estava em companhia do seu melhor amigo.

Levaram algumas garrafas de cerveja para o terraço. Por Jin não ser da mesma unit que Pi, ele não estava infringindo a “lei do isolamento”, então, eles não precisavam se preocupar. Logo estavam à vontade, com Jin falando suas baboseiras e Pi escutando-o com atenção.

- Ah, fazia tempo que eu não vinha até aqui! – comentou Jin, andando pelo local e depois se apoiando na grade de proteção para olhar a rua. – É tão tranqüilo aqui em cima, né?

Pi concordou. Ele imaginava que Jin estava curioso com o ocorrido, por isso, ele não se surpreendeu quando o mais velho perguntou o que realmente tinha acontecido.

- Exatamente como está no relatório. – foi a sua resposta, enchendo o próprio copo com mais cerveja.

Jin se virou para encará-lo. Aproximou-se e estendeu o próprio copo para o amigo colocar mais cerveja.

- E porque vocês discutiram? – ele perguntou, assim que se acomodou ao lado de Pi.

O mais novo virou para o lado, olhando para o céu. Não respondeu. Jin o olhou com impaciência e lhe cutucou a bochecha.

- Eiiii! Eu estou falando com você!

Pi apenas tomou a sua cerveja.

- Pi, não me ignora!

-...

- Cretino!

Yamapi continuava impassível.

- Pi, por que você não quer me contaaaaaar? – ele já estava choramingando, o que provocou um riso em Yamashita.

- Por que é desnecessário. – ele finalmente falou alguma coisa.

- Porque?

- Porque não vai ajudar em nada você saber ou deixar de saber. Simplesmente não altera nada.

- Porque?

- Por que você não vai poder fazer nada, cacete!

- Porque?

- Quer apanhar?

- Porqu... Digo... Me deixa te ajudar, Pi!

- Porque?

- Por que você sempre me ajuda, é a minha vez, oras!

- Porque?

- Como assim, porque? É como as coisas funcionam! Você me ajuda, eu te ajudo!

- Porque?

- Por que eu sou o seu melhor amigo!

Yamapi olhou o sorriso idiota que o outro exibia. Olhou para cima.

- Porque, Deus? – e soltou um suspiro sofrido.

Jin riu e o socou no ombro. Em seguida, perguntou, com um tom de voz mais sério.

- Né, Pi... É tão grave que você não pode me contar?

Yamapi também deixou a brincadeira de lado.

- É, bastante.

O rosto baixo de Pi e o seu olhar preocupado afligiu a Jin. Ele se aproximou e encostou sua cabeça no ombro dele.

- Pi... Você sabe que pode contar comigo, não sabe?

- Esse não é o problema, Jin...

- É injusto que você faça tanto por mim e não me deixa sequer retribuir.

Jin saiu de onde estava e se agachou diante de Pi, enfiando seu rosto na frente do amigo e lançou o seu melhor olhar de cão abandonado. Sabia que o outro não seria capaz de resistir.

- Você não vai desistir, vai?

- Eu tenho muita energia, você sabe, Pi!

- Vai me encher o resto do dia?

- Com certeza!

- Então... Você vai ter que me prometer...

- O que?

- Independente do que eu te contar, você não vai sair daqui, vai escutar tudo e ficar aqui, bem à minha frente!

Jin achou aquela promessa estranha, mas concordou, rindo e estendeu o seu mindinho.

- Baka, não somos mais crianças! – Yamapi protestou, mas entrelaçou o seu próprio mindinho no dedo de Jin – E tem mais...

- Mais?

- Tudo o que você escutar aqui, estará proibido de contar ao Kamenashi!

- Ao Kazu? Mas por... – ele interrompeu a pergunta diante do olhar ameaçador de Yamapi – Eu prometo...

- E, por último...

- Tem mais ainda?

- Não reclama! Se não quiser, eu não conto!

- Ok, ok! Fala!

- Você vai me prometer que não vai procurar Tsubasa em hipótese alguma. Está prometido?

- Tenho outra opção?

- Tem. Não prometa e eu não te conto.

- Outra opção válida, eu quis dizer! Ok, eu prometo... Dá pra acabar com o mistério logo?

Yamapi olhou desconfiado para Jin, tentando enxergar algum truque para ele burlar a promessa, como dedos cruzados ou algo do tipo, afinal, ele o conhecia bem demais. Reconhecendo aquele olhar, Jin se levantou, com os braços erguidos, a fim de mostrar que estava sendo sincero.

- Hum... Tira o tênis!

- PI!! – Jin o olhou ofendido – Você não está falando sério, tá? Ah, você está me enrolando, pode parar e contar logo!

Jin sentou diante dele, em posição de índio, e esperou. O integrante do News suspirou, tomou um gole de cerveja e então contou:

- Eu andei investigando o passado de Tsubasa.

- Eh??

- Eu fiquei intrigado com o fato dela procurar o Kame no dia em que ele viu a nossa foto, se lembra?

- E eu posso esquecer isso?

- Então, você não acha que foi uma coincidência enorme?

- Mas pode acontecer, não?

- Pode... É difícil, mas pode... Eu não consegui engolir isso e aproveitei que estaria filmando próximo à cidade em que ela cresceu e fui até lá.

- E você descobriu alguma coisa? O que você estava procurando, afinal?

- Alguma ligação com Harada... Naquela época, ainda achávamos que o Harada era o mandante de tudo. Se houvesse alguma ligação entre eles no passado, justificaria aquela foto. Pense bem, Jin. O que Harada ganharia com aquela foto? Nada mais do que realmente aconteceu. Você e Kame terminaram. E quem se beneficiou com isso? Tsubasa. Mas eu precisava de uma prova.

- Espera, Pi... Mas o mandante de tudo, no final, era o Kirisawa!

- Isso não muda em muito a minha suspeita. Na verdade, isso só me faz querer voltar àquela cidade e perguntar sobre Kirisawa. Sim, talvez eu encontre alguma ligação de Takada com Kirisawa...

- Espera, quem é Takada?

- Takada Hirina é o nome de batismo de Tsubasa. Enfim... O que eu descobri foi que ela teve um passado meio turbulento. Seus pais morreram quando ela tinha 13 anos, aos vinte e poucos, ela abortou. Segundo o pai do seu namorado naquela época, ela ficou estéril... Você percebe? Ela esteve mentindo sobre a gravidez o tempo todo... E, agora, está usando o fato de perder o bebê para, de alguma forma, reconquistar o Kamenashi...

Aquela informação fez Jin se sentir como se tivessem batido em sua cabeça. Estava tonto. Poderia isso ser verdade? Tsubasa era uma mulher capaz disso? Sabia que ela era preconceituosa, mas isso não significa que ela seja capaz de brincar deliberadamente com a vida das pessoas.

- Só que eu não tenho como provar o que eu estou te contando, Jin. Tenho apenas o relato do pai de Satoshi... Se, ao menos, eu pudesse encontrar Nakamura Satoshi, ele poderia contestar esse falso aborto...

- E, afinal, você contou isso a Tsubasa? Era por isso que discutiam?

- Eu fui até o escritório dela e a avisei que sabia sobre a sua infertilidade. Pedi que ela mesma contasse ao Kamenashi, para tornar isso menos constrangedor... Então ela apareceu em casa e disse que eu estava maluco, que ela estava realmente grávida... Nós começamos a conversar sobre amor. Ela disse que faria tudo para ficar com a pessoa que ama e que era capaz de fazer o maior dos sacrifícios... Então, ela se jogou da escada.

- Eh??? – o espanto de Jin não poderia ser maior - Por que você não contou tudo isso à agência?

- Como disse, eu não tenho provas. – Pi respondeu, tomando um gole da cerveja, desanimado. – E, provavelmente, Tsubasa comprou uma testemunha que disse ter ouvido a nossa discussão. Essa testemunha depôs que eu disse que ela não deveria ter a criança...

Eles ficaram um tempo em silêncio. Jin absorvia todas aquelas informações com certa lentidão. Ainda estava pasmo, pensava em qual era a possibilidade disso ser realmente verdade. Então, ele se lembrou de algo.

- Né, Pi? Naquela noite em que fui seqüestrado... Harada disse que havia uma terceira pessoa... A mandante de todo o plano. Você acha que...

- Poderia ser Tsubasa? Eu tenho certeza que sim. Só preciso encontrar uma maldita prova...

- Se é esse o caso, então o Kazu... Está sofrendo tanto... – Jin pensava em quão cruel era uma pessoa que fazia outra acreditar que seu filho estava morto.

- Escuta, Jin... Você prometeu que não faria nada, que não diria nada, que não procuraria Tsubasa, está lembrado?

- Mas... O Kazu pode estar correndo perigo!

- Baka! O único que pode correr perigo é você! Ela ama o Kame e ela te odeia! Não é um raciocínio tão complicado, é?

Muitas pessoas me odeiam... Sayuka... Kirisawa... Tsubasa... Possivelmente a família toda de Sayuka...


O sorriso amargo de Jin atingiu o coração de Pi, que, um pouco mais calmo, disse:

- Escute, assim que eu sair desse maldito isolamento, voltarei àquela cidade e perguntarei sobre Kirisawa. Não se preocupe, pois nós vamos impedi-la, ok? Apenas seja paciente e espere, Jin... Por favor, eu te peço... Não vá atrás de Tsubasa, certo?

Jin consentiu com um aceno de cabeça, mas sua animação já não era mais a mesma.

3

Ela sorriu quando ele entrou com uma bandeja de comida.

- Ainda não está na hora da janta. – ela o avisou.

- Eu sei, mas você comeu muito pouco no almoço... Sei que está sendo difícil, mas você tem que se alimentar, Akeko...

- Você não precisa vir mais, Kazu. Eu já estou bem, se corresse risco, não teriam me dado alta.

Kazuya ajeitou a bandeja por cima do corpo da cantora e só então lhe respondeu.

- O que você viveu não fez mal apenas ao seu corpo, Akeko. Não precisa se mostrar tão forte na minha frente...

Akeko agradeceu e aceitou a refeição. Era incrível poder desfrutar da companhia e da comida de Kazuya novamente. Mas, por alguma razão, aquele vazio dentro dela persistia em atormentá-la.

- Akeko... Por que você não me conta o que aconteceu?

- Não quero causar desentendimentos, Kazu... É melhor deixar para trás o que passou, não quero guardar mágoas contra seus amigos. Afinal, tudo o que Yamashita fez foi por amor...

A insistência de Kame apenas aumentou depois desse comentário, principalmente diante do olhar hesitante e tristonho da cantora. Estava decidido a descobrir o que tinha acontecido entre Yamapi e Akeko e não sairia dali até que a cantora lhe contasse tudo.

Diante de tanto apelo, Tsubasa suspirou resignada.

- Apenas não faça nada com a cabeça quente, tudo bem? – ela pediu.

- Assim você me deixa mais preocupado... Por que eu esquentaria a cabeça?

- Sabe, Kazu... Eu sei sobre o seu relacionamento com Akanishi.

Ele se mostrou espantado. Nunca havia confessado seus sentimentos para Akeko, como ela poderia estar a par do seu namoro?

- Eu pude notar a sua transformação, Kazuya... Depois que me contou sobre a declaração de Akanishi, eu percebi como você, lentamente, apaixonou-se por aquele menino...

Kamenashi pode sentir a acusação naquelas palavras. Ele quase podia segurar o ressentimento de Akeko em suas mãos, era algo tão intenso que praticamente se tornava palpável. Akeko ignorou o mal estar do rapaz e prosseguiu:

- Akanishi e eu tivemos uma conversa franca algum tempo atrás... – ela explicou, antes mesmo que ele pudesse perguntar: – Ele me perguntou se eu te amava.

- Eh?? O Jin? – Kamenashi gostaria de saber porque o namorado nunca havia mencionado esse encontro.

- Eu respondi que sim, que o amava muito, então Akanishi pediu para que eu cuidasse de você. Naquele instante, acho que ele estava decidindo o que faria. Talvez, ele estivesse indeciso entre você e Yamashita... Não sei o porque ele quis conversar comigo... Né, Kazu, você quer mesmo levar adiante um relacionamento homossexual?

A pergunta direta dela o surpreendeu, mas, o que mais causou espanto a si próprio foi perceber que era capaz de responder essa pergunta sem um pingo de hesitação.

- Sim, eu já me decidi, Akeko. Amo o Jin... Eu sinto muito dizer isso a você, agora, estando nesta situação, mas acredito que você preferia que eu seja sincero...

- Claro que sim, meu querido... Mas, você tem certeza de que Akanishi o ama da mesma forma?

- Jin já demonstrou o suficiente o quanto me ama. – ele respondeu, imprudentemente, talvez, já que não poderia dizer a ela nenhuma das provas de amor que o namorado foi capaz de fazer. – Mas... O que isso tem a ver com o que aconteceu?

- Eu não sei a intensidade do amor de Akanishi a você, Kazuya, mas sei o quanto Yamashita o ama. Um dia, ele apareceu em meu escritório e me pediu que eu abrisse mão do que eu sinto por você... Aquele rapaz, mesmo amando tanto a Akanishi, é capaz de abrir mão do próprio amor desde que Akanishi esteja feliz... Você, entende, não é, Kazuya? Yamashita foi até mim visando à felicidade de Akanishi, mesmo que esta seja ao seu lado e não ao lado dele.

Kazuya ficou incomodado. Não precisava que Akeko lhe jogasse em sua cara aquilo que sabia há muito tempo.

- O amor desse garoto por Akanishi é tão grande, tão forte, tão intenso... É digno de inveja. – ela suspirou – Gostaria de ser amada assim... Acho que todo mundo gostaria... Eu expliquei a Yamashita todos os meus motivos para não abrir mão do meu filho e também que ele não precisava se preocupar... Eu nunca fui e jamais serei um empecilho a você e a Akanishi, afinal, se eu pudesse ser, nós nunca teríamos terminado, não é mesmo?

O sorriso gentil daquela mulher era somente mais uma arma com a qual o coração de Kazuya era ferido.

- Eu fui até o apartamento de Yamashita para dar essa resposta a ele. Discutimos sobre amor e, no final, ele disse que seria melhor que eu não tivesse a criança. Ele me sugeriu abortar... Sabe como isso é cruel para mim, não sabe? Eu já abortei uma vez, não queria e nem podia abortar de novo. – ela soluçou alto – Eu não serei mais capaz de dar à luz, Kazuya, nunca mais...

Akeko enterrou seu rosto em seus joelhos, deixando seus cabelos negros escorregarem por suas pernas. Seus ombros tremiam com cada vez mais violência quanto mais o choro dela se tornava mais intenso.

Kazuya se penalizou diante dessa imagem. Aproximou-se de Akeko e a abraçou, esfregando suas costas, de modo a consolá-la. Com o rosto encoberto pelos fios negros, ele não era capaz de enxergar aquele sorriso diabólico...

4

O seu plano era tão simples, Akeko pensava. Teria sido muito imprudente de sua parte se tivesse seguido o plano original, em que ela acusaria Akanishi por derrubá-la da escada. Isso traria algo escandaloso demais e sem garantias de que Kazuya acreditasse na culpa do rapaz.

Não, era algo muito mais simples que o traria de volta para o seu coração. Uma vez que não acusou ninguém pela sua queda, ela garantia a confiança de Kazuya em si, com a imagem de mulher digna e elegante que sempre manteve. Dessa forma, Yamashita poderia contar o que quisesse a Kazuya, sem provas, ele não teria como convencê-lo. Agora, lentamente, ela atiçaria o ciúme de Kazuya em relação a Yamashita. Além disso, no fundo, sempre haveria o fato, intencional ou não, de Yamashita ter provocado a morte de seu filho.

Akeko jogaria com esses sentimentos de Kazuya. Inflamaria o seu ciúme a tal ponto do próprio rapaz crer na culpa de Yamashita. Akanishi, por sua vez, defenderia o melhor amigo. Akanishi, afinal, não acreditaria na culpa dele. Dessa forma, ela colocaria Kazuya e Akanishi em lados opostos. Kazuya ficaria ao seu lado, Akanishi ao lado de Yamashita. Ambos estariam defendendo pessoas muito importantes em suas vidas e, inevitavelmente, a relação entre eles se desgastaria.

Era o que ela planejava.

E foi o que aconteceu.

5

“Yamapi e Kame estão brigando no camarim!”


A voz alardeada de Ryo ainda ecoava na cabeça de Jin enquanto este corria em direção ao camarim do News. Não teve paciência para esperar o elevador, pulou os degraus de dois em dois até seus joelhos começarem a protestar, mas finalmente alcançou o andar.

Havia um pequeno tumulto na frente da sala, formado por alguns juniores, staff, Koyama e Tegoshi. Os dois últimos batiam na porta pedindo para Yamapi abri-la.

Jin se aproximou pela passagem aberta entre os staffs e os juniores, mas tanto Koyama quanto Tegoshi ignoraram a sua presença. Jin, então, segurou um ombro de cada para empurrá-los e conseguir chegar até a porta. Tegoshi, não gostando de sua atitude, o encarou, mas não fez nada, já que Ryo se colocou entre Jin e ele.

Koyama apenas girou os olhos quando notou a presença de Jin, suspirando, como se dissesse que aquela confusão era culpa de Akanishi. Jin ignorou o seu olhar acusador girou a maçaneta, obviamente estava trancada.

- Kame!! – ele começou a bater na porta – Kame!! Abre a porta!!

A resposta só não foi o silêncio porque os gritos de ambos eram facilmente escutados do lado de fora, ainda que as palavras fossem incompreensíveis, uma vez que estavam ambos exaltados.

- PI!! – Jin preferiu tentar com o outro – Pi, abre essa porta!

Ele foi novamente ignorado.

- Mas que inferno! – Jin se alterou e chutou a porta – O que diabos vocês estão pensando? Abram essa porta logo ou eu... Eu... Eu... Ou o Johnny-san vai ficar sabendo dessa briga imbecil!!

Koyama riu baixo. Tegoshi se mostrou confuso com a brilhante idéia de Jin. Ryo bateu na cabeça de Jin, que se virou com uma careta e esfregando o cocuruto.

- Mas é verdade! – o rapaz tentou se defender – Pi, você acabou de voltar do isolamento! E depois, o desmiolado sou eu?? Vamos, abram essa porta já! Eu vou contar até três, se vocês não abrirem, eu mesmo vou chamar o Johnny-san! Um... Dois... E...

A porta se abriu. Kamenashi foi o primeiro a sair e lançou um olhar mortal a Jin, que engoliu em seco.

- Agora, quer me explicar o que aconteceu? – perguntou Jin, mas logo mudou seu tom de voz diante do olhar do pequeno – Por favor? – e ele colocou o seu melhor sorriso – Se você quiser...

O pequeno bufou, nervoso, e passou entre os integrantes do News sem ao menos notar suas presenças.

- Assustador... – Jin murmurou.

Jin se virou para entrar, mas Yamapi surgiu na porta no mesmo instante. Também estava irritado. Jin preferiu mudar de tática com o seu melhor amigo e tentou ser mais firme.

- Pode ir logo me explicando...

Yamapi não o deixou terminar e saiu andando, deixando Jin parado, com o dedo indicador erguido. Jin se virou para Ryo e bateu em seu ombro.

- Problema resolvido!

- Você não presta pra nada! – Ryo não hesitou em ser cruel.

- Fato! – choramingou Jin – Mas a tartaruga vai me explicar o que aconteceu! Vou atrás dela e você fala com o Pi!

- Beleza... Boa sorte!

- Pra você também!

Tegoshi e Koyama se entreolharam, depois que foram ignorados e abandonados no corredor sem uma explicação sequer.

- Esse pessoal do KAT-TUN só traz problemas ao NEWS! – comentou Koyama.

- Parece que sim. – concordou Tegoshi, suspirando.

6

Sentia tanto calor que era impossível raciocinar com clareza. Não sabia ao certo para onde estava indo, deixava suas pernas o guiarem para onde desejassem. Foi para o jardim da empresa. Naquele horário, estava vazio. Sentou-se em um banco e tentou se acalmar.

Não era a sua intenção ter armado um escândalo, mas simplesmente perdia a cabeça diante do sentimento que unia Yamapi a Jin. Quando deu por si, Kamenashi se viu discutindo aos berros com o melhor amigo do seu namorado, dizendo coisas agressivas e agindo como um perfeito imbecil. Recriminava-se por ter sido tão impulsivo, mas, por outro lado, se continuasse a sufocar aqueles sentimentos, certamente explodiria...

Talvez, já tenha explodido. Estava impaciente, estava triste, estava tão desorientado. Talvez, tenha descarregado tudo em Yamapi... Começava a se arrepender de tê-lo acusado de se intrometer em um relacionamento que não lhe dizia respeito.

“- Você não tem porque se preocupar tanto com o meu namoro com o Jin... Se não der certo, é melhor para você, não?”

Admitia, foi infantil e ridículo, mas, foi sincero.

“- Por que você simplesmente não fica em seu lugar? Por que tem que lutar tanto pela felicidade do Jin? Por causa disso... Aconteceu o que aconteceu e o meu filho está morto!”

“- Foi isso o que Tsubasa contou?”


“- Há algo mais?”


“- Não adianta falar com você agora, nada do que eu disser vai chegar até o seu cérebro, de qualquer maneira. Seus ouvidos escutarão, mas sua mente não será capaz de processar a verdade!”

“- Do que você está falando?”

“- Que você está cego, Kamenashi. Cego.”


Uma mão repousou em seu ombro, assustando-o. Estava tão compenetrado em seus pensamentos, que ele nem viu quando Jin se aproximou. Olhou para o namorado, ainda um olhar furioso.

- O que você quer? Se vai me dizer para voltar lá e me desculpar, eu...

- Eu só quero saber o que aconteceu, Kazu... Por que vocês discutiram?

- Eu não quero falar sobre isso agora, Jin.

Jin sentou com uma perna de cada lado do banco, de modo a ficar de frente para Kazuya, enxergando por completo a sua expressão zangada. O pequeno continuava a olhar para frente, tentando ignorar que estava sendo observado com tanta atenção.

- Vamos, Kazu... Se abra comigo... Vamos resolver isso...

A voz de Jin era tão carinhosa, que conseguiu amenizar a fúria do pequeno. No entanto, uma vez que a raiva estava mais branda, o remorso pela discussão começava a se fortalecer. Kazuya fechou os olhos e abaixou a cabeça.

- Eu apenas fui pedir para o Yamapi não se intrometer mais nos meus assuntos. Só que nos exaltamos e acabamos exagerando, foi isso...

- Eh? Quando o Pi se intrometeu em seus assuntos?

É claro que você o defenderia! Kazuya deixou o sarcasmo preso dentro de sua cabeça e se começou a listar tudo o que se lembrava:

- Quando estávamos brigados, ele forçou um encontro nosso em seu apartamento. Depois, me passou o maior sermão e ameaçou roubar você de mim... Ele foi até Akeko pedir para ela não interferir em nosso namoro e, depois, ainda pediu a ela que abortasse!

- Primeiro: O Pi não faria algo como pedir a Akeko que abortasse... Segundo, quando estávamos brigados, foi o único modo em que pudemos conversar, ainda que o resultado tenha sido um desastre, não foi culpa do Pi. Foi porque você me traiu, não inverta as coisas! E terceiro... Quando ele te ameaçou?

- Concordo que a nossa briga não tem nada a ver com Yamapi, mas isso não muda o fato de que ele forçou a nossa conversa. A ameaça foi um pouco antes do aniversário dele, em abril... E sobre o aborto, a própria Akeko quem me contou.

- Eu ainda não acredito que o Pi tenha dito algo desse tipo.

Kazuya bufou.

- De qualquer modo, não importa o que ele disse, que direito ele tinha de procurar a Akeko? Aliás, como ele sabe sobre ela? – e ele lançou um olhar acusador a Jin.

- Eu contei... – ele admitiu com cara de que sabia que aprontou – Um pouco depois do debut...

- Jin!!

- Gomen, mas eu precisava desabafar o que estava acontecendo entre a gente... E, além do mais, o Pi é de confiança!

- Grande confiança... Olha no que resultou tudo isso! – ele não foi capaz de conter o comentário amargurado.

Jin não rebateu, apenas o observou, em silêncio. Era doloroso ver o quanto Kazuya estava abatido com aquela história, sendo que havia uma possibilidade de não existir bebê algum. Estavam discutindo por algo que nunca existiu, Kazuya estava com raiva de Yamapi por um motivo falso e, ainda, estava ao lado de uma pessoa totalmente inescrupulosa. Tinha vontade de despejar tudo isso agora e fazê-lo perceber a realidade.

Contudo, sabia que, sem provas, ele poderia cometer uma injustiça. E se, por algum milagre, Tsubasa estava mesmo grávida? E se ela não ficou infértil como alega Nakamura? Afinal, não havia garantias de nada naquele momento.

Engolindo sua vontade, ele tentou, ao menos, defender Yamapi.

- O Pi só queria nos ajudar... Ele sabe o quanto você estava sofrendo com o impasse com Tsubasa...

- Eu não me lembro de ter pedido a ajuda dele... – foi a resposta agressiva, que impediu Jin de continuar - Portanto, ele só deve ter feito isso por você, Jin! Ele te ama!

Jin nunca foi uma pessoa muito paciente, ainda que no último ano ele tenha melhorado muito essa característica, mas, diante daquela explosão de ciúmes por parte de Kame, e tendo dúvidas sobre toda aquela história, não conteve a sua língua:

- Ah, não! – ele se levantou do banco, inconformado, e ficou de frente para Kazuya - Não começa com isso, Kazu! Se for assim, eu posso muito bem pensar que Tsubasa se jogou da escada pra ter a sua atenção! Ela te ama, afinal!

- Que ridículo!

- Mas está funcionando, não? Estamos aqui discutindo por isso, não estamos?

- Eu não posso acreditar em uma coisa assim! E, não inverta a situação, essa história toda só começou por que Yamapi foi procurar Akeko.

- Não, essa história toda começou porque você me traiu e a engravidou! Não jogue a sua responsabilidade nas costas do Pi!

O olhar marejado de Kamenashi não foi suficiente para aplacar a revolta de Jin, cujo olhar transbordava indignação. O pequeno moveu os lábios, irritado, mas não conseguia mais argumentar. Era verdade, afinal, o erro havia sido seu, em primeiro lugar, mas nunca havia pensado que Jin jogaria isso de modo tão agressivo e, o que era pior, para defender Yamapi.

- E eu não posso acreditar que o Pi tenha dito algo cruel para Tsubasa! – Jin, disse, por fim, com o objetivo de quebrar o silêncio.

- Está dizendo que a Akeko está mentindo??

- Está dizendo que o Pi é uma pessoa tão sem caráter a ponto de pedir que uma vida seja perdida?

- Eu não estou dizendo isso! – ele se defendeu - Eu apenas quero que ele deixe de se intrometer neste assunto que não diz o menor respeito a ele... Não digo que foi a sua intenção, mas as conseqüências foram sérias ao final... E não estamos brigando por causa de Akeko, estamos brigando porque você se doeu com as coisas que eu disse sobre o Yamapi... Você quis saber o motivo da briga, eu contei, e agora está brigando comigo. – ele reclamou, como uma criança repreendida.

- Olha, Kazu... Eu não concordo com os motivos que você me disse... Você está misturando o ciúme, infundado, que sente de Pi com o acidente de Tsubasa. Está sendo irracional e...

- Infundado? Ok. – ele respirou fundo - Yamapi já me disse claramente que o amava e que o roubaria de mim se eu não me declarasse a você, o que você quer que eu sinta, afinal? Além disso, vocês dois já fizeram sexo!

- De novo essa história? Até quando você vai jogar isso na minha cara?

- Foi você quem começou, jogando meu erro na minha cara!

- As duas coisas são totalmente diferentes!

- Mas as duas são coisas do passado, não?

- Está bem, não vamos mais falar disso, não chegaremos a lugar algum... Não quero discutir com você, Kazuya.

- Agora já é um pouco tarde, não?

A ironia do caçula o irritou.

- Eu estou tentando resolver, Kazuya, se você não quer, então, tudo bem! Faça como quiser!

Jin agitou os braços no ar, desistindo daquela conversa totalmente infrutífera. Levantou-se e deu as costas para o pequeno, que permaneceu onde estava, sentindo-se mal por ter brigado com Jin, mas, ao mesmo tempo, ainda estava nervoso com a discussão com Yamapi e com a defesa tão inabalável de Jin pelo melhor amigo.

“Você tem certeza de que Akanishi o ama da mesma forma?”


Sozinho, sentiu o peso da tensão que carregava em suas costas nos últimos dias. Estava por demais fatigado em dividir seu tempo entre o trabalho e cuidar de Akeko. Quando tinha um momento para si próprio, era consumido pelo modo vergonhoso como lidou com a descoberta de ser pai, remoendo a perda da criança. Consolava Akeko, mas não conseguia consolo para si próprio. E, quando estava com Jin, apenas o magoava.

Estava muito cansado, onde poderia procurar por um descanso?




By Misakiti
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Nara
Johnny's senior
Johnny's senior
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 2833
Idade : 33
Localização : São Paulo/SP
Emprego/lazer : bióloga
Unit Favorita : NewS, Arashi, Kanjani8, V6
Data de inscrição : 26/05/2009

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Sex Maio 14, 2010 7:07 pm

aiaiai Akeko malditaaaa !!!!!
*bufando d raiva*
Kame acorda meu filho
deixa de ser tao ingenuo
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://micellanews.blogspot.com/
Ge~
Johnny's trainer
Johnny's trainer
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 167
Idade : 25
Localização : Perdida 4ever
Unit Favorita : Kis-My-Ft2, ABC-Z, Q?, KAT-TUN, NEWS, HSJ, Butoukan
Data de inscrição : 28/04/2010

MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   Qui Maio 20, 2010 7:54 pm

Oie Kitty~
Vou acompanhar sua fic por aqui também... sendo que já terminou no Nyah ne~ ^^'
Mas ainda tô lendo~

Ainda tô na parte do esconderijo, mas já já me atualizo \o\

Ah, eu sou a Ge-chan lá do nyah! xD
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://exitfanfic.blogspot.com/
Conteúdo patrocinado




MensagemAssunto: Re: [END] Eu Não Te Amo   

Voltar ao Topo Ir em baixo
 
[END] Eu Não Te Amo
Voltar ao Topo 
Página 5 de 7Ir à página : Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7  Seguinte

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Johnnys Brasil :: Off Topic :: Free your mind-
Ir para: